sexta-feira, 12 de julho de 2013

Quem Precisa de Apologética Cristã?


William L. Craig é doutor em Teologia pela Universidade de Munique e em Filosofia pela Universidade de Birmingham. Craig é o maior apologista Cristão de nossos tempos. Hábil debatedor, ele já enfrentou grandes pensadores céticos como Antony Flew, Bart Ehrman, John D. Crossan nos campi de Universidades como Harvard, Oxford e Princeton debatendo tópicos como a existência de Deus e a historicidade da ressurreição de Cristo.

É autor dos livros A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã. Neste artigo sua argumentação é a respeito da necessidade e utilidade da apologética cristã. Através da sua própria experiência e da exposição de versículos Bíblicos ele nos mostra a importância da apologética para a saúde da Igreja, fortalecimento dos crentes e de uma maior influência da Igreja na cultura em que está inserida. Artigo importante tanto para os que duvidam do valor da apologética como para aqueles que já se utilizam dela na prática de evangelização e ensino. Três pequenos textos da autoria de Vitor Grando podem servir de introdução ao tema da apologética:

1) Amando a Deus de Todo o Entendimento;
2) Atos 17,18, 19 e a Necessidade de Líderes Intelectuais na Igreja; e
3) A Responsabilidade de Batalhar pela fé.

Tradução: Vitor Grando

Eu fico honrado pelo privilégio de ter sido convidado para apresentar a Conferência Stob deste ano. Há uma tentação de tentar justificar a seleção como um preletor Stob apresentando um par de palestras impressionantes e acadêmicas. Mas uma ligação do presidente Plantinga me esclareceu que esse não era o propósito nem a audiência dessas preleções. Eu pensei em falar sobre alguns pontos chaves da teologia filosófica Cristã. Mas o presidente Plantinga me encorajou a falar sobre a questão da apologética Cristã, um tópico aparentemente caro ao coração de Henry Stob, mas um tanto quanto negligenciado nos últimos anos. Ele me encorajou a refletir sobre minha experiência como apologista cristão e compartilhar alguns conselhos práticos sobre essa disciplina. Então é isso que eu decidi fazer.

Hoje nos faremos essa pergunta fundamental: Quem precisa de apologética Cristã?

Para começar, eu acredito que devemos distinguir entre a necessidade e a utilidade da apologética. A distinção é importante. Pois mesmo se a apologética for absolutamente desnecessária, não se segue que ela seja inútil. Por exemplo, não é necessário saber como digitar para se usar um computador - você pode “catar milho”, como eu faço - mas, todavia, a habilidade de digitar é muito útil para usar um computador. Ou novamente, não é necessário conservar sua bicicleta para ir pedalar, mas pode ser um beneficio real mantê-la em ordem. Da mesma forma, a apologética Cristã pode ser de grande utilidade mesmo se não for necessária para algum fim. Assim, em relação à apologética, precisamos nos perguntar não só “quem precisa?” mas também “para que que ela serve?”

Apologética cristã pode ser definida como um ramo da teologia Cristã que procura apresentar uma garantia racional das alegações de verdade do Cristianismo. Aqueles que fazem pouco caso da apologética tendem a mencionar o valor da apologética focando sobre sua alegada necessidade de fornecer garantia racional à crença Cristã. Alguns pensadores, particularmente da tradição Reformada Holandesa, veem esse papel como desnecessário e algumas vezes até como um erro.

Agora, eu concordo plenamente com os epistemologistas Reformados contemporâneos como Alvin Plantinga que os argumentos e evidências apologéticas não são necessários para que a crença Cristã seja garantida para qualquer pessoa. A alegação dos racionalistas teológicos (ou evidencialistas, como eles erroneamente são chamados hoje) de que a fé Cristã é irracional na ausência de evidências positivas é difícil de ser conciliada com as Escrituras, que parecem ensinar que a fé em Cristo pode ser imediatamente fundamentada no testemunho interior do Espírito Santo (Rom. 8.14-16; 1 Jn. 2.27; 5.6-10), então os argumentos e evidências se tornam desnecessários.

Em outro lugar, eu caracterizei o testemunho do Espírito Santo como auto-autenticado, e por essa noção eu quero dizer

(1) que a experiência do Espírito Santo é verídica e inconfundível (apesar de não necessariamente ser irresistível ou indubitável) para quem a tem e que a observa;
(2) que tal pessoa não precisa de argumentos ou evidências suplementares para saber e saber com confiança que ele está, de fato, experimentando o Espírito de Deus;
(3) que tal experiência não funciona, nesse caso, como premissa de qualquer argumento de experiência religiosa com Deus, mas sim é a experiência imediata com o próprio Deus;
(4) que em certos contextos a experiência com o Espírito Santo implica na compreensão de certas verdades da religião Cristã, tais como “Deus existe”, “Eu estou reconciliado com Deus”, “Cristo vive em mim”, e por aí vai;
(5) que tal experiência provê não só segurança subjetiva da veracidade do Cristianismo, mas sim conhecimento objetivo dessa verdade.; e
(6) que argumentos e evidências incompatíveis com essa verdade são subjugadas pela experiência com o Espírito Santo por quem o recebe.
Evidencialistas cristãos podem insistir que mesmo se a crença Cristã puder ser garantida na ausência de argumentos apologéticos positivos, ainda assim deve ter, no mínimo, recursos apologéticos defensivos para derrotar as várias objeções contra as quais é confrontada. Mas mesmo essa alegação mais modesta é precipitada, pois se o testemunho do Espírito Santo na vida de uma pessoa é suficientemente poderoso (como deve ser), então isso irá simplesmente se sobrepor à qualquer objeções dirigidas à crença Cristã, dessa forma removendo a necessidade de apologética defensiva. Um crente não instruído o suficiente para refutar argumentos anti-Cristãos está garantido em sua crença se baseando apenas no testemunho interno do Espírito mesmo quando confrontado com tais objeções não refutadas. Mesmo quando uma pessoa é confrontada com o que é, para ela, objeções irrespondíveis ao teísmo Cristão ela ainda assim, devido à obra do Espírito Santo, está dentro de seus direitos epistêmicos - digo mais, sob obrigação epistêmica - de crer em Deus. Visto que crenças pautadas no testemunho objetivo e verídico do Espírito são parte das invalidadas considerações da razão, a fé do crente é garantida mesmo se não tiver nenhuma noção de argumentos apologéticos (como é o caso da maioria dos Cristãos hoje e da história da Igreja)

Por contraste, o evidencialista Cristão encara duras dificuldades:

(1) Ele negaria o direito à fé Cristã à todos aqueles que carecem da habilidade, do tempo, ou da oportunidade de entender e avaliar argumentos e evidências. Essa consequência iria, indubitavelmente, entregar milhões de pessoas que são Cristãs à descrença.
(2) Àqueles que foram apresentados mais argumentos convincentes contra o teísmo Cristão teriam uma desculpa justa perante Deus para sua descrença. Mas as Escrituras dizem que todos os homens não tem desculpa para não responder à revelação que possuem (Rm 1.21).
(3) Essa visão cria um tipo de elite intelectual, um sacerdócio de filósofos e historiadores, que iriam ditar às massas da humanidade se é ou não racional acreditar no Evangelho. Mas certamente a fé está disponível para todos aqueles que, respondendo à ação do Espírito, clamam pelo nome do Senhor.
(4) A fé fica sujeita às excentricidades da razão humana e das areias movediças das evidências, tornando a fé Cristã racional em uma geração e irracional na próxima. Mas o testemunho do Espírito torna toda geração contemporânea de Cristo e assim assegura uma base sólida para a fé.

Então eu, na verdade, não penso que a apologética é necessária para que a fé cristã seja garantida. Mas não se segue daí que a apologética Cristã seja, portanto, inútil ou não tenha nenhum beneficio em garantir a fé Cristã. Se os argumentos da teologia natural e das evidências Cristãs são bem sucedidos, então a crença Cristã é garantida por tais argumentos e evidências para a pessoa que os compreende, mesmo que ainda assim essa pessoa estivesse garantida na ausência de tais argumentos. Tal pessoa é duplamente garantida em sua crença Cristã, já que ela usufrui de duas fontes de garantia racional.

Pode-se pressentir os grandes benefícios de ter essa dupla garantia racional para as crenças Cristãs. Ter argumentos persuasivos para a existência de um Criador e Projetista do universo ou evidências para a credibilidade histórica dos relatos do Novo Testamento sobre a vida de Jesus aliado ao testemunho interno do Espírito pode aumentar a confiança na veracidade das alegações de verdade do Cristianismo. No modelo epistemológico de Plantinga, no mínimo, teríamos uma garantia racional ainda maior para crer em tais alegações. Maior garantia racional pode fazer um descrente abraçar a fé mais prontamente ou inspirar um crente a compartilhar a sua fé com mais confiança.

Além do mais, a disponibilidade de garantia racional para a veracidade das alegações de verdade do Cristianismo independente do testemunho do Espírito pode ajudar a predispor um descrente a responder à ação do Espírito quando ouvir o Evangelho e pode prover ao crente um suporte epistêmico em tempos de deserto espiritual ou de dúvida quando o testemunho do Espírito parece obscurecido. Pode-se imaginar inúmeras outras formas onde a posse de dupla garantia racional para as alegações do Cristianismo poderia ser benéfica.

Então, a pergunta é: a teologia natural e as evidências Cristãs garantem a crença Cristã? Eu acredito que sim. Nos meus trabalhos públicos eu tenho formulado e defendido versões dos argumentos cosmológico, teleológico e ontológico para a existência de Deus e também tenho defendido o teísmo contra as mais proeminentes objeções à crença em Deus apresentadas por pensadores ateístas, tais como

- o problema do mal,
- o ocultamento de Deus, e
- a coerência do teísmo.

Além do mais, tenho argumentado a favor da
- autenticidade das radicais alegações pessoais de Jesus e
- a historicidade do túmulo vazio,
- suas aparições post-mortem à vários indivíduos e grupos, e
- a inesperada crença dos primeiros discípulos de que Deus o havia feito ressurgir dos mortos.

Além do mais, eu tenho argumentado, que a melhor explicação para esses fatos é a explicação dada pelos próprios discípulos: Deus fez Jesus ressurgir dos mortos.

Se esses argumentos estão corretos, então a crença no teísmo Cristão é garantida
- pela teologia natural e
- pelas evidências Cristãs
- como também pelo testemunho interno do Espírito Santo.

Dessa forma, enquanto os argumentos apologéticos não são necessários para que saibamos que o Cristianismo é verdadeiro, ainda assim eles são suficientes, e essa dupla garantia racional para as crenças Cristãs pode ser de grande ajuda.

Assim, o sucesso da Epistemologia Reformada e a falha do racionalismo teológico de nenhuma forma implicam que a apologética é inútil ou não é importante.

Mais do que isso: mesmo se a apologética Cristã não for necessária em relação à garantia racional da crença Cristã, a apologética Cristã pode ser útil e mesmo necessária para muitos outros fins. Permitam-me mencionar três fins em relação aos quais a apologética Cristã desempenha um papel vital na sua realização.

1. Transformação da cultura.
A apologética é útil e pode ser necessária para que o Evangelho seja efetivamente ouvido na sociedade Ocidental hoje. De um modo geral, a cultura Ocidental é profundamente pós-Cristã. Isso é produto do Iluminismo, que introduziu na cultura Europeia o fermento do secularismo que já impregnou toda a sociedade Ocidental.

O marco do Iluminismo era o “livre-pensar”, isto é, a busca de conhecimento pela razão humana somente e sem restrições.

Apesar disso não levar necessariamente à conclusões não-Cristãs e apesar de que a maioria dos pensadores Iluministas eram teístas, foi esse o profundo impacto da mentalidade Iluminista que fez com que os intelectuais Ocidentais não mais considerem o conhecimento teológico possível. Teologia não é fonte de conhecimento genuíno e, portanto, não é ciência. Razão e religião são, portanto, contrários entre si. Somente as opiniões das ciências físicas são tidas como guias autoritativos para o nosso entendimento do mundo, e a confiante suposição é que a imagem de mundo que emerge das ciências genuínas é uma imagem completamente naturalista. A pessoa que segue a busca da razão sem retroceder acaba por se tornar ateu ou, no máximo, agnóstico.
Por que essas considerações culturais são importantes? Simplesmente porque o Evangelho nunca é ouvido no isolamento. É sempre ouvido no contexto cultural no qual vivemos. Uma pessoa que cresce num contexto cultural onde o Cristianismo ainda é visto como uma opção intelectualmente viável demonstrará uma abertura ao Evangelho muito maior do que uma pessoa que vive num ambiente secularizado. Pois para uma pessoa secularizada, acreditar em fadas e duendes é o mesmo do que acreditar em Jesus Cristo! Ou, para dar uma ilustração mais realista, é como se fossemos abordados nas ruas por um devoto de Hare Krishna que nos convida a crer em Krishna. Para nós tal convite soará bizarro, estranho e até engraçado. Mas para uma pessoa nas ruas de Bombaim, tal convite seria, eu presumo, causa de reflexão séria e razoável. Eu temo que os evangélicos pareçam tão estranhos para as pessoas nas ruas de Bonn, Estocolmo ou Paris como os devotos de Krishna.

O que nos espera na América do Norte, se a secularização continuar da forma que está, já é evidente na Europa. Apesar de que a maioria dos Europeus permanece afiliado nominalmente ao Cristianismo, somente 10% são praticantes, e menos da metade desses são teologicamente evangélicos. A tendência mais significante na afiliação religiosa Europeia é o crescimento daqueles que se denominam como “não-religiosos” que foram de 0% da população em 1900 para mais de 22% hoje. Como resultado, a evangelização é imensuravelmente muito mais difícil na Europa do que nos Estados Unidos. Tendo vivido na Europa por treze anos, onde eu falei e evangelizei nos campus de várias universidades por todo o continente, eu posso testemunhar pessoalmente quão difícil a situação é. É difícil para o evangelho sequer ser ouvido. Por exemplo, eu lembro claramente quando eu falei na Universidade do Porto, em Portugal, que os estudantes eram tão incrédulos em relação ao perfil de um intelectual Cristão com doutorados de duas universidades Europeias que eles suspeitaram que eu era um impostor.

Ele chegaram a telefonar para a Universidade de Louvain na Bélgica, onde eu era um pesquisador visitante, para confirmar minha filiação à Universidade!

Os Estados Unidos estão seguindo o mesmo caminho, estando o Canadá mais a frente. A imersão do Canadá no secularismo tem sido precipitada. Em 1900 os evangélicos representavam 25% da população Canadense. Em 1989 os evangélicos canadenses desceram para menos de 8% da população. Minha experiência em falar em campus de Universidades do Canadá sugere que o Canadá incorpora um tipo de cultura meio-Atlântica mais próxima do secularismo Europeu do que o seu vizinho do sul. Pluralismo e relativismo são a sabedoria convencional das Universidades Canadenses. O politicamente correto e as leis que restringem a expressão nos debates de importância ética servem como armas para oprimir instituições e ideias Cristãs. A imersão do Canadá no secularismo ilustra o quão importante é manter o contexto cultural simpático ao Cristianismo para a efetividade da evangelização. Felizmente, durante a última década os evangélicos Canadenses começaram a inverter essa tendência. Mas o retrocesso vai ser muito mais difícil do que o avanço porque isso está na espinha de uma cultura que se tornou oposta à cosmovisão Cristã.

É por essa razão que os Cristãos que desprezam o valor da apologética pelo fato de “ninguém vir a Cristo através de argumentos intelectuais” tem a visão tão limitada. Pois o valor da apologética vai muito mais além do que o contato evangelístico imediato. A tarefa mais ampla da apologética Cristã é ajudar a criar e sustentar um contexto cultural no qual o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para homens e mulheres pensantes. No seu artigo “Christianity and Culture” (Cristianismo e Cultura) o grande teólogo de Princeton, J. Greshan Machen afirmou corretamente, Idéias falsas são o maior obstáculo à aceitação do evangelho. Podemos pregar com todo o fervor de um reformador e ainda assim só conseguir ganhar uma alma aqui e ali se permitirmos que todo o pensamento coletivo da nação seja controlado por ideias que impedem que o Cristianismo seja visto como nada mais do que uma ilusão inofensiva.

Infelizmente, o alerta de Machen permaneceu sem ser ouvido, e o Cristianismo Bíblico se restringiu intelectualmente ao isolamento cultural, do qual só começou a sair recentemente.

Agora, grandes oportunidades estão à nossa frente. Vivemos num tempo onde
- a filosofia Cristã está experimentando um renascimento genuíno, revitalizando a teologia natural,
- numa época em que a ciência está mais aberta à existência transcendental de um Criador e Projetista do cosmos mais do que em qualquer tempo recente,
- e numa época em que a crítica bíblica tem renovado a busca pelo Jesus Histórico tratando os Evangelhos seriamente como fontes históricas da vida de Jesus e confirmado as principais características do Jesus retratado nos Evangelhos.

Estamos intelectualmente equilibrados para ajudar a reformular nossa cultura de tal forma à reconquistar o fundamento perdido, para que o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para pessoas pensantes.

Agora eu posso imaginar alguns de vocês pensando, “Mas nós não vivemos uma cultura pós-moderna na qual esses apelos à apologética tradicional não são mais eficazes? Visto que os pós-modernos rejeitam os cânons tradicionais da lógica, da racionalidade, da verdade, argumentos racionais a favor da veracidade do Cristianismo não funcionam mais. Ao invés disso, na cultura de hoje deveríamos simplesmente compartilhar nosso testemunho e convidar as pessoas à participar conosco.”

Na minha opinião esse tipo de pensamento não poderia ser mais equivocado. A ideia de que vivemos numa cultura pós-moderna é um mito. Na verdade, uma cultura pós-moderna é uma impossibilidade; seria algo completamente impossível de se viver. Ninguém é um pós-moderno quando o assunto é a leitura de uma bula de remédio em contraste com uma caixa de veneno de rato! É melhor você acreditar que esses textos tem um sentido objetivo! As pessoas não são relativistas quando o assunto é ciência, engenharia e tecnologia; mas elas são relativistas e pluralistas em questões de religião e ética. Mas, veja, isso não é pós-modernismo; isso é modernismo! É como o antigo Positivismo e o Verificacionismo, que afirmam que qualquer coisa que você não possa provar com os cinco sentido é uma simples questão de gosto pessoal e expressão emocional. Vivemos num contexto cultural que continua profundamente modernista.
De fato, eu penso que o pós-modernismo é um dos mais articulados enganos criados por Satanás. “Modernismo está morto”, ele nos diz, “Você não deve mais temê-lo. Esqueça-o; está morto e sepultado”. Enquanto isso o modernismo, se fingindo de morto, ressurge travestido de pós-modernismo, se mascarando como um novo desafiador. “Seus velhos argumentos e apologética não são mais eficazes contra esse novo advento”, nos é dito. “Deixe-os de lado; eles não têm nenhum uso. Apenas compartilhe seu testemunho.” De fato, alguns, cansados de longas batalhas com o modernismo, recebem com alivio a chegada do novo visitante. E, assim, Satanás nos engana e faz com que deixemos a lógica e as evidências, que são nossas melhores armas, de lado, e assim o modernismo triunfa sobre nós. Se adotarmos essa atitude suicida, as consequências para a Igreja na próxima geração serão catastróficas.

O Cristianismo será reduzido a uma simples voz numa cacofonia de vozes que competem entre si, cada uma compartilhando seu testemunho e nenhuma afirmando para si a verdade objetiva sobre a realidade, enquanto o naturalismo científico molda a visão da nossa cultura em relação ao mundo como ele é.

Agora, é claro, não é preciso dizer que ao fazer apologética nós temos que ser relacionais, humildes e atrativos; mas isso de maneira alguma é um insight do pós-modernismo. Desde o inicio os apologistas Cristãos sabiam que deveríamos apresentar a razão da esperança que há em nós com “mansidão e respeito” (1 Pe 3.15). Ninguém precisa abandonar os cânons da lógica, da racionalidade e da verdade para exemplificar essas virtudes bíblicas.

E quanto a ideia de que as pessoas na nossa cultura não estão mais interessadas nem mais respondem à argumentação e às evidências racionais para o Cristianismo, nada poderia estar mais distante da verdade. Se me permitem falar sobre minhas experiências pessoais, por mais de vinte anos eu tenho falado e evangelizado em campus de universidades da América do Norte e da Europa, compartilhando o Evangelho num contexto onde eu defendo intelectualmente as alegações de verdade Cristãs. Eu sempre termino minhas preleções com uma sessão de perguntas e respostas. Durante todos esses anos ninguém jamais se levantou e disse algo como, “Seu argumento é baseado nos padrões Ocidentais e chauvinistas de lógica e racionalidade” ou expressado algum outro sentimento pós-moderno. Isso jamais acontece. Se você aborda as questões no nível racional, as pessoas também respondem no nível racional. Se você apresenta evidências cientificas e históricas para as alegações de verdade Cristãs, os estudantes descrentes podem argumentar com você sobre fatos - que é exatamente o que você quer -, mas eles não atacam a objetividade da ciência ou da história.

Se você apresenta uma argumento dedutivo para uma alegação de verdade Cristã, os estudantes descrentes podem levantar objeções às suas premissas ou à conclusão - o que é, novamente, exatamente como uma discussão deve proceder -, mas eles não discutem o seu uso da lógica.
Agora, eu encontro estudantes que suspeitam de um preletor Cristão. Por isso eles gostam de ouvir ambos os lados quando uma questão é apresentada. Por essa razão os debates são algo bastante atrativo para a evangelização universitária. Eu competi por oito anos em debates de colégio, debatendo tópicos sobre política pública como o programa de assistência militar, controle de salários e preços, e por aí vai. Eu nunca sonhei que o debate se tornaria uma atividade ministerial. Mas logo após terminar meu doutorado em teologia, eu comecei a receber convites de grupos de estudantes Cristãos do Canadá para debater tópicos como “Deus existe?”, “Jesus ressuscitou dos mortos?”, “Humanismo vs. Cristianismo”, e por aí vai. E o que eu tenho visto é que enquanto alguns poucos ou talvez até uns duzentos vem me ouvir dar uma preleção num campus, centenas e até milhares vêm ouvir um debate onde podem ouvir ambos os lados.

- Por exemplo, 2.200 estudantes da UC Riverside ouviram ao meu debate com Greg Cavin sobre a ressurreição de Jesus.
- Na Universidade de Wisconsin em Madison 4.000 estudantes ouviram - na noite de um jogo de basquete! - meu debate com Antony Flew sobre a existência de Deus.
- Agora pouco em Fevereiro 3.000 estudantes da Universidade de Iowa enfrentaram uma nevasca de sete polegadas [polegada = 2,54 cm] de neve para ouvir o meu debate com um professor local de Ciências da Religião conhecido pela sua aversão ao Cristianismo.
- Mais tarde na primavera deste ano 3.000 estudantes na Purdue University ouviram meu debate com o jovem filósofo humanista Austin Dacey sobre a questão “Deus existe?”

A abordagem em todos esses debates é a abordagem da argumentação racional e das evidências.

Há um tremendo interesse entre estudantes em ouvir uma discussão balanceada das razões a favor e contra à crença Cristã.

Então, não se engane pensando que as pessoas na nossa cultura não estão mais interessadas nas evidências à favor do Cristianismo. O oposto é o verdadeiro. É de uma importância vital preservarmos uma cultura na qual o Evangelho é ouvido como uma opção viva para pessoas pensantes, e a apologética será a dianteira e o centro ajudando a trazer esse resultado.

2. Fortalecer os crentes. Não só a apologética é vital para a transformação da cultura, mas ela também exerce um papel vital na vida individual das pessoas. Um desses papéis é fortalecer os crentes.

Jan e eu passamos o verão de 1982 vivendo num apartamento em Berlin, me preparando para o meu exame oral em teologia na Universidade de Munique. Eu vinha me preparando por mais de um ano para esses exames críticos, e eu tinha uma pilha de notas de quase um pé de altura que eu tinha memorizado praticamente toda e revisado diariamente nos dias anteriores ao exame. Durante nosso tempo lá, nós tivemos o prazer de receber Ann Kiemel e seu marido Will enquanto eles passaram por Berlin. Ann era a preletora cristã mais popular da América. Ela era única, ela falava para individuos totalmente estranhos e os encorajava cantando algumas canções improvisadas e compartilhando sua fé. Ela era extremamente sentimental e emocional. Ela contava histórias - algumas fictícias, algumas verdadeiras - que fazem toda a audiência derramar lágrimas em minutos.

Bem, enquanto estávamos conversando um dia, eu pensei que poderia aprender algumas lições pela sua experiência. “Ann”, eu perguntei, “Como você se prepara para suas mensagens?”
“Ah, eu não me preparo”, ela disse.
Eu fiquei totalmente chocado. “Você não se prepara?” eu disse.
“Não”, ela respondeu.
Eu fiquei totalmente desconcertado. “Bem, então, o que você faz?” perguntei.
“Ah, eu só compartilho minhas lutas.”

Eu não podia acreditar. Eu estava me matando em anos de preparação para o ministério - e ela não se preparava! E não havia a menor dúvida quanto à sua eficácia. Ela alcançada milhares de pessoas com o Evangelho. Ela contava histórias de como acadêmicos cabeça-dura se desmanchavam pelas suas canções e histórias e vinham à Cristo. Eu pensei, “Porque eu estou fazendo tudo isso enquanto tudo que você precisa fazer é compartilhar suas lutas?”

Nós retornamos para os Estados Unidos naquele outono para fazer um sabático na Universidade de Arizona em Tucson, onde um ex-colega de classe vivia. Eu compartilhei com ele a minha conversa com Ann e disse como isso havia me transtornado. Ele disse algo pra mim que foi bastante confirmador. Ele me disse, “Bill, um dia essas pessoas que a Ann Kiemel trouxe ao Senhor vão precisar do que você tem para oferecer.”

Ele estava certo. Emoções te levam apenas a um certo ponto, e aí você precisará de algo mais substancial. A apologética provê essa sustância. Ao falar em Igrejas ao redor do país, eu frequentemente encontro pais que se aproximam de mim após o culto e dizem algo como “se você estivesse aqui há dois ou três anos atrás! Nosso filho (ou filha) tinha perguntas sobre a fé que ninguém conseguia responder, e agora ele perdeu a fé e se afastou do Senhor.”

Arrebenta meu coração encontrar pais assim. Ao viajar, eu também tenho encontrado outras pessoas que me disseram como elas deixaram de apostatar por ter lido um livro apologético ou visto o vídeo de um debate. No caso delas a apologética foi um meio através do qual Deus as fez perseverar na fé. Agora, é claro, a apologética não pode garantir a perseverança, mas pode ajudar e em alguns casos, pela providência de Deus, ser até necessária. Recentemente eu tive o privilégio de falar na Universidade de Princeton sobre argumentos para a existência de Deus, e após minha preleção eu fui abordado por um jovem que queria falar comigo.

Claramente segurando as lágrimas, ele me disse que há poucos anos atrás ele vinha lutando com dúvidas e estava prestes a abandonar sua fé. Alguém lhe deu um vídeo de um dos meus debates. Ele disse “Isso me salvou de perder a fé. Eu não posso te agradecer o bastante.”
Eu disse, “Foi o Senhor que te salvou de cair.”
“Sim”, ele respondeu, “mas Ele te usou. Eu não posso te agradecer o bastante”. Eu lhe disse o quão emocionado eu estava por ele e lhe perguntei sobre seus planos futuros. “Eu estou me graduando esse ano”, ele me disse, “e eu planejo ir para o seminário. Eu vou ser pastor.” Glória a Deus pela vitória na vida desse homem!

Outros estudantes que eu encontrei em Princeton estavam inscritos numa aula dada pela crítica do Novo Testamento Elaine Pagels que eles apelidaram de “aula caça-fantasmas” devido ao efeito destrutivo à fé de muitos estudantes Cristãos. Eles não tinham noção de como a visão da Prof. Pagels sobre os evangelhos gnósticos estava fora de contexto com o academicismo proeminente. Foi um privilégio compartilhar com eles as bases para a credibilidade do testemunho sobre Jesus dado pelo Novo Testamento sobre Jesus.

A experiência deles não é incomum. No colégio e na faculdade os jovens cristãos são intelectualmente agredidos com todo tipo de cosmovisão não-Cristã aliada a um enorme relativismo. Se os pais não estão intelectualmente engajados com sua fé e não tem bons argumentos a favor do teísmo Cristão e boas respostas para as perguntas de seus filhos, então estamos num verdadeiro perigo de perder nossa juventude. Não basta ensinar nossas crianças histórias simples da bíblia; eles precisam de doutrina e apologética. É difícil entender como as pessoas hoje podem ser pais sem ter estudado apologética.

Infelizmente, nossas igrejas jogaram a toalha nessa área. Não é suficiente focar em entretenimento e pensamentos devocionais bobos nos grupos de jovens e escolas bíblicas. Temos que treinar nossos filhos para a guerra. Não podemos enviá-los para o ensino médio e para a universidade armados de espadas de borracha e armaduras de plástico. O tempo de brincar já passou.

Mas a apologética Cristã faz muito mais do que salvaguardar de lapsos. Os efeitos positivos e edificantes do treinamento apologético é ainda mais evidente. Eu vejo isso toda hora nos campus de universidades onde eu debato. John Stackhouse uma vez comentou para mim que esses debates são uma versão Ocidentalizada do que os missionários chamam de “encontro de poderes” . Eu acredito que isso seja uma análise perceptiva. Os estudantes cristãos saem desses encontros com uma confiança renovada em sua fé, de cabeça erguida, orgulhosos de serem Cristãos, e confiantes ao falar de Cristo no campus. Algumas vezes após um debate os estudantes dizem, “Eu não posso esperar para compartilhar minha fé em Cristo!”

Muitos Cristãos não compartilham sua fé com os descrentes simplesmente por causa do medo. Eles têm medo de que os não-Cristãos lhe façam uma pergunta ou levante uma objeção que eles não saibam responder. E então eles escolhem ficar em silêncio e assim escondem sua luz sob o alqueire, desobedecendo o mandamento de Cristo. O treinamento apologético é um grande impulso ao evangelismo, pois nada inspira mais confiança e coragem do que saber que se tem boas razões para acreditar no que se acredita e boas respostas para as perguntas e objeções comuns que podem ser levantadas. Bom treinamento em apologética é uma das chaves para um evangelismo sem medo.

Dessa e de muitas outras maneiras a apologética ajuda a edificar o corpo de Cristo fortalecendo individualmente os crentes.

3. Evangelizar os descrentes. Poucas pessoas discordariam de mim quando digo que a apologética fortalece a fé dos Cristãos. Mas muitos diriam que a apologética não é muito útil na evangelização. “Ninguém vem a Cristo através de argumentos”, lhe dirão. (Eu não sei quantas vezes já ouvi isso.)

Essa atitude negativa em relação ao papel da apologética na evangelização certamente não é a visão bíblica. Ao lermos os Atos dos Apóstolos, é evidente que era a atitude padrão dos apóstolos argumentar a favor da veracidade da visão Cristã, tanto com Judeus quanto com pagãos. (ex., At 17:2-3, 17; 19:8; 28:23-24).

Ao lidar com a audiência Judaica, os apóstolos apelaram para o cumprimento de profecias, os milagres de Jesus, e especialmente a ressurreição como evidência de que ele era o Messias (At 2:22-32).

Quando eles confrontaram as audiências gentias que não aceitavam o Antigo Testamento, os apóstolos apelaram para a obra de Deus na natureza como evidência da existência do Criador (At 14:17). Depois apelaram para as testemunhas oculares da ressurreição de Jesus para mostrar especificamente que Deus se revelou em Jesus Cristo (At 17:3031; 1 Cor. 15:3-8).

Francamente, eu acredito que aqueles que veem a apologética como fútil na evangelização simplesmente não evangelizam muito. Eu suspeito que eles tenham tentado usar argumentos apologéticos em alguma ocasião e o descrente continuou sem ser convencido. E por isso eles tiraram a conclusão de que a apologética não é eficaz na evangelização.

Por um lado essas pessoas são vítimas de uma falsa expectativa. Quando você observa que somente uma minoria das pessoas que ouvem o Evangelho o aceitam e que só uma minoria desses que aceitam o fazem por razões intelectuais, não deveríamos nos surpreender que o número de pessoas com as quais a apologética é eficaz é relativamente baixo. Mas pela própria natureza da questão, devemos esperar que a maioria dos descrentes permaneçam não convencidos pelos nossos argumentos apologéticos, assim como a maioria permanece imóvel à pregação da cruz.

Bem, então, porque se preocupar com a minoria da minoria com a qual a apologética é eficaz? Primeiro, por que toda pessoa é preciosa para Deus, uma pessoa pela qual Cristo morreu. Como um missionário chamado para alcançar um grupo obscuro, o apologista Cristão é chamado para alcançar a minoria das pessoas que responderão à argumentação e evidência racional.

Mas, segundo - e aqui o caso difere significantemente do caso do grupo de pessoas obscuras -, esse grupo de pessoas, apesar de relativamente pequeno em números, é grande em influência. Uma dessas pessoas, por exemplo, foi C.S. Lewis. Pense no impacto que a conversão de um homem continua a ter! Eu acho que as pessoas que mais se entusiasmam com meu trabalho apologético tendem a ser engenheiros, pessoas da área de medicina, e advogados. Tais pessoas estão entre os mais influentes formadores de opinião hoje. Então alcançar esse minoria de pessoas gerará uma grande colheita para o Reino de Deus.

De qualquer forma a conclusão geral de que a apologética é ineficaz na evangelização é precipitada. Lee Strobel recentemente me disse que perdeu a conta do número de pessoas que vieram a Cristo através de seus livros Em Defesa de Cristo e Em Defesa da Fé. Na minha experiência pessoal tenho experimentado a eficácia da apologética na evangelização. Estamos continuamente animados em ver pessoas comprometendo suas vidas à Cristo através de apresentações apologéticas do Evangelho.

Após uma conversa sobre os argumentos a favor da existência de Deus ou sobre as evidências para a ressurreição de Jesus ou uma defesa do particularismo Cristão, eu frequentemente concluo com uma oração de aceitação à Cristo, e os cartões de comentário indicam aqueles que registraram tal compromisso. Essa última primavera eu fiz uma turnê pelas Universidades de Illinois, e nós ficamos muito animados ao ver que após praticamente toda apresentação, os estudantes fizeram decisões por Cristo. Eu cheguei a ver estudantes virem a Cristo através de uma defesa do argumento cosmológico kalam!

Uma das mais emocionantes foi o caso de Eva Dresher, uma física polonesa que eu encontrei na Alemanha logo após completar meu doutorado em filosofia. Enquanto eu e Jan conversávamos com Eva, ela mencionou que a física havia destruído sua crença em Deus e que a vida tinha se tornado sem sentido para ela. “Quanto eu olho para o universo tudo que eu vejo é escuridão”, ela explicou, “e quando eu olho para mim mesmo tudo que eu vejo é sombrio”. (Que dolorosa declaração do predicamento moderno!) Bem, nesse momento Jan se voluntariou, “Ah, você deveria ler a dissertação do doutorado do Bill! Ele usa a física para provar que Deus existe.” Então lhe emprestamos minha dissertação sobre o argumento cosmológico para ela ler. Ao longo dos dias, ela se tornava cada dia mais animada. Quando ela chegou na seção sobre astronomia e astrofísica, ela estava muito alegre e orgulhosa. “Eu conheço esses cientistas que você está citando!” ela exclamou maravilhada. Quando ela chegou ao final, sua fé havia sido restaurada. “Obrigado por me ajudar a crer que Deus existe”, ela disse.

Nós respondemos, “Você gostaria de conhecê-lO de uma maneira pessoal?” Então marcamos um horário para encontrá-la naquela noite num restaurante. Enquanto isso preparamos de memória as Quatro Leis Espirituais. Depois do jantar nós abrimos o livreto e começamos, “Assim como existem leis físicas que governam o universo físico, assim também existem leis espirituais que governam nosso relacionamento com Deus…”

“Ah, leis físicas! leis Espirituais!” ela exclamou. “Isso é exatamente para mim!” Quando chegamos aos círculos no final que representam duas vidas e lhe perguntamos qual círculo representava sua vida, ela colocou sua mão sobre os círculos e disse, “Ah, isso é tão pessoal! Eu não posso responder agora.” Então nós lhe encorajamos a levar o livreto para casa e entregar sua vida à Cristo.

Quando nós a vimos no dia seguinte, sua face estava radiante de alegria. Ela nos disse que havia ido para casa e na privacidade do seu quarto orou para receber à Cristo. Então ela jogou no vaso todo o vinho e os tranquilizantes que ela vinha usando. Ela era uma pessoa verdadeiramente transformada. Nós lhe damos uma Bíblia Good News [Boas Novas] e lhe explicamos a importância de manter uma vida devocional com Deus. Nossos caminhos se distanciaram por muitos meses. Mas quando nós a vimos novamente ela ainda estava entusiasmada com sua fé, e ela nos disse que sua posses mais preciosas eram a Bíblia Good News e seu livreto das Quatro Leis Espirituais. Isso foi uma das mais vívidas ilustrações que eu vi de como o Espírito Santo pode usar argumentos e evidências para levar as pessoas a um conhecimento salvifíco de Deus.

Tem sido emocionante, também, ouvir histórias de como as pessoas tem vindo à Cristo através da leitura de algo que eu escrevi. Por exemplo, quando eu estava falando em Moscou, alguns anos atrás, eu encontrei um homem de Minsk em Belarus. Ele me disse que logo após a queda do comunismo ele havia ouvido alguém lendo em Russo meu livro The Existence of God and the Beginning of the Universe [A Existência de Deus e o Inicio do Universo] pelo rádio em Minsk. No final da transmissão ele havia sido convencido de que Deus existia e entregou sua vida à Cristo. Ele me disse que hoje ele serve ao Senhor numa Igreja Batista em Minsk. Glória a Deus! Mais cedo nesse ano na Universidade do Texas, eu encontrei uma mulher que estava participando de minhas preleções. Ela me disse chorando que por 27 anos ela havia estado longe de Deus e se sentido desesperançada e sem sentido. Pesquisando numa livraria ela achou meu livro Will the Real Jesus Please Stand Up? [O Verdadeiro Jesus, por favor, levante-se], que contem meu debate com John Dominic Crossan, co-presidente do radical Seminário Jesus, e comprou uma cópia. Ela disse que enquanto lia, ela ia se abrindo à Cristo, até que finalmente entregou sua vida à Ele. Quando eu perguntei o que ela fazia, ela disse que era psicóloga e trabalhava numa prisão feminina do Texas. Pense na influência Cristã que ela pode ter num ambiente tão desesperançoso!

Se eu puder, quero contar uma última história. Nos últimos anos eu tive o privilégio de me envolver em debates com apologistas muçulmanos em vários campus no Canadá e Estados Unidos. Esse verão, numa manhã de Sábado, eu recebi uma ligação. A voz do outro lado da linha anunciou, “Olá! Aqui é Sayd al-Islam ligando de Omã!” aí eu pensei, “ah, não! Eles me encontraram!” Ele continuou e explicou que ele havia perdido sua fé Muçulmana secretamente e havia se tornado ateu. Mas agora lendo vários livros apologéticos Cristãos, que ele havia comprado na Amazon.com, ele passou a crer em Deus e estava prestes a se comprometer com Cristo.

Ele estava impressionado com as evidências para a ressurreição de Jesus e havia me ligado por que ainda tinha muitas perguntas que precisavam ser respondidas. Nós conversamos por uma hora, e eu senti que no seu coração ele já cria em Cristo; mas ele queria ser cauteloso e ter certeza que tinha as evidências certas antes de dar o passo conscientemente. Ele me explicou, “Você entende que eu não posso lhe dizer meu verdadeiro nome. No meu país eu tenho que levar um tipo de vida dupla por que senão eu sou morto.” Eu orei com ele para que Deus continuasse a guiá-lo em direção à verdade, e então nos despedimos. Você pode imaginar quão grato à Deus meu coração ficou por Ele ter usado esses livros - e a internet! - na vida desse homem! Histórias como essa são inúmeras e, é claro, nunca ouvimos todas elas.

Então aqueles que dizem que a apologética não é eficaz com os descrentes falam a partir de sua experiência limitada. Quando a apologética é persuasivamente apresentada e combinada sensivelmente com uma apresentação do Evangelho e um testemunho pessoal, o Espírito de Deus usa isso para trazer certas pessoas para Si. A apologética é necessária nesses casos? Essas pessoas teriam vindo à Cristo de qualquer forma, mesmo se não tivessem ouvido os argumentos? Acredito que temos que dizer, “Só Deus Sabe!” No mínimo, Ele sabe se Ele tem conhecimento-médio, certo? Podemos não saber o valor de verdade de tais contrafatuais da liberdade; mas nós podemos saber e sabemos por experiência que Deus usa a apologética na evangelização para trazer os perdidos à Ele.

Concluindo, a apologética Cristã é uma parte vital do currículo teológico. Apesar de não ser necessária para garantir a crença Cristã, ela é, eu acredito, todavia suficiente para garantir a crença Cristã e, portanto, de grande benefício. A apologética executa um papel vital, e talvez crucial, na transformação da cultura, no fortalecimento dos crentes, e na evangelização dos descrentes. Por todas essas razões, eu estou não-apologeticamente entusiasmado com a apologética Cristã.

Notas:
1 Eu acho que epistemologistas Reformados como Alvin Plantinga puderam oferecer um modelo epistemológico, no qual, se o teísmo Cristão for verdadeiro, mostra que a crença Cristã pode ser garantida na ausência de argumentos apologéticos. Eu devo apenas ajustar esse modelo para os propósitos da teologia Cristã eliminando o tão chamado sensus divinitatis, que não encontra nenhuma base nas Escrituras, em favor do testimonium Spiritu Sancti internum, ou o testemunho interno do Espírito Santo, que é atestado nas Escrituras. Além do mais, ao invés de tomar o testemunho do Espírito como um processo formador de crença análogo a uma faculdade cognitiva (um constructo que torna difícil assegurar que é literalmente verdade que “eu creio em Deus,” visto que a faculdade ou processo não é meu), eu devo entender o testemunho do Espírito como um forma de testemunho produzido pelo Espírito de Deus em mim ou como parte das circunstâncias que fundamentam a crença que eu formo em Deus e nas grandes verdades do Evangelho.

2. Alguns Epistemologistas Reformados, apesar de endossarem os argumentos da teologia natural, todavia, expressam ceticismo em relação aos prospectos da apologética histórica porque quando é adicionado mais especificidade a uma hipótese, a probabilidade dessa hipótese diminui rapidamente. Tal objeção é, entretanto, duplamente equivocada. Primeiro, as probabilidades não precisam diminuir e podem, na verdade, aumentar ao se acrescentar progressivamente evidências especificas para a informação prévia de alguém pelo refinamento das hipóteses. O erro da objeção é que esta afirma que a base evidencialista é constante enquanto adiciona hipóteses adicionais, ao invés de aumentar as evidências ao falarmos de crenças Cristãs especifícas. Segundo, de qualquer forma os historiadores não avaliam hipóteses históricas através de cálculos probabilísticos. Ao invés, eles usam como critério de avaliação a extensão explanatória, o poder explanatório, o grau de ad hoc, e por aí vai. Esse é o meio pelo qual eu argumento a favor da hipótese da Ressurreição.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O HOMEM À PROCURA DO SEU CRIADOR

OS PRIMEIROS HOMENS E A IDEIA DE DEUS

Deus! Haverá algo mais belo, edificante e sublime do que meditarmos sobre a existência e os mistérios deste Ser que é mais profundo do que o mais profundo de nós mesmos, cuja glória e poder enchem a terra e os céus? Todos os grandes homens que influenciaram a história do pensamento humano consagraram um estudo especial sobre "o Ser do qual não é possível pensar nada maior", segundo a famosa definição do teólogo Anselmo de Cantuária (1033-1109). Não existe, em todo o Universo, assunto de maior grandeza. Crer ou não crer na existência de Deus — eis a grande questão que divide a humanidade, e define o nosso destino eterno.

Acreditando ou não na existência divina, o homem necessita de Deus para compreender-se a si mesmo e entender os mistérios da vida e da Natureza. É por esse motivo que não se tem notícia de povos ateus entre os primeiros grupos humanos que habitaram o mundo primitivo. O moralista e historiador grego Plutarco (45-125 d.C.) costumava dizer que "é possível encontrar cidades sem muralhas, sem ginásios, sem leis, sem moedas, sem cultura literária; mas um povo sem Deus, sem orações, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, jamais foi encontrado". E esta afirmação continua plenamente válida até os dias de hoje.

JAMAIS FORAM ENCONTRADOS POVOS ATEUS
Todos os grandes estudiosos das religiões, em todos os tempos e entre todos os povos, confirmam que a crença na existência de Deus é universal. Nunca existiram povos ateus. O teólogo holandês C. P. Tiele (1830-1902), no seu manual de História Comparada das Antigas Religiões diz que "a afirmação de povos ou tribos sem religião repousa ou em observações inexatas, ou numa confusão de ideias. Nunca se encontrou tribo ou nação que não acreditasse em um Ser superior; os viajantes que afirmaram o contrário foram depois desmentidos pelos fatos".

Tanto os antigos missionários que partiram para evangelizar os mais longínquos recantos da terra, como também os exploradores de regiões desconhecidas depararam-se com a ideia de um Ser Supremo espalhada entre os povos. No livro "Uma Introdução para a História das Religiões", Frank Byron Jevons cita oito autores especializados no assunto para confirmar que nunca foi encontrada qualquer tribo destituída da ideia de Deus. E por último, eis o que diz o renomado antropólogo Armando de Quatrefages (1810-1892) na 4 parte do seu livro "A Espécie Humana": "Obrigado pelo meu magistério a passar em revista todas as raças humanas, procurei o ateísmo entre as mais degradadas e as mais elevadas. Não o encontrei em lugar nenhum, a não ser no estado individual... O ateísmo só existe em estado errático. Tal o resultado de uma investigação que posso chamar conscienciosa, e que comecei muito antes de subir à cátedra de Antropologia."

Por esse e outros motivos, podemos afirmar que o ateísmo — essa epidemia que vem contaminando ao longo dos séculos o espírito de milhões de seres humanos — é uma espécie de câncer que nasce no coração de indivíduos soberbos, uma posição vaidosa, uma decisão precipitada, superficial e, em muitos casos, uma fuga. Porém, devemos também considerar que muitos se declaram ateus por jamais terem sido eficientemente alcançados pela reveladora e transformadora mensagem de Jesus Cristo.

OS PRIMEIROS POVOS E A ADORAÇÃO A UM SER
O que se conclui dos depoimentos prestados pelos estudiosos é que o reconhecimento da existência de Deus é natural ao espírito humano: demonstra-o a história de todos os povos, em todos os tempos. A crença na existência de um Ser Supremo, criador de todas as coisas, está documentada tanto nas antigas marcas e restos de utensílios e pinturas encontrados nos locais onde viveram as primeiras famílias descendentes de Adão e Eva, como também nos papiros e monumentos egípcios, nos tabletes de barro da Assíria e da Babilônia, nos primeiros escritos do povo hebreu, nos antigos livros da índia, nas gravações em ossos na China, nos pergaminhos gregos e nos monumentos romanos. Porém, como veremos mais adiante, em nenhuma dessas fontes essa crença foi tão sublime e corretamente registrada como na Bíblia.

Os primeiros homens que povoaram a terra adoravam a Deus e o viam como o controlador da vida e da morte, o protetor dos seres humanos desde os altos céus, de onde lhes enviava a luz do sol e a chuva. A maneira como esses antigos homens enterravam os seus mortos demonstrava que eles acreditavam na imortalidade da alma e, consequentemente, na existência de um Ser Superior, que possuía total domínio sobre aquele mundo desconhecido — o mundo dos mortos. A posição do cadáver, deitado de lado com a cabeça repousando em uma das mãos, e os joelhos dobrados e unidos à altura do peito, além de vários objetos pessoais enterrados com ele, indicavam que os que o haviam sepultado ali alimentavam a esperança de o morto um dia acordar para uma nova existência.

Veremos, porém, que por influência de Satanás e seus anjos, ao longo dos séculos a crença na existência de um único Deus soberano foi-se corrompendo no coração dos homens. O politeísmo (a crença na existência de vários deuses) mergulhou-os na idolatria, levando-os a ver deuses em todas as coisas, e a cultuá-los.

Importante é saber também que os mais belos e antigos documentos religiosos deixados pelos povos como testemunho para os séculos e gerações futuras, possuem trechos que são verdadeiros "cantos de anseio pela pátria distante e formosa"... São cantos grandiosos, que se fizeram ouvir através de inúmeras gerações. Neles, a alma suspira por deixar este exílio terrenal, romper os umbrais da morte e, como uma águia que se eleva até perder de vista a mesquinhez da Terra, entrar no Éden da pátria celeste. O salmo didático dos filhos de Core (Salmo 42:1,2), expressa a profundidade desse sentimento na alma humana: "Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?"

A ALMA ANSEIA PELO SEU CRIADOR
Portanto, antes de o politeísmo perverter o coração humano e arrastar grande parte da humanidade para a idolatria, para o abismo da indiferença, da descrença e da dúvida sobre a existência após a morte, a fé em um só Deus dominava os corações, e os levava a suspirar por ele.

Esses hinos sublimes, escritos em épocas muito antigas, falam da alma imortal.

Esse anseio da alma pelo seu Criador é uma das primeiras provas da existência de Deus dadas por ele mesmo às suas criaturas. Pois quem teria colocado dentro do ser humano, do homem mortal e limitado, esse desejo imenso de horizontes mais altos, mais vastos e eternos, essa dolorosa saudade do Infinito, essa fome de eternidade e de Céu, senão o próprio Deus? Sim, pois só nele a alma encontrará a plena satisfação dos seus anseios, pois toda felicidade exige forçosamente "eternidade, profunda, profundíssima eternidade!", segundo a expressiva frase do teólogo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855), e o homem só será eternamente feliz após encontrar-se com o seu Criador, após recebê-lo como Salvador e Deus, após sua alma adentrar as sublimes regiões do Céu.

Ainda que o homem consiga reunir para si a maior quantidade possível de bens materiais, essas riquezas não garantirão a sua felicidade, pois ele é um ser espiritual, e seus mais profundos anseios estão voltados para o espiritual, para o Infinito. Com muita sabedoria comentou certo teólogo que o grão de trigo, prisioneiro na pequena abertura cavada na terra, nutrido de água e de sol, produz a espiga para alimento da humanidade. Da mesma forma o desejo de felicidade existente no coração dos seres humanos é uma força impulsionadora; ela os leva a procurar o Sol que ilumina o Universo — Deus. Semelhantemente, o fenômeno que determina nos oceanos a maré alta indica a existência, além das nuvens, de um astro vencedor que arrasta as águas, elevando-as e baixando-as — a Lua. Da mesma forma a incansável maré das almas, impulsionando-as para o Infinito, fazendo-as desejar o Eterno, é a maior prova de que além desses espaços vastíssimos, um Ser Supremo as atrai para si — Deus! A imortal frase de Agostinho em suas Confissões: "Criaste-nos para vós, e a nossa alma vive inquieta enquanto não repousa em vós" está em consonância de pensamento com Eclesiastes 3:11: "Tudo fez [Deus] formoso em seu tempo. Também pôs a eternidade no coração dos homens; contudo, não podem descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim".

"HÁ NO HOMEM UM VAZIO DO TAMANHO DE DEUS"
Quando o romancista russo Fiódor Dostoievski (1821-1881) disse que havia dentro do homem um vazio do tamanho de Deus, referiu-se tanto à necessidade que o ser humano tem do seu Criador, como à ideia que o Criador colocou em sua criatura acerca de Sua existência. O espírito humano leva consigo o pressentimento da existência de um Ser supremo e divino.

"Para onde me irei do teu Espírito?" pergunta o salmista. 'Para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer nas profundezas a minha cama, tu ali também estás. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se eu disser: decerto que as trevas me encobrirão, e a noite será luz à roda de mim, nem ainda as trevas serão escuras para ti; a noite resplandece como o dia, pois as trevas e a luz são para ti a mesma coisa" (Salmo 139:7-12).

A ideia da existência de Deus é o princípio e o fim da nossa carreira terrestre, é um arco-íris celeste que se alteia sobre a nossa existência. Como o deslizar das águas de um imenso rio, o tempo passa, levando consigo as gerações humanas que se sucedem umas às outras; porém, imutável sobre o incontável número de seres humanos que desaparecem, ficam a ideia e a certeza da existência de Deus, brilhando como um Sol no céu do Universo, proclamando sempre ao homem: "Eu sou o Senhor teu Deus..." (Deuteronômio 5:6).

Percorramos a terra em todas as direções, onde quer que ela seja habitada; atravessemos as imensas planícies da Ásia; voltemos no tempo e caminhemos até os lugares onde viviam os primitivos habitantes do mundo; entremos nas humildes moradias dos primeiros descendentes de Adão; subamos até as regiões polares, ou penetremos nos escaldantes desertos da África: em qualquer lugar onde houver um ser humano respirando, por mais selvagem que ele seja, os seus olhos não deixarão de se elevar para o Céu, em reconhecimento daquele que tudo criou!
Em qualquer lugar onde se fale uma língua humana, por mais inculta e pobre que seja, nela sempre aparecerá um nome: Deus. Ora, essa ideia da existência do Criador espalhada na consciência de todos os povos nos leva a concluir que um sentimento comum a todos os seres humanos não pode ser falso. Aristóteles já dizia que "o que é inerente à essência, é universal: tudo quanto o homem tem instintivamente por verdadeiro, é uma verdade natural". E por esse motivo que o ateísmo, ou seja, a negação da existência de Deus resultante de uma convicção clara e deliberada, é um fenômeno isolado, uma degeneração da consciência do homem, mas nunca a expressão geral da humanidade.

ORAÇÕES DOS POVOS PRIMITIVOS
Fechamos este capítulo citando duas das orações deixadas pelos povos ou grupos primitivos. Elas são numerosas, e provam que a fé na existência de um Ser único e superior sempre existiu em todas as regiões da Terra. Essas orações foram recolhidas por missionários e antropólogos, que fizeram uso de métodos científicos de pesquisa sociológica moderna, e provaram exatamente o contrário do que muitos ateus afirmavam, ou seja: provaram que a ideia da existência de Deus sempre esteve presente na humanidade. Eis a oração dos algonquinos, um grupo muito antigo que viveu em algumas regiões da atual América do Norte:

"Pai, homem de cima, nós te agradecemos por nos permitires viver nesta terra.
Que nossos pensamentos e orações possam chegar até tua morada, no céu.
O Senhor, que reinas acima das montanhas, das árvores e das águas, nós te agradecemos por todas as coisas que nos deste: os frutos, a caça, o peixe, a gordura do urso.
Foste bom para nós, estamos contentes contigo.
Nós te agradecemos por sermos numerosos e podermos nos reunir para te invocar". (6)


Eis a oração deixada pelo antiquíssimo povo kasti-mumito, os primeiros habitantes da Polinésia (grupo de ilhas do Pacífico):

"O Grande Espírito, que te achas no azul central, que moras acima das estrelas que nunca morres, que tens tua casa no sol, nós te invocamos; dá-nos a vida, nós te invocamos; dá-nos a água de que necessitamos". (7)

Diante destas orações, ainda haverá dúvida de que os povos primitivos tinham dentro de si a ideia da existência do Criador e Pai, superior a todos os deuses? Apesar de não terem recebido a revelação da existência e natureza de Deus como os judeus grandiosamente receberam, os antigos povos não ficaram totalmente privados dos testemunhos da existência daquele que tudo criou, cujo poder e glória estão manifestos visivelmente nas obras da criação, no coração e na consciência dos seres humanos. E o que veremos nos dois capítulos seguintes: O testemunho de Deus na Natureza, e a voz divina que fala na consciência dos seres humanos, acusando-os quando eles praticam qualquer coisa contrária ao bem.

Fica, portanto, demonstrado neste capítulo, existir desde os mais remotos tempos no coração dos povos uma certeza espontânea da existência de Deus, uma fé natural, que, apesar de não ser capaz de justificar-se cientificamente ou segundo a revelação que nos foi dada através das Sagradas Escrituras, descansa com segurança em motivos sólidos e simples, colocados pelo próprio Deus no coração de todos os seres humanos.

BIBLIOGRAFIA
1. Anselmo de Cantuária. Proslógio. Tradução e notas de Ângelo Ricci. São Paulo. Abril Cultural, 2ã edição, 1979, p. 102.
2. Plutarco, no capítulo 31 de seu tratado moral Contra a Cólera, citado por Hans Pfeil no livro O Humanismo Ateu na Atualidade. Tradução de Otávio Schneider. Petrópolis, Vozes, 1962, p. 167.
3. C. P. Tiele. Histoire Compareé des Anciennes Religions de VEgypte et des Peuples Semitiques. Tradução do holandês por G. Collins. Paris, G. Fischbacher, éditeur, 1882, p. 7.
4. Citado por J. Pantaleão Santos, in Deus: As Mais Belas Afirmações em Prosa e Verso. Petrópolis, Vozes, 1963, p. 123.
5. Armand de Quatrefages. UEspéce Humaine. 8éme ed. Paris, F. Alcan, 1886, p. 355.
6. Raimundo Cintra e Rose Marie Muraro. As Mais Belas Orações de Todos os Tempos. Rio de Janeiro. Livraria José Olímpio Editora, 2S edição, 1970, p. 4.
7. Ibdem, Op. Cit., pp. 4, 5.


Fonte: Extraído do livro ”Provas da Existência de Deus” de Jefferson Magno Costa; Editora Vida; pg.11-18.

domingo, 7 de julho de 2013

CIENTISTAS CONFESSAM A EXISTÊNCIA DE DEUS DEUS


"O Deus eterno, o Deus imenso, sapientíssimo e onipotente passou diante de mim. Eu não vi o seu rosto, mas o resplendor de sua luz encheu de assombro e admiração a minha alma. Tenho estudado aqui e ali as marcas de sua passagem entre as criaturas, e em todas as suas obras, inclusive nas mais pequeninas, nas mais imperceptíveis, que poder, que sabedoria, que imensa perfeição!" Estas palavras foram escritas pelo cientista sueco Carlos Lineu (1707-1778), grande naturalista, criador da sistemática dos animais e das plantas, considerado mundialmente o fundador da Botânica moderna.

O testemunho de cientistas do porte de Carlos Lineu depõe contra a opinião de milhões de pessoas que afirmam haver inimizade entre a ciência e a fé. Hoje, muitos estudantes, influenciados pelos seus professores, confessam-se ateus por julgarem que isto os colocará em pé de igualdade com os grandes cientistas — que, segundo pensam, eram ateus. Mas esses jovens estão enganados. Os grandes cientistas reconheceram a existência de Deus.

Em 1903, o doutor Dennert (filho de uma família protestante da Alemanha), publicou em Berlim um livro sobre a vida de 300 cientistas famosos. Vinte daqueles homens confessavam-se ateus, 38 não quiseram revelar suas opiniões religiosas, e 242 afirmaram crer na existência de Deus. Vários anos depois, outro escritor realizou na França uma pesquisa entre 432 cientistas, e descobriu, surpreso, que apenas 16 deles confessavam-se ateus. Os demais, de um modo ou de outro, apresentavam motivos para crer na existência do Criador. Vemos que só os espíritos rasos, superficiais, negam a existência de Deus.

São oportunas aqui as palavras de um moderno apologista da fé cristã:

O ateísmo encontra-se mais freqüentemente na meia-ciência, isto é, nesta turbamulta de inteligências medíocres que, por haverem galgado uma cátedra universitária, já se julgam com autoridade para falar em nome da Ciência, com o C maiúsculo. Em torno do seu nome, o ruído do escândalo poderá levantar uma notoriedade fugaz, pois mais barulho fazem dez homens que gritam que dez mil que silenciam. Mas são vozes passageiras; delas a história da ciência não conservará sequer a sobrevivência de um eco atenuado. Os príncipes do saber, os que enriqueceram a ciência com a profundidade do seu pensamento e a originalidade das suas descobertas, esses que sobrevivem a pontear, como astros de primeira grandeza, o Armamento da ciência, continuam a cantar a glória de Deus.3

"EU NUNCA FUI ATEU!" DISSE DARWIN
Quando o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) faleceu, seu filho Francis Darwin publicou o livro A Vida e a Correspondência de Charles Darwin. Em uma de suas cartas, datada de 2 de abril de 1873, Darwin escreveu:

Posso dizer-vos que a impossibilidade de considerar este magnífico universo, que contém o nosso 'eu' consciente, como obra do acaso, é para mim o principal argumento em favor da existência de Deus.4

Em outra carta, datada de 3 de julho de 1881, Darwin confessou ao seu amigo W. Graham:

Devo dizer-vos que em vosso livro Pretensões da Ciência expressastes a minha profunda convicção, e mesmo mais eloquentemente do que eu saberia fazê-lo, isto é, que o universo não é e nem pode ser obra do acaso.5

Porém, a frase que se destaca neste livro sobre Darwin é esta sua declaração:

Por piores que fossem as crises que atravessei, nunca desci até ao ateísmo, nunca neguei a existência de Deus.6

O verdadeiro homem da ciência prefere repetir as palavras do salmista, que há muitos séculos disse: 

"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de suas mãos" (Salmo 19:1). 

Leiamos o testemunho dos cientistas, desses homens cujas cabeças se embranqueceram no estudo da ciência. Quase todos eles confessaram ter visto as pegadas de Deus impressas nos caminhos por onde passaram. Ouçamos suas vozes, registradas no mesmo tom de adoração e reconhecimento da existência do Criador de todas as coisas.


FÍSICOS E MATEMÁTICOS
Abramos este tópico citando as palavras do grande físico e matemático inglês Sir Isaac Newton (1642-1727), descobridor da Lei da Gravitação, e um dos grandes estudiosos da mecânica celeste. Deslumbrado diante da harmonia reinante entre os planetas, Newton escreveu:

Esta elegantíssima coordenação do sol, das estrelas, dos planetas e dos cometas não pode ter outra origem que o plano e o império do Ser dotado de inteligência e de poder, que tudo domina, não como alma do mundo, mas como o Senhor de todas as coisas, eterno, infinito, onipotente, onisciente.7

Outro grande físico inglês, William Thompson, confessou que "provas brilhantes de uma ação inteligente multiplicam-se em torno de nós e, se por vezes, dúvidas metafísicas nos afastam temporariamente destas idéias, elas voltam com uma força irresistível. Elas nos ensinam que todas as coisas vivas dependem de um Criador e de um Senhor Eterno."

O genial matemático francês Luís Cauchy (1789-1857), considerado o primeiro geômetra do século XLX, afirmou não temer os estudos que muitos dos seus contemporâneos faziam para tentar provar a inexistência de Deus ou lançar dúvidas sobre a autenticidade da Bíblia:

Cultivai com ardor as ciências abstratas e naturais; estudai a matéria; desvendai ante nossos olhares admirados as maravilhas da natureza; explorai, se puderdes, todas as partes deste universo; pesquisai depois nos anais das nações, nas histórias dos povos antigos; consultai em toda a superfície do globo os velhos monumentos dos séculos passados. Muito longe de me assustarem estas pesquisas, eu sempre mais as provocarei, animalas-ei com meus esforços e votos. Nunca temerei que a verdade se possa achar em contradição consigo mesma, ou que os fatos e documentos por vós acumulados possam jamais achar-se em desacordo com as Sagradas Escrituras.9

Em uma de suas viagens a Paris, o cientista norte-americano Thomas Alva Edison (1847-1931), um dos maiores inventores de todos os tempos, visitou a Torre Eiffel. Após haver percorrido toda a torre, trouxeram-lhe um livro no qual os visitantes ilustres registravam suas impressões. Eis o que Edison escreveu:

Ao senhor Eiffel, arquiteto desta torre: Sou um homem que admira todos os engenheiros do Universo; mas que profunda admiração tenho pelo maior de todos eles, que é Deus!10

O físico francês André-Maria Ampére (1775-1836), que passou para a história como o grande cientista da eletricidade dinâmica, escreveu em 1804 no seu Diário a seguinte meditação, dirigida à sua própria alma:

Passa a figura deste mundo; se te nutrires de suas vaidades, pássaras como ele. A verdade de Deus para sempre permanece. Deus meu! que são todas estas ciências, todos estes raciocínios, todas estas geniais descobertas, todos estes vastos pensamentos que o mundo admira e de que tão avidamente lhe sacia a curiosidade? Na verdade, não são mais que coisas vãs. Estuda, sem precipitação. Estuda as coisas deste mundo, pois é dever de tua condição, mas conservando os olhos fixos na luz eterna. Escuta os sábios, prestando porém sempre ouvidos aos doces acentos da voz do teu celestial Amigo. Escreve só com uma mão. Com a outra apega-te a Deus, como o menino se apega à vestimenta de seu pai... Assim permaneça, minha alma, de hoje em diante, sempre unida a Deus e a Jesus Cristo! Abençoai-me, meu Deus!11

Professor da Universidade de Copenhague, Oersted (1777-1851) tornou-se mundialmente famoso ao descobrir a ação da eletricidade sobre o fluído magnético, vindo esta descoberta a resultar na invenção da telegrafia elétrica. Eis o testemunho desse grande cientista dinamarquês:

Todo estudo aprofundado da Natureza leva a Deus. Tudo o que existe é obra incessante de Deus, obra em que a infinita perfeição de sua sabedoria imutável imprimiu seu sigilo. É esta ação perpétua da divina sabedoria e sua eterna identidade consigo mesma que a observação científica batiza com o nome de leis da Natureza... A contemplação do mundo estrelado nos deve ensinar que nada somos diante de Deus, mas que somos alguma coisa por sua bondade.12

Também fazendo parte do grupo de cientistas voltados para os estudos sobre a eletricidade, o físico escocês James Maxwell (1831-1879) costumava concluir suas comunicações científicas à Sociedade Real de Londres fazendo verdadeiras orações a Deus. Eis as palavras que Maxwell leu diante de dezenas de cientistas que ouviam uma de suas comunicações científicas:

Deus Todo-poderoso, que criaste o homem à tua imagem e lhe deste uma alma que pudesse te procurar e reinar sobre as criaturas, ensina-nos a perscrutar as obras de tuas mãos de tal modo que saibamos submeter a terra para nossas necessidades e ao mesmo tempo fortalecer nosso espírito para teu serviço. Concede-nos que recebamos tua santa Palavra com fé naquele que mandaste para nos ensinar a ciência da salvação e a remissão de nossos pecados. Nós o pedimos em nome do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor.13

Que belas palavras pronunciadas por alguém cuja vida foi empregada no estudo da Ciência! Quanto mais lemos o testemunho desses homens, mais e mais constatamos estar certíssima a afirmação de Francis Bacon: "Pouca ciência afasta o homem de Deus; muita ciência a Deus o conduz."

Continuemos a ler os testemunhos deixados por pesquisadores da Física. Um deles foi pronunciado pelo alemão Ernesto Siemens (1816-1892), durante um congresso científico em 1886. Siemens foi o inventor da telegrafia submarina, de dínamos e do pirômetro elétrico:

Quanto mais profundamente penetramos neste domínio das forças da Natureza, tão harmonioso e regulado por leis imutáveis, e ao mesmo tempo tão longe de ser por nós plenamente compreendido, tanto mais nos sentimos levados a nos refugiar na modéstia e humildade, tanto mais acanhado nos parece o círculo de nossos conhecimentos, tanto mais vivamente aspiramos a sempre mais haurir nesta fonte inesgotável do saber e do poder, tanto mais, finalmente, cresce nossa admiração e sobe nossa gratidão para com a infinita Sabedoria reguladora que dirige todo o Universo.15

Outro físico a falar é o francês Augusto De La Rive (1801-1873), que tornou-se célebre pelas suas experiências com a capacidade calorífica dos gases. Em 1860, ao concluir suas lições de física, De La Rive escreveu:

Se alguma coisa aprendi nos longos anos de estudo, que foram um dos maiores encantos de minha vida, é que Deus continuamente opera, é que sua mão que tudo criou vela sobre todo o universo. A Providência, que mantém em equilíbrio as forças da natureza, que dirige os astros em suas órbitas, olha também sobre cada um de nós. Nada nos acontece sem especial licença daquele que nos guarda; nesta convicção profunda descansa em paz a minha alma.16

A esse coro de vozes vem se juntar o testemunho do físico britânico A.S. Eddington (1882-1946): "A Física moderna leva-nos necessariamente para Deus."

E da Alemanha, o físico Max Plank (1858-1947), criador da teoria dos quanta, Prêmio Nobel de 1928, surge para enriquecer essa galeria de cientistas que afirmaram crer na existência de Deus:

Para onde quer que se dilate o nosso olhar, em parte alguma vemos contradição entre Ciências Naturais e Religião; antes, encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências Naturais e Religião não se excluem naturalmente, como hoje em dia muitos creem e receiam, mas completam-se e apelam uma para outra. Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão.18

Pascual Jordan (1902-1980), outro físico alemão, um dos fundadores da Mecânica dos quanta, também une sua voz à de Max Plank: "O progresso moderno removeu os empecilhos que se opunham à harmonia entre ciências naturais e cosmovisão religiosa. Os atuais conhecimentos de ciências naturais já não fazem objeção à noção de um Deus Criador."

Werner Von Braun (1912-1977), alemão radicado nos Estados Unidos, um dos maiores físicos nucleares de todos os tempos, também deixou o seu testemunho:

Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que já não precisamos crer em Deus. Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salvará o nosso mundo da catástrofe. Ciência e religião são, pois, irmãs e não pólos antitéticos.20

E finalmente, encerrando os testemunhos dos físicos, a palavra de Albert Einstein (1879-1955), físico judeu alemão, criador da Teoria da Relatividade e Prêmio Nobel de 1921:

Todo profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimento religioso, pois ele não pode admitir que seja o primeiro a perceber os extraordinariamente belos conjuntos de seres que ele contempla. No Universo, incompreensível como é, manifesta-se uma Inteligência superior e ilimitada.21


BOTÂNICOS, QUÍMICOS E GEÓLOGOS
Citaremos aqui as palavras de um botânico e as de três químicos. Membro da Academia Francesa, o botânico Jurien de La Graviére (1812-1892), pronunciando um discurso sobre o botânico Tulasne, assim se expressou:

Dir-se-ia, na verdade, que a Botânica tem tido sempre o privilégio de formar santos e sábios. É uma ciência de certo modo impregnada pelo perfume das flores. Curvada sobre a relva, ela nunca teve a pretensão de escalar o céu; ela se contenta em admirar humildemente o Criador em suas obras!22

O grande químico inglês Humphry Davy (1778-1829), descobridor do potássio e do sódio, escreveu em seu diário:

O verdadeiro químico vê a Deus em todas as formas diversas do mundo exterior... E assim, à medida que contemplar a variedade e beleza do mundo exterior e lhe penetrar as maravilhas científicas, saberá sempre se elevar até a Sabedoria infinita, cuja bondade lhe permite provar as alegrias da ciência; tornar-se-á melhor ao mesmo tempo que mais sábio. A influência da fé sobrevive a todas as alegrias terrestres; fortifica-se, ao passo que nossos órgãos se enfraquecem e nosso corpo se dissolve; ela surge como a brilhante estrela da tarde no horizonte da nossa vida, e temos a certeza de que ser-nos-á ela um dia a estrela da manhã, cujo resplendor iluminará as sombras da morte.23

Após dezenas de anos estudando Química, o químico italiano Carnaldi reconheceu: "Tu existes, porque a operação química se efetua pela aproximação das moléculas, e esta força coerciva não depende delas, mas de um princípio extrínseco — depende de Deus!"24

Michel Eugene Chevreul (1786-1889), um dos maiores químicos franceses, confessou: "Eu estou convencido da existência de um Ser Divino, criador de uma dupla harmonia: a harmonia que rege o mundo inanimado, revelada pela ciência da mecânica celeste e pela ciência dos fenômenos moleculares, e a harmonia que rege o mundo inanimado. Nunca fui materialista em nenhuma época de minha vida, porque só um néscio pode acreditar que esta dupla harmonia, bem como o pensamento humano, tenham sido efeito do acaso".

Na Universidade do Cairo, no Egito, no alto de sua porta central estão escritas as seguintes palavras: "A Química é importante, porém Deus ainda o é mais."


ZOÓLOGOS, ANATOMISTAS E NATURALISTAS
A Zoologia reconhece a glória e a existência do Criador nas palavras do célebre Etienne Geoffrey Saint-Hilaire: "Chegando a este limite (diz Geoffrey em um de seus grandes estudos), o cientista desaparece, e fica só o homem religioso para compartilhar do entusiasmo do santo profeta, exclamando com ele: Os céus proclamam a glória de Deus!"

Foi estudando Anatomia que Cruvelhier exclamou: "Diante desta maravilhosa organização onde tudo foi previsto e coordenado com inteligência e sabedoria infinitas, qual é o anatomista que não se sente tentado a exclamar com Galeno: Um livro de Anatomia é o mais belo hino que é dado ao homem entoar em honra do Criador?"27

Agassiz, estudioso da História Natural, sabia que o mundo é "a manifestação de um pensamento poderoso e fecundo, é prova de uma bondade infinita e sábia, é a demonstração mais palpável de um Deus pessoal, primeiro Criador de todas as coisas, regulador de todo o universo e dispensador de todos os bens." Por sua vez, o grande naturalista Lamarck sabia que a Criação era distinta do Criador: "A natureza não é Deus. Ela é o produto sublime de sua vontade onipotente."

E fechando a galeria de zoólogos, anatomistas e naturalistas, H. Spemann (1869-1941), zoólogo alemão, Prêmio Nobel de 1935:

Quero confessar que, durante as minhas pesquisas, muitas vezes tenho a impressão de estar num diálogo em que meu interlocutor me parece com Aquele que é muito mais sábio. Diante desta extraordinária realidade, o pesquisador é sempre tomado por uma profunda e reverente admiração.29


ASTRÔNOMOS E BIÓLOGOS
É este mesmo Deus que os maiores astrônomos, estudando os formidáveis mistérios da Criação, viram e vêem, na maravilhosa harmonia que invade o Espaço infinito. Todos os grandes estudiosos dos mistérios do céu ergueram suas vozes para entoar um hino de engrandecimento ao Criador.

Em 1923, o astrônomo Moreux, do Observatório Astronômico de Paris, declarou: "Estou-me correspondendo com os diretores dos observatórios astronômicos de todo o mundo, e posso dizer que todos eles crêem em Deus."

Um dos mais belos testemunhos de um astrônomo sobre a existência de Deus foi deixado pelo francês Hervé Faye (1814-1902) na Introdução da sua obra-prima A Origem do Mundo. Eis as belas palavras do famoso astrônomo:

O que nos comove quando erguemos os olhos ao céu, o que nos arranca um momento do círculo de nossas preocupações materiais, o que em nós desperta o pensamento com a admiração, é a doce claridade do dia, é este sol radiante, com sua luz e seu calor animando a natureza inteira; são estas estrelas de que tão graciosamente é marchetada a abóbada celeste, e que à agitação do dia fazem suceder a calma e a serenidade da noite (...) Negar a Deus seria como deixar-se cair dessas alturas sobre a terra! Estes astros, estas maravilhas da natureza seriam obra do acaso! Nossa inteligência seria efeito da matéria, que por si só teria principado a pensar! Que imenso absurdo!31

E eis o que afirmou o astrônomo alemão H. Madler (1794-1874), autor do primeiro mapa da Lua: "Um autêntico pesquisador da natureza não pode ser ateu, pois quem tão profundamente mergulha seu olhar na obra de Deus e tem oportunidade de contemplar a eterna sabedoria, é impelido a dobrar os joelhos diante da ação do Espírito Supremo."

Herschel, o célebre astrônomo descobridor do planeta Urano, após muito contemplar a harmonia e as maravilhas do céu estrelado, reconheceu: "Quanto mais se estende o campo da Astronomia, tanto mais numerosas e inabaláveis se tornam as demonstrações da existência eterna de uma inteligência criadora e onipotente; os geólogos, os astrônomos, os naturalistas trouxeram todos a sua pedra para este grande templo da ciência — templo levantado ao próprio Deus."3

O ilustre professor de Física da Universidade de Louvain, Alemanha, doutor Van Beneden, fez em um de seus discursos uma importante observação: "O Sumo Artífice concebeu a obra da Criação; concebê-la e criá-la foi uma coisa só; cada parte dela é a execução do pensamento divino realizado no tempo e no espaço. Levantemos estátuas aos benfeitores e sábios da humanidade, mas não nos esqueçamos do quanto devemos Aquele que resumiu tantas maravilhas em um grãozinho de areia, e um mundo de prodígios numa gota d'água."

Diretor do Instituto de Biologia Max Planck, M. Hartmann (1876-1962) escreveu: "Os resultados da mais desenvolvida ciência da natureza ou da Física não levantam a mínima objeção à fé num Poder que está por trás das forças naturais e que as rege. Tudo pode aparecer mesmo ao mais crítico pesquisador como numa grandiosa revelação da natureza, levando-o a crer numa todo-poderosa sabedoria que se acha por trás desse mundo sábio."

E finalmente, Fr. Dessaner (1881-1963), grande biofísico alemão, fundador da Terapia das profundidades por meio dos raios Roentgen e da Biologia dos quanta: "O fato de que nos últimos setenta anos o curso das descobertas e invenções nos interpela poderosamente, significa que Deus, o Criador, nos fala mais alto e mais claro do que mediante pesquisadores e inventores."


A ORAÇÃO DO CIENTISTA
Concluímos este capítulo, onde físicos, matemáticos, químicos, biólogos, naturalistas e astrônomos trouxeram os seus testemunhos como pedras preciosas em reconhecimento da existência de Deus, citando o mais belo de todos esses testemunhos, escrito pelo alemão Johannes Kleper (1571-1630), um dos criadores da moderna Astronomia. Ele escreveu estas palavras na obra Os Quatro Livros da Harmonia Celeste, escrito no final de sua vida; elas são um verdadeiro hino de louvor e reconhecimento da existência e majestade de Deus:

Antes de deixar esta mesa, sobre a qual fiz todo o meu trabalho, só me resta levantar os olhos e as mãos aos céus, numa humilde prece ao autor de toda luz. A ti, que pela luz sublime que espalhaste por toda a Natureza, elevas a nossa alma até a luz divina da tua graça, para que sejamos um dia transportados à luz eterna da tua glória, dou graças pelo que experimentei no êxtase em que me precipitou a contemplação da obra das tuas mãos. Findo se acha o livro que contém o fruto do meu trabalho. Nele empreguei toda a soma de inteligência que me deste. Proclamei, perante a humanidade, toda a grandeza da tua obra, dei-lhe os testemunhos, tanto quanto meu espírito finito me permitiu apreender da sua grandeza infinita.

Grande é Deus, grande é sua força, infinita sua sabedoria. Louvai-o céus, louvai-o, Sol, Lua e Planetas, louvai-o harmonias celestes, e tu também, ó minh'alma, louva ao Senhor teu Criador, pois tudo vem dele, tudo existe por ele, tudo está nele; tanto as coisas sensíveis e as ininteligíveis, aquilo que ignoramos profundamente, quanto a parte insignificante das coisas que sabemos!

Temos visto até aqui que a existência de Deus, o seu relacionamento com o mundo e com o homem, tem a ver diretamente com o problema do significado da vida e do ser humano em geral. Esse grande assunto um dia sempre desperta dentro de todos nós, e nos leva a procurar respostas para ele. É sem dúvida o mais profundo e o mais importante de todos os temas com que nos defrontamos no decorrer da vida, e exigirá que diante dele tomemos uma posição.

Portanto, as provas da existência de Deus são por demais visíveis; nenhum homem pode alegar que não crê por não haver nenhuma razão para que ele creia. As razões são muitas.

Veremos, finalmente, como podemos chegar ao conhecimento de Deus.


BIBLIOGRAFIA
1. Carlos Lineu, citado por Desidério Deschand no livro Os Grandes Sábios e a Fé na Época Contemporânea. Sociedade de São João Evangelista. Desclée e Cia. Tournai, Bélgica, s/d, p. 211.
2. Cf. a introdução ao livro de Desidério Deschand, p. 30.
3. Leonel Franca. Op. Cit. p. 28.
4. Cf. M. Francis Darwin. La Vie et Ia Correspondence de
Charles Darwin. Trad. de H. Varigny. Reinwald, Paris, Vol. I, p. 365.
5. Idem. Op. Cit. p. 368.
6. Idem. Op. Cit. p. 354.
7. As citações dos números sete ao dezesseis foram feitas tomando-se como base o livro de Desidério Deschand, às páginas 59, 86, 34, 35, 80, 89, 99, 100, 101, 91, respectivamente.
17. Os cientistas citados dos números 17 ao 21 tiveram os seus testemunhos publicados na revista Pergunte e Responderemos (nQ 316, setembro de 1988), como resposta à pergunta: Deus Existe? pp. 386-396. As demais citações constam ora do livro de Desidério Deschand, ora do artigo da referida revista.

Fonte:

"Provas da Existência de Deus"; Jefferson Magno Costa; editora Vida; pg.93-104.