quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Forma-se um novo oceano na África


Um grupo de pesquisadores norte-americanos, europeus e etíopes recentemente observou uma grande fissura no noroeste da Etiópia, que poderia dar origem a um novo oceano.

A fissura tem cerca de 60 km de comprimento e 4 m de largura, e formou-se em apenas três semanas, em conseqüência de um terremoto em 14 de setembro de 2005. Os geólogos já sabiam que o continente africano estava se dividindo em duas partes, na sua metade mais oriental, a uma velocidade de cerca de 2 cm por ano, ao longo de uma linha traçada desde o norte, passando pelo Mar Vermelho, e chegando à Etiópia, Quênia, Ruanda, Uganda e Tanzânia. Mais ao norte dessa fissura recém-formada, existem numerosas outras que estão sendo inundadas por água procedente do Mar Vermelho. Quando essas outras se ligarem à anterior, começará a formar-se um novo oceano.

Os geólogos associam este fenômeno com a teoria da tectônica de placas, que aceita que a crosta terrestre é formada por várias placas, como uma casca de ovo fraturada. Essas placas se deslocam entre si mediante mecanismos ainda não bem entendidos, movimentando as massas continentais (deriva continental) e originando fortes tensões nas massas rochosas. Os modelos atuais da crosta terrestre mostram que as bordas das placas em movimento correspondem a faixas de elevada sismicidade e vulcanismo, como o litoral oeste das Américas, as ilhas do Japão, Filipinas, Borneo, Sumatra, Nova Zelândia e zonas intracontinentais, como as cordilheiras do Himalaia e os Alpes.

Segundo a maioria dos geólogos, esses deslocamentos das placas ocorrem ao longo de quase toda a história da terra, que atinge vários bilhões de anos. Diversos cientistas criacionistas estão desenvolvendo modelos informatizados para explicar a tectônica de placas em um intervalo de tempo reduzido. Austin et al. sugeriram um modelo catastrófico de placas, ocorrendo durante o dilúvio relatado em Gênesis (1). Qualquer modelo de tectônica de placas deve explicar vários aspectos importantes da estrutura e composição da crosta terrestre: os cinturões de sismicidade e vulcanismo nas regiões dos Oceanos Pacífico, Índico, Atlântico e nas zonas continentais, a distribuição e elevação das cadeias de montanhas associadas à colisão de placas, a distribuição de faunas e floras fósseis semelhantes em ambos os lados de certas bacias oceânicas (Atlântica e Índica), e a presença de sinais de paleomagnetismo nas rochas do leito oceânico que parecem emergir das profundezas à medida em que as placas se separam.


Referências:
1. Austin, S.A., Baumgardner, J.R., Humphreys R., Snelling A.A., Vardiman L., Wise K.P. 1994. "Catastrophic Plate Tectonics: A Global flood model of earth history". The third intenational Conference on Creationism, Pittsburgh, Pennsylvania, Proceedings: 609-621.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Homossexualismo e homossexualidade

Armand M. Nicholi Jr

Ultimato procurava um texto sério sobre a questão da homossexualidade, escrito por uma autoridade no assunto, e encontrou o verbete “Homossexualismo e Homossexualidade” noBaker’s Dictionary of Christian Ethics, publicado em 1973 pelo conhecido editor Carl F. Henry, em Grands Rapids, nos Estados Unidos. O autor do verbete é o psiquiatra Armand M. Nicholi, durante muito tempo professor da Escola de Medicina de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, e consultor de Grupos do Governo e atletas profissionais. Nicholi é autor da obra-prima Deus em Questão — C.S. Lewis e Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida, publicado no Brasil pela Editora Ultimato.

O termo homossexualismo refere-se à atividade sexual praticada entre pessoas do mesmo sexo. Especialistas concordam acerca do significado de “comportamento homossexual”, mas têm dificuldades em chegar a uma definição clara do que é ser homossexual. Alguns descrevem o homossexual com base na prática do homossexualismo, enquanto outros o fazem considerando a atração preferencial por pessoas do mesmo sexo. Uma pessoa pode sentir desejos homossexuais intensos sem nunca praticar o homossexualismo, enquanto há quem opte pela atividade mesmo quando a preferência é fortemente dirigida para o sexo oposto. Neste último caso, circunstâncias como a influência do alcoolismo ou confinamento em prisões podem precipitar a ocorrência de experiências homossexuais. O termo bissexual refere-se a indivíduos que praticam atividades tanto homo quanto heterossexuais, podendo haver predominância de uma dessas práticas.

Independentemente do como se conceitue homossexualidade, não há uma forma precisa de determinar sua prevalência. Alguns poucos estudos indicam que cerca de 4 a 5 % da população branca masculina conservam-se exclusivamente homossexual após a adolescência, enquanto entre 10 e 20 % mantêm relações regularmente com indivíduos de ambos os sexos. Pesquisas desenvolvidas com militares na Segunda Guerra Mundial revelaram que 1% dos homens em serviço eram homossexuais, estimando-se que idêntico percentual constituía-se de casos não detectados, isto é, 2% no total. Seja como for, as estatísticas revelam que o homossexualismo é pouco comum.

A história registra a homossexualidade em muitas civilizações antigas. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos mencionam essa prática e são fortemente explícitos em proibi-las. Algumas civilizações — por exemplo, os antigos gregos — aparentemente aceitavam a prática do homossexualismo com pouca ou nenhuma desaprovação. Ainda que a maioria das culturas em nossos dias lide com essa questão, em certos grupos sociais não se encontraram nem sequer indícios de homossexualismo.

A causa da homossexualidade não está claramente identificada. As diversas teorias podem ser agrupadas em razão de apontar para um dos dois grupos gerais de causas: genéticas e psicogênicas.

O primeiro grupo, de causas “genéticas”, postula que um indivíduo pode herdar a predisposição para a homossexualidade. As teorias reunidas nesse grupo apontam para evidências obtidas em estudos com gêmeos, os quais revelam que a incidência de homossexualismo entre gêmeos idênticos é expressivamente maior do que em gêmeos não-idênticos.

Já o segundo grupo de teorias, chamado “psicogênico”, afirma que a identidade sexual é determinada pelo ambiente familiar e outros fatores do meio em que uma pessoa vive. Neste caso, as teorias apontam para a existência de denominadores comuns entre famílias de diversos homossexuais.

Pesquisas recentes indicam que as famílias mais propensas a gerar um rapaz homossexual são aquelas em que a mãe é muito íntima do filho, possessiva e dominante, enquanto o pai é desligado e hostil. São mães com tendência ao puritanismo, sexualmente frígidas e determinadas a desenvolver uma espécie de aliança com o filho contra o pai, a quem ela humilha. O filho torna-se excessivamente submisso à mãe, volta-se a ela em busca de proteção e fica ao seu lado em disputas contra o pai. Pais de homossexuais são freqüentemente distantes, não demonstrando entusiasmo ou afeição, e criticam os filhos. Sua tendência é menosprezar e humilhar o filho, dedicando-lhe muito pouco de seu tempo. O filho reage com medo, aversão e falta de respeito. Alguns estudiosos consideram que a relação entre pai e filho parece ser mais decisiva na formação da identidade sexual do jovem do que o relacionamento deste com sua mãe. Tais pesquisadores chegam a afirmar não ser possível uma criança se tornar homossexual se seu pai for carinhoso e amoroso.

Em alguns homossexuais é o medo do sexo oposto que parece ser o fator dominante, não a atração profunda por alguém do mesmo sexo. Uma vez resolvido esse medo com terapia, a heterossexualidade prevalece. Estudos recentes têm demonstrado, ainda, que a sedução por outros homossexuais — especialmente outros rapazes — não parece ser um fator relevante.

A chamada “homossexualidade latente” refere-se a conflitos emocionais similares aos da forma “aparente”, mas sem consciência do fato ou sem expressão pública dos conflitos.
Lesbianismo é o termo que se aplica à homossexualidade feminina. Como no caso do homossexualismo masculino, sua prevalência é desconhecida. Também neste caso a questão familiar desempenha um papel muito importante. Pesquisas demonstram que muitas mães de mulheres lésbicas tendem a ser hostis e competitivas com suas filhas, sendo muito ligadas aos filhos homens e ao pai. Além disso, os pais de mulheres homossexuais raramente desempenham um papel dominante na família e dificilmente mostram-se afeiçoados às filhas.

Tanto homens quanto mulheres homossexuais tendem ao isolamento e mostram dificuldade em fazer amizades, mesmo quando crianças. Na adolescência e na idade adulta eles raramente marcam encontros. A maioria dos homossexuais torna-se consciente de sua homossexualidade antes dos dezesseis anos — alguns até antes dos dez anos. Eles costumam optar pela vida em cidades grandes para aí formar seus próprios grupos sociais com regras, modo de vestir e linguagem próprios. Recentemente, tem-se observado o surgimento de organizações para melhorar a imagem do homossexual, as quais costumam negar que o homossexualismo seja um distúrbio ou anormalidade.

Leigos freqüentemente questionam se a homossexualidade deveria ser considerada uma doença ou um pecado. Uma coisa não exclui a outra. Pessoas cuja fé se baseia na Bíblia não podem duvidar que as claras proibições do comportamento homossexual façam dessa prática uma transgressão da lei divina. Por outro lado, há que se considerar a preponderância de opiniões de especialistas a apontar o homossexualismo como uma forma de psicopatologia que requer intervenção médica.

Muitos, em nossa sociedade moderna, negam a condição patológica do homossexualismo, recusam-se a considerar a existência de implicações de ordem moral e vêem a prática homossexual apenas como uma forma de expressão diferente do padrão de comportamento sexual da maioria da população. Assim, tais pessoas não apenas desencorajam a busca por ajuda como contribuem para que o homossexual se conforme com uma vida cada vez mais isolada e frustrante, independente de quão permissiva e condescendente nossa sociedade se torne.

Outra questão bastante levantada diz respeito à atitude da igreja em relação a homossexuais. Tais indivíduos se deparam com ouvidos insensíveis e portas fechadas na comunidade cristã. Essa reação intensifica os sentimentos de angústia e de solidão profunda, o completo desânimo que os assusta e, com freqüência, leva ao suicídio. Cristo, enquanto se opunha vigorosamente à doença e ao pecado, buscava doentes e pecadores com compreensão e misericórdia. A igreja erra quando se permite fazer menos.

A grande cobertura que a mídia faz do homossexualismo, resultado da recente atividade de organizações de homossexuais, tem tornado a homossexualidade mais aceitável como tópico de discussão. Dessa forma, a igreja sem dúvida tomará consciência do problema acontecendo com alguns de seus membros. Isto não deve surpreender, pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, o sentimento de solidão, a necessidade de contato humano e a imagem de si próprio como um desajustado levam o homossexual a ver a comunidade cristã como um refúgio e uma possível fonte de conforto. A outra razão está na frieza e rejeição, comuns no ambiente familiar, provocando ânsia por uma figura de pai amoroso, cálido e compassivo. É fácil entender como o cristianismo pode ser atraente, especialmente para suprir esta necessidade emocional.

Várias formas de psicoterapia têm sido usadas no tratamento de homossexuais, com diferentes níveis de sucesso. Como em qualquer tratamento psicoterápico, os resultados dependem de fatores múltiplos, com ênfase na motivação do paciente. Pessoas homossexuais tendem a ser desmotivadas, o que seja talvez um dos maiores desafios para o terapeuta. A experiência clínica tem mostrado que a motivação para mudar e a consciência do erro são essenciais para aumentar significativamente a expectativa de um tratamento bem-sucedido.


Nota * Traduzido, com permissão de Baker Academic, uma divisão da Baker Publishing Group (www.BakerPublishingGroup.com), por Raquel Monteiro Cordeiro de Azeredo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Complexidade Genética

Publicações Recentes Desafiam a Posição Darwiniana e Apoiam a Posição Criacionista com um Design Inteligente.

Os vários estudos genéticos têm avançado em muito o nosso conhecimento sobre a vida.

Neste mês de maio de 2006, o cromossomo número 1 do genoma humano (o maior de todos) teve o seu sequenciamento finalizado. Foram dez anos de trabalho.

O conhecimento do material genético tem trazido novamente à tona um antigo problema encontrado pela ciência: a origem da complexidade genética.

Várias publicações recentes têm desafiado o posicionamento evolucionista com evidências relevantes. Citaremos aqui apenas algumas.

Evolução rápida:
Muitos genes humanos, segundo um artigo do New Scientist, devem ter evoluído nestes últimos 15.000 anos. Cerca de 700 genes estudados, segundo os pesquisadores, foram alvo da seleção natural, na linhagem humana, principalmente os envolvidos no metabolismo de carboidratos. Esta “evolução rápida” está ligada a ideia de adaptação.

Complexidade Transcrita:
A publicação PLoS Genetics (Public Library of Science) trouxe um artigo especial sobre os transcriptomos (conjunto de moléculas mRNA numa única ou numa população de células biológicas para um conjunto de circunstâncias ambientais, podendo variar de acordo com o contexto do experimento).

Após o genoma humano ter sido decifrado, os cientistas ficaram perplexos pela pequena quantidade de genes – aproximadamente 30.000. O que isto indica é que uma grande quantidade de genes pode ser arranjada e rearranjada de muitas formas modulares, por meio de um splicing genético alternativo, produzindo muitas proteínas variantes por meio de um único gene. Tudo indica que um novo mundo de complexidade ainda maior que a previamente conhecida está vindo à tona. Tanto é verdade que a chamado do artigo aparece da seguinte forma:

“Além de revelar uma complexidade estarrecedora, análise desta coleção tem produzido um número cada vez maior de novas classes de mRNA, pseudogenes expressos, e genes de proteínas codificantes com variantes não codificantes. Ainda, novas classes de lógica regulatória têm surgido, incluindo mecanismos sense-antisense de regulagem através do RNA. Esta coleção de alta resolução cDNA e sua análise, representam recursos mundiais importantes para descobertas, e demonstram o valor do acesso em larga escala dos transcriptomos através do conhecimento das funções genômicas.”

Quem Regula os Reguladores?
Em artigo publicado na revista Nature (23 de Março de 2006), trata dos caminhos importantes que controlam o destino dos transcriptos de RNA dos genes. O mecanismo descrito no artigo revela um alto nível de complexidade que vai além da informação contida nos próprios genes, tal como os pontos de verificação do tipo “go/no-go”.

David Tollervey escreve:
“As células alteram suas taxas de transcrição de mRNA para alterar os níveis do mRNA, e portanto, proporção da síntese de proteínas, em resposta a muitos estímulos. Para ajustar os níveis de mRNA, as células devem ser capazes de se desfazer rapidamente de mRNAs normais, os quais foram previamente sintetizados (turnover). De fato, diferentes mRNAs divergem radicalmente em suas proporções de degradação, sendo isto sujeito tanto ao metabolismo quanto a regulagem progressiva. Ainda, as células devem se guardar das sínteses de mRNAs anormais (surveillance), as quais podem produzir produtos protêicos deficientes, potencialmente tóxicos”.

Trabalho Circular (Ring Job):
As cópias produzidas durante a divisão celular devem ser precisas. Muitas partes das proteínas cooperam para garantir altos níveis de controle de qualidade. A publicação Nature (23 de Março de 2006) trata da descoberta de um anel que desliza ao longo de microtubos no importante estágio da separação dos cromossomos emparelhados.

Revisão de Alta Fidelidade:
Em artigo publicado em Current Biology (T. Albertson e B. Preston, DNA Replication Fidelity: Proofreading in Trans., Current Biology, Vol 16, Issue 6, p R209-R211) tratam do processo de controle de qualidade das cópias realizado pelo DNA.

“Revisão é o tutor principal da fidelidade da polimerase do DNA. Novas pesquisas têm revelado que polimerases com atividade intrínseca de revisão pode cooperar com polimerases sem-revisão para garantir uma replicação fiel do DNA.”

Isto significa que algumas polimerases (copiadoras) possuem uma fidelidade maior que as outras, mas cooperam para garantir a precisão do produto. Quão bom é o sistema? Maior que qualquer copista humano (e isto por ordens de magnitude).

“Células normais replicam o seu DNA com uma fidelidade impressionante, acumulando menos que uma mutação por genoma por divisão celular. Tem sido calculado que nas polimerases replicativas do DNA produzem um erro para cada 104 a 105 nucleotídeos polimerizados. Portanto, cada vez que a célula de um mamífero se divide, aproximadamente 100.000 erros de polimerase ocorrem, e estes devem ser corrigidos o mais próximo possível dos 100% de eficiência, a fim de evitar mutações deletérias. Isto é realizado através de ações combinadas da... revisão exonucleolítica e do sistema de reparo pós-replicação atavés de comparação de diferenças.”

Programação Modular:
Em artigo publicado pela Nature (30 de Março de 2006), 37 cientistas europeus encontraram no fermento um exemplo de programação modular estranho.

A máquina celular agrega partes de proteínas celulares em 491 complexos, dos quais 257 são novos, que combinam diferencialmente com proteínas anexadas adicionalmente ou módulos proteicos que possibilitam a diversificação de funções potenciais. Apoio para esta organização modular do proteoma vem da integração com dados disponíveis em expressão, localização, função, conservação evolucionária, estrutura proteica e interações binárias.

A pergunta que persiste é: O que seria necessário para modular 257 novas proteínas e 491 complexos, todos precisamente regulados? A expressão usada no artigo “conservação evolucionária” (evolutionary conservation) significa “que não houve evolução”.

A Conclusão:
Em artigo publicado na revista Nature (30 de Março de 2006), Embley e Martin traçam algumas conclusões surpreendentes quanto a proposta simplista sobre um antigo procariote ter evoluído num eucariote:

“A ideia que alguns eucariotes primitivos não possuíam mitocôndrias e que foram assim verdadeiros intermediários na transição procariote-eucariote foi uma prospectiva fascinante. Produziu inúmeros avanços para a compreensão de eucariotes anaeróbicos e parasitários e aqueles cuja mitocôndria havia sido previamente ignorada. Contudo a distância evolutiva entre procariotes e eucariotes é agora mais profunda, e a natureza da grande quantidade de organismos que adquiriu a mitocôndria, ainda mais obscuro de que nunca antes.”


Pelo que tudo indica, mitocôndria não foi algo adquirido com o passar do tempo, mas sim um resultado direto de uma criação com um design inteligente.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Data Recente da Radiação de Fundo Apoia Cosmologias Criacionistas

Em 1965, Arno Penzia e Robert Wilson descobriram a radiação de fundo (Cosmic Microwave Background – CMB como é conhecida), com uma variação de intensidade menor que 10% em todas as direções. Medições desta radiação foram feitas pelos satélites COBE (Cosmic Background Explorer – lançado em 1989) e WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropic Probe – lançado em 2001).

Medições mais precisas foram realizadas através de um telescópio de micro-ondas a 38km de altitude sobre a Antártica, chamado BOOMERanG (Balloon Observation Of Millimetric Extragalatic Radiation ANd Geomagnetics – lançado em 2003).

A energia da CMB pode ser descrita em termos de temperatura de um corpo negro. Estudos que se iniciaram na década de 70, mostram uma temperatura equivalente de 2,73K. Uma das descobertas recentes mais interessante é que a CMB parece indicar um plano de referência preferencial, o que não é inconsistente com o princípio da relatividade (o princípio da relatividade diz não haver um plano de referência preferencial no sentido de como as leis da física atuam). Um observador num plano de referência inerte não seria capaz de distinguir nenhuma evidência sobre o seu movimento exceto se compará-lo com um plano de referência preferencial.

As maiores diferenças de temperatura observadas (anisotropia da radiação de fundo) estão relacionadas com o movimento da Terra em relação a este plano de referência preferencial, que age como um observador em movimento acoplado. Este movimento foi medido como uma velocidade de 370 km/s em direção a Leo, e o da nossa galáxia a cerca de 600 km/s com respeito a este plano de referência. Estas observações são consistentes com os modelos relativísticos criacionistas de Humphreys e Gentry, os quais explicam o estado atual do universo dentro de um quadro de tempo criacionista. Todavia, estas observações são inconsistentes com toda a cosmologia do big bang.

Por exemplo, nas cosmologias criacionistas a distribuição de matéria é proposta como limitada, ao passo que o espaço pode ou não estar limitado. O próprio desvio da luz para o vermelho, também, pode mostrar que nós estamos num plano de referência preferencial.


Uma das implicações desta descoberta é que o universo pode ter um centro (devido a polarização da radiação de fundo).

sábado, 19 de dezembro de 2015

A. J. (Monty) White: Uniformismo


As leis físicas da natureza, como por exemplo as leis da gravidade, da termodinâmica, e do movimento, são ensinadas com a inferência de que elas sempre estiveram e sempre continuarão a estar em ação.

Semelhantemente, com as grandezas físicas (tais como a velocidade da luz, a intensidade das ligações químicas, as propriedades físicas e químicas das substâncias), há de novo essa inferência de que os valores e as propriedades determinados atualmente são os mesmos que teriam sido determinados em qualquer tempo, quer no passado, quer no futuro.

Essa inferência, contudo, é verdadeira somente para o período de tempo que decorre desde a Criação pelo onipotente Criador até o dia em que “os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados e a Terra e as obras que nela existem serão atingidas” (1).
Além disso, a palavra de Deus relata que Deus “é antes de todas as coisas, nEle tudo subsiste” (2).

De fato, porque Deus é imutável (3), não é irrazoável deduzir que a maioria das leis que regem a Ciência, bem como as propriedades físicas e químicas da matéria, não se têm alterado desde a Criação, e não se alterarão até a “destruição”. Deve, entretanto, ser notado que certas propriedades mensuráveis não são constantes, o seu valor variando de ano a ano, como por exemplo a posição na esfera celeste para a qual aponta o Polo norte (4) e o valor do momento magnético terrestre (5).

É dada pouca consideração, pelos estudantes das Ciências, à veracidade e/ou às implicações da inferência anterior, porque, de maneira geral, a Hipótese Uniformista está integrada no todo da Ciência, e é aceita consciente ou inconscientemente como verdade sem contestação. Essa hipótese, que foi divulgada por Charles Lyell (1797-1875) no seu famoso livro “Princípios de Geologia”, pode ser expressa resumidamente como “o presente é a chave para o passado”.

Pensa-se comumente que essa hipótese é aplicada somente ao campo da Geologia, onde se ensina que todos os processos geológicos ora em operação na Terra, estiveram em ação da mesma maneira no passado, ao longo de períodos de tempo extremamente longos, e que tais processos graduais são os responsáveis pelo mundo tal qual o vemos hoje, com os seus continentes de montanhas, vales e estratos fossilíferos. Pode-se ver, entretanto, que a hipótese do Uniformismo de Lyell está em ação não só no campo da Geologia, como também em todas as áreas da Ciência.

Referências:
(l) II Pedro 3:10 (Tradução da “Authorized Version”).
(2) Colossenses 1:17 (Tradução da “The Amplified Bible”).
(3) Malaquias 3:6.
(4) Moore, Patrick. 1961. Astronomy. Oldbourne, London, p. 22.

(5) Barnes, Thomas G. 1971. Decay of the earth's magnetic moment and the geochronological implications, Creation Research Society Quarterly, 8(1): 24 - 29. June.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Hitler era Cristão?

Com vergonha do legado assassino dos regimes comunistas ateus do Século XX, os líderes ateístas buscam empatar o placar com os crentes ao retratar Adolf Hitler e seu regime nazista como sendo teístas, mais especificamente Cristãos. Os websitesMein Kampf: “Ao me defender dos Judeus, defendo o trabalho do Senhor”. O escritor ateu Sam Harris escreve que “o Holocausto marcou o auge de … 200 anos dos Cristãos fulminando os Judeus”, ateístas rotineiramente alegam que Hitler era Cristão porque nasceu Católico, nunca renunciou ao seu Catolicismo e escreveu em portanto, “sabendo disso ou não, os nazistas eram agentes da religião”.

Quão persuasivas são essas alegações? Hitler nasceu Católico assim como Stálin nasceu na tradição da Igreja Ortodoxa Russa e Mao Tsé Tung foi criado como Budista. Esses fatos não provam nada, pois muitas pessoas rejeitam sua criação religiosa, como esses três fizeram. O historiador Allan Bullock escreve que desde cedo, Hitler “não tinha tempo algum para os ensinos do Catolicismo, considerando-o como religião adequada somente para os escravos e detestando sua ética”.

Então como nós explicamos a alegação de Hitler de que ao conduzir seu programa anti-semítico estava sendo um instrumento da providência divina? Durante sua ascensão ao poder, ele precisava do apoio do povo alemão – tanto os Católicos da Bavária quanto dos Luteranos da Prússia – e para se assegurar disso ele utilizava retórica do tipo “Estou fazendo o trabalho do Senhor”. Alegar que essa retórica faz de Hitler um Cristão é confundir oportunismo político com convicção pessoal. O próprio Hitler diz em Mein Kampf que seus pronunciamentos públicos deviam ser entendidos como propaganda, sem relação com a verdade, mas planejados para influenciar as massas.

A ideia de um Cristo ariano que usa a espada para purgar os Judeus da Terra – o que os historiadores chamam de “Cristianismo Ariano” – era obviamente um afastamento radical do entendimento Cristão tradicional e foi condenado pelo Papa Pio XI no tempo. Além do mais, o anti-semitismo de Hitler não era religioso, era racial. Os Judeus foram atacados não por causa de sua religião – aliás, muitos Judeus alemães eram completamente seculares em seus estilos de vida – mas por causa de sua identidade racial. Essa era uma designação étnica e não religiosa. O anti-semitismo de Hitler era secular.

Hitler’s Table Talk [“Conversas informais de Hitler”, um livro] uma coleção reveladora das opiniões privadas do Führer, reunida por uma assistente próxima durante os anos de guerra, mostra Hitler como sendo furiosamente anti-religioso. Ele chamava o Cristianismo de uma das maiores “calamidades” da história, e disse sobre os alemães: “Vamos ser as únicas pessoas imunizadas contra essa doença”. Ele prometeu que “por intermédio dos camponeses seremos capazes de destruir o Cristianismo”. Na verdade, ele culpava os Judeus pela invenção do Cristianismo e também condenou o Cristianismo por sua oposição à evolução.

Hitler guardava um desdém especial pelos valores Cristãos da igualdade e compaixão, os quais ele identificou com a fraqueza. Os principais conselheiros de Hitler, como Goebbels, Himmler, Heydrich e Bormann eram ateus que odiavam a religião e buscavam erradicar sua influência da Alemanha.

Em sua História em vários volumes do Terceiro Reich, o historiador Richard Evans escreve que “os nazistas consideravam as igrejas como sendo os reservatórios mais fortes da oposição ideológica aos princípios nos quais eles acreditavam”. Quando Hitler e os nazistas chegaram ao poder lançaram uma iniciativa cruel para subjugar e enfraquecer as Igrejas Cristãs na Alemanha. Evans aponta que após 1937, as políticas do governo de Hitler se tornaram progressivamente anti-religiosas.

Os nazistas pararam de celebrar o Natal, e a Juventude de Hitler recitou uma oração agradecendo ao Fuhrer, ao invés de Deus, por suas bênçãos. Aos clérigos considerados como “problemáticos” era ordenado que não pregassem, centenas deles foram aprisionados e muitos foram simplesmente assassinados. As Igrejas estavam constantemente sob a vigilância da Gestapo. Os nazistas fecharam escolas religiosas, forçaram organizações Cristãs a se dissolverem, dispensaram servidores civis praticantes do Cristianismo, confiscaram propriedade da igreja e censuraram jornais religiosos. O pobre Sam Harris não é capaz de explicar como uma ideologia que Hitler e seus associados entendiam como uma renúncia ao Cristianismo pode ser apresentada como o “auge” do Cristianismo.

Se o nazismo representava o auge de algo, era o auge do Darwinismo social do final do Século XIX e início do XX. Como documentado pelo historiador Richard Weikart, tanto Hitler quanto Himmler eram admiradores de Darwin e freqüentemente falavam do papel deles como promulgadores de uma “lei da natureza” que garantiria a “eliminação dos ineptos”. Weikart argumenta que o próprio Hitler “construiu sua própria filosofia racista baseado em grande parte nas idéias do Darwinismo social” e conclui que embora o Darwinismo não seja uma explicação intelectual “suficiente” para o nazismo, é uma condição “necessária”. Sem o Darwinismo, talvez não houvesse nazismo.

Os nazistas também se inspiraram no filósofo Friedrich Nietzsche, adaptando a filosofia ateísta dele aos seus propósitos desumanos. A visão de Nietzsche do ubermensch [super-homem] e sua elevação a uma nova ética “além do bem e do mal” foram adotadas de forma ávida pelos propagandistas nazistas. A “sede pelo poder” de Nietzsche quase se tornou um slogan de recrutamento nazista. Em nenhum momento estou sugerindo que Darwin ou Nietzsche teriam aprovado as ideias de Hitler, mas este e seus comparsas aprovavam as ideias daqueles.

Então, à montanha de corpos que os regimes misoteístas [que odeiam Deus] de Stálin, Mao, Pol Pot e outros produziram, nós devemos adicionar os mortos do regime nazista, também misoteísta. Assim como os comunistas, os nazistas deliberadamente atacaram os crentes, pois eles queriam criar um novo homem e uma nova utopia livre das amarras da religião e moralidade tradicional. Em um artigo anterior eu perguntei qual é a contribuição do ateísmo para a civilização. Uma resposta àquela questão: genocídio.

Por: Dinesh d’Souza

Traduzido e adaptado por: Maxiliano Mendes

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

"Razão vs Fé" ou "Razão, por isso, Fé" ?

Contribuição de Evans Roberts:
"Ao se dizer que algo tem significado, ainda é conferido a esse algo uma certa dose de independência e autonomia em relação à sua Origem [...]. Contudo, quando se afirma que as coisas criadas são significado, se está claramente apontando para o fato de que a diversidade criada pertence a uma estrutura abrangente de interdependência mútua formando uma totalidade de significado. Esta totalidade de significado ou unidade de significado, por sua vez, aponta para a sua Origem, aquele que lhe conferiu significado e a partir de quem esta totalidade criada deriva seu sentido. Embora todas as coisas sejam entes de significado e este significado seja irredutível, este significado particular não é suficiente em si mesmo; cada aspecto da criação aponta para outro, para além de si e, por último, para aquele que o criou."

CARVALHO, Guilherme Vilela Ribeiro. Sociedade, Justiça e Política de Cosmovisão Cristã: Uma Introdução ao Pensamento Social de Herman Dooyeweerd. In: CARVALHO, Guilherme Vilela Ribeiro. (Org.). Cosmovisão Cristã e Transformação. Viçosa: Ultimato, 2006, p 74.

HERMAN DOOYEWEERD - pai da "filosofia Reformacional" ou "Filosofia da Ideia Cosmonômica"

"Há alguns anos atrás, quando comecei a conversar sobre “filosofia reformada” com alguns colegas, fui surpreendido por um amigo livreiro, ele mesmo amigo de um filósofo algo instruído em teologia. Segundo o meu amigo, que consultara o tal filósofo, “essa coisa de filosofia cristã não existe não. Teve a filosofia cristã católica, que no final não deu certo. Mas filosofia cristã, e calvinista ainda por cima? Não, isso não existe não. Deve ser teologia travestida de filosofia”." Guilherme V. R. de Carvalho - Herman Dooyeweerd, Reformador da Razão.

A Relevância do Teísmo Cristão para a Ciência no Pensamento de Roy A. Clouser

"O filósofo americano Roy Clouser desenvolveu recentemente um modelo para explicar a relação entre a religião e a ciência, a partir de uma crítica interna do empreendimento científico. Segundo Clouser, todo pensamento teórico depende de pressuposições a respeito da ordem cósmica cuja natureza é indistinguível de certos tipos de crença religiosa – aquelas crenças a respeito do que constituiria o fundamento divino do mundo. A partir da observação da indistinguibilidade dessas crenças, Clouser sustenta que a ciência tem, necessariamente, um ponto de partida religioso que condiciona a construção teórica.

A partir dessa descoberta, Clouser apresenta a crença teísta cristã clássica como um ponto de partida viável para o empreendimento científico, e como uma imagem de mundo superior às imagens não-teístas de mundo, na medida em que estas não fornecem subsídios suficientes para lidar com o problema do reducionismo científico e com os impasses teóricos relacionados a ele."
Guilherme V. R. de Carvalho - A Relevância do Teísmo Cristão para a Ciência no Pensamento de Roy A. Clouser. RESUMO.

Herman Dooyeweerd, ao apresentar sua idéia de cosmovisão, remonta e aperfeiçoa o que já apresentara Abraham Kuyper.

Já que mencionei Kuyper, é propício lembrar uma de suas mais conhecidas citações:
"Oh, nem um único espaço de nosso mundo mental pode ser hermeticamente selado em relação ao restante, e não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é o Soberano sobre tudo, não clame: é Meu!"
Bratt, James D., Abraham Kuyper: A Centennial Reader, 1998, p. 488.
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Herman Dooyeweerd é notório também por sua resistência incansável a toda e qualquer tentativa de criar uma esfera intelectual “neutra”, sem influência da fé.

A descoberta de Dooyeweerd, ao mesmo tempo em que o alinhou com as antropologias e epistemologias de Agostinho, de Calvino e de Pascal, estabeleceu um poderoso ponto de contato/ fricção com o pensamento moderno. Contra Kant e o neokantismo, Dooyeweerd localizou o coração humano como o verdadeiro ponto de partida do pensamento – e não a razão humana – e mostrou a necessidade de autoconhecimento, por meio do conhecimento de Deus, para que o homem possa desenvolver um pensamento autenticamente crítico. A idéia calvinista de norma heteronômica também teve papel importante na rejeição do autonomismo kantiano.

"Originalmente eu estive sobre forte influência, primeiramente da filosofia neokantiana, e depois da fenomenologia de Husserl. A grande virada em meu pensamento foi marcada pela descoberta da raiz religiosa do próprio pensamento, quando também uma nova luz foi lançada sobre a derrocada de todas as tentativas, incluindo a minha própria, de estabelecer uma síntese interna entre a fé Cristã e uma filosofia que é radicada na fé na auto-suficiência da razão humana. Eu vim a compreender o significado central do “coração”, proclamado raiz moral da existência humana. Na base deste ponto de vista Cristão central, eu vi a necessidade de uma revolução no pensamento filosófico, pensada em um caráter profundamente radical. Em confronto com a raiz religiosa da criação, nada menos está em questão do que como relacionar todo o cosmo temporal, tanto nos seus assimchamados aspectos “naturais” como nos “espirituais”, a este ponto de referência. Em contraste com essa concepção Bíblica fundamental, de que significância é uma assim-chamada “revolução Copernicana”, que meramente faz os “aspectos naturais” da realidade temporal relativos a uma abstração teórica, tal como o “sujeito transcendental” de Kant?"
Dooyeweerd, Herman. A New Critique of Theoretical Thought. Amsterdam/Philadelphia:Uitgeverij H. J. Paris, Presbyterian and Reformed, 1953, Vol I, Foreword.

Herman Dooyeweerd e a autonomia da razão
A maior crítica de Dooyeweerd, sem dúvida, relaciona-se ao dogma da autonomia da razão:

"A PRETENSA AUTONOMIA DO PENSAMENTO FILOSÓFICO

Toda filosofia que exige um ponto-de-partida cristão é confrontada com o dogma tradicional concernente à autonomia do pensamento filosófico, sugerindo independência de todas as pressuposições religiosas. Pode ser firmado que este dogma é apenas um que sobreviveu à decadência geral das recentes certezas da filosofia. Esta decadência foi causada pela retirada do fundamento espiritual do pensamento ocidental a partir das duas guerras mundiais.
(...)
A pretensa autonomia, que é considerada a base comum da Grécia antiga, escolasticismo tomístico e moderna filosofia secularizada, carece desta unidade de sentido necessário porque possui um fundamento comum.
Porém, a presente autonomia não pode garantir uma base comum a diferentes tipos de filosofia. Se todo corrente filosófica que pretende escolher seu ponto-de-partida no raciocínio teórico somente, não tiver profundas pressuposições, seria possível assentar cada argumento filosófico entre eles em um caminho puramente teórico.
(...)
Nem Kant, o fundador da assim chamada filosofia crítico-transcendental, nem Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia moderna, que chamou sua filosofia fenomenológica de a mais radical crítica do conhecimento, tem tido uma atitude teórica de pensamento a partir de um problema crítico. Ambos partiram da autonomia do pensamento teórico como um axioma que necessita de uma maior justificação. Esta é a pressuposição dogmática de sua investigação teórica que faz a característica crítica da problemática posterior e mascara seu real ponto de partida, o qual, como matéria de fato, e seu pensamento, rege sua maneira de posicionar os problemas filosóficos."


fonte: http://dooybrasil.wordpress.com/tag/herman-dooyeweerd

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Gigantismo em Fósseis



Um dos princípios básicos da teoria da evolução é que o progresso evolutivo inclui o desenvolvimento do tamanho do corpo físico. E. C. Olson em sua obra “The Evolution of Life” (A Evolução da Vida), 1965, p. 240, assegura que “O aumento em tamanho é o curso normal seguido na evolução das linhas filogenéticas e na irradiação adaptativa”, e o destacado autor George Gaylor Simpson, referindo-se às leis da evolução, diz: “Entre estas, uma das que melhor se estabeleceu é a tendência de aumentar em tamanho” (O Sentido da Evolução, p. 132).

Em muitos pontos da coluna geológica isto parece se confirmar. Por exemplo, os trilobitas ao passarem do Cambriano até o Ordoviciano, e ainda os dinossauros ao irem do Triássico ao Cretáceo.

No entanto, ao comparar os fósseis com as espécies vivas, cada vez mais se descobre o contrário. Parece que os fósseis pertenceram a espécies gigantescas.


Um novo caso acaba de ser descoberto na Austrália (já são conhecidos os muitos fósseis de cangurus gigantes na Austrália). Agora, um grupo de paleontólogos, no deserto ao norte de Alice Springs, desenterrou os esqueletos de uma dezena de aves gigantescas não voadoras que, quando vivas, pesariam meia tonelada cada uma. Pertencem ao gênero Ilbandornis, com o nome comum de ocas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

É correto beber álcool?

Não
Nm 6:3, Pv 20:1, 23:20-21, 23:29-30, 23:31-32, Is 5:11, 5:22, 28:7, Dn 1:8, Hc 2:15, Lc 1:15, Rm 13:13, 14:21, Gl 5:21, Ef 5:18

Sim
Jz 9:13, Sl 104:15, Pv 31:6-9, Ct 5:1, Jo 2:3-10, I Tm 5:23".
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Descontradizendo vs. por vs.:
Nm 6:33 - "de vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho ou vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá".

Leiam o contexto:
2 - Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto de nazireu, para se separar para o SENHOR,
3 - de vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho ou vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá.
4 - Todos os dias do seu nazireado, não comerá de coisa alguma que se faz da vinha, desde os caroços até às cascas.

Esta restrição estava relacionada apenas ao voto de Nazireu. A Bíblia não está dizendo que é errado beber álcool. O que ela está dizendo é que no período do voto de nazireu não se deve beber vinho, porém, deixa subentendido que fora do voto não há nenhuma restrição. Se houvesse restrição geral, do tipo "é proibido beber álcool em qualquer circunstância", não haveria a necessidade de escrever no texto bíblico que o nazireu não podia beber.


Pv 20:1 - O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio.
O versículo fala das atitudes de uma pessoa quando fica embriagada.


Pv 23:20-21 - Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão cairão em pobreza; e a sonolência faz trazer as vestes rotas.
Este texto fala dos alcoólatras e dos gulosos. Tanto um como outro cairão na pobreza, assim como nos dias de hoje.


Pv 23:29-32 - Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as pelejas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No seu fim, morderá como a cobra e, como o basilisco, picará.
Este fala a respeito das pessoas que passam toda a sua vida em busca da bebida, tanto vinho como outras bebidas misturadas. E esta busca os derrubará, como uma cobra que pica.


Is 5:11 - Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice! E se demoram até à noite, até que o vinho os esquenta!
Situação típica de alcoólatras, que passam o dia todo a se embebedar.


Is 5:22 - Ai dos que são poderosos para beber vinho e homens forçosos para misturar bebida forte!
Este retrata os machões que se embriagam com vinho ou outras bebidas, afim de se mostrar que são resistentes aos efeitos da bebida. Situação que tornará estes homens futuros alcoólatras.


Is 28:7 - Mas também estes erram por causa do vinho e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos do vinho, desencaminham-se por causa da bebida forte, andam errados na visão e tropeçam no juízo.
Este é claro em dizer que o exagero na bebida (bebida forte, o mesmo de alta embriagues) traz consequências desastrosas até para os santos.

Todos estes textos sem exceção estão falando de embriaguez. E a embriaguez é totalmente condenada pela Bíblia. Porém, digo de novo, a EMBRIAGUEZ é condenada pela Biblia e não o fato de ter bebido o líquido em si.


Dn 1:8 - E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar.
Bom, se este versículo condena na visão da BDC uma pessoa beber vinho, então a BDC está dizendo também que a Bíblia condena também comer manjares (comidas de um banquete). Porém, como aqui ninguém é ignorante, vemos que Daniel se privou também da comida do Rei e não esta ideia que a BDC quer nos empurrar que com isso ele não bebia nenhum tipo de vinho.


Hc 2:15 - Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro! Tu, que lhe chegas o teu odre e o embebedas, para ver a sua nudez,
Precisa dizer alguma coisa? Acho que não né? O versículo por si só já descontradiz o besteirol teológico da BDC.


Lc 1:15 - porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.
O texto está se referindo a João Batista. E isto não é um absoluto que serve como regra para todos. Esta foi a experiência dele. A Bíblia não está condenando beber vinho. Está dizendo apenas que João Batista não bebia vinho.


Rm 13:13 - Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja.
Bebedeiras... ok? Bebedeiras! Não se embriague. Será que a BDC sabe diferenciar beber vinho de se embriagar de vinho?


Rm 14:21 - Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.
Há pelo menos situações diante deste conselho de Paulo:
1. Não beba vinho na presença de um irmão que é fraco nesta área. Pois, você pode ser uma pedra para ele tropeçar no alcoolismo.
2. Não beba vinho na presença de um irmão que é fraco na sua consciência e pensa que beber é pecado. Pois ele pode se escandalizar e julgá-lo não ser de fato um homem de Deus.

Paulo não está condenando beber vinho. Apenas está dizendo que nestas duas situações, tenha o devido cuidado para com teu irmão a quem diz amar.


Gl 5:21 - invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.

Ef 5:17 - E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito,
Ambas Bebedices!

Conclusão
Bom, não irei nem comentar a respeito do SIM, porque ficou evidente que a Bíblia condena a embriaguez e o alcoolismo e não o fato de você beber álcool esporadicamente. E isto compete a consciência de cada um saber se dominar.


Pipe

sábado, 12 de dezembro de 2015

O Universalismo e o Inferno


"Os UNIVERSALISTAS querem me fazer acreditar que uma pessoa ouve do Evangelho, rejeita o Evangelho, e quando morre, por ter rejeitado o Evangelho, esta vai para o Hades, e lá no Hades ela terá uma segunda chance...
... Se lá no Hades ela não se re arrepender, quando Jesus voltar e a ressuscitar, ela será lançada no INFERNO (Geena) para que lá no INFERNO ela tenha uma terceira chance... já que o Hades não convenceu ela a "aceitar" Jesus...
... mas o mais LOVE nisso tudo, é que se nem o Hades for suficiente, e nem o Geena, eles acreditam que o Geena é temporário e não eterno. Logo, as pessoas não ficarão para sempre no INFERNO. Depois de um tempo no INFERNO, no fim das contas todo mundo vai morar no Céu. Porque Deus é LOVE... e no fim LOVE WINS... LOVE WINS... LOVE WINS".
Pipe

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

É uma boa coisa ser infantil?

Sim, é bom ser infantil.
Mt 18:3 - e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus.

Mt 19:14 - Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos céus.

Mc 10:15 - Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.

Lc 18:17 - Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele.

Não, não é bom ser infantil.
I Co 13:11 - Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

I Co 14:20 - Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia e adultos no entendimento.

Ef 4:14 - para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente.
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Descontradizendo vs. por vs.:
Mt 18:3-4 – “e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus”.

Conclusão do vs.:
A única coisa que Jesus está dizendo aqui que tem a ver com ser “infantil”, se é que se pode usar esta palavra, é ser humilde como esta criança.
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Mt 19:14 - "Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos céus".

Na NVI diz o seguinte: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas"...

Este texto faz parte do mesmo contexto. Jesus não tinha saído nem mesmo do mesmo local em que estava falando. O primeiro texto ele usou a criança como exemplo de humildade. Neste texto, ele as usa como exemplo de entrega e nada mais. E além disso, o texto diz "semelhante" e não igual. E dentro do contexto, o sentido ainda permanece o de humildade e não de infantilidade.
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Mc 10:15 - "Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele".

O texto está falando sobre a facilidade com que as crianças acreditam e se entregam as coisas. Jesus está falando disso, da entrega exemplificada na atitude das crianças que vinham a ele para o receberem.
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Lc 18:17 - "Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele".

Idem acima.
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I Co 13:11 - "Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino".

Paulo está falando de maturidade. Isto não é uma contrariedade ao que Jesus ensinou. Jesus não nos ensinou a sermos imaturos ou infantis. Pelo contrário, nos ensinou a buscarmos a perfeição. A única coisa que nos disse a respeito de sermos como as crianças é nos aspectos de humildade e entrega, como eu já disse. Já Paulo, está dizendo sobre maturidade. Ou estaria sugerindo a BDC, que a Bíblia nos ensina a sermos infantis pelo resto da vida? É óbvio que a Bíblia não ensina isto!
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I Co 14:20 - "Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia e adultos no entendimento".

Bom, o próprio versículo já está se auto explicando. E como podem perceber, ele mesmo diz que, sejamos meninos na malícia e adultos no entendimento. Será que a BDC está querendo sugerir que Paulo deveria dizer: "Sejam adultos na malícia e meninos no entendimento?". E daí eles dizem que é a Bíblia que afronta o intelecto humano.
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Ef 4:14 - "para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente".

Cá entre nós. Não é fácil enganar uma criança? É lógico que sim. É disto que Paulo está falando. Não sejam enganados facilmente como uma criança. Não sejam levados por qualquer ensino enganoso. Amadureçam na fé.
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Conclusão Geral:
Onde em algum momento neste texto diz que devemos ser infantis? Os primeiros textos dizem que devemos ser como crianças no quesito humildade e entrega, e nada tem a ver com ser infantil. A segunda seção diz que Paulo está nos ensinando que devemos amadurecer como seres humanos e nada tem a ver com deixarmos de ser humildes e termos uma vida de entrega a Deus.

Digamos que Jesus realmente tivesse dito que deveríamos ser como crianças, o que isto significaria? Na mente dos céticos talvez significasse usar fraldas, não trabalhar, falar gugu dada, brincar de “ciranda cirandinha”. O que parece ser óbvio para qualquer ser humano normal e maduro, na mente dos céticos aquilo se torna algo tão complexo e difícil de entender. Se eu digo para alguém: “Não seja criança!d”. Um cético entende literalmente: “O quê? Você está dizendo que faço coco na calça?”. Qualquer um entenderia, que se está tratando de imaturidade. Porém, um cético entende aquilo como literal. Coisa que só uma criança entenderia desta forma. Gugu dada.

C.S.Lewis disse certa vez:
"Com muita freqüência, entretanto, esse procedimento tolo adotado por pessoas que não têm nada de tolas, mas que, conscientes ou inconscientes, querem destruir o cristianismo. Essas pessoas apresentam uma versão da religião cristã própria para crianças de seis anos e fazem dela o objetivo de seu ataque. Quando tentamos explicar a doutrina cristã tal como é entendida por um adulto instruído, elas se queixam de que estamos dando nó na cabeça delas,...".
Fonte: "Cristianismo Puro e Simples"; ed. Martins Fontes; pg.54.

Isso que dá discutir com crianças!


Pipe

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

UM PLANETA ADEQUADO À VIDA

Por William J. Tinkle é Ph.D., Professor Emérito de Biologia no Anderson College, Indiana, U.S.A. Reside atualmente em Eaton, Indiana, U.S.A.

As propriedades físicas e químicas da água e da atmosfera mostram uma "adequação" do ambiente para a vida, como já ressaltado de maneira interessante por William Whewell e J. Henderson. Este artigo contém uma recapitulação dessa evidência, em testemunho da criação divina do ambiente físico e químico adequado à vida.

Suponhamos que se esteja passeando num campo, entre árvores e arbustos, e que alguém invisível atire uma pedra numa das árvores.

Se isso acontecer somente uma vez, pensar-se-á que a pedra foi atirada a esmo. Porém se a mesma árvore for acertada nove vezes em dez, ter-se-á certeza de que o alvo é mesmo aquela árvore. A pedra estará sendo atirada com um propósito.

A Terra e a Vida Ajustam-se
É bem sabido que os seres vivos são constituídos de tal maneira que se ajustam perfeitamente ao seu modo de vida. Assim, as aves aquáticas têm pés membranosos, as aves de água rasa têm pernas e bicos compridos; as plantas têm folhas em que a luz solar combina a água e o gás carbônico para formar açucares para utilização da planta.

Os animais que comem folhas e ervas tem estômago e intestinos grandes para conter as grandes quantidades de alimento que têm de comer. Os peixes têm uma forma afilada que os capacita a se deslocar pela água com o mínimo de resistência.

Uma lista bastante extensa dessas estruturas úteis poderia ser compilada. O fato importante é que a Terra apresenta condições que se ajustam a essas estruturas dos seres vivos. O Dr. Henderson já afirmava:

"Em suas características fundamentais, o meio ambiente atual é a habitação mais ajustada possível para a vida. Tal é a tese que o presente trabalho procura defender. Esta não é uma hipótese recente. De forma rudimentar apresenta atrás de si uma longa história, e já era uma doutrina conhecida no inicio do século XIX (1)".

Semelhantemente à pedra atirada na árvore, a Terra foi planejada e construída de tal maneira que pudesse prover à necessidades e requisitos dos seres vivos. Observadores argutos têm atribuído essa correspondência à existência de um propósito no plano do Criador. Entretanto, os que acompanham o pensamento negativista e as dúvidas do século XX, deixam essa crença para trás, preferindo atribuir essa relação de reciprocidade ao acaso.

A Natureza Testifica
Sêneca, preeminente filósofo romano (A.D. 1-65) apresenta esta declaração:
"Todo homem sabe, sem ninguém dizer-lhe, que esta maravilhosa tessitura do universo não persiste sem um Governador, e que uma ordem constante não pode ser o produto do acaso, pois as partes então se desmoronariam. Os movimentos das estrelas, e as suas influências, são comandados por um decreto eterno (2)".

Um contemporâneo de Sêneca, o apóstolo Paulo, escrevendo aos seus concidadãos, faz esta afirmação:
"Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porquê Deus lhes manifestou. Porquê os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas (3)".

Este método de aprender acerca de Deus a partir das coisas por Ele criadas é chamado de Teologia Natural, e foi muito popular no século XIX. Alguns teólogos dos anos mais recentes não o aprovam, porém suas objeções parecem obscuras. A Teologia Natural tem o valor de chamar a atenção para Deus. Entretanto, como ela nada diz a respeito de Cristo e da redenção por Ele provida, não se deveria estacionar na Teologia Natural, mas sim usá-la como um caminho para o Evangelho.

William Whewell (1794-1866) foi o autor de um dos "Tratados de Bridgewater" intitulado "Astronomy and General Physics Considered with Reference to Natural Theology" (Astronomia e Física Geral consideradas em relação a Teologia Natural), em 1834. Mestre do "Trinity College" por 25 anos, Whewell foi um dos mais poderosos homens de Cambridge durante o período da reforma educacional. ... Recebeu uma medalha da "Royal Society" pelo seu trabalho sobre marés, e deu a Faraday a nomenclatura desejada para seu trabalho sobre eletricidade. Devem se a Whewell termos tais como "anodo", "catodo", "ion", "anion", e "cation"(4).

Água, um fluido singular
O pouco espaço não permite comentar todos os argumentos de Whewell a respeito da existência de um propósito na criação, porém não se pode deixar de mencionar um dos mais destacados, referente à água. A água, como as demais substâncias em geral, expande-se quando aquecida, e contrai-se quando resfriada. Entretanto, ela se afasta deste comportamento, de maneira notável, ao se congelar. A água apresenta a maior densidade (menor volume) a temperatura de 4 ºC. Ao diminuir mais a temperatura a água se expande até que a O ºC ocupa um volume cerca de 1/9 maior, mudando então de estado, de líquido para sólido.

Essa expansão que se dá no congelamento é conhecida nos países frios devido a ruptura de encanamentos e radiadores de automóveis no inverno, parecendo por isso ser inconveniente. Entretanto, para os seres vivos em geral, e indiretamente para o homem, é ela uma vantagem incontestável.

A expansão do gelo faz com que ele possa flutuar em qualquer corpo de água, enquanto que, se fosse obedecida a regra geral da contração no resfriamento, ele se depositaria no fundo do rio ou lago, solidificando em pouco tempo a massa restante.

Embora se conheçam peixes que viveram após terem sido congelados, não suportariam eles um congelamento prolongado, pois sofreriam perda de suas funções vitais.

As massas d'água congeladas derreteriam muito lentamente em conseqüência da camada de água líquida em escoamento sobre o gelo, a qual as protegeria da ação do ar quente. Nos climas temperados não haveria tempo para o derretimento até o fundo, antes de iniciar-se novamente a fase de congelamento no inverno (se a água seguisse a regra geral de expansão).

Tem sido repetida em classe muitas vezes uma demonstração atribuída a Rumford. Insere-se em um tubo de ensaio com água, um pedaço de gelo, mantendo-o no fundo por um suporte qualquer. Então a parte superior do tubo de ensaio é levada a uma chama até que a água da superfície entre em ebulição, enquanto ainda permanece no fundo o pedaço de gelo. Isso é possível porquê a água quando aquecida expande-se, desloca-se para cima e lá permanece.

Essa anomalia da expansão da água ao se congelar sem dúvida impede a extinção de inúmeros habitats aquáticos com suas flora e fauna abundantes. Por outro lado, as perdas ocasionadas pelas rupturas devido ao congelamento podem ser evitadas, porquê o congelamento se dá sempre a temperatura conhecida.

A própria presença da água na Terra é um fato que desperta nossa admiração. Muito tempo antes dos primeiros astronautas desembarcarem na Lua, sabia-se que lá não há água, pois não se observavam nuvens que obscurecessem a sua face, nas observações telescópicas. Fotografias e medidas feitas mostram muito pouco ou nenhum vapor d'água em Marte. Vênus e Mercúrio são demasiado quentes para conter água no estado sólido ou líquido. Júpiter, Neptuno e Plutão estão muito distantes para se detectar algo com precisão, porém não revelam evidências de abundância de água. A Terra é, assim, singular, por apresentar essa substância tão abundantemente.

Características Físicas da Água
As características físicas e químicas da água fazem-na muito mais útil aos seres vivos do que qualquer outro líquido. Sua constituição é de tal forma que ela dissolve mais substâncias do que qualquer outra, com exceção talvez da amônia. No corpo humano os alimentos se dissolvem no sangue e os detritos na urina. As plantas dissolvem seu alimento na seiva. A água, sendo quimicamente inerte, não altera esses solutos, mas tão somente os transporta.

A água é peculiar também pelo seu elevado calor específico (a quantidade de calor, em calorias, necessária para elevar de um grau centígrado a temperatura de um grama da substância).

Propriedades Adequadas para o Homem
O que esses fatos significam para o ser humano? Um homem pesando oitenta quilos produz em repouso cerca de 2400 calorias diariamente, o que seria suficiente para aumentar de cerca de 30 ºC a temperatura de seu corpo. Na realidade, o calor em excesso é removido pelo sistema termo-regulador do corpo, a menos que o organismo esteja com febre. Essa remoção proporciona não somente conforto, como também constitui um meio de evitar a aceleração das reações químicas.

Esse importante controle térmico é possível porque a água é a principal substância componente do corpo humano, e porque ela apresenta um elevado calor específico. Se o corpo humano fosse constituído preponderantemente por outra substância com calor específico em torno da média das apresentadas na tabela anterior, o calor produzido seria suficiente para aumentar a temperatura de cerca de 100 ºC.

Considere-se ainda o calor latente, que é armazenado e não mensurável pelo aumento de temperatura, ao contrário do calor sensível. Sem dúvida o leitor já observou que ao lavar as mãos, ao tentar enxugá-las abanando-as no ar, sente a sensação de frio.
Quando uma substância se evapora do estado líquido, ou se liquefaz do estado sólido, absorve certa quantidade de calor. Essa mesma quantidade de calor deve ser retirada para o vapor se condensar, ou para o líquido se solidificar.

No início de uma chuva há sempre um aumento de temperatura porque o vapor d'água está se transformando em gotas de chuva liquidas. Da mesma maneira, após a chuva, ao aumentar a evaporação, há uma diminuição da temperatura.

A Tabela seguinte dá os valores do calor latente de evaporação de várias substâncias, em calorias por grama Tem-se aqui a base de um dos mecanismos de resfriamento do corpo humano. O suor espalha-se sobre a pele, e sua evaporação remove o excesso de calor do corpo.

A evaporação da água em lagos e rios remove o calor do ar em suas imediações. Por essa razão as ilhas e penínsulas são livres de calor excessivo, ao mesmo tempo em que o congelamento da água no inverno lhes proporciona algum calor. As propriedades da água são bem adequadas às necessidades dos seres vivos (6).

Adequação da Atmosfera
Dos fatos anteriores não somente se vê que os seres vivos apresentam necessidades, como também se torna evidente a notável verdade de que o meio ambiente é formado de maneira tal que supre essas necessidades. Como se sabe, o ar é admiravelmente ajustado para os seres vivos.

Atente-se para o que poderia parecer acaso. Há enxofre no solo e nos alimentos tais como ovos, porém não na atmosfera, exceto nas imediações de vulcões e das indústrias químicas estabelecidas pelo homem.

Deveríamos ser gratos pela ausência dos compostos de enxofre tais como o gás sulfídrico (o mal cheiroso gás característico de ovos podres) e o bióxido de enxofre, usado para matar bactérias e insetos.

Um vizinho do autor contraiu uma enfermidade contagiosa e foi aconselhado a fumigar suas roupas após ter-se recuperado. Decidiu-se ele então a fumigar-se, simultaneamente. Empunhando uma barra de enxofre entrou em uma caixa de piano vazia, fechou a tampa e começou a queimar o enxofre - mas teve de sair mais rápido do que entrou! É simplesmente o acaso que conserva o enxofre no solo e não nos pulmões dos seres humanos?

Considere-se o importante gás, o oxigênio, que constitui cerca de 20% da atmosfera e é essencial a vida do homem e dos animais. Teria sido possível a sua combinação com outras substâncias, não houvesse um planejamento na criação da Terra. Ele poderia ter-se combinado com hidrogênio para formar água, ou com silício para formar areia. Há quem diga que isso foi o que se passou, e que o oxigênio existente na atmosfera proveio de diatomáceas e outras plantas do oceano. Porém, mesmo nessas condições não deixariam de existir evidências de um propósito.
As plantas foram formadas com a capacidade de liberar oxigênio, não para o seu próprio beneficio, mas para o incontável beneficio da humanidade e dos animais em geral. E realmente difícil descartar-se da existência de um propósito ao se considerar a existência do oxigênio em estado livre.

O bióxido de carbono é necessário para a construção das raízes, caule e folhas, enquanto que o monóxido de carbono é um gás venenoso não encontrado normalmente na atmosfera, mas só nos gases de escapamento dos motores de combustão interna. O bióxido de carbono é um constituinte normal da atmosfera, sendo expirado pelos animais e homens, e absorvido pelas plantas para tornar possível seu crescimento.

O hidrogênio, um dos elementos que compõem a água, não se encontra em estado livre na atmosfera. Se o fosse, unir-se-ia com o oxigênio com grande ruído, à simples ação de uma chama, conforme costumeiramente mostrado nos laboratórios de química.

Amônia é outro gás que a infinita Sabedoria excluiu da atmosfera.

O planejamento não pode ser excluído
Há pessoas que, não aceitando o propósito divino como explicação para a vida, preferem aceitar a possibilidade de transformação de um pedaço qualquer de matéria inerte em um ser vivente. Ressaltam que, dado tempo suficiente, pode ocorrer o evento improvável. Assim, o acaso produziu todos os tipos de plantas e animais, tendo permanecido os que se adaptaram, e sendo extintos os demais.

Se tal processo tivesse ocorrido, os fósseis que fossem encontrados seriam tipos bizarros, sem relação alguma com o seu meio ambiente. Porém, longe de serem criaturas não adaptadas, produtos do acaso, foram eles de mesmo tipo que os seres vivos atualmente, podendo ser classificados nos fila das criaturas vivas atuais. Tais hipóteses são claramente ad-hoc, feitas para evitar o reconhecimento da criação divina.

Entretanto, mesmo que a seleção natural tivesse sido inteiramente eficaz, não poderia ela explicar a adequabilidade do meio ambiente. Os seres vivos e o meio ambiente ajustam-se perfeitamente como peças de um quebra-cabeças. O acaso poderia ter produzido uma Terra que fosse adequada sob um determinado aspecto, porém somente o próprio Deus poderia planejar a Terra como ela realmente é, ou foi, antes da queda.

Referências
(l) Henderson, J. Lawrence. 1913. The fitness of the environment. Beacon Press edition, 1958, Boston, p. v.
(2) Museum of Antiquity, p. 826.
(3) Romans 1:19, 20, New English Version.
(4) Butts, R. E. 1970. Wm. Whewell's theory of the scientific method. Review in Science, 168:1195, 5 June.
(5) Henderson, Op. cit., p. 7.

(6) Não obstante suas excelentes observações, Henderson não atentou para a adequação do ambiente. Ele procurou uma explicação mecanicista.