sábado, 18 de janeiro de 2014

Gerasa, Gersesa ou Gadara?

O erro geográfico mais absurdo que Marcos comete é quando conta a história exagerada sobre Jesus atravessando sobre o Mar da Galiléia e exorcizando demônios de um homem (dois homens na versão revisada de Mateus) e fazendo-os entrar em cerca de 2.000 porcos os quais, conforme a versão do Rei Jaime, "correram violentamente penhasco abaixo para dentro do mar, e se afogaram no mar.

Além da crueldade para com os animais demonstrada pelo amável e gentil Jesus e sua indiferença pela propriedade dos outros, o que está errado nessa história?

Se sua única fonte de informação for a Bíblia do Rei Jaime, você poderá nunca saber. A versão do Rei Jaime diz que esse milagre ocorreu na terra dos gadarenos, enquanto que os manuscritos Gregos mais antigos dizem que aconteceu na terra dos gerasenos.

Lucas, que não conhecia nada da geografia Palestina, também passa adiante esse pequeno absurdo. Mas Mateus, que tinha algum conhecimento sobre a Palestina, mudou o nome para gadarenos, em sua versão nova e melhorada, mas isso foi novamente melhorado para gergesenos na versão do Rei Jaime.

A esta altura o leitor deve estar atordoado com todas estas distinções entre gerasenos, gadarenos e gergesenos. Que diferença isso faz? Muita diferença com veremos.

Gerasa, o lugar mencionado nos manuscritos mais antigos de Marcos, está localizada a cerca de 50 km de distância das costas do Mar da Galiléia. Aqueles pobres porcos tiveram que correr uma distância 8 km mais longa que uma maratona para encontrar um lugar para se afogar! Nem mesmo lemingues precisam ir tão longe. Ainda mais se considerarmos que o perfil de um "penhasco" tem que ter no mínimo 45 graus, o que tornaria a elevação de Gerasa pelo menos seis vezes maior que Monte Evereste!

Quando o autor de Mateus leu a versão de Marcos, viu a impossibilidade de Jesus e sua gangue desembarcarem em Gerasa (que por sinal também ficava em outro país, o assim chamado Decápolis).

Já que a única cidade na vizinhança do Mar da Galiléia que ele conhecia e que começava com G era Gadara, trocou Gerasa por Gadara. Mas mesmo Gadara dista 8 km da costa, e em um país diferente.

Copistas posteriores dos manuscritos Gregos de todos os três evangelhos com porcos afogados (Mateus, Marcos e Lucas) melhoraram Gadara mais tarde para Gergesa, uma região que agora se sabe ter feito parte da costa oriental do Mar da Galiléia. Não é preciso falar mais nada sobre a confiabilidade da tradição bíblica.

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Norman Geisler & Thomas Howe:
"PROBLEMA: Cada um dos três primeiros evangelistas (Mateus, Marcos e Lucas) faz um relato de Jesus libertando um endemoninhado. Mateus relata que essa libertação ocorreu na terra dos gadarenos. Entretanto, Marcos e Lucas dizem que foi na terra dos gerasenos.

SOLUÇÃO: Há um problema de textos nesse caso. O texto crítico do NT em grego (Nestle-Aland/Sociedades Bíblicas Unidas) menciona em IV arcos e Lucas o mesmo lugar a que se refere Mateus, ou seja, a terra dos gadarenos. Entretanto, alguns manuscritos dão esse local como sendo a terra dos gerasenos.

É possível atribuir essa divergência nesses manuscritos a um erro de copistas.

É provável que Gadara tenha sido a capital da região, e Mateus, portanto, referiu-se àquela área como sendo a terra dos gadarenos, porque o povo daquela região, quer vivessem em Gadara ou não, identificavam-se como gadarenos.

Marcos e Lucas possivelmente deram uma referência mais geral à terra dos gerasenos, que seria a região mais extensa dentro da qual o incidente ocorreu.

Entretanto um escriba, confundindo a referência em Mateus - achando que era a cidade em vez do povo da região - pode ter achado que deveria corrigir os manuscritos, e assim alterou as referências para torná-las uniformes.

Parece que a melhor evidência textual está em favor de Gadara, embora haja opiniões divergentes entre comentaristas.

Não há contradição nem erro nessas passagens, porque o problema surgiu em decorrência das transcrições, e não há evidência que demonstre ter havido um erro nos manuscritos originais."

Fonte: "Manual Popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia"; ed. Mundo Cristão; pg.345-346.
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R. V. G. Tasker:
"Gadarenos. A redação mais bem comprovada de Mateus é esta (assim também VR e VPR), e não do lag"gergesenos" (VA). Gadara era uma cidade que ficava a uns dez quilômetros dos lago. Marcos e Lucas dizem "gerasenos" - sendo Gerasa uma cidade que distava uns cinqüenta quilômetros a sudeste o. A grafia "gergesenos", estabelecia nos mais recentes manuscritos gregos, parece dever-se a Orígenes que, como nota McNeile, dizia que, nem Gadara nem Gerasa satisfaziam às exigências da narrativa".

Fonte: "Mateus - Introdução e comentário"; Ed. Vida Nova, pg.76.
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Leon L. Morris:
"A terra dos gerasenos nos apresenta um problema, pois Gerasa ficava a cerca de 64 km ao sudeste do lago. Mateus registra "a terra dos gadarenos", mas Gadara fica a 9 km de distância, e separada pelo desfiladeiro do Iarmuque. Todos os três Sinotistas têm as duas variações, e também uma terceira, "o país dos gergasenos". Este último texto era favorecido por Orígenes, que achava que os outros dois lugares estavam demasiadamente distantes, e que os textos tinham surgido somente porque os escribas não sabiam da existência da pequena cidade de Gergosa, e, portanto, substituíram-no por nomes que conheciam (ver, por exemplo, Manson). Os estudiosos modernos indicam a vila de Khersa e pensam que talvez esta tenha retido o nome antigo. Pode ser certo, mas permanece a suspeita de que o texto é achado nos MSS somente porque Orígenes deu origem a ele. Se qualquer dos outros está correto, devemos entender que a respectiva cidade controlava uma faixa de terra até a beira do lago".

Fonte: "Lucas - Introdução e comentário"; Ed. Vida Nova; pg.147.
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Bíblia de Estudo NVI:
Comentário de Mt 8:
"Região dos gadarenos. Região ao redor da cidade de gadara, quase 10 Km a sudeste do mar da Galiléia. Marcos e Lucas identificam a região pela capital, Gerasa, localizada uns 56 km a sudeste do mar".

Comentário de Mc 5:
"Região dos Gerasenos. Gerasa, situada a uns 56 km a sudeste do mar da Galiléia, pode ter possuído terras no litoral leste do mar e assim ter dado seu nome a uma pequena aldeia ali, que hoje é chamada Khersa. A uns 1.600 m ao sul há um despenhadeiro bastante íngreme dentro de 45 m da praia, e a uns 3 km de lá existem túmulos nas cavernas, que parecem ter sido usadas como habitações".

Comentário de Lc 8:
"região dos gerasenos. Os evangelhos referem-se de duas maneiras à localidade em que se deu esse fato: 1) região dos geraseno e 2) região dos gadarenos. Alguns manuscritos de Mt, Mc e de Lc trazem "gersesenos", mas essa grafia pode ter sido introduzida numa tentativa de resolver as diferenças".
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Refutando (Por Pipe):
"O erro geográfico mais absurdo que Marcos comete é quando conta a história exagerada sobre Jesus atravessando sobre o Mar da Galiléia...

Bom, vamos ao texto então:
35 Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus discípulos: “Vamos para o outro lado”.
36 Deixando a multidão, eles o levaram no barco, assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam.
37 Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água.
38 Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas que morramos?”
39 Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: “Aquiete-se! Acalme-se!” O vento se aquietou, e fez-se completa bonança.
40 Então perguntou aos seus discípulos: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?”
41 Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos outros: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”

Próximo versículo no cap.5:
1 Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos.
2 Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro.

Onde diz no texto a idiota afirmação de que Jesus atravessou o mar da Galiléia andando sobre o mar?
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Vamos ler os três textos:

Mt 8:
23 Entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.
24 De repente, uma violenta tempestade abateu-se sobre o mar, de forma que as ondas inundavam o barco. Jesus, porém, dormia.
25 Os discípulos foram acordá-lo, clamando: “Senhor, salva-nos! Vamos morrer!”
26 Ele perguntou: “Por que vocês estão com tanto medo, homens de pequena fé?” Então ele se levantou e repreendeu os ventos e o mar, e fez-se completa bonança.
27 Os homens ficaram perplexos e perguntaram: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”
28 Quando ele chegou ao outro lado, à região dos gadarenos, foram ao seu encontro dois endemoninhados, que vinham dos sepulcros. Eles eram tão violentos que ninguém podia passar por aquele caminho.
29 Então eles gritaram: “Que queres conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do devido tempo?”
30 A certa distância deles estava pastando uma grande manada de porcos.
31 Os demônios imploravam a Jesus: “Se nos expulsas, manda-nos entrar naquela manada de porcos”.
32 Ele lhes disse: “Vão!” Eles saíram e entraram nos porcos, e toda a manada atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e morreu afogada.
33 Os que cuidavam dos porcos fugiram, foram à cidade e contaram tudo, inclusive o que acontecera aos endemoninhados.
34 Toda a cidade saiu ao encontro de Jesus, e, quando o viram, suplicaram-lhe que saísse do território deles.
9:
1 Entrando Jesus num barco, atravessou o mar e foi para a sua cidade.

Mc 4 e 5:
35 Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus discípulos: “Vamos para o outro lado”.
36 Deixando a multidão, eles o levaram no barco, assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam.
37 Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água.
38 Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas que morramos?”
39 Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: “Aquiete-se! Acalme-se!” O vento se aquietou, e fez-se completa bonança.
40 Então perguntou aos seus discípulos: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?”
41 Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos outros: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”
1 Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos.
2 Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro.
3 Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes;
4 pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo.
5 Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas.
6 Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele,
7 e gritou em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes!”
8 Pois Jesus lhe tinha dito: “Saia deste homem, espírito imundo!”
9 Então Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?” “Meu nome é Legião”, respondeu ele, “porque somos muitos.”
10 E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região.
11 Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima.
12 Os demônios imploraram a Jesus: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”.
13 Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou.
14 Os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido.
15 Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o homem que fora possesso da legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo; e ficaram com medo.
16 Os que estavam presentes contaram ao povo o que acontecera ao endemoninhado, e falaram também sobre os porcos.
17 Então o povo começou a suplicar a Jesus que saísse do território deles.
18 Quando Jesus estava entrando no barco, o homem que estivera endemoninhado suplicava-lhe que o deixasse ir com ele.
19 Jesus não o permitiu, mas disse: “Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você”.
20 Então, aquele homem se foi e começou a anunciar em Decápolis o quanto Jesus tinha feito por ele. Todos ficavam admirados.

Lc 8:
22 Certo dia Jesus disse aos seus discípulos: “Vamos para o outro lado do lago”. Eles entraram num barco e partiram.
23 Enquanto navegavam, ele adormeceu. Abateu-se sobre o lago um forte vendaval, de modo que o barco estava sendo inundado, e eles corriam grande perigo.
24 Os discípulos foram acordá-lo, clamando: “Mestre, Mestre, vamos morrer!” Ele se levantou e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou
tranqüilo.
25 “Onde está a sua fé?”, perguntou ele aos seus discípulos. Amedrontados e admirados, eles perguntaram uns aos outros: “Quem é este que até aos ventos e às
águas dá ordens, e eles lhe obedecem?”
26 Navegaram para a região dos gerasenos, que fica do outro lado do lago, frente à Galiléia.
27 Quando Jesus pisou em terra, foi ao encontro dele um endemoninhado daquela cidade. Fazia muito tempo que aquele homem não usava roupas, nem vivia em
casa alguma, mas nos sepulcros.
28 Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!”
29 Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados e
entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes, e era levado pelo demônio a lugares solitários.
30 Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”“Legião”, respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele.
31 E imploravam-lhe que não os mandasse para o Abismo.
32 Uma grande manada de porcos estava pastando naquela colina. Os demônios imploraram a Jesus que lhes permitisse entrar neles, e Jesus lhes deu permissão.
33 Saindo do homem, os demônios entraram nos porcos, e toda a manada atirou-se precipício abaixo em direção ao lago e se afogou.
34 Vendo o que acontecera, os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos, na cidade e nos campos,
35 e o povo foi ver o que havia acontecido. Quando se aproximaram de Jesus, viram que o homem de quem haviam saído os demônios estava assentado aos pés de
Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo.
36 Os que o tinham visto contaram ao povo como o endemoninhado fora curado.
37 Então, todo o povo da região dos gerasenos suplicou a Jesus que se retirasse, porque estavam dominados pelo medo. Ele entrou no barco e regressou.
38 O homem de quem haviam saído os demônios suplicava-lhe que o deixasse ir com ele; mas Jesus o mandou embora, dizendo:
39 “Volte para casa e conte o quanto Deus lhe fez”. Assim, o homem se foi e anunciou na cidade inteira o quanto Jesus tinha feito por ele.

Resumindo:
Vamos resumir os três textos e destacar os pontos principais:
1. Os textos dizem que Jesus estava na região da Galiléia e se dirigiu para a região dos “Gadarenos” (Mt) ou para a região dos “Gerasenos” (Mc e Lc);
2. Os três textos dizem que o encontro foi imediato, ou seja, perto da praia;
3. Os textos dizem que os porcos precipitaram-se num precipício no mar;
4. Os textos dizem que os donos dos porcos foram a cidade dizer o que havia ocorrido;
5. Os textos dizem que Jesus subiu novamente no barco e voltou para a Galiléia assim que os donos dos barcos retornaram da cidade.

Concluíndo:
1. Os três textos referem-se a ”região” e não cidade. Bom, a cidade de Gadara ficava a uns 8 ou 10 kms da praia. Portanto, perfeitamente aceitável referir-se a ela como ponto de referência. Eu moro a 9 km do centro de Curitiba e de carro percorro esta distância a 60km por hora em 15 min. De a pé, eu levaria menos de 2:00h para percorrê-la. É pouco provável referir-se a uma região ligando ela a uma cidade que ficava a 8 ou 10 km de distância?

2. Os três textos falam que o encontro foi próximo a praia. Portanto, os próprios autores não seriam tão burros de quererem dizer com “região” literalmente as cidades de Gadara ou Gerasa. Se eles disseram praia, automaticamente se subentendem que não foi na cidade e nem do lado dela, uma vez que estas duas cidades não são praianas. Por isso disseram "região".

3. Os textos dizem que os donos dos porcos foram até a cidade contar o que havia ocorrido. Ora, se foram a cidade significa que não estavam na cidade. Se Gadara ficava a 8 km de distância, em 3 horinhas andando rapidinho “fulos da vida” como estavam, dava tempo de sobra.

4. Os textos dizem que logo em seguida Jesus entrou de novo no barco. Isto denota que ele não estava longe do barco. Portanto, não estava na cidade.

5. Se Mc e Lc quiseram dizer com “região” ligando isto a capital que era Gerasa, que ficava a 56 km dali, isto se torna um problema? Mt ligou “região” a cidade mais próxima “Gadara”, Mc e Lc, ligaram a Gerasa. No Stress. 100% normal e aceitável.

6. Já “Gergesa” é opinião unânime dos críticos que se trata de uma correção de Orígenes para corrigir um “problema”. Portanto, descartado. Os manuscritos mais antigos não apóiam “Gergesenos”.

7. Agora, se havia a uns 1.600 m ao sul um despenhadeiro. Fica mais do que evidente, que os autores escolheram como referência as cidades que vieram em sua mente como principais. No caso de Mt usou a mais próxima, Gadara e disse “região dos gadarenos”. Já Mc e Lc usaram a capital Gerasa como referência para “região dos gerasenos”.
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Cooperação de Matheus:

A passagem fica menos contraditória ainda quando pegamos os originais:

"kai elqonti autw eiV to peran eiV thn cwran twn gergeshnwn uphnthsan autw duo daimonizomenoi ek twn mnhmeiwn exercomenoi calepoi lian wste mh iscuein tina parelqein dia thV odou ekeinhV" (Mateus 8:28)

kai katepleusan eiV thn cwran twn gadarhnwn htiV estin antiperan thV galilaiaV (Lucas 8:26)

kai hlqon eiV to peran thV qalasshV eiV thn cwran twn gadarhnwn (Marcos 5:1)


A palavra destacada é cwran que pode significar: costa, região, campos, país, solo e terra.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Marcos errou no cap.7?

Outra prova da não autenticidade de Marcos é o fato de que no capítulo 7, onde Jesus está discutindo com os Fariseus, descreve-se Jesus citando a versão de Isaías da Septuaginta grega para apoiar seu argumento no debate. Infelizmente, a versão hebraica é um tanto diferente da Grega.

Em Isaías 29:13, em Hebraico, lê-se "seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor" enquanto que na versão Grega – e no evangelho de Marcos – se lê "em vão cultuam a mim, ensinando como doutrinas preceitos do homem" (Revised Standard Version).

Wells observa com indiferença (p.13). "É muito improvável que um Jesus palestino conseguisse vencer uma discussão com judeus ortodoxos usando um argumento baseado numa tradução equivocada das escrituras deles".
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Vamos aos Textos:
Is 29:13 O Senhor diz: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam é feita só de regras ensinadas por homens.

Mc 7:6-7 Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; como está escrito: “ ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’.

Mt 15:7-9 Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: “ ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’”.

1. Se Marcos errou em usar a Septuaginta, por que Mateus, sendo Judeu fez uso dela também? Ou Mateus também não sabia nadica de nada sobre sua cultura? Por que Mateus então também usou a Septuaginta?

2. Se Marcos foi escrito em grego, não seria mais do que óbvio que ele faria uso da Septuaginta para aplicar o ensino de Jesus?

3. Há de fato diferença entre o sentido dos textos no hebraico e no grego?

Hebraico: "seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor"
Grego: "em vão cultuam a mim, ensinando como doutrinas preceitos do homem".

Mudou alguma coisa?

4. Jesus "pode" ter citado em hebraico a passagem. Mas o ensino do texto é o mesmo. E tanto Marcos quanto Mateus fizeram uso do grego. Portanto, se Marcos estava errado, porque Mateus um legítimo judeu e apóstolo de Cristo descreveu o evento fazendo uso da versão grega?

Conclusão: Ele não vai saber responder. Ficará divagando, especulando e criando falácias do tipo: "Ah, mas Mateus copiou Marcos". Bom, mesmo que isso viesse a ser fato, pois não se tem como afirmar isto com absoluta certeza. O fato é que, Mateus fez também uso da Septuaginta e escreveu todo o seu evangelho em grego fazendo uso das profecias em grego da Septuaginta. Mateus o tempo todo emprega terminologias judaicas do tipo: "Reino dos céus"; "Pai celestial"; "Filho de Davi", portanto tinha os judeus também como alvo, E, nem por isso se preocupou com a preocupação que o autor da crítica está trazendo. Já Marcos se preocupa com explicações acerca de costumes judaicos e fez uso do grego para isto.

A explicação mais aceita é a de que tanto Mateus quanto Marcos tinham como alvo não somente o judeus, mas também romanos, gregos, etc. Se tivessem escrito seus evangelhos em hebraico, eles não teriam alcançado o propósito da grande comissão, que era o de levar as boas novas a toda a criatura.


Pipe

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Livro: "The Testimony of the Beloved Disciple: Narrative, History, and Theology in the Gospel of John" de Richard Bauckham,

Como os detalhes literários e históricos contribuem para um testemunho teológico coerente de Jesus no Evangelho de João? Um proeminente erudito evangélico do Novo Testamento responde a essa questão através de um novo livro lançado nos Estados Unidos (e sem previsão de lançamento no Brasil). Este é um livro importante para todo estudante sério do Quarto Evangelho.

Richard Bauckham, The Testimony of the Beloved Disciple: Narrative, History, and Theology in the Gospel of John. Grand Rapids: Baker Academic, 2007. 313 pp. ISBN 978-0-8010-3485-5.
Resenha de Craig L. Blomberg *

Tradução: Rodrigo Gonçalves de Souza **

Muitas coleções de artigos de um estudioso bíblico publicados anteriormente sobre um tópico não parecem merecer ainda mais um livro em uma indústria já saturada. Ninguém pode com imparcialidade, acusar este volume de cair nesta categoria. Richard Bauckham, recentemente aposentado da Universidade de St. Andrews, tem uma distinta carreira como um escritor prolífico sobre uma incrível variedade de temas, sem dúvida nenhum deles mais importantes do que suas obras sobre o Evangelho de João. Apesar de que o oferecido neste livro [sem previsão de lançamento no Brasil] são reimpressões ou revisões de ensaios que tenham surgido noutras ocasiões (e um é uma reformulação de uma seção de um livro recente de Bauckham), muitos foram disponibilizados em fontes pouco conhecidas e todos merecem a maior audiência e contexto que a sua apresentação neste volume irá proporcionar.

[O Capítulo]“Características Historiográficas do Evangelho de João” (Historiographical Characteristics of the Gospel of John) apresenta elementos que ligam este documento mais com história do que biografia, ou, pelo menos, mais do que nos Sinóticos. Estes [elementos] incluem informações precisas de topografia e cronologia e a utilização de testemunhas oculares e numerosos discursos ou diálogos. Nada disto faz com que o Evangelho seja necessariamente preciso em tudo o que apresenta, mas deixa a porta aberta para tal conclusão, dado o gênero literário resultante deste estudo.

[O capítulo] “A Audiência do Evangelho de João” (The Audience of the Gospel of John) demonstra quão pobremente as influências da abordagem de J..L Martyn, de uma leitura de dois níveis da narrativa (algumas poucas coisas reais da vida de Jesus, mas mais transparecendo as realidades do final do primeiro século) realmente funcionam. As passagens de excomunhão podem não refletir qualquer vasto emprego da Birkath-ha-Minim[1], numerosos personagens obviamente não representam alguém da comunidade de João ou sua oposição, e os Pais da Igreja utilizam regularmente as imagens de João visando a mais ampla audiência, não a mais sectária.

A comparação entre o dualismo, nos Rolos do Mar Morto, especialmente no que diz respeito à luz e as trevas, mostra que os paralelos com João não estão tão perto quanto às vezes se tem mantido. Estudiosos foram certos ao balançar o pêndulo para longe do pano de fundo greco-romano para judaicos, e nestes, para aqueles relacionados com estes fenômenos, mas o caso de fazê-lo pode ser ainda melhor visualizado simplesmente pelos paralelos do Antigo Testamento. Literatura rabínica e Josefo referem-se a pelo menos dois poderosos e ricos líderes judaicos pelo nome de Nicodemos na elite da família Gurion. Provavelmente não há nenhuma relação com o de João, mas dada a freqüente prática do reaproveitamento de alcunhas familiares e a raridade deste nome particular fora desta família, tudo no Quarto Evangelho sobre Nicodemos reverbera verossimilhança.

Lázaro, Marta e Maria, por outro lado, foram nomes judeus extremamente comuns. Portanto, o aparecimento do Lázaro ressurreto, em João 11 não requer hipóteses dos empréstimos a partir da parábola de Lucas 16:19-31. Afinal, nenhuma ressurreição é requisitada lá, apenas uma aparição temporária a partir do reino dos mortos.

Por outro lado, os retratos das duas irmãs que mostram a combinação certa de semelhanças e diferenças entre Lucas 10:38-42 e João 11-12 sugerem que João pode muito bem ser fornecer retratos historicamente precisos sem simplesmente tomar emprestado de Lucas. Semelhante lógica apóia a autenticidade da cena do caminhar sobre as águas em João 13 - a coerência com a logia[2] sinótica do servo empregada sem paralelismo íntimo o suficiente para sugerir dependência em qualquer ponto.

Em um estudo do messianismo judaico, no Quarto Evangelho, Bauckham mostra como os vários retratos de Jesus como Cristo, profeta como Moisés, e Filho do Homem todos refletem o justo equilíbrio da coerência com os substratos judaicos e encaixam com “progressiva auto-revelação” de Jesus, como para ser credível nos contextos aos quais João atribuiu-os. Em seu enfoque sobre monoteísmo e Cristologia neste Evangelho, Bauckham mostra como os ditos de Jesus referentes a “unidade com o Pai”, o “Eu-Sou” e outros exemplos deste exercício das suas prerrogativas divinas nunca são redigidas de forma a sugerir um comprometimento do monoteísmo. Na verdade, os relevantes substratos do Antigo Testamento mostram que o que se traz de Jesus é justamente que a sua relação com o Pai “é parte integral para que Deus seja O Único” (p. 252).

A santidade de Jesus no Quarto Evangelho é para ser que os discípulos a espelhem, com exceção de que ela não é absoluta para eles, e (portanto) eles não são para expiar os pecados do mundo, como Cristo fez. Mas os separa do mundo para que possam ser portadores de sua mensagem para o mundo. O misterioso número 153 para a quantidade de peixes capturados em João 21:11 deve ser entendido como altamente simbólico, dada a característica prevalecente do simbolismo algébrico judaico nos dias de João.

Além de endossar algumas sugestões anteriores, Bauckham observa que o equivalente numérico do grego das quatro palavras-chave no primeiro “término” do Evangelho de João 20:30-31 para “assinar”, “crer”, “Cristo” e “vida” são 17, 98, 19 e 36, respectivamente. 153 é o “triângulo” de número 17 (a soma dos números de 1 a 17, e a soma de 98, 19 e 36 também é 153). O que quer que tudo isso mais implica, é certamente sugestivo que a mesma pessoa por trás capítulo 21 escreveu o restante do Evangelho[3]

Uma breve resenha dificilmente pode avaliar cada uma destas contribuições pormenorizadamente. Pergunto-me se para Bauckham, “João, o Ancião”, que tão estreitamente se assemelha ao filho de Zebedeu em perfil, teria sido tão facilmente reconhecido como distinto dele, especialmente desde que o único personagem chamado João no Quarto Evangelho é o Batista, mas a ele nunca é dado este epíteto. Alguém que não seja João, filho de Zebedeu, foi capaz de fazer isto sem temer ambigüidades, especialmente quando o Evangelho circulou para muito além dos seus iniciais destinatários efésios - como Bauckham salienta? É preciso escolher entre Bauckham e Larry Hurtado, por exemplo, o qual salienta a segregação parcial do monoteísmo em várias vertentes de judaísmos periféricos em binitarianismo? Apesar das notáveis coincidências de somas numéricas, temos qualquer controle sobre tais especulações algébricas para dar-nos alguma confiança que João realmente pretendeu isto?

Mas estas são bagatelas menores. Globalmente, este é uma coleção de ensaios extraordináriamente meticulosa, criativa, e que mesmo rompe paradigmas, sendo que cada um merece um estudo cuidadoso, e quase todos merecem aceitação generalizada. Adquira este livro, maravilhe-se com ele e digira-o. Bauckham deve ser tão mais esclarecido e lúcido na sua aposentadoria quanto ele fora durante a sua ilustre carreira!

* Sobre o autor da resenha:
Craig L. Blomberg, Ph.D, é professor distinto do Novo Testamento no Seminário Denver, nos Estados Unidos.
** Sobre o tradutor da resenha:
Rodrigo Gonçalves de Souza é anglicano da IEAB, Missão Santo Agostinho de Cantuária .

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Colabora como convidado em http://adcummulus.blogspot.com/
Fonte do artigo original: http://www.denverseminary.edu/…/the-testimony-of-the-belov…/

NOTAS DO TRADUTOR
[1] Bênção dos hereges, que fora promulgada na liturgia judaica a partir do Concílio de Jamnia – final do séc.I - para excomungar alguns considerados hereges, como os cristãos, que até então incluíam alguns que buscavam participar dos ritos comunais judaicos.
[2] Na erudição do Novo Testamento, o termo logia refere-se primariamente à suposta coleção dos ditos de Jesus que se acredita ter sido mencionada por Papias.
[3] Paul S. Minear, em “The Original Functions of John 21”, 1985, já havia feito uma vigorosa defesa dessa posição

Fonte:

www.apologia.com.br

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Jefté - Sacrifício de sangue Humano


Juízes - 11:30-31
30-"E Jefté votou um voto ao Senhor, e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão...
...31-Aquilo que saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do Senhor, e o oferecerei em holocausto.

Evidencia-se do texto do livro de Juízes que Jefté prometeu sacrificar a primeira pessoa que saísse de sua casa para vir felicitá-lo pela sua vitória sobre os amonitas. Sua filha única se lhe apresentou, então ele lhe rasgou a roupa, imolando-a após ter-lhe permitido ir chorar nas montanhas a desdita de morrer virgem. Durante muito tempo as filhas judaicas celebraram essa aventura chorando a filha de Jefté por quatro dias.

Jefté votou sua filha em holocausto e cumpriu o seu voto.

Ordenava expressamente a lei judaica que se imolassem os homens votados ao Senhor. "Nenhum homem votado obterá resgate mas receberá morte sem remissão".

A Vulgata traduz: Non redimetur,sed morte morietur.

Foi em virtude dessa lei que Samuel cortou em pedaços o rei Agague, a quem Saul perdoara, e justamente por haver poupado Agague, Saul admoestado pelo Senhor e perdeu o seu reino.

Eis, pois, sacrifícios de sangue humano claramente estabelecidos, não há ponto histórico melhor averiguado. Não se pode julgar de uma nação a não ser por seus arquivos e pelo que ela refere de si própria.
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Descontradizendo:

Vamos verificar vs. por vs.:
30 E Jefté fez um voto ao SENHOR, e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão,
31 Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto.

Demos uma parada por aqui:
1. A Lei que veio antes de Jefté diz claramente:
Dt 12:31 - Não adorem o SENHOR, o seu Deus, da maneira como fazem essas nações, porque, ao adorarem os seus deuses, elas fazem todo tipo de coisas repugnantes que o SENHOR odeia, como queimar seus filhos e filhas no fogo em sacrifícios aos seus deuses. (tbém 18:10)

Bom, se Deus proibiu claramente o sacrifício humano, como Ele daria a vitória a Jefté sabendo que isto implicaria na morte de sua filha? Deus deu a vitória a Jefté para contradizer-se a si mesmo?

2. O texto diz que aquilo que saísse pela porta seria do Senhor. Seria oferecido em holocausto.
Vamos em frente.
32 Assim Jefté passou aos filhos de Amom, a combater contra eles; e o SENHOR os deu na sua mão.

Quem deu a vitória a Jefté? O Senhor, certo? Portanto, se Jefté de fato matou sua filha em sacrifício à Deus, Deus se contradisse neste evento ao dar a vitória a Jefté sabendo no que isto implicaria.

Vamos em frente.

34 Vindo, pois, Jefté a Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela a única filha; não tinha ele outro filho nem filha.

Jefté não tinha mais filhos e nem filhas além desta moça. Ela era sua filha única e portanto a responsável para dar continuidade a sua semente.

35E aconteceu que, quando a viu, rasgou as suas vestes, e disse: Ah! filha minha, muito me abates-te, e estás entre os que me turbam! Porque eu abri a minha boca ao SENHOR, e não tornarei atrás.

Jefté rasgou suas vestes e não as da filha. As versões Almeida Corrigida e Revisada, Thompson, NVI, Jerusalém e AT Poliglota dizem vestes e não vestidos. Portanto é 5 contra 1.

37 Disse mais a seu pai: Conceda-me isto: Deixa-me por dois meses que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as minhas companheiras.

Aqui é que está o X da questão. O texto está falando explicitamente que ela chorou por sua virgindade. Pensando que, se se tratasse de fato de sua morte, porque ela choraria sua virgindade do tipo: “Buá, vou morrer virgem, buá...”.

38 E disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses; então foi ela com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.

De novo? “Buá, vou morrer virgem, buá...”.

39 E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu homem; e daí veio o costume de Israel,

O texto diz explicitamente que Jefté cumpriu seu voto e liga isto novamente a sua virgindade. O que não entendo, é, porque tanta ênfase na virgindade dela?

Norman Geisler & Thomas Howe comentam o seguinte:
”... o texto não diz ter ele realmente matado sua filha como holocausto. É possível que Jefté tenha oferecido sua filha ao Senhor como um sacrifício vivo. Por todo o resto de sua vida ela serviria ao Senhor na casa do Senhor e permaneceria virgem. Terceiro, um sacrifício vivo de perpétua virgindade era um sacrifício tremendo no contexto judaico daqueles dias. Fazendo alguém voto de perpétua castidade, e sendo dedicada ao serviço do Senhor, ela não poderia jamais ter filhos e assim dar continuidade à linhagem familiar de seu pai. Jefté agiu com muita honra e grande fé no Senhor, não voltando atrás em relação ao voto que ele havia feito ao Senhor seu Deus. Quarto, este modo de ver a questão apóia-se no fato de que quando a filha de Jefté saiu para chorar por dois meses, ela não saiu para lastimar a sua morte iminente. Não, ela saiu e "chorou a sua virgindade" (v 38). Finalmente, se ela tivesse de enfrentar a morte ao fim dos dois meses, teria sido muito simples para ela casar-se com alguém e viver com essa pessoa durante os dois meses que antecederiam sua morte. Não havia razão para a filha de Jefté lastimar pela sua virgindade, a menos que estivesse com a perspectiva de viver toda uma vida nessa condição. Com Jefté não tinha outros filhos, sua filha não se lamentou acerca de sua virgindade por causa de nenhum desejo sexual ilícito".
Fonte: "Manual de dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia; ed. Mundo Cristão, pg.156-157.

Outra questão é que Hb 11:32 cita Jefté como um dos heróis da fé:
"E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,

Como o autor de hebreus citaria como herói um homem que matou sua própria filha em holocausto à Deus contrariando a Lei dEle? Portanto, fica evidente que pelo contexto todo, o que implicou foi unicamente que Jefté deu sua filha ao Senhor e esta o serviu pelo resto de sua vida virgem.

Em nenhum momento o texto implica na interpretação de que Jefté matou sua filha.


Pipe

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O céu é um lugar de silêncio ou de barulho?


APOCALIPSE 14:13 - O céu é um lugar de descanso e silêncio, ou de louvor e cânticos incessantes?

PROBLEMA: De acordo com esse versículo, o céu é um lugar em que os santos descansarão "das suas fadigas". Entretanto, alguns capítulos antes, o Apocalipse descreve o céu como sendo um lugar de constantes louvores e cânticos (Ap 4-5). Como é então o céu?

SOLUÇÃO: Tanto uma coisa como a outra. Não há contradição alguma entre descansar das fadigas e cantar louvores a Deus. E exatamente o que o povo de Deus faz atualmente no dia de descanso e de louvor. O céu é apenas uma extensão daquilo que fazemos, agora, no dia do Senhor. "Fadiga" tem a conotação de ser o resultado de um trabalho enfadonho e doloroso. Descansar disso e louvar a Deus por toda a eternidade não são incompatíveis entre si. De fato, essas duas atitudes caminham lado a lado.

Fonte:

Norman Geisler & Thomas Howe; "Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia"; Ed. Mundo Cristão; pg.560.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Mutação e Seleção Natural: Fatores Evolutivos?

Introdução
De acordo com a teoria da evolução, a vida na terra começou com a evolução da célula, a partir da qual se desenvolveram os organismos mais simples. Estes deram origem aos organismos mais complexos. Todos os novos genes e novas informações surgiram por mutação e recombinação. As mutações ocorrem ao acaso. A maioria delas são deletérias e diminuirão a adaptação dos organismos ao meio ambiente. Novas combinações do material genético são formadas através da recombinação de genes que ocorre na meiose, durante a reprodução sexuada. A seleção natural elimina as mutações deletérias e preserva as combinações disponíveis que estão melhor adaptadas ao ambiente.

Pode-se então perceber que, segundo a teoria da evolução, a mutação e seleção natural constituem-se nos principais fatores evolutivos. Mas será que elas somente seriam capazes de, a partir de organismos unicelulares, originar toda a grande variedade de seres vivos que temos hoje?

MECANISMOS EVOLUTIVOS
Existem quatro explicações normalmente oferecidas para a variação observada dentro de uma espécie e entre espécies diferentes: influências ambientais, mutação, recombinação e seleção natural.

1. Influências ambientais
Respostas a diferentes fatores ambientais podem produzir diferenças entre indivíduos, mas isso não ocorre devido a novos genes, mas sim devido à expressão de genes que já estavam presentes. Por exemplo, os abetos Englemann existentes nas Montanhas Rochosas atingem 25 metros na altitude de 2700 metros, mas apresentam formas anãs grotescas na altitude de 3000 a 3300 metros. A variação ambiental não afeta a linhagem, isto é, se as sementes forem plantadas em outro ambiente, as plantas se desenvolverão de acordo com o novo ambiente, e não com o velho.

2. Mutação
A mutação pode ser definida como um evento que dá origem a alterações qualitativas ou quantitativas no material genético. Podem ser de dois tipos:

- Mutação gênica ou mutação de ponto
São alterações muito pequenas que não afetam os cromossomos de maneira visível, pois envolvem alterações num número reduzido de nucleotídeos da molécula de DNA. Podem ser substituições de bases ou adições ou deleções de nucleotídeos na molécula de DNA.
- Mutação cromossômica ou aberração cromossômica
São mutações que alteram de maneira visível ao microscópio, seja o número, seja a estrutura dos cromossomos.

As aberrações cromossômicas podem ser:
1. Numéricas: envolvem alterações no número cromossômico. Estas podem ser subclassificadas em euploidias e aneuploidias.

Euploidias - um indivíduo ou célula diplóide normal tem dois genomas (2n). Euplóides são células ou organismos nos quais o número de genomas (n) ocorre em múltiplos inteiros (n, 3n, 4n, 5n, etc.).

Aneuploidias - neste tipo de modificação, o número de cromossomos do genoma fica alterado, formando complementos somáticos que são múltiplos irregulares do genoma característico da espécie. Assim, o indivíduo tem cromossomos a mais ou a menos em um dos pares, mas não em todos.

2. Estruturais: afetam a estrutura dos cromossomos, ou seja, o número ou o arranjo dos genes nos cromossomos. Podem ser subclassificadas em:

Deficiência ou deleção - é a perda de uma porção maior ou menor do cromossomo, resultando na falta de um ou mais genes.

Duplicação - é o produto da presença de uma porção extra de cromossomo, resultando na repetição de um ou mais genes.

Inversão - ocorre quando, num determinado segmento de cromossomo, houver duas fraturas, seguidas da subsequente soldadura do fragmento mediano, agora, porém, colocado em posição invertida.

Translocação - ocorre quando os fragmentos de um cromossomo são transferidos para outro cromossomo não homólogo.

O fenômeno da mutação é um componente da maior importância do modelo evolucionista. Este precisa pressupor algum mecanismo que produza o processo ascendente requerido em termos de complexidade, que caracteriza o modelo em sua dimensão mais ampla. E a mutação é supostamente este mecanismo.

Porém, alguns fatos experimentais sobre as mutações devem ser considerados:

1. As mutações são feitas ao acaso, e não dirigidas.
Não há forma alguma de controlar as mutações, para fazer com que elas produzam as características que possam ser necessárias. A seleção natural precisa simplesmente aproveitar-se do que der e vier.

2. As mutações são raras.
A freqüência estimada da maioria das mutações nos organismos superiores é de uma em dez mil a uma em um milhão por gene por geração.

3. A maioria das mutações é deletéria.
As aberrações cromossômicas geralmente têm efeitos bastante drásticos sobre os indivíduos que as possuem. Com relação às aberrações numéricas, as alterações fenotípicas produzidas pela adição ou subtração de um cromossoma (aneuploidia) são tão drásticas que tornam estes tipos de aberrações praticamente sem importância na evolução. Euploidias são muito raras em animais, mas em vegetais podem originar novas espécies. As aberrações cromossômicas estruturais também podem ter efeitos bastante graves. Pequenas deficiências podem comprometer substancialmente a viabilidade de seus portadores. Já as duplicações são mais comuns e menos prejudiciais que as deficiências. Segundo alguns autores, as duplicações fornecem um meio de introduzir novos genes numa população. Estes novos genes poderiam sofrer mutação sem causar grandes danos ao organismo, pois as enzimas indispensáveis estão sendo sintetizadas pelo gene não alterado.

A maioria das milhares de mutações gênicas estudadas é deletéria e recessiva. É altamente improvável que uma mutação possa ser construtiva. Mudanças casuais em qualquer sistema complexo integrado provavelmente perturbarão o sistema. Por exemplo, mutações nos genes das moscas das frutas podem causar perda ou redução das asas, mudanças na cor dos olhos e outras. O fato de que as mutações são normalmente neutras ou deletérias contradiz o ponto de vista de que as mutações constituem um mecanismo para o avanço de uma espécie.

Apesar de que a maioria das mutações torna os organismos menos eficientes, sendo assim desvantajosas, existe a possibilidade de desenvolver novas características desejáveis através da indução de mutações, principalmente em plantas. Por exemplo, já foram obtidos mutantes de cevada que apresentam aumento na produção, resistência a doenças causadas por fungos, caule mais rijo, aumento no conteúdo de proteínas e sementes sem casca.

Algumas mutações são neutras, ou seja, não diminuem a sobrevivência das espécies.
Para que uma espécie se torne mais complexa, é necessário mais que uma simples mutação em um gene: são requeridos novos genes. Mas adicionar simplesmente um novo gene pode não funcionar. Genes não trabalham isolados. Ao contrário, o conjunto de genes de um organismo trabalha junto para produzir o organismo. Um novo gene precisa interagir apropriadamente com todos os outros genes para que o organismo sobreviva. Além disso, vários novos genes seriam necessários para produzir uma nova estrutura e um organismo mais complexo. Cada novo gene requereria um gene regulador. Além disso, cada novo gene teria que operar em um determinado momento no desenvolvimento para que a nova estrutura se desenvolvesse corretamente. Não parece razoável esperar que mesmo um novo gene apareça por acaso, quanto mais diversos genes altamente coordenados trabalhando juntos para produzir uma nova estrutura.

3. Recombinação
Recombinação é a mistura de genes que ocorre durante a meiose, para formação dos gametas. Essa recombinação é responsável pela singularidade de cada indivíduo de uma mesma espécie. A probabilidade de que dois indivíduos da mesma irmandade sejam iguais é praticamente zero.

4. Seleção natural
Segundo a teoria da evolução, a mudança começa com o material genético fornecido por mutações casuais e recombinação. A seleção natural é o processo chave que age sobre a casualidade da mutação e seleciona as características apropriadas para melhorar a adaptação dos organismos. A maioria das mutações é deletéria, mas a seleção natural é efetiva em eliminar as mutações mais destrutivas e preservar as benéficas. Consequentemente o efeito resultante é para cima, melhorando a adaptação ao ambiente, e consequentemente levando à produção de novos genes, novas adaptações e mesmo novos sistemas de órgãos.

Um exemplo de seleção que ocorre em condições naturais é o do melanismo industrial. Um dos exemplos clássicos envolvendo mudanças causadas por seleção natural é o que se refere ao aumento de formas melânicas em populações de mariposas. Na mariposa Biston betularia, até a primeira metade do século XIX, a única forma conhecida era branco acinzentada, salpicada de pontos pretos. Exemplares escuros eram encontrados muito raramente. Em Manchester, Inglaterra, a primeira referência de um exemplar escuro data de 1848. Entretanto, em 1895, aproximadamente 98% dos exemplares coletados eram escuros. O que aconteceu para ocasionar essa mudança? Com a industrialização crescente de várias regiões inglesas, a fuligem produzida pelas fábricas enegreceu lentamente muros e troncos de árvores. Num ambiente sem fuligem, as mariposas claras confundem-se melhor com os troncos das árvores, que são cobertos por liquens. Ao contrário, as de cor escura são enxergadas pelos pássaros, predadas mais facilmente e têm menores chances de transmitirem seus genes a seus descendentes.

Quando, porém, o ambiente fica enegrecido pela fuligem, a situação se inverte: as mariposas escuras se escondem melhor dos predadores, sobrevivem e se reproduzem com maior freqüência do que as claras. A cor escura, neste caso, acaba por predominar na população. Hoje já se sabe que a cor da mariposa é hereditária e depende de um par de genes, sendo a variedade escura condicionada por um gene dominante.

As observações da seleção natural, ao invés de mostrarem que ela é capaz de produzir mudança genética ilimitada, revelam os seus limites potenciais para mudança. No caso das mariposas descrito anteriormente houve apenas uma alteração na freqüência do gene para cor.

Outra observação da seleção natural mostra o seu potencial limitado para mudanças. Os famosos tentilhões de Darwin, localizados nas Ilhas Galápagos, são classificados em treze espécies colocadas em dois gêneros, e são sempre usados como exemplo de seleção natural e irradiação adaptativa. Estes tentilhões, em lugar de apresentar fortes argumentos a favor de um mecanismo para grandes mudanças, são uma ilustração de mudança limitada. Apesar de os tentilhões serem diferentes entre si com relação aos seu bicos e plumagens, eles são muito semelhantes internamente, e realmente não são muito diferentes um do outro. As várias espécies de tentilhões foram capazes de se estabelecer graças à sua habilidade de encontrar e preencher um nicho ecológico vazio.

O criacionismo sugere que a mutação e seleção natural não são capazes de produzir um aumento na complexidade originando novos genes e órgãos. Elas só são capazes de mudar os animais dentro das restrições de seu potencial genético original. A seleção natural age também como um freio, para eliminar muitos dos indivíduos que foram enfraquecidos pelas mutações e assim diminuir as forças destrutivas que se originam da mutação.

Essa interpretação da seleção natural feita pelo criacionismo não é realmente uma idéia nova ou radical, e não vai contra os dados disponíveis. Muitos cientistas não criacionistas se questionam se a seleção natural pode realmente fazer algumas das coisas que a teoria da evolução afirma que ela faz. Eles não sugerem que os animais foram criados, mas que o processo tradicional da mutação de ponto e seleção natural não é o processo que gera mudança evolutiva significativa. O criacionismo reconhece que a seleção natural é uma força significativa, mas sugere que ela não é capaz de gerar novas estruturas significativas, e que não há outro mecanismo evolutivo que possa fazer isso.

Mesmo que a mutação ou a recombinação realmente pudessem produzir algo verdadeiramente novo, para que sobre isso a seleção natural agisse, essa novidade quase certamente seria rapidamente eliminada. Uma nova característica estrutural ou orgânica que conferisse uma vantagem verdadeira na luta pela existência - por exemplo, uma asa para um animal anteriormente terrestre, ou um olho para um animal até então sem olhos - seria inútil ou até mesmo prejudicial, enquanto não estivesse plenamente desenvolvido. Não haveria razão para que a seleção natural favorecesse uma asa incipiente ou um olho incipiente ou qualquer outra característica incipiente. Indivíduos com órgãos incipientes sem utilidade estariam em desvantagem, e poderiam ser eliminados pela seleção natural. Não obstante, de alguma forma, se o modelo evolucionista é válido, as asas "evoluíram" em quatro ocasiões diferentes ( em insetos, répteis voadores, aves e morcegos) e olhos "evoluíram" independentemente pelo menos três vezes. Salisbury comentou este fato notável como se segue: "A minha última dúvida refere-se à chamada evolução paralela... Até algo tão complexo como o olho apareceu várias vezes, por exemplo, nas lulas, nos invertebrados e nos artrópodes. Já é suficientemente difícil prestar esclarecimento acerca da origem de tais coisa uma vez, mas o pensamento de produzi-los várias vezes, de acordo com a teoria da evolução, faz com que a minha cabeça gire." Além disso, um órgão não precisa apenas estar completo: ele precisa trabalhar em harmonia com outros órgãos. Que vantagem haveria se um olho pudesse ver um inimigo se aproximando mas se não houvesse conexões nervosas para produzir uma resposta?

CONCLUSÃO
Mutação e seleção natural são fatores que podem gerar diversidade em populações naturais, levando provavelmente, aliadas a outros fatores, à formação de novas raças e espécies, ou seja, mudança genética limitada. Mutação e seleção natural podem modificar informações, mas elas não podem criar novas informações. Portanto, estes fatores nunca poderiam levar a um aumento de complexidade, indispensável para a teoria da evolução. E não existe nenhum mecanismo genético plausível que possa levar a este aumento de complexidade.

BIBLIOGRAFIA
BRAND, L. R. & GIBSON, J. An interventionist theory of natural selection and biological change within limits. Origins, 2: 60 - 82, 1993.
CARVALHO, H.C. Fundamentos de Genética e Evolução. 3a ed. Rio de Janeiro, Livraria Atheneu, 1987. 556 p.
GARDNER, E. J., SIMMONS, M. J. & SNUSTAD, D. P.. Principles of Genetics. 8a ed. New York, John Wiley & Sons, 1991. 649 p.
GIBSON, L. J. Are there limits to change in species? Geoscience Research Institute.
MARSH, F. L. Variação e fixidez entre os seres vivos - um novo princípio biológico. Folha Criacionista, 21: 17 - 24, 1979.
MORRIS, H. M. O enigma das origens: a resposta. Belo Horizonte, Editora Origens, 1995. 265 p.
SALLISBURY, F. B. Doubts about the Modern Synthetic Theory of Evolution. American Biology Teacher, setembro de 1971, p. 338.
WEBSTER, C. L. A scientist's perspective on creation and the flood. Loma linda, Geoscience Research Institute, 1995. 28 p.

Fonte:                                            

Marcia Oliveira de Paula é doutora em Microbiologia pela USP e professora no Instituto Adventista de Ensino em São Paulo.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Origens: dois modelos!

Introdução
Até meados do século passado, o mundo civilizado vivia sob forte influência do cristianismo. A teologia era considerada a "rainha" das ciências. Cristãos eram criacionistas que jamais ousavam por em dúvida as Escrituras.

Num universo de idéias tão fechadas, não foi fácil a escalada evolucionista. No que diz respeito às origens do universo e da vida, por exemplo, não se admitia outra forma de pensar que não fosse compatível com a narrativa bíblica da criação.

Gradualmente, porém, após a publicação do livro de Darwin, a opinião pública começou a mudar. Primeiro foram os círculos científicos, depois as rodas intelectuais e então, indistintamente, todas as camadas sociais.

Desde então, a filosofia dominante tem sido a evolucionista. Em escolas e universidades, em jornais e revistas, o evolucionismo é apresentado , não como uma hipótese, mas como um fato cientificamente comprovado, impenetrável a qualquer outra forma de pensamento.

Em conseqüência, o novo universo das idéias se mostrou tão fechado quanto o anterior, quando cristãos defendiam sua forma de pensar com argumentos estritamente religiosos. Hoje, não crer na evolução é, na opinião dos evolucionistas, negar o óbvio, desconhecer os fatos científicos mais elementares.

Apesar disso, nas últimas décadas, alguns cientistas têm corajosamente feito oposição ao evolucionismo: são os criacionistas, que afirmam poder sustentar cientificamente esta posição. Tais homens de ciência afirmam não estar longe o dia em que a evolução será ensinada nas escolas, não como um fato, mas como a grande falácia dos séculos XIX e XX.

Temos, portanto, dois modelos das origens, o criacionista e o evolucionista, que se propõem a explicar o surgimento da vida, a diversidade de formas em que esta se apresenta, o nascimento do sistema solar, das galáxias, do universo como um todo.

Examinaremos, aqui, esses dois modelos de que o homem tem se utilizado para tentar desvendar o enigma das origens. Iniciamos, pois, uma jornada pelo mundo da ciência, da filosofia e da religião, em busca de nossas próprias origens.

O modelo da criação
Este modelo define, no princípio, um período de criação especial, quando todos os sistemas básicos da natureza foram trazidos à existência completos, prontos para pleno desempenho de suas funções.

Assim, ao invés de pensar na vida como tendo surgido a partir de formas bem simples - aminoácidos, proteínas, bactérias, algas etc., gradualmente evoluindo para formas mais complexas, a teoria da criação afirma que os seres vivos vieram à existência através de atos distintos de criação.

Isto não significa que criacionistas sejam fixistas. O fixismo afirma que as espécies biológicas são, desde o princípio, imutáveis e idênticas aos primeiros organismos criados. Criacionistas do tempo de Darwin eram pouco afeitos à ciência e, pressionados pelas idéias evolucionistas, muitos foram para esse outro extremo.

Criacionistas sabem da existência de vários processos da natureza, que convencionamos denominar de mutações, capazes de introduzir novidades genéticas em uma dada espécie.

Eles, entretanto, não crêem que tais processos possam trazer à cena modificações tão extraordinárias, a ponto de gerar toda a diversidade de vi da que encontramos no planeta a partir de um primeiro e único organismo unicelular, ou mesmo uma espécie a partir de outra. Eles também não crêem que a vida possa ter se originado a partir da matéria sem vida, de um modo inteiramente ao sabor do acaso.

Assim, a origem da vida e das espécies de seres vivos não pode ser explicada através de recursos naturais, demandando, portanto, a existência e o concurso de um agente externo ao universo e que foi o responsável por todos os pontos críticos da história desse mesmo universo. Findo o período de criação, cessaram os processos criativos, substituídos por processos de conservação, com o fim de preservar tudo que havia sido feito.

Nesse contexto, tudo teria sido criado perfeito. Do infinitesimal protozoário aos grandes mamíferos; do minúsculo átomo as gigantescas galáxias, o universo foi criado em perfeita ordem e todos os seres vivos, inclusive o homem, estavam presentes desde o inicio. Entretanto, num universo perfeito, onde alterações aleatórias são sempre possíveis, o sistema tende a se desorganizar.

Na verdade, essa tendência é a própria essência da segunda lei da termodinâmica, expressa em termos probabilísticos. Assim, o modelo da criação admite um princípio básico de desintegração, em vigor na natureza, desde o seu início. Naturalmente, se este modelo e mesmo factível, deve haver, por todo o universo, muitas evidências dos seus pressupostos.

Opositores da evolução
Criacionistas encontram-se entre os mais duros opositores da teoria da evolução, apontando sempre o que eles consideram pontos fracos dessa teoria. Eis, abaixo, alguns desses pontos:
1. O registro fóssil não apresenta os fósseis de transição entre as espécies. Esta é uma necessidade básica do evolucionismo, obviamente não resolvida;
2. Não há qualquer evidência de que uma espécie tenha, com o tempo, se transformado em outra, nem há, na natureza, qualquer mecanismo capaz de tal proeza. Este fato não deve nos causar surpresa, uma vez que a evolução não se caracteriza como fenômeno passível de observação e conseqüente investigação científica;
3. Erros básicos encontrados nos métodos radiométricos de datação comprometem as idades atribuídas a todos os sistemas datados. Sem a vastidão do tempo a sua disposição, o evolucionismo não pode subsistir;
4. Similaridades entre os seres vivos foram, no passado, consideradas evidências da evolução acima de qualquer suspeita. Comparações recentes entre o DNA e o RNA de varias espécies têm mostrado que esse tipo de comparação é, na verdade, inconclusivo.

Os meios de comunicação têm, via de regra, caracterizado o movimento criacionista como anticientifico, cujos integrantes são fanáticos religiosos, dispostos a tudo para fazer prevalecer seus pontos de vista acerca das origens. Recentemente, em um artigo a respeito de Darwin, o articulista afirmou: "só protestantes fundamentalistas, que interpretam a Bíblia ao pé da letra e, por isso, não crêem nas mutações, se recusam a crer nas idéias de Darwin acerca da evolução das espécies".

Isto, porem, não é verdade! Todos sabemos que as mutações são uma realidade - dizem os criacionistas - mas também sabemos que elas não dispõem de potencial para promover a evolução. Em outras palavras, os criacionistas afirmam possuir respostas claras e convincentes, sempre consistentes com os fatos da natureza e com as descobertas da ciência, a todos os argumentos apresentados por evolucionistas.

Síntese da posição criacionista
Criacionistas crêem na existência de um Ser superior, que preexistiu a todo universo e, pelo seu poder, deu origem a tudo quanto existe. Crêem também os criacionistas que o Criador trouxe a existência não só as galáxias de que se compõe o universo, como também os tipos básicos de seres vivos, dos quais descende a presente multiplicidade de formas em que a vida hoje se apresenta. Esta é uma idéia bastante plausível, e que conta com o suporte da observação e da experimentação. A espécie dos cães, por exemplo, em 1960 possuía 200 raças a mais do que em 1700, obtidas através de sucessivos cruzamentos e seleção de certas características.

Tanto quanto tem sido observado, experimentalmente ou na natureza, nem as mutações, nem os processos de seleção, têm potencial para produzir uma transformação de uma espécie em outra. Os mutantes são sempre da mesma espécie que os originou, quase sempre menos aptos a sobrevivência, e os processos de seleção natural não fazem mais do que recombinar os genes presentes em uma dada espécie.

Assim, sabemos que o homem tem sido capaz de selecionar combinações de genes para produzir novas variedades de cães, pombos, ervilhas, feijão etc., e que através de mutações se pode ter novas características introduzidas em uma dada espécie. Nenhum dos dois casos, entretanto favorece a transmutação de uma espécie em outra.

Veja algumas das principais características da criação:
1. Sobrenaturalista - Origens explicadas através da existência de um agente externo ao universo: o Criador;
2. Externamente dirigida - Todo o universo é dirigido pelo Criador, que mantém sua obra através de processos de conservação por Ele estabelecidos;
3. Dotada de propósito - O Criador trouxe o universo à existência com um propósito bem definido;
4. Completa, concluída - Houve um período de criação, ao fim do qual o Criador deu sua obra por completada.

Criacionistas mantêm, ainda, que a livre investigação da natureza confirma todos os pontos do seu modelo; que as evidências da natureza apontam, de modo insofismável, na direção do Criador. Afirmam, também, que a Terra é um planeta jovem, apresentando não só erros básicos nos métodos de datação utilizados pelos evolucionistas, como também evidencias da natureza que favorecem o seu ponto de vista.

O modelo da evolução
Darwin não pretendia, ao publicar o seu livro A Origem das Espécies, em 1859, explicar a origem da vida na Terra. Sobre isto, ele escreveu um único parágrafo, em que afirmava crer que os primeiros germes de vida haviam sido colocados por Deus em nosso planeta. Tal parágrafo, porém, Darwin ordenou que fosse suprimido a partir da segunda edição de seu livro.

É muito difícil julgar intenções, mas a atitude de Darwin, ao suprimir esse parágrafo, parece significar que ele já começava a se render ao naturalismo, que afirma que tudo no universo pode ser explicado através de causas naturais. Nesse caso, a origem da vida não seria uma exceção.

Mas o objetivo do livro era explicar a origem das espécies, a partir de vida preexistente. Como, afinal, explicar a origem de todas as espécies que encontramos na Terra? Qual a origem da grande diversidade que hoje observamos entre os seres vivos?

Darwin estava convencido de que as espécies se transformavam com o tempo, e que as pequenas diferenças que normalmente observamos entre uma geração e a sua prole acumulavam-se e, com o tempo, davam origem a uma nova espécie. Neste contexto, peixes haviam surgido de outros seres menos complexos nos oceanos e dado origem aos anfíbios. Destes teriam surgido os répteis, ancestrais das aves e dos mamíferos. O homem, como afirmara T. Dobzhansky, era apenas um produto dessa evolução, tendo surgido entre os mamíferos como o ser mais evoluído.

Outros pensadores vieram após Darwin e completaram essa visão de modo a incluir o universo como um todo. Assim, se configurou um modelo das origens bastante distinto do criacionista, ao qual se denominou de modelo evolucionista das origens. Desde então, esse modelo passou por diversas modificações na tentativa de vencer as dificuldades que se apresentaram a partir de novas descobertas da ciência.

Em sua caminhada, muito provavelmente por falta de oposição a altura, tornou-se o modelo hoje dominante. A maior parte dos cientistas acredita na teoria da evolução como a única forma de explicarmos nossas origens, e praticamente toda a mídia, revistas, livros, jornais, radio, televisão etc., ao tratar algum assunto científico relacionado com as origens, o faz em um contexto evolucionista.

Em sentido mais abrangente, este sistema afirma que todo o universo se encontra em continua evolução. Este processo teria se iniciado com o hidrogênio, subproduto básico de uma suposta explosão (Big-Bang) supostamente ocorrida há cerca de 15 bilhões de anos, quando o presente universo ainda não existia.

A partir de então, esse gás incolor, inodoro, insípido, contendo apenas um próton em seu núcleo, e um elétron à sua volta, teria sofrido transformações casuais, gerando outros elementos por meio da captura de elétrons, prótons e nêutrons. Estes teriam se combinado de modo a gerar as substâncias de que se compõe o universo, com a matéria resultante se organizando ate o ponto de gerar a vida, com todas as suas particularidades.

Como todos os processos até hoje idealizados para justificar a evolução são sempre muito lentos, o tempo se torna um dos fatores imprescindíveis nesse modelo. Não se pode conceber o processo da evolução em um período de tempo muito curto. A evolução requer bilhões de anos, e esta imensa porção de tempo Darwin encontrou à sua disposição na filosofia uniformitarista de James Hutton.

De acordo com G. A. Kerkut, agraciado com o título de professor emérito de neurociência na Universidade de Southampton, em seu intrigante livro Implications of Evolution, há sete hipóteses básicas freqüentemente não mencionadas em nossas discussões sobre a evolução, e que muitos evolucionistas ignoram as primeiras, considerando apenas a sétima. Eis aqui essas hipóteses:

1.- Coisas não vivas deram origem ao material vivo, em outras palavras, a geração espontânea ocorreu;
2.- A geração espontânea ocorreu apenas uma vez na história da Terra;
3.- Vírus, bactérias, plantas e animais estão todos inter-relacionados;
4.- Protozoários deram origem aos metazoários;
5.- Os invertebrados também estão todos inter-relacionados;
6.- Os invertebrados deram origem aos vertebrados;
7.- Entre os vertebrados, peixes de ram origem aos anfíbios; anfíbios aos répteis; e répteis a aves e mamíferos.

Continuando. o Dr. Kerkut diz que: "... essas sete hipóteses não são passiveis de verificação experimental. Elas pressupõem que uma série de eventos ocorreu no passado. Ainda que fosse possível produzir tais eventos sob condições atuais, isto não significaria que tais mudanças tenham ocorrido no passado. Assim, transformar um réptil moderno em um mamífero, ainda que uma operação de grande interesse, não nos revelaria nada sobre a origem dos mamíferos. Infelizmente, nem mesmo esse tipo de transformação estamos aptos a realizar" (p. 7).

Apesar das críticas que o Dr. Kerkut desfere em seu livro contra o modelo da evolução, ele é um evolucionista. Isto, porém, não deve nos surpreender: todo aquele que sucumbir diante dos apelos do naturalismo, que insistir em afirmar que tudo no universo pode ser explicado através de causas naturais, não terá mesmo outra alternativa para explicar as nossas origens que não a teoria da evolução.

Fonte:

O Prof. Christiano P. da Silva Neto é professor universitário, pós-graduado em ciências pela University of London, estando hoje em tempo integral a serviço da ABPC - Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, da qual é presidente e fundador. Autor de cinco livros sobre as origens, entre os quais destacam-se Datando a Terra e Origens - A verdade Objetiva dos Fatos, o Prof. Christiano tem estado proferindo palestras por todo o país, a convite de igrejas, escolas e universidades.