quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Adão, Seus Filhos, População Mundial e Longevidade

W. Janzen

Gên.3: 22 - "Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tem tornado como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente".

Gên. 4:1-3 - "Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim, disse: Alcancei do Senhor um varão. Tornou a dar à luz a um filho-a seu irmão Abel. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor".

Gên.4:14-26 - "Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á. O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse. Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. Conheceu Caim a sua mulher, a qual concebeu, e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade, e lhe deu o nome do filho, Enoque. A Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael, e Metusael gerou a Lameque. Lameque tomou para si duas mulheres: o nome duma era Ada, e o nome da outra Zila. E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. A Zila também nasceu um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naamá. Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes. Tornou Adão a conhecer sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou. A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo, que os homens começaram a invocar o nome do Senhor".

Gên.5:1-4 - "Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou; e os abençoou, e os chamou pelo nome de homem, no dia em que foram criados. Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete. E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos; e gerou filhos e filhas".

Comentários:
1- A palavra Adão e homem são a mesma em grego e estão relacionados com "terra". É mera escolha do tradutor usar "Adão" ou "homem" na tradução.
2- Gênesis relata que Adão e Eva geraram filhos e filhas. Alguma filha foi citada pelo nome em alguma lista genealógica?
3- Caim foi o primeiro filho, Abel o segundo, mas Sete não foi obrigatoriamente, o terceiro filho.
4- A citação da idade de Adão ao gerar Sete está atrelado ao fato "um filho à sua semelhança", isto tem a ver com a genealogia de Jesus, Lucas 3:38 Cainã de Enos, Enos de Sete, Sete de Adão, e Adão de Deus.
5- Se Adão e Eva tiveram, por exemplo, o seu primeiro filho, Caim, aos 25 anos de idade, e somente a cada 5 anos tivessem tido mais um filho, ao Sete nascer teriam já 25 filhos e filhas! A pílula e a TV não foram inventadas ainda e então é de se supor que este número poderia estar, no mínimo, duas vezes mais elevado!
6- Geralmente nascem mais filhas do que filhos mas vamos ficar nos 50% para cada um. Teríamos então 25 filhas e 25 filhos.
7- Quando Caim, digamos, alcançou 25 anos ele teria uma irmã com 22,5 anos, outra com 17,5 anos e outra com 12,5 anos, todas em idade para casar. É possível que quando Caim matou a Abel que outros filhos de Adão e Eva já estavam casados e até já tinham filhos próprios pois diz a passagem: Gên. 4: 3 "Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor." Em outras palavras: "Depois de algum tempo", o contrário de "imediatamente".
8- Lucas 3:38 Também é enfático de que Adão foi o primeiro Homem: "Cainã de Enos, Enos de Sete, Sete de Adão, e Adão de Deus."
9- Tudo isto se resume na credibilidade que se tem da Palavra de Deus. Se eu tenho que escolher entre o que é simbologia ou o que é relato verdadeiro como eu vou saber se Jesus Cristo é de fato o filho de Deus, Deus tornado carne, ou que isto é apenas força de expressão dos escritores? Receio que teríamos tantas versões de interpretação como temos pessoas no mundo. Tudo se resume à credibilidade da Bíblia. Se não sabemos que ela é por longe o mais extenso relato histórico, o mais confiável relato histórico, que não há nada, nem por perto similar a ela, que Cristo, como Deus encarnado, dela citou sem um revelar um pingo de dúvida, ela é para mim também confiável.
10- O que a medicina aumentou foi a expectativa de vida e não a idade máxima que as pessoas alcançam. Expectativa de vida é a média das idades. Se você combate a mortalidade infantil você aumenta a expectativa de vida, a idade média das pessoas mas eventualmente não acrescenta nada às suas idades máximas. É interessante observar que as idades máximas registradas foram de escravos e pessoas do terceiro mundo. O que o primeiro mundo registrou foi um percentual maior de pessoas idosas mas os recordes de idade não estão com eles. Expectativa de vida se relaciona com as doenças e o combate delas. Quanto maior a densidade demográfica e ou menor o grau de higiene, menor a expectativa de vida útil. Quando a higiene é levada aos extremos há novamente redução da expectativa de vida por falta de desenvolvimento de anticorpos, como foi recentemente noticiado na mídia. O que limita a idade máxima é a incidência de raios cósmicos, tida hoje como principal causa do envelhecimento. Muitos povos do mundo tem histórias sobre o dilúvio dos quais o relato bíblico é por longe o mais sóbrio, o mais detalhado e o menos fantasioso.

É de se esperar que uma catástrofe de tamanha abrangência não se tenha apagado totalmente da humanidade.

Pelo que consta, as letras do Chinês tem o desenho de um barco com oito pessoas para representar o mar ou uma inundação!

O Pterossauro, um dinossauro voador que chegava a pesar até uma tonelada, não poderia voar nas condições rarefeitas da atual atmosfera.

Estima-se que "as águas acima do firmamento" de Gên.1: 7 "Fez, pois, Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam por cima do firmamento. E assim foi." Em forma de vapor d'água transparente devem ter tido um equivalente de 30 metros de água líquida o que elevaria a pressão atmosférica do atual 1 bar para uns 30 bar de pressão. Nestas condições o Pterossauro poderia voar.

A Terra não tinha cordilheiras nem montanhas elevadas e o mar certamente era bem menos profundo.

As placas continentais são delimitadas por descontinuidades abissais cujos valores se mede em km. Nitidamente houve um afundamento do fundo dos mares e uma elevação dos continentes, os quais receberam as águas do dilúvio e fizeram novamente aparecer terra seca.

O relato bíblico do dilúvio informa: Gên.7:11b e 12 romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram, e caiu chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.

1- romperam-se todas as fontes do grande abismo
2- as janelas do céu se abriram

Entende-se que grandes vulcões entraram em erupção e contaminaram o vapor d'água acima da atmosfera com núcleos de condensação, e por este motivo esta condensou e se precipitou em forma de chuva torrencial. Isto por 40 dias e 40 noites.

A chuva providenciou uma elevação das águas sobre todo o globo terrestre de uns 30 metros e os vulcões e fontes do grande abismo acrescentaram mais água juvenil à chuva. Como não havia montanhas altas é fácil de se imaginar que toda a superfície terrestre foi coberta por água.

A maioria das camadas geológicas são testemunho disto.

Os animais marinhos foram os primeiros a serem sepultados, em seguida os ribeirinhos e com menos poder de locomoção e finalmente os maiores e mais velozes, dando a impressão de que eles evoluíram nesta seqüência.

Há evidências fósseis de que antigamente os pólos gozavam de climas tropicais. Uma camada de vapor d'água transparente equivalente a uma coluna de 30 m de água líquida produziriam um efeito de estufa apropriado para produzir tal clima.

Trinta metros de camada de água tem um poder de isolamento contra raios cósmicos igual a 1 metro de camada de chumbo! Isto é um fator considerado ter contribuído para que as pessoas viviam muitos anos mais antes do dilúvio do que depois.

Com o dilúvio a camada protetora se destruiu e com isto a longevidade. Deus antecipou a declaração disto antes do dilúvio: (Gên.6: 3) Então disse o Senhor: O meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porquanto ele é carne, mas os seus dias serão cento e vinte anos.

O projeto inicial previa que o homem obedecesse a Deus, não comesse da árvore do entendimento do bem e do mal e oportunamente comesse da árvore da vida adquirisse vida eterna. Esta árvore aparece novamente, para os redimidos, no apocalipse.

Deus determinou, então, quando as idades dos homens ainda alcançavam idades quase milenares e quando tratou da multiplicação da maldade dos homens e da exterminação de todos os seres viventes terrestres, de que isto não continuaria desse jeito. A idade futura, verbo no futuro, será de 120 anos e para isto derrubou a camada protetora e esta causou o dilúvio.

11- Crescimento demográfico. Cientistas das áreas afirmam que nem as grandes pestes nem as grandes guerras retardaram significativamente o crescimento demográfico mundial. Quanto mais pobre o país maiores as famílias, quanto mais desenvolvido o país, maior a preservação da vida mas menores as famílias. Alguns países desenvolvidos tem taxa de crescimento até negativa. Outros países sem a mínima saúde e vivendo na miséria tem taxas de crescimento até 4% anuais. Quanto mais densa a população maior a incidência de doenças contagiosas e vice-versa. É de se esperar quando a população do mundo ainda era pouca que pestes eram quase que ausentes. O Brasil tem atualmente uma taxa de crescimento pouco abaixo dos 2%. Em outras partes do terceiro mundo tem países com taxas bem superiores. Vamos considerar que o dilúvio aconteceu a uns 4400 anos atrás, que apenas três gerações convivem simultaneamente e que a idade de uma geração é de 25 anos. Qual é a taxa de crescimento necessária para alcançarmos a atual cifra de 6 bi de habitantes?

Noé teve três filhos, três famílias, depois do dilúvio. Por isto vamos multiplicar o cálculo por três ou determinar a taxa para uma população de 6 bi dividido por três = 2 bi.

TC = Taxa de crescimento em % anuais
H = Número de descendentes
H1 = 4625 anos primeira geração que nasceu antes do dilúvio.
H2 = 4600 anos
H3 = 4575 anos
H = (1+TC/100)anos
Para TC = 0,45% temos
H1 = (1+0,45/100)4625 = 1.145.672.965 pessoas
H2 = 1+0,45/100)4600 = 932.672.105
H3 = 1+0,45/100)4575 = 833.643.677
Sub=total 2.911.988.747
X 3 = 8.735.966.241

Conclusão:

Mesmo com uma modesta taxa de crescimento de 0,45% ao ano se chega, à partir das pessoas na arca, e da suposta data do dilúvio, a uma população superior à população mundial atual.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Jesus e a Mitologia Pagã

Tradução: Marcelo N. Motta

Pergunta:
Dr. Craig,
Obrigado por sua ajuda em tudo que você faz para mostrar a verdade que está em Cristo.
Na verdade eu só tenho uma pergunta, e, para ser franco, ela me frustra inúmeras vezes. Acontece quase todas as vezes que eu debato cristianismo com alguém.
A pergunta, “Jesus é um mito copiado ou uma pessoal real?” é a fonte de objeção que eu recebo a maioria das vezes. Eles listam todas as similaridades entre Jesus e outros deuses e constelações mitológicas e dizem “Vê como são parecidos?”
Parece que não importa como eu refuto certa similaridade entre Cristo e outra crença mitológica, eles não levam muito a sério o que digo, porque respondem que “eu tenho trabalhado muito duro para salvar minha religião.”
Esses argumentos são sólidos? Eles sequer são debatidos nos altos níveis acadêmicos ainda?
Eu realmente gostaria de saber sua visão nesse ponto, pois continuo trombando nisso e francamente estou cansado de tentar refutar cada similaridade.
Obrigado por tudo que você tem feito. Eu já fui um ateu, mas o argumento a favor de valores e deveres morais objetivos foi o que me levou a Cristo.
Kevin
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Dr. William Lane Craig responde:
O falecido Robert Funk, fundador do radical Seminário Jesus, reclamava amargamente do abismo que existe entre os principais estudos e as crenças populares sobre Jesus. Funk pensava principalmente sobre a distância entre o pietismo popular e o conhecimento histórico sobre Jesus; mas em lugar algum o abismo é tão grande como entre a irreligiosidade popular e os estudos sobre o Jesus histórico.

O movimento do Pensamento Livre, que alimenta a objeção popular que as crenças cristãs sobre Jesus são derivadas da mitologia pagã, está empacado entre os estudos do final do século XIX. De certa forma isso é impressionante, já que existem muitos estudiosos contemporâneos céticos, como os do Seminário Jesus, cuja obra os livre pensadores poderiam utilizar a fim de justificar seu ceticismo sobre a compreensão tradicional de Jesus. Mas isso só serve para mostrar como esses popularizadores não têm contato com o trabalho de estudiosos sobre Jesus. Eles estão um século desatualizados.

Voltando à época da chamada escola de História de Religiões, estudiosos em religiões comparadas encontraram paralelos a crenças cristãs em outras religiões, e alguns pensaram em explicar que essas crenças (incluindo a na ressurreição de Jesus) foram influenciadas por esses mitos. Hoje, no entanto, raramente algum estudioso pensa em mitos como uma categoria importante para se interpretar os Evangelhos. Os estudiosos perceberam que a mitologia pagã é simplesmente o contexto interpretativo errado para se compreender Jesus de Nazaré.

Craig Evans chama essa mudança de o “Eclipse da Mitologia” na pesquisa sobre a vida de Jesus (veja seu artigo excelente “Life-of-Jesus Research and the Eclipse of Mythology,” Thelogical Studies 54 [1993]: 3-36). James D. G. Dunn começa assim seu artigo sobre “Mitos” no Dicionário de Jesus e dos Evangelhos (IVP, 1993) com a clara rejeição, “Mito é um termo de, pelo menos, relevância duvidosa para o estudo de Jesus e dos Evangelhos."

Algumas vezes essa mudança é referida como a “rejudaização de Jesus.” Pois Jesus e seus discípulos eram judeus do primeiro século, e é contra esse pano de fundo que devem ser compreendidos. A rejudaização de Jesus tem ajudado a tornar injustificado qualquer compreensão do retrato dEle nos Evangelhos como influenciado significativamente pela mitologia.

Essa mudança é proferida em relação à historicidade dos milagres e exorcismos de Jesus. Estudiosos contemporâneos podem não estar mais preparados para acreditar no caráter sobrenatural dos milagres e exorcismos de Jesus do que os estudiosos de gerações anteriores. Mas eles não estão mais dispostos a atribuir essas histórias à influência dos mitos gregos do homem-divino (theios aner). Antes, os milagres e exorcismos de Jesus devem ser interpretados no contexto das crenças e práticas judaicas do primeiro século. O estudioso judeu Geza Vermes, por exemplo, tem chamado a atenção aos ministérios dos realizadores de milagres e/ou exorcistas carismáticos Honi “o desenhista de círculos” (primeiro séc. a.C.) e Hanina ben Dosa (primeiro séc. d.C.) e interpreta Jesus de Nazaré como um judeu hassídico ou um santo. Hoje o consenso dos estudos sustenta que a realização de milagres e exorcismos (apoiando a questão de seu caráter sobrenatural) pertence, sem sombra de dúvida, a qualquer reconstrução historicamente aceitável do ministério de Jesus.

O colapso da antiga escola da História de Religiões ocorreu por principalmente dois motivos. Primeiro, estudiosos perceberam que os paralelos alegados eram ilegítimos. O mundo antigo era um lugar cheio de mitos de deuses e heróis. Estudos comparativos na religião e literatura requerem sensibilidade às suas similaridades e diferenças, ou o resultado será inevitavelmente distorção e confusão. Infelizmente, aqueles que apresentaram paralelos às crenças cristãs falharam em exercer essa sensibilidade. Veja, por exemplo, a história do nascimento virginal, ou, mais precisamente, a concepção virginal de Jesus.

Os paralelos pagãos alegados a essa história são sobre lendas de deuses que se materializaram e tiveram relações sexuais com mulheres humanas para gerar uma prole humano-divina (como Hércules). Assim como esta, essas histórias são exatamente o contrário dos relatos dos Evangelhos, nos quais Maria concebeu Jesus sem ter tido nenhuma relação sexual. As histórias dos Evangelhos sobre a concepção virginal de Jesus são, na verdade, únicas no Oriente Próximo antigo.

Ou considere o evento dos Evangelhos que eu acho mais interessante: a ressurreição de Jesus dentre os mortos. Muitas das alegadas similaridades a esse evento são na verdade histórias apoteóticas, a divinização e assunção do herói ao céu (Hércules, Rômulo). Outras são sobre desaparecimentos, afirmando que o herói foi-se para um plano superior (Apolônio de Tiana, Empédocles). Outras ainda são símbolos sazonais do ciclo das colheitas, conforme a vegetação morre na estação seca e volta à vida na estação chuvosa (Tamuz, Osíris, Adônis). Algumas são expressões políticas de adoração aos imperadores (Júlio César, César Augusto). Nenhuma delas é similar à idéia judaica de ressurreição dos mortos. David Aune, especialista em literatura comparada do antigo Oriente Próximo, conclui, “nenhum paralelo a elas [tradições da ressurreição] é encontrado nos escritos greco-romanos” (“The Genre of the Gospels,” em Gospel Perspectives II, ed. R. T. France and David Wenham [Sheffield: JSOT Press, 1981], pg 48).

Na verdade, a maioria dos estudiosos chegaram a duvidar se, apropriadamente falando, houve realmente algum mito de deuses que morriam e ressurgiam! No mito de Osíris, um dos mitos sazonais mais conhecidos, ele nem chega a voltar à vida, mas simplesmente continua a existir exilado no sub-mundo. Numa revisão recente da evidência, T. N. D. Mettinger informa: “A partir da década de 30… um consenso se desenvolveu ao significado que os deuses, “que morriam e ressurgiam”, morreram, mas não voltaram a viver novamente… Aqueles que continuam a pensar diferente são vistos como sobreviventes de uma espécie quase extinta.” (Tryggve N. D. Mettinger, The Riddle of Resurrection: “Dying and Rising Gods” in the Ancient Near East [Stockholm, Sweden: Almquist & Wiksell International, 2001], pg 4, 7).

O próprio Mettinger acredita que mitos de deuses que morriam e ressurgiam existiram nos casos de Dumuzi, Baal e Melqart; mas reconhece que tais símbolos são bem diferentes da antiga crença cristã na ressurreição de Jesus:

“Os deuses que morriam e ressurgiam estavam muito ligados ao ciclo sazonal. Sua morte e retorno eram vistos como refletidas nas mudanças nas plantas. A morte e ressurreição de Jesus é um evento único, não se repete, e não está ligado às mudanças sazonais… Não existe, pelo o que eu sei, nenhuma evidência clara que a morte e ressurreição de Jesus são uma construção mitológica, baseada nos mitos e ritos dos deuses sazonais das nações vizinhas. Enquanto for estudada com proveito contra o pano de fundo da crença da ressurreição judaica, a fé na morte e ressurreição de Jesus mantém seu caráter único na história das religiões. O mistério continua (Ibidem, pg 221).”

Repare no comentário de Mettinger, que a crença na ressurreição de Jesus pode ser proveitosamente estudada contra o pano de fundo das crenças judaicas da ressurreição (não mitologia pagã). Aqui vemos aquela mudança nos estudos no Novo Testamento que eu apontei acima como a rejudaização de Jesus. A ilegitimidade das similaridades alegadas é apenas uma indicação que a mitologia pagã é o esquema interpretativo errado para compreender a crença dos discípulos na ressurreição de Jesus.

Segundo, a escola da História de Religiões sucumbiu como uma explicação para a origem das crenças cristãs sobre Jesus, porque não houve nenhuma conexão causal entre os mitos pagãos e a origem das crenças cristãs sobre Jesus. Veja, por exemplo, a ressurreição. Os judeus conheciam os deuses sazonais mencionados acima (Ez 37.1-14) e os acharam repugnantes. Por isso, não há traços de culto a deuses sazonais na Palestina do primeiro século. Para os judeus, a ressurreição à glória e imortalidade não aconteceria antes da ressurreição geral de todos os mortos no fim do mundo. É inacreditável pensar que os discípulos originais teriam súbita e sinceramente acreditado que Jesus de Nazaré ressuscitou dentre os mortos apenas porque ouviram sobre mitos pagãos de deuses que morriam e ressurgiam.

Mas, de certo modo, tudo isso é irrelevante à sua pergunta principal, Kevin. Pois, como você mostrou, as pessoas com que você conversa não têm acesso aos estudos. Quando você mostra a elas a ilegitimidade das similaridades alegadas, então é acusado de “ter trabalhado muito duro para salvar sua religião.” Essa é uma situação que você não pode vencer. Então, estou inclinado a dizer-lhe que você não deveria ocupar-se em “tentar refutar cada similaridade.” Antes, eu acho que uma atitude mais genérica e desinteressada de sua parte pode ser mais eficaz.

Quando eles disserem que as crenças cristãs sobre Jesus vieram da mitologia pagã, eu acho que você deveria rir. Então olhe para eles com os olhos arregalados e um grande sorriso e diga, “Vocês realmente acreditam nisso?” Aja como se tivesse acabado de conhecer alguém que acredite na terra plana ou na conspiração de Roswell. Você podia dizer algo do tipo, “Cara, essas velhas teorias estão mortas há mais de cem anos! Da onde você está tirando isso?” Diga-lhes que isso é apenas lixo sensacionalista e não estudos sérios. Caso insistam, então peça a eles que lhe mostrem as próprias passagens que narram a suposta similaridade. São eles que estão nadando contra o consenso dos estudos, então faça-os trabalhar duro para salvar a religião deles. Eu acho que você descobrirá que eles nem se quer leram as fontes originais.

Se eles chegarem a citar um trecho de uma fonte, eu acho que você ficará surpreso com o que verá. Por exemplo, no meu debate sobre a ressurreição com Robert Prince, ele dizia que as curas que Jesus fez vieram dos relatos mitológicos de curas, como as de Esculápio. Eu insisti que ele lesse a todos uma passagem das fontes originais mostrando a suposta similaridade. Quando ele leu, o que alegava não tinha nada a ver com as histórias dos Evangelhos sobre as curas de Jesus! Essa foi a melhor prova que a origem das histórias não estava relacionada.


Lembre-se: qualquer um que insiste nessa objeção tem de suportar o ônus da prova. Ele precisa mostrar que as narrativas são paralelas e, além disso, que são causalmente ligadas. Insista que eles suportem esse ônus, caso você leve as objeções deles a sério.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Antony Flew, o ateu convertido!








Muito antes de Daniel Dennett ou Richard Dawkins ou Cristopher Hitchens,  quem buscava um ateu com argumentos encontrava Anthony Flew. O filósofo inglês, hoje 84 anos, foi popular no circuito universitário dos anos 1970 – ’se Deus é invisível, intangível e incompreensível para mortais’, ele dizia, ‘então ninguém pode provar que ele existe.’

Mas foi-se o tempo.
Flew jamais foi um ateu dogmático. Filho de pastor anglicano, seu interesse maior foi sempre o desafio intelectual, os argumentos, o provar ou o desprovar. E jamais foi avesso a mudanças de idéias.

Flew abandonou o ateísmo, em 2004 admitiu reconhecer evidências em favor da existência de Deus. Flew afirma que certas considerações filosóficas e científicas o levaram a repensar seu trabalho de apoio ao ateísmo de toda uma vida, para se tornar favorável a um tipo de deísmo, similar ao defendido por Thomas Jefferson:

"Por um lado a razão, principalmente na forma de argumentos pró-design nos assegura que há um Deus, por outro, não há espaço seja para alguma revelação sobrenatural, seja para alguma transacção entre tal Deus e seres humanos individuais".FONTE: Biola University, [My Pilgrimage from Atheism to Theism An Exclusive Interview with Former British Atheist Professor Antony Flew, Gary R. Habermas, Biola, December 9, 2004. pp 6]

Em 2007, Flew lançou um livro intitulado "There's a God" (Existe um Deus) aonde, apesar da sua visão particular de Deus, chega mesmo a exaltar o Cristianismo:

"Na verdade, eu acho que o cristianismo é a religião que mais claramente merece ser honrada e respeitada, quer seja verdade ou não sua afirmação de que é uma revelação divina. Não há nada como a combinação da figura carismática de Jesus com o intelectual de primeira classe que foi São Paulo. Praticamente todo o argumento sobre o conteúdo da religião foi produzido por São Paulo, que tinha um raciocínio filosófico brilhante e era capaz de falar e escrever em todas as línguas relevantes"(Antony Flew, There is a God, p. 185, 186)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O DESIGN INTELIGENTE NA BIOLOGIA: A SITUAÇÃO ATUAL E AS PERSPECTIVAS FUTURAS


Por: Phillip E. Johnson
Think (The Royal Institute of Philosophy) – 19 de Fevereiro de 2007.
Tradução e Adaptação: Maximiliano Mendes

Os indivíduos que compõem o Movimento do Design Inteligente (MDI) se uniram como conseqüência da publicação do meu livro Darwin on Trial [Darwin no Banco dos Réus] (Regnery 1991, IVP 1993). O propósito que define o MDI é promover o argumento de que o neo-Darwinismo falhou em explicar a origem dos sistemas informacionais complexos e das estruturas dos seres vivos, das primeiras células aos novos planos corporais. Isto faz com que seja razoável inferir que a evidência biológica, apesar da filosofia que domina esta ciência, sugere a necessidade de se considerar que alguma causa inteligente pode ter tido um papel indispensável na origem e desenvolvimento da vida.

A alegação de que a ciência evolutiva descobriu e verificou um mecanismo que pode explicar a origem da informação e complexidade biológicas envolvendo apenas causas naturais (não-inteligentes) é apoiada por uma imensa extrapolação de uma evidência restrita a pequenas variações cíclicas em espécies fundamentalmente estáveis. O principal exemplo atual de um mecanismo neo-Darwiniano padrão envolve uma espécie de tentilhão em uma ilha do arquipélago das Galápagos. Dois cientistas de nome Grant publicaram um famoso estudo das variações dos bicos destes pássaros, posteriormente popularizado em um livro chamado O Bico do Tentilhão, escrito por Jonathan Weiner.

Os Grants mediram bicos de tentilhões ao longo de muitos anos. Em 1997, uma seca matou a maioria destas aves, e os sobreviventes tinham bicos levemente maiores que antes. A explicação provável era que os pássaros de bicos grandes tinham vantagem, pois eram capazes de comer as últimas sementes duras que restaram. Alguns anos depois as chuvas retornaram, e a média do tamanho dos bicos voltou ao normal. Não houve o aparecimento de nenhum órgão novo e não houve nenhuma mudança direcional de qualquer tipo, apenas um ciclo de vai-e-vem de bicos pequenos para bicos levemente maiores e de volta para bicos pequenos. Entretanto, este é na verdade o exemplo mais impressionante de seleção natural já observado produzindo mudanças que os Darwinistas foram capazes de corroborar, após aproximadamente um século e meio de buscas por evidências de que o mecanismo de variação aleatória com sobrevivência diferencial tem o poder transformador necessário para realizar tudo que os livros atribuem a ele.

A fim de fazer a estória parecer melhor, a National Academy of Sciences [Academia Nacional de Ciências, dos EUA] melhoraram alguns dos fatos em um livreto de 1998 chamado Teaching about Evolution and the Nature of Science [Ensinando sobre a Evolução e a Natureza da Ciência]. Esta versão da estória omite que os bicos voltaram ao normal e encorajava os professores a especular que uma “nova espécie de tentilhão” poderia surgir em 200 anos se a tendência inicial em direção ao aumento do tamanho dos bicos continuasse indefinidamente. Quando os nossos cientistas mais proeminentes têm de se utilizar do tipo de distorção que colocaria um investidor na cadeia, você sabe que eles estão tendo problemas para ajustar as evidências com a teoria que querem apoiar.

Há uma imensa lacuna entre as façanhas criativas que o mecanismo Darwiniano supostamente realizou para levar a vida de um ponto de partida unicelular, até os animais e plantas altamente complexos de hoje em dia, incluindo os humanos, e as modestas variações temporárias que na prática já foram observadas na natureza. Minha esperança era que a comunidade científica fosse concordar que é legítimo questionar se os mecanismos naturais (não-inteligentes) conhecidos podem produzir as imensas quantidades de informação genética que seriam necessárias para gerar novos tipos de organismos complexos, tendo em vista que o questionamento era baseado na evidência científica, e não em doutrinas ou escrituras religiosas.

O argumento a favor do design inteligente na biologia foi logo empregado em livros de dois autores altamente qualificados, o professor de bioquímica Michael Behe, autor de A Caixa Preta de Darwin, e o matemático e filósofo William Dembski, cujo livro The Design Inference[A inferência de Design] foi publicado após um processo de revisão por pares [peer-review] pela Editora da Universidade de Cambridge. (É possível encontrar livros de nível popular dele em livrarias online.) Muitos cientistas mostraram um interesse significativo por esses livros, como também pelo meu, e expressaram seu ceticismo sobre a alegação de que os mecanismos materialistas conhecidos poderiam explicar a origem da informação especificada complexa requerida para as intricadas atividades funcionais de uma célula viva, sem falar na informação necessária para coordenar as funções de trilhões de células envolvidas nos processos da vida de um animal multicelular.

Entretanto, para o meu desapontamento, as organizações científicas influentes formaram um sólido bloco de oposição à consideração sobre se a evidência aponta para o possível envolvimento de causas inteligentes na história da vida. Todavia, o assunto é tão fascinante, que as corporações científicas ortodoxas tiveram de tomar medidas árduas para impedir que ele surgisse na educação científica, e mesmo em jornais científicos. Como demonstrado no caso do filósofo Anthony Flew (ver adiante), o argumento tem poder persuasivo. Se os pensadores independentes na ciência se sentissem livres para escrever sobre a possibilidade das causas inteligentes na história da vida sem sofrer as conseqüências adversas, a literatura profissional e popular sobre este tema iria provavelmente ser substancial e vigorosa. Este é o motivo daqueles que não querem que o conceito do design inteligente prospere julgarem ser necessário decretar regras explícitas a fim de não permitir que os cientistas e outros discutam a possibilidade de que há uma inteligência real por trás da complexa informação genética.

Eu esperava que a maioria dos cientistas pudesse ser persuadida a levar em consideração as objeções ao Darwinismo que dependem somente de lógica e evidências empíricas, direcionadas somente à adequação do mecanismo Darwiniano, ao invés das que defendem a cronologia do livro de Gênesis. Porém, isso não aconteceu. Os Darwinistas, incluindo muitos em posições de autoridade na ciência, reagiram estigmatizando o conceito do design inteligente em biologia como “criacionismo”, como se ele fosse outra tentativa de tentar defender a cronologia literal do livro do Gênesis, ao invés de ser um movimento científico que depende somente em evidências científicas e análise lógica. Embora o MDI não identifique o designer como nada mais que uma fonte de informação biológica, havia poucas dúvidas de que aqueles que crêem no Deus Cristão, eu inclusive, iriam considerar a aceitação científica do DI altamente animadora.

Isto foi o bastante para incitar os Darwinistas e outros secularistas a dispensar todo o conceito como “religião”, então, “não é ciência”, desta forma descartando o conflito de acordo com a conveniência deles, com base em um estereótipo ao invés de uma análise das evidências e argumentos específicos. A direção da comissão da American Association for the Advancement of Science [Associação Americana para o Avanço da Ciência] (AAAS) passou uma decisão declarando que a teoria do design inteligente não é ciência. Esta ação sinalizou que a comissão estava preocupada que, se fosse permitido aos editores e revisores [de periódicos científicos], bem informados, exercer sua ponderação ao revisar manuscritos para publicação, poderiam eventualmente aparecer na literatura profissional, alguns artigos discutindo de forma séria a possibilidade de que as causas inteligentes estiveram necessariamente envolvidas na geração de inovações biológicas.

Foi demonstrado em Outubro de 2004 que tal preocupação era real, quando um artigo de revisão do teórico do DI, Dr. Stephen Meyer, passou na revisão por pares feita por cientistas empregados em instituições tipicamente seculares e foi publicado no Proceedings of the Biological Society of Washington. Os Darwinistas ficaram tão alarmados pela publicação do artigo de Meyer que montaram uma campanha furiosa contra ele. O conselho diretor da sociedade ficou tão estupefato que repudiou o artigo como inadequado para publicação em seus Proceedings, citando a política da AAAS, e reassegurando aos críticos que “o tópico do design não será abordado em edições futuras”. Seguindo esta desaprovação, os Darwinistas montaram uma outra campanha furiosa para desacreditar o editor que tinha aprovado o artigo de Meyer para publicação, acusando-o de ser um criacionista da terra jovem enrustido.

A bagunça quase histérica sobre o artigo de Meyer teve alguns aspectos positivos. Os Darwinistas tem persistentemente criticado os teóricos do MDI de levarem seus argumentos diretamente ao público, o que implicaria que esses teóricos estão tentando evitar o exame detalhado e profissional que acompanha a publicação em periódicos científicos. A verdade é o oposto. Os teóricos do DI têm avidamente perseguido quaisquer oportunidades que eles possam encontrar para publicar em periódicos científicos cujos artigos passam pela revisão por pares. A história da publicação do artigo de Meyer, e o seu resultado, demonstram que tais publicações seriam possíveis, caso não estivesse havendo uma aplicação de políticas doutrinárias que barram a publicação de artigos em apoio ao design inteligente, e a conseqüente intimidação pública e profissional de editores que poderiam permitir essas publicações. O argumento dos Darwinistas para que o público se oponha ao Design Inteligente resume-se a dizer que “Você tem de publicar nos periódicos profissionais antes de levar a teoria ao público, e nós temos uma regra que não permite que vocês publiquem na literatura profissional”. Então não há como os críticos do naturalismo evolucionista se estabelecerem. Se a publicação em periódicos fosse permitida, há razões para se crer que os cientistas se interessariam muito em trabalhar o tema. Mais de 60 cientistas ao redor do mundo pediram cópias do artigo de Meyer, mais um pacote de materiais de referência. Devido ao fato de que uma proibição de publicação estar em vigor, O DI não é discutido na literatura científica. Este silêncio imposto não nos diz nada sobre o que poderia estar acontecendo se os cientistas e editores fossem livres para agir de acordo com seus próprios julgamentos, sem medo de ser punidos por abordar tópicos proibidos.

Estou convencido de que, sob condições de liberdade intelectual, os cientistas e filósofos ficariam fascinados pela possibilidade de que causas inteligentes tenham sido fatores na origem e desenvolvimento da vida. E haveria uma discussão vigorosa acerca dos prós e contras sobre este assunto, tanto na literatura profissional quanto na popular. Os que insistem que a ciência é, por definição, dedicada à busca e ao endosso de explicações naturalísticas para todos os fenômenos, descartam qualquer questionamento da sua premissa básica como “religiosamente” motivada, e daí, irracional – e até mesmo inconstitucional nos EUA (onde a maioria da população é, apesar disso, inclinada a questionar a premissa).

Mas as questões religiosas podem ser razoáveis e importantes. Aqui vai um exemplo: Eu repetidamente apresentei a questão: “Deus é real ou imaginário?” O naturalismo evolucionista classifica Deus entre os produtos subjetivos do cérebro humano, e assim, entre os produtos da própria evolução. Contudo, se Deus é verdadeiramente real e é o nosso criador, então impor uma definição de conhecimento baseada na suposição de que SOMENTE a natureza é real, e que Deus só existe no imaginário humano seria um grande erro. Certamente é racional, para as pessoas que acreditam que Deus é ou pode ser o criador, desafiar os que insistem que venhamos a aceitar que uma natureza não-inteligente fez todo o trabalho de criação. É racional argumentar que, ao invés disso, deveríamos analisar a evidência de forma imparcial, com o objetivo de chegar à verdade, mesmo que seja necessário haver um criador, para criar todas as maravilhas do mundo dos seres vivos. Se o mecanismo Darwiniano ou algum outro tipo de combinação de lei e acaso não é capaz de criar a informação necessária, então deveríamos reconhecer sua incapacidade e passarmos a considerar outras opções. O que nós não deveríamos fazer é apegar-nos a uma resposta inadequada porque temos medo de reconhecer que a incapacidade dela tenderá a nos levar em direção a Deus.

O objetivo do MDI é alcançar uma filosofia aberta da ciência que permite a consideração de quaisquer explicações em direção às quais a evidência pode estar apontando. Isto é diferente da filosofia restritiva atual que desconsidera a possibilidade de um criador poder ser o responsável pela nossa existência, mesmo se a evidência aponta nessa direção. O MDI, caso tenha sucesso ou não, contribuiu para um melhor entendimento da realidade. Ele tenta trazer à tona a questão fundamental da criação, ao visivelmente tornar o naturalismo evolucionista em um assunto de investigação crítica baseada nas evidências, ao invés de permitir que ele domine a priori como a posição filosófica inquestionável a qual a ciência deve aderir por definição. Por enquanto, os mandarins que falam pela ciência têm o apoio das cortes e da mídia em sua campanha de excluir quaisquer desafios contra a sua premissa básica da educação pública e exame científico.

Embora o dogma naturalista tenha dominado a educação pública por meio século, seus mandarins falharam em convencer o público americano a adotá-lo, e eu vejo muitos sinais de que o descontentamento com o naturalismo evolucionista está se espalhando através do mundo. Um desses sinais são os muitos idiomas para os quais alguns de meus livros já foram traduzidos, incluído o Francês, Espanhol, Português, Coreano, Chinês, Tcheco, Finlandês e Macedônio. Eu regularmente recebo perguntas até mesmo de pessoas das nações mais secularizadas do mundo, demonstrando ceticismo em relação ao naturalismo evolucionista. Nitidamente, os relatos sobre a morte de Deus foram muito exagerados. Com o crescimento mundial da religião teísta, especialmente em regiões onde a taxa de nascimentos está crescendo ao invés de diminuir, é somente uma questão de tempo até que o argumento a favor de um designer inteligente adentre as discussões científicas e acadêmicas.

Outro sinal precoce da forma como o mundo está se direcionando veio em Dezembro de 2004, quando houve muitos comentários nos jornais e grupos de discussão da internet sobre o famoso filósofo ateísta Anthony Flew. Flew tinha acabado de anunciar que havia se convertido ao teísmo filosófico (embora não ao Cristianismo ou qualquer outra religião específica, pelo menos até agora), com base nas descobertas científicas e o raciocínio associado, que o convenceram de que há um designer inteligente do universo natural. Flew parece ter investigado o fenômeno do design no mundo natural por razões semelhantes às minhas. Ele queria decidir por si só, se as evidências e a lógica apontam na direção de uma inteligência criadora, ou se Deus é nada mais que uma idéia subjetiva, criada pela imaginação humana. Talvez estas questões sobre a realidade de Deus sejam de natureza religiosa, mas elas são importantes e merecem ser investigadas sem preconceitos ao invés de se proibir seu exame porque grupos poderosos definem ciência como comprometimento a priori com o naturalismo.

Embora Flew por enquanto não tenha aderido ao Cristianismo ou a qualquer outra religião, ele deu um salto gigante nessa direção. Em um artigo no London Independent de 27/12/2004, um teólogo de Oxford escreveu: “A que tipo de Deus [i.e., o designer de Flew] ele poderia estar se referindo? Seria um que criou as partículas elementares do universo, as forças fraca e forte, os átomos e as moléculas, e que, contudo, não esteja relacionado com o surgimento de uma humanidade inteligente? Ou poderia ser um Deus que foi inteligente o bastante para criar as galáxias, e sistemas incrivelmente intricados como o DNA, e, contudo, não inteligente o bastante para se comunicar com a humanidade? Embora Flew não acredite na Revelação, e possa não sentir que o livro de Gênesis propicie um relato útil da criação, ele também não parece ter exatamente este tipo de Deus minimalista em mente. Na verdade, quando pressionado sobre se a sua ‘Causa Primeira’ é onisciente, ele admite que uma Causa Primeira, se há uma, claramente produziu tudo o que está acontecendo, e isto implica que ‘no princípio’ houve uma criação.”

Eu concordo com este ponto, e a minha visão pessoal é que eu identifico o designer da vida como o Deus da Bíblia, embora a teoria do design inteligente, da forma que é, não exija isso. Os materialistas científicos resistem de forma impetuosa à análise sobre a existência de um designer do que vemos na natureza, em parte porque eles temem que mesmo a versão mais minimalista de uma divindade tenderá a ser entendida como o Deus da Bíblia, que se comunica com os humanos e se preocupa com o nosso comportamento. Talvez este medo seja justificado, mas e daí? Nós devemos considerar a possibilidade de que o Cosmos é governado por um Deus que se importa conosco, ao invés de proibi-la como uma idéia da qual deveríamos fugir.

O fato das autoridades Darwinistas acharem que o exame público de sua teoria é tão ameaçador me diz que há uma insegurança oculta em sua posição intelectual que irá eventualmente se tornar tão visível ao ponto de não mais poder ser escondida. Hoje em dia eu raramente vejo tentativas de se provar que o mecanismo Darwinista realmente tem o poder de criar as grandes inovações biológicas. Ao invés disso, os museus e revistas preferem apenas contar a estória da descendência comum, assumindo que a variação aleatória mais a seleção natural (reprodução diferencial) devem ter sido capazes de preparar qualquer design que tivesse de ser feito. Ao mesmo tempo, a maioria dos cientistas, embora guiados pelas suposições Darwinistas, continua fornecendo cada vez mais evidências do enorme conteúdo informacional das estruturas vivas. Até mesmo a suposição chave de que as similaridades genéticas são necessariamente herdadas de ancestrais comuns é negada quase diariamente pela invocação de algo chamado “transferência gênica lateral”, que explica as similaridades genéticas entre organismos que se acredita não compartilharem um ancestral comum. Atualmente, as regras autoritárias banem a hipótese do design inteligente das discussões científicas e a suprimem impetuosamente via processos judiciais. Uma cultura científica genuinamente confiável, que estivesse progredindo continuamente, confirmando suas teorias e resolvendo problemas não precisaria depender da intimidação para silenciar os dissidentes. Podem ainda ser precisos muitos anos de luta antes da hipótese do design real na biologia ser capaz de receber uma audiência justa, mas o dia desta audiência vai chegar, e eventualmente as pessoas irão se indagar sobre como uma teoria materialista tão instável como o Darwinismo foi capaz de cativar tantas mentes por tanto tempo.

Em meio a toda esta controvérsia, que futuro há para o conceito do design inteligente na ciência? O desafio do MDI ao naturalismo evolucionista está pelo menos sendo notado em todos os lugares, e parece que esse desafio deixou os líderes da elite Darwinista tão preocupados que eles julgam ser necessário tomar medidas visivelmente cruéis para manter o seu controle sobre o público e a discussão profissional. Dados de pesquisas de opinião reunidos ao longo de várias décadas e publicados em ligação com as eleições de 2004 convenceram quase todo mundo de que a maioria dos americanos é cética sobre o naturalismo evolucionista. Isto permanece verdade, apesar de meio século de esforços obstinados por parte dos educadores das áreas das ciências a fim de persuadi-los a aceitar a versão atual da teoria de Darwin e sua suposição de que o processo criativo que produziu os seres humanos e todas as outras formas de vida envolveu apenas causas não-inteligentes, como o acaso e leis da física, sem nenhum direcionamento ou inteligência. Para muitos americanos, essa teoria parece muito com uma religião. Cada vez mais o Darwinismo é protegido pela intimidação e restrições legais muito semelhantes àquelas que seriam empregadas para proteger as doutrinas fundamentais de uma igreja estabelecida. É claro que os Darwinistas acreditam sinceramente que a teoria deles está correta. É nisso que os defensores de uma crença estabelecida sempre crêem.

Porém, o mundo está se movendo em algumas direções surpreendentes, e talvez o mais importante sobre o Darwinismo e a sua filosofia associada do naturalismo evolucionista não seja a posição de dominância cultural que ele ocupa, mas sim o número muito grande de pessoas, incluindo algumas muito bem instruídas, que ainda vêem que a explicação Darwiniana da vida omite algo de importância fundamental, mais especificamente, a inteligência que torna possível a vida da forma como a conhecemos. No fim das contas, a única questão importante não é sobre quão numerosas ou poderosas são as pessoas que sustentam certa posição agora, mas sim sobre quem está certo sobre o que é verdade e o que não é. Se os naturalistas evolucionistas estão certos sobre as causas não-inteligentes terem produzido toda a diversidade de formas de vida complexas que conhecemos, sem a assistência de uma inteligência, então certamente nossos cientistas, muito obstinados e inteligentes, encontrarão uma demonstração mais convincente do processo e do mecanismo, do que variações cíclicas nos bicos de uma espécie de tentilhão. Por outro lado, se mais investigações tenderem a confirmar que a vida requer quantidades extraordinárias de informação genética complexa e especificada, então, eventualmente, o problema não resolvido acerca de onde toda a informação veio irá tomar o seu lugar na vanguarda das discussões científicas e filosóficas.

Eu ainda estou convencido de que o possível papel das causas inteligentes na história da vida irá eventualmente se tornar um assunto que os cientistas mais proeminentes desejarão abordar de forma justa. Por enquanto as organizações científicas influentes estão comprometidas de forma apaixonada com as explicações que só levam em consideração as causas materiais, então eles rejeitam de imediato qualquer sugestão de que causas inteligentes também podem ter tido algum papel. Parece que o compromisso principal deles é o apoio ao materialismo, ao invés de seguir as evidências em direção a qualquer conclusão que elas levarem.
Phillip Johnson é autor dos livros:
Como Derrotar o Evolucionismo com Mentes Abertas, Editora Cultura Cristã (2000).
As Perguntas Certas, Editora Cultura Cristã (2004).
Ciência, Intolerância e Fé, Editora Ultimato (2004).
Fonte: https://crentinho.wordpress.com/2007/03/08/o-design-inteligente-na-biologia-a-situacao-atual-e-as-perspectivas-futuras/

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A HUMANIDADE, PINÁCULO DE DEUS

Jerry Herqman Ph.D.

“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança ... Criou Deus, pois o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Gênesis 1:26-27

A humanidade tem andado fascinada com a forma e a função do corpo humano desde o começo. Ele é inigualável na sua beleza e absoluta simplicidade de linhas. Como máquina, o corpo humano é o pináculo da obra de Deus, criado no sexto e último dia da criação, depois do que Deus declarou: "...e eis que era muito bom."

Quimicamente, o corpo é inigualável na sua complexidade; cada uma de suas trinta bilhões de células é uma mini fábrica que realiza cerca de 10.000 funções químicas. E cada célula tem 1012 (um trilhão) bits de dados - tantos quantos as letras de dez milhões de livros! Cada uma também é substituída a cada sete anos. Cada uma é independente das outras, embora coopere com muitos milhões de outras células.

Existem hoje mais de quatro bilhões de pessoas no mundo, cujo corpo é exorbitantemente precioso (e cerca de 50 bilhões de seres humanos já nasceram desde Adão). Se os seus elementos químicos fossem vendidos, o corpo de um ser humano, de tamanho médio, custaria pelo menos seis milhões de dólares.

Os bilhões de partículas do corpo humano trabalham como uma equipe: seus 206 ossos fornecem a estrutura e seus 639 músculos capacitam-no a movimentar-se com incrível senso de oportunidade. Sua capacidade de equilíbrio é tão grande que podemos realizar atos de acrobacia e despender tanta energia que os feitos de levantamento de peso abundam por aí. Mesmo demonstrações de força incrível, por pessoas comuns, em momentos de dificuldades, não são raros nos registros médicos. Maxwell Rogers levantou, certa vez, a traseira de um carro de 1.633 kg. O macaco que o levantava quebrou e o carro caíra sobre o seu filho.

A força de um corpo humano bem desenvolvido é fenomenal. Paul Anderson de Toccoa, na Geórgia, levantou 2.844 kg de peso morto sobre os seus ombros. Durante anos foi chamado de o homem mais forte da face da terra. Ele foi também o primeiro homem da história que conseguiu levantar um halteres de 181 kg. O recorde desse feito, atualmente, é de propriedade de Leonid Zhabotisky da URSS, que levantou facilmente mais de 219 kg. O homem foi feito à imagem de Deus, e um dos seus títulos é "a Força" (1 Samuel 15:29, ERCB).

Nosso corpo é controlado e coordenado por mais de 16 bilhões de neurônios e 120 trilhões de "caixas de conexão", reunidas em um complexo insondável de ligações. E um sistema parecido com um país moderno interligado por bilhões de fios telefônicos. Tudo isto em um cérebro e uma coluna vertebral que pesa um pouco mais de 1,4 kg! Em comparação, uma abelha tem apenas cerca de 900 células nervosas, e uma formiga tem apenas 250. Nas fibras maiores, os impulsos nervosos passam com rapidez de mais de 483 km/h. Em resumo, o cérebro humano e o seu sistema nervoso é o conjunto mais complexo de matéria que existe no universo.

Todo o sistema físico humano funciona como um conjunto unificado, a fim de capacitar o homem a correr, cantar, lembrar-se, criar e realizar uma miríade de outras tarefas fenomenais que nós geralmente aceitamos, sem preocupar-nos com a sua origem.

Somos incrivelmente complicados sob todos os aspectos. Os adjetivos de um dicionário que se referem ao comportamento humano chegam ao assustador número de 17.958. Todas essas palavras descrevem maneiras pelas quais os indivíduos podem potencialmente categorizar-se: corajoso, bondoso, liberal, poderoso ad infinitum. Quando as possíveis tendências, talentos, capacidades, gostos, interesses, atitudes e valores de conduta (tais como gostar de coleção de selos, de viajar, de música ou até mesmo os pensamentos e sentimentos mais íntimos de uma pessoa) são acrescentados à lista, chegamos a um número quase infinito. Um cientista calculou que o nosso cérebro processa, em média, mais de 10.000 pensamentos e conceitos por dia; e algumas pessoas processam um número ainda maior.

Os feitos atléticos despertam a admiração e o espanto de milhares de pessoas, mas a voz humana comove os nossos corações e mentes ainda mais. Todas as culturas têm a sua música, e o cantar louvores para a glória de Deus, faz parte notável de quase todos os cultos. Algumas das músicas mais lindas da história humana foram compostas a fim de glorificar o nosso Criador. Paulo disse:"...enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor" (Efésios 5:18,19). E as mais belas vozes da história cantaram ao Senhor na larga escala de notas que a voz humana pode produzir. A nota mais elevada da escala, cantada por uma voz normal, é o Dó sustenido 4, e a mais baixa é o Mi bemol maior.

A voz humana normal pode ser ouvida a uma distância de mais ou menos 183 m, embora com um pouco de prática, força, qualidade e volume, ela possa ser transmitida a uma distância de mais ou menos 9.656m.

As palavras são formadas pelas cordas vocais, produzindo uma larga escala de sons, os quais, por sua vez, são modificados pela língua, dentes, lábios e movimentos das bochechas. A língua inglesa contém mais de um milhão de palavras, embora a pessoa comum conheça apenas cerca de 50.000. O sistema vocal, embora seja capaz de produzir centenas de milhares de palavras diferentes, enuncia apenas um total diário de 4.800 palavras. O corpo também transmite informações tal como as palavras. Com os lábios, os olhos e os movimentos dos músculos faciais, já foram catalogadas mais de 4.000 diferentes mensagens, que podem ser silenciosamente transmitidas pela nossa expressão. O medo, a ira, a felicidade e a preocupação, são apenas algumas dessas mensagens que nós transmitimos uns aos outros, muitas vezes, por dia.

Os ouvidos humanos, com as suas 24.000 células ciliadas, que convertem as vibrações em impulsos elétricos, são capazes de ouvir sons de energia acústica assombrosamente baixos. Sob condições favoráveis, uma pessoa normal, pode perceber as ondas sonoras com o poder, em watt, de somente:

10-16 W (1/1 0.000.000.000.000.000).

É uma energia tão pequena que se os nossos ouvidos fossem um pouquinho mais sensíveis, poderíamos realmente ouvir o ruído da colisão das moléculas no ar.

E, no que se refere aos olhos, descobrimos que a quantidade de radiação (energia luminosa) necessária para estimular o nervo ótico humano é tão pequena, que, se a energia mecânica necessária para levantar uma simples ervilha a 2,5 cm do solo fosse convertida em energia leve, haveria estímulo suficiente para ativar o nervo ótico!

Para operar esta máquina maravilhosa, precisamos de material que produza energia e estrutura. O quilo e meio de alimento que ingerimos diariamente, é mastigado por 32 dentes (uma de nossas propriedades mais preciosas), misturado com saliva, um suave digestor, secretado por cinco glândulas localizadas na região da boca. Ao descer pelo esôfago, a digestão continua no estômago, um espantoso órgão que tem de dissolver o alimento, mas ele próprio não é dissolvido. O ácido que contém poderia acabar com o verniz da mesa da cozinha em segundos. Quando este delicado equilíbrio se perde, aparecem úlceras (que é o processo do estômago digerir-se a si mesmo). Depois o alimento passa para o intestino delgado, um tubo de 7 m de comprimento, que absorve vitaminas, sais minerais e as substâncias alimentícias, levando-as para a corrente sangüínea, e depois pelo intestino grosso, de 3 m de comprimento que absorve a água e outros líquidos. Esse é o canal alimentar de cerca de 10 m de comprimento.

Para as refeições principais e os lanches entre as mesmas, uma pessoa comum ingere cerca de 2.000 vezes no período de 24 horas. Nosso coração bate mais de 100.000 vezes por dia para levar o sangue por 270.369.120 km de veias e artérias através do nosso corpo. Precisamos de cerca de 23.800 inspirações por dia para levar 12,41 m3 de ar aos nossos pulmões. Os canais respiratórios que vão até os nossos pulmões estão cheios de glândulas que segregam os germes e a poeira para que não sejam varridos pelo cílio. São milhares de pêlos microscópicos que oscilam de um lado para o outro 12 vezes por segundo. Eles se movimentam mais rapidamente quando varrem para o lado da garganta, do que quando se movimentam para o lado do estômago, levando milhares de bactérias pelo sistema acima, na direção da garganta, onde são inofensivas ao trato digestivo.

O ar passa pela traquéia e vai aos pulmões, que têm a tarefa de fazer a troca de gases (isto é, levar o oxigênio, que dá vida ao corpo, e remover o venenoso dióxido de carbono e outros produtos residuais do metabolismo). Esse processo se faz através de 750 milhões de microscópicos sacos aéreos chamados alvéolos Se fossem esticados horizontalmente cobririam uma área de 55,74 m2, a. uma superfície 25 vezes maior do que a nossa pele.

O corpo tem um sistema notável e complexo, que mantém a sua temperatura em cerca de 370C. Sabe-se, entretanto, que os seres humanos sobrevivem a temperaturas absurdamente baixas por longos períodos. Dorothy May Stephens passou por uma queda interna de temperatura que baixou para 180C, mais de 190C abaixo do normal. Ela foi encontrada inconsciente numa manhã do inverno de 1951. A Sra. Stephens sobreviveu apenas por causa da flexibilidade do corpo humano e dos heróicos esforços do hospital. Conta-se que Vicky David, uma criança de dois anos de idade, foi encontrada inconsciente, em 1955, com uma temperatura interna de 15,5ºC e sobreviveu.

Esses extremos ilustram a capacidade de sobrevivência do corpo humano, que tem um sistema incrivelmente eficiente, que quase sempre mantém a temperatura interna dentro dos parâmetros extremamente rigorosos e normalmente passa por variações muito pequenas. Controlado pelo hipotálamo, que é uma parte do cérebro, o corpo humano é refrescado pela secreção de líquidos produzidos por aproximadamente dois milhões de glândulas sudoríparas. Suar é um meio notavelmente eficaz e essencial para equilibrar a temperatura do corpo. De maneira natural, a evaporação do suor provoca o resfriamento, um processo que é constante. O corpo trabalha com a queima literal de alimento, e isso requer oxigênio (como todo fogo). Por isso nós respiramos. Como acontece com todo fogo, produz calor. A respiração na forma de vapor, chamada de perspiração insensível provoca o resfriamento do corpo e controla os pequenos ajustamentos da temperatura. O resultado é que mais ou menos 630 ml de líquido são secretados diariamente. Quando sentimos frio, o problema é principalmente que estamos perdendo calor demais. Geralmente reduzimos a perda de calor, vestindo alguma coisa quente para manter o calor do corpo dentro dele. O corpo gera calor suficiente para que, de um modo geral, nos mantenhamos aquecidos, mesmo quando o ar ao nosso redor está a 45,50C negativos. Apenas quando a perda é mais rápida do que o ganho é que sentimos frio.

A fim de dar informações acerca da temperatura e outras condições físicas ao cérebro, só a pele tem cerca de quatro milhões de estruturas que são sensíveis à dor. Além disso, tem cerca de meio milhão de nervos sensíveis ao toque e 200 mil à temperatura. Esses "postos de comunicação" mantêm o cérebro informado de todas as condições que reinam por todo o corpo. E uma complicada rede central de "espionagem" sem paralelos no mundo organizado pelos homens.


Há pessoas que dizem que tudo isto "simplesmente aconteceu" por causa de erros na reprodução (mutações) e que os poucos erros benéficos foram acumulados através da "seleção natural" e ao acaso. Mas, quanto mais aprendemos acerca do corpo humano, mas percebemos que há muito mais ainda para ser descoberto. Pode-se passar a vida inteira estudando um só órgão ou um só sistema orgânico (e é o que muitas pessoas fazem). Assim, temos cardiologistas, hematologistas, urologistas, proctologistas, ginecologistas, neurologistas, psiquiatras, ad infinitum. Somos realmente, como declara o Salmo, criados "por modo assombrosamente maravilhoso", e a criação de Deus é digna de louvor. Como diz o Salmo 139:14, "as Tuas obras são admiráveis!".

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Existe um Deus que se importa?

Tim Stafford

Dúvida: A fé despedaçada, como os ossos quebrados, pode voltar fortalecida.

Minhas dúvidas sobre Deus aparecem, na maioria das vezes, em meio às multidões. Fico calado e observo as levas de gente passando por mim. Cada pessoa tem o próprio rumo e os próprios pensamentos. Cada uma delas, eu penso, não está nem aí com a minha crença de que há um Deus que se importa. Sinto-me sozinho e insignificante, estarrecido diante da democracia da incredulidade. Quem sou eu para dizer que meu raciocínio faz mais sentido que o deles? Eles parecem tão sólidos e seguros em seus negócios; como eu poderia convencê-los de um Deus que os ama? Eles não estão sequer interessados. Pergunto-me se o louco não sou eu.

Você se sente desconfortável por saber que eu, que deveria ser um cristão resoluto e confiável, tenho dúvidas? Que tem havido noites quando literalmente grito com Deus, implorando por algum sinal de que ele seja real? Houve tempo em que eu me sentia ameaçado se um cristão me falasse de seus questionamentos mais profundos. Se outros tão bons quanto eu estavam pensando em abandonar o navio, não estaria eu apenas me enganando por continuar crendo?
Eu, além disso, achava que as dúvidas eram o pior perigo para um cristão. Não penso assim agora. As dúvidas são coisa séria. As vezes conduzem à rejeição de Deus. Mas com maior freqüência, creio que, se confrontadas honestamente, podem conduzir a uma fé ainda mais forte.

Há coisas que me preocupam mais.
Preocupa-me quando alguém está conscientemente desobedecendo a Deus e racionalizando sua desobediência. Nada destruirá a fé mais rápido.

Preocupa-me quando alguém sustenta uma fachada de fé vibrante, enquanto as dúvidas e a solidão espreitam por trás.

Preocupa-me quando um cristão não consegue se relacionar com outros cristãos, em vez disso exibe uma lista interminável de como foi enganado, maltratado ou sofreu abuso.

Preocupa-me quando alguém está encontrando uma fé "nova e mais madura" que dispensa coisas como conhecer a Bíblia, a oração e a adoração com outros cristãos. Um indivíduo pode abandonar essas coisas por algum tempo, mas não gosto de ouvi-lo dizer que encontrou uma condição nova e melhor sem elas.

Mas e as dúvidas? Elas têm seu lugar, na Bíblia pelo menos. Das perguntas inflamadas de Jó ao "mostre-me" confuso e obstinado de Tomé, as dúvidas são tratadas com franqueza. Os que duvidam são corajosos o suficiente para fazer as perguntas; gente piedosa que sabe todas as respostas e faz rapidamente calar os questionadores parecem suscitar mais a ira de Deus.

Quando você está duvidando da existência de Deus, pode ajudar a definir o que está sendo colocado em dúvida. Analise seu problema antes de procurar pela solução. Mas busque as respostas. Os muros da fé cristã não são tão finos que você fará um buraco neles se empurrar com muita força. Se perguntar honestamente, encontrará respostas — embora nem sempre as respostas que gostaria. "Busque e você encontrará", Jesus prometeu. "Bata e a porta se abrirá". Essa foi uma promessa aos discípulos. Eles haviam escolhido segui-lo. Tendo feito isso, ouviram do próprio Jesus, que criou a terra, a promessa de que não permaneceriam confusos para sempre, desde que estivessem dispostos a buscar e a pedir.

Dúvidas solitárias são, creio, as mais comuns. Conversei recentemente com uma amiga que havia passado por um período difícil, duvidando se Deus existe ou se ele se importa. Mas recentemente o pensamento dela mudou.

"Percebi", ela disse, "que estava realmente sozinha. Eu conhecia muitas pessoas, mas nenhuma delas me conhecia de fato". Por isso eu estava com raiva de Deus, gritando com ele dizendo que não tinha amigos. Essa era a verdadeira fonte de minhas dúvidas.

É difícil crer no amor de Deus quando não há pessoas a sua volta que o amam. É necessária uma força incomum para atravessar por um período assim sem dúvidas graves. Somos feitos para experimentar o amor de Deus através de pessoas, bem como através do próprio Deus.

Mas se você está sozinho, certifique-se de que seja esse o foco de suas dúvidas. Não saia por uma tangente filosófica sobre os que sofrem na Índia. Fale com Deus sobre a realidade da amizade humana, e peça que ele comece a lhe mostrar como fazer um bom amigo. Peça também que ele mostre um propósito para sua solidão, alguma maneira pela qual você possa crescer através dela. Não vai acontecer da noite para o dia, mas com um sentimento de direção suas dúvidas sobre Deus se dissiparão. Ele se tornará seu aliado na cura da solidão, em vez de seu adversário.

Dúvidas de crise são freqüentemente mais intensas. Alguém que você ama morre. Talvez seu melhor amigo o rejeite. As provas finais na escola o estão derrubando. Na maioria das vezes, durante uma crise, você fica muito cansado sem nem mesmo perceber. O desgaste mental provoca a necessidade de muito mais descanso, e você não está praticando nenhum exercício físico com freqüência. A pressão não passa, e você fica constantemente nervoso.

Em God and man at Yale (Deus e o homem em Yale), William F. Buckley disse que sempre que tinha dúvidas sobre Deus ele deitava até que elas passassem. Não se trata de uma receita ruim. As dúvidas muitas vezes, e particularmente as dúvidas de crise, são uma resposta a sentimentos poderosos de tristeza, reforçados pela fadiga. Elas passarão. É claro que crises podem e devem começar a suscitar perguntas que têm implicações duradouras. Mas não se iluda pensando que vai conseguir resolver o problema do sentido do universo numa noite sem sono. Você não tem capacidade para fazer isso. Reconheça que está em crise, faça as perguntas, mas guarde-as para mais tarde. Durma se puder. Procure um amigo que o console. Na maioria das vezes, o que você precisa é de uma oportunidade de expressar suas dúvidas, e elas se dissiparão. Se não for o caso, não tome decisões importantes. Espere para resolver suas questões depois, quando estiver descansado.

Creio que as dúvidas intelectuais sejam, de fato, as menos comuns. O motivo é que poucos de nós somos intelectuais. Mas muitos de nós gostaríamos de ser, e é difícil admitir que não podemos ter todas as respostas. Assim, elaboramos muitas de nossas dúvidas sob a forma de perguntas intelectuais, em parte para manter distância da própria solidão e da nossa inadequação.

Há, no entanto, perguntas verdadeiramente boas a serem formuladas sobre a realidade de Jesus Cristo. Se Deus é bom, por que estaria disposto a enviar algumas pessoas para o inferno? Como podemos dizer que o cristianismo é melhor que o hinduísmo? Por que as pessoas sofrem? Se a dedicação de nossas vidas a Deus verdadeiramente nos faz novas criaturas, como os cristãos muitas vezes parecem não ser melhores do que os demais? Como colocar nossa confiança em um livro tão desprovido de valor científico como a Bíblia? Há muitas outras.

Não vou tentar responder a essas perguntas aqui, embora creia ter boas respostas. Podemos não encontrar respostas finais e definitivas a nossas perguntas. Mas encontraremos respostas que têm satisfeito homens e mulheres muito mais inteligentes e cultos do que nós (um bom começo seriam os textos de C. S. Lewis, particularmente Cristianismo puro e simples e O problema do sofrimento).

O que mais me entristece é que freqüentemente os que se fazem esse tipo de perguntas intelectuais na maioria das vezes dirigem sua resposta — e toda sua vida — com base em algumas poucas e vagas noções soltas na cabeça, algo que um professor na faculdade disse com convicção, ou na informação superficial que encontram em um ou dois livros-texto. Há informação de melhor qualidade em qualquer biblioteca ou livraria e, espera-se, no gabinete de qualquer pastor.

Se você está tendo dúvidas intelectuais, tente elucidá-las até o fim. Pergunte a pessoas que provavelmente tenham respostas, e a muitas delas — não se satisfaça com uma ou duas. Peça por material de leitura. Pode levar algum tempo, mas uma vez que você está tentando decidir se a vida como cristão tem algum significado, deve tratar-se de questão que mereça um estudo sério. Se não for o caso, se você já estiver satisfeito com a informação de segunda mão alojada na mente, então duvido que você esteja sendo verdadeiramente honesto em seus questionamentos. Se abandonar sua fé, terá enganado a si mesmo. Se a mantiver, também terá se enganado: essas mesmas perguntas podem voltar, ou sua fé pode se tornar superficial, temerosa de confrontar dúvidas difíceis e de escutar com honestidade as perguntas que os não-cristãos estão fazendo.

Se você perguntar com honestidade e estiver disposto a pedir a Deus por ajuda, penso que encontrará respostas que o satisfaçam. E o que acontece comigo o tempo todo.

Minha dúvida é mais emocional que intelectual; sei disso porque ela vem quando estou cansado. Ela, no entanto, é real. Eu me canso de ser diferente. Às vezes eu gostaria de pensar como todo o mundo pensa. Em vez de me preocupar com outras pessoas, em vez de ler a Bíblia, orar e ir à igreja, gostaria de pensar e fazer aquilo de que tenho vontade. Ser um cristão parece ser um ritual cansativo ao qual estou atado.

Então, o que acontece quando tenho essas dúvidas? Uma coisa que precisa acontecer, com certeza, é: tenho de dormir. Mas há mais. Minhas perguntas não são ruins. Qual a razão de ser de todos esses rituais que realizamos? Por que os cristãos agem e pensam de maneira tão estranha? Sou forçado a ir até os fundamentos de minha fé. E chego à seguinte conclusão: se não fosse por Jesus, acho que não seria cristão.

Agora, essa não é uma frase absurda? Se não fosse por Jesus, não haveria cristãos. Não haveria cristianismo. Mas, por mais óbvia que seja a colocação, ela tem de ser feita. Jesus é quem me ajuda a sobreviver quando estou deprimido.

Às vezes penso que nossa versão de cristianismo poderia seguir adiante sem Jesus. Se alguém de algum modo provasse que ele nunca viveu ou nunca ressuscitou, poderíamos continuar do mesmo jeito. Gostamos de cantar juntos. Fazemos bons amigos na igreja e nos grupos nos lares. Temos a mesma visão de mundo, e isso gera segurança. Falamos de Jesus, mas essa parece ser uma linguagem codificada para os bons sentimentos. Não se encaixa em nenhuma pessoa real — uma pessoa tão definida quanto, digamos, meu pai. Poderíamos substituir qualquer outro nome por "Jesus" e, uma vez que nos acostumássemos a ele, tudo ficaria bem. Que tal "Buda"?
Suponha que alguém viva o cristianismo assim desse jeito — estritamente como um estilo de vida, sem de fato pensar nele como um relacionamento com Jesus, uma pessoa real, viva. Suspeito que a pessoa poderia manter esse padrão por toda a vida, gostando de ser cristão do mesmo modo que alguns gostam de ser do partido "A" ou "B". Com o passar dos anos ela conheceria melhor o sistema — aprenderia a discutir pontos cruciais, onde encontrar textos na Bíblia e a ter teorias sobre como a igreja deveria ser liderada. Mas provavelmente não seria mais bondosa, nem mais compassiva ou estaria mais próxima da fonte da vida. Poderia passar a vida confundindo os bons sentimentos suscitados pela oração num grupo de amigos com a realidade de Deus. Talvez nunca viesse a saber que perdeu alguma coisa.

Penso que a maioria das pessoas começa com o cristianismo e só gradualmente passa a conhecer Cristo. Somos primeiro atraídos por um grupo de pessoas, um modo de vida, um líder ou um amigo em que confiamos.

Essa é a minha experiência. Cresci numa família cristã estável. Conheci muitos líderes cristãos maravilhosos. Visitei grandes igrejas, grupos de comunhão empolgados onde coisas realmente estavam acontecendo. Mas embora tudo isso seja bom, não é o suficiente. Você tem de ir além. Embora parte do cristianismo com o qual tenho tido contato seja muito boa, passei por longos períodos de deserto quando minha fé não fazia muito sentido para mim, ou quando estive sem muito apoio de outros cristãos.

Mas de quem não posso me livrar, mesmo quando estou infeliz, é do homem conhecido como Jesus. Ele é impressionante. Quanto mais aprendo sobre ele, mais maravilhado fico. Ele é a resposta final a todas minhas dúvidas.

Você tem de ler sobre ele. Na verdade, não há outra maneira completamente confiável de saber sobre ele. Quatro panfletos dão registros razoavelmente detalhados de sua vida sobre a terra, quando seu caráter revestiu-se de um foco visível. Não é por acaso que o Novo Testamento começa com eles: Mateus, Marcos, Lucas e João. Eles são básicos.

O que encontro nestes quatro registros sobre Jesus? Encontro camada após camada de significado: simplicidade — posso entender o texto na primeira leitura e encontrar nele uma riqueza que a maior de todas as mentes jamais esgota. Encontro um retrato convincente do único Homem por quem eu pensaria em dar a vida.

Não é apenas o que ele disse. Não é apenas sua habilidade de fazer coisas extraordinárias. Não é só o modo como ele amou as pessoas. Não é só o caráter que demonstrou sob pressão. Não é só seu relacionamento assombroso com Deus. De forma incrível, ele combinou todas essas coisas. Ele é único; não há nada nem ninguém como ele.

Eu poderia falar sobre muitos aspectos de Jesus e sobre por que ele me atrai. Mas vou me limitar a dizer uma única coisa que sempre me impressiona a respeito dele. Jesus é o único homem completamente livre que eu jamais encontrei.

Eu quero muito ser livre. Não quero estar aprisionado a coisa alguma. Quero voar livre como um falcão planando no vento. Em Jesus encontro um modelo daquilo que quero me tornar.

Por "livre" não quero dizer livre de toda pressão ou responsabilidade. Pessoas que têm esse tipo de liberdade são, na maioria das vezes, apanhadas de maneira trágica. Estrelas do rock, com todo o dinheiro e o tempo que têm para fazer tudo o que querem, cometem às vezes suicídio ou enveredam pelo caminho das drogas. Algumas das pessoas mais livres estiveram sob intensa pressão, como Nelson Mandela ou o apóstolo Paulo na prisão.

A liberdade na qual estou interessado começa dentro da pessoa. Penso que sempre teremos alguns limites impostos pelo mundo exterior. Estou mais preocupado com os limites que temos dentro de nós. Uma pessoa realmente livre pode rir quando os outros estão amargurados; pode ser bondosa quando os outros odeiam; pode estar numa sala cheia de gente fofocando e não participar; pode ser ela mesma, independentemente da pressão que sofre.

Jesus era livre. Multidões o adoravam, mas ele não se deixou levar por isso a ponto de viver para agradá-las. Centenas de enfermos vieram a ele para ser curados, mas ele não permitiu que essa pressão o mantivesse distante de prioridades como gastar tempo conversando com Deus. Os religiosos da época o criticaram, mas ele não deixou que isso o intimidasse, nem que o levasse a se tornar um rebelde estereotipado. Seus melhores amigos tinham idéias sobre como ele deveria agir e o tipo de futuro que ele deveria esperar, mas ele não se deixava influenciar.

A liberdade de Jesus fluía de sua identidade como Filho de Deus. Ele mantinha contato; ele se lembrava de quem era em relação a Deus. As pressões não podiam amoldá-lo, porque Deus não mudava em seu amor e em sua promessa de guardá-lo. Nem mesmo a morte poderia mudar quem ele era — e é.

Para mim, sua demonstração de liberdade mais impressionante foi diante de um tribunal fraudulento que estava obviamente inclinado a condená-lo à morte. Era composto de religiosos que ele havia confrontado com veemência. Agora, na demonstração máxima de piedade pervertida, eles o tinham em suas mãos. E não tiveram; coragem de matá-lo imediatamente: precisaram julgá-lo sob falsas acusações.

Se você pode se imaginar sendo acusado de suborno diante do Senado pelo impostor mais conhecido no Congresso, talvez possa ter uma idéia do misto de fúria e temor naturais num ser humano.

A maioria de nós tem culpa suficiente para sentir que merece punição de algum tipo. Quando meu carro quebra, aceito de mau humor e fatalisticamente o fato como algo que mereço. Mas Jesus não tinha feito nada de errado, uma única coisa sequer em toda sua vida. Ele nunca havia sentido culpa.
Não seria de esperar que Jesus se defendesse vigorosamente? Ou tentasse evitar, de algum modo, sua condenação à morte? Ou que implorasse por clemência?

Ele não o fez. Durante o julgamento ele foi repetidamente questionado se cria ser ele mesmo o Messias, o Filho de Deus. Foi desafiado a se defender. E nunca o fez. Embora algumas traduções possam sugerir que ele tivesse respondido diretamente às perguntas deles, as palavras em si indicam que ele respondeu somente: "essas são suas palavras". Ele não se defendeu, nem deu explicações. Somente Marcos registra que ele uma vez disse ser o Messias, o Filho de Deus.

Por quê? Em Lucas 22:67,68, Jesus explica por quê: "Se vo-lo disser, não o acreditareis; também, se vos perguntar, de nenhum modo me respondereis". Mesmo na iminência de uma morte injusta e precedida de tortura, Jesus lembrou quem ele é. Estava consciente de que eles haviam invertido os papéis: ele é o juiz do mundo, e eram eles os que deveriam se defender. Eles podiam brincar com julgamentos simulados, mas ele não iria ser pego no jogo deles, não iria representar o papel que haviam imaginado para ele.

Isso não era arrogância. Era realidade. Irreal era o julgamento, que tentava invalidar a posição que Deus lhe dera. Jesus seguiu para a morte como homem perfeitamente livre, não somente porque poderia ter ordenado que legiões de anjos viessem resgatá-lo, mas porque morreu sem esquecer por um instante sua segurança pessoal em Deus. Mesmo na cruz, sofrendo dor indescritível, ele foi ele mesmo. O que Jesus fez durante aquelas últimas horas de agonia enquanto sentia a morte se aproximando? Perdoou um ladrão. Iniciou um relacionamento familiar entre sua mãe e João. Encomendou sua vida a Deus.

Não consigo me livrar disso. Quando leio o que aconteceu fico maravilhado. Sei que estabeleci contato com alguém que vale a pena seguir. Venço minhas dúvidas. Não somente isso, dou graças por minhas dúvidas, pois elas me levaram para mais perto de Jesus.

Suas dúvidas podem, em muitas ocasiões, levá-lo a uma compreensão mais profunda de Deus, pois as respostas dele raramente serão do tipo que você estava esperando. Se suas convicções são superficiais, elas terão de ser tratadas com mais profundidade. Se o esqueleto de sua fé se curvou, os ossos talvez tenham de ser quebrados antes de voltar à posição normal. E vai doer. Mas não tenha medo: ossos quebrados ficam mais fortes.


Fonte: Extraído do Livro de Philip Yancey & Tim Stafford "Desventuras da Vida Cristã" Editora: Mundo Cristão - pg.113-123.