domingo, 10 de maio de 2015

COMPARANDO OSÍRIS, HÓRUS E JESUS.


Andando como um egípcio
James Patrick Holding

De todos os candidatos à cópias pagãs, estes sãos os dois últimos – com exceção de Buda – que parecem representar maior ameaça. Afinal de contas o Egito não está longe da Palestina, e os judeus moraram no Egito; logo, não é teoricamente improvável que eles pudessem roubar uma ideia para inventar um Jesus a partir deste lugar. Mas será que eles fizeram isso? Este campo está cheio de alegações, mas como sempre há muitos exageros envolvendo a questão. Existe uma grande quantidade de termos Cristãos utilizados indevidamente para descrever eventos egípcios (nem todos são usados com más intenções) e uma grande quantidade de fontes não citadas que possam comprovar alegações absurdas. Sendo este o caso, novamente anunciamos aqui que, por um tempo, este será nosso último artigo sobre cópias de deuses pagãos até que alguém no grupo de Acharya, S / Freke e Gandy dê um passo à frente e forneça uma melhor documentação sobre os boatos dos séculos 18 e 19.


Vejamos então algumas destas assertivas. Por questão de conveniência vou unir as alegações sobre Hórus e Osíris. Estas são as declarações contidas no livro The Christ Conspiracy de autoria de Archarya S. [pgs 114-116]; curiosamente Freke e Gandy não acrescentam nada de novo, na verdade apenas complementam algumas destas.


● Osíris
  • Possuia mais de 200 nomes divinos, incluindo Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Deus dos Deuses, a Ressurreição e a Vida, Bom Pastor, Pai da Eternidade, o deus que “fez homens e mulheres nascerem de novo.”
  • Sua chegada ao mundo foi anunciada por três Reis Magos: as três estrelas Mintaka, Anilam, e Alnitak no cinturão de Órion, que apontam diretamente para a estrela de Osíris ao leste, Sírius, indicando seu nascimento.
  • Ele foi uma hóstia simbólica. Seu corpo foi comido numa cerimonia religiosa sob a forma de bolos de trigo, a “planta da Verdade ‘.
  • Salmos 23 é uma cópia de um texto egípcio apelando para Osíris o Bom Pastor que conduz o cansado rumo aos “pastos verdejantes” e às “águas tranquilas’ das terras de nefer-nefer, a fim de restabelecer a alma e o corpo e, para dar proteção no vale da sombra da morte…
  • A oração do Pai Nosso foi prefigurada por um hino egípcio à Osiris do início ao fim, “Ó Amém, ó Amém, que estais no céu.” Amém era também citado no final de cada oração.
  • Os ensinamentos de Jesus e Osíris são maravilhosamente semelhantes. Muitas passagens são idênticamente as mesmas, palavra por palavra.
  • Tal como o Senhor da vinha, um grande mestre viajante que civilizou o mundo. Soberano e juiz dos mortos.
  • Em sua paixão, Osíris foi alvo de uma conspiração e mais tarde assassinado por Set e “os 72.”
  • A ressureição de Osíris serviu para dar esperança à todos que também desejam a vida eterna.


● Hórus
  • Nascido da virgem Ísis-Meri em 25 de dezembro numa caverna/manjedoura, com seu nascimento tendo sido anunciado por uma estrela no Oriente e, visitado por três Reis Magos.
  • Seu pai terreno chamava-se “Seb” (“José”).
  • Ele era descendente de uma linhagem real.
  • Aos 12 anos de idade foi uma criança que ensinou no templo e, aos 30 foi batizado, após ter desaparecido por 18 anos.
  • Foi batizado no rio Eridanus ou Iaurutana (Jordâo) por “Anup o Batizador” (João Batista), que foi decapitado.
  • Ele teve 12 discípulos, dois dos quais foram suas “testemunhas” e eram chamados “Anup” e “AAn” (os dois “Joãos”).
  • Ele realizou milagres, expulsou demônios e ressucitou El-Azarus ( “El-Osíris”) dos mortos.
  • Hórus andou sobre as águas.
  • Seu cognome pessoal era “Iusa” o “Filho eterno desejado” de “Ptah”, o “Pai”. Ele era chamado de “Divino Filho”.
  • Ele pregou um “Sermão da Montanha”, e seus seguidores recitaram as “parábolas de Iusa.”
  • Hórus foi transfigurado no monte.
  • Ele foi crucificado entre dois ladrões, sepultado por três dias em um túmulo e, em seguida ressuscitado.
  • Títulos: O Caminho; a Verdade; a Luz; Messias; Ungido Filho de Deus; Filho do homem; Bom Pastor; Cordeiro de Deus; Verbo feito carne; Palavra da Verdade.
  • Ele foi “o Pescador” e era associado com o Peixe ( “Ichthus”), o Cordeiro e o Leão.
  • Ele veio para cumprir a lei.
  • Era chamado de “o KRST” ou “Ungido”.
  • Ele deveria reinar por mil anos.

Essa é uma lista e tanto, mas vamos simplificá-la para começar: Uma boa quantidade dessas alegações – no mínimo a metade – pelo que tenho visto até agora são falsificações. Não há sequer um fragmento de evidência para muitas dessas reivindicações em qualquer livro de religião egípcia que tenho consultado até agora. Portanto, como Clara Peller costumava dizer, Cadê o bife? Onde está a literatura original egípcia que apoia estas alegações? caros defensores dos mitos: não desejamos ouvir de Gerald Massey ou Godfrey Higgins; “queremos as citações originais dos registros egípcios.” Se eu mesmo não recebi isso de nenhum de vocês durante um ano (e eu sei que eles checaram este site, porque eu ouvi deles), vou fazer então de conta que não é possível obter resposta alguma e voltar a mais projetos de cópias. Em alguns casos abaixo, iremos recorrer ao artigo de Glenn Miller sobre cópias pagãs onde ele fez algumas investigações prévias.

Por conveniência começo reproduzindo um “pequeno esboço da vida de Hórus” “contido na Enciclopédia das Religiões sugerida por Miller, na qual também são estabelecidas as bases para Osíris:

“No antigo Egito, haviam vários deuses inicialmente conhecidos pelo nome de Hórus, porém o mais conhecido e mais importante desde o início do período histórico foi o filho de Osíris e Ísis, que era associado com o rei do Egito. De acordo com a lenda, Osíris , que assumiu o domínio da terra logo após sua criação, foi morto por seu irmão ciumento, Seth. A irmã-esposa de Osíris, Ísis, que recolheu os pedaços de seu marido mutilado e o ressucitou, também concebeu seu filho e vigador, Hórus. Hórus lutou com Seth, e, apesar da perda de um olho na batalha, teve sucesso ao conseguir vingar a morte de seu pai tornando-se seu legítimo sucessor. Osíris então tornou-se rei dos mortos e Hórus o rei dos vivos, esta troca era renovada a cada mudança de governo terreno. O mito da realeza divina provavelmente elevou a posição dos deuses tanto quanto elevou a do rei. Na quarta dinastia, o rei, o deus vivo, provavelmente também era um dos maiores deuses, mas por volta da quinta dinastia a supremacia do culto à Rá, o deus sol, era aceito até mesmo pelos reis. O rei Hórus era agora também “filho de Rá.” Isto só se tornou possível mitologicamente, ao personificação toda a genealogia antiga de Hórus (o ennead – grupo de nove deuses egípcios – Heliopolitano) como se fosse a deusa Hathor, “casa de Hórus”, que também era esposa de Rá e mãe de Hórus.

“Hórus era frequentemente representado como um falcão, e uma pintura dele o mostra como um grande deus do firmamento cujas asas estendidas enchem os céus; seu olho saudável era o sol e seu olho ferido a lua. Outra pintura dele, particularmente popular no Último Período, era a de uma criança humana mamando no peito de sua mãe, Ísis. Os dois principais centros de adoração ao culto de Hórus localizavam-se em Bekhdet no norte, onde hoje muito pouco ainda resta , e em Idfu no sul, no qual existe um grande e bem preservado templo datado do período ptolomaico. Os mais antigos mitos envolvendo a história de Hórus, bem como os rituais lá realizados, estão registrados em Idfu.”

 Osíris
  • Possuia mais de 200 nomes divinos, incluindo Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Deus dos Deuses, a Ressurreição e a Vida, Bom Pastor, Pai da Eternidade, o deus que “fez homens e mulheres nascerem de novo.” Os títulos que tenho encontrado atribuídos à Osíris são [Fraz.AAO] Senhor de tudo, o Bom Ser (o título mais comum), Senhor do Mundo dos Mortos, Senhor/Rei da Eternidade, Soberano dos Mortos, [Griff.OO] Senhor do Ocidente, O Majestoso, [Bud.ERR, 26] “, aquele que se assenta”, o Progenitor, o Carneiro, [Bud.ERR, 79] “grande Palavra” (como em, “a palavra do que virá a ser e que não é ” – um reflexo da antiga noção do poder criativo da expressão de uma palavra, encontrada também no grego Logos),”Líder dos Espíritos “; [Short.EG, 37] regente da eternidade, [Meek.DL , 31] “deus vivo”, “Deus acima dos deuses”. Todos estes ou são títulos gerais que seriam de se esperar que fossem atribuídos a qualquer divindade em posição de liderança, ou no mínimo estão relacionados ao domínio dos deuses sobre o mundo dos mortos. Nenhum dos títulos citados se aproxima ou especificamente assemelhasse com os que foram atribuídos a Jesus.

  • Sua chegada ao mundo foi anunciada por três Reis Magos: as três estrelas Mintaka, Anilam, e Alnitak no cinturão de Órion, que apontam diretamente para a estrela de Osíris ao ocidente, Sírius, indicando seu nascimento. Freke e Gandy somente repetem a última parte sobre a estrela. Porém, embora alguns estudiosos relacionem Osíris com Órion, eles por sua vez, nada sabem sobre reis magos ou uma estrela no ocidente. 
  • Ele foi uma hóstia simbólica. Seu corpo foi comido numa cerimonia religiosa sob a forma de bolos de trigo, a “planta da Verdade ”. Isso não é algo que alguém na literatura acadêmica tenha relatado.
  • Salmos 23 é uma cópia de um texto egípcio apelando para Osíris, o Bom Pastor, que conduz o cansado rumo aos “pastos verdejantes” e às “águas tranquilas’ das terras de nefer-nefer, a fim de restabelecer a alma e o corpo e, para dar proteção no vale da sombra da morte… Se isto é verdade, nenhum comentarista na religião egípcia ou do Antigo Testamento sabe disso. Provavelmente Osíris fosse conhecido como um pastor e, de fato tal imagem era popular no ANE, mas ainda não vi esse termo sendo aplicado a ele por ninguém, a não ser pelos defensores dos mitos.
  • A oração do Pai Nosso foi prefigurada por um hino egípcio à Osiris do início ao fim, “Ó Amém, ó Amém, que estais no céu.” Amém também era citado no final de cada oração. Neste caso, nós e os especialistas em religião egípcia, queremos saber onde esta oração está registrada. O hebraico “Amém” nunca é usado como uma saudação e quer dizer “que assim seja”, o que significa que não é algo “invocado” como é uma divindade. Além disso, vemos aqui uma ligação etimológica baseada nas línguas originais e, não na compatibilidade das letras em Inglês.
  • Os ensinamentos de Jesus e Osíris são maravilhosamente semelhantes. Muitas passagens são idênticamente as mesmas, palavra por palavra. Se é assim, alguém, com exceção da fonte de Archarya, James Churchward, precisa colocá-las lado a lado, e provar isso. Os estudiosos religiosos egípcios não parecem estar cientes dessas palavras.
  • Tal como o Senhor da vinha, foi um grande mestre viajante que civilizou o mundo. Soberano e juiz dos mortos. Isso é um tanto não específico. Frazer relatou [Fraz.AAO, vii, 7] que Osíris ensinava o cultivo de uvas e agricultura, estabeleceu as leis Egípcias, ensinou-lhes como prestar culto e, viajou pelo mundo ensinando essas coisas. Mas esta também é a alegação feita sobre Dionísio, e temos respondido esta questão dentro deste artigo. Não que isso tenha importância, já que parece que somente Frazer e mais tarde Freke e Gandy conceberam a idéia de que as duas divindades estão ligadas. Literaturas escritas por estudiosos da religião egípcia não os consideram as mesmas figuras, embora alguns correlacionem Osíris e Órion e, Budge tenha observado as viagens, mas não veja qualquer relação entre Osiris e Dionísio [Bud.ERR, 9]. Em todo caso, em nenhum lugar Osíris é chamado de “Senhor da vinha”. Ele é o governante e juiz dos mortos, mas isso não descreve Jesus, que simboliza um Deus que não é Deus dos mortos, “mas dos vivos.” No máximo Osíris representa o que pode se esperar de qualquer divindade suprema: domínio e julgamento.
  • Em sua paixão, Osíris foi alvo de uma conspiração e mais tarde assassinado por Set e “os 72″. Esta é uma combinação de falsificação terminológica, meia-verdade, e irrelevância. Não houve uma “paixão” – no referido incidente, de fato houve um complô executado por Set contra Osíris. Houve uma grande festa, em que um caixão foi trazido por Set, ele então incentivou a todos, incluindo os 72 participantes do complô e uma rainha da Etiópia, a deitarem-se nele para verificar as medidas. Finalmente chegou a vez de Osíris, ele foi convencido a deitar no caixão. No momento em que Osíris entrou, Set fechou e pregou o caixão e, o lançou no rio; Osíris morreu sufocado. Observe que os 72 aqui são inimigos de Osíris e não seus discípulos: apenas este número – um múltiplo de 12, um número que ainda valorizamos hoje quando compramos ovos e rosquinhas – é um ponto em comum (e isso somente em algumas passagens de Lucas 10; outros colocam o número em 70, talvez por representar o número de nações Gentias, de acordo com os judeus). Eles não fazem nada que possa ser considerado como o que os discípulos de Jesus fizeram. Conforme consta na narrativa, Ísis, a esposa de Osíris passou a procurar o caixão. Ela o encontra na Síria, onde ele havia sido incorporado à coluna de uma casa. Ela pranteou tão alto que algumas crianças na casa morreram do susto. Mais tarde, ela o levou para fora, abriu a tampa, então ficou procurando por Hórus. Nesse meio tempo Set encontrou o caixão e dilacerou o corpo de Hórus em 14 pedaços, espalhando-os por todos os lugares. Como resultado, Ísis passou a buscar os pedaços e os enterrava a medida que achava um a um. Uma história alternativa mostra Ísis, Anúbis, e Rá unindo novamente as partes do corpo, envonvendo-o com faixas, e revivendo seu corpo – para o propósito relacionado abaixo.
  • A ressureição de Osíris serviu para dar esperança à todos que também desejam a vida eterna. Aqui encontramos alguns dos maiores usos indevidos da terminologia, incluídos por alguns estudiosos da religião egípcia (os quais não apoiam uma relação com a teoria da cópia pagã!). Osíris ressuscitado? Não se a “ressurreição” for definida como o retorno em um corpo glorificado. Sobre este assunto Miller fez um trabalho fenomenal ao citar as palavras de J. Z. Smith, sendo assim, vou deixá-los que expliquem melhor:

“Osíris foi morto e seu corpo mutilado e espalhado. Os pedaços do corpo foram recuperados e unidos novamente, e a divindade foi rejuvenescida. Entretanto, ele não voltou ao seu antigo modo de vida, ao invés disso viajou pelo mundo subterrâneo, onde se tornou o poderoso senhor dos mortos. De modo algum pode ser dito que Osíris “ressuscitou” no sentido exigido por um padrão de morte e ressurreição (como descrito por Frazer e outros autores.); é quase certo que sua morte nunca foi considerada como um evento anual.”

“De maneira alguma o dramático mito de sua morte e reanimação pode ser conciliado com o modelo dos deuses mortos e ressucitados (como descrito por Frazer e outros).”

“A fórmula repetida ‘Levante-se, você não morreu”, quer seja aplicada à Osíris ou à um cidadão do Egito, sinalizava uma vida nova e permanente no reino dos mortos.”

O autor Frankfort concorda:
“Na verdade, de modo algum Osíris foi um deus ‘agonizante’, e sim um deus ‘morto’. Ele nunca retornou entre os vivos; ele não foi libertado do mundo dos mortos, como foi Tammuz. Pelo contrário, no geral Osíris pertencia ao mundo dos mortos, era a partir de lá que ele concedia suas bênçãos sobre o Egito. Ele sempre foi retratado como uma múmia, um rei morto”. [Kingship and the gods: a study of ancient Near Eastern religion as the integration of society & nature. UChicago:1978 edition, p.289]

Talvez a única divindade pagã, para a qual existe uma ressurreição é o egípcio Osíris. Um exame mais atento desta história mostra que ela é muito diferente da ressurreição de Cristo. Osíris não ressucitou dentre os mortos, ele governava na morada dos mortos. Como escreveu o estudioso bíblico, Roland de Vaux: “O que se entende por Osíris sendo trazido de volta a vida?” Simplesmente que, graças à ajuda de Ísis, ele é capaz de viver uma vida além do túmulo, o qual é uma réplica quase perfeita da existência terrena. Porém ele nunca voltará novamente entre os vivos e somente irá reinar sobre os mortos.… Este deus ressucitado é na realidade um deus “múmia”… Não, o Osíris mumificado dificilmente serviu de inspiração para o Cristo ressuscitado… Conforme observa Yamauchi, “Os homens comuns aspiravam a identificação com Osíris como aquele que triunfou sobre a morte.” Mas é um erro comparar a visão egípcia da vida após a morte com a doutrina bíblica da ressurreição. Para alcançar a imortalidade o egípcio tinha que satisfazer três condições: Primeiro, seu corpo tinha de ser preservado por meio da mumificação. Segundo, a alimentação era fornecida pela própria oferta de pão e cerveja. Terceiro, feitiços mágicos eram sepultados com ele. Seu corpo não ressurgia dos mortos; ao invés disso elementos de sua personalidade – seu Ba e Ka – continuavam a pairar sobre seu corpo. [[“The Resurrection of Jesus Christ: Myth, Hoax, or History?” David J. MacLeod, in The Emmaus Journal, V7 #2, Winter 98, p169

Frazer [Fraz.AAO, viii] escreveu que cada homem morto recebia o nome de Osíris por cima do próprio nome, a fim de ser identificado com a divindade.

Portanto, sob nenhum aspecto a “ressurreição” de Osíris representa uma ressurreição de fato – e na prática, era uma espécie de resultado da forma como os deuses egípcios eram, digamos, metade Frankenstein, metade brinquedos de montagem. Existem de fato muitas histórias de deuses egípcios espalhando várias partes do corpo ao redor, para não prejudicar o conjunto, pois “pensava-se que corpos divinos eram imúnes às substituições” [Meek.DL, 57] neste caso, o corpo morto de Osíris não apodreceu e nem se decompôs como se esperava para que fosse montado novamente em conjunto. Foi assim com todos estes deuses egípcios: Seth e Hórus têm uma luta em que atiram excrementos um no outro, em seguida cada um rouba os órgãos genitais do outro [Bud.ERR, 64]. O olho de Hórus é roubado por Set, porém Hórus o toma de volta e o entrega à Osíris, que o devora [ibid., 88]. Hórus teve uma dor de cabeça, e outra divindade se ofereceu para emprestar a própria cabeça para ele até que sua aflição desapareçesse [Meek.DL, 57]. Osíris pagou um preço por ter morrido mutilado, já que ele foi limitado ao mundo dos mortos [e de forma notória alienado como consequência do que se passou “acima da superfície” – Meek.DL, 88-9], mas isto somente porque ele na realidade havia morrido uma vez antes, quando seu pai o matou acidentalmente [ibid., 80].

Hórus
Agora chegamos ao assunto Hórus. Muitos têm algum comentário de Miller, portanto vamos citá-los e fazer acréscimos conforme a necessidade.

·     Nascido da virgem Ísis-Meri em 25 de dezembro numa caverna/manjedoura com seu nascimento sendo anunciado por uma estrela no Oriente e visitado por três Reis Magos. A literatura confirma aquilo que Miller sugere, e eu também vi a imagem a que ele se refere abaixo. Não encontrei nenhuma referência à uma caverna/manjedoura – Frazer [Fraz.AAO, 8], afirma que Hórus nasceu num pântano, e não sabe nada acerca de uma estrela ou sobre o número de Reis Magos.

…Hórus certamente NÃO nasceu de uma virgem. Na verdade, um antigo relevo egípcio retrata essa concepção, ao mostrar sua mãe Ísis na forma de um falcão, pairando sobre o pênis ereto de um Osíris prostrado e morto no Mundo dos mortos (EOR, sv.. “Phallus”). E a questão do 25 de Dezembro não é importante para nós – em lugar nenhum do Novo Testamento esta data é associada ao nascimento de Jesus.

Na realidade, a descrição da concepção de Hórus irá mostrar exatamente os elementos sexuais que caracterizam “nascimentos milagrosos” pagãos, como observado anteriormente por estudiosos:

“Mas depois dela [isto é, Ísis] tê-lo trazido [isto é, o corpo de Osíris] de volta ao Egito, Seth conseguiu se apossar do corpo de Osíris novamente e o despedaçou em catorze partes, as quais ele espalhou por toda a terra do Egito. Ísis então saiu uma segunda vez em busca do corpo de Osíris e enterrou cada parte no lugar em que ela encontrava (por isso o grande número de túmulos de Osíris existentes no Egito). A única parte que ela não encontrou foi o pênis do deus, pois Seth o havia jogado no rio, onde o membro foi comido por um peixe; Ísis, então moldou um pênis artificial para colocar no lugar do que havia sido cortado. Ela também teve relações sexuais com Osíris após a morte dele, o que resultou na concepção e nascimento de seu filho póstumo, Harpocrates, Hórus o Filho. Osíris tornou-se rei do mundo dos mortos e, Hórus começou a lutar com Seth…” [CANE: 2:1702; grifo meu] [A PROPÓSITO, a palavra hebraica ‘Satanás’ de qualquer maneira não é um ‘cognato’ do nome “seth”: “A raiz *STN não aparece em nenhum jargão de cognatos em textos que sejam anteriores ou contemporâneos às suas ocorrências na Bíblia hebraica “DDD, sv 1369f]

A única referência que tenho encontrado sobre o nascimento de Hórus é que ele nasceu no dia 31 do mês de Khoiak Egípcio – os estudiosos e defensores dos mitos pagãos têm uma chance em 365 de que isto combine com 25 de dezembro! Archarya acrescenta, usando Massey como uma provável fonte, a alegação de que nas paredes do Templo em Luxor existe uma cena mostrando a “Anunciação, Imaculada Conceição, Nascimento e Adoração de Hórus, com Thoth anunciando à Virgem Ísis que ela irá dar à luz; com Kenph, o “Espírito Santo”, engravidando a virgem “, concluindo com a visita dos três Reis Magos. Por alguma razão nem Archarya nem Massey fornecem um nome ou número para este relevo, ou um local mais específico do que o Templo em Luxor, que é um lugar bastante grande e inacessível para a maioria dos leitores dela. Quando pressionada em seu website por um leitor que investigava o assunto, Archarya fez um jogo de palavras – “Isis é a constelação de Virgo a Virgem, assim como a Lua, que se torna uma “virgem” durante o período de Lua Nova. O deus sol – neste caso, Hórus – é nascido desta deusa virgem”. – E devemos concluir, segundo ela, que isso alude à um documento do 6º século dC! Em momento algum apresenta-se uma confirmação para a ligação Ísis-Virgem; seria o mesmo que dizer “Ísis é Gomer, a prostituta“. Se tal relevo existe de fato, é apenas aquilo que Archarya pensa ser através da interpretação de Massey. (Recentemente um escritor enviou esta descrição de um site egípcio de viagens: 

“Acreditava-se que a Realeza fora decretada pelos deuses no início dos tempos de acordo com ma’at, o reinado bem organizado de verdade, justiça, e ordem cósmica. O rei soberano era também o filho físico do deus sol criador. Esta concepção divina e nascimento foi registrada nas paredes do Templo em Luxor, em Deir el-Bahri, e em outros templos reais por todo o Egito. O rei era também uma encarnação do Dinástico deus Hórus, e quando morto, foi identificado com Osíris, o pai de Hórus. Este rei vivo era portanto uma única entidade, a encarnação viva da divindade, escolhido divinamente como um mediador, que poderia atuar como um sacerdote em favor de toda a nação, recitando orações, oferecendo sacrifícios… Um átrio cercado por colunas do rei Akenatom III está unido ao interior de uma sala imponente com teto plano apoiada sobre várias fileiras de colunas, o qual é o primeiro aposento interno originalmente coberto e fazia parte do templo. Isto conduz à uma sucessão de antecâmaras com salas auxiliares. O quarto do nascimento a leste da segunda antecâmara é decorado com relevos que retratam o nascimento simbólico divino de Akenatom III, resultante da união de sua mãe Mutemwiya e o deus Amun. O santuário inclui um edifício à parte adicionado por Alexandre o Grande dentro da câmara maior criada por Akenatom III. Relevos bem preservados mostram o santuário transportável de Amun e outras cenas do rei, na presença dos deuses. O santuário de Akenatom III é o último aposento sobre o eixo central do templo.

Este relato é significativamente desprovido de uma concepção ou nascimento virginal, de Reis Magos, ou de um Espírito Santo. Você pode até insistir numa adoração que não existe aqui, mas seja como for, quem é que não adora um recém-nascido? Agora, dê uma olhada no trunfo fornecido por um cético irritado com a tese de Archarya)

  • Seu pai terreno chamava-se “Seb” (“José”). Na verdade Seb era o deus-terra e não o “pai terreno”, mas ao invés da própria terra (como Nut que simbolizava o céu), ele era o pai de Osíris, não de Hórus “, embora um de meus prestativos pesquisadores tenha me dito que existe uma versão na qual Hórus era o filho de Seb. Cuidado, não caia no truque da etimologia: você não pode concluir que “Seb” é “José” apenas colocando os nomes lado a lado.
  • Ele era descendente de uma linhagem real. Obviamente verdade, e Hórus era freqüentemente identificado com a vida de Faraó, mas isto é tão banal quanto sem importância.
  • Aos 12 anos de idade foi uma criança que ensinou no templo, e aos 30 foi batizado, após ter desaparecido por 18 anos.
  • Foi batizado no rio Eridanus ou Iaurutana (Jordão) por “Anup o Batizador” (João Batista), que foi decapitado.
  • Ele teve 12 discípulos, dois dos quais foram suas “testemunhas” e eram chamados “Anup” e “AAn” (os dois “Joãos”). Eruditos da religião egípcia não conheçem nenhum desses. Quanto à esta última alegação Miller observa:
…Minha pesquisa na literatura acadêmica não revela esta informação. Encontrei referências à QUATRO “discípulos” – de diversas maneiras chamados de os semi-divinos HERU-SHEMSU (“Seguidores de Hórus”) [GOE: 1,491]. Encontrei referências à DEZESSEIS seguidores humanos (GOE: 1,196). E encontrei referências à um grupo INCONTÁVEL de seguidores chamados mesniu / mesnitu (“ferreiros”) que acompanhavam Hórus em algumas de suas batalhas [GOE: 1.475f; embora estes possam ser identificados com os HERU-SHEMSU no texto GOE: 1,84]. Mas não consigo encontrar DOZE DISCÍPULOS em qualquer lugar… Hórus NÃO é o deus-sol (este é Rá), portanto não podemos recorrer a afirmação de que “todos os deuses solares têm doze discípulos – no Zodíaco” como é de costume.]

  • Ele realizou milagres, expulsou demônios e ressucitou El-Azarus ( “El-Osíris”) dos mortos. Miller observa:
Hstórias de milagres são abundantes, mesmo entre grupos religiosos que eventualmente não poderiam ter exercido influência mútua, tais como grupos latino-americanos (por exemplo os Astecas) e os Romanos, portanto esta “semelhança” não implica nenhum significado. Não encontro em LUGAR ALGUM da literatura acadêmica referências a esta ressurreição específica. Tenho examinado todas as formas do nome El-Azarus sem êxito. O fato de que algo tão notável nem sequer é mencionado nas modernas obras de Egiptologia indica seu status questionável. Simplesmente é algo que não pode ser apresentado como prova sem que exista ALGUMA fundamentação autêntica. O mais próximo disso que pude encontrar, está no papel que Hórus desempenha em seu funeral oficial, no qual ele “apresenta” um recém-morto à Osíris e à seu reino dos mortos. No Livro dos Mortos, por exemplo, Hórus apresenta para Osíris o recém-morto Ani e, pede que Osíris o receba e tome conta dele (GOE: 1,490).

  • Hórus andou sobre as águas. Não que eu tenha encontrado, na verdade ele foi jogado na água (veja abaixo).
  • Seu cognome pessoal era “Iusa” o “Filho eterno desejado” de “Ptah”, o “Pai”. Ele era chamado de “Divino Filho”. Miller diz:
Este fato também escapou à minha investigação. Examinei provavelmente 50 títulos das diversas divindades de Hórus, e a maioria dos principais índices de referências Egípcias padrão praticamente não contêm nada a respeito destas alegações. Encontrei uma cidade chamada “Iusaas” [GOE: 1,85], uma divindade árabe pré-islâmica também de nome “Iusaas”, cogitada por alguns como sendo igual ao deus egípcio Tehuti / Thoth [GOE: 2,289], e uma equivalente fêminina denominada “Iusaaset” [GOE: 1,354]. Mas nenhuma referência à Hórus como sendo “Iusa”… ]
  • Ele pregou um “Sermão da Montanha”, e seus seguidores recitaram as “parábolas de Iusa.”
  • Hórus foi transfigurado no monte.
  • Ele foi crucificado entre dois ladrões, sepultado por três dias em um túmulo e, em seguida ressuscitado. Nenhuma destas três afirmações sequer pode ser encontrada. Sobre a última Miller escreve:
Não consigo SEQUER encontrar referências à Hórus morrendo, até que mais tarde ele se torna “um” com Rá o deus Sol, após isso ele ‘morre’ e ‘renasce’ todos os dias a medida que o sol nasce. E mesmo nesta “morte”, não há em lugar algum nenhuma referência à um túmulo…

Encontrei na obra de Budge uma hipótese de que Hórus havia morrido e seus pedaços lançados nas águas, e que seus membros foram pescados por Sebek, o deus crocodilo, a pedido de Ísis. Porém, na melhor das hipóteses, isso é uma espécie de batismo engraçado (veja acima). Outra fonte regista uma história onde Hórus é picado por uma serpente e revivido, o que ainda assim não é bem uma semelhança.
  • Títulos: O Caminho, a Verdade, a Luz; Messias; Ungido Filho de Deus, Filho do homem; Bom Pastor; Cordeiro de Deus; Verbo feito carne; Palavra da Verdade. Encontrei estes títulos: [Bud.ERR, 78] Grande Deus, Senhor dos Poderes, Mestre do Céu, Vingador de Seu Pai (considerando-se que ele derrotou Set, o qual havia “assassinado” Osíris). É provável que ele fosse chamado apropriadamente de “Filho do Homem”, como o filho da realeza (veja aqui), mas não tenho encontrado nenhuma evidência que confirme isso.
  • Ele foi “o Pescador” e era associado com o Peixe ( “Ichthus”), o Cordeiro e o Leão.
  • Ele veio para cumprir a lei.
  • Era chamado de “o KRST” ou “Ungido”.
  • Ele deveria reinar por mil anos. Não tenho achado nenhuma evidência para qualquer uma dessas quatro últimas alegações.
Conclusão: Até agora este artigo parece estar cheio de impostores, e está na hora daqueles que defendem os mitos pagãos apoiarem-se mais do que em obras ameaçadoras de terceiros como as Barbara Walkers e os Gerald Masseys da vida. Portanto, eu os desafio agora a apresentar seus deuses – quer dizer, suas armas. Algum desafiante? (Alguns destes também aparecem no site de Tom Harpur)

Se quiser saber mais: Veja Mark McFall assumir a identidade do “Cético X” (o ceticismo da própria Acharya S) sobre o tema da “ressurreição” de Osíris.


Fonte: http://2012profeciasconspiracoes.blogspot.com.br/2008/04/comparando-osris-hrus-e-jesus.html

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Mais de 500 cientistas doutorados proclamam suas dúvidas acerca da teoria de Darwin



A declaração diz:
“Somos céticos a respeito das alegações de que as mutações randômicas e a seleção natural possam ser responsáveis pela complexidade da vida. Um exame cuidadoso das evidências da teoria Darwiniana deve ser encorajado”.

A lista dos 514 signatários inclui cientistas membros da Academia Nacional de Ciências da Rússia e dos EUA. Os signatários incluem 154 biólogos, a maior disciplina científica representada na lista, bem como 76 químicos e 63 físicos.

Os signatários têm doutorados em ciências biológicas, física, química, matemática, medicina, ciência da computação, e disciplinas relacionadas.

Muitos são professores ou pesquisadores em importantes universidades e instituições de pesquisas tais como o MIT, o Instituto Smithsoniano, a Universidade de Cambridge, a Universidade da Califórnia em Los Angeles, a Universidade da Califórnia em Berkeley, a Universidade de Princeton, a Universidade da Pensilvânia, a Universidade Estadual de Ohio, a Universidade da Geórgia e a Universidade de Washington.

O Instituto Discovery publicou pela primeira vez sua lista de Dissidência Científica contra o Darwinismo em 2001 para desafiar falsas declarações sobre a evolução darwiniana feitas na promoção da série “Evolution”, transmitida pelo canal PBS. Na época a série afirmava que “virtualmente todos os cientistas do mundo crêem que a teoria é verdadeira”.

“Os darwinistas continuam a afirmar que nenhum cientista sério duvida da teoria. Contudo, aqui estão 500 cientistas que estão dispostos a tornar público seu ceticismo acerca da teoria”, disse o Dr. John G. West, diretor associado do Centro de Ciência & Cultura do Instituto Discovery. “Os esforços dos darwinistas para usar os tribunais, os meios de comunicação e os comitês acadêmicos para suprimir a dissidência e reprimir o debate estão na verdade inflamando mais dissidência ainda e inspirando mais cientistas a pedir sua inclusão na lista”.

De acordo com West, foi o crescimento rápido no número de dissidentes científicos que incentivou o Instituto a lançar um site — http://www.dissentfromdarwin.org — para dar à lista um lugar permanente. O site é a resposta do Instituto à demanda de informações e acesso à lista por parte do público e de cientistas que querem que seus nomes sejam acrescentados à lista.

“A teoria da evolução de Darwin é o grande elefante branco do pensamento contemporâneo”, disse o Dr. David Berlinski, um dos signatários originais, que é matemático e filósofo científico no Centro de Ciência & Cultura do Instituto Discovery. “A teoria de Darwin é volumosa, quase completamente inútil, e objeto de veneração supersticiosa”.


Outros signatários proeminentes incluem o Dr. Philip Skell, membro da Academia Nacional de Ciências dos EUA; oDr. Lyle Jensen, membro da Associação Americana para o Avanço da Ciência; o Dr. Stanley Salthe, biólogo evolucionário e autor de livros escolares; o Dr. Richard von Sternberg, biólogo evolucionário do Instituto Smithsoniano e pesquisador do Centro Nacional de Informações de Biotecnologia dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA; o Dr. Giuseppe Sermonti, editor da Rivista di Biologia, a mais antiga revista do mundo sobre biologia ainda em circulação; o Dr. Lev Beloussov, embriologista da Academia de Ciências Naturais da Rússia.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O Sangue é prova de evolução?


A similaridade do sangue humano à água prova que a vida surgiu no oceano?

Os evolucionistas têm um banco cheio de histórias usadas para sustentar a evolução que, por fora, soam bem. Imagino que eu tenha ouvido essa pela primeira vez em uma reunião do ginásio durante um filme do “Sr. Wizard”. O professor inteligente e acreditável do filme convenceu seu jovem assistente de que a evolução tinha que ser verdadeira mostrando o quão similar o sangue humano é à água do mar. O fato é que os mesmos compostos (como o sal) estão em cada “prova” da relação do homem com todas as formas de vida, que se originaram no mar. Mas como muitos evolucionistas dizem, isso não resiste a um exame minucioso.

Primeiramente, embora ambos contenham muito dos mesmos sais, a concentração de partículas dissolvidas no sangue é muito diferente daquela da água do mar. Os constituintes primários de ambos são o sódio e o cloro (que juntos formam um sal comum, NaCl), mas a água do mar tem três vezes mais sódio e cinco vezes mais cloro por unidade de peso. Raramente os mesmos. Além disso, ela contém oito vezes mais cálcio e cinco vezes mais magnésio.

Por outro lado, muitos sais dissolvidos são mais abundantes no sangue que na água do mar. O sangue tem duas vezes mais zinco, duzentas e cinqüenta vezes mais ferro, e mil vezes mais cobre. Todos estes (e muitos outros) presentes em ambos são minerais comuns encontrados em qualquer parte, tanto em sistemas orgânicos como em rochas inorgânicas. Naturalmente eles seriam encontrados no sangue e na água do mar assim como na argila inorgânica. Visto que a combinação destes minerais é tão diferente entre o sangue e a água do mar, parece ser uma afirmação infundada que um surgiu do outro. Para ser justo, esse argumento para a evolução raramente aparece nos livros didáticos modernos. É proeminente em livros de 1940-1970, porém, continua defendido por aqueles que o aprenderam. É uma marca indelével no folclore evolucionista.

O segundo ponto que poderia ser tomado é que a reivindicação para a similaridade é feita comparando o sangue humano à moderna água do mar, mas não deveria ser à água do mar de muito tempo atrás, quando a vida surgiu e os precursores do sangue começaram a evoluir? Sabemos que a salinidade do oceano aumenta a cada dia, quando os rios despejam seus sólidos dissolvidos nele. Os evolucionistas propõem (sem evidências) um estado fixo para o oceano, mas não deveriam as concentrações ter mudado através da (suposta) história de três bilhões de anos? Talvez as diferentes concentrações entre o sangue e a água do mar sejam melhores provas da evolução. Talvez esta seja a sua próxima afirmação.

Finalmente, quando a preocupação é com o sangue, não é a concentração mineral o que é mais importante. O DNA celular é projetado para usar esses minerais a fim de formar moléculas extraordinariamente complexas, construindo proteínas estruturais e enzimas, etc., utilizando os íons minerais para transportar nutrientes, conduzir impulsos elétricos, bloquear compostos prejudiciais, e uma multidão de outras funções. Isso é válido tanto para organismos unicelulares como para vegetais e animais pluricelulares. Tudo isso é um tanto diferente de qualquer forma na água do mar. De fato, a água do mar destrói esses constituintes necessários à vida.

Não, sangue e água são completamente diferentes, mas qualquer similaridade não provaria a evolução. Nada proveria provar a evolução, porque ela não é verdadeira.

Fonte:

O Dr. John D. Morris é Ph.D. em Geologia pela Universidade de Oklahoma e atual Presidente do ICR. Este artigo foi publicado no boletim Acts & Facts do Institute for Creation Research, em sua edição de fevereiro de 2004, com o título "Does the Similarity of Human Blood to Sea Water Prove Life Arose in The Ocean?". Tradução do texto de Daniel Ruy Pereira.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Teorema do Macaco

Gerry Schroeder

Eis a refutação minuciosa de Gerry Schroeder ao que chamam de "teorema do macaco". Essa idéia, apresentada de formas variadas, defende a possibilidade de a vida ter surgido por acaso, usando a analogia de uma multidão de macacos batendo nas teclas de um computador e, em dado momento, acabarem por escrever um soneto digno de Shakespeare. Lá vai:

"Todos os sonetos são do mesmo comprimento. São, por definição, compostos de catorze versos. Escolhi aquele do qual decorei o primeiro verso, que diz:

"Devo comparar-te a um dia de verão?". Contei o número de letras. Há 488 letras nesse soneto. Qual é a probabilidade de, digitando a esmo, conseguirmos todas essas letras na exata seqüência em todos os versos? Conseguiremos o número 26 multiplicado por ele mesmo, 488 vezes, ou seja, 26 elevado à 488ª potência. Ou, em outras palavras, com base no 10, 10 elevado à 690ª potência.


Agora, o número de partículas no universo — não grãos de areia, estou falando de prótons, elétrons e nêutrons — é de 10 à 80ª. Dez elevado à octagésima potência é 1 com 80 zeros à direita. Dez elevado à 690ª é 1 com 690 zeros à direita. Não há partículas suficientes no universo com que anotarmos as tentativas. Seríamos derrotados por um fator de 10 à 600ª. Se tomássemos o universo inteiro e o convertêssemos em chips de computador — esqueçam os macacos —, cada chip pesando um milionésimo de grama e sendo capaz de processar 488 tentativas a, digamos, um milhão de vezes por segundo, produzindo letras ao acaso, o número de tentativas que conseguiríamos seria de 10 à 90ª. Mais uma vez, seríamos derrotados por um fator de 10 à 600ª. Nunca criaríamos um soneto por acaso. O universo teria de ser maior, na proporção de 10 elevado à 600ª potência. No entanto, o mundo acredita que um bando de macacos pode fazer isso todas as vezes".

domingo, 3 de maio de 2015

PLANETA TERRA: PLANO OU ACIDENTE?

Stuart E. Nevins, M.S.

De onde veio a terra? Através de que processo ela foi construída? Será que uma inteligência onisciente planejou e dirigiu a criação de nosso planeta? Ou será que a terra evoluiu através de processos desgovernados, ao acaso, sem um plano supervisionado? As respostas de uma pessoa às perguntas acima vão afetar significativamente o seu ponto de vista pessoal em relação à origem, propósito e destino de ambos, a terra e o homem.

Considerando que os cientistas concordam que a terra não existiu eternamente, a lógica simples determina que não existe posição intermediária nessa importante questão do plano versus acidente. Ou uma mente superior planejou e criou nosso planeta, ou todo ele se originou através de um acidente fortuito, sem planejamento e sem propósito! Para ajudar a resolver a questão vamos considerar alguns fatos espantosos acerca da Terra.

A TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DA TERRA
A temperatura média da superfície da Terra depende de diversos fatores, sendo os dois mais importantes a distância entre a Terra e o Sol e a inclinação do eixo rotacional da Terra. De importância secundária em relação à temperatura da superfície da Terra temos a área dos continentes, a quantidade de Terra coberta pela luz e calor, as massas refletoras de gelo (geleiras) e a quantidade de dióxido de carbono e vapor de água que afeta a transparência da atmosfera tanto para o calor que entra como para o que sai.

O fator mais importante que afeta a temperatura da Terra é obviamente a distância entre a Terra e o Sol. Se a Terra se aproximasse alguns milhares de quilômetros do Sol, a superfície da Terra se tornaria mais quente provocando o derretimento das geleiras. Com a diminuição da área das geleiras, a refletividade total da superfície de nosso planeta diminuiria através desse processo e absorveria mais o calor do Sol. O derretimento das ge leiras provocaria um aumento do nível do mar e, além de inundar a maioria de nossas cidades modernas, criaria uma área total de superfície oceânica maior. Considerando que a água do mar absorve maiores quantidades de radiação solar do que a mesma área de massa terrestre, o aquecimento da Terra seria também incrementado. Além disso, depois de aumentar a temperatura dos oceanos, grande par te do dióxido de carbono dissolvido nos oceanos seria acrescentado à atmosfera junto com grandes quantidades de água por causa do aumento de evaporação. O nível do dióxido de carbono e do vapor da água da atmosfera aumentado produziria novamente um significativo aumento da temperatura. Considerando tudo isso, uma diminuição por menor que seja na distância entre a Terra e o Sol te ria um efeito drástico de aquecimento da superfície da Terra.

E o que aconteceria se a Terra se afastasse alguns milhares de quilômetros do Sol? O inverso da situação anterior é o que resultaria. Teríamos grande parte de nosso planeta coberto de gelo, associado a um aumento da refletividade do calor do Sol. O oceano cobriria uma porção menor da superfície da Terra e o importante processo da absorção do calor pela água do mar diminuiria. Considerando que o oceano ficaria mais frio, a evaporação seria menor com menos vapor de água na atmosfera para reter o calor. Grande parte do dióxido de carbono da atmosfera se dissolveria no oceano mais frio. Certos cálculos demonstram que uma diminuição de dióxido de carbono no ar até a meta de do seu nível atual diminuiria a temperatura média da superfície da Terra em cerca de 4 graus Celsius! Assim, aumentar a distância entre a Terra e o Sol resultaria em um profundo efeito de resfriamento de nosso planeta.

Dos comentários acima vemos que a Terra está exatamente na distância adequada do Sol para manter a temperatura de sua superfície apropriada para a vida e para os muitos e importantes processos geológicos! Para o evolucionista a distância entre a Terra e o Sol é um estranho acidente, mas para o criacionista é um maravilhoso testemunho do planejamento de Deus.

A INCLINAÇÃO E A ROTAÇÃO DA TERRA
O eixo da rotação da Terra está inclinado em 23,5 graus relativamente à perpendicular do plano da órbita terrestre. Essa inclinação provoca as quatro estações. Durante os meses de maio, junho e julho, o hemisfério norte fica apontado para o Sol, fazendo o hemisfério aquecer-se e provocando nele a estação chamada verão. Durante os meses de novembro, dezembro e janeiro o hemisfério norte afasta-se do Sol, provocando diminuição da temperatura e a estação chamada inverno. Por que essa inclinação é de 23,5 graus? Por que não algum outro valor?

O que aconteceria se a Terra não tivesse inclinação, e o eixo da rotação permanecesse perpendicular ao plano da órbita? Não teríamos estações e a temperatura da superfície da Terra em qualquer ponto dela seria a mesma tanto em julho como em janeiro. A região equatorial de nosso planeta seria intoleravelmente quente o ano inteiro e os pólos permaneceriam muito frios. O gelo se acumularia nos pólos. Os padrões do tempo seriam estacionários com massas de ar frio e quente permanentemente posicionadas. Algumas regiões seriam muito áridas. Apenas as latitudes médias seriam confortáveis para a habitação humana e adequadas à lavoura. Apenas a metade de nossas terras cultiváveis seriam produtivas.

E o que aconteceria se a Terra tivesse o dobro da atual inclinação? Temperaturas extremas entre as estações seriam muito mais pronuncia das. Até mesmo as latitudes médias sofreriam um calor intolerável no verão e um frio insuportável no inverno. Grande parte da Europa e da América do Norte experimentaria uma escuridão muito prolongada no inverno e dias muito longos no verão. A vida se ria intolerável na maior parte da superfície da Terra.

A Terra gira uma vez em cada 24 horas produzindo o intervalo de tempo chamado “dia”. Se a Terra girasse mais devagar, teríamos temperaturas mais extremas de dia e de noite. Outros planetas têm “dias” que são muitas vezes mais longos do que os da Terra, produzindo temperaturas causticantes durante o dia seguidas de noites congelantes. A rotina normal diária das plantas e dos animais seria impossível se o dia da Terra fosse muito mais Curto do que o atual. O dia de 24 horas parece ser ótimo, ser vindo para equilibrar a temperatura da Terra (mais ou menos como um peru que gira no espeto da churrasqueira).

Assim, dificilmente poderíamos melhorar o atual arranjo de inclinação e de rotação que parecem ser planejados para o conforto e a economia. Nossa atual inclinação provoca as estações associadas a flutuações no tempo, produzindo urna quantidade máxima de terras cultiváveis e estações agradáveis. A atual rotação da serra ajuda a aquecer uniformemente a sua superfície e provoca ventos e correntes oceânicas.

A ATMOSFERA DA TERRA
A atmosfera da Terra é composta de quatro importantes gases. O gás mais abundante é o nitrogênio (N2) que compõe cerca de 78% da atmosfera. O oxigênio (O2) é o segundo ingrediente mais comum, estando presente na quantidade de 21%. O gás argônio (Ar) é o terceiro com um pouquinho menos de 1%. O quarto é o dióxido de carbono (CO2), presente a 0,03%.

Em nosso estudo sobre a atmosfera vemos que os seus gases podem ser divididos em duas categorias principais: gases inertes e reativos. O argônio é inerte e o nitrogênio é relativa mente inativo. Estes participam em pouquíssimas reações químicas. Realmente é muito bom que o nitrogênio não se combine facilmente com o oxigênio, pois, caso contrário, teríamos um oceano cheio de ácido nítrico.

O oxigênio é o gás reativo mais comum em nossa atmosfera. Sua presença abundante é o aspecto que mais caracteriza nossa atmosfera, pois não foi encontrado na atmosfera de nenhum outro planeta a não ser em quantidades muito diminutas.

Por outro lado, o nitrogênio e o oxigênio, reagem rapidamente com os outros gases, com os compostos orgânicos e com as rochas. O atual nível de oxigênio parece ser ótimo. Se o tivéssemos em maior quantidade, a combustão ocorreria com mais energia, as rochas e os metais se desgastariam mais depressa, e a vida seria adversamente afetada. Se o oxigênio fosse menos abundante, a respiração seria mais difícil e teríamos uma quantidade reduzida de ozônio (O) na atmosfera superior que serve de escudo à superfície da Terra dos raios ultravioleta que são mortais.

O dióxido de carbono também é um gás reativo que forma parte essencial de nossa atmosfera. Ele é necessário às plantas, serve para efetivamente captar a radiação do Sol e misturá-la com a água para formar um ácido que dissolve as rochas acrescentando ao oceano uma substância importante chamada bicarbonato. Sem um contínuo suprimento de carbono da atmosfera, a vida seria impossível.

Importante como é o dióxido de carbono à atual vida na Terra, ele compreende apenas a insignificância 0,03% de nossa atmosfera! Contudo, essa pequena quantidade parece ser ótima. Se tivéssemos menos dióxido de carbono, a massa total das plantas terrestres e marinhas diminui ria, havendo menos alimento para os animais, o oceano conteria menos bicarbonato, tornando se mais ácido, e o clima se tornaria mais frio por causa da transparência aumentada da atmosfera ao calor. Embora um aumento de dióxido de carbono na atmosfera causasse aumento de flora (uma circunstância benéfica para o lavrador), haveria alguns efeitos colaterais ruins. Se o dióxido de carbono aumentasse cinco vezes a sua porcentagem (o nível ótimo para a produtividade orgânica), provocaria um aumento da temperatura da superfície da Terra em algumas dezenas de graus Celsius! Um grande aumento de dióxido de carbono também aceleraria tanto o desgaste dos continentes que um excesso de bicarbonato nos oceanos levaria a uma condição alcalina desfavorável vida.

A densidade ou pressão total de nossa atmosfera parece ser a ideal. A densidade é muito importante pois age como um cobertor térmico protegendo a Terra da frieza do espaço. Se a Terra tivesse um diâmetro maior, com uma atmosfera mais densa, o efeito de cobertor térmico seria acentuado, produzindo um clima muito mais quente. Se a Terra tivesse um diâmetro menor, com uma atmosfera menos densa, haveria um clima mais frio. Como já dissemos antes, a Terra tem a temperatura correta, provando que a atmosfera tem a densidade própria e que a Terra tem o tamanho adequado!

A atmosfera também serve para 1 filtrar a luz ultravioleta e os raios cós micos. Ambos são danosos para a vida e seriam muito mais comuns na superfície da Terra se a atmosfera fosse menos densa. Ela também queima meteoritos: A comunicação através das ondas longas do rádio só é possível porque a atmosfera tem a densidade correta para refletir algumas frequências de rádio. Além disso, ela reflete o ruído estelar indesejável que poderia interferir com o rádio.

Essa análise indica que a nossa atmosfera tem a composição e a densidade corretas. Como poderia ter si do formada se não fosse pelo planejamento e realização divina?

O MUNDO OCEÂNICO
A água é um composto extremamente raro no espaço. Uma reserva permanente de água líquida, uma ocorrência muito improvável no espaço, só existe na Terra, até onde sabemos. Nosso planeta possui um suprimento abundante calculado em cerca de 1392 milhões de quilômetros cúbicos de água líquida.

A água em forma líquida possui propriedades físicas e químicas muito exclusivas que a tornam ideal como componente principal da vida e a solução do mundo oceânico. O solvente característico da água, por exemplo, toma possível que todos os nutrientes essenciais necessários à vida sejam dissolvidos e assimilados. O fato de a água ser transparente à luz visível possibilita às algas marinhas a realização da fotossíntese abaixo da superfície oceânica e permite que os animais do mar vejam através da água. A água é uma das poucas substâncias que se expande quando congela, evitando que nossos lagos e oceanos congelem de baixo para cima.

Uma das mais notáveis propriedades da água é a sua capacidade elevada de captar e manter o calor. O oceano é menos refletivo do que a Terra à radiação solar entrante e, por isso, absorve mais energia solar do que áreas idênticas da Terra. Também é necessário muito mais calor para elevar a temperatura de uma unidade de água do mar em um grau do que seria necessário para uma massa idêntica dos continentes. Considerando que a temperatura média do oceano é de cerca de 7,2o Celsius, o oceano esfria as porções de terra equatorial mais quentes do nosso planeta e aquece as regiões polares mais frias. Além disso, as correntes oceânicas provocadas pela rotação da Terra servem para fazer circular a água do mar e evita que os mares equatoriais se tornem quentes demais e os mares polares se tornem frios até o congelamento total.

Além da água, o mundo oceânico também serve como um reservatório para determinados produtos químicos muito importantes. Grande parte do dióxido de carbono do nosso planeta é dissolvido na água do mar, estando em equilíbrio com a atmosfera. O recente acréscimo de grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera através da queima de combustível fóssil não elevou significativamente a porção desse gás na atmosfera. Grande parte do dióxido de carbono derivado da combustão foi absorvido pelo oceano.

Desses nossos comentários fica evidente que a presença do oceano em nosso planeta é uma evidência do planejamento e da providência de Deus. Não sabemos de nenhum outro planeta que tenha um suprimento permanente de água líquida. As propriedades químicas e físicas de água líquida são necessárias à sobrevivência, O mundo oceânico regula a temperatura da Terra e serve como um reservatório de muitos e importantes produtos químicos.

A CROSTA TERRESTRE
Os continentes que cobrem 29% da superfície de nosso planeta têm uma elevação média de cerca de 836m acima do nível do mar. O mundo oceânico que cobre 71% da superfície da Terra tem uma profundidade média de cerca de 3.812m! Por que temos continentes assim tão elevados junto com bacias oceânicas tão profundas? Seria de se esperar, usando simples estimativas das probabilidades, que a Terra tivesse uma elevação mais ou menos uniforme.

Se fôssemos raspá-los e jogá-los nos lugares mais profundos dos oceanos para fazer uma Terra de elevação igual, teríamos uma Terra de aproximadamente 2.440m de água! Nenhuma área da Terra ficaria exposta e a vida terrestre não existiria. Não haveria mares costeiros rasos com regiões ecológicas nas quais as criaturas da vida marinha pudessem proliferar. O oceano com uma Terra de elevação uniforme seria quase desprovido de vida.

Temos dois motivos principais por que os continentes permanecem elevados acima do fundo do mar. Primeiro, os continentes são feitos de rochas que, como um todo, são menos densas do que as rochas do fundo do oceano. Segundo, a crosta continental é geralmente mais de duas vezes mais grossa do que a crosta oceânica. A diferença em densidade e espessura entre as crostas continental e oceânica é exatamente aquela que é necessária para manter o atual “bordo livre” dos continentes acima do fundo oceânico! Para o evolucionista isso é um acidente interessante. Mas para o criacionista esses fatos indicam o plano de Deus.

O estudo de meteoritos tem revela do que os elementos ferro e oxigênio São mais ou menos iguais na quantidade. Até onde sabemos acerca da densidade e da estrutura da Terra, os geólogos dizem que o ferro é o ele mento mais comum na massa terrestre, sendo um pouquinho mais abundante do que o oxigênio. Contudo, quando se considera a crosta terrestre, os geólogos calculam que o oxigênio é cerca de oito vezes mais abundante do que o ferro! Além disso, a crosta terrestre tem quantidades in comumente grandes de silício, magnésio e alumínio.

Se tivéssemos quantidades maiores de ferro e magnésio na crosta, o oxigênio da atmosfera rica em oxigênio se tornaria impossível. Nossa atual crosta, diferente de outros planetas e meteoritos, já é altamente oxidada e, portanto, permite uma atmosfera oxidante. Assim, a composição da crosta prova a sabedoria divina.

CONCLUSÃO
Duas diferentes conclusões podem ser tiradas dos dados que acabamos de apresentar. Eles indicam que urna Mente onisciente planejou e idealizou nosso espantoso planeta, ou que ele se originou de um acidente fortuito sem nenhum plano, ou desígnio. Não há meio termo! E preciso decidir: Deus ou o acaso!

A pessoa que é evolucionista consistente vai atribuir as muitas maravilhas de nosso planeta (a temperatura da superfície da Terra, sua inclinação e rotação, a atmosfera, o oceano e a crosta) ao acaso desorientado. Tal conclusão, embora não seja impossível, exige muita fé em acontecimentos extremamente improváveis. É como se imaginássemos que a Mona Lisa surgiu de pingos de tinta jogados sobre a tela.

O criacionista, de outro lado, reconhece que a única dedução racional a que se pode chegar a partir desses dados é que as maravilhas da Terra devem a sua origem à inteligência e à obra das mãos de Deus. Foi o salmista que disse:

"Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas. Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca. Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou." (Salmo 95:4-6).


AUTOR: Stuart E. Nevins tem B.S. e M.S em geologia e é professor assistente de geologia no “Christian Heritage College”.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A PROBABILIDADE DA RESSURREIÇÃO DE JESUS

Richard Swinburne

O artigo discute a forma de um argumento em favor da ressurreição de Jesus do modo como o Cristianismo acredita que esta ocorreu, o qual, se bem-sucedido, seria um forte indício histórico da existência de Deus. O artigo sustenta que Deus teve boas razões para se encarnar por certos propósitos e que, se assim ele o fez, ele viveria um certo tipo de vida como um ser humano, que seria culminada por um super-milagre como sua ressurreição. Se encontrarmos um e apenas um ser humano em toda a história sobre o qual haja uma quantidade modesta de indícios do tipo que se esperaria se ele viveu aquele tipo de vida e uma modesta quantidade de indícios do tipo a ser esperado se aquela vida fosse culminada por um super-milagre como a ressurreição, isso é um indício bem forte de que aquele ser humano era Deus encarnado. Assim, aqueles indícios aumentariam significativamente a probabilidade de que Deus existe.

Palavras-chave: ressurreição, Jesus, probabilidade, encarnação.
A discussão nesta conferência de um argumento para a existência de Deus difere das discussões dos argumentos apresentados nas duas palestras anteriores em dois aspectos. Em primeiro lugar, ela discute apenas a forma de um argumento a partir de um certo indício histórico. O indício histórico é complicado e tem sido discutido extensamente por inúmeros especialistas em Novo Testamento. Eu mesmo fiz algumas contribuições pormenorizadas para essa literatura num livro recente. O que estou preocupado em mostrar aqui é o tipo de indício histórico que precisamos e o quão forte ele tem de ser para que alcancemos nossa conclusão. Em segundo lugar, a conclusão que estou buscando estabelecer não é apenas de que Deus existe, mas que ele se tornou encarnado em Jesus Cristo, que ressurgiu dos mortos fisicamente na manhã do primeiro dia de Páscoa. Isso obviamente acarreta que Deus existe! Mas se a prática de qualquer religião deve ser racional, as crenças que devem ser racionais não são apenas as crenças de que existe um Deus, mas crenças mais pormenorizadas – incluindo, no caso da religião cristã, aquela que eu acabei de mencionar. Precisamos de crenças acerca de como Deus interage conosco para nossa religião se tornar relevante. E para essas crenças serem racionais, deve haver bons argumentos probabilísticos que as mostrem como tais. Assim, vamos considerar como poderíamos mostrar que Jesus (provavelmente) ressurgiu dos mortos depois de sua morte por crucifixão 36 horas antes. Uma conclusão acerca de quem Jesus era será vista na seqüência.

Na avaliação de qualquer hipótese histórica, devemos levar em conta três tipos de indícios. O primeiro tipo é o mais óbvio – o relato de testemunhas acerca dos dados físicos causados pelo que aconteceu no tempo e lugar em questão. Se é sugerido que John roubou um certo cofre, então nossa evidência histórica óbvia é o que as testemunhas disseram (sobre quem estava perto do cofre no momento em questão e onde John estava naquela hora) e dados físicos tais como impressões digitais no cofre, dinheiro achado na garagem de John, etc. Chamarei tais indícios de indícios históricos posteriores. Na medida em que a hipótese é simples e os indícios históricos posteriores são tais que você esperaria encontrá-los se a hipótese em questão for verdadeira, mas não de outro modo, isso é prova de que a hipótese é verdadeira. Por exemplo, se John roubou o cofre, você esperaria encontrar suas impressões digitais nele, mas não esperaria encontrá-las se ele não o tivesse roubado. Na falta de indícios para uma hipótese da inconfiabilidade das testemunhas, se John roubou o cofre, você esperaria que qualquer pessoa que viu John naquela hora, ou que estivesse perto do cofre naquela hora, dissesse que viu John ali. Mas não esperaria que ela o dissesse se John não estivesse ali.

Enfatizo aqui, como nas conferências anteriores e em outro ponto nesta conferência, a importância crucial da simplicidade ao avaliar a verdade de uma teoria. Há sempre um número infinito de teorias possíveis na ciência, história ou qualquer outra esfera de investigação que são tais que, se elas fossem verdadeiras, você esperaria encontrar o indício encontrado. As impressões digitais de John no cofre, o testemunho de George acerca da presença de John na cena do roubo na hora de sua ocorrência e o fato de John ter um monte de dinheiro escondido em sua garagem poderiam ser facilmente explicados por Harry ter impresso as impressões digitais ali por brincadeira, George dizer uma mentira porque ele não gosta de John e Jim ter colocado o resultado de outro roubo na garagem de John. Mas, na falta de indícios a mais, a teoria de que John cometeu o crime é a mais provavelmente verdadeira, pois é a mais simples ao postular que uma pessoa (John), ao fazer algo (roubar o cofre), causou, de diferentes maneiras, os três indícios elencados. A menos que a teoria mais simples sobre os dados seja a mais provavelmente verdadeira, nenhuma teoria científica teria qualquer justificação, pois é muito fácil inventar um número infinito de teorias que são tais que tornam provável a ocorrência dos dados, mas que discordam totalmente entre si em suas predições para o futuro. A menos que haja algo interno à teoria, que não sua relação com os dados, que a faça provavelmente verdadeira, devemos abandonar qualquer investigação; e nossas claras convicções sobre o que é evidência do que indicam que a simplicidade é aquela característica interna que tomamos como evidência da verdade.

Assim como os indícios históricos posteriores, precisamos levar em conta indícios gerais de fundo acerca do quão provável a hipótese é verdadeira, independentemente dos indícios históricos pormenorizados. Em meu humilde exemplo, este indício será evidência do comportamento passado de John e o comportamento passado de outros sujeitos que poderiam, por exemplo, sustentar fortemente (como sua explicação mais simples) uma teoria de que John não é o tipo de pessoa que roubaria um cofre, enquanto George é exatamente este tipo de pessoa. Nesse caso, ainda que os indícios históricos posteriores fossem exatamente os que nós esperaríamos se John tivesse roubado o cofre, mas não os que nós poderíamos esperar se George tivesse roubado o cofre, nós poderíamos corretamente concluir que George é provavelmente o culpado.

Neste exemplo, os indícios de fundo eram bastante limitados – o comportamento passado de John ou George. Mas a influência conjunta dos indícios de fundo e dos indícios históricos posteriores opera onde os indícios de fundo são muito mais gerais. Suponha que o astrônomo observe em seu telescópio um certo padrão de pontos de brilho que é exatamente o que você encontraria se esses pontos fossem os estilhaços de uma explosão de supernova. É correto interpretá-los assim, se a teoria física mais sustentada por todos os indícios disponíveis ao físico – ou seja, os indícios gerais de fundo – permitem dizer que supernovas podem explodir. Mas se sua teoria física diz que supernovas não podem explodir, então, a hipótese de que uma explodiu nesta ocasião vai precisar de uma enorme quantidade de indícios históricos pormenorizados (eles próprios altamente improváveis em vista de quaisquer hipóteses de simplicidade igual), diferentes da hipótese de que foram causados por uma explosão de supernova, antes que possamos encará-los como prováveis – e se de fato os encaramos como tais, teremos que encarar como improvável toda a teoria física que a exclui, dado nosso novo indício histórico pormenorizado.

O indício geral de fundo pode indicar não apenas que a hipótese postulada é ou não é provavelmente verdadeira, mas que é provavelmente verdadeira apenas sob certas condições – por exemplo, que John provavelmente rouba cofres quando, e apenas quando, está financeiramente quebrado, ou que supernovas provavelmente explodem quando, e apenas quando, elas atingem uma certa idade. Nesse caso, um outro tipo de indício histórico vai entrar na equação, indícios mostrando que aquelas condições condutoras estavam ou não estavam presentes. Isso, de novo, será forte na medida em que isso é o que você esperaria encontrar se aquelas condições estivessem presentes e não de outro modo (e na medida em que a suposição destas condições for simples). Chamarei um tal indício de indício histórico prévio.

Quando estamos lidando com uma hipótese h que não seria improvável demais segundo uma visão de mundo t, mas que seria imensamente provável segundo uma visão de mundo rival, o indício geral de fundo será formado de todo o indício que for relevante para a probabilidade das diferentes visões de mundo; e à medida que ele sustenta mais fortemente a visão de mundo t que faz h não tão improvável, precisamos de menos indícios históricos pormenorizados para a afirmação de que h é verdadeira, ou seja, provável em geral. A hipótese de que Jesus ressurgiu dos mortos é exatamente desse tipo. Pois, se Deus não existe, o determinante último do que acontece no mundo são as leis da natureza, e se alguém morto há 36 horas voltasse a viver, seria (com imensa probabilidade) uma clara violação daquelas leis, e, portanto, seria impossível. Isso diz respeito à razão que Hume deu – de que todos os indícios de que alguma regularidade operou em muitas outras ocasiões passadas conhecidas é prova de que isso é uma lei da natureza e, assim, que operou naquela ocasião também e que Jesus não ressurgiu. Mas, se um Deus do tipo tradicional existe, as leis da natureza operam apenas porque Ele as faz operar e ele tem o poder de as suspender por um momento ou para sempre. Assim, se Jesus ressurgiu dos mortos, Deus o ressuscitou. Desse modo, tratarei a hipótese de que Jesus ressurgiu como equivalente à hipótese de que Deus ressuscitou Jesus. Mas se existe um Deus com o poder de ressuscitar Jesus, ele apenas o fará na medida em que ele tiver razão para fazê-lo; e se Ele não a tiver, essa ressurreição não deve ser esperada.

Portanto, para determinar se Jesus ressurgiu dos mortos, não é o bastante investigar se o que eu chamei de indício histórico posterior (o que São Paulo escreveu, que o texto original do Evangelho de Marcos terminou em 16.8, ou o que foi escrito no texto original das Antigüidades de Josefo) é o tipo de indício a ser esperado se Jesus ressurgiu, mas não o contrário. Pode-se também investigar se os indícios gerais de fundo sustentam a visão de mundo de que existe um Deus de um tipo capaz e propenso a intervir na história humana dessa maneira, nesse tipo de situação, ou se não existe um tal Deus. Devemos também investigar os indícios históricos prévios, ou seja, se a natureza e circunstâncias da vida de Jesus eram tais que, se Deus existe, Ele seria propenso a ressuscitar esta pessoa dos mortos. Na medida em que nossos indícios gerais de fundo e históricos prévios sustentam a visão de que existe um Deus que seria propenso a ressuscitar Jesus dos mortos, precisaremos de muito menos indícios históricos minuciosos para tornar provável em geral que Jesus ressurgiu dos mortos, dada a totalidade dos nossos indícios. Por outro lado, na medida em que nossos indícios prévios (de fundo ou históricos) sustentam uma visão de mundo rival de que Deus (do tipo tradicional) não existe, ou que, se existe um tal Deus, Ele não tem razão para intervir na história humana desse modo, ou que mesmo se Deus de fato tem tais razões, Jesus não era o tipo de pessoa que ele teria trazido à vida novamente, precisaríamos de uma imensa quantidade de indícios históricos posteriores para que a totalidade de nossos indícios tornasse provável que Jesus ressurgiu.

Estudiosos do Novo Testamento, tanto aqueles que acreditam como aqueles que não acreditam que a ressurreição aconteceu, fazem afirmações como: “Eu [diferentemente de meus oponentes] vou chegar à minha conclusão apenas com base nos indícios históricos”, (e com isso eles querem dizer o que eu chamei indícios históricos posteriores) e nada mais. Se fosse possível fazer uma tal coisa, seria altamente irracional, pois significaria levar em conta apenas parte dos indícios. Mas não é nem mesmo possível fazê-lo, pois, a fim de se chegar a uma conclusão acerca de se seus indícios tornam provável que a ressurreição ocorreu ou não, você precisa de uma visão acerca de quantos indícios históricos posteriores são requeridos para mostrá-lo; e você não pode ter isso sem ter uma visão acerca de quão provável seja que um evento ocorra em todo caso – e isso envolve tomar uma perspectiva acerca de se Deus existe e o que é provável que Ele faça. O que os estudiosos do Novo Testamento estão prontos a negar que fazem, eles na verdade fazem implicitamente, pois ao chegar a uma conclusão acerca da ressurreição, eles devem assumir uma perspectiva acerca de quão fortes os indícios históricos posteriores precisam ser.

Argumentei nas duas conferências anteriores em favor da visão de que a existência de um universo, sua quase total conformidade às leis naturais, o fato daquelas leis serem tais que levam à evolução de seres humanos e de que estes têm almas (uma vida mental contínua, cuja continuidade é separada da continuidade de sua vida física) são indícios que dão probabilidade significativa à existência de Deus. Não tive tempo de discutir outros indícios publicamente disponíveis e muito gerais em favor da existência de Deus, incluindo – crucialmente – o indício muito difundido da experiência religiosa. Nem tive tempo de discutir os indícios contra a existência de Deus, especialmente a evidência da dor e do sofrimento. Não podemos repassar a base anterior de novo, nem discutir esses tipos cruciais adicionais de indícios. Assim, vou simplesmente pedir-lhes que no momento suponham que todos esses indícios da teologia natural (e da ateologia natural) tornam tão provável quanto não que Deus existe; que a probabilidade de que Deus existe, dados todos esses indícios, é de 0,5. Veremos em dado momento as conseqüências de enfraquecer ou fortalecer esta suposição. Se Deus existisse, então Ele claramente poderia, se assim escolhesse, ressuscitar Jesus dos mortos. Assim, na medida em que, em virtude de sua bondade, Ele tem razão para fazê-lo, é provável que Ele o faça. Deus muito raramente ressuscita os mortos (nos seus corpos originais, enquanto outros na Terra continuam suas vidas normais). Jesus precisaria, portanto, ser um tipo bem especial de pessoa para que Deus tivesse razão para ressuscitá-lo. Podem haver várias razões pelas quais Deus escolheria ressuscitar Jesus, mas considerarei aqui apenas as razões que Deus teria se Jesus fosse Deus Encarnado – pois, como veremos posteriormente, dado o tipo de vida que Jesus viveu, Ele apenas poderia tê-lo ressuscitado se ele fosse Deus Encarnado. Ou seja, argumentarei que em virtude da bondade de Deus, Ele tinha razão de se encarnar como um ser humano e viver um certo tipo de vida e que, se ele o fez, Deus teve razão de ressuscitar aquele ser humano dos mortos.

Os teólogos sempre afirmaram que a principal razão pela qual Deus escolheria encarnar-se seria fazer uma expiação pelos pecados humanos. Eles apresentaram suas várias teorias quanto ao motivo pelo qual os humanos precisam da expiação, como eles são incapazes de fazê-la por si mesmos e como apenas Deus poderia provê-la, tornando-se Encarnado, sofrendo e morrendo, e como, por esse modo, Deus poderia tornar a expiação disponível a todos os que aceitaram a ação de Deus em seu nome: a teoria de que a morte de Deus Encarnado pagaria um resgate para o demônio, ou a teoria de que seria uma punição penosamente sofrida em nosso nome, ou a teoria de que seria Deus Encarnado pagando uma compensação para Deus Pai pelo que nós fizemos de errado, e a teoria de que a vida e morte de Deus Encarnado constituiriam um sacrifício oferecido a Deus Pai em nome dos homens. Deus não tem direito de mandar ninguém mais para fazer uma tarefa tão formidável (qualquer que seja sua natureza exata) em seu nome. Ele deve agir por si mesmo. Essas teorias, então, buscam explicar porque um Deus bom poderia escolher encarnar-se em um modo em que Ele seria morto por levar uma vida santa. Enquanto levando essa vida, Ele precisaria explicar-nos que aquela vida estava sendo levada para nos redimir de nossos pecados. Assim, a ressurreição consistiria na demonstração de Deus para nós de que o resgate e a compensação foram pagos e a punição ou o sacrifício, aceitos. Pois, em todas essas perspectivas, os humanos precisam aceitar e usar esta vida e morte redentoras. A ressurreição de alguém morto por 36 horas seria, como notei, uma violação das leis da natureza, e isso só poderia ser feito por aquele que mantém as leis da natureza operativas – Deus. Trazer à vida alguém morto por viver um tipo de vida (e sofrer um certo tipo de morte) constituiria, então, a demonstração de Deus para nós de sua aceitação daquela vida com uma adequada compensação, sacrifício ou o que quer que seja; seu aval sobre aquela vida.

A segunda razão pela qual Deus escolheria encarnar-se é uma razão que valeria mesmo se os humanos não tivessem pecado. Deus fez humanos sujeitos a dor e sofrimentos de vários tipos causados por processos naturais. Deus, sendo perfeitamente bom, apenas teria permitido essa sujeição se isso servisse para um bem maior. A teodicéia busca explicar quais são os bens maiores relevantes – por exemplo, o grande bem de humanos terem uma escolha livre significativa de suportar ou não, com bravura, seu próprio sofrimento e mostrar compaixão a outros que sofrem. Nós humanos, às vezes, sujeitamos corretamente nossos próprios filhos ao sofrimento em virtude de um bem maior (para eles mesmos ou outros) – por exemplo, fazendo-os comer uma dieta sem graça ou obrigando-os a fazer algum tipo de exercício para a saúde deles, ou fazendo-os freqüentar uma escola local “difícil” para que tenham boas relações comunitárias. Sob essas circunstâncias, julgamos uma boa coisa manifestar solidariedade a nossos filhos pondo-nos de algum modo na mesma situação – partilhando de sua dieta ou exercício, ou envolvendo-nos na associação de pais e mestres da escola local. De fato, se sujeitamos nossos filhos a grandes sofrimentos em vista de bens maiores que outros, surge um ponto no qual não é apenas bom, mas obrigatório identificarmo-nos com o sofredor e mostrar-lhe que o estamos fazendo. Um Deus perfeitamente bom julgaria ser uma boa coisa partilhar a dor e o sofrimento a que Ele nos sujeita, em vista de bens maiores – encarnando-se. Viver uma vida santa, protestando contra a injustiça sob condições difíceis, pode levar à execução. Deus precisaria nos ter dito ou mostrado que ele é o Deus Encarnado. Nesse caso, sua ressurreição constituiria o aval de Deus àquele ensinamento e, assim, mostrar-nos que Deus se identificou com o nosso sofrimento.

E, finalmente, precisamos de melhor informação acerca de como levar boas vidas no futuro e de encorajamento e ajuda para fazê-lo. Os humanos podem, e até certo ponto nos séculos antes de Cristo o fizeram, descobrir por si mesmos o que é certo ou errado. Mas embora as linhas gerais possam ser descobertas, os pormenores não são fáceis de se encontrar. Será que aborto e eutanásia são sempre errados, ou apenas sob certas condições? Será que relações homossexuais são algumas vezes permissíveis ou nunca?, e etc. Em tudo, nesses assuntos, os humanos não estão prontos a enfrentar o que indicam suas consciências. Eles precisam de informação. Certo, isso poderia ser provido por uma revelação a algum profeta sem necessidade de encarnação. Mas a informação moral precisa ser preenchida pelo exemplo moral – precisamos ser apresentados a em que consiste a vida perfeita e que Deus não tem direito de dizer a ninguém mais para fazê-lo por Ele. Seria bom para essa informação incluir uma mensagem encorajadora, por exemplo, de que Deus vai nos levar para o céu se confiarmos nele e atendermos seus mandamentos. Seria bom se Deus nos desse alguma ajuda extra para levarmos a vida moral – uma comunidade de encorajamento, por exemplo. Novamente, Deus, ressuscitando alguém morto por pregar um certo ensinamento e por viver um certo tipo de vida constitui esse aval daquele ensinamento.

Temos agora três razões pelas quais um Deus bom poderia escolher se encarnar de modo a sofrer e provavelmente morrer e como ele precisaria nos mostrar que era ele que tinha feito isso – o que seria alcançado por um supermilagre como a ressurreição. No meu ponto de vista, enquanto é muito provável que, em virtude de sua bondade, Deus pudesse escolher encarnar-se pela primeira e terceira razões, Ele não tem nenhuma obrigação de fazê-lo e há outras maneiras (talvez menos satisfatórias) de lidar com problemas para os quais sua encarnação por esses motivos proveria uma solução. Mas, na minha opinião, dada a extensão do sofrimento humano, nosso criador tem uma obrigação de partilhá-lo conosco e, assim, é necessário que ele se encarne pela segunda razão.

Assim, se Deus de fato se encarnou em um ser humano (chamê-mo-lo um “profeta”) pela segunda razão e uma ou ambas as outras razões, então ele precisaria viver um certo tipo de vida. Para se identificar com nosso sofrimento e nos dar um exemplo, Deus Encarnado precisa viver uma vida boa em circunstâncias difíceis, e uma vida boa, mas difícil, terminando em uma execução judicial, seria certamente isso. Para nos mostrar que Ele é Deus, que foi Deus que fez isso, Ele precisa nos mostrar que Ele acredita ser Ele mesmo Deus. Para nos possibilitar usar sua vida e morte para o pagamento dos nossos pecados, Ele precisa nos dizer que ele está vivendo sua vida por esse propósito. A fim de tornar plausível que Ele esteja pregando uma revelação, Ele precisa nos dar um ensinamento moral bom e profundo acerca de como viver. E para tornar tudo isso disponível a gerações e culturas diferentes daquela na qual Ele viveu, Ele precisa fundar uma Igreja para ensinar os homens o que Ele fez e estender a eles sua vida redentora. Assim, temos razão prévia para esperar uma ressurreição, não de qualquer ser humano, mas de um homem de quem há indícios de que tenha levado uma vida do tipo acima. Quanto mais fortes os indícios de fundo de que existe um Deus cuja bondade o levaria a se encarnar pelas razões citadas, e quanto mais fortes os indícios históricos prévios de que Jesus levou o tipo de vida descrito acima, mais forte a razão que temos para supor que Deus daria seu aval a esta por um supermilagre como a ressurreição.

Nossos indícios históricos acerca da vida e ensinamentos de Jesus não são, é claro, em enorme quantidade e requerem uma cuidadosa triagem. Minha avaliação do balanço da erudição acerca do Novo Testamento é que os indícios são tais que esperaríamos que, se Jesus levou uma vida boa e santa, deu-nos um bom e profundo ensinamento moral, fundou uma Igreja que realmente ensinou que Ele era Deus Encarnado, que pagou por nossos pecados. É, penso eu, impossível de entender seu ato de formar uma comunidade de 12 líderes a não ser de modo a criar um novo Israel, seja para no final torná-la independente ou mesmo para se fundir novamente com o antigo Israel. A erudição do Novo Testamento é, contudo, dividida acerca de se os indícios são tais que se poderia esperar que se, e apenas se, Jesus proclamou que sua vida e morte seriam um pagamento pelos pecados; e se, no geral, afirma-se que os indícios não são tais como se esperaria se Jesus ensinasse sua divindade. Minha posição é de que os indícios históricos prévios são tais que se pode esperar com modesta probabilidade (digamos, 1/4) que Jesus ensinou tanto sua expiação quanto sua divindade. Mas não estou defendendo isso aqui. Minha tese aqui é de que quanto mais fortes são os indícios históricos prévios de que a vida e ensinamento de Jesus eram de um certo tipo, mais razão nós temos para esperar que Deus o ressuscitou dos mortos.
Apenas à luz dos indícios gerais de fundo e dos indícios históricos prévios podemos abordar o tipo de indícios que normalmente apenas estudiosos do Novo Testamento consideram relevantes – o relato de testemunhas (ou a falta disso) acerca das aparições de Jesus ressuscitado e o túmulo vazio, o que tenho chamado de indícios históricos posteriores. A isso acrescento o indício muito negligenciado da celebração universal pela Igreja primitiva da eucaristia aos domingos. A última ceia original foi celebrada em uma quinta-feira. Seria natural repeti-la em uma quinta, ou no sábado judaico, ou anualmente, no tempo da Páscoa, mas foi celebrada subseqüentemente em um domingo, o que só pode ser plausivelmente explicado por uma Igreja que acreditava que o seu principal evento de fundação ocorreu em um domingo. Os discípulos fundaram novas igrejas fora de Jerusalém dentro do primeiro ou segundo ano da Paixão e da suposta ressurreição. Esse costume universal da celebração do domingo mostrou que, já em seu primeiro ano, a Igreja acreditava que seu evento de fundação mais importante tinha acontecido em um domingo, e há apenas um evento possível assim – a ressurreição. Aqui a questão é: se Jesus ressurgiu, seria esperado esse tipo e quantidade de testemunhas? Caso a resposta seja sim, então, é claro, os indícios sustentam a ressurreição.

Preciso agora acrescentar mais um indício para os indícios históricos prévios. É o de que Jesus levou a vida que levou quando não havia outro sério pretendente conhecido (antes ou depois de Jesus) para satisfazer, como Jesus, os requisitos prévios ou posteriores para ser um Deus Encarnado. Por requisitos prévios quero dizer viver uma vida boa e santa, dando-nos um ensinamento moral bom e profundo, mostrando-nos que ele acreditava ser Deus Encarnado, que estava fazendo um sacrifício para os nossos pecados e fundou uma Igreja que ensinou essas coisas. Por requisitos posteriores quero dizer sua vida ter culminado em um supermilagre tal como a ressurreição dos mortos. Outros fundadores de grandes religiões viveram, é claro, vidas boas, deram ensinamento moral profundo e fundaram Igrejas – o Buda, por exemplo. Mas, manifestamente, Buda não ensinou sua própria divindade e nem o fez Maomé. Manifestamente, nenhum deles ensinou que suas vidas eram o pagamento por nossos pecados. Houve muitos messias modernos que disseram ser Deus, mas eles não satisfizeram os outros requisitos – em particular, suas vidas não foram santas. Nenhuma outra grande religião afora o Cristianismo afirmou ter sido fundada por um supermilagre para o qual haja o tipo de testemunho pormenorizado que há para o milagre de fundação do Cristianismo (mesmo que isso possa parecer inadequado para alguns). Ao fazer essas observações acerca de outras religiões, não pretendo rebaixá-las – estou apenas apontando para o elemento historicamente incontestável de que elas não fazem o tipo de afirmações (verdadeiras ou falsas) acerca de seus fundadores tal como o Cristianismo faz acerca do seu. Não é com base nisso que elas buscam sua legitimidade.

A relevância desse fato é que mostra que ou Deus se tornou encarnado em Jesus pelas razões apresentadas ou que Ele até agora não se encarnou por essas razões. Nossas razões para esperar uma encarnação não foram atendidas, no entanto; é claro, pois, em teoria, elas poderiam sempre ser atendidas em um momento posterior. Mas a não-existência, até agora, de qualquer outro candidato plausível para satisfazer ou os requisitos prévios ou os posteriores mostra que
a coincidência dos indícios prévios e posteriores (mesmo que fracos) em um candidato é um evento extremamente improvável no curso normal das coisas – ou seja, a menos que Deus tenha causado isso, seja por intervir na história ou por fazer as leis naturais em condições iniciais como eram para o único propósito de produzir esse efeito. No entanto, se Deus iria encarnar pelas razões que eu considerei e, contudo, ele não se encarnou em Jesus, causar a existência da quantidade e tipo de indícios de sua encarnação (inclusive o indício de que ele proclamou que estava se sacrificando por nossos pecados – o que Deus não deveria permitir que outros fizessem) em Jesus, e também a quantidade e tipo de indícios que há de sua ressurreição, sem que ele fosse Deus Encarnado, seria enganador por parte de Deus. Seria como colocar as impressões digitais de uma pessoa inocente na cena do crime. Isso um Deus perfeitamente bom não faria.

Tendo delineado em termos qualitativos o tipo de indícios que precisam ser pesados a fim de se ver se tornam provável que Jesus ressuscitou dos mortos, demos a isso o rigor quantitativo em termos do cálculo de probabilidades, particularmente, em termos do Teorema de Bayes, que a essas alturas já é bastante familiar a vocês. De qualquer modo, vamos recordá-lo brevemente. Eu expresso nesse teorema usando as letras e, h e k quaisquer proposições; mas, em nosso caso particular, e representa os indícios observados (dados), k representa “indícios de fundo” e h é a hipótese sob investigação.

Esse teorema estabelece de um modo formal os fatores que determinam o quanto indícios observacionais sustentam uma hipótese. P(h/e.k) pode ser chamada a probabilidade posterior de h, ou seja, sua probabilidade dadas e e k. O teorema propõe que a hipótese h se torna provável pelos indícios observacionais e e indícios de fundo k, na medida em que (1) P(e/h.k) (a probabilidade posterior de e) é alta; (2) P(h/k) (a probabilidade prévia de h) é alta; e (3) P(e/k) (a probabilidade prévia de e) é baixa. A primeira condição é satisfeita na medida em que você esperar encontrar e se h for verdadeira (dado k). A segunda condição é satisfeita na medida em que h for simples e que você espere que h seja verdadeiro dados apenas os indícios de fundo. A terceira condição é satisfeita na medida em que P(e/k) não é muito maior que [P(e/h.k) x P(h/k)]; ou seja, você não esperaria encontrar e a não ser que h fosse verdadeiro. É claro que, quando se está avaliando a probabilidade de um teoria científica ou histórica, não se podem dar valores numéricos exatos a todos esses termos – a não ser em caso de valores extremos. Mas nós podemos dar valores aproximados a eles – digamos que alguns termos tenham um valor alto ou baixo, ou que seja maior que esse termo ou menor que aquele outro – e isso é freqüentemente o bastante para nos dar algum resultado interessante.

Agora, admita-se que k seja o conjunto de indícios da teologia natural, muitos dos quais considerei nas minhas duas primeiras conferências. Admita-se que e seja o conjunto dos indícios históricos, consistindo de uma conjunção de três indícios (e & e & e). Admita-se que e e e sejam duas partes dos indícios históricos prévios que é útil manter separados – e seriam os indícios históricos prévios da vida de Jesus e e seria o indício de que nenhum outro profeta conhecido satisfez os requisitos prévios ou os posteriores para ser um Deus Encarnado, se os compararmos com o que nossos indícios (por exemplo, e e e) sugerem acerca de Jesus. Admita-se que e seja um indício histórico posterior tal como o relato de testemunhas da pós-crucifixão acerca da ressurreição. Admita-se que h seja a hipótese de que Jesus ressurgiu dos mortos. Nosso interesse está em P(h/e.k), a probabilidade de que Jesus ressurgiu dos mortos (h), dados os indícios tanto da teologia natural (k), da história pormenorizada de Jesus e de outros profetas humanos (e).

O Teorema de Bayes nos diz que isso é uma função de três elementos. Mas estes, por sua vez, de acordo com o cálculo, são funções de outras probabilidades; e devemos abordar nosso resultado gradualmente. À medida que seguimos, atribuiremos certos valores a essas outras probabilidades – algumas das quais eu defendi hoje; outras para as quais eu dei argumentos em conferências anteriores. Indicarei, então, que aqueles valores tornam h muito provável em vista de (e.k) e que teríamos que atribuir alguns valores bem diferentes a algumas das probabilidades para evitar aquela conclusão; deixo para vocês refletirem acerca da plausibilidade disso.

Representemos por t o teísmo, a afirmação de que um Deus do tipo tradicional existe. P(t/k) é a probabilidade de que existe um tal Deus com base nos argumentos da teologia natural. Em vista do tipo de argumentos que delineei nas minhas duas outras conferências, atribuamos a isso o modesto valor de 0,5. Representemos então por c a afirmação de que Deus se tornaria (em algum tempo) encarnado, por duas ou três das razões apresentadas antes, que requereriam um supermilagre ao final daquela vida para autenticá-la como vida de Deus (c representa “encarnação calcedônia”). Atribuamos também o modesto valor de 0,5 à P(c/t.k), a probabilidade de que, se Deus existe, ele se encarnaria da maneira exposta. O valor que você dá medirá o grau pelo qual você está impressionado por argumentos acerca da probabilidade, ou mesmo necessidade, de uma encarnação. Lembre-se que meus argumentos sugerem um valor muito mais alto. P(c/k) é a probabilidade dos argumentos da teologia natural de que existe um Deus que encarna por aquelas razões. P(c/k) = P(c/t.k) x P(t/k), considerando os valores sugeridos, ou seja, 0,5 x 0,5 = 0,25.

Agora, inicialmente, ao invés de e, e e e, tomemos f, f e f. f é o indício de que os requisitos prévios para ser Deus encarnado são satisfeitos em um profeta qualquer (em um certo grau, mas não necessariamente no mesmo em que eles são satisfeitos em Jesus). f é o indício de que requisitos posteriores para ser Deus encarnado (ou seja, sua vida culminar com um supermilagre) são satisfeitas naquele mesmo profeta (no grau em que são satisfeitos em Jesus). f é o indício de que nem os requisitos prévios nem os posteriores são satisfeitos naquele grau em qualquer outro profeta. Ora, se c é verdadeiro, se uma encarnação ocorre, quão provável é que haverá indícios f, a conjunção (f & f & f)? Argumentei que se esperaria que um Deus Encarnado que vivesse uma vida santa ensinasse-nos verdades morais profundas, fundasse uma Igreja que ensinasse a sua encarnação e expiação, bem como que ele mesmo ensinasse que sua vida era uma expiação e que ele era divino. Sugeri que o tipo de indícios que temos acerca da vida de Jesus é tal que a esperaríamos com base nos três primeiros elementos, mas possivelmente não, com base nos dois últimos. E, talvez, se a vida de Jesus fosse culminada com um supermilagre como o da ressurreição, poder-se-ia esperar ainda mais indícios de aparições e de uma tumba vazia do que se tem de fato. Assim, que valor daríamos para P(f/c.k)? Sejamos modestos e atribuamos 0,1. Assim, dados os argumentos da teologia natural, a probabilidade de que existe um Deus que encarnou pelas razões expostas e nos deixa com os indícios do tipo f, temos:

P(f.c/k) = P(f/c.k) x P(c/k) = 0,25 x 0,1 = 0,025

Agora, voltemos para P(f/k). Esta é igual {a probabilidade, dado k, de que existe um Deus que encarnou e deixou indícios do tipo f} mais {a probabilidade, dado k, de que ou não existe Deus ou que Ele não encarnou, mas que deixou indícios do tipo f}: P(f / k) = P(f /c.k) P(c / k) + P( f / ~ c.k)P(~ c / k).

O primeiro termo composto do lado direito da equação é aquele que nós acabamos de calcular e para o qual demos a estimativa provisória de 0,025. E quanto ao segundo termo? P(~c/k) = 0,75, dado que (como assumimos provisoriamente) P(c/k) = 0,25 – uma vez que, por um axioma óbvio do cálculo, P(c/k) + P(~c/k) = 1. E quanto à P(f/~c.k)? Esta é a probabilidade de que não há encarnação (ou porque Deus não existe ou porque Ele não encarnou), no entanto, há indícios da teologia natural e f ainda assim ocorre. f, lembre-se, é o indício total de que um profeta satisfez tanto os requisitos prévios quanto posteriores para a encarnação, embora apenas um profeta na história humana tenha satisfeito os requisitos prévios e um profeta tenha satisfeito os requisitos posteriores naquele grau. A probabilidade de uma tal coincidência casual é enormemente baixa, a menos que Deus tenha planejado isso. Se Deus de fato planejou esta conexão, então teria sido enganador da parte dele que aquele profeta não fosse Deus Encarnado, pois – se assumimos um Deus com razão para se encarnar – a ocorrência simultânea dos indícios prévios e posteriores seria tomada como mostrando isso. Assim, digamos que a P(f/~c.k) = 0,001.

Assim, P(f/k) = 0,025 + 0,75 x 0,001 = 0,02575

Isso representa a probabilidade do tipo de indícios que temos acerca de Jesus de que Deus se encarnou ou se encarnará. No entanto, nossos indícios agora são um pouquinho maiores do que f. É o indício e de que o profeta ao qual f se refere é Jesus. Isso dificilmente faz alguma diferença para a probabilidade de que f (dado k) nos dá c, se acrescentamos a f quem é o profeta, uma vez que todos os fatos relevantes acerca de Jesus estão incorporados em f, em todo caso. Assim,
P(c/e.k) = P(c/f.k) = 0,97085.

Ora, a probabilidade de c dado (e.k) será virtualmente a mesma que a probabilidade de h dado (e.k). Pois se Deus se torna encarnado em um modo tal que sua vida precisa ser culminada por um supermilagre, e há apenas um (dado e) sério candidato para tanto, há Ressurreição, ou seja, deve ter havido uma ressurreição. Além disso, dado o indício do tipo de vida que Jesus levou e que ninguém jamais tinha levado, seria enganador por parte de Deus causar a ressurreição de Jesus, a não ser que Jesus fosse Deus Encarnado. Assim, h é verdadeiro se, e somente se, c é verdadeiro. Logo, por um outro óbvio axioma do cálculo, P(h/c.k) = P(c/e.k) = 0,97085. Ou seja, a probabilidade, dada a totalidade de nossos indícios, de que a ressurreição ocorreu, é da ordem de 97%.

Cheguei a esse valor alto, apesar de atribuir o valor baixo de 0,1 à probabilidade de que, se Jesus era Deus Encarnado, teríamos o tipo de indícios históricos pormenorizados acerca de sua vida e da suposta ressurreição que de fato nós temos. Para evitar minha conclusão, um opositor, se deixar os outros valores probabilísticos intactos, terá que diminuir este valor [o de que Jesus era Deus Encarnado] para 0,003. Antes do valor posterior de h e, portanto, de c, ficar abaixo de 0,5. De outro modo, o opositor deverá descartar a teologia natural muito mais do que eu. Se, por exemplo, ele pensar que a teologia natural dá uma probabilidade de 0,0196 (1/51), ao invés de 0,5 (1/2) para a existência de Deus, ou de que há apenas uma probabilidade de 0,0196 (1/51) de que se Deus existe, Ele se encarnará, tem-se uma probabilidade em torno de 0,5 (1/2) de que Deus se encarnou em Cristo. Ou, de modo implausível para mim, um opositor poderia afirmar que não é de todo improvável (mesmo se Deus não fosse responsável por isso) que poderíamos ter essa coincidência de indícios em um mesmo profeta que satisfizesse os requisitos prévios e os requisitos posteriores, embora para nenhum outro profeta houvesse aquela qualidade de indícios que ele satisfez, segundo qualquer dos dois requisitos. Mas, assim, o opositor precisaria aumentar o valor de P(f/~c.k) de 0,001 para acima de 0,033 (1/30) para ter a probabilidade posterior de h caindo para abaixo de 0,5 (1/2).

Sherlock Holmes fez a famosa observação de que: “Quando você eliminou o impossível, o que quer que permaneça, não importa o quão improvável, deve ser a verdade”. Parafraseando (e ignorando o problema da probabilidade prévia para termos uma bela máxima), temos: “Quando você eliminou o que torna muito, muito improvável que teríamos os indícios que temos, o que quer que permaneça, mesmo que isso torne muito improvável que encontrássemos os indícios que encontramos, é provavelmente a verdade”. Se você concorda comigo que a coincidência dos indícios que temos da satisfação dos requisitos prévios e posteriores é (salvo intervenção divina) muito, muito improvável, e que o indício de sua coincidência (se Deus interveio para se encarnar e ressurgir dos mortos) é apenas muito improvável, segue-se que é muito provável que Jesus ressurgiu dos mortos, e, também, que ele era Deus Encarnado, então, obviamente, segue-se que Deus existe.


Ora , repito, não apresentei para vocês os indícios históricos pormenorizados de que, na minha visão, há uma probabilidade de 0,1 de que Jesus fosse Deus Encarnado. E há muitos livros céticos bem-instruídos acerca do que esses indícios mostram. Meu tópico nesta conferência é que se você faz certas suposições modestas acerca da força da teologia natural (pressupostos para os quais apresentei argumentos nas minhas conferências anteriores), você terá de ser muito cético mesmo acerca do valor dos indícios históricos pormenorizados para evitar a conclusão cristã e, portanto, teísta.