segunda-feira, 25 de maio de 2015

O judeus roubaram os egípcios?

Texto:
E eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios, porque cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda jóias de prata, e jóias de ouro, e vestes, as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os egípcios
Êxodo 3:21-22

1.Primeiro leiamos o versículo anterior: “E farei que os egípcios tenham boa vontade para com o povo, de modo que, quando saírem, não sairão de mãos vazias”.

O versículo diz claramente que os egípcios dariam de boa vontade.

2.Para entender melhor o texto, é necessário dividi-lo em duas partes:
a) “Todas as israelitas pedirão às suas vizinhas, e às mulheres que estiverem hospedando em casa, objetos de prata e de ouro, e roupas, que vocês porão em seus filhos e em suas filhas”.
Onde diz aqui, que elas pediram algo emprestado para devolver mais tarde? Roubo está relacionado a tomar algo sem consentimento. Quando alguém invade minha casa e leva algo sem meu consentimento, isto é roubo. Ou quando alguém me pede emprestado algo com a intenção de nunca mais devolvê-lo, isto é roubo. Porém, se alguém me pedir algo para que lhe dê, e eu dou a esta pessoa de livre e espontânea vontade, depois terei o direito de ir a polícia e dizer que fui roubado? As mulheres hebreias não roubaram ninguém. Elas pediram os objetos e como diz o vs.21, as egípcias deram de boa vontade.

b) “Assim vocês despojarão os egípcios”.
A palavra despojo aqui em hebraico é wayyenasselû, oriundo de nasal, cuja raiz significa “despir, despojar, livrar alguém do (perigo)”. Este não é termo que se utiliza comumente referindo-se a despojar o inimigo depois de ter sido morto no campo de batalha; nesse caso, usar-se ia o verbo salal. Mas está bem claro que temos aqui nissel em sentido figurado, visto que a narrativa declara que os israelitas fizeram um pedido verbal e não um saque.

A pergunta que fica é "por que as mulheres egípcias deram de boa vontade os objetos preciosos?" Basta ler Ex 12:33 ”Os egípcios pressionavam o povo para que se apressasse em sair do país, dizendo: “Todos nós morreremos!”. E continua nos vs.35 e 36: "Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas. O Senhor concedeu ao povo, bem como roupas. O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios”.

Os egípcios estavam apavorados com o Deus de Moisés e deram de “boa vontade” (na verdade por temor) tudo o que o povo pediu a eles. Pois não viam a hora de se ver livres do Deus de Moisés.

Porém, onde fica a questão moral aqui nestes textos?
Durante muitas gerações, alguns séculos, a população israelita no Egito havia sido sujeita à escravidão opressiva, verdadeiramente brutal. Israel sofrera infanticídio (crianças foram jogadas para os crocodilos no Rio Nilo) e genocídio, tinham sido obrigados a trabalhar sem ordenado, na construção das cidades do tesouro do Faraó e demais edifícios públicos. Quem foi que roubou quem nesta história afinal? Israel não roubou o Egito. Israel pediu algo. Pedir não é roubar. Os egípcios não pediram nada para eles. Eles oprimiram Israel e roubaram sua vida, mataram seus filhos durante quatro séculos. Israel tinha o direito de receber todos os objetos que receberam dos egípcios.


Pipe

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Livro: "Manual de Defesa da Fé" de Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli

Apologética Cristã

Desafios ao cristianismo são feitos por ateus, por pessoas questionadoras e por futuros cristãos. Fé e razão são conflitantes? Deus existe? A Bíblia é apenas um mito? Por que Deus permite a existência do mal? Jesus era divino? Existe vida após a morte? É possível ocorrerem milagres?

O Manual de defesa da fé categoriza e resume os argumentos mais fortes a favor das principais doutrinas cristãs. Este livro, certamente, responde aos seus questionamentos. Por isso, não pode faltar em sua biblioteca. Quer as perguntas partam de você mesmo, ou esteja tentando responder a outras pessoas, este é o manual pelo qual você estava esperando.

Peter Kreeft é professor de filosofia no Boston College e autor de mui tos livros relacionados à fé cristã, incluindo Between Heaven and Hell [Entre o céu e o inferno], The Best Things in Life [As melhores coisas da vida] e um livro com seleções de textos de Tomás de Aquino comentados por Kreeft; A Summa of the Summa [Uma suma da Suma].


Ronald K. Tacelli é professor assistente de filosofia no Boston College e já publicou artigos nas revistas Public Affairs Quarterly e Downside Review.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Livro: "Não tenho fé suficiente para ser ateu" de Norman Geisler & Frank Turek

Idéias com o objetivo de destruir a fé cristã sempre bombardeiam os alunos do ensino médio e das universidades. Este livro serve como um antídoto excepcionalmente bom para refutar tais premissas falsas. Ele traz informações consistentes para combater os ataques violentos das ideologias seculares que afirmam que a ciência, a filosofia e os estudos bíblicos são inimigos da fé cristã.

Antes de tocar a questão da verdade do cristianismo, essa obra aborda a questão da própria verdade, provando a existência da verdade absoluta. Os autores desmontam as afirmações do relativismo moral e da pós-modernidade, resultando em uma valiosa contribuição aos escritos contemporâneos da apologética cristã.

Geisler e Turek prepararam uma grande matriz de perguntas difíceis e responderam a todas com habilidade. Uma defesa lógica, racional e intelectual da fé cristã

terça-feira, 12 de maio de 2015

Livro: "Depois do Dilúvio" de Bill Cooper

Introdução

NO PRINCÍPIO
O teste que eu planejara era bastante simples. Se fossem genuínos os nomes dos indivíduos, famílias, povos e tribos constantes da Tabela das Nações, então aqueles mesmos nomes deveriam aparecer também nos registros de outras nações do Oriente Médio.

A arqueologia deveria também revelar que aquelas mesmas famílias e povos estão na Tabela de Gênesis (ou então, conforme o caso, não estão), em seu relacionamento correto etnológico, geográfico e lingüístico.

Eu admitia inicialmente que uma boa parte daqueles nomes não apareceria. Ou os registros que os tivessem contido teriam perecido de há muito, ou a diversificação de línguas e dialetos os teria tornado irreconhecíveis.

Alguns estariam perdidos na obscuridade. Simplesmente não era realista esperar que todos os nomes tivessem sido registrados nos anais do antigo Oriente Médio e que tivessem sobrevivido até nossos dias.

Assim, eu ficaria contente se conseguisse recuperar cerca de 40% da lista. De fato, isso teria sido uma meta bem elevada, dada a evidente antigüidade da própria Tabela das Nações, e a notória escassez de registros extrabíblicos remanescentes daqueles tempos antigos.

Porém, quando após meus 25 anos de pesquisa as evidências superaram os 40%, atingindo os 50%, e posteriormente 60% e mais, tornou-se claro que o conhecimento moderno sobre o assunto superava os limites. Realmente ultrapassava em muito.

Hoje posso dizer que os nomes da Tabela das Nações até agora corroborados atingem mais de 99% da lista, e não farei nenhum outro comentário além de dizer que não se poderia esperar que qualquer outro documento histórico antigo, de autoria puramente humana, atingisse tal nível de corroboração!

E acrescentarei, ainda, que os modernos comentaristas bíblicos devem utilizar esses dados da melhor forma possível.

O CONHECIMENTO DE DEUS NO PAGANISMO DA ANTIGÜIDADE
Tão profundos eram a concepção e o conhecimento de Deus entre certos povos pagãos do mundo antigo, e em particular no mundo greco-romano, que até mesmo iniciou-se então a controvérsia (que deveria manter-se acesa durante muitos séculos) entre os que propagavam e preservavam aquele conhecimento de Deus como Criador, e os que procuravam destruí-lo atribuindo a criação do universo a forças puramente naturais. A notável semelhança entre essa controvérsia no mundo pagão e a que hoje se alastra entre criacionistas e evolucionistas é deveras surpreendente, e iremos examiná-la neste capítulo.

É algo irônico que, ao mesmo tempo em que o conceito do Criador alimentado filosoficamente estivesse na Grécia sofrendo um profundo desvio na direção de uma maior apreciação de Sua natureza e atributos, estivesse ocorrendo também no mesmo local o nascimento de outro conceito até então nunca ouvido entre os gregos – o ateísmo.

Simplesmente não sabemos como o ateísmo veio nascer na antiga Grécia, pois, como vimos, este era um conceito virtualmente nunca expresso mesmo nas culturas mais profundamente pagãs do mundo antigo.
Entretanto, dado o tempo de seu surgimento juntamente com o conceito mais elevado do Criador – que também provém de uma fonte igualmente misteriosa, historicamente falando – pareceria que o ateísmo na Grécia antiga foi concebido para se opor ao desabrochante conceito entre os filósofos, de uma única e onipotente divindade.

Sem dúvida é significativo que nenhum conceito tal como o ateísmo tivesse surgido antes para se contrapor aos deuses pagãos de menor importância na filosofia de Hesíodo. Com o seu advento, vemos, porém, o próprio início do grande conflito que se deveria desencadear no decorrer dos séculos entre os que defendiam a crença então racionalmente apresentada a favor de um Criador e os que vigorosamente a ela se opunham.

Tales de Mileto (circa 625 – 545 A. C.) usualmente é tido como o primeiro filósofo materialista entre os gregos. Entretanto, é muito duvidoso que ele realmente fosse materialista. Tudo que sabemos a seu respeito nos vem através de escritos posteriores, dentre os quais os mais importantes provêm de Aristóteles, que simplesmente descreveu Tales como o “fundador da filosofia natural”.

Epicuro sabia que o ateísmo aberto seria facilmente refutado por qualquer filósofo disposto a enfrentar controvérsia a esse respeito, e o fato de que poucas pessoas em qualquer época são abertamente ateístas, de qualquer forma traria pouco apoio para os seus pontos de vista. Entretanto, se a existência dos deuses fosse reconhecida ao mesmo tempo em que fosse negada a criação divina do universo, então a argumentação contra a posição de Epicuro tornar-se-ia infinitamente mais complexa, proporcionando aos materialistas a possibilidade de mudar o campo da discussão à vontade. Tal sofisma, de fato, estava inteiramente coerente com o caráter de Epicuro, e por isso foi ele amplamente criticado em mais do que uma ocasião.

O estoicismo foi fundado por Zenão em torno de 308 A.C., e como os acontecimentos vieram a comprovar, tornou-se de fato um desafio bastante efetivo ao materialismo sob qualquer forma ou aspecto no mundo pagão, sendo que esse desafio manifestou-se mediante um desenvolvimento de maior significado, que começou com uma concepção do Criador muito mais profunda do que até então havia prevalecido no pensamento grego, seja o de Hesíodo,Xenófanes ou mesmo Platão. De fato, o ateísmo incipiente e levemente velado da filosofia de Epicuro era agora respondido pelos estóicos em termos muito mais fortes, com Crísipo talvez sendo o seu mais persuasivo defensor.


Entretanto, ao lado da nova e sublime concepção do Criador do universo proclamada por Xenófanes, Platão e Crísipo, outro conceito estava surgindo, e que nas mãos de Crísipo e seus seguidores, emprestaria à escola estóica uma autoridade quase irresistível. Era o conceito da “evidência de projeto”, argumento a favor da intenção e propósito inspirados divinamente, observados em todo o universo, e que convenceu os estóicos – como hoje convence os criacionistas – da correção científica e filosófica do seu modelo. Aprimorado e brilhantemente expresso por Paley no início do século XIX, a importância da evidência de propósito ou projeto não foi deixada de lado pelos primeiros teorizadores clássicos, que se apressaram a lhe dar um lugar permanente na idéia do Criacionismo. Um estóico posterior, Cïcero, foi quem deu a esse conceito talvez sua mais elevada expressão nos tempos pré-cristãos.