sábado, 15 de março de 2014

Quando Satanás entrou em Judas?

Cético: 
Satanás entrou em Judas antes da última ceia.
Lc 22:3 - Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze.

Satanás entrou em Judas depois da última ceia.
Jo 13:27 - E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa.

------------------------------------------------------
Descontradizendo:
Já logo de cara eu afirmo que não há nenhuma contradição, baseado no próprio assunto ou experiência chamada de "Possessão demoníaca". Pois, uma pessoa pode ficar diversas vezes possessa por um demônio. Ou seja, ele pode entrar em alguém, sair, e voltar novamente quantas vezes for preciso em seu propósito. Portanto, Judas pode ter ficado possesso antes da última ceia e novamente depois da última ceia. Não há nenhuma razão para isto não ter ocorrido. E, baseando-se no dois escritos, foi exatamente isto que ocorreu como veremos abaixo:

Vamos aos contextos:

Lc 22:
3 – ”Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze”.
4 – ”E foi e falou com os principais dos sacerdotes e com os capitães de como lho entregaria,”

Observação 1: Acontece a primeira possessão de Judas que o levou a ir antes aos sacerdotes e projetar a prisão dEle.

14 – ”E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e, com ele, os doze apóstolos”.

Observação 2: Quando se assenta, já estava com o propósito formado em seu coração.

21 – ”Mas eis que a mão do que me trai está comigo à mesa”.

Observação 3: Jesus já sabia que Judas o havia traído.

22 – ”E, na verdade, o Filho do Homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!”
47 – ”E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela e chegou-se a Jesus para o beijar”.
48 – ”E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?”

Jo 13:
2 – ”E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse,”

Observação 1: Judas já havia ficado possesso, pois o texto diz “que o diabo já havia posto no coração dele que traísse Jesus".

3 – ”Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus, e que ia para Deus,"
10 – ”Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos”.
Observação 2: Jesus já sabia que Judas o havia traído. Pois, Ele diz que Judas não estava limpo.

11 – ”Porque bem sabia ele quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais limpos”.
21 – ”Tendo Jesus dito isso, turbou-se em espírito e afirmou, dizendo: [b ]Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair”.
26 – ”Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão”.
27 – ”E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa”.

Observação 3: Acontece a segunda possessão do diabo em Judas.

30 – ”E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite”.

Conclusão:
Baseando-se nas Observações, verificamos que:
1 – Lucas relata que houve uma primeira possessão de Judas antes da ceia que o levou a ir antes aos sacerdotes e projetar a prisão dEle. E isto está implícito em João quando diz: ” que o diabo já havia posto no coração dele que traísse Jesus”.
2 – Tanto Lucas quanto João descrevem que Jesus já sabia que Judas havia projetado sua prisão. João diz que Jesus disse que Judas não estava limpo. Caso ele não estivesse ficado possesso, por que razão Jesus diria isto?
3 – João relata a segunda possessão de Judas.


Portanto, não há nenhuma contradição!

Pipe

sexta-feira, 14 de março de 2014

Os homens que estavam com Paulo ouviram a voz?


Cético:
Sim, eles ouviram a voz. At 9:7 - E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.

Não, eles não ouviram a voz. At 22:9 - E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo.

----------------------------------------------

Descontradizendo
Por Guilherme Born:

Vejam que as duas "contradições" estão no mesmo livro, ou seja, escrito pelo mesmo autor, Lucas. Lucas era Médico, porém é considerado como um dos maiores historiadores da época de Cristo. Ou seja, ele não seria tão ingênuo de escrever uma coisa e logo em seguida contradizer-se.

Mas então, os homens que estavam com Paulo ouviram a voz ou não?

Sim ouviram. O que acontece é que na tradução de João Almeida, ele traduz o não entendimento da voz como não sendo audível. Ou seja, eles não entenderam o que a voz dizia.

A NVI nos mostra isso:
Atos 9:7 - 7 Os homens que viajavam com Saulo pararam emudecidos; ouviam a voz mas não viam ninguém.

Atos 22 - Os que me acompanhavam viram a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo.

O que temos aqui? Um versículo fala que não viam ninguém, porém não diz que não viam nada.

O primeiro versículo fala que ouviram a voz e no outro fala que não entenderam a voz.

Resumindo, os homens viram a luz, mas não viram Jesus, ouviram a voz dEle, mas não entenderam o que ele dizia.

Mas no texto, na João almeida está que não ouviram. Isso é diferente de não entenderam. Ouvir é um sentido, entender é um processo mental.

Sim e Não. Entender pode ser traduzido como ouvir. Vejamos no dicionário:

Ouvir:
do Lat. audire
v. tr.,
perceber pelo sentido da audição;
deferir aos rogos de;
escutar;
dar, prestar atenção ao que se diz;
atender;
receber (repreensão, etc. );
auscultar;
v. int.,
ter o sentido da audição.

Fica evidente que Lucas, quando escreveu o versículo 9, do capítulo 22, se referia aos homens "entenderem" e não "ouvirem" (ato de escutar o som).

Quantas vezes utilizamos a palavra ouvir para chamar a atenção de alguém:

Pô meu, você não tá me ouvindo?
Pô meu. você não tá me entendendo?

Sob estas informações, não há contradição!

quarta-feira, 12 de março de 2014

MAMUTES


No número 61 da Folha Criacionista foram apresentados alguns dados sobre os mamutes, tendo em vista principalmente as recentes descobertas de restos congelados desses gigantescos mamíferos, tendo também sido feita referência ao famoso "mamute de Beresovka", sobre o qual interessantes estudos haviam sido feitos após sua descoberta junto ao rio Kolyma, na Sibéria.

A seguir, transcrevemos duas interessantes notícias ainda sobre os mamutes e sua coexistência com os seres humanos em tempos históricos. Ambas foram publicadas como cartas dos leitores na revista Nature, vol. 369, de 2 de junho de 1994.

Datação de mamutes do Holoceno
A persistência de relatos de mamutes anões no Holoceno, na ilha de Wrangel (no Oceano Ártico), tem sido questionada por pessoas que têm apresentado dúvidas sobre a validade dos dados obtidos pela datação convencional mediante o método do Carbono-14 feita em dois laboratórios russos (Ver S. Vartanyan, V. E. Garutt, e A. V. Sher, em Nature 362, 337-340; 1993).
A correspondência bastante estreita entre as datações corrobora tanto a validade dos dados russos, quanto a veracidade da sobrevivência dos mamutes no Holoceno.

Mamutes no Antigo Egito?
Lister, em "News and Views" [Nature 362, 288-289 (1993)] descreveu o trabalho de Vartanyan e outros (artigo da revista Nature citado na notícia anterior), sugerindo que mamutes anões poderiam ter sobrevivido no norte da Sibéria, e convivido com faraós egípcios, bem como que, juntamente com populações de outros elefantídeos anões, teriam sobrevivido em ilhas do Mediterrâneo até o Pleistoceno.

Artistas egípcios podiam reproduzir a cores pinturas com identificação das características de animais que ainda vivem até nossos dias, de maneira semelhante ao que hoje se faz nos manuais de identificação da fauna silvestre. Pode-se, por isso, classificar espécimes de peixes e aves daquela época, em conformidade com as definições atuais de gêneros e espécies.

MAIS SOBRE OS MAMUTES
De fato, os mamutes voltaram para ficar! Cada vez mais os noticiários abordam o tema, que sem dúvida deve também sua popularidade a toda a "onda" levantada sobre os dinossauros, a partir do célebre filme sobre o Parque Jurássico.

Vários filmes e documentários têm sido divulgados pela televisão, versando sobre o resgate de restos congelados de mamutes em perfeito estado de conservação. A Sociedade Criacionista Brasileira tem acompanhado essa divulgação, e poderá fornecer maiores informações aos interessados, que para isso basta se comunicarem conosco por e-mail ou pelo correio normal.
A bibliografia citada nas notícias acima está resumida em seguida, para facilitar a consulta de nossos leitores interessados:

1. Vartanyan, S. L.;Garrut, V. E.; e Sher, A. V., Holocene Dwarf Mammoths from Wrangel Island in the Siberian Arctic, Nature, pp. 337-340, vol. 362, 25 março, 1993.
2. Rosen, Baruch, Mammoths in Ancient Egypt?, Nature, p. 364, vol. 369, 2 junho, 1994.
3. Lister, A. M., Mammoths in Miniature, Nature, pp. 288-289, vol. 362, 25 março, 1993.
4. Long, Austin; Sher, Andrei; e Vartanyan, Sergey, Nature, p. 364, vol. 369, 2 junho, 1994.

5. Lindhal, Tomas; Poinar Jr., George O., Recovery of Antediluvian DNA, p. 700, Nature, vol. 365, 21 outubro, 1993.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Ecologia, biodiversidade e criação: Um enfoque estrutural

Henry Zuill

John Ashton crê em Deus. Esse notável homem de ciência acredita no relato bíblico da Criação. Ele ficou surpreso quando outro cientista lançou um desafio público ao criacionismo numa convenção havida na Universidade Macquarie, em Sydney, Austrália. Nesse ensejo, um discursante apresentou evidências em favor do relato bíblico da Criação. O desafiante ironizou, porém, dizendo que não poderia crer que houvesse alguém com Ph.D. que cresse na criação literal de seis dias. À essa altura, um convencional presente mencionou os nomes de alguns cientistas crentes na criação, incluindo o Dr. John Ashton. Quando John soube da conversa havida em plenário, pois não se achava presente na ocasião, aceitou o desafio de provar a certeza criacionista. O resultado foi a maravilhosa coleção de artigos, Em Seis Dias: Por que 50 Cientistas Escolheram Crer na Criação.1

Quando recebi o convite para contribuir com um artigo, compreendi de início que deveria escrever especificamente sobre a criação em seis dias, de uma perspectiva científica. Essa não era a intenção de John. Eu cria na criação em seis dias, mas não por razões científicas. O que alguém poderia dizer sobre isso a partir de uma perspectiva científica? Como poderia eu fornecer evidências científicas de que a Terra e a vida foram criadas em seis dias literais? Eu sabia que havia muitas áreas do criacionismo que podiam ser estudadas cientificamente, mas não pensava que a criação em seis dias fosse uma delas. Pensava eu que ela deveria ser aceita estritamente pela fé no relato bíblico.

Então surgiu como um relâmpago, uma convicção ao mesmo tempo luminosa e excitante. Como ecologista, eu havia estado à procura de evidências de desígnio inteligente no nível ecológico, mas, subitamente, esses fragmentos comprobatórios se juntaram para apoiar a criação em seis dias. Escrevi, pois, um capítulo para o livro.

A hierarquia estrutural e a evidência de desígnio
Desde cedo nas universidades, os estudantes de biologia geral aprendem sobre hierarquia estrutural da matéria (ver Figura 1). Partículas subatômicas se reúnem em átomos, que por sua vez formam moléculas e macromoléculas. Essas se juntam formando sucessivamente organelas, células, tecidos, órgãos e sistemas orgânicos. Em todo nível de vida, desde a célula aos sistemas orgânicos, há diferentes complexos independentes — organismos unicelulares, organismos tissulares e assim por diante, até organismos com sistemas orgânicos. Daí, diferentes organismos constituem-se em comunidades que, num ambiente não-biológico, formam ecossistemas.2 Ecossistemas em torno do globo constituem a biosfera. Abaixo do nível celular, não há entidades consideradas viventes. Acima do nível orgânico, temos a área ecológica na qual diferentes organismos relacionam-se uns com os outros e com seu ambiente não-biológico.
Em todos esses níveis, há evidências de desígnio inteligente, se quisermos vê-las com isenção de ânimo. A complexidade estrutural de cada nível desafia a idéia de que tal complexão possa ser resultado de acontecimentos fortuitos. Não obstante, muitos não vêem as coisas desse modo; aceitam que a complexidade estrutural é o resultado de eventos naturais, mesmo quando parece não haver maneiras disso ocorrer.

A idéia de desígnio inteligente na Natureza tem sido aceita desde há muito, embora durante os últimos 100 ou 150 anos venha sendo opinião minoritária entre os cientistas. Alguns filósofos antigos viram indicações de desígnio na Natureza. No final do século 18, William Paley, teólogo e filósofo inglês, sugeriu que ninguém pensaria num relógio sem relojoeiro. Pela mesma razão, ele argumentava que as complexidades da Natureza, entre elas o olho humano, por exemplo, não podiam ser explicadas sem um Criador.

Os escritos de Paley eram leitura obrigatória nas universidades britânicas. Charles Darwin leu suas obras e ficou fascinado inicialmente com as opiniões do filósofo, mas depois as rejeitou. Apesar disso, deve ter ficado um resquício de dúvida em sua mente, porque Darwin disse que o olho, com sua complexidade incrível, deixava-o doente. Mesmo hoje, a influência do pensamento de Paley perdura. Richard Daw-kins intitulou um de seus livros, The Blind Watchmaker. Na obra, o autor tenta mostrar que complexidade na Natureza é o resultado do acaso e não de desígnio inteligente. Assim, depois de quase 200 anos, o argumento de Paley ainda está sendo discutido.

Evidência específica de desígnio
O valor dado à evidência específica de desígnio inteligente depende de onde uma pessoa a procura. Se a evidência observada é de nível básico na hierarquia estrutural, a conclusão tirada pode ser bem diferente do que se ela ocupar um lugar superior no plano. O lugar onde alguém procura evidências pode ser determinado pela especialização do observador. A parte inferior da estrutura da Natureza é domínio da física; o domínio seguinte é objeto da química; e o superior pertence à biologia.

O recente ressurgimento do interesse voltado ao desígnio inteligente começou com a descoberta de que um grande número de constantes físicas fundamentais no Universo estavam delicadamente relacionadas com as necessidades dos sistemas vivos. Se fossem diferentes, mesmo por minúscula fração, a vida seria impossível. Isso é conhecido como o Princípio Antrópico. Muitos físicos acham nele razões para crer num Deus Criador. Outros, considerando imprópria essa interpretação, imaginaram múltiplos universos, de modo que por puro acaso um deles possuiria as condições necessárias à manifestação da vida. Que não há a mínima evidência em apoio à teoria dos universos múltiplos, parece ser-lhes irrelevante.

As constantes físicas fundamentais provêem os recursos físicos e químicos requeridos pelos seres vivos. Em geral, elas oferecem evidências de desígnio que se situam inferiormente na hierarquia estrutural da Natureza ou fora dela. Dessa perspectiva, somente as condições físicas e químicas básicas necessárias ao desenvolvimento da vida foram providas. Conseqüentemente, alguns físicos, impressionados com a evidência, também aceitam o argumento de que Deus usou a evolução, no sentido lato, como instrumento da criação. São evolucionistas teístas.

Outros cientistas encontram evidências de desígnio na bioquímica, as quais consideram como irredutivelmente complexas. Para eles, Deus era um pouco mais ativo. Eles podem admitir a hipótese de que Ele criou as primeiras células e a evolução fez o resto. Esses sábios podem também ser considerados evolucionistas teístas.

Se há, em nível mais baixo, evidências de desígnio que intrigam alguns físicos, e se há, também, evidências em nível bioquímico, não sugeriria isso a possibilidade de encontro de mais evidências nos níveis superiores da hierarquia estrutural? Ademais, quanto mais alta a evidência na escala estrutural, tanto menos opções de interpretação.

Comecei a inquirir se havia evidências no topo da hierarquia estrutural — o nível ecológico. Esse é o nível que trata de relações múltiplas entre organismos e seu ambiente não-biológico. Se houvesse evidência de desígnio inteligente em todos os níveis da hierarquia estrutural da Natureza, e especialmente no topo, então seria muito difícil esperar que apenas o acaso cego pudesse explicar a existência e a variedade de seres vivos. Creio que há tal evidência: a visão do alto.3

Biodiversidade e criação
O termo biodiversidade entrou em uso popular há pouco tempo. Refere-se ele às muitas e diferentes espécies que encontramos no mundo natural, bem como às diferentes populações de espécies com suas muitas variações genéticas e os inúmeros serviços ecológicos que prestam. Desde a primeira referência (1986) até hoje, centenas de artigos têm sido publicados sobre o tema da biodiversidade.

Estudos em biodiversidade têm comprovado uma rede intrincada de interdependências entre os seres vivos. Sabe-se que os sistemas ecológicos são mais dependentes entre si do que se imaginava. Com efeito, Peter Raven, do Jardim Botânico de Missouri, sugere que quando uma planta é exterminada, 10 a 30 outros organismos a seguirão no processo de extinção.4 Assim, as inter-relações são muito íntimas. Felizmente, os sistemas ecológicos também possuem complexos de apoio, de modo que os efeitos do abuso não sejam tão abrangentes como se esperaria. Isso é possível porque diversas espécies podem prestar serviços ecológicos similares. Essas espécies são chamadas de redundantes. Além disso, mesmo sistemas redundantes podem não funcionar em todas as circunstâncias, assim que alguns deles são considerados dispensáveis.
Nossa compreensão de biodiversidade tem sido deduzida, em grande medida, do dano e destruição do sistema ecológico. À medida que certas espécies se tornam raras ou extintas, o efeito ecológico de perda mais ampla torna-se evidente.

A maior parte da preocupação com os estudos de biodiversidade tem se concentrado na salvação das espécies em perigo. De início, os esforços procuravam apenas manter os números populacionais das espécies, mas logo tornou-se evidente que para salvar espécies em perigo, exigia-se a preservação de sistemas ecológicos inteiros. Toda espécie tem seu sistema de apoio ecológico e os componentes de cada sistema de apoio têm seu próprio conjunto de amparo. Podemos expressar o conceito do seguinte modo: A vida na Terra torna a vida possível, o que significa que seres viventes foram feitos para se apoiarem mutuamente. Isso deveria surpreender-nos? Foi a conservação de espécies, naturalmente, que recebeu a atenção primária, porém, as implicações mais amplas desses sistemas interdependentes tornaram-se agora claras.

Relações mútuas e benéficas são comuns na Natureza. Com efeito, é provável que a maioria das relações naturais sejam desse tipo. Numerosos exemplos de relações interdependentes poderiam ser dados, mas o espaço não permite. Contudo, a Figura 2, utilizando-se de uma árvore, ilustra os serviços que ela tanto provê como recebe. O leitor é convidado a relembrar outras espécies de relações como as de solo, que são de benefício mútuo.

Há também relações negativas e morte na Natureza, mas elas parecem ter resultado da perda de espécies, danos genéticos e outros impactos negativos. Sistemas ecológicos, enquanto organismos, estão agora degenerados. O cristão vê esses problemas como tendo sido previstos pelo Criador em Suas palavras a Adão e Eva, depois da Queda (ver Gênesis 3:14-19). Embora as relações negativas sejam mais dramáticas e possam mais facilmente capturar nossa atenção, parece mais provável que as relações benéficas, de longe, as superam em número. Em conseqüência, a interdependência observada nos seres vivos agora sugere que essas relações foram criadas intencionalmente. A ecologia original teria sido diferente da de hoje. Todavia, não se pode duvidar de que havia uma ecologia original. O próprio relato da Criação faz referência a relações reprodutivas e de alimentação. A ecologia parece tão necessária para a vida como as ações de comer e respirar. Com efeito, sem ecologia o ar não seria próprio para respirar e os nutrientes minerais não estariam acessíveis às plantas, nossa fonte de alimento.

Fazendo a conexão
Quando John Ashton pediu-me que contribuísse para o Seis Dias, eu já sabia da necessidade de relações ecológicas, embora ainda não tivesse feito a ligação de que a ecologia continha evidências para uma criação em seis dias. Mas, ao considerar o problema, imediatamente surgiu-me a intuição de que eu tinha em mãos a evidência que apoiaria a criação de seis dias. Se os ecossistemas requerem grupos inteiros de organismos para funcionar, não teriam sido necessários grupos inteiros de organismos também no começo?

Tanto o Princípio Atrófico como as seqüências bioquímicas sugerem um planejador, mas ainda permitiam que os que foram impressionados por essas evidências cressem em evolução teística. Isso é bem pouco diferente de simples evolução. Num desenvolvimento de vida gradual, a ecologia também se desenvolveria começando como ecologia limitada, e depois se expandindo gradualmente à medida que novos organismos evolvessem. Contudo, se a ecologia desenvolveu-se ao mesmo tempo que as espécies em evolução, os ecossistemas falhariam por falta de componentes essenciais. Por conseguinte, a vida não poderia ter continuidade, se é que pudesse mesmo começar. Por outro lado, se os seres foram criados num intervalo breve, juntamente com suas interdependências ecológicas, haveria desde o começo relações complexas em apoio à vida na Natureza.

A ecologia e a biodiversidade complexa que encontramos na Natureza hoje, no topo da hierarquia estrutural, sugerem que muitos organismos inter-relacionados teriam sido necessários desde o início. Somente uma criação imediata proveria as exigências de tal sistema ecológico. Assim, embora a ecologia, como hoje compreendida, não exija precisamente uma criação em seis dias, ela favorece essa possibilidade. Ademais, ela é definitivamente contrária à idéia de um desenvolvimento ecológico gradual.

Henry Zuill (Ph.D., Loma Linda University) lecionou e conduziu pesquisa em biologia e ecologia por muitos anos. Seu endereço: 64 Norwood Drive; Norman, Arkansas 71960; EUA. E-mail: haz@alltel.net

Notas e referências
1. John F. Ashton, ed., In Six Days: Why 50 Scientists Choose to Believe in Creation (Sydney, Austrália: New Holland Press, 1999).
2. Ecossistemas muito grandes são usualmente designados biomes.
3. Para uma discussão mais detalhada deste assunto, veja o livro do autor “Evidence for Design at the Ecological Level”, Geoscience Report 29 (Spring 2000), publicado pelo Geoscience Research Institute (Loma Linda, Califórnia 92350, EUA), e “Ecology, Biodiversity and Creation,”Creation Ex- Nihilo Technical Journal 14:2 (2000), págs. 82-90. (P.O. Box 6307; Acacia Ridge, D.C.; Qld. 4119, Austrália).

4. P. H. Raven, “Ethics and Attitudes”, em Simmons, et al. (eds.), Conservation of Threatened Plants(New York: Plenum Publishing, 1976), págs. 155-181. Citado por Y. Baskin, The Work of Nature: How the Diversity of Life Sustains Us (Washington, D. C.; Island Press, 1997), págs. 36, 37.

domingo, 9 de março de 2014

CONSTRUINDO UMA VISÃO CRIACIONISTA DO MUNDO

Orlando Ruben Ritter

Introdução
Construir visões é bem próprio do ser humano, entendendo-se por visões modos de ver as cousas.

Bem cedo na vida, na infância, no lar, na rua e em outras partes começam a ser construídas visões. Geralmente simples, limitadas, podendo contudo ser até bem coloridas.

Com a escolarização, com o ajustamento existencial com a interação humana, com a reflexão que pode acompanhar o correr dos anos, as visões vão sendo alargadas, aprofundadas e complicadas.

O ver, o contemplar, o imaginar, vão sendo permeados e completados pelo enxergar, ou seja, a percepção passa a ser permeada ou mesmo dirigida pela razão.

Nesse estágio, uma visão seria um modo de ver e pensar o mundo. Nessa fase, visões podem vir a ser marcadas por pressuposições pessoais que atuam como molduras, influenciando assim os fatos considerados dentro da visão construída. Assim, pessoas diferentes podem olhar o mesmo mundo e construir visões diferentes.

Na construção de visões do mundo, uma preocupação que pode surgir diz respeito ao problema das origens. Como tudo começou?

Logo surgem pressuposições, algumas colocando o acaso na origem de tudo, outras colocando um Criador, marcando assim as visões construídas.

O criacionismo também se apoia em evidências, muitas delas de caráter científico, que sugerem fortemente que o acaso não pode estar atrás da origem das cousas e dos seres.

Segundo a visão criacionista, os seres e as cousas foram criadas por Deus em atos criativos especiais e no caso do planeta Terra, esta criação teve lugar numa semana literal de sete dias.

Os seres foram criados perfeitos de acordo com o plano original do Criador, segundo formas ou tipos básicos de vida (min, em Hebraico, na Bíblia) e tais que mudanças, sejam mutações ou respostas a ações ambientais desde então ocorridas, não ultrapassem seus limites originais. Cada ser se multiplicando “conforme sua espécie” (min), de acordo com a linguagem bíblica.

O fato do homem deliberadamente ter-se separado do Criador, resultou num processo geral de desordenamento e decadência que atinge as cousas e os seres criados e que só poderá definitivamente ser sustado e revertido por nova ação direta do Criador.

Evidências de Desígnio
A existência ou não de desígnio no mundo é uma questão relevante quando se tenta construir uma cosmovisão. Obviamente a visão criacionista é fortemente suportada por evidências de desígnio.

Contudo, o fato da visão criacionista admitir a existência de planejamento ou propósito no mundo, não quer necessariamente dizer que a esta altura sejam conhecidos todos os propósitos do Criador. Não será, por exemplo, tarefa fácil inferir quais os propósitos na criação de nuvens de poeira cósmica, quasares, novas e supernovas, estrelas pulsantes, cometas, meteoros, planetas em degradação, planetóides, trilobitas, dinossauros ou pernilongos. Contudo, captando propósito, desígnio e sabedoria em tantas obras criadas, o criacionista confia e crê no acerto dos planos do Criador e Deus Onipotente e Onisciente.

Já a visão evolucionista do universo e do mundo assenta sobre a ocorrência do improvável e sobre processos de variação ao acaso, produzindo, após longuíssimos períodos de seleção natural, uma cadeia evolutiva contínua e terminando no momento em populações de seres vivos, inclusive de pessoas, com todos os seus hipotéticos ancestrais e ostentando seus cérebros reconhecidos como os mais ordenados e complexos arranjos de matéria no universo.

Conclusão
Muito mais poderia ser considerado tendo em vista construir uma visão criacionista do mundo. Contudo, os elementos mencionados permitem reflexão e levam a concluir, que o criacionismo é uma opção séria e digna de crédito para quem quer construir visões.

A visão naturalista, em voga nos meios intelectuais e nas universidades, também assenta sobre uma trindade criadora: acaso, tempo e seleção natural.

O problema está em mostrar como sua atuação permitiu a origem do mundo, das cousas e dos seres.

O acaso é cego e marcado pela improbabilidade.
O tempo, especialmente o correr de muito tempo, é tido como sendo capaz de tornar provável o improvável. É verdade que o correr do tempo aumenta as probabilidades, mas ainda assim, no caso de probabilidades praticamente nulas, as leis estatísticas conspiram fortemente contra esses deuses milagreiros. Isso sem esquecer que o tempo marca tudo com decrepitude.

Quanto à seleção natural, sabe-se muito bem do que ela é capaz e seria bom perguntar quando, numa presumível história de evolução desde partículas, moléculas até seres e gentes, ela teria começado a operar e por que.

A visão naturalista, tanto quanto a visão criacionista, são emolduradas por pressuposições e atos de crença. A opção dependeria muito da formação, do contexto vivencial e da estrutura mental de cada um. É só pensar e escolher!


sábado, 8 de março de 2014

Maria Madalena ficou sabendo o que houve com Jesus quando ela foi ao sepulcro?


Vamos aos textos:
Mateus 28:
1 Depois do sábado, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
2 E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu dos céus e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela.
3 Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve.
4 Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos.
5 O anjo disse às mulheres: “Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado.
6 Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia.
7 Vão depressa e digam aos discípulos dele: Ele ressuscitou dentre os mortos e está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão. Notem que eu já os avisei”.
8 As mulheres saíram depressa do sepulcro, amedrontadas e cheias de alegria, e foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus.
9 De repente, Jesus as encontrou e disse: “Salve!” Elas se aproximaram dele, abraçaram-lhe os pés e o adoraram.
10 Então Jesus lhes disse: “Não tenham medo. Vão dizer a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá eles me verão”.

Obs: Mateus diz que Maria Madalena ficou sabendo primeiramente por um anjo e depois pelo próprio Senhor Jesus.

Vamos à Marcos 16:
1 Quando terminou o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram especiarias aromáticas para ungir o corpo de Jesus.
2 No primeiro dia da semana, bem cedo, ao nascer do sol, elas se dirigiram ao sepulcro,
3 perguntando umas às outras: “Quem removerá para nós a pedra da entrada do sepulcro?”
4 Mas, quando foram verificar, viram que a pedra, que era muito grande, havia sido removida.
5 Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas assentado à direita, e ficaram amedrontadas.
6 “Não tenham medo”, disse ele. “Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui. Vejam o lugar onde o haviam posto.
7 Vão e digam aos discípulos dele e a Pedro: Ele está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão, como ele lhes disse.”
8 Tremendo e assustadas, as mulheres saíram e fugiram do sepulcro. E não disseram nada a ninguém, porque estavam amedrontadas.
9 Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios.
10 Ela foi e contou aos que com ele tinham estado; eles estavam lamentando e chorando por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam.

Obs: Marcos confirma portanto a descrição de Mateus.

Vamos à Lucas 24:
1 No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres levaram ao sepulcro as especiarias aromáticas que haviam preparado.
2 Encontraram removida a pedra do sepulcro,
3 mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus.
4 Ficaram perplexas, sem saber o que fazer. De repente, dois homens com roupas que brilhavam como a luz do sol colocaram-se ao lado delas.
5 Amedrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive?
6 Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galiléia:
7 ‘É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia’ ”.
8 Então se lembraram das palavras de Jesus.

Obs: Lucas não narra a aparição de Jesus. Confirma apenas que elas ouviram dos anjos a notícia. Isto não implica que Jesus não aparecera para elas.

9 Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas coisas aos Onze e a todos os outros.
10 As que contaram estas coisas aos apóstolos foram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas.

Finalmente vamos à João 20:
1 No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, Maria Madalena chegou ao sepulcro e viu que a pedra da entrada tinha sido removida.
2 Então correu ao encontro de Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e disse: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!”

Obs: Mateus, Marcos e Lucas não descrevem esta primeira visita de Maria Madalena ao sepulcro.

3 Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro.
4 Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.
5 Ele se curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou.
6 A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho,
7 bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho.
8 Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou. Ele viu e creu.
9 (Eles ainda não haviam compreendido que, conforme a Escritura, era necessário que Jesus ressuscitasse dos mortos.)
10 Os discípulos voltaram para casa.

Obs: João está relatando que nesta primeira visita das mulheres elas não viram nada e nem falaram com ninguém. Os apóstolos também apenas viram o sepulcro vazio.

11 Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro
12 e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés.
13 Eles lhe perguntaram: “Mulher, por que você está chorando?” “Levaram embora o meu Senhor”, respondeu ela, “e não sei onde o puseram”.
14 Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu.
15 Disse ele: “Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?” Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: “Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei”.
16 Jesus lhe disse: “Maria!” Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aramaico: “Rabôni!” (que significa “Mestre!”).
17 Jesus disse: “Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês”.
18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor!” E contou o que ele lhe dissera.

Conclusão:
1. João confirma a versão de Mateus, Marcos e Lucas que foram anjos primeiramente que disseram as mulheres. Isto não implica que as mulheres não tenham estado antes no túmulo conforme João descreve.
2. João confirma com Mateus e Marcos que o próprio Senhor Jesus apareceu a Maria Madalena. Lucas não relata este episódio.
3. João é mais detalhista na descrição de que as mulheres foram duas vezes no sepulcro. A primeira vez não vendo nada a não ser o sepulcro aberto, e na segunda vez tiveram um encontro com anjos e com o Senhor Jesus.
Portanto, não se trata de uma contradição e sim apenas de João ter sido mais detalhista em seu relato. Porém, os quatro relatos se completam e nos dão uma visão mais apurada do todo.

Vou descrever de forma mais detalhada para que você entenda. Unindo os quatro relatos, o ocorrido aconteceu da seguinte forma:

1. As mulheres acordam de madrugada e vão ao sepulcro ungir o corpo de Jesus;
2. Chegando lá, elas encontram o sepulcro aberto sem o corpo de Jesus;
3. Elas correm contar aos discípulos o que havia ocorrido;
4. Os discípulos e elas vão ao sepulcro para verificar novamente.
5. Os apóstolos voltam e as mulheres ficam no sepulcro;
6. As mulheres vêem os anjos e estes falam com elas;
7. Em seguida, Jesus aparece para elas e fala com elas;
8. Elas voltam aos apóstolos e dizem a eles o que Jesus lhes ordenara;
9. Pedro então volta uma segunda vez ao sepulcro.

Um resumo de cada Evangelho e sua descrição:
Mateus
Relata apenas que as mulheres saíram de casa para ungir o corpo de Jesus e passa a descrever a segunda vez em que elas voltaram depois de terem contado aos discípulos. Mateus não relata a primeira vez que foram ao sepulcro. Também, não relata, elas contando aos discípulos o que Jesus lhes havia dito. O texto vai direto ao momento em que os discípulos vão para a Galiléia se encontrarem com Jesus. Porém, o texto diz que eles foram para onde Jesus havia indicado que fossem.

Marcos
Relata basicamente a mesma história que Mateus. Relata apenas a segunda vez em que elas foram ao sepulcro. Diz também que Maria Madalena relatou aos apóstolos.

Lucas
Também relata apenas a segunda visita ao sepulcro e elas contando aos apóstolos. Lucas porém relata, que Pedro volta uma segunda vez ao sepulcro depois que Maria Madalena lhe conta que Jesus estava vivo. Talvez no momento de desespero corre para ver se este ainda estava no derredor.

João
* Relata especificamente Maria Madalena indo ao sepulcro. Isto não significa que as outras mulheres não estavam juntas.
* Relata duas visitas delas ao sepulcro;
* Relata uma visita dos apóstolos entre a primeira e a segunda visita;
* Relata especificamente que Maria madalena viu os anjos e o Sr. Jesus. Isto não significa que as outras mulheres não estavam juntas.
* Relata que Maria Madalena volta novamente aos apóstolos dar a segunda notícia: Jesus estava vivo.

Respondendo especificamente:
Se na primeira visita, as mulheres já haviam visto que o corpo de Jesus não estava la, por quê foram uma segunda vez ungir o corpo do mestre?

Elas foram uma única vez. O que Marcos e Lucas fazem é não relatarem a primeira visita entre o momento que elas saem de casa, vão ao sepulcro, o vêem vazio, relatam aos apóstolos e voltam novamente ao sepulcro.

Nenhum texto fala que elas voltaram duas vezes para ungir o corpo. Diz apenas uma única vez. Porém, ligam isso à segunda visita.

Não se esqueça que Marcos e Lucas não eram testemunhas oculares disso e sim João. Nesse caso, João foi quem presenciou a cena toda de maneira mais presente. Os outros relataram de terceiros.


Pipe

sexta-feira, 7 de março de 2014

A Bíblia está cheia de erros e contradições!


 Erros na Bíblia

A Bíblia está CHEIA de erros, contradições e falhas:
- O primeiro erro foi quando Eva duvidou da Palavra de Deus;
- O segundo erro aconteceu quando seu esposo fez o mesmo;
- E assim erros e mais erros ainda estão sendo cometidos até hoje...
- Você consegue entender e sabe por que?
- Porque as pessoas insistem em duvidar da Palavra de Deus.

A Bíblia está CHEIA de contradições:
- Ela contradiz o orgulho e o preconceito;
- Ela contradiz a lascívia e a desobediência;
- Ela contradiz o meu pecado e o seu.

A Bíblia está CHEIA de falhas:
- Porque Ela é o relato de pessoas que falharam muitas vezes ;
- Assim foi com a falha de Adão;
- Com a falha de Caim;
- E a de Moisés;
- Bem como a falha de Davi e a de muitos outros que também falharam.
- Mas Ela é também o relato do amor infalível de Deus

Deus NÃO ESCREVEU a Bíblia:
- Para pessoas que querem jogar com as palavras;
- Para aqueles que gostam de examinar o que é bom mas sem fazê-lo;
- Para o homem que não acredita porque não quer.

O homem moderno DESCARTOU os ensinamentos da Bíblia:
- Pelas mesmas razões que outros homens tem descartado através da história, por grande ignorância a sua verdadeira mensagem e conteúdo;
- Intransigente apatia em recusar considerar suas declarações;
- Bem conhecidos pseudo-cientistas posando de críticos honestos;
- Convicção secreta de que este Livro está certo e de que os homens estão errados.

Somente uma pessoa PRECONCEITUOSA acreditaria que:
- Os ensinamentos bíblicos são passados e irracionais, sendo princípios arcaicos e sem propósito;
- A Bíblia está cheia de discrepâncias e afirmações inaceitáveis;
- Ela só poderia ser trabalho irrelevante e não inspirado de meros homens.

A Bíblia é , afinal, somente mais um LIVRO RELIGIOSO:
- Para milhares que NÃO se arriscam serem honestos consigo mesmos e com Deus;
- Para aqueles que tem medo de aceitar o desafio do próprio Deus a um exame honesto;
- Para aqueles que não querem examiná-la a fundo porque Ela diz verdadeiramente como os homens são.

E você não pode ENTENDER ou CONFIAR no que a Bíblia diz:
- A menos que você esteja disposto a considerar as evidências e encarar face a face o AUTOR!


Fonte: Portal IBT

quarta-feira, 5 de março de 2014

Livro: "Um Ateu Garante: Deus Existe" de Antony Flew e Roy Abraham Varghese

Editora Ediouro

Antony Flew, um dos mais conceituados filósofos da contemporaneidade, autor de trinta obras filosóficas e defensor do ateísmo durante cinqüenta anos, se dispõe a mostrar de forma clara e objetiva, provas consideradas incontestáveis para a defesa do teísmo em seu mais recente livro: “Um ateu garante: Deus existe“. Apesar de o título soar um pouco clichê e contraditório para alguns, o conteúdo é de grande riqueza, o qual abrange argumentos de Filosofia, Física, Biologia e outras áreas da ciência. Ainda ateu, Flew ressuscitou o teísmo racional; com a necessidade de defesa, filósofos cristãos ressuscitaram uma área da religião que há tempos não tinha nenhum progresso: a filosofia.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, intitulada “Minha negação do divino”, o autor revela em três capítulos sua caminhada desde a infância até sua escolha pelo ateísmo; sua criação em um colégio metodista; a influência do pai também pastor e sua posterior escolha pelo ateísmo. É sincero ao tomar a postura de que nunca teve uma única experiência considerada sobrenatural e nenhum interesse por religião: “Ir à capela ou à igreja, recitar orações e praticar outros atos religiosos eram, para mim, quase apenas deveres cansativos“¹; O livro também explicita que o problema do mal visto através do resultado da Segunda Guerra Mundial teve papel importante em suas escolhas.

Quando entra na faculdade em Oxford, Flew tem o privilégio de participar do Socratic Club, clube presidido por C.S Lewis, o “mais eficiente defensor do cristianismo da segunda metade do século XX“², segundo o filósofo. A partir do contato com esse grupo e principalmente com o argumento socrático máximo do clube (“Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar“), Flew começa a questionar argumentos, até então estáticos, de filósofos como Locke, Hume, Kant e Russell. Avança, assim, na discussão da filosofia em um contexto geral e mais a frente nos argumentos ateus. Seus livros abordavam a questão do teísmo com grande abrangência; os argumentos não eram únicos, se utilizava do problema do mal, do determinismo, do ônus da prova da existência ou não de uma entidade superior, da causa inicial, de uma inteligência superior e vários outros argumentos históricos e científicos.

Já na segunda parte, denominada “Minha descoberta do divino”, as idéias, antes utilizadas para o ateísmo de forma até então irrefutável para alguns, são esmiuçadas de maneira racional no sentido real da palavra. A proposição de que somente com a razão é possível aprender sobre a existência e a natureza de Deus é retomada, nas palavras do próprio autor: “Eu também não alego ter tido qualquer experiência pessoal a respeito de Deus nem do que pode ser descrito como sobrenatural ou miraculoso. Resumindo, minha descoberta do Divino tem sido uma peregrinação da razão, não da f铳.

O uso de argumentos científicos é abundante para a prova de que há uma inteligência superior. A Cosmologia e a Física são duas áreas bastante abordadas nesse ponto, pois expõem a origem do Universo e remontam aos mais variados argumentos da existência de um ser criativo superior, considerado divino. Richard Dawkins, atualmente conhecido pelo best-seller Deus, um delírio, é duramente criticado pelo uso parcial dos argumentos da Biologia.

O problema filosófico da definição do nada (nihil), abordado por Niestchze, também encontra contestação ao longo dos últimos capítulos o qual leva em consideração também a teleologia.
Por fim, dois apêndices enriquecem mais ainda o conteúdo do livro: o apêndice A é uma crítica ao chamado “novo ateísmo”, escrita por Roy Abraham Varghese e que também leva a autoria do prefácio. A abordagem é baseada em cinco pontos pelos quais o novo ateísmo não consegue explicar, são eles: a racionalidade, a vida, a consciência, o pensamento e o ser; já o apêndice B aborda o aspecto cristão do livro, é um diálogo travado entre Antony Flew e N.T. Wright, uma das maiores autoridades no estudo do Novo Testamento. Questionamentos sobre a existência de Cristo e sua ressurreição são bem respondidas e levam a uma curiosidade maior para o estudo da história de Cristo.

Um ateu garante: Deus existe, é um livro que aborda, não de forma aprofundada, o que seria impossível, ou seja, vários aspectos da antiga discussão entre teístas e ateístas, colocando novos rumos nos argumentos e propondo novos caminhos e maneiras de pensar.


¹Pág. 30²Pág. 41³Pág. 98

segunda-feira, 3 de março de 2014

“Jesus, um plágio?”

Marina Garner
Bacharel em Teologia pelo Unasp
Centro Universitário Adventista de São Paulo,
Campus Engenheiro Coelho
marina.garner@gmail.com

Resumo: O presente artigo analisa a proposta básica do vídeo Zeitgeist de que Jesus não passa de um plágio das mitologias de povos pagãos antigos. Para tanto, são analisados os paralelismos propostos no vídeo, a história da teoria que fundamenta a filmagem e por fim, são realizadas comparações conclusivas em relação a essas questões e aos aspectos bíblicos que as contariam.

Palavras-chave : Jesus; plágio; Zeitgeist.

Introdução
Em junho de 2007 foi lançado um vídeo de 122 minutos chamado Zeitgeist e até novembro de 2007, 8 milhões de acessos haviam sido feitas. Esse filme foi ganhador do prêmio de melhor filme no festival de filmes Artivist na Califórnia em 2007 e 2008.1 Na primeira parte de Zeitgeist , que é dividido em três partes principais, é proposto que o Jesus histórico não passa de um plágio das mitologias de povos pagãos antigos. Os apóstolos utilizaram-se de histórias já conhecidas na época e criaram um personagem muito parecido, escrevendo assim quatro evangelhos a respeito deste “outro deus mitológico”.
 
Em seu site, a equipe do Zeitgeist, liderado principalmente por Peter Joseph e Acharya S., os produtores do filme, colocam o objetivo do movimento:

Pretendemos restaurar as necessidades fundamentais e a consciência ambiental da espécie revogando a maioria das idéias que temos de quem e o que realmente somos, juntamente com a ciência, a natureza e a tecnologia ( em vez de religião , política e dinheiro) são a chave para nosso crescimento pessoal, não só como seres humanos individuais, mas como civilização, estrutural e espiritualmente... Logo, a verdadeira mudança nascerá não só do ajuste de nossas decisões e compreensões pessoais, mas também da mudança das estruturas sociais que influenciam essas decisões e compreensões. Além disso, quando percebermos que são a ciência, a tecnologia e, portanto, a criatividade humana que trazem progresso para nossas vidas, seremos capazes de reconhecer nossas verdadeiras prioridades para crescimento pessoal e social e para o progresso. Posto isso, podemos ver que a Religião, a Política e o sistema de Trabalho baseado em Dinheiro/Competição são modos desatualizados de operação social, e que agora precisam ser abordados e transcendidos. Nossa meta é um sistema social que funciona sem dinheiro ou política, ao mesmo tempo em que permite que as superstições percam terreno à medida que a educação avança. Ninguém tem o direito de dizer ao outro em que acreditar, pois nenhum ser humano tem a compreensão completa de nenhum assunto.2

Este filme entre muitos outros materiais como livros, revistas e sites da internet recentemente tem abordado a crítica como novidade entre o mundo acadêmico chamando a atenção de multidões e criando discípulos. Porém, como será verificado, a acusação é antiga e refutável.

Neste estudo abordaremos brevemente o paralelismo encontrado entre o Jesus dos evangelhos e alguns deuses da mitologia, a história da teoria do plágio e a verificação das evidências. Faremos uma exposição sucinta de argumentos utilizados pelos críticos e somente alguns dos contra-argumentos encontrados. Por ocasião da falta de tempo analisaremos apenas as acusações principais contra a existência do Jesus histórico, a saber, nascimento virginal e ressurreição.

Paralelismo
Veremos a seguir então do que se trata esse intenso debate, apenas mencionaremos alguns dos deuses mitológicos seguidos de suas aparentes semelhanças com Jesus Cristo.

Horus, deus egípcio :
•  Nasceu no dia 25 de dezembro de uma virgem
•  Nascimento acompanhado de uma estrela no leste
•  Adorado por três reis
•  Era um mestre aos 12 anos
•  Foi batizado com 30 anos
•  Tinha 12 discípulos
•  Fazia milagres
•  Foi traído, crucificado e morto
•  Depois de três dias ressuscitou
•  Considerado filho de Deus
•  Caminhou sobre as águas
•  Foi transfigurado numa montanha


Attis, deus frígio :

•  Considerado filho de Deus
•  Nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro
•  Considerado um salvador que foi morto pela salvação da humanidade
•  Seu “corpo” como pão era comido pelos adoradores
•  Ele era tanto o divino Filho como o Pai
•  Numa sexta-feira ele foi crucificado numa árvore
•  Levantou-se depois de três dias como “Deus todo-poderoso”






Krishna, deus hindu :
•  Nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro
•  Seu pai terreno era carpinteiro
•  Seu nascimento foi assinalado por uma estrela ao leste
•  Visitado por pastores que o presentearam
•  Foi perseguido por um tirano que ordenou o assassínio de infantes
•  Operava milagres e maravilhas
•  Usava parábolas para ensinar as pessoas sobre caridade e amor
•  Foi transfigurado diante dos discípulos
•  Foi crucificado aos 30 anos
•  Ressuscitou dos mortos e ascendeu aos céus
•  Era a segunda pessoa da trindade
•  Deverá retornar para o dia do juízo em um cavalo branco


Dionysus, deus grego:

•  Nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro
•  Era um mestre viajante que operava milagres
•  Andou em um burro durante uma procissão
•  Transformava a água em vinho
•  Era chamado “Rei dos Reis”e “Deus dos deuses”
•  Considerado “filho de Deus”, “único filho”, “salvador”, “redimidor”, “ungido”, e o “Alfa e o ômega”
•  Foi identificado como um cordeiro
•  Pendurado num madeiro




Mitra, deus persa:

•  Nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro
•  Era um mestre viajante
•  Tinha 12 discípulos
•  Prometia imortalidade aos seus seguidores
•  Sacrificou-se pela paz mundial
•  Realizava milagres
•  Foi enterrado em uma tumba e ressuscitou 3 dias depois
•  Instituiu uma ceia santa
•  Foi considerado o Logos, redimidor, Messias e “o caminho, a verdade e a vida”

O detalhe primordial para a compreensão dessa teoria é que há evidências históricas de que todos esses deuses eram amplamente conhecidos pelo menos um século antes de Cristo. Diante dos paralelos encontramos acusações como as de Timothy Freke e Peter Gandy, dois dos maiores defensores da teoria do Jesus-Mito pagão:

Por que nós consideramos as histórias de salvadores como Osíris, Dionísio, Adônis, Attis, Mitra e outros deuses pagãos fábulas, porém ao encontrarmos essencialmente a mesma história contada em um contexto judeu, acreditamos ser a biografia de um carpinteiro de Belém?3

Quando percebemos tantas semelhanças entre a mitologia pagã e o Jesus do cristianismo parece difícil, à primeira vista, não chegar à conclusão que “Jesus foi um deus pagão...e o cristianismo foi produto herético do paganismo!”.4 Não somente é um mito, mas uma versão judaica de um mito pagão!

A idéia central é basicamente que o deus principal era Osiris-Dionísio e foi consistentemente assimilado por outras culturas locais, dando origem, portanto, ao deus Dionísio na Grécia, que depois formou Attis na Ásia Menor, Adônis na Síria, Bacco na Itália, Mitra na Pérsia e assim por diante. Suas formas eram muitas, mas essencialmente eles eram apenas diferentes versões do mesmo deus, Osiris-Dionísio.

Para verificar a plausibilidade dos argumentos veremos a seguir a história do surgimento e desenvolvimento da teoria, seguido de uma análise dos fatos.

História da teoria
Ao lermos os livros e artigos a respeito da teoria do “Jesus Mito” percebemos um tom de novidade e de descoberta. Porém, estudando a posição acadêmica deísta do século XVIII e XIX vemos que essa percepção implícita está longe de ser verdadeira. Os antecedentes dessa teoria podem retroceder até aos pensadores da Revolução Francesa, como Constatin-François Volney e Charles François Dupuis, na década de 1790. Em artigos publicados nessa década ambos discutiram os numerosos mitos antigos, incluindo a vida de Jesus, que segundo eles eram baseados no movimento do sol através do zodíaco.

Dupuis especialmente identificou rituais pré-Cristãos na Síria, Egito e Pérsia representando o nascimento de um deus por uma virgem. Os trabalhos de Volney e Dupuis rapidamente se espalharam e produziram diversas edições. Porém, sua influência até mesmo na França não passou da primeira metade do século XIX com o desenvolvimento do conhecimento a respeito da mitologia e com as informações corretas sobre o início do cristianismo e seu desenvolvimento. Dupuis destruiu a maior parte de seu material por causa da reação violenta que provocou. De acordo com ele “um grande erro é mais fácil de ser propagado do que uma grande verdade, por que é mais fácil crer do que racionalizar, e por que pessoas preferem as maravilhas dos romances à simplicidade da história”.5


O primeiro defensor acadêmico da teoria do Cristo na mitologia foi o historiador e teólogo do século XIX, Bruno Bauer. Thomas William Doane, em 1882, publicaria “Bible Myths and their Parallels in Other Religions” e Samuel Adrianus Naber, em 1886, escreveria “Verisimilia. Laceram conditionem Novi Testamenti exemplis illustrarunt et ab origine repetierunt”, analisando os mitos gregos “escondidos” na Bíblia. A raiz, porém, do paralelismo de Jesus com deuses pagãos encontra sua origem na escola “História das Religiões”, que se desenvolveu na segunda metade no século XIX. Mais ou menos na metade do século XX, esse ponto de vista havia sido largamente respondido e deixado de lado, até mesmo por acadêmicos que viam o cristianismo como simplesmente uma religião natural.

A teoria que havia uma ampla adoração da morte e ressurreição do deus da fertilidade Tammuz, na Mesopotamia, Adonis, na Síria, Attis, na Ásia Menor, e Osíris, no Egito foi proposto porque colecionou uma grande quantidade de paralelos na quarta parte de seu trabalho monumental The Golden Bough ( 1906, reimpresso em 1961).

Na década de 1930, três acadêmicos franceses, M. Goguel, C. Guignebert, e A. Loisy, interpretaram o cristianismo como uma religião sincretista formada sob a influência das religiões de mistério helenísticas.

Recentemente, Earl Doherty, Robert M. Price e George Albert Wells re-popularizaram a teoria. Também tem sido defendido com afinco por Timothy Freke e Peter Gandy que se popularizaram com a divulgação do livro “The Jesus Mysteries” e “Jesus and the Lost Goddess”. D. M. Murdock (pseudônimo Acharya S.) já publicou três livros em defesa da teoria do Cristo da mitologia. Ela argumenta que os evangelhos foram criados no II Século para competir com outras religiões populares da época.

Acreditamos que uma série de fatores contribuíram para o retorno desta teoria: o interesse pós-moderno em espiritualismo, a crescente falta de embasamento histórico e o acesso pronto à informação não-filtrada através da internet. Analisando a reação de épocas posteriores com respeito à teoria considerada neste trabalho, Edwin Yamauchi provavelmente tem razão em sua afirmação de que “esta visão tem sido adotada por muitos que pouco se dão conta de suas frágeis fundações”.6

A resposta
Finalmente, depois de analisarmos a acusação que sofre a religião Cristã e verificarmos como esta acusação começou e com quem, vamos agora para o exame da mesma e a confirmação de sua confiabilidade.

Por motivo da falta de espaço, iremos analisar detalhadamente apenas os dois aspectos mais importantes dos paralelismos: o nascimento virginal e a ressurreição dos mortos.

Nascimento Virginal
O centro de todo o desentendimento quanto aos paralelos do nascimento virginal dos deuses pagãos com os de Jesus começa já na sua definição. De acordo com o relato de Mateus e Lucas, a definição que encontramos do nascimento de Jesus é de Maria sendo virgem e Jesus sendo fecundado pela operação do Espírito Santo. Porém, não há qualquer relato entre as Religiões de Mistérios que relembre esta situação. A definição dos críticos de nascimento virginal é uma fecundação resultante de um casamento sagrado (entre um casal de deuses) ou fruto do ato sexual entre um deus disfarçado de ser humano e uma mulher mortal (hieros gamos).

Tecnicamente, o que está em questão é a perda ou a preservação da virgindade no processo da concepção. Maria simplesmente “achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mateus 1:18) antes de casar-se e antes de “conhecer” um homem. Portanto, aconteceu sem a interferência de homem ou qualquer forma de conjunção carnal. Se os autores bíblicos tinham qualquer referência anterior, essa seria a citação feita por Mateus de Isaías 7:14.

Em uma das histórias de Dionísio, Zeus foi a Perséfone em forma de serpente e a engravidou, portanto sua virgindade foi tecnicamente perdida. Na versão mais conhecida, Zeus se apaixonou por Semele, princesa da casa de Times. Zeus veio a ela disfarçado de homem mortal e logo Semele estava grávida. Hera, rainha de Zeus, inflamada de ciúmes, se disfarçou como uma mulher idosa e foi até a casa de Semele. Quando Semele revelou seu caso com Zeus, Hera sugeriu que a história de que Zeus era o rei dos deuses poderia ser uma mentira e que talvez ele fosse um mero mortal que inventou a história para que ela dormisse com ele. Quando Zeus foi visitá-la novamente, ela pediu por apenas uma coisa. Zeus jurou que daria a ela o que quisesse. “Apareça a mim como você aparece a Hera”. Relutantemente, mas verdadeiro à sua palavra, Zeus apareceu em toda sua glória, queimando Semele às cinzas. Hermes salvou o feto e levou até Zeus que o costurou a sua coxa e três meses depois deu a luz a Dionísio.7 A história claramente não é comparável ao relato bíblico e, além disso, só existem relatos pós-cristãos. Os deuses e deusas antigos eram típica e muito explicitamente sexuais e ativos, até por que, para o mundo antigo, grandeza era comumente associada com a geração física de um deus. Esse elemento está completamente ausente do relato da concepção virginal de Jesus.

No mito de Horus, o engano continua. De acordo com The Encyclopedia of Mythica , depois de Osíris (pai de Horus) ser assassinado e mutilado em catorze pedaços por seu irmão Set, a esposa de Osíris, a deusa Iris ,a reaveu e remontou o corpo, e em conexão pegou o papel da deusa da morte e dos direitos funerais. Isis engravidou-se pelo corpo de Osíris e deu a luz a Horus nos rios de Khemnis, no Delta do Nilo.8

O relato está muito distante da realidade bíblica, apesar de uma concepção necrofílica ser miraculosa. Mesmo na imagem encontrada em Luxor com Thoth anunciando a Isis que ela conceberia a Horus, a ordem é a concepção e depois o anúncio, enquanto que os evangelhos declaram o anúncio e depois a concepção.

Na pesquisa de Raymond Brown a respeito das narrativas a respeito do nascimento de Jesus ele avalia os exemplos de “nascimentos virginais” não-cristãos e sua conclusão é: Em suma, não há nenhum exemplo claro de concepção virginal no mundo ou nas religiões pagãs que plausivelmente poderia ter dado aos judeus cristãos do primeiro século a idéia da concepção virginal de Jesus.9

Ressurreição
Segundo Paulo, o maior fundamento da fé cristã é a crença na morte e ressurreição de Jesus (I Cor. 15:13, 14). Ainda no início do capítulo de 1 Coríntios 15, os exegetas do Novo Testamento encontram fortes evidências para defender a realidade do fato da ressurreição. E foi justamente nesta pedra fundamental que os críticos aproveitam para divulgar os paralelismos com personagens das religiões de mistério e das deidades que experimentaram morte e ressurreição.

A idéia do paralelo entre os deuses que morrem e ressuscitam e o conceito cristão da morte e ressurreição de Jesus foi popularizada pelo livro de James Frazer, The Golden Bough , primeiro publicado em 1906. Segundo ele e muitos outros críticos da modernidade, não há qualquer diferença entre a ressurreição de Jesus e daquelas deidades que eram conhecidas pela mitologia.

Não é senão a partir do III século A.D. que encontramos suficiente material a respeito das religiões de mistério que permitam uma relativa reconstrução de seu conteúdo. Muitos escritores utilizam-se deste material (depois de 200 A.D) para formular reconstruções das religiões de mistério dos séculos anteriores. Essa prática, porém, é extremamente anti-acadêmica e não pode permanecer sem desafios.10

Na realidade, segundo Pierre Lambrechts, os textos que referem-se à ressurreição são muito tardios, do segundo ao quarto século A.D.11 A aparente ressurreição de Adonis, por exemplo, não tem sequer uma evidência, nem nos textos antigos nem nas representações pictográficas. Quanto à ressurreição de Attis, não há qualquer sugestão que ele foi um deus ressurreto senão até depois de 150 A.D.12

Há ainda o famoso caso da ressurreição do deus Osíris. Nossa versão mais completa do mito de sua morte e ressurgimento é encontrada em Plutarco, que escreveu no segundo século A.D. De acordo com a versão mais comum do mito, Osíris foi assassinado por seu irmão que então o afundou em um caixão no rio Nilo. Ísis descobriu o corpo e o levou de volta ao Egito. Mas seu cunhado mais uma vez ganhou acesso ao corpo, dessa vez o desmembrando em catorze pedaços, os quais ele jogou longe. Depois de muita procura, Ísis recuperou cada pedaço do corpo. É nesse ponto que a linguagem utilizada para descrever o que se seguiu é crucial. Algumas vezes aqueles que contam a história se contentam em dizer que Osíris voltou à vida, mesmo que isso passe longe daquilo que o mito permite dizer. Alguns escritores ainda vão mais longe ao falar sobre a “ressurreição” de Osíris. Ísis restaura o corpo de Osíris e ele é colocado como um deus do mundo dos mortos. Roland de Vaux complementa dizendo:

O que significa Osíris ter “levantado para a vida”? Simplesmente que, graças à ministração de Ísis, ele pode levar uma vida além da tumba que é quase uma perfeita réplica da existência terrestre. Mas ele nunca mais voltará a habitar entre os viventes e reinará apenas sobre os mortos... Este deus revivido é, na realidade, um deus “múmia”.13

Em outras palavras, Osíris é uma deidade que morre, mas não um que ressuscita. Ele é sempre retratado em forma mumificada. Além disso, de acordo com Wilbur Smith, uma das maiores autoridades em religiões antigas, “não há nada nos textos que justifiquem a presunção que Osíris sabia que iria levantar dos mortos, e que se tornaria rei e juiz dos mortos, ou que os Egípcios acreditavam que Osíris morreu em seu favor e que retornou a vida para que eles pudessem levantar da morte também”.14

Vale à pena lembrar também que durante o estágio posterior da religião de mistérios, a deidade masculina do culto a Ísis não era mais Osíris, mas Serapis. Serapis é freqüentemente figurado como um deus do Sol, e fica muito claro que ele não era um deus morto e, conseqüentemente, não ressuscitou. Essa foi a versão em circulação a partir de 300 a.C. até os séculos do início do cristianismo. Portanto, não tinha absolutamente nada parecido com um deus-salvador que morre e ressuscita na era cristã.15 Portanto, como escreveram os autores do livro “Reinventing Jesus”, Komoszewski, Sawyer e Wallace , a “ressurreição” de Osíris está mais parecido com a história de Frankenstein do que a de Jesus.

Mudando de deidade, outro muito mencionado por sua suposta história de reaparição dos mortos é o de Cybele e Áttis. Cybele era uma figura muito adorada no mundo helenístico; o rito para ela antigamente incluía um frenesi nos adoradores homens que os levava a se castrarem.

Encontramos especialmente três mitos diferentes com respeito à vida de Áttis. De acordo com um dos mitos, Cybele amava um pastor de ovelhas chamado Áttis. Por Áttis ter sido infiel, ela o levou a loucura. Tomado de loucura, Áttis castrou-se e morreu. Isso encaminhou Cybele a um luto muito forte e introduziu a morte ao mundo natural. Mas então Cybele restaura Áttis à vida, um evento que também trouxe o mundo da natureza à vida. As pressuposições do intérprete tendem a determinar a linguagem usada para descrever o que se segue à morte de Áttis. Referem-se a ela descuidadamente como “ressurreição de Áttis.” Não há nada que se pareça uma ressurreição corpórea no mito, que sugira que Cybele só podia preservar o corpo morto de Áttis, ou seja, ele volta a vida de forma praticamente vegetativa, pois o mito menciona que os pêlos do seu corpo continuaram a crescer e que ele movimentava um de seus dedos. Em algumas versões do mito, Áttis volta à vida na forma de uma árvore. Nem nesse e nem nas outras três histórias, encontramos morte e ressurreição ou qualquer coisa semelhante ao que vemos nos evangelhos.
Foi somente em celebrações posteriores pelos romanos (depois de 300 A.D.) que algo remotamente semelhante ocorre. A árvore que simbolizava Áttis foi cortada e enterrada dentro de um santuário. Na outra noite, a “tumba” da árvore estava aberta e a “ressurreição de Áttis” foi celebrada. A linguagem, porém é ambígua e os detalhes sobre o culto são remotos; todo o material é muito tardio.

Nas comparações com Krishna, as respostas se tornam ainda mais fáceis de dar. Segundo especialistas em hinduísmo, Krishna foi morto por um caçador que acidentalmente atirou em seu calcanhar. Ele morreu e ascendeu. Não houve qualquer ressurreição e ninguém o viu ascender. Mesmo que o mito da ascensão de Krishna traga algum desconforto, ele pode ser rapidamente resolvido com as declarações de Benjamin Walker em seu livro “ The Hindu World: An Encyclopedia Survey of Hinduism ”: “não pode haver qualquer dúvida que os hindus pegaram emprestado os contos [do cristianismo], mas não o nome”.16 Por estes paralelos virem do Bhagavata Purana e o Harivamsa, Bryant acredita que o Bhagavata Purana seja “anterior ao sétimo século A.D. (apesar de alguns acadêmicos considerarem do século 11 A.D.)” e que o Harivamsa tenha sido composto entre o quarto e o sexto século.

O mesmo caso de datação tardia acontece com o mito de Mitra (a partir do primeiro século A.D.) e o caso de histórias completamente diversas à morte e ressurreição de Cristo acontece com Dionísio e Horus.
Apesar de ser chocante às mentes religiosas ocidentais, é senso comum dentro da história das religiões que imortalidade não é uma característica básica da divindade. Deuses morrem. Alguns deuses simplesmente desaparecem, alguns somente para retornar novamente depois e alguns para reaparecer freqüentemente. Todas as deidades que foram identificadas como fazendo parte da classe de deidades que morrem e ressuscitam podem ser colocados sob duas classes maiores: deuses que desaparecem e deuses que morrem. No primeiro caso, as deidades retornam, mas não haviam morrido, e no segundo caso, os deuses que morrem, mas não retornam. Nenhum desses paralelos, para a concepção judaica, ressuscitou dos mortos, e para alguns acadêmicos hoje paira a dúvida se literalmente existe algum deus que experimentou a morte e a ressurreição. Uma citação muito interessante explica a realidade da teoria:
Desde a década de 1930...um consenso tem se desenvolvido que os ‘deuses que morrem e ressuscitam' morreram mas não retornaram ou levantaram-se para viver novamente...Aqueles que pensam diferente são vistos como membros residuais de espécies quase extintas.17
Outras Diferenças substanciais
Analisamos brevemente as semelhanças e as diferenças dos deuses da morte-levantamento e das Religiões de Mistério com Jesus nos seus aspectos principais. A seguir colocaremos algumas outras diferenças marcantes que não poderiam passar despercebidos.

•  Em todos os casos de deuses que morrem, eles morrem por compulsão e não por escolha, às vezes por orgulho ou desespero, mas nunca por amor sacrifical.18

•  Não há qualquer evidência de religiões de mistério inseridos na Palestina das três primeiras décadas do primeiro século. Não haveria tempo suficiente para que os discípulos fossem influenciados pelos mistérios se eles estivessem dispostos a ser, que não era o caso. Quando a influência dos mistérios atingiu a Palestina, principalmente através do gnosticismo, a igreja primitiva não aceitou, mas renunciou vigorosamente os mitos pagãos. A falta de sincretismo dificulta a concepção.

•  Os deuses que morrem e ressuscitam segundo os mitos, nunca morreram por outra pessoa (vicariamente), e nunca anunciaram morrer pelo pecado. A idéia de uma aliança substitutiva pelo homem é totalmente única ao cristianismo. Além disso, Jesus morreu uma vez por todos os pecados, enquanto os deuses pagãos eram freqüentemente deuses de vegetação que imitavam os ciclos anuais da natureza aparecendo e morrendo diversas vezes.

•  Jesus morreu voluntariamente e sua morte foi uma vitória e não uma derrota, ambos os aspectos são contrários aos conceitos pagãos.19

•  Similaridade não prova dependência. Movimentos sociais e religiosos freqüentemente compartilham formas de expressão ou práticas similares. Não é de se surpreender que encontrássemos paralelos em qualquer religião a respeito de vida após a morte, identificação com uma deidade, ritos de iniciação ou um código de conduta. Se uma religião deseja atrair conversos, precisa apelar para as necessidades e desejos universais dos seres humanos. Mas isso não indica dependência! Em qual cultura, por exemplo, que a imagem de lavar-se em água não significa purificação? O que importa, entretanto, não é a semelhança das palavras e práticas, mas os significados anexados a eles. A fim de provar um caso de dependência é necessário demonstrar uma semelhança na essência e não só na forma. Os escritores normalmente exageram similaridades formais, enquanto ignoram diferenças essenciais entre a história de Jesus e os variados mitos pagãos.

•  Os pagãos nesse período não estavam confusos quanto à exclusividade da Igreja, e chamavam os cristãos de ‘ateus' por causa de sua indisponibilidade fundamental de ceder ou sincretizar. Como J. Machen explica, os cultos de mistério eram não-exclusivistas: “Um homem poderia ser iniciado nos mistérios de Ísis ou Mitras sem ter que abrir mão de suas crenças anteriores; mas se ele quisesse ser recebido na Igreja, de acordo com a pregação de Paulo, deveria abrir mão de todos os outros salvadores para o Senhor Jesus Cristo... Dentre o sincretismo predominante do mundo greco-romano, a religião de Paulo, assim como a religião de Israel, permanece absolutamente distinta”.20

•  A cronologia está toda errada. As crenças básicas do cristianismo existiam no primeiro século, enquanto que o total desenvolvimento das religiões de mistério não aconteceu até o segundo século. Historicamente, é muito improvável que qualquer encontro teve lugar entre o cristianismo e as religiões de mistério pagãs até o terceiro século. Até hoje não há evidência arqueológica de religiões de mistério na Palestina do início do primeiro século.21 A história das influências pode ser dividida em três períodos: Primeiro período (1-200 A. D), as religiões de mistério eram restritas e não exerciam influências nas outras religiões. Se há qualquer influência, ela é na direção contrária: cristianismo influenciou os cultos. Segundo período (201-300 A. D), depois de o cristianismo ter se espalhado pelo mundo romano, as religiões de mistério se tornaram mais ecléticas, suavizando doutrinas severas e conscientemente oferecendo uma alternativa ao cristianismo (aparece o culto a Cybele oferecendo a eficácia do banho de sangue, que antes era de vinte anos, para um período que ia de vinte anos à eternidade), competição com o cristianismo. Terceiro período (301-500 A.D), Cristianismo passou a adotar a terminologia e ritos dos cultos de mistério (e.g., 25 de dezembro).22

•  Como um judeu devoto, o apóstolo Paulo nunca teria considerado pegar emprestados seus ensinamentos de religiões pagãs (Atos 17:16; 19:24–41; Rom 1:18–23; 1 Cor. 10:14), assim como João (1 João 5:21). Não há a mínima evidência de crenças pagãs em seus escritos.

•  Como uma religião monoteísta com um corpo de doutrinas coerente, o cristianismo dificilmente poderia ter pegado emprestado de um paganismo politeísta e doutrinariamente contraditório.

•  Os críticos parecem ignorar completamente o pano-de-fundo hebraico do cristianismo. Quase nenhuma atenção é dada ao rico pano de fundo hebraico no Novo Testamento e o cristianismo primitivo. Termos como “mistério”, “ovelha sacrificada” e “ressurreição” em vez de vir dos mitos pagãos como os escritores sugerem, são baseados nas crenças judaicas encontradas no Antigo Testamento. Além disso, os manuscritos do mar Morto têm vertido muita luz em práticas judaicas que se escondem atrás do Novo Testamento como o batismo, comunhão e bispos.

•  O cristianismo está baseado em eventos da história, não mitos. A morte dos deuses de mistério aparece em dramas místicos sem nenhuma conexão histórica.

•  Se houve qualquer empréstimo, foi na outra direção. À medida que o cristianismo crescia em influência e se expandia, os sistemas pagãos, reconhecendo a ameaça, provavelmente pegariam alguns elementos do cristianismo. Por exemplo, o rito pagão do banho em sangue de touro (taurobolium) inicialmente tinha sua eficácia espiritual de vinte anos. Mas assim que a competição com o cristianismo começou, o culto a Cybele, aumentou sua eficácia de seu rito “de 20 anos a eternidade”23 quase equivalendo assim, à eternidade prometida aos cristãos.

•  O conteúdo moral de amor e compaixão, bondade e ações de caridade eram completamente diferentes. A forma cristã de humildade, permitindo que o próximo bata nas duas faces e o próprio exemplo de Jesus utilizando Seu poder apenas para o bem diferencia seriamente daquilo que vemos na mitologia pagã.

Conclusão
Depois de revisar muitos artigos e livros a respeito da teoria do Cristo na mitologia pagã, tanto dos críticos quanto dos defensores, é difícil não se questionar como esta teoria pode ter se desenvolvido e se propagado da forma como foi e tem sido:

1- O conceito de nascimento virginal encontrado nos mitos pagãos em contraste com o relato bíblico diferem em muito.

2- Ressurreição de acordo com o conceito judaico e cristão não é percebido nos mitos pagãos, mas sim deuses que desaparecem mas não morrem e deuses que morrem mas não reaparecem.

3- A datação dos materiais que podemos usar para ter uma idéia de como eram esses deuses é bastante posterior ao início do cristianismo, não podendo, portanto, ter tido influências no seu desenvolvimento. Se houve influências, foi do cristianismo para o paganismo.

4- Todo o relato do nascimento, vida e morte de Jesus é completamente único ao cristianismo e contém uma originalidade não encontrada nos mitos pagãos.

A conclusão da completa falta de argumentos confiáveis e verossímeis é clara e óbvia e, nas palavras de Ronald Nash:

Esforços liberais de desacreditar a revelação singular cristã através dos argumentos da influência das religiões pagãs destroem-se rapidamente a partir da verificação completa das informações disponíveis. É claro que os argumentos liberais exibem academicismo incrivelmente ruim e com certeza, essa conclusão está sendo muito generosa.24

Fica claro que a melhor conclusão a ser feita é aquela do livro em que encontramos a verdadeira revelação da verdade e da fonte do mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus: a Bíblia. Por que “ não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.25

Referências:
1 Informação retirada do site http://www.zeitgeistmovie.com/, dia 11/05/2009http://www.zeitgeist

2 http://www.thezeitgeistmovement.com/joomla/index.php?Itemid=50 , acessado dia 11/05/2009. (Grifo acrescentado)

3 Timothy Freke e Peter Gandy , The Jesus Mysteries, Three Rivers Press (Setembro, 2001). p. 9

4 Ibid.

5 Charles François Dupuis, The origin of all religious worship (1798). Kessinger Publishing, 2007, p. 293.

6 Edwin M. Yamauchi, Easter: Myth, Hallucination or History? Christianity Today, march, 1974, pt. 1.

7 Barry Powell, Classical Myth (3a. ed.). PrenticeHall. New Jersey, 2001, p. 250.

8 Mich F. Lindemans, Encyclopedia of Mythica . Artigo publicado dia 21 de maio, 1997 no website: http://www.pantheon.org/articles/i/isis.html. Acessado dia 23/08/09 .

9 Raymond E. Brown, The Birth of the Messiah . Anchor Bible, 1999, p. 523.

10 A summary critique the mythological Jesus mysteries a book review of “The Jesus Mysteries: Was the “Original Jesus” a Pagan God?” by Timothy Freke and Peter Gandy. Christian Research Journal, Vol. 26, No. 1, 2003.

11 P. Lambrechts, "La' Resurrection de Adonis," em Melanges Isadore Levy , 1955, p. 207-240 como citado em Edwin Yamauchi, "The Passover Plot or Easter Triumph?" em J. W. Montgomery, (ed), Christianity for the Tough-Minded . Minneapolis: Bethany, 1971.

12 Ibid

13 Roland de Vaux, The Bible and the Ancient Near East. Doubleday, 1971. p. 236

14 Wilbur M. Smith, Therefore Stand. New Canaan, CT: Keats, 1981, p. 583.

15 Ronald Nash, Was the New Testament Influenced by Pagan Religions? Christian Research Journal (Inverno, 1994), p. 8.

16 Benjamin Walker, The Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism , Vol. 1. New York: Praeger, 1983, p. 240-241.

17 Tryggve N. D. Mettinger, The Riddle of Resurrection: "Dying and Rising Gods" in the Ancient Near East . Stockholm, Sweden: Almquist & Wiksell International, 2001, p. 4, 7.

18 J. N. D. Anderson, Christianity and Comparative Religion. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1977, p. 38.

19 Ronald H. Nash, Christianity & the Hellenistic World . Grand Rapids, MI: Zondervan/Probe, 1984, p.
171-172.

20 J. Gresham Machen, The Origin of Paul's Religion . New York: Macmillan, 1925, p. 9.

21 J. Ed Komoszewski, M. James Sawyer, Daniel B. Wallace , Reinventing Jesus . Kregel Publications, 2006, p. 231.

22 Idem, p. 232-233.

23 Nash, Ronald H. Christianity & the Hellenistic World.1984. p. 192-199; citando Bruce Metzger sobre o culto de Cybele.

24 Ronald Nash, Was the New Testament Influenced by Pagan Religions? Christian Research Journal, Inverno 1994, p. 8.


25 Atos 4:12