segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ateísmo: Uma Cosmovisão Irracional


Dr. Jason Lisle

Tradução de Marcelo Herberts

Ateus estão “saindo do armário” e se tornando mais enfáticos na sua mensagem de que “não há Deus”. O professor Richard Dawkins (líder ateu na Grã-Bretanha) encoraja aqueles que partilham das suas visões a manifestarem suas opiniões. Autor de The God Delusion (em português: Deus, Um Delírio, ed. Companhia das Letras, 2007), Dawkins diz que pretende “libertar as criançasde serem doutrinadas com a religião dos seus pais ou da sua comunidade”. 1 Estarão os cristãos preparados para “dar uma resposta” às reivindicações dos ateus? 2

O ateísmo materialista é uma das cosmovisões mais fáceis de se refutar. O ateu materialista crê que a natureza é tudo o que há. Ele crê que não existe um Deus transcendente que supervisiona e mantém a criação. Muitos ateus crêem que sua cosmovisão é racional – e científica. No entanto, por abraçar o materialismo, o ateu destruiu a possibilidade de conhecimento, bem como de ciência e tecnologia. Em outras palavras, se o ateísmo fosse verdadeiro, seria impossível provar qualquer coisa!

Eis o porquê
O raciocínio envolve o uso das leis da lógica. Elas incluem a lei da não contradição, em que você não pode ter A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Por exemplo, a declaração “Meu carro está no estacionamento, e não é o caso de que o meu carro está no estacionamento” é necessariamente falsa pela lei da não-contradição. Qualquer pessoa racional aceitaria essa lei. Mas por que ela é verdadeira? Por que deveria existir uma lei da não-contradição, ou no que diz respeito ao assunto, quaisquer leis do raciocínio? O cristão pode responder essa pergunta. Segundo o cristão existe um padrão absoluto para o raciocínio; nós moldamos os nossos pensamentos segundo os pensamentos de Deus. As leis da lógica refletem a forma divina de pensar. A lei da não-contradição não é simplesmente a opinião de uma pessoa sobre como devemos pensar, mas antes, se origina da natureza auto-coerente de Deus. Deus não pode negar a si mesmo (2 Timóteo 2:13), e assim, a forma com que Deus sustenta o universo será necessariamente não-contraditória.

As leis da lógica são o padrão do pensamento de Deus. Uma vez que Deus é um Ser imaterial, imutável e soberano, as leis da lógica são entidades abstratas, universais e invariáveis. Em outras palavras, elas não provêm da matéria – elas se aplicam em todos os lugares e em todas as ocasiões. As leis da lógica são dependentes da natureza imutável de Deus. E são necessárias para o raciocínio lógico. Portanto, o raciocínio lógico seria impossível sem o Deus bíblico. 3

O ateu materialista não pode ter leis da lógica. Ele crê que tudo o que existe é material – parte do mundo físico. Mas as leis da lógica não são físicas. Você não pode bater o seu pé numa lei da lógica. As leis da lógica não podem existir no mundo ateísta, ainda que o ateu as empregue na tentativa de raciocinar. Isso é inconsistente. Ele está tomando emprestado algo da cosmovisão cristã para argumentar contra ela.

A visão do ateu não pode ser racional pois ele emprega coisas (leis da lógica) que não podem existir debaixo da sua profissão.

O debate sobre a existência de Deus é num certo sentido como um debate sobre a existência do ar. 4 Você pode imaginar alguém argumentando que o ar de fato não existe? Aparentemente essa pessoa ofereceria excelentes “provas” contra a existência do ar, ao mesmo tempo respirando e esperando que ouvíssemos as suas palavras, já que o som é transmitido pelo ar. Para ouvirmos e compreendermos a sua alegação, esta deveria estar necessariamente errada. Da mesma forma o ateu, por argumentar que Deus não existe, precisa usar as leis da lógica que apenas fazem sentido se Deus existe. Para fazer sentido, seu argumento deveria estar errado.
Como o Ateu Poderia Responder?

O ateu poderia dizer, “Bem, eu posso raciocinar numa boa, e não creio em Deus”. Mas isso não é diferente do crítico do ar dizer, “Bem, eu posso respirar numa boa, e não creio no ar”. Não é uma resposta racional. Respiração requer ar, e não uma profissão de fé no ar. Do mesmo modo, raciocínio lógico requer Deus, e não uma profissão de fé nEle. É claro que o ateu pode raciocinar; isso porque Deus fez a sua mente e lhe deu acesso às leis da lógica – e este é o ponto. Porque Deus existe é que o raciocínio é possível. O ateu pode raciocinar, mas dentro da sua própria cosmovisão ele não pode justificar a sua capacidade de raciocinar.

O ateu poderia responder, “As leis da lógica são convenções criadas pelo homem”. Mas convenções são (por definição) convencionais. Isto é, todos nós concordamos com elas e assim elas funcionam – como dirigir pelo lado direito da estrada. Mas se as leis da lógica fossem convencionais, diferentes culturas poderiam adotar diferentes leis da lógica (como dirigir pelo lado esquerdo da estrada). 5 Assim, em algumas culturas seria perfeitamente adequado se contradizer. Em algumas sociedades a verdade poderia ser autocontraditória.

Claramente, isso não funcionaria. Se as leis da lógica são apenas convenções, não são leis universais. O debate racional seria impossível se as leis da lógica fossem convencionais, pois as pessoas num debate poderiam simplesmente adotar diferentes padrões de raciocínio. Cada qual estaria certa segundo o seu próprio padrão arbitrário.

O ateu poderia responder, “As leis da lógica são materiais – originaram-se de conexões eletroquímicas no cérebro”. Mas então as leis da lógica não são universais; elas não se estenderiam para além do cérebro. Em outras palavras, nós não poderíamos argumentar que contradições não podem ocorrer em Marte, pois não há um só cérebro em Marte. De fato, se as leis da lógica são meras conexões eletroquímicas no cérebro, elas seriam de algum modo diferentes de pessoa para pessoa, pois cada pessoa possui diferentes conexões em seu cérebro.

Ocasionalmente um ateu tentaria uma resposta mais pragmática: “Usamos as leis da lógica porque elas funcionam”. Infelizmente para ele, essa não é a questão. Todos nós concordamos que as leis da lógica funcionam; elas funcionam porque são verdadeiras. A questão é por que elas existem em primeiro lugar? Como o ateu poderia justificar a existência de padrões absolutos como as leis da lógica? Como podem coisas não-materiais tais como leis existir se o universo é apenas material?

Como um último recurso, o ateu poderia abdicar de uma visão estritamente materialista e concordar que existem leis universais e imateriais. Trata-se de uma imensa concessão; acima de tudo, se uma pessoa está disposta a reconhecer que poderia ser o caso de existirem entidades imateriais, universais e imutáveis, ela deveria considerar a possibilidade da existência de Deus. Mas esta concessão não salva a posição atéia. Ela precisa ainda justificar as leis da lógica. Por que elas existem? E qual é o ponto de contato entre o mundo físico material e o mundo imaterial da lógica? Em outras palavras, por que o universo material é compelido a seguir leis imateriais?
O ateu não pode responder essas questões. Sua cosmovisão não pode ser justificada; ela é arbitrária e, portanto, irracional.5

Conclusões
Claramente, o ateísmo não é uma cosmovisão racional. Ele é autorefutável porque o ateu precisa primeiro assumir o oposto daquilo que tenta provar para ser capaz de provar qualquer coisa. Como colocou o Dr. Cornelius Van Til, “Ateísmo pressupõe teísmo”. As leis da lógica requerem a existência de Deus – não qualquer deus, mas o Deus cristão. Apenas o Deus da Bíblia pode ser o fundamento para o conhecimento (Provérbios 1:7; Colossenses 2:3). Uma vez que o Deus da Escritura é imaterial, soberano e transcendente sobre o tempo, faz sentido existir leis da lógica imateriais, universais e imutáveis. Uma vez que Deus se revelou ao homem, somos capazes de conhecer e usar a lógica. Uma vez que Deus fez o universo e posto Ele ter criado as nossas mentes, faz sentido elas terem uma capacidade para estudar e compreender o universo. Mas se o cérebro é simplesmente o resultado de processos evolutivos cegos que trouxeram algum tipo de valor de sobrevivência do passado, por que deveríamos confiar em suas conclusões? Se o universo e as nossas mentes são simplesmente o resultado do tempo e do acaso, como argumenta o ateu, por que deveríamos esperar que a mente entenderia o universo? Como seriam possíveis a ciência e a tecnologia? 6

O pensamento racional, a ciência e a tecnologia fazem sentido numa cosmovisão cristã. O cristão possui um fundamento para essas coisas; o ateu não. Não que os ateus não possam ser racionais em certas coisas. Eles podem porque também foram feitos à imagem de Deus e têm acesso às leis da lógica de Deus. Mas eles não possuem qualquer fundamento racional para a racionalidade dentro de suas próprias cosmovisões. Da mesma forma, os ateus podem ser morais, mas não têm qualquer fundamento para essa moralidade a partir daquilo em que alegam crer. O ateu é um embrulho ambulante de contradições.

Ele raciocina e faz ciência, mas nega o mesmo Deus que faz o raciocínio e a ciência possíveis. Por outro lado, a cosmovisão cristã é consistente e dá sentido à experiência e ao raciocínio humano.

Referências:
1 “Atheists arise: Dawkins spreads the A-word among America’s unbelievers” The Guardian, 1º de Outubro, 2007.http://www.guardian.co.uk/usa/story/0,,2180901,00.html
2 Veja 1 Pedro 3:15.
3 N. do T. Leia também http://www.monergismo.com/…/resen…/logica_clark_crampton.pdf
4 O filósofo cristão Dr. Greg Bahnsen freqüentemente usava essa analogia. O Dr. Bahnsen era conhecido como o “homem mais temido pelos ateus”. N. do T. A própria concepção de diferentes leis da lógica pressupõe as leis da lógica clássica. Elas são inevitáveis.
6 N. do T. Além disso, por que o objetivo da mente humana seria a verdade e não apenas a sobrevivência?

7 http://www.answersingenesis.org/…/…/v2/n4/atheism-irrational

domingo, 23 de junho de 2013

AVIVAMENTO NAS ILHAS FIJI

Pobres ateus


Me disseram que o ateísmo está crescendo.
Fiquei a pensar... Quem quer o mundo oco e solitário dos ateus?
Não eu!
Eu quero o mundo povoado dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos animistas...
Quero um mundo onde a gente não esteja só.
Um mundo com anjos de pé e caídos.
De entidades, de elfos, de mística, de mágica, de mistérios...
Quero o mundo onde os tambores invoquem.
Onde a multidão de línguas estranhas dos pentecostais façam os seres da escuridão retroceder.
Quero o mundo que produziu Beethoven, que, surdo dizia ouvir a música que Deus queria escutar, a quem aplaudiu na nona.
Que produziu Shakespiere, que disse que havia mais entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, e que valia morrer por amor.
Que desafiou Mozart a zombar de Deus, enquanto, qual o profeta Balaão, só conseguia emitir os sons que boca de Deus entoa!
Quero o encanto catártico de Haendell gritando ALELUIA! de forma arrebatadora!
A beleza de Bach nos fazendo ver a paz da Família Eterna.
Quero mundo das lindas e majestosas catedrais e dos pregadores das praças, das esquinas, dos caminhos...
Da riqueza sonora profunda dos cantos gregorianos e dos vociferantes pregadores: convocando os homens a mudar e o Espírito Santo a se levantar contra o mal.
Quero o mundo que faça um ser humano, diante a pior das borrascas, ver o seu salvador andando sobre o mar, anunciando a possibilidade.
Aquele em que o guerreiro, diante da incerteza, se ajoelha perante o Eterno e se levanta com um brilho nos olhos, certo de que tem uma missão, um motivo para brandir a espada, porque se há de correr o sangue humano, tem de haver uma razão, que dando significado a vida o faça não temer a morte.
Um mundo de poetas e romancistas, que fazem a morte gerar vida, que contam histórias porque , em meio ao mais insano, há algo para contar, e se há o que contar, então significa; e se há como contar, então há um significante anterior, de modo que, por mais que cada leitor possa, de alguma maneira, reinventar, ninguém consegue negar que leu, e, se leu, podia ser lido.
Quero a fé que faz uma menina entrar numa das melhores faculdades do pais, sonhando que um dia, tudo o que sabe ajudará um ser desprovido de tudo, num dos miseráveis cantões do planeta, a sorrir com esperança!
Quero a loucura dos missionários que abandonam tudo no presente, certos de que levarão milhares a viver o futuro.
Quem quer o socialismo frio do ateus?
Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores, e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!
Da ciência não quero as equações, quero o grito de "Eureka!", onde o cálculo se mistura com a revelação.
Da matemática quero a música, a certeza de que há sons no universo, que não só os podemos cantar, mas que há quem nos ouve.
Que ouviremos a grande e última trombeta, que reunirá toda a criação para o canto da redenção.
Eu não quero capitalismo nenhum, mas prefiro o dos seres humanos que acreditavam que o trabalho é um culto ao Criador e que o seu produto tinha de gerar um mercado a serviço do bem.
Quem quer o capitalismo consumista dos ateus, que reduz a vida ao aqui e agora, e transforma todos em desesperados que, pensando que não sobrará para eles, correm para acumular para o nada?
Os ateus dizem que evoluímos, mas que não vamos para lugar nenhum; que a ciência pode tudo; que verdade é a palavra dos vencedores; que os mais fortes sobreviverão, e que é o direito natural deles.
Não! Mil vezes não!
Quero o mundo onde os fracos tenham direito ao Reino; onde os mansos herdarão a terra; onde os que choram serão consolados; onde os que têm fome e sede de justiça serão fartos; onde os que crêem na justiça estejam prontos a morrer por ela; onde os mortos ressuscitarão.
Quem quer um mundo explicado, onde tudo é virtude ou falha de um neuro-transmissor qualquer?
Quero um mundo onde a fé , o amor, a paixão curem, mudem histórias e construam caminhos! Onde os artistas tenham o que registrar!
Um mundo onde o sol nasça e se ponha, onde as estrelas, polvilhando o infinito, apontem um caminho, falem da esperança de uma grande e decisiva família, e que qualquer ser humano ao ver isso, não se envergonhe de falar: maravilha! Um Deus fez isto!
Mas não quero a teologia técnica...
Quero o Deus apaixonado dos cristãos, que abandona sua glória e se faz gente, trazendo a divindade para a humanidade e, ressuscitado, ao voltar, leva a humanidade para a divindade!
Quero o Deus inquieto de Israel, o pai dos judeus, com quem é possível lutar.
Quero do Deus que se permite ser detido por um Jacó.
Quero o Deus chorão de Jesus de Nazaré, que mesmo a gente tendo brigado com Ele, nunca conseguiu brigar conosco.
O Deus Pai, Mãe e Filho que repartiu conosco o privilégio de ser!
Quero o mundo do medo do desconhecido, e do maravilhar-se com o desconhecido: o mundo do encanto.
Como disse o pai da filosofia moderna, o que se descobre ser ao pensar, precisa de um mundo para aterrissar, precisa que haja alguém que faça pensar valer a pena, alguém que, ao fim, é da onde se pensa, e se ele não existe, então nada existe, porque o que pensa não tem como pensar a partir de si.
Quero o mundo que ri da finitude; que desdenha das limitações; que resiste ao sofrimento; que olha para o infinito sabendo que nossa existência não é determinada pela morte ou por nossas impossibilidades; que não somos frutos de um acidente.
Quero mundo que se sustenta na fé de que ressuscitaremos, de que brilharemos como o sol ao meio dia; de que vale a pena lutar pelo bem; de que vale a pena existir!


Por Teológo Ariovaldo Ramos

sábado, 22 de junho de 2013

Comparando Pós-Modernismo, Modernismo e Teísmo



 Assunto
Modernismo
Pós-Modernismo
Bíblico (Teísmo)
Natureza Humana
Os seres humanos são máquinas puramente materiais. Vivemos num mundo puramente físico. Nada existe além do que nossos sentidos percebem.
Nenhuma opinião sobre este assunto, mas suspeita de tais reivindicações dogmáticas de conhecimento.
Os seres humanos são os únicos seres sobre a terra criados à imagem de Deus. Eles são espirituais e materiais.
Livre-Arbítrio
(Autonomia)
Os seres humanos são auto-governantes e livres para escolher sua própria direção.
As pessoas são o produto de sua cultura e somente imaginam serem auto-governantes.
O livre-arbítrio do ser humano foi drasticamente diminuído por uma queda moral da graça, mas eles ainda são responsáveis pelo uso do seu livre-arbítrio remanescente. O desejo das pessoas de serem autônomos é pecaminoso - nós fomos criados para dependermos de Deus.
Visão da Razão
As pessoas devem ser "otimistas racionalistas". Elas devem depender somente de dados de seus sentidos e razão.
Não há tal coisa como racionalidade objetiva (isto é, a razão não ser afetada pela influência) no sentido que os modernistas usam o termo. O racionalismo é um mito.
A razão é necessária, mas não suficiente para o entendimento da realidade. A razão pode desvelar a verdade sobre a realidade, mas a fé e a revelação não necessárias além disso.
Visão do Progresso
A humanidade está progredindo pelo uso da ciência e da razão.
"Progresso" é uma palavra código usada pelos modernistas para justificar o domínio da cultura européia sobre as outras culturas.
Os seres humanos não estão progredindo para qualquer futuro glorioso. Contudo, os avanços que aliviam os sofrimentos e prolongam a vida são bons.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Cristão e o Cético diante do Sofrimento


"Enquanto o cristão olha para o sofrimento e se prostra para curar as feridas e levar esperança, o cético cruza os braços e faz uso do sofrimento para roubar a fé e a esperança". 

Pipe Desertor

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Se Deus existisse não haveria sofrimento

Um homem foi cortar o cabelo e a barba. Como sempre acontece, ele e o barbeiro conversaram sobre várias coisas, até que, por causa duma notícia dum jornal sobre meninos abandonados, o barbeiro afirmou:

- Como o senhor pode ver, esta tragédia mostra que Deus não existe

- Como?

- O senhor não lê jornais? Vemos tantas pessoas a sofrer, crianças abandonadas, crimes de todo tipo. Se Deus existisse não haveria sofrimento.

O cliente ficou a pensar, mas o corte estava quase a acabar e resolveu não prolongar a conversa. Voltaram a discutir temas mais amenos. O serviço foi terminado, o cliente pagou, e saiu. Entretanto, a primeira coisa que este viu foi um mendigo, com barba de à muitos dias para fazer e longos cabelos todos despenteados.

Imediatamente, voltou à barbearia e disse para a pessoa que o atendera:

- Sabe de uma coisa? Os barbeiros não existem.

- Como não existem? Eu sou barbeiro.

- Não existem! - insistiu o homem. Porque se existissem, não haveria pessoas com barba tão grande e cabelo despenteado como o que acabo de ver na esquina.

- Posso garantir que os barbeiros existem. Acontece que este homem nunca veio até aqui.

- Exatamente! Então, para responder a sua pergunta, Deus também existe.


O que passa é que as pessoas não vão até Ele. Se o buscassem, seriam mais solidários e não haveria tanta miséria no mundo.

domingo, 16 de junho de 2013

Como Pensar Sobre o Secularismo



Wolfhart Pannenberg é um dos maiores teólogos protestantes do mundo. Professor de Teologia Sistemática na Universidade de Munique. Nesse artigo ele fala sobre como se deve pensar a questão do secularismo. Ferrenho defensor da aliança entre fé cristã e razão e opositor dos teólogos que desprezam o valor da história para a fé cristã. Ele afirma, entre outras coisas, que o cristão não deve temer a investigação crítica mas sim incentivá-la, visto que se a fé cristã é verdadeira nenhuma investigação crítica poderá derrubá-la a não ser por visões de mundo que pressupõe príncipios necessariamente hostis à fé Cristã que muitos teólogos adotam. Excelente artigo não só para teólogos mas para qualquer cristão culturalmente engajado.

Tradução: Vitor Grando

O que quer que se queira dizer com secularização, poucos questionariam que nesse século a cultura pública se tornou menos religiosa. Isso não é apenas, como alguns sugerem, simplesmente o resultado da separação entre igreja e estado que aconteceu primeiramente há aproximadamente dois séculos antes. Tal separação não acarretou a alienação da cultura de suas raízes religiosas. Na América, por exemplo, o fim da religião estabelecida pelo estado não significou o fim do caráter predominantemente Cristão e Protestante da cultura Americana. Em outras sociedades Ocidentais, a relação entre o estado e uma outra Igreja Cristã continuou a ser efetiva até este século. Ainda assim nessas sociedades, também, nós vemos evidência de secularização, tipicamente bem mais avançada do que nos Estados Unidos. Secularização não é causada pela separação entre igreja e estado. As raízes do processo de secularização, que fez com que a cultura pública se alienasse da religião, e especialmente do Cristianismo, estão enraizadas no século dezessete.

O clima público de secularimo enfraquece a confiança dos Cristãos na verdade do que eles crêem. Em A Rumour of Angels (1969), Peter L. Berger descreve os crentes como uma “minoria cognitiva” cujos padrões de conhecimento se desviam do que é publicamente aceito. Berger escreveu sobre “estruturas de plausibilidade”. As pessoas precisam do apoio social para se assegurar que um certo relato da realidade é plausível. Quando tal apoio é enfraquecido, as pessoas precisam reunir uma forte determinação pessoal para que possa manter crenças que estão em desacordo com as crenças dos outros ao seu redor. “É possível, é claro, ir contra o consenso social que nos cerca,” Berger nota, “mas existem poderosas pressões sociais (que se manifestam como pressões psicológicas dentro de nossas consciências) que nos fazem nos conformar com as visões e crenças de nossos próximos.” Essa é precisamente a experiência de Cristãos vivendo numa cultura dominantemente secular.

Num ambiente secular, mesmo um conhecimento elementar do Cristianismo – sua história, ensinamentos, textos sagrados, e figuras formativas – se enfraquece. Não é mais uma questão de rejeitar os ensinamentos Cristãos; um enorme número de pessoas sequer tem o mais vago conhecimento de quais ensinos são esses. Isso é uma desenvolvimento notório quando considera-se quão fundamental o Cristianismo é para toda a história da cultura Ocidental. Quanto mais ampla for a ignorância em relação ao Cristianismo, maior será o preconceito contra o Cristianismo. Assim, pessoas que não sabem nem a diferença em Saulo de Tarso e João Calvino acham que tem toda certeza de que o Cristianismo foi provado como uma religião de opressão. Quando tais pessoas se interessam por religião ou “espiritualidade” – sendo esse interesse uma reação natural à superficialidade da cultura secular – elas frequentemente não se voltarão para o Cristianismo, mas sim para “religiões alternativas”.

Nessa circunstância cultural, não é fácil comunicar a mensagem Cristã. A dificuldade é exacerbada pela relativização cultural da própria idéia de verdade. Isso difere significativamente do secularismo Iluminista. Os pensadores secularistas do Iluminismo desafiaram os Cristãos a justificar suas afirmações de verdade por meio de argumentos racionais ao invés de simplesmente apelar para a autoridade religiosa. Mas ambos, Cristãos e seus oponentes criam que havia uma verdade sobre as questões em disputa. Isso não é mais crido hoje. Na visão de muitos, incluindo muitos Cristãos, as doutrinas Cristãs são mera questão de opinião que podem ou não ser afirmadas de acordo com as preferências do indivíduo, ou dependendo de se elas falam diretamente a desejos pessoais.

A dissolução da ideia de verdade – de verdade que não precisa da minha aprovação para ser verdade – debilita severamente o entendimento Cristão de evangelização ou missão. Proclamação missionária antigamente era entendida como levar a verdade aos outros, e era tanto legitima como extremamente importante. Para muitos hoje, a empreitada missionária é uma questão de impor nossas preferências pessoas e preconceitos culturalmente condicionados sobre os outros, e é, portanto não só ilegítima como moralmente ofensiva. Além das questões de missões, devemos nos perguntar por que as pessoas deveriam aceitar a fé Cristã a menos que elas acreditem que o ensinamento apostólico é verdadeiro. Mais precisamente, hoje a questão é se tem sentido afirmar que o ensinamento Cristão é verdadeiro. A ideia de verdade é absolutamente vital para a fé Cristã. A destruição dessa ideia é a chave para legitimação da cultura secular, visto que a ideia da verdade toca na maior vulnerabilidade do secularismo.

Fontes:
How To Think About Secularism - Wolfhart Pannenberg – LeaderU


sábado, 15 de junho de 2013

Uma história de Louis Pasteur


Fato ocorrido em 1892. Um senhor de uns 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta.

Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no Evangelho de Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices é a Palavra de Deus. Estou errado?
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal... Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário. Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba.

No cartão estava escrito: Professor Doutor Louis Pasteur - Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.

"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima".


Louis Pasteur.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Cientistas Famosos que Criam em Deus

por Richard L. Deem
1. Nicolau Copérnico (1473-1543)
Copérnico foi o astrônomo polonês que propôs o primeiro sistema de planetas matematicamente baseado ao redor do sol. Ele lecionou em várias universidades européias, e tornou-se um cônego da igreja Católica em 1497. Seu novo sistema foi apresentado realmente pela primeira vez nos jardins do Vaticano, em 1533, ao Papa Clemente VII, que o aprovou, e Copérnico foi encorajado a publicá-lo sem demoras. Copérnico nunca esteve sob qualquer ameaça de perseguição religiosa - e ele foi encorajado a publicar a sua obra tanto pelo Bispo Católico Guise, como também pelo Cardeal Schonberg e pelo Professor Protestante George Rheticus. Copérnico se referia às vezes a Deus em suas obras, e não via seu sistema como em conflito com a Bíblia.


2. Johannes Kepler (1571-1630)
Kepler foi um brilhante matemático e astrônomo. Ele primeiramente trabalhou com a luz, e estabeleceu as leis do movimento planetário em torno do sol. Ele também chegou perto de atingir o conceito Newtoniano da gravidade universal - bem antes de Newton nascer! Sua introdução da idéia de força na astronomia, a mudou radicalmente numa direção moderna. Kepler era um luterano extremamente sincero e piedoso, cujas obras sobre a astronomia continham escritos sobre como o espaço e os corpos celestiais representam a Trindade. Kleper não sofreu perseguição por causa de sua aberta confissão de um sistema heliocêntrico, e, deveras, foi lhe permitido, mesmo sendo um protestante, permanecer na Universidade Católica de Graz como um professor (1595-1600), quando outros protestantes tinham sido expulsos!


3. Galileu Galilei (1564-1642)
Galileu é freqüentemente lembrado por seu conflito com a Igreja Católica Romana. Sua obra controversa sobre o sistema solar foi publicada em 1663. Ela não tinha provas de um sistema solar heliocêntrico (as descobertas do telescópio de Galileu não indicavam uma terra em movimento), e sua única "prova", baseada sobre as marés, era inválida. Ela ignorou as órbitas elípticas corretas dos planetas, publicadas há vinte e cinco anos atrás, por Kepler. Visto que sua obra acabou colocando o argumento favorito do Papa na boca do tolo no diálogo, o Papa (um velho amigo de Galileu) ficou muito ofendido. Após o "teste" e, tendo sido proibido de ensinar o sistema heliocêntrico, Galileu fez sua obra teórica mais útil, que foi sobre dinâmica. Galileu disse expressamente que a Bíblia não podia errar, ele viu seu sistema relacionado ao assunto de como a Bíblia deve ser interpretada.


4. René Descartes (1596-1650)
Descartes foi um matemático, cientista e filósofo francês, que tem sido chamado o pai da filosofia moderna. Seus estudos escolares fizeram com que ele ficasse insatisfeito com a filosofia precedente: Ele tinha uma profunda fé religiosa como um Católico, que ele reteve até o dia de sua morte, junto com desejo resoluto e apaixonado de descobrir a verdade. Aos 24 anos de idade teve um sonho, e sentiu o chamado vocacional para buscar trazer o conhecimento num único sistema de pensamento. Seu sistema começou perguntando o que se pode ser conhecido, se tudo mais for duvidoso - sugerindo o famoso "Penso, logo existo". Realmente, é freqüentemente esquecido que o próximo passo para Descartes foi estabelecer a mais próxima certeza da existência de Deus - porque somente se Deus existe e não queira que sejamos enganados pelas nossas experiências, podemos confiar em nossos sentidos e processos lógicos de pensamento. Deus é, portanto, central em toda a sua filosofia.


O que ele realmente queira, era ver sua filosofia adotada como padrão do ensino Católico. René Descartes e Francis Bacon (1561-1626) são geralmente considerados como as figuras-chave no desenvolvimento da metodologia científica. Ambos tinham sistemas nos quais Deus era importante, e ambos pareciam mais devotos do que o normal para a sua era.

5. Isaac Newton (1642-1727)
Na ótica, mecânica e matemática, Newton foi uma figura de gênio e inovação indisputável. Em toda sua ciência (incluindo a química), ele viu a matemática e os números como centrais. O que é menos conhecido é que ele foi devotamente religioso e via os números como envolvidos no entendimento do plano de Deus, na Bíblia, para a história. Ele produziu uma grande quantia de trabalho sobre numerologia bíblica, e, embora alguns aspectos de suas crenças não fossem ortodoxos, ele estimava a teologia como muito importante. Em seu sistema de física, Deus é essencial para a natureza e a perfeição do espaço. Em Principia ele declarou: "Este magnífico sistema do sol, planetas e cometas, poderia proceder somente do conselho e domínio de um Ser inteligente e poderoso. E, se as estrelas fixas são os centros de outros sistemas similares, estes, sendo formados pelo mesmo conselho sábio, devem estar todos sujeitos ao domínio de Alguém; especialmente visto que a luz das estrelas fixas é da mesma natureza que a luz do sol e que a luz passa de cada sistema para todos os outros sistemas: e para que os sistemas das estrelas fixas não caiam, devido à sua gravidade, uns sobre os outros, Ele colocou esses sistemas a imensas distâncias entre si.".


6. Robert Boyle (1791-1867)
Um dos fundadores e um dos primeiros membro-chave da Sociedade Real, Boyle deu seu nome à "Lei de Boyle" para os gases, e também escreveu uma obra importante sobre química. A Enciclopédia Britânica diz dele: "Por sua vontade ele doou uma série de leituras, ou sermões, que ainda continuam, para defender a religião Cristã contra os infiéis notórios...Como um Protestante devoto, Boyle teve um interesse especial na promoção da religião Cristã no exterior, dando dinheiro para traduzir e publicar o Novo Testamento para o irlandês e turco.

Em 1690, ele desenvolveu suas visões teológicas no The Christian Virtuoso (O Cristão Virtuoso), que ele escreveu para mostrar que o estudo da natureza era um dever religioso central". Boyle escreveu contra os ateus em seus dias (a noção de que o ateísmo é uma invenção moderna é um mito), e foi claramente um Cristão muito mais devoto do que a maioria em sua época.

7. Michael Faraday (1791-1867)
O filho de um ferreiro que se tornou um dos maiores cientistas do século XIX. Sua obra sobre a eletricidade e magnetismo não somente revolucionou a física, mas conduziu à muitas coisas que fazem parte do nosso estilo de vida hoje, as quais dependem dela (incluindo computadores, linhas de telefone e web sites). Faraday foi um Cristão devoto, membro do Sandemanianismo [Nota do tradutor: seita cristã fundada em aproximadamente 1730, na Escócia, por John Glas (1695-1773), um ministro presbiteriano da Igreja da Escócia, juntamente com o seu genro, Robert Sanderman, de quem é derivado o nome da seita], o que significativamente o influenciou e fortemente afetou a maneira na qual ele se aproximou e interpretou a natureza. Os Sandemanianos se originaram dos presbiterianos que rejeitaram a idéia de igrejas estatais, e tentaram voltar ao tipo de Cristianismo do Novo Testamento.


8. Gregor Mendel (1822-1884)
Mendel foi o primeiro a lançar os fundamentos matemáticos da genética, o qual veio a ser chamado "Mendelianismo". Ele começou sua pesquisa em 1856 (três anos antes de Darwin publicou sua Origens das Espécies) no jardim do Monastério no qual ele era um monge. Mendel foi eleito Abade de seu Monastério em 1868. Sua obra permaneceu comparativamente desconhecida até a virada do século, quando uma nova geração de botânicos começaram a achar resultados similares e a "redescobri-lo" (embora suas idéias não fossem idênticas às suas). Um ponto interessante é que 1860 foi a década da formação do X-Clube, dedicado à diminuição das influências religiosas e propagação de uma imagem de "conflito" entre ciência e religião. Um simpatizante foi Francis Galton, primo de Darwin, cujo interesse científico estava na genética (um proponente da eugenia - aperfeiçoamento da raça humana para "melhorar" o estoque).


Ele estava escrevendo sobre como a "mente sacerdotal" não era propícia à ciência, enquanto que, quase ao mesmo tempo, um monge australiano estava dando um santo inovador na genética. A redescoberta da obra de Mendel veio tarde demais para afetar a contribuição de Galton.

9. Kelvin (William Thompson) (1824-1907)
Kelvin foi o primeiro dentre um pequeno grupo de cientistas britânicos que ajudaram a lançar os fundamentos da física moderna. Sua obra cobriu várias áreas da física, e é dito ele ter mais cartas com o seu nome do que qualquer outra pessoa na Comunidade Britânica, visto que ele recebeu numerosos graus de honorários das Universidades Européias, que reconheceram o valor de sua obra. Ele foi um Cristão muito comprometido, certamente mais religioso que a maioria de sua época. Interessantemente, seus companheiros físicos, George Gabriel Stokes (1819-1903) e James Clerk Maxwell (1831-1879), foram também homens de profundo comprometimento Cristão, numa era quando muitos eram Cristãos nominais e apáticos, ou simplesmente anti-Cristãos. A Enciclopédia Britânica diz: "Maxwell é considerado por muitos dos físicos modernos como o cientista do século XIX que teve a maior influência sobre os físicos do século XX; ele é posto ao lado de Sir Isaac Newton e Albert Einstein, por causa da natureza fundamental de suas contribuições". Lord Kelvin foi um criacionista da Terra antiga, que estimava a idade da Terra como sendo algo entre 20 milhões e 100 milhões de anos, com um limite máximo de 500 milhões, baseado nas taxas refrescantes.


10. Max Planck (1858-1947)
Planck fez muitas contribuições para a física, mas é mais conhecido pela teoria quantum, a qual tem revolucionado nosso entendimento dos mundos atômicos e sub-atômicos. Em sua palestra "Religião e Ciência Natural", Planck expressou a visão de que Deus está presente em todos os lugares, e sustentou que "a santidade da Deidade inteligível é transmitida pela santidade de símbolos". Os ateus, ele pensava, dão muita atenção ao que são meramente símbolos. Planck foi um representante da igreja de 1920 até a sua morte, e cria num Deus todo-poderoso, onisciente e beneficente (embora não necessariamente um Deus pessoal).


Tanto a ciência como a religião travaram uma "incansável batalha contra o ceticismo e dogmatismo, contra a incredulidade e a superstição", com o objetivo "direcionado para Deus!"

Fonte:
Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Criacionista demitido


Michael Reiss, diretor de Educação da prestigiada Royal Society, do Reino Unido, é obrigado a deixar cargo por defender também o ensino da Criação em sala de aula.

O delicado debate entre ciência e religião acaba de ganhar mais um capítulo. O comentário de um renomado pesquisador inglês sobre o criacionismo abriu um racha no meio científico inglês e culminou com a renúncia do biólogo Michael Reiss, diretor de Educação da prestigiosa Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido. Há uma semana, durante um Festival da Ciência, em Liverpool, Reiss – que também é pastor da igreja Anglicana – disse ser favorável à discussão sobre todas as formas alternativas para a origem do universo, inclusive o criacionismo, que defende a ideia de que o mundo foi criado por Deus, conforme registra a Bíblia Sagrada.


Segundo ele, embora o criacionismo não tenha qualquer base científica, o assunto deveria ser discutido nas salas de aula, porque a sua exclusão somente faria com que muitas crianças, vindas de famílias religiosas, se distanciassem cada vez mais da ciência. Criticado por outros cientistas e pressionado pela sua própria instituição, Michael Reiss, que disse ter sido mal interpretado, foi levado a abandonar o cargo. O fato gerou críticas também à Royal Society. Em comunicado oficial divulgado na terça-feira, a entidade, que já teve o naturalista Charles Darwin, o pai da teoria da evolução, entre seus integrantes declarou seu apoio ao pedido de demissão de Reiss.