terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Apócrifos 17: Melchizedek

Livro bastante fragmentado. Faltam muitas linhas, o que dificulta o entendimento. Porém, no pouco se percebe uma teologia gnóstica sobre ents, deuses, etc.

Fala da ressurreição de Jesus no terceiro dia.

Um trecho mais inteiro e confuso:

"Além disso, eles dirão dele que ele é não gerado, embora tenha sido procriado, (que) ele não come, embora ele coma, (que) ele não bebe, embora beba, (que) ele é incircunciso, embora tenha sido circuncidado, (que) ele é incorpóreo, embora tenha entrado na carne, (que) ele não ressuscitou dos mortos, embora tenha surgido dos mortos".

sábado, 14 de janeiro de 2012

Apócrifos 14: O Evangelho de Judas

Judas e Empulhação Gnóstica:
Por Norma Braga
Para quem conhece tanto a cultura esotérica moderna quanto o conteúdo dos quatro evangelhos canônicos, o tal "evangelho" de Judas, texto produzido em meados do século II por gnósticos da seita dos Cainitas e conhecido como evangelho fraudulento por pais da Igreja como Irineu, classifica-se automática e inapelavelmente no primeiro caso – além de ser, para quem teve a pachorra de lê-lo (como eu), um texto chatíssimo, no limite do insuportável. Em vez da expressividade dos evangelhos, o tom do relato apresenta-se vago, etéreo, cheio de detalhes numéricos, remetendo àquele tipo de linguagem pomposa que se quer passar por sábia com pouca ou nenhuma aplicabilidade. Está muito mais para literatura paulocoelhina que para texto bíblico. Os estudiosos dos primeiros séculos fizeram muitíssimo bem em deixá-lo de fora do cânon.
Porém, como chegar a essas conclusões sem conhecer minimamente o gnosticismo? Por isso, uma boa análise de texto, com uma explicação razoável sobre essas teorias, pode ajudar a fazer a diferença entre o cristianismo verdadeiro e uma empulhação gnóstica, empurrada pela inconsequente e ignorante mídia mundial como "novidade" e "séria ameaça" à credibilidade da doutrina cristã.
Gnosticismo vem do grego gnosis , "conhecimento". Enquanto o cristianismo se baseia na revelação de Deus ao mundo – que atinge seu ápice na vinda de Cristo ("Quem vê a mim vê ao Pai", João 14:9; "Eu e o Pai somos um", João 10:30) – , o gnosticismo é um movimento muito antigo e de largo alcance até os dias de hoje, sempre de caráter esotérico ( eso significa "dentro" em grego, e esoterikos , "iniciados"), ou seja, que creditava a uns poucos a iluminação espiritual através de estudos ocultistas. Há uma semelhança impressionante entre as filosofias gnósticas anteriores ao Cristianismo – que floresceram em Babilônia, Egito, Síria e Grécia e procuraram se amalgamar posteriormente ao ensino de Cristo (o "evangelho" de Judas é uma das muitas provas disso) – e os ensinos de Allan Kardec e Madame Blavatsky, ambos nascidos no início do século XIX, que condensaram e impulsionaram o espiritismo e o esoterismo modernos, respectivamente. De fato, as doutrinas espíritas e esotéricas atuais são ramificações do velho tronco gnóstico.
Um bom ponto de partida para diferenciar cristianismo e gnosticismo é uma das questões fundamentais de toda religião: a origem do mal. Para o gnosticismo, doutrina dualista por excelência, a polarização do mundo em bem e mal era existente desde o começo. Rezava o gnosticismo que Deus, pertencente ao mundo espiritual (portanto "bom"), cria sucessivos seres finitos chamados éons, e um deles (Sofia) dá à luz a Demiurgo, deus criador, que fez o mundo material (portanto "mau"). Se o mal está na matéria, a solução lógica para o mal é a libertação deste mundo que se dá após sucessivas passagens da alma na Terra (reencarnação). É por isso que, nas doutrinas gnósticas modernas, o corpo é invariavelmente visto como prisão do espírito. Assim, a solução para o mal no mundo é dada pelo homem, a partir do progressivo desenvolvimento espiritual, quando, tendo atingido um grau máximo de purificação, não mais precisa "rebaixar-se" ao mundo material.
Já no cristianismo, o mal não é criação de algum deus nem atribuído à matéria (criada e aprovada por Deus como "boa" em Gênesis), mas sim conseqüência da vontade de autonomia do homem, que crê poder decidir entre o bem e o mal sem a participação de Deus – de fato, isto é o que significa, segundo consenso dos teólogos, "comer da árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gênesis 2:17) após a proibição divina. Desde então, o mal e sua conseqüência direta, a morte, entram no mundo, e uma das principais tragédias humanas é que, apesar de diferenciar bem e mal, o homem não consegue por si só decidir-se sempre a favor do bem – pois sua autonomia é uma condição artificial, assim como o mal no mundo, que é temporal e não absoluto. Os que reconhecem a necessidade de se arrepender desse desejo de autonomia (que é precisamente o pecado original) e recolocar Deus no centro de sua vontade para uma vida verdadeira são os salvos, que se valem do único meio de fazê-lo: o sacrifício de Jesus, que, sendo Deus encarnado – o único ser humano justo, ou seja, não atingido pelo pecado original – , pode levar embora todo o mal do mundo ao cumprir na cruz a morte que nos era destinada, reconciliando o mundo com Ele. A solução para o mal, portanto, está em Deus, não no homem.
O imbroglio entre visões religiosas tão diferentes começou já nos primórdios da igreja cristã. Na tentativa de conciliação com os ensinamentos de Jesus, gnósticos como Marcião (160 d.C.) e Valentim ensinavam que Cristo é um desses seres finitos (éons) que desceu dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto ( gnosis ) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Nisso consistiria, para eles, a salvação. Temos, portanto, o encaixe da figura de Cristo, desdivinizada, no dualismo gnóstico, com reconhecíveis sinais de mitologia grega (quem deixa de ver Prometeu – aquele que rouba o fogo dos deuses para dá-los aos homens – na figura desse Cristo gnóstico?). Versões ligeiramente diferentes da mesma tentativa de conciliação ocorrem tanto na variação kardecista quanto na esotérica. Segundo Kardec, Jesus também não era Deus (afinal, Deus jamais se "rebaixaria" à matéria), mas sim o ser mais elevado que já passou por esse planeta, deixando-nos um exemplo de amor. E o esoterismo, embora não fale de éons, prega a existência de excelentes "mestres" espirituais ascensionados, que de tão elevados não encarnam mais, cada qual com um raio de atuação. Quem é considerado "o mestre do amor"? Cristo! Da mesma forma que no gnosticismo e no espiritismo, o esoterismo moderno o "encaixa" na fragmentação do governo do mundo, identificando-o apenas como um dos seres mais elevados que atuam sobre nós.
Segundo Allan Kardec, Jesus não era Deus, mas sim o ser mais elevado que já passou por este planeta.
Assim, há uma clara convergência entre o esoterismo moderno, o espiritismo e o gnosticismo nas seguintes considerações centrais: o mal é absoluto e associado à matéria, ao corpo físico, à vida na terra; diante disso, enquanto estamos no mundo físico, a nós pertence a luta contra o mal e a "salvação" (o desenvolvimento do espírito), e para isso Cristo está aí para nos ajudar como um dos mestres (ou éons, ou espírito elevado), transmitindo-nos sabedoria para tal, como parte de uma grande hierarquia de espíritos prontos para guiar o homem – tão grande e tão especializada em diversos assuntos que, em meio a tudo isso, Deus se torna quase um espectador, uma espécie de "força motriz" quieta e silenciosa por trás de toda a agitação dos espíritos. A influência de Deus sobre o mundo é assim diluída no poder de uma miríade de seres angélicos. Em contato com essas doutrinas, o homem não é levado, como na Bíblia, a buscar a Deus ("Buscai o Senhor enquanto se pode achar", Isaías 55:6), mas a se deixar impressionar com o poder de outros seres.
No entanto, como pode alguém ser considerado apenas mestre, éon ou espírito elevado se, em suas próprias palavras, afirma-se Deus? Diz Ele: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30) e "Eu sou a ressurreição e a vida" (João 11:25), entre muitas outras afirmações do mesmo teor. Se seus ensinamentos estão corretos, Ele é o que diz ser, senão não passaria de uma pessoa perturbada, não um grande mestre. Essa contradição não é percebida pelos gnósticos modernos, que deveriam, para uma coerência maior, não usar a Bíblia para respaldar suas crenças.
O "evangelho" de Judas traz exemplos flagrantes de muitas dessas doutrinas gnósticas. Logo no início, o leitor desse texto encontra uma afirmação bombástica: "Quando Jesus surgiu na terra, fez grandes milagres e maravilhas para a salvação da humanidade." A Bíblia nunca associa a salvação a milagres e maravilhas, que são considerados sinais de que Jesus era o Messias esperado pelos judeus, mas sim ao sacrifício de Cristo na cruz por nós. Mas o pensamento gnóstico dilui a salvação, atribuindo-a a uma série de atos isolados, todos partindo do homem, com uma ênfase no conhecimento adquirido pela alma. A maior parte desse evangelho gnóstico consiste assim em ensinamentos de "Jesus" a Judas, com uma longa explicação sobre hierarquias angélicas em uma nova versão para a criação. Diz ele que, primeiro, um grande e invisível espírito está sozinho, uma nuvem surge a seu lado e ele pensa: "Que surja um grande anjo para assistir diante de mim", e esse anjo, chamado "Autogerado", sai da nuvem. A perplexidade do leitor é automática: se esse anjo foi gerado por si mesmo, qual foi o papel do grande espírito ao dizer aquilo? O relato continua e esse Autogerado (ou gerado com uma ajudinha, vá lá) começa a gerar por si inúmeros outros anjos e éons. Segue-se uma incompreensível explanação sobre um personagem chamado Adamas: "Adamas estava na primeira nuvem luminosa que nenhum anjo já vira entre todos aqueles chamados 'Deus'." Esse Adamas é tão poderoso que cria anjos, luminares e éons – de onde a "geração incorruptível de Seth". A partir daí, os números se sucedem em um tedioso relato: doze, vinte e quatro, setenta e dois luminares que fazem trezentos e sessenta luminares por sua vez, com trezentos e sessenta firmamentos – tudo isso para doze éons privilegiados. Ufa! Além disso tudo, esses éons, no final, recebem autoridade, inúmeros anjos e espíritos virgens (?) "para a glória e adoração de todos os éons, céus e firmamentos". Hummm... anjos e espíritos adorando éons? Isso contraria a Bíblia de par a par.
Porém, há mais: Seth, o primeiro da linhagem incorruptível de éons, é chamado de... Cristo! Com ele, outros quatro éons governam "o mundo dos mortos, e principalmente o caos". (Não há explicação de como alguém pode governar o caos .) Enfim, esse universo recheado de seres angélicos governando o mundo sem que Deus tenha um papel significativo em toda a história é a base do ensino gnóstico, sem tirar nem pôr.
Se, na Bíblia, Jesus fala o tempo inteiro no Pai ("Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada", Mateus 15:13; "qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai", Marcos 8:38; "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai", Lucas 10:22; "Por isso o Pai me ama, pois dou a minha vida para a retomar", João 10:17), esse Jesus do evangelho de Judas está muito mais preocupado com anjos, éons e luminares, e alguns desses ainda são adorados – algo considerado anátema (maldito, condenado) na cultura judaica e incorporado pelo cristianismo como um dos princípios básicos: adoração, só a Deus. É por isso que em Apocalipse, por exemplo, o apóstolo João fica extasiado com a luz do anjo que vem falar com ele e se prostra para adorá-lo, mas o anjo imediatamente o faz erguer-se: "Não faças isso! Sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus" (Apocalipse 19:10).
Além dessa diferença fundamental quanto ao poder de Deus no mundo e a adoração, temos também representado no "evangelho" de Judas o conhecido dualismo que absolutiza o bem e o mal. A idéia gnóstica consiste em que o mal é necessário para que o bem sobressaia – e é nisso que se baseia uma pretensa positivação do feito de Judas, tão alardeada pela mídia, para que Jesus pudesse ser crucificado. No entanto, se no gnosticismo o mal é tão absoluto quanto o bem, no cristianismo o mal é um parasita do bem, sujeito a Deus – cuja soberania age no sentido de fazer com que os feitos maus dos homens acabem cooperando para Seus desígnios. A distinção é clara: Deus faz o mal cooperar, mas os homens não são por isso inocentados de seus atos maus. As palavras de Jesus na Bíblia são inequívocas sobre isso, ao tratar do papel de Judas em sua crucifixão: "Pois o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido" (Marcos 14:21). Essa afirmação é tão importante que se repete, com nenhuma variação importante, em Mateus 26:24 e Lucas 22:22. Vê-se que o conceito de mal no cristianismo não coincide com o pensamento gnóstico, que, levado às últimas conseqüências, pode ser utilizado perversamente para justificar e desculpabilizar os maiores crimes, ao inocentar o criminoso com base no argumento de que "seu mal serviu para algo bom".
Esse dualismo gnóstico se desdobra na divisão entre corpo (que é mau) e espírito (que é bom), dicotomia ausente no cristianismo. Na Bíblia, o termo "carne" é usado de maneira apenas metafórica para designar a nossa natureza pecadora que milita contra o Espírito de Deus recebido por nós na salvação para nos vivificar, regenerar e santificar. Isso é patente sobretudo no fato de que Jesus não ressurge como espírito, mas ressuscita , ou seja, tem seu corpo reconstituído por inteiro a ponto de comer com os discípulos (veja Lucas 41-43, por exemplo).
Mas no evangelho gnóstico há uma afirmação atribuída a Jesus que demonstra o dualismo corpo versus espírito: "Você [Judas] irá sacrificar o homem que me aprisiona." Na Bíblia, Jesus jamais se referia ao próprio corpo dessa forma. Sua morte não era, para Ele, uma libertação pessoal da matéria, mas sim um ato de amor para a remissão de pecados daqueles que cressem Nele – ato que será relembrado agora, na Páscoa, para a alegria dos que foram feitos Filhos de Deus a partir de Seu sacrifício.
Portanto, você pode até crer no "evangelho" de Judas e lançar fora tudo o que está escrito nos evangelhos canônicos. Mas seja coerente: não deixe de chamar de "gnosticismo", e não de cristianismo, o conjunto dos ensinamentos desse "evangelho". Quanto a mim, fico com o que o próprio Jesus disse, "Errais, por não compreender as Escrituras nem o poder de Deus" (Mateus 22:29), e com a advertência de um de seus apóstolos: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema" (Gálatas 1:8)".
O Evangelho de Judas:

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Apócrifos 13: Didaqué

INTRODUÇÃO - A Instrução dos Doze Apóstolos
Instrução do Senhor para as nações segundo os Doze Apóstolos,
Parte I - O Caminho da Vida e o Caminho da Morte
CAPÍTULO I
1 - Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois.
2 - Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.
3 - Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.
4 - Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.
5 - Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: pede-se por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.
6 - Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.

CAPÍTULO II
1 - O segundo mandamento da instrução é:
2 - Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.
3 - Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.
4 - Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.
5 - A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.
6 - Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.
7 - Não odeie a ninguém, mas corrijam alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.

CAPÍTULO III
1 - Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.
2 - Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.
3 - Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.
4 - Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce à idolatria.
5 - Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.
6 - Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.
7 - Seja manso pois os mansos herdarão a terra.
8 - Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranqüilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.
9 - Não louve a si mesmo, nem se entrege à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.
10 - Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.

CAPÍTULO IV
1 - Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente onde à soberania do Senhor é anunciada.
2 - Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.
3 - Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.
4 - Não hesite sobre o que vai acontecer.
5 - Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.
6 - Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.
7 - Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa.
8 - Não rejeite o necessitado. Compartilhe tudo com seu irmão e não diga que as coisas são apenas suas. Se vocês estão unidos nas coisas imortais, tanto mais estarão nas coisas perecíveis.
9 - Não se descuide de seu filho ou filha. Muito pelo contrário, desde a infância instrua-os a temer a Deus.
10 - Não dê ordens com rudeza ao seu escravo ou escrava pois eles também esperam no mesmo Deus que você; assim, não perderão o temor de Deus, que está acima de todos. Certamente Ele não virá chamar a pessoa pela aparência, mas somente aqueles que foram preparados pelo Espírito.
11 - Quanto a vocês, escravos, obedeçam aos seus senhores, com todo o respeito e reverência, como à própria imagem de Deus.
12 - Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.
13 - Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.
14 - Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.

CAPÍTULO V
1 - Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.
2 - Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.
CAPÍTULO VI
1 - Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.
2 - Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.
3 - A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.

Parte II - A Celebração Litúrgica
CAPÍTULO VII
1 - Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
2 - Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.
3 - Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
4 - Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.
CAPÍTULO VIII
1 - Seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.
2 - Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão-nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre".
3 - Rezem assim três vezes ao dia.

CAPÍTULO IX
1 - Celebre a Eucaristia assim:
2 - Diga primeiro sobre o cálice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre".
3 - Depois diga sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.
4 - Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre".
5 - Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".

CAPÍTULO X
1 - Após ser saciado, agradeça assim:
2 - Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.
3 - Tu, Senhor onipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.
4 - Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.
5 - Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.
6 - Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém."
7 - Deixe os profetas agradecerem à vontade.

Parte III - A Vida em Comunidade
CAPÍTULO XI
1 - Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.
2 - Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.
3 - Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.
4 - Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.
5 - Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.
6 - Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar onde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.
7 - Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.
8 - Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.
9 - Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.
10 - Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.
11 - Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.
12 - Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.

CAPÍTULO XII
1 - Acolha toda aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.
2 - Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.
3 - Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.
4 - Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.
5 - Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!

CAPÍTULO XIII
1 - Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.
2 - Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.
3 - Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.
4 - Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.
5 - Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.
6 - Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.
7 - Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.

CAPÍTULO XIV
1 - Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.
2 - Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.
3 - Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações".

CAPÍTULO XV
1 - Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.
2 - Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.
3 - Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.
4 - Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.

Parte IV - O Fim dos Tempos
CAPÍTULO XVI
1 - Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.
2 - Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.
3 - De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.
4 - Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.
5 - Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.
6 - Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos.
7 - Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele".
8 - Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.
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Um pouco do histórico do Didaqué:
Didaquê (Διδαχń em grego clássico) ou Instrução dos Doze Apóstolos, é um escrito do primeiro século que trata do catecismo cristão. Didaquê significa doutrina, instrução. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico.

O título lembra a referência de Atos 2,42: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos ...”.

Estudiosos estimam que são escritos anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e 70 d.C. Outros estimam que foi escrito entre os anos 70 e 90 d.C., contudo são coesos quanto a origem sendo na Palestina ou Síria.

Quanto a sua autenticidade, é de senso comum que o mesmo não tenha sido escrito pelos doze apóstolos, ainda que o título do escrito faça menção aos mesmos; mas estudiosos acreditam na compilação de fontes orais tendo recebido tais ensinos que resultaram na elaboração do mesmo. Também é senso comum que tenha sido escrito por mais de uma pessoa.

O texto foi mencionado por escritores antigos, inclusive por Eusébio de Cesaréia que viveu no século III, em seu livro "História Eclesiástica", mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do século XI ( ano 1056 ) ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla.

Nos escritos da Didaquê, além da catequese e liturgia cristã, o evangelho de Jesus é recomendado. A Didaquê também cita a oração do “Pai Nosso” como sendo “ensinada pelo Senhor” e finda com a afirmação em consonância com o livro Apocalipse, do Novo Testamento, de que Jesus voltará:

“ ... conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.” [Didaquê 16:7,8]

Nos escritos da Didaquê também são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo [7:1,3], sendo argumento para os que aceitam o dogma da Trindade, contrapondo-se a defesa dos não trinitários de que não existiam escritos cristãos do primeiro século que defendessem o batismo no nome de Jesus.
A respeito de Jesus, ainda sobre o batismo, diz: “Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor [Jesus] disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".” [9,5]
Tais escritos também sustentam argumentos de que existiam escritos do primeiro século apoiando a defesa da tese teológica de que Jesus é Deus.
Sobre questões polêmicas como o batismo, adverte para o batismo em imersão; sendo admitido por aspersão na inexistência de água corrente.
Nos escritos da Didaquê há uma similaridade quando se referencia hora ao Pai como o Senhor [Didaquê 10] e hora a Jesus como o Senhor [Didaquê 16], o que é aceito por alguns a interposição entre as duas pessoas. Também fazendo a distinção de pessoa chamando Jesus de servo do Pai.[9,3]
A Didaquê faz registro da celebração da eucaristia no domingo (dia do Senhor):
"Reuni-vos no dia do Senhor, para romperdes o pão e dardes graças" [Didaquê 14,1].
A Didaquê cita diretamente ou faz menção indireta a diversos livros do novo testamento: sendo Mateus, Lucas, I Epístola aos Coríntios, Hebreus, I Epístola da Pedro, Atos dos Apóstolos, Romanos, Efésios, Carta aos Tessalonicenses e Apocalipse.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Didaqu%C3%AA
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Minha Opinião:
É mais um documento que vem acrescentar fidedignidade ao Canôn. Nenhum ensino contido nele contradiz os escritos canônicos.
Se trata também de mais um documento do I século que nos traz a eclesiologia dos primeiros discípulos. Desde comportamentos rotineiros, até questões como batismo, ceia, disciplina e um pouco de Escatologia.
Também é interessante ressaltar a citação "Pai, Filho e Espírito Santo". Ou seja, mais um texto que vem favorecer a ortodoxia da doutrina da Trindade.
A razão de não ter sido incluído no Canôn, no caso deste escrito, é desconhecida por mim. Porém, o fato é que, se não o foi, não se trata de questões doutrinárias ou ensinos contrários ao NT.
No mais, o Didaqué é mais um documento que vem a fortalecer a ortodoxia e contradizer as teorias céticas de manipulação católica dos escritos.
Pipe

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Apócrifos 12: Epístola de Policarpo aos Filipenses

Policarpo e os presbíteros que estão junto dele, à Igreja de Deus que está em Filipos: Piedade a vocês, e paz do Todo-poderoso Deus, e do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador, sejam multiplicadas.

I. Exortação aos Filipenses
Tenho me alegrado grandemente convosco em nosso Senhor Jesus Cristo, pois vocês têm seguido o exemplo do verdadeiro amor [como mostrado por Deus], e tenho acompanhado, assim como vocês, todos aqueles que estão acorrentados, os ornamentos dos santos, e aqueles que são de fato os diademas dos verdadeiros eleitos de Deus e de nosso Senhor; e porque as fortes raízes de vossa fé, falando de dias a muito tempo transcorridos, suportaram até agora, e trouxeram frutos a nosso Senhor Jesus Cristo, que por nossos pecados sofreu até a morte, [mas] "que Deus ressuscitou da morte, tendo afrouxado as faixas do túmulo". "No qual, embora não O vejam, acreditem, e acreditando, regozijem-se em inexprimível alegria e cheios de glória"; onde todos os homens desejam entrar, sabendo que "pela graça vocês serão salvos, não pelas obras", mas pela vontade de Deus através de Jesus Cristo.

II. Exortação à Virtude.
Por causa disso, cinjam suas cinturas, "sirvam o Senhor no temor" e na verdade, como aquele que tem renunciado ao inútil, as conversas vãs e os erros da multidão, e "acreditado nAquele que ressuscitou nosso Senhor Jesus Cristo da morte, e Lhe deu a glória", e um trono a sua direita. Por Ele todas as coisas no Céu e na Terra estão subordinadas. A Ele todo espírito serve. Ele vem como o Juiz dos viventes e dos mortos. Deus pedirá conta do sangue Dele por aqueles que não acreditam Nele. Mas Aquele que ressuscitou dentre os mortos também nos ressuscitará, se fizermos sua vontade e seguirmos seus mandamentos, e se amarmos o que Ele amou, abstendo-nos de toda injustiça, arrogância, amor ao dinheiro, murmurações, falsos testemunhos, "não pagando mal por mal, injúria por injúria", golpe por golpe, maldição por maldição, mas sendo misericordiosos por causa do que o Senhor disse em seus ensinamentos: "Não julguem para não serem julgados; perdoem e serão perdoados; sejam misericordiosos e alcançarão misericórdia; pois com o que medirem vocês será medido”; e uma vez mais: "Abençoados são os pobres, e aqueles que são perseguidos por causa da verdade, pois deles é o Reino de Deus".

III. Fé, esperança e caridade.
Não é por mim mesmo, irmãos, que lhes escrevo sobre a justiça, e sim porque vocês me pediram primeiro. Pois nem eu, nem ninguém como eu, pode chegar à sabedoria do abençoado e glorificado Paulo. Ele, estando entre vocês, comunicou com exatidão e força a palavra da verdade na presença daqueles que estão vivos ainda. E quando vos deixou, escreveu-lhes uma carta, que, se a estudarem com cuidado, encontrarão o sentido de terem sido erguidos na fé que lhes foi dada, e que, sendo seguida da esperança e precedida pelo amor para com Deus e Cristo, assim como para nosso próximo, "é a mãe de todos nós".

Pois todo aquele que permanecer nessas virtudes, este cumpriu os mandamentos da justiça. Pois quem permanece na caridade está longe de todo pecado.

IV. Várias exortações.
"Mas o amor pelo dinheiro é a raiz de todo os males". Sabendo, por tanto, que assim como nós não trouxemos nada ao mundo, nós não podemos levar nada dele", revistam-se com a arma da justiça; e aprendamos nós mesmos, antes de tudo, a caminhar nos mandamentos do Senhor. Depois, [ensinem] suas esposas [a andar] na fé dada a elas, e na caridade e na pureza, amando ternamente seus únicos maridos com toda a fidelidade, e amando todos [os outros] igualmente com toda a castidade; e a educar suas crianças no conhecimento e no temor de Deus. Ensinem as viúvas a serem discretas, como diz a fé de nosso Senhor, orando continuamente por todos, permanecendo longe de toda calúnia, murmuração, falso testemunho, amor ao dinheiro, e todo tipo de mal; sabendo que são o altar de Deus, que percebe claramente todas as coisas, e que nada Lhe é escondido, nem raciocínios, nem pensamentos, nem as coisas secretas do coração.

V. Os deveres dos diáconos, jovens e virgens.
Sabendo, portanto, que "Deus não é fingido", precisamos caminhar dignos de Seus mandamentos e de sua glória. Da mesma maneira os diáconos devem ser inocentes diante da face de Sua justiça, como sendo servos de Deus e de Cristo, e não dos homens. Eles não devem ser caluniadores, falsos, ou amantes do dinheiro, mas temperados em tudo, misericordiosos, trabalhadores, andando de acordo com os mandamentos do Senhor, que foi o servo de todos. Se lhe somos agradáveis no tempo presente, também receberemos o mundo vindouro, de acordo com o que Ele prometeu a nós, de que Ele nos ressuscitará da morte, e que se nós vivemos condizentes com Ele, "nós reinaremos junto com Ele" se ao menos tivermos fé. Da mesma maneira, que os jovens também sejam irrepreensíveis em todas as coisas, sendo especialmente cuidadosos para preservar a pureza, e mantendo-se, como que um freio, de todo tipo de mal. Pois é bom que eles cortem fora toda a luxúria que existe neste mundo, pois "todo desejo da carne luta contra o espírito"; e "nenhum fornicador, nem efeminado, nem aquele que abusa de si mesmo com os outros terá parte no reino de Deus", nem quem faz ações inconsistentes e indevidas. Por isso, é preciso que eles se abstenham de todas essas coisas, permanecendo obedientes aos presbíteros e diáconos, assim como a Deus e a Cristo. As virgens devem andar com uma consciência inocente e pura.

VI. Os deveres dos presbíteros e dos outros.
Os presbíteros devem ser compassivos e misericordiosos com todos, trazendo de volta aqueles que sairam do caminho reto, visitando os doentes, sem desprezar a viúva, o órfão, ou o pobre, mas sempre "provendo a estes o que é bom diante de Deus e dos homens"; abstendo-se de toda cólera, respeitando as pessoas, e não fazendo julgamentos injustos; mantendo-se longe de toda cobiça, sem pensar mal rapidamente de ninguém, sem serem severos demais nos julgamentos, sabendo que nós todos estamos sobre o débito do pecado. E se nós suplicamos ao Senhor para nos perdoar, também nós devemos perdoar os outros; pois nós estamos diante dos olhos de nosso Senhor e Deus, e "todos nós deveremos comparecer ao tribunal de Cristo, e deveremos todos dar conta de nós mesmos". Por isso devemos serví-lo no temor, e com toda e reverência, conforme Ele mesmo nos manda, da mesma maneira que os apóstolos nos ensinaram no Evangelho, e da mesma maneira que os profetas proclamaram a vinda do Senhor. Sejamos zelosos na busca do que é bom, mantendo-nos longe das causas de ofensa, de falsos irmãos, e daqueles que hipocritamente proclamam o nome do Senhor, fazendo os homens vãos cair no erro.

VII. Contra o docetismo. Perseverar no jejum e na oração.
"Pois que não confessar que Jesus Cristo veio na carne [encarnou], este é anticristo"; e quem não confessar o testemunho da cruz, este é do demônio; e quem perverter as profecias do Senhor para sua própria satisfação, e diz que não há nem ressurreição nem julgamento, este é o primeiro nascido de Satanás. Por isso abandonemos os discursos vãos das multidões, e suas falsas doutrinas, e voltemos aos ensinamentos que nos foram dados desde o princípio; "permaneçamos sóbrios na oração", e perseveremos no jejum; suplicando em nossas orações ao Deus que vê tudo "para que não nos deixe cair em tentação", pois o Senhor disse: "O espírito está pronto, mas a carne é fraca".

VIII. Perseverar na esperança e na paciência.
Continuemos perseverando em nossa esperança, nas primícias da justiça, que é Jesus Cristo, "que carregou nossos pecados em seu próprio corpo no madeiro da cruz", "que não cometeu pecado, nem foi achada astúcia em Sua boca", mas suportou todas as coisas por nós, para que pudéssemos viver Nele. Sejamos imitadores de Sua paciência; e se nós sofremos pelo nome Dele, seremos glorifiquemos Ele. Pois este é o exemplo que Ele mesmo nos deu, e que nós temos acreditado.

IX. Exortação à paciência.
Eu os exorto, portanto, a obedecerem atenciosamente à palavra da justiça, e a exercitarem a paciência, assim como vocês têm visto diante de seus olhos, não somente no caso dos abençoados Inácio, Zózimo e Rufo, mas também no caso dos outros que estão entre vocês, no próprio Paulo, e no restante dos apóstolos. [Façam isso] na certeza de que todos estes não caminharam em vão, mas na fé a na justiça, e na certeza de que eles estão [agora] no lugar que lhes corresponde na presença do Senhor, com quem eles também sofreram. Eles não amaram o século presente, mas Aquele que morreu por nós e que, por nossa causa, foi ressuscitado por Deus da morte.

X. Exortação na prática da virtude.
Permaneçam, portanto, nestas coisas, e sigam o exemplo do Senhor, permanecendo firmes e imutáveis na fé, amando o próximo, e permanecendo unidos uns aos outros, gozando juntos da verdade, mostrando a mansidão do Senhor nas suas relações com o próximo, sem desprezar ninguém. Quando puderem fazer o bem, não o posterguem, pois "a esmola livra da morte". Todos vocês estão submetidos uns aos outros tendo uma conduta justa entre os gentios, para que vocês recebam em dobro a recompensa de suas boas obras, e para que o Senhor não seja blasfemado por causa de vocês. Mas coitado é aquele por quem o nome do Senhor é blasfemado! Ensinem, portanto, a sobriedade a todos, e a manifestem em sua própria conduta.

XI. Expressão de pena por causa de Valente.
Eu estou muito triste por Valente, que foi presbítero entre vocês, pois ele não entendeu completamente o cargo que foi lhe dado [na Igreja]. Exorto-os, portento, que se abstenham da avareza, e que sejam castos e verdadeiros. "Abstenham-se de todo tipo de mal". Pois se um homem não pode se governar nestes assuntos, como pode ensiná-los aos outros? Se um homem não se mantém longe da avareza, ele se desonra pela idolatria, e deve ser julgado como um dos pagãos. Mas quem de nós está ignorando o julgamento do Senhor? "Não sabemos nós que os santos devem julgar o mundo?", como Paulo ensina. Mas eu nem vi nem ouvi nada semelhante entre vocês, no meio daqueles com quem Paulo trabalhou, e que estão louvados no início de sua Epistola. Com efeito, ele se gloria de vocês diante de todas as Igrejas que sozinhas conheciam o Senhor; mas nós [de Esmirna] ainda não O conhecíamos. Eu estou profundamente entristecido, pois, irmãos, por ele (Valente) e por sua esposa; a quem o Senhor talvez conceda uma penitência verdadeira! E sejam vocês sóbrios em atenção e este assunto, e "não os olhe como inimigos", mas chame-os de volta como membros sofredores e perdidos, pois vocês devem salvar todo o corpo. Agindo assim vocês edificam-se a si mesmos.

XII. Exortação a várias virtudes.
Por isso acredito que vocês estão bem versados nas Sagradas Escrituras, e que nada é escondido de vocês; mas a mim este privilégio não é ainda garantido. Pois está declarado nas Escrituras, "Enfureçam-se, e não pequem mais", e "Não deixem que o Sol se ponha sobre sua ira". Feliz é quem se lembra disso, o que eu acredito seja o caso de vocês. Que o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e Ele mesmo, que é o Filho de Deus, e nosso eterno Pontífice edifique-os na fé e na verdade, e em toda mansidão, gentileza, paciência, magnanimidade, tolerância e pureza; e Ele lhes dê parte de sua herança entre os santos, e a nós convosco, e a todos os que estão debaixo do céu, que crêem em nosso Senhor Jesus Cristo, e em Seu Pai, que "O ressuscitou dentre os mortos". Orem por todos os santos. Orem também pelos reis, e pelas autoridades, e príncipes, e por aqueles que vos perseguem e vos odeiam, e pelos inimigos da cruz, de modo que seu fruto seja manifestado a todos, e que vocês sejam perfeitos Nele.

XIII. A respeito da transmissão das cartas.
Vocês e Inácio escreveram-me, para que se alguém for [daqui] para a Síria, que levassem a carta de vocês; eu atenderei esta requisição se eu encontrar uma boa oportunidade, pessoalmente, ou através de uma outra pessoa, que vos sirva de mensageiro. Quanto às cartas de Inácio, as que ele nos enviou e as outras que pudermos ter aqui, nós vo-las enviaremos como pedistes. Vão anexas. Podereis retirar delas grande utilidade; pois encerram fé, paciência e toda espécie de edificação relativas a nosso Senhor. Qualquer outra informação que vocês conseguirem a respeito de Inácio e daqueles que estão com ele, tenham a gentileza de nos informar.

XIV. Conclusão.
Estas coisas eu tenho escrito a vocês através de Crescente, a quem recentemente lhes recomendei e agora lhes recomendo novamente. Ele tem crescido irrepreensível entre nós, e eu creio que será da mesma maneira entre vocês. Também vocês irão receber sua irmã, quando ela chegar entre vocês. Sejam salvos em nosso Senhor Jesus Cristo [Incólumes estote in domino Iesu Christo]. Que a graça esteja com todos vocês. Amém.

Fim
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Nascido em uma família cristã por volta dos anos 70, na Ásia Menor (hoje Turquia), Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Em sua juventude costumava se sentar aos pés do Apóstolo do amor. Também teve a oportunidade de conhecer Irineu, o mais importante erudito cristão do final do segundo século. Inácio de Antioquia, em seu trajeto para o martírio romano em 116, escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna.


Apesar de escrever várias cartas, a única preservada até a data, foi a endereçada aos Filipenses no ano 110. Nesta carta, Policarpo enfatiza a fé em Cristo, e o desenvolvimento da mesma através do trabalho para Cristo na vida diária. Também faz alusão à carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses e usa citações diretas e indiretas do Velho e Novo Testamento, atestando-os como canônicos. Na mesma carta, ele repete muitas informações recebidas dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, ele é uma testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja primitiva no segundo século.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Apócrifos 11: Oração de Manassés


 ORAÇÃO DE MANASSÉS
(Esta oração encontra-se nas Bíblias gregas e eslavas, mas não faz parte do cânon católico, razão porque foi colocada - tardiamente - em separado, em apêndice, na Vulgata latina.

A oração é certamente de origem judaica e imita os salmos penitenciais. O autor, desconhecido, utilizou-se do grego e escreveu a oração provavelmente entre os séculos II ou I a.C, possivelmente no Egito. Existem antigas traduções também em siríaco, armênio e árabe.
Tal oração teria sido pronunciada por ocasião da conversão do ímpio Manassés, o mesmo que é enfocado pelo segundo livro das Crônicas. Talvez por isso, a parte introdutória segue de perto 2 Cron. 23,11-14.)
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Alocução
1 Ó Senhor onipotente, Deus de nossos pais, de Abraão, Isaac e Jacó, e de toda a sua descendência de justos;
2 Tu que criaste os céus e a terra, com tudo o que neles existe;
3 que acorrentaste o mar com a tua palavra forte, que confinaste o abismo, selando-o com teu Nome terrível e glorioso;
4 pelo qual se abalam todas as coisas, tremendo perante teu poder;
5 ninguém pode sustentar o esplendor da tua glória, e a tua ira contra os pecadores é insuportável,
6 embora sem medidas e sem limites é a tua misericórdia prometida;
7 Tu és o Senhor das Alturas, de imensa compaixão, grande tolerância e gigantesca misericórdia; demonstras piedade com o sofrimento humano! Ó Senhor, conforme tua imensa bondade, prometeste penitência e perdão àqueles que pecaram contra Ti, e na clemência sem conta apontaste a penitência aos pecadores para que pudessem ser salvos.

Confissão dos Pecados
8 Assim, Senhor, Deus dos justos, não apontaste penitência para os justos, para Abraão, Isaac e Jacó, que não pecaram contra Ti, mas apontaste penitência para mim, que sou pecador.
9 Os pecados que cometi são superiores aos grãos de areia do mar; minhas transgressões são múltiplas, ó Senhor: elas se multiplicaram! Não sou digno de levantar os olhos para os céus em razão da multidão de minhas iniqüidades.
10 Estou sobrecarregado com pesadas correntes de ferro; fui rejeitado em razão dos meus pecados, e não recebo consolo por ter provocado a tua ira e ter feito aquilo que é mau perante os teus olhos, realizando coisas abomináveis e multiplicando as ofensas.
Pedido de Perdão
11 Agora eu dobro os joelhos do meu coração e imploro a tua amizade.
12 Eu pequei, Senhor! Eu pequei, e reconheço as minhas transgressões.
13a Ardentemente eu te imploro: perdoe-me, Senhor! Perdoe-me! Não destrua-me com as minhas transgressões! Não te zangues comigo para sempre, nem guardes o mal para mim! Não me condenes às profundezas da terra!

Agradecimento
13b Tu és, Senhor, o Deus daqueles que se arrependem,
14 e em mim manifestarás a tua bondade; pois, miserável como sou, tu me salvarás por tua grande misericórdia,
15 e eu irei orar a Ti incessantemente por todos os dias da minha vida. Pois toda a milícia celeste proclamam a tua honra e tua é a glória para sempre. Amém.

Fim
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A Concordância com a Bíblia:
A história do Rei Manassés encontra-se em 2 Rs 20:21 à 21:18, e, em 2 Cr 32:33 à 33:20.

O Salmo está em concordância com 2 Cr 33:

Manassés foi um Rei que cometeu pecados terríveis contra Deus:
2 Ele fez o que o SENHOR reprova, imitando as práticas detestáveis das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas.
3 Reconstruiu os altares idólatras que seu pai Ezequias havia demolido, ergueu altares para os baalins e fez postes sagrados. Inclinou-se diante de todos os exércitos celestes e lhes prestou culto.
4 Construiu altares no templo do SENHOR, do qual o SENHOR tinha dito: “Meu nome permanecerá para sempre em Jerusalém”.
5 Nos dois pátios do templo do SENHOR ele construiu altares para todos os exércitos celestes.
6 Chegou a queimar seus filhos em sacrifício no vale de Ben-Hinom; praticou feitiçaria, adivinhação e magia, e recorreu a médiuns e aos que consultavam os espíritos. Fez o que o SENHOR reprova, provocando-o à ira.
7 Ele tomou a imagem esculpida que havia feito e a colocou no templo, do qual Deus tinha dito a Davi e a seu filho Salomão: “Neste templo e em Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, porei meu nome para sempre.
8 Não farei os pés dos israelitas deixarem novamente a terra que dei aos seus antepassados, se tão-somente tiverem o cuidado de fazer tudo o que lhes ordenei em todas as leis, decretos e ordenanças dados por meio de Moisés”.
9 Manassés, porém, desencaminhou Judá e o povo de Jerusalém, ao ponto de fazerem pior do que as nações que o SENHOR havia destruído diante dos israelitas.
10 O SENHOR falou a Manassés e a seu povo, mas não lhe deram atenção.
11 Por isso o SENHOR enviou contra eles os comandantes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam Manassés, colocaram-lhe um gancho no nariz e algemas de bronze, e o levaram para a Babilônia.

O Arrependimento de Manassés:
12 Em sua angústia, ele buscou o favor do SENHOR, o seu Deus, e humilhou-se muito diante do Deus dos seus antepassados.
13 Quando ele orou, o SENHOR o ouviu e atendeu o seu pedido e o trouxe de volta a Jerusalém e a seu reino. E assim Manassés reconheceu que o SENHOR é Deus.
14 Depois disso ele reconstruiu e aumentou a altura do muro externo da Cidade de Davi, a oeste da fonte de Giom, no vale, até a entrada da porta do Peixe, em torno da colina de Ofel. Também pôs comandantes militares em todas as cidades fortificadas de Judá.
15 Manassés tirou do templo do SENHOR os deuses estrangeiros e a imagem que havia colocado lá, bem como todos os altares idólatras que havia construído na colina do templo e em Jerusalém; e jogou-os fora da cidade.
16 Depois restaurou o altar do SENHOR e sobre ele ofereceu sacrifícios de comunhão e ofertas de gratidão, ordenando a Judá que servisse o SENHOR, o Deus de Israel.
17 O povo, contudo, continuou a sacrificar nos altares idólatras, mas somente ao SENHOR, o seu Deus.

Observem que o autor de Crônicas citará a oração de Manassés:
18 Os demais acontecimentos do reinado de Manassés, inclusive sua oração a seu Deus e as palavras que os videntes lhe falaram em nome do SENHOR, o Deus de Israel, estão escritos nos registros históricos dos reis de Israel.
É bem possível de que seja a esta oração que o autor esteja se referindo.

19 Sua oração e a resposta de Deus, bem como todos os seus pecados e a sua infidelidade, além dos locais onde construiu altares idólatras e ergueu postes sagrados e ídolos, antes de humilhar-se, tudo está escrito nos registros históricos dos videntes.

20 Manassés descansou com os seus antepassados e foi sepultado em sua propriedade. E seu filho Amom foi o seu sucessor.