segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
Gerasa, Gersesa ou Gadara?
O erro geográfico mais absurdo que Marcos
comete é quando conta a história exagerada sobre Jesus atravessando sobre o Mar
da Galiléia e exorcizando demônios de um homem (dois homens na versão revisada
de Mateus) e fazendo-os entrar em cerca de 2.000 porcos os quais, conforme a
versão do Rei Jaime, "correram violentamente penhasco abaixo para dentro
do mar, e se afogaram no mar.
Além da crueldade para com os animais demonstrada
pelo amável e gentil Jesus e sua indiferença pela propriedade dos outros, o que
está errado nessa história?
Se sua única fonte de informação for a Bíblia do
Rei Jaime, você poderá nunca saber. A versão do Rei Jaime diz que esse milagre
ocorreu na terra dos gadarenos, enquanto que os manuscritos Gregos mais antigos
dizem que aconteceu na terra dos gerasenos.
Lucas, que não conhecia nada da geografia
Palestina, também passa adiante esse pequeno absurdo. Mas Mateus, que tinha
algum conhecimento sobre a Palestina, mudou o nome para gadarenos, em sua
versão nova e melhorada, mas isso foi novamente melhorado para gergesenos na
versão do Rei Jaime.
A esta altura o leitor deve estar atordoado com
todas estas distinções entre gerasenos, gadarenos e gergesenos. Que diferença
isso faz? Muita diferença com veremos.
Gerasa, o lugar mencionado nos manuscritos mais
antigos de Marcos, está localizada a cerca de 50 km de distância das costas do
Mar da Galiléia. Aqueles pobres porcos tiveram que correr uma distância 8 km
mais longa que uma maratona para encontrar um lugar para se afogar! Nem mesmo
lemingues precisam ir tão longe. Ainda mais se considerarmos que o perfil de um
"penhasco" tem que ter no mínimo 45 graus, o que tornaria a elevação
de Gerasa pelo menos seis vezes maior que Monte Evereste!
Quando o autor de Mateus leu a versão de Marcos,
viu a impossibilidade de Jesus e sua gangue desembarcarem em Gerasa (que por
sinal também ficava em outro país, o assim chamado Decápolis).
Já que a única cidade na vizinhança do Mar da
Galiléia que ele conhecia e que começava com G era Gadara, trocou Gerasa por
Gadara. Mas mesmo Gadara dista 8 km da costa, e em um país diferente.
Copistas posteriores dos manuscritos Gregos de
todos os três evangelhos com porcos afogados (Mateus, Marcos e Lucas)
melhoraram Gadara mais tarde para Gergesa, uma região que agora se sabe ter
feito parte da costa oriental do Mar da Galiléia. Não é preciso falar mais nada
sobre a confiabilidade da tradição bíblica.
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Norman
Geisler & Thomas Howe:
"PROBLEMA:
Cada um dos três primeiros evangelistas (Mateus, Marcos e Lucas) faz um relato
de Jesus libertando um endemoninhado. Mateus relata que essa libertação ocorreu
na terra dos gadarenos. Entretanto, Marcos e Lucas dizem que foi na terra dos
gerasenos.
SOLUÇÃO: Há
um problema de textos nesse caso. O texto crítico do NT em grego
(Nestle-Aland/Sociedades Bíblicas Unidas) menciona em IV arcos e Lucas o mesmo
lugar a que se refere Mateus, ou seja, a terra dos gadarenos. Entretanto,
alguns manuscritos dão esse local como sendo a terra dos gerasenos.
É possível
atribuir essa divergência nesses manuscritos a um erro de copistas.
É provável
que Gadara tenha sido a capital da região, e Mateus, portanto, referiu-se
àquela área como sendo a terra dos gadarenos, porque o povo daquela região,
quer vivessem em Gadara ou não, identificavam-se como gadarenos.
Marcos e
Lucas possivelmente deram uma referência mais geral à terra dos gerasenos, que
seria a região mais extensa dentro da qual o incidente ocorreu.
Entretanto um
escriba, confundindo a referência em Mateus - achando que era a cidade em vez
do povo da região - pode ter achado que deveria corrigir os manuscritos, e
assim alterou as referências para torná-las uniformes.
Parece que a
melhor evidência textual está em favor de Gadara, embora haja opiniões
divergentes entre comentaristas.
Não há
contradição nem erro nessas passagens, porque o problema surgiu em decorrência
das transcrições, e não há evidência que demonstre ter havido um erro nos
manuscritos originais."
Fonte: "Manual Popular de dúvidas, enigmas e
"contradições" da Bíblia"; ed. Mundo Cristão; pg.345-346.
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R. V. G.
Tasker:
"Gadarenos.
A redação mais bem comprovada de Mateus é esta (assim também VR e VPR), e não do
lag"gergesenos" (VA). Gadara era uma cidade que ficava a uns dez
quilômetros dos lago. Marcos e Lucas dizem "gerasenos" - sendo Gerasa
uma cidade que distava uns cinqüenta quilômetros a sudeste o. A grafia
"gergesenos", estabelecia nos mais recentes manuscritos gregos,
parece dever-se a Orígenes que, como nota McNeile, dizia que, nem Gadara nem
Gerasa satisfaziam às exigências da narrativa".
Fonte: "Mateus - Introdução e
comentário"; Ed. Vida Nova, pg.76.
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Leon L.
Morris:
"A terra
dos gerasenos nos apresenta um problema, pois Gerasa ficava a cerca de 64 km ao
sudeste do lago. Mateus registra "a terra dos gadarenos", mas Gadara
fica a 9 km de distância, e separada pelo desfiladeiro do Iarmuque. Todos os
três Sinotistas têm as duas variações, e também uma terceira, "o país dos
gergasenos". Este último texto era favorecido por Orígenes, que achava que
os outros dois lugares estavam demasiadamente distantes, e que os textos tinham
surgido somente porque os escribas não sabiam da existência da pequena cidade
de Gergosa, e, portanto, substituíram-no por nomes que conheciam (ver, por
exemplo, Manson). Os estudiosos modernos indicam a vila de Khersa e pensam que
talvez esta tenha retido o nome antigo. Pode ser certo, mas permanece a
suspeita de que o texto é achado nos MSS somente porque Orígenes deu origem a ele.
Se qualquer dos outros está correto, devemos entender que a respectiva cidade
controlava uma faixa de terra até a beira do lago".
Fonte: "Lucas - Introdução e comentário";
Ed. Vida Nova; pg.147.
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Bíblia de
Estudo NVI:
Comentário de Mt 8:
"Região
dos gadarenos. Região ao redor da cidade de gadara, quase 10 Km a sudeste do
mar da Galiléia. Marcos e Lucas identificam a região pela capital, Gerasa,
localizada uns 56 km a sudeste do mar".
Comentário de Mc 5:
"Região
dos Gerasenos. Gerasa, situada a uns 56 km a sudeste do mar da Galiléia, pode
ter possuído terras no litoral leste do mar e assim ter dado seu nome a uma
pequena aldeia ali, que hoje é chamada Khersa. A uns 1.600 m ao sul há um
despenhadeiro bastante íngreme dentro de 45 m da praia, e a uns 3 km de lá
existem túmulos nas cavernas, que parecem ter sido usadas como
habitações".
Comentário de Lc 8:
"região
dos gerasenos. Os evangelhos referem-se de duas maneiras à localidade em que se
deu esse fato: 1) região dos geraseno e 2) região dos gadarenos. Alguns
manuscritos de Mt, Mc e de Lc trazem "gersesenos", mas essa grafia
pode ter sido introduzida numa tentativa de resolver as diferenças".
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Refutando
(Por Pipe):
"O erro geográfico mais absurdo que Marcos
comete é quando conta a história exagerada sobre Jesus atravessando sobre o Mar
da Galiléia...
Bom, vamos ao texto então:
35 Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus
discípulos: “Vamos para o outro lado”.
36 Deixando a multidão, eles o levaram no barco,
assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam.
37 Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se
lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água.
38 Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça
sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te
importas que morramos?”
39 Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao
mar: “Aquiete-se! Acalme-se!” O vento se aquietou, e fez-se completa bonança.
40 Então perguntou aos seus discípulos: “Por que
vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?”
41 Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos
outros: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”
Próximo versículo no cap.5:
1 Eles atravessaram o mar e foram para a região dos
gerasenos.
2 Quando Jesus desembarcou, um homem com um
espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro.
Onde diz no texto a idiota afirmação de que Jesus
atravessou o mar da Galiléia andando sobre o mar?
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Vamos ler os
três textos:
Mt 8:
23 Entrando ele no barco, seus discípulos o
seguiram.
24 De repente, uma violenta tempestade abateu-se sobre
o mar, de forma que as ondas inundavam o barco. Jesus, porém, dormia.
25 Os discípulos foram acordá-lo, clamando:
“Senhor, salva-nos! Vamos morrer!”
26 Ele perguntou: “Por que vocês estão com tanto
medo, homens de pequena fé?” Então ele se levantou e repreendeu os ventos e o
mar, e fez-se completa bonança.
27 Os homens ficaram perplexos e perguntaram: “Quem
é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”
28 Quando ele chegou ao outro lado, à região dos
gadarenos, foram ao seu encontro dois endemoninhados, que vinham dos sepulcros.
Eles eram tão violentos que ninguém podia passar por aquele caminho.
29 Então eles gritaram: “Que queres conosco, Filho
de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do devido tempo?”
30 A certa distância deles estava pastando uma
grande manada de porcos.
31 Os demônios imploravam a Jesus: “Se nos
expulsas, manda-nos entrar naquela manada de porcos”.
32 Ele lhes disse: “Vão!” Eles saíram e entraram
nos porcos, e toda a manada atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e morreu
afogada.
33 Os que cuidavam dos porcos fugiram, foram à
cidade e contaram tudo, inclusive o que acontecera aos endemoninhados.
34 Toda a cidade saiu ao encontro de Jesus, e,
quando o viram, suplicaram-lhe que saísse do território deles.
9:
1 Entrando Jesus num barco, atravessou o mar e foi
para a sua cidade.
Mc 4 e 5:
35 Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus
discípulos: “Vamos para o outro lado”.
36 Deixando a multidão, eles o levaram no barco,
assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam.
37 Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se
lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água.
38 Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça
sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas
que morramos?”
39 Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao
mar: “Aquiete-se! Acalme-se!” O vento se aquietou, e fez-se completa bonança.
40 Então perguntou aos seus discípulos: “Por que
vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?”
41 Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos
outros: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”
1 Eles atravessaram o mar e foram para a região dos
gerasenos.
2 Quando Jesus desembarcou, um homem com um
espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro.
3 Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém
conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes;
4 pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados
pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés.
Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo.
5 Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com
pedras entre os sepulcros e nas colinas.
6 Quando ele viu Jesus de longe, correu e
prostrou-se diante dele,
7 e gritou em alta voz: “Que queres comigo, Jesus,
Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes!”
8 Pois Jesus lhe tinha dito: “Saia deste homem,
espírito imundo!”
9 Então Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”
“Meu nome é Legião”, respondeu ele, “porque somos muitos.”
10 E implorava a Jesus, com insistência, que não os
mandasse sair daquela região.
11 Uma grande manada de porcos estava pastando numa
colina próxima.
12 Os demônios imploraram a Jesus: “Manda-nos para
os porcos, para que entremos neles”.
13 Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos
saíram e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se
precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou.
14 Os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram
esses fatos na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido.
15 Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o
homem que fora possesso da legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito
juízo; e ficaram com medo.
16 Os que estavam presentes contaram ao povo o que
acontecera ao endemoninhado, e falaram também sobre os porcos.
17 Então o povo começou a suplicar a Jesus que
saísse do território deles.
18 Quando Jesus estava entrando no barco, o homem
que estivera endemoninhado suplicava-lhe que o deixasse ir com ele.
19 Jesus não o permitiu, mas disse: “Vá para casa,
para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve
misericórdia de você”.
20 Então, aquele homem se foi e começou a anunciar
em Decápolis o quanto Jesus tinha feito por ele. Todos ficavam admirados.
Lc 8:
22 Certo dia Jesus disse aos seus discípulos:
“Vamos para o outro lado do lago”. Eles entraram num barco e partiram.
23 Enquanto navegavam, ele adormeceu. Abateu-se
sobre o lago um forte vendaval, de modo que o barco estava sendo inundado, e
eles corriam grande perigo.
24 Os discípulos foram acordá-lo, clamando:
“Mestre, Mestre, vamos morrer!” Ele se levantou e repreendeu o vento e a
violência das águas; tudo se acalmou e ficou
tranqüilo.
25 “Onde está a sua fé?”, perguntou ele aos seus
discípulos. Amedrontados e admirados, eles perguntaram uns aos outros: “Quem é
este que até aos ventos e às
águas dá ordens, e eles lhe obedecem?”
26 Navegaram para a região dos gerasenos, que fica
do outro lado do lago, frente à Galiléia.
27 Quando Jesus pisou em terra, foi ao encontro
dele um endemoninhado daquela cidade. Fazia muito tempo que aquele homem não
usava roupas, nem vivia em
casa alguma, mas nos sepulcros.
28 Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus
pés e disse em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?
Rogo-te que não me atormentes!”
29 Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo
saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os
pés e as mãos acorrentados e
entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes,
e era levado pelo demônio a lugares solitários.
30 Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu
nome?”“Legião”, respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele.
31 E imploravam-lhe que não os mandasse para o
Abismo.
32 Uma grande manada de porcos estava pastando
naquela colina. Os demônios imploraram a Jesus que lhes permitisse entrar
neles, e Jesus lhes deu permissão.
33 Saindo do homem, os demônios entraram nos
porcos, e toda a manada atirou-se precipício abaixo em direção ao lago e se
afogou.
34 Vendo o que acontecera, os que cuidavam dos
porcos fugiram e contaram esses fatos, na cidade e nos campos,
35 e o povo foi ver o que havia acontecido. Quando
se aproximaram de Jesus, viram que o homem de quem haviam saído os demônios
estava assentado aos pés de
Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com
medo.
36 Os que o tinham visto contaram ao povo como o
endemoninhado fora curado.
37 Então, todo o povo da região dos gerasenos
suplicou a Jesus que se retirasse, porque estavam dominados pelo medo. Ele
entrou no barco e regressou.
38 O homem de quem haviam saído os demônios
suplicava-lhe que o deixasse ir com ele; mas Jesus o mandou embora, dizendo:
39 “Volte para casa e conte o quanto Deus lhe fez”.
Assim, o homem se foi e anunciou na cidade inteira o quanto Jesus tinha feito
por ele.
Resumindo:
Vamos resumir os três textos e destacar os pontos
principais:
1. Os textos dizem que Jesus estava na região da
Galiléia e se dirigiu para a região dos “Gadarenos” (Mt) ou para a região dos
“Gerasenos” (Mc e Lc);
2. Os três textos dizem que o encontro foi
imediato, ou seja, perto da praia;
3. Os textos dizem que os porcos precipitaram-se
num precipício no mar;
4. Os textos dizem que os donos dos porcos foram a
cidade dizer o que havia ocorrido;
5. Os textos dizem que Jesus subiu novamente no
barco e voltou para a Galiléia assim que os donos dos barcos retornaram da
cidade.
Concluíndo:
1. Os três textos referem-se a ”região” e não
cidade. Bom, a cidade de Gadara ficava a uns 8 ou 10 kms da praia. Portanto,
perfeitamente aceitável referir-se a ela como ponto de referência. Eu moro a 9
km do centro de Curitiba e de carro percorro esta distância a 60km por hora em
15 min. De a pé, eu levaria menos de 2:00h para percorrê-la. É pouco provável
referir-se a uma região ligando ela a uma cidade que ficava a 8 ou 10 km de
distância?
2. Os três textos falam que o encontro foi próximo
a praia. Portanto, os próprios autores não seriam tão burros de quererem dizer
com “região” literalmente as cidades de Gadara ou Gerasa. Se eles disseram
praia, automaticamente se subentendem que não foi na cidade e nem do lado dela,
uma vez que estas duas cidades não são praianas. Por isso disseram
"região".
3. Os textos dizem que os donos dos porcos foram
até a cidade contar o que havia ocorrido. Ora, se foram a cidade significa que
não estavam na cidade. Se Gadara ficava a 8 km de distância, em 3 horinhas
andando rapidinho “fulos da vida” como estavam, dava tempo de sobra.
4. Os textos dizem que logo em seguida Jesus entrou
de novo no barco. Isto denota que ele não estava longe do barco. Portanto, não
estava na cidade.
5. Se Mc e Lc quiseram dizer com “região” ligando
isto a capital que era Gerasa, que ficava a 56 km dali, isto se torna um
problema? Mt ligou “região” a cidade mais próxima “Gadara”, Mc e Lc, ligaram a
Gerasa. No Stress. 100% normal e aceitável.
6. Já “Gergesa” é opinião unânime dos críticos que
se trata de uma correção de Orígenes para corrigir um “problema”. Portanto,
descartado. Os manuscritos mais antigos não apóiam “Gergesenos”.
7. Agora, se havia a uns 1.600 m ao sul um
despenhadeiro. Fica mais do que evidente, que os autores escolheram como
referência as cidades que vieram em sua mente como principais. No caso de Mt
usou a mais próxima, Gadara e disse “região dos gadarenos”. Já Mc e Lc usaram a
capital Gerasa como referência para “região dos gerasenos”.
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Cooperação
de Matheus:
A passagem fica menos contraditória ainda quando
pegamos os originais:
"kai
elqonti autw eiV to peran eiV thn cwran
twn gergeshnwn uphnthsan autw duo daimonizomenoi ek twn mnhmeiwn exercomenoi
calepoi lian wste mh iscuein tina parelqein dia thV odou ekeinhV"
(Mateus 8:28)
kai
katepleusan eiV thn cwran twn
gadarhnwn htiV estin antiperan thV galilaiaV (Lucas 8:26)
kai hlqon eiV
to peran thV qalasshV eiV thn cwran
twn gadarhnwn (Marcos 5:1)
A palavra destacada é cwran que pode significar:
costa, região, campos, país, solo e terra.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Marcos errou no cap.7?
Outra prova da não autenticidade de Marcos é o fato
de que no capítulo 7, onde Jesus está discutindo com os Fariseus, descreve-se
Jesus citando a versão de Isaías da Septuaginta grega para apoiar seu argumento
no debate. Infelizmente, a versão hebraica é um tanto diferente da Grega.
Em Isaías 29:13, em Hebraico, lê-se "seu temor
para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor" enquanto
que na versão Grega – e no evangelho de Marcos – se lê "em vão cultuam a
mim, ensinando como doutrinas preceitos do homem" (Revised Standard
Version).
Wells observa com indiferença (p.13). "É muito
improvável que um Jesus palestino conseguisse vencer uma discussão com judeus
ortodoxos usando um argumento baseado numa tradução equivocada das escrituras
deles".
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Vamos aos
Textos:
Is 29:13 O Senhor diz: “Esse povo se aproxima de
mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A
adoração que me prestam é feita só de regras ensinadas por homens.
Mc 7:6-7 Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías
acerca de vocês, hipócritas; como está escrito: “ ‘Este povo me honra com os
lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus
ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’.
Mt 15:7-9 Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca
de vocês, dizendo: “ ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está
longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras
ensinadas por homens’”.
1. Se Marcos errou em usar a Septuaginta, por que
Mateus, sendo Judeu fez uso dela também? Ou Mateus também não sabia nadica de
nada sobre sua cultura? Por que Mateus então também usou a Septuaginta?
2. Se Marcos foi escrito em grego, não seria mais
do que óbvio que ele faria uso da Septuaginta para aplicar o ensino de Jesus?
3. Há de fato diferença entre o sentido dos textos
no hebraico e no grego?
Hebraico: "seu temor para comigo consiste em
mandamentos de homens, aprendidos de cor"
Grego: "em vão cultuam a mim, ensinando como
doutrinas preceitos do homem".
Mudou alguma coisa?
4. Jesus "pode" ter citado em hebraico a
passagem. Mas o ensino do texto é o mesmo. E tanto Marcos quanto Mateus fizeram
uso do grego. Portanto, se Marcos estava errado, porque Mateus um legítimo
judeu e apóstolo de Cristo descreveu o evento fazendo uso da versão grega?
Conclusão: Ele não vai saber responder. Ficará
divagando, especulando e criando falácias do tipo: "Ah, mas Mateus copiou
Marcos". Bom, mesmo que isso viesse a ser fato, pois não se tem como
afirmar isto com absoluta certeza. O fato é que, Mateus fez também uso da
Septuaginta e escreveu todo o seu evangelho em grego fazendo uso das profecias
em grego da Septuaginta. Mateus o tempo todo emprega terminologias judaicas do
tipo: "Reino dos céus"; "Pai celestial"; "Filho de
Davi", portanto tinha os judeus também como alvo, E, nem por isso se
preocupou com a preocupação que o autor da crítica está trazendo. Já Marcos se
preocupa com explicações acerca de costumes judaicos e fez uso do grego para
isto.
A explicação mais aceita é a de que tanto Mateus
quanto Marcos tinham como alvo não somente o judeus, mas também romanos,
gregos, etc. Se tivessem escrito seus evangelhos em hebraico, eles não teriam
alcançado o propósito da grande comissão, que era o de levar as boas novas a
toda a criatura.
Pipe
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Livro: "The Testimony of the Beloved Disciple: Narrative, History, and Theology in the Gospel of John" de Richard Bauckham,
Como os detalhes literários e históricos contribuem
para um testemunho teológico coerente de Jesus no Evangelho de João? Um
proeminente erudito evangélico do Novo Testamento responde a essa questão
através de um novo livro lançado nos Estados Unidos (e sem previsão de
lançamento no Brasil). Este é um livro importante para todo estudante sério do
Quarto Evangelho.
Richard Bauckham, The Testimony of the Beloved
Disciple: Narrative, History, and Theology in the Gospel of John. Grand Rapids:
Baker Academic, 2007. 313 pp. ISBN 978-0-8010-3485-5.
Resenha de Craig L. Blomberg *
Tradução: Rodrigo Gonçalves de Souza **
Muitas coleções de artigos de um estudioso bíblico
publicados anteriormente sobre um tópico não parecem merecer ainda mais um
livro em uma indústria já saturada. Ninguém pode com imparcialidade, acusar
este volume de cair nesta categoria. Richard Bauckham, recentemente aposentado
da Universidade de St. Andrews, tem uma distinta carreira como um escritor
prolífico sobre uma incrível variedade de temas, sem dúvida nenhum deles mais
importantes do que suas obras sobre o Evangelho de João. Apesar de que o
oferecido neste livro [sem previsão de lançamento no Brasil] são reimpressões
ou revisões de ensaios que tenham surgido noutras ocasiões (e um é uma reformulação
de uma seção de um livro recente de Bauckham), muitos foram disponibilizados em
fontes pouco conhecidas e todos merecem a maior audiência e contexto que a sua
apresentação neste volume irá proporcionar.
[O Capítulo]“Características Historiográficas do
Evangelho de João” (Historiographical Characteristics of the Gospel of John)
apresenta elementos que ligam este documento mais com história do que
biografia, ou, pelo menos, mais do que nos Sinóticos. Estes [elementos] incluem
informações precisas de topografia e cronologia e a utilização de testemunhas
oculares e numerosos discursos ou diálogos. Nada disto faz com que o Evangelho
seja necessariamente preciso em tudo o que apresenta, mas deixa a porta aberta
para tal conclusão, dado o gênero literário resultante deste estudo.
[O capítulo] “A Audiência do Evangelho de João”
(The Audience of the Gospel of John) demonstra quão pobremente as influências
da abordagem de J..L Martyn, de uma leitura de dois níveis da narrativa
(algumas poucas coisas reais da vida de Jesus, mas mais transparecendo as
realidades do final do primeiro século) realmente funcionam. As passagens de
excomunhão podem não refletir qualquer vasto emprego da Birkath-ha-Minim[1],
numerosos personagens obviamente não representam alguém da comunidade de João
ou sua oposição, e os Pais da Igreja utilizam regularmente as imagens de João
visando a mais ampla audiência, não a mais sectária.
A comparação entre o dualismo, nos Rolos do Mar
Morto, especialmente no que diz respeito à luz e as trevas, mostra que os
paralelos com João não estão tão perto quanto às vezes se tem mantido.
Estudiosos foram certos ao balançar o pêndulo para longe do pano de fundo
greco-romano para judaicos, e nestes, para aqueles relacionados com estes
fenômenos, mas o caso de fazê-lo pode ser ainda melhor visualizado simplesmente
pelos paralelos do Antigo Testamento. Literatura rabínica e Josefo referem-se a
pelo menos dois poderosos e ricos líderes judaicos pelo nome de Nicodemos na
elite da família Gurion. Provavelmente não há nenhuma relação com o de João,
mas dada a freqüente prática do reaproveitamento de alcunhas familiares e a
raridade deste nome particular fora desta família, tudo no Quarto Evangelho
sobre Nicodemos reverbera verossimilhança.
Lázaro, Marta e Maria, por outro lado, foram nomes
judeus extremamente comuns. Portanto, o aparecimento do Lázaro ressurreto, em
João 11 não requer hipóteses dos empréstimos a partir da parábola de Lucas
16:19-31. Afinal, nenhuma ressurreição é requisitada lá, apenas uma aparição temporária
a partir do reino dos mortos.
Por outro lado, os retratos das duas irmãs que
mostram a combinação certa de semelhanças e diferenças entre Lucas 10:38-42 e
João 11-12 sugerem que João pode muito bem ser fornecer retratos historicamente
precisos sem simplesmente tomar emprestado de Lucas. Semelhante lógica apóia a
autenticidade da cena do caminhar sobre as águas em João 13 - a coerência com a
logia[2] sinótica do servo empregada sem paralelismo íntimo o suficiente para
sugerir dependência em qualquer ponto.
Em um estudo do messianismo judaico, no Quarto
Evangelho, Bauckham mostra como os vários retratos de Jesus como Cristo,
profeta como Moisés, e Filho do Homem todos refletem o justo equilíbrio da
coerência com os substratos judaicos e encaixam com “progressiva
auto-revelação” de Jesus, como para ser credível nos contextos aos quais João
atribuiu-os. Em seu enfoque sobre monoteísmo e Cristologia neste Evangelho,
Bauckham mostra como os ditos de Jesus referentes a “unidade com o Pai”, o
“Eu-Sou” e outros exemplos deste exercício das suas prerrogativas divinas nunca
são redigidas de forma a sugerir um comprometimento do monoteísmo. Na verdade,
os relevantes substratos do Antigo Testamento mostram que o que se traz de
Jesus é justamente que a sua relação com o Pai “é parte integral para que Deus
seja O Único” (p. 252).
A santidade de Jesus no Quarto Evangelho é para ser
que os discípulos a espelhem, com exceção de que ela não é absoluta para eles,
e (portanto) eles não são para expiar os pecados do mundo, como Cristo fez. Mas
os separa do mundo para que possam ser portadores de sua mensagem para o mundo.
O misterioso número 153 para a quantidade de peixes capturados em João 21:11
deve ser entendido como altamente simbólico, dada a característica prevalecente
do simbolismo algébrico judaico nos dias de João.
Além de endossar algumas sugestões anteriores,
Bauckham observa que o equivalente numérico do grego das quatro palavras-chave
no primeiro “término” do Evangelho de João 20:30-31 para “assinar”, “crer”, “Cristo”
e “vida” são 17, 98, 19 e 36, respectivamente. 153 é o “triângulo” de número 17
(a soma dos números de 1 a 17, e a soma de 98, 19 e 36 também é 153). O que
quer que tudo isso mais implica, é certamente sugestivo que a mesma pessoa por
trás capítulo 21 escreveu o restante do Evangelho[3]
Uma breve resenha dificilmente pode avaliar cada
uma destas contribuições pormenorizadamente. Pergunto-me se para Bauckham,
“João, o Ancião”, que tão estreitamente se assemelha ao filho de Zebedeu em
perfil, teria sido tão facilmente reconhecido como distinto dele, especialmente
desde que o único personagem chamado João no Quarto Evangelho é o Batista, mas
a ele nunca é dado este epíteto. Alguém que não seja João, filho de Zebedeu,
foi capaz de fazer isto sem temer ambigüidades, especialmente quando o
Evangelho circulou para muito além dos seus iniciais destinatários efésios -
como Bauckham salienta? É preciso escolher entre Bauckham e Larry Hurtado, por
exemplo, o qual salienta a segregação parcial do monoteísmo em várias vertentes
de judaísmos periféricos em binitarianismo? Apesar das notáveis coincidências
de somas numéricas, temos qualquer controle sobre tais especulações algébricas
para dar-nos alguma confiança que João realmente pretendeu isto?
Mas estas são bagatelas menores. Globalmente, este
é uma coleção de ensaios extraordináriamente meticulosa, criativa, e que mesmo
rompe paradigmas, sendo que cada um merece um estudo cuidadoso, e quase todos
merecem aceitação generalizada. Adquira este livro, maravilhe-se com ele e
digira-o. Bauckham deve ser tão mais esclarecido e lúcido na sua aposentadoria
quanto ele fora durante a sua ilustre carreira!
* Sobre o autor da resenha:
Craig L. Blomberg, Ph.D, é professor distinto do
Novo Testamento no Seminário Denver, nos Estados Unidos.
** Sobre o tradutor da resenha:
Rodrigo Gonçalves de Souza é anglicano da IEAB,
Missão Santo Agostinho de Cantuária .
Blogueiro:http://informadordeopiniao.blogspot.com/
http://defideorthodoxa-informadordeopiniao.blogspot.com/
http://bibliosofia-informadordeopiniao.blogspot.com/
Colabora como convidado em
http://adcummulus.blogspot.com/
Fonte do artigo original:
http://www.denverseminary.edu/…/the-testimony-of-the-belov…/
NOTAS DO TRADUTOR
[1] Bênção dos hereges, que fora promulgada na
liturgia judaica a partir do Concílio de Jamnia – final do séc.I - para
excomungar alguns considerados hereges, como os cristãos, que até então
incluíam alguns que buscavam participar dos ritos comunais judaicos.
[2] Na erudição do Novo Testamento, o termo logia
refere-se primariamente à suposta coleção dos ditos de Jesus que se acredita
ter sido mencionada por Papias.
[3] Paul S. Minear, em “The Original Functions of
John 21”, 1985, já havia feito uma vigorosa defesa dessa posição
Fonte:
www.apologia.com.br
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Jefté - Sacrifício de sangue Humano
Juízes -
11:30-31
30-"E Jefté votou um voto ao Senhor, e disse: Se
totalmente deres os filhos de Amom na minha mão...
...31-Aquilo que saindo da porta de minha casa, me sair ao
encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do Senhor, e o
oferecerei em holocausto.
Evidencia-se do texto do livro de Juízes que Jefté
prometeu sacrificar a primeira pessoa que saísse de sua casa para vir
felicitá-lo pela sua vitória sobre os amonitas. Sua filha única se lhe
apresentou, então ele lhe rasgou a roupa, imolando-a após ter-lhe permitido ir
chorar nas montanhas a desdita de morrer virgem. Durante muito tempo as filhas
judaicas celebraram essa aventura chorando a filha de Jefté por quatro dias.
Jefté votou sua filha em holocausto e cumpriu o seu
voto.
Ordenava expressamente a lei judaica que se
imolassem os homens votados ao Senhor. "Nenhum
homem votado obterá resgate mas receberá morte sem remissão".
A Vulgata
traduz: Non redimetur,sed morte morietur.
Foi em virtude dessa lei que Samuel cortou em
pedaços o rei Agague, a quem Saul perdoara, e justamente por haver poupado
Agague, Saul admoestado pelo Senhor e perdeu o seu reino.
Eis, pois, sacrifícios de sangue humano claramente
estabelecidos, não há ponto histórico melhor averiguado. Não se pode julgar de
uma nação a não ser por seus arquivos e pelo que ela refere de si própria.
------------------------------------------------------------
Descontradizendo:
Vamos
verificar vs. por vs.:
30 E Jefté fez um voto ao SENHOR, e disse: Se totalmente
deres os filhos de Amom na minha mão,
31 Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao
encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o
oferecerei em holocausto.
Demos uma parada por aqui:
1. A Lei que veio antes de Jefté diz claramente:
Dt 12:31 - Não adorem o SENHOR, o seu Deus, da maneira como fazem
essas nações, porque, ao adorarem os seus deuses, elas fazem todo tipo de
coisas repugnantes que o SENHOR odeia, como queimar seus filhos e filhas no
fogo em sacrifícios aos seus deuses. (tbém 18:10)
Bom, se Deus proibiu claramente o sacrifício
humano, como Ele daria a vitória a Jefté sabendo que isto implicaria na morte
de sua filha? Deus deu a vitória a Jefté para contradizer-se a si mesmo?
2. O texto diz que aquilo que saísse pela porta
seria do Senhor. Seria oferecido em holocausto.
Vamos em frente.
32 Assim Jefté passou aos filhos de Amom, a combater
contra eles; e o SENHOR os deu na sua mão.
Quem deu a vitória a Jefté? O Senhor, certo?
Portanto, se Jefté de fato matou sua filha em sacrifício à Deus, Deus se
contradisse neste evento ao dar a vitória a Jefté sabendo no que isto
implicaria.
Vamos em frente.
34 Vindo, pois, Jefté a Mizpá, à sua casa, eis que a sua
filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela a única filha;
não tinha ele outro filho nem filha.
Jefté não tinha mais filhos e nem filhas além desta
moça. Ela era sua filha única e portanto a responsável para dar continuidade a
sua semente.
35E aconteceu que, quando a viu, rasgou as suas vestes, e
disse: Ah! filha minha, muito me abates-te, e estás entre os que me turbam!
Porque eu abri a minha boca ao SENHOR, e não tornarei atrás.
Jefté rasgou suas vestes e não as da filha. As
versões Almeida Corrigida e Revisada, Thompson, NVI, Jerusalém e AT Poliglota
dizem vestes e não vestidos. Portanto é 5 contra 1.
37 Disse mais a seu pai: Conceda-me isto: Deixa-me por
dois meses que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as
minhas companheiras.
Aqui é que está o X da questão. O texto está
falando explicitamente que ela chorou por sua virgindade. Pensando que, se se
tratasse de fato de sua morte, porque ela choraria sua virgindade do tipo:
“Buá, vou morrer virgem, buá...”.
38 E disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses; então
foi ela com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.
De novo? “Buá, vou morrer virgem, buá...”.
39 E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para
seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu
homem; e daí veio o costume de Israel,
O texto diz explicitamente que Jefté cumpriu seu
voto e liga isto novamente a sua virgindade. O que não entendo, é, porque tanta
ênfase na virgindade dela?
Norman
Geisler & Thomas Howe comentam o seguinte:
”... o texto
não diz ter ele realmente matado sua filha como holocausto. É possível que
Jefté tenha oferecido sua filha ao Senhor como um sacrifício vivo. Por todo o
resto de sua vida ela serviria ao Senhor na casa do Senhor e permaneceria
virgem. Terceiro, um sacrifício vivo de perpétua virgindade era um sacrifício
tremendo no contexto judaico daqueles dias. Fazendo alguém voto de perpétua
castidade, e sendo dedicada ao serviço do Senhor, ela não poderia jamais ter
filhos e assim dar continuidade à linhagem familiar de seu pai. Jefté agiu com
muita honra e grande fé no Senhor, não voltando atrás em relação ao voto que
ele havia feito ao Senhor seu Deus. Quarto, este modo de ver a questão apóia-se
no fato de que quando a filha de Jefté saiu para chorar por dois meses, ela não
saiu para lastimar a sua morte iminente. Não, ela saiu e "chorou a sua
virgindade" (v 38). Finalmente, se ela tivesse de enfrentar a morte ao fim
dos dois meses, teria sido muito simples para ela casar-se com alguém e viver
com essa pessoa durante os dois meses que antecederiam sua morte. Não havia
razão para a filha de Jefté lastimar pela sua virgindade, a menos que estivesse
com a perspectiva de viver toda uma vida nessa condição. Com Jefté não tinha
outros filhos, sua filha não se lamentou acerca de sua virgindade por causa de
nenhum desejo sexual ilícito".
Fonte: "Manual
de dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia; ed. Mundo Cristão,
pg.156-157.
Outra questão é que Hb 11:32 cita Jefté como um dos heróis da fé:
"E que
mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão,
e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,
Como o autor de hebreus citaria como herói um homem
que matou sua própria filha em holocausto à Deus contrariando a Lei dEle?
Portanto, fica evidente que pelo contexto todo, o que implicou foi unicamente
que Jefté deu sua filha ao Senhor e esta o serviu pelo resto de sua vida
virgem.
Em nenhum momento o texto implica na interpretação
de que Jefté matou sua filha.
Pipe
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
O céu é um lugar de silêncio ou de barulho?
APOCALIPSE 14:13 - O céu é um lugar de descanso e
silêncio, ou de louvor e cânticos incessantes?
PROBLEMA: De acordo com esse versículo, o céu é um
lugar em que os santos descansarão "das suas fadigas". Entretanto,
alguns capítulos antes, o Apocalipse descreve o céu como sendo um lugar de
constantes louvores e cânticos (Ap 4-5). Como é então o céu?
SOLUÇÃO: Tanto uma coisa como a outra. Não há
contradição alguma entre descansar das fadigas e cantar louvores a Deus. E
exatamente o que o povo de Deus faz atualmente no dia de descanso e de louvor.
O céu é apenas uma extensão daquilo que fazemos, agora, no dia do Senhor.
"Fadiga" tem a conotação de ser o resultado de um trabalho enfadonho
e doloroso. Descansar disso e louvar a Deus por toda a eternidade não são
incompatíveis entre si. De fato, essas duas atitudes caminham lado a lado.
Fonte:
Norman Geisler & Thomas Howe; "Manual
Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia"; Ed.
Mundo Cristão; pg.560.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Mutação e Seleção Natural: Fatores Evolutivos?
Introdução
De acordo com a teoria da evolução, a vida na terra
começou com a evolução da célula, a partir da qual se desenvolveram os
organismos mais simples. Estes deram origem aos organismos mais complexos.
Todos os novos genes e novas informações surgiram por mutação e recombinação.
As mutações ocorrem ao acaso. A maioria delas são deletérias e diminuirão a
adaptação dos organismos ao meio ambiente. Novas combinações do material
genético são formadas através da recombinação de genes que ocorre na meiose,
durante a reprodução sexuada. A seleção natural elimina as mutações deletérias
e preserva as combinações disponíveis que estão melhor adaptadas ao ambiente.
Pode-se então perceber que, segundo a teoria da
evolução, a mutação e seleção natural constituem-se nos principais fatores
evolutivos. Mas será que elas somente seriam capazes de, a partir de organismos
unicelulares, originar toda a grande variedade de seres vivos que temos hoje?
MECANISMOS
EVOLUTIVOS
Existem quatro explicações normalmente oferecidas
para a variação observada dentro de uma espécie e entre espécies diferentes:
influências ambientais, mutação, recombinação e seleção natural.
1.
Influências ambientais
Respostas a diferentes fatores ambientais podem
produzir diferenças entre indivíduos, mas isso não ocorre devido a novos genes,
mas sim devido à expressão de genes que já estavam presentes. Por exemplo, os
abetos Englemann existentes nas Montanhas Rochosas atingem 25 metros na
altitude de 2700 metros, mas apresentam formas anãs grotescas na altitude de 3000
a 3300 metros. A variação ambiental não afeta a linhagem, isto é, se as
sementes forem plantadas em outro ambiente, as plantas se desenvolverão de
acordo com o novo ambiente, e não com o velho.
2. Mutação
A mutação pode ser definida como um evento que dá
origem a alterações qualitativas ou quantitativas no material genético. Podem
ser de dois tipos:
- Mutação gênica ou mutação de ponto
São alterações muito pequenas que não afetam os
cromossomos de maneira visível, pois envolvem alterações num número reduzido de
nucleotídeos da molécula de DNA. Podem ser substituições de bases ou adições ou
deleções de nucleotídeos na molécula de DNA.
- Mutação cromossômica ou aberração cromossômica
São mutações que alteram de maneira visível ao
microscópio, seja o número, seja a estrutura dos cromossomos.
As
aberrações cromossômicas podem ser:
1. Numéricas: envolvem alterações no número
cromossômico. Estas podem ser subclassificadas em euploidias e aneuploidias.
Euploidias - um indivíduo ou célula diplóide normal
tem dois genomas (2n). Euplóides são células ou organismos nos quais o número
de genomas (n) ocorre em múltiplos inteiros (n, 3n, 4n, 5n, etc.).
Aneuploidias - neste tipo de modificação, o número
de cromossomos do genoma fica alterado, formando complementos somáticos que são
múltiplos irregulares do genoma característico da espécie. Assim, o indivíduo
tem cromossomos a mais ou a menos em um dos pares, mas não em todos.
2. Estruturais: afetam a estrutura dos cromossomos,
ou seja, o número ou o arranjo dos genes nos cromossomos. Podem ser
subclassificadas em:
Deficiência ou deleção - é a perda de uma porção
maior ou menor do cromossomo, resultando na falta de um ou mais genes.
Duplicação - é o produto da presença de uma porção
extra de cromossomo, resultando na repetição de um ou mais genes.
Inversão - ocorre quando, num determinado segmento
de cromossomo, houver duas fraturas, seguidas da subsequente soldadura do
fragmento mediano, agora, porém, colocado em posição invertida.
Translocação - ocorre quando os fragmentos de um
cromossomo são transferidos para outro cromossomo não homólogo.
O fenômeno da mutação é um componente da maior
importância do modelo evolucionista. Este precisa pressupor algum mecanismo que
produza o processo ascendente requerido em termos de complexidade, que
caracteriza o modelo em sua dimensão mais ampla. E a mutação é supostamente
este mecanismo.
Porém, alguns fatos experimentais sobre as mutações
devem ser considerados:
1. As mutações são feitas ao acaso, e não
dirigidas.
Não há forma alguma de controlar as mutações, para
fazer com que elas produzam as características que possam ser necessárias. A
seleção natural precisa simplesmente aproveitar-se do que der e vier.
2. As mutações são raras.
A freqüência estimada da maioria das mutações nos
organismos superiores é de uma em dez mil a uma em um milhão por gene por
geração.
3. A maioria das mutações é deletéria.
As aberrações cromossômicas geralmente têm efeitos
bastante drásticos sobre os indivíduos que as possuem. Com relação às
aberrações numéricas, as alterações fenotípicas produzidas pela adição ou
subtração de um cromossoma (aneuploidia) são tão drásticas que tornam estes
tipos de aberrações praticamente sem importância na evolução. Euploidias são
muito raras em animais, mas em vegetais podem originar novas espécies. As
aberrações cromossômicas estruturais também podem ter efeitos bastante graves.
Pequenas deficiências podem comprometer substancialmente a viabilidade de seus
portadores. Já as duplicações são mais comuns e menos prejudiciais que as
deficiências. Segundo alguns autores, as duplicações fornecem um meio de
introduzir novos genes numa população. Estes novos genes poderiam sofrer
mutação sem causar grandes danos ao organismo, pois as enzimas indispensáveis
estão sendo sintetizadas pelo gene não alterado.
A maioria das milhares de mutações gênicas
estudadas é deletéria e recessiva. É altamente improvável que uma mutação possa
ser construtiva. Mudanças casuais em qualquer sistema complexo integrado
provavelmente perturbarão o sistema. Por exemplo, mutações nos genes das moscas
das frutas podem causar perda ou redução das asas, mudanças na cor dos olhos e
outras. O fato de que as mutações são normalmente neutras ou deletérias
contradiz o ponto de vista de que as mutações constituem um mecanismo para o
avanço de uma espécie.
Apesar de que a maioria das mutações torna os
organismos menos eficientes, sendo assim desvantajosas, existe a possibilidade
de desenvolver novas características desejáveis através da indução de mutações,
principalmente em plantas. Por exemplo, já foram obtidos mutantes de cevada que
apresentam aumento na produção, resistência a doenças causadas por fungos,
caule mais rijo, aumento no conteúdo de proteínas e sementes sem casca.
Algumas mutações são neutras, ou seja, não diminuem
a sobrevivência das espécies.
Para que uma espécie se torne mais complexa, é
necessário mais que uma simples mutação em um gene: são requeridos novos genes.
Mas adicionar simplesmente um novo gene pode não funcionar. Genes não trabalham
isolados. Ao contrário, o conjunto de genes de um organismo trabalha junto para
produzir o organismo. Um novo gene precisa interagir apropriadamente com todos
os outros genes para que o organismo sobreviva. Além disso, vários novos genes
seriam necessários para produzir uma nova estrutura e um organismo mais
complexo. Cada novo gene requereria um gene regulador. Além disso, cada novo
gene teria que operar em um determinado momento no desenvolvimento para que a
nova estrutura se desenvolvesse corretamente. Não parece razoável esperar que
mesmo um novo gene apareça por acaso, quanto mais diversos genes altamente
coordenados trabalhando juntos para produzir uma nova estrutura.
3. Recombinação
Recombinação é a mistura de genes que ocorre
durante a meiose, para formação dos gametas. Essa recombinação é responsável
pela singularidade de cada indivíduo de uma mesma espécie. A probabilidade de
que dois indivíduos da mesma irmandade sejam iguais é praticamente zero.
4. Seleção natural
Segundo a teoria da evolução, a mudança começa com
o material genético fornecido por mutações casuais e recombinação. A seleção
natural é o processo chave que age sobre a casualidade da mutação e seleciona
as características apropriadas para melhorar a adaptação dos organismos. A
maioria das mutações é deletéria, mas a seleção natural é efetiva em eliminar
as mutações mais destrutivas e preservar as benéficas. Consequentemente o
efeito resultante é para cima, melhorando a adaptação ao ambiente, e
consequentemente levando à produção de novos genes, novas adaptações e mesmo
novos sistemas de órgãos.
Um exemplo de seleção que ocorre em condições
naturais é o do melanismo industrial. Um dos exemplos clássicos envolvendo
mudanças causadas por seleção natural é o que se refere ao aumento de formas
melânicas em populações de mariposas. Na mariposa Biston betularia, até a
primeira metade do século XIX, a única forma conhecida era branco acinzentada,
salpicada de pontos pretos. Exemplares escuros eram encontrados muito
raramente. Em Manchester, Inglaterra, a primeira referência de um exemplar
escuro data de 1848. Entretanto, em 1895, aproximadamente 98% dos exemplares
coletados eram escuros. O que aconteceu para ocasionar essa mudança? Com a
industrialização crescente de várias regiões inglesas, a fuligem produzida
pelas fábricas enegreceu lentamente muros e troncos de árvores. Num ambiente
sem fuligem, as mariposas claras confundem-se melhor com os troncos das
árvores, que são cobertos por liquens. Ao contrário, as de cor escura são
enxergadas pelos pássaros, predadas mais facilmente e têm menores chances de
transmitirem seus genes a seus descendentes.
Quando, porém, o ambiente fica enegrecido pela
fuligem, a situação se inverte: as mariposas escuras se escondem melhor dos
predadores, sobrevivem e se reproduzem com maior freqüência do que as claras. A
cor escura, neste caso, acaba por predominar na população. Hoje já se sabe que
a cor da mariposa é hereditária e depende de um par de genes, sendo a variedade
escura condicionada por um gene dominante.
As observações da seleção natural, ao invés de
mostrarem que ela é capaz de produzir mudança genética ilimitada, revelam os
seus limites potenciais para mudança. No caso das mariposas descrito
anteriormente houve apenas uma alteração na freqüência do gene para cor.
Outra observação da seleção natural mostra o seu
potencial limitado para mudanças. Os famosos tentilhões de Darwin, localizados
nas Ilhas Galápagos, são classificados em treze espécies colocadas em dois
gêneros, e são sempre usados como exemplo de seleção natural e irradiação
adaptativa. Estes tentilhões, em lugar de apresentar fortes argumentos a favor
de um mecanismo para grandes mudanças, são uma ilustração de mudança limitada.
Apesar de os tentilhões serem diferentes entre si com relação aos seu bicos e
plumagens, eles são muito semelhantes internamente, e realmente não são muito
diferentes um do outro. As várias espécies de tentilhões foram capazes de se
estabelecer graças à sua habilidade de encontrar e preencher um nicho ecológico
vazio.
O criacionismo sugere que a mutação e seleção
natural não são capazes de produzir um aumento na complexidade originando novos
genes e órgãos. Elas só são capazes de mudar os animais dentro das restrições
de seu potencial genético original. A seleção natural age também como um freio,
para eliminar muitos dos indivíduos que foram enfraquecidos pelas mutações e
assim diminuir as forças destrutivas que se originam da mutação.
Essa interpretação da seleção natural feita pelo
criacionismo não é realmente uma idéia nova ou radical, e não vai contra os
dados disponíveis. Muitos cientistas não criacionistas se questionam se a
seleção natural pode realmente fazer algumas das coisas que a teoria da
evolução afirma que ela faz. Eles não sugerem que os animais foram criados, mas
que o processo tradicional da mutação de ponto e seleção natural não é o
processo que gera mudança evolutiva significativa. O criacionismo reconhece que
a seleção natural é uma força significativa, mas sugere que ela não é capaz de
gerar novas estruturas significativas, e que não há outro mecanismo evolutivo
que possa fazer isso.
Mesmo que a mutação ou a recombinação realmente pudessem
produzir algo verdadeiramente novo, para que sobre isso a seleção natural
agisse, essa novidade quase certamente seria rapidamente eliminada. Uma nova
característica estrutural ou orgânica que conferisse uma vantagem verdadeira na
luta pela existência - por exemplo, uma asa para um animal anteriormente
terrestre, ou um olho para um animal até então sem olhos - seria inútil ou até
mesmo prejudicial, enquanto não estivesse plenamente desenvolvido. Não haveria
razão para que a seleção natural favorecesse uma asa incipiente ou um olho
incipiente ou qualquer outra característica incipiente. Indivíduos com órgãos
incipientes sem utilidade estariam em desvantagem, e poderiam ser eliminados
pela seleção natural. Não obstante, de alguma forma, se o modelo evolucionista
é válido, as asas "evoluíram" em quatro ocasiões diferentes ( em
insetos, répteis voadores, aves e morcegos) e olhos "evoluíram"
independentemente pelo menos três vezes. Salisbury comentou este fato notável
como se segue: "A minha última dúvida refere-se à chamada evolução
paralela... Até algo tão complexo como o olho apareceu várias vezes, por
exemplo, nas lulas, nos invertebrados e nos artrópodes. Já é suficientemente
difícil prestar esclarecimento acerca da origem de tais coisa uma vez, mas o pensamento
de produzi-los várias vezes, de acordo com a teoria da evolução, faz com que a
minha cabeça gire." Além disso, um órgão não precisa apenas estar
completo: ele precisa trabalhar em harmonia com outros órgãos. Que vantagem
haveria se um olho pudesse ver um inimigo se aproximando mas se não houvesse
conexões nervosas para produzir uma resposta?
CONCLUSÃO
Mutação e seleção natural são fatores que podem
gerar diversidade em populações naturais, levando provavelmente, aliadas a
outros fatores, à formação de novas raças e espécies, ou seja, mudança genética
limitada. Mutação e seleção natural podem modificar informações, mas elas não
podem criar novas informações. Portanto, estes fatores nunca poderiam levar a
um aumento de complexidade, indispensável para a teoria da evolução. E não
existe nenhum mecanismo genético plausível que possa levar a este aumento de
complexidade.
BIBLIOGRAFIA
BRAND, L. R. & GIBSON, J. An interventionist
theory of natural selection and biological change within limits. Origins, 2: 60
- 82, 1993.
CARVALHO, H.C. Fundamentos de Genética e Evolução.
3a ed. Rio de Janeiro, Livraria Atheneu, 1987. 556 p.
GARDNER, E. J., SIMMONS, M. J. & SNUSTAD, D.
P.. Principles of Genetics. 8a ed. New York, John Wiley & Sons, 1991. 649
p.
GIBSON, L. J. Are there limits to change in
species? Geoscience Research Institute.
MARSH, F. L. Variação e fixidez entre os seres
vivos - um novo princípio biológico. Folha Criacionista, 21: 17 - 24, 1979.
MORRIS, H. M. O enigma das origens: a resposta.
Belo Horizonte, Editora Origens, 1995. 265 p.
SALLISBURY, F. B. Doubts about the Modern Synthetic
Theory of Evolution. American Biology Teacher, setembro de 1971, p. 338.
WEBSTER, C. L. A scientist's perspective on
creation and the flood. Loma linda, Geoscience Research Institute, 1995. 28 p.
Fonte:
Marcia Oliveira de Paula é doutora em Microbiologia pela USP
e professora no Instituto Adventista de Ensino em São Paulo.
domingo, 12 de janeiro de 2014
Origens: dois modelos!
Introdução
Até meados do século passado, o mundo civilizado
vivia sob forte influência do cristianismo. A teologia era considerada a
"rainha" das ciências. Cristãos eram criacionistas que jamais ousavam
por em dúvida as Escrituras.
Num universo de idéias tão fechadas, não foi fácil
a escalada evolucionista. No que diz respeito às origens do universo e da vida,
por exemplo, não se admitia outra forma de pensar que não fosse compatível com
a narrativa bíblica da criação.
Gradualmente, porém, após a publicação do livro de
Darwin, a opinião pública começou a mudar. Primeiro foram os círculos
científicos, depois as rodas intelectuais e então, indistintamente, todas as
camadas sociais.
Desde então, a filosofia dominante tem sido a
evolucionista. Em escolas e universidades, em jornais e revistas, o
evolucionismo é apresentado , não como uma hipótese, mas como um fato
cientificamente comprovado, impenetrável a qualquer outra forma de pensamento.
Em conseqüência, o novo universo das idéias se mostrou
tão fechado quanto o anterior, quando cristãos defendiam sua forma de pensar
com argumentos estritamente religiosos. Hoje, não crer na evolução é, na
opinião dos evolucionistas, negar o óbvio, desconhecer os fatos científicos
mais elementares.
Apesar disso, nas últimas décadas, alguns
cientistas têm corajosamente feito oposição ao evolucionismo: são os
criacionistas, que afirmam poder sustentar cientificamente esta posição. Tais
homens de ciência afirmam não estar longe o dia em que a evolução será ensinada
nas escolas, não como um fato, mas como a grande falácia dos séculos XIX e XX.
Temos, portanto, dois modelos das origens, o
criacionista e o evolucionista, que se propõem a explicar o surgimento da vida,
a diversidade de formas em que esta se apresenta, o nascimento do sistema
solar, das galáxias, do universo como um todo.
Examinaremos, aqui, esses dois modelos de que o
homem tem se utilizado para tentar desvendar o enigma das origens. Iniciamos,
pois, uma jornada pelo mundo da ciência, da filosofia e da religião, em busca
de nossas próprias origens.
O modelo da
criação
Este modelo define, no princípio, um período de
criação especial, quando todos os sistemas básicos da natureza foram trazidos à
existência completos, prontos para pleno desempenho de suas funções.
Assim, ao invés de pensar na vida como tendo
surgido a partir de formas bem simples - aminoácidos, proteínas, bactérias,
algas etc., gradualmente evoluindo para formas mais complexas, a teoria da
criação afirma que os seres vivos vieram à existência através de atos distintos
de criação.
Isto não significa que criacionistas sejam
fixistas. O fixismo afirma que as espécies biológicas são, desde o princípio,
imutáveis e idênticas aos primeiros organismos criados. Criacionistas do tempo
de Darwin eram pouco afeitos à ciência e, pressionados pelas idéias
evolucionistas, muitos foram para esse outro extremo.
Criacionistas sabem da existência de vários
processos da natureza, que convencionamos denominar de mutações, capazes de
introduzir novidades genéticas em uma dada espécie.
Eles, entretanto, não crêem que tais processos
possam trazer à cena modificações tão extraordinárias, a ponto de gerar toda a
diversidade de vi da que encontramos no planeta a partir de um primeiro e único
organismo unicelular, ou mesmo uma espécie a partir de outra. Eles também não
crêem que a vida possa ter se originado a partir da matéria sem vida, de um
modo inteiramente ao sabor do acaso.
Assim, a origem da vida e das espécies de seres
vivos não pode ser explicada através de recursos naturais, demandando,
portanto, a existência e o concurso de um agente externo ao universo e que foi
o responsável por todos os pontos críticos da história desse mesmo universo.
Findo o período de criação, cessaram os processos criativos, substituídos por
processos de conservação, com o fim de preservar tudo que havia sido feito.
Nesse contexto, tudo teria sido criado perfeito. Do
infinitesimal protozoário aos grandes mamíferos; do minúsculo átomo as
gigantescas galáxias, o universo foi criado em perfeita ordem e todos os seres
vivos, inclusive o homem, estavam presentes desde o inicio. Entretanto, num
universo perfeito, onde alterações aleatórias são sempre possíveis, o sistema
tende a se desorganizar.
Na verdade, essa tendência é a própria essência da
segunda lei da termodinâmica, expressa em termos probabilísticos. Assim, o
modelo da criação admite um princípio básico de desintegração, em vigor na
natureza, desde o seu início. Naturalmente, se este modelo e mesmo factível,
deve haver, por todo o universo, muitas evidências dos seus pressupostos.
Opositores
da evolução
Criacionistas encontram-se entre os mais duros
opositores da teoria da evolução, apontando sempre o que eles consideram pontos
fracos dessa teoria. Eis, abaixo, alguns desses pontos:
1. O registro fóssil não apresenta os fósseis de
transição entre as espécies. Esta é uma necessidade básica do evolucionismo,
obviamente não resolvida;
2. Não há qualquer evidência de que uma espécie
tenha, com o tempo, se transformado em outra, nem há, na natureza, qualquer
mecanismo capaz de tal proeza. Este fato não deve nos causar surpresa, uma vez
que a evolução não se caracteriza como fenômeno passível de observação e
conseqüente investigação científica;
3. Erros básicos encontrados nos métodos radiométricos
de datação comprometem as idades atribuídas a todos os sistemas datados. Sem a
vastidão do tempo a sua disposição, o evolucionismo não pode subsistir;
4. Similaridades entre os seres vivos foram, no
passado, consideradas evidências da evolução acima de qualquer suspeita.
Comparações recentes entre o DNA e o RNA de varias espécies têm mostrado que
esse tipo de comparação é, na verdade, inconclusivo.
Os meios de comunicação têm, via de regra,
caracterizado o movimento criacionista como anticientifico, cujos integrantes
são fanáticos religiosos, dispostos a tudo para fazer prevalecer seus pontos de
vista acerca das origens. Recentemente, em um artigo a respeito de Darwin, o
articulista afirmou: "só protestantes fundamentalistas, que interpretam a
Bíblia ao pé da letra e, por isso, não crêem nas mutações, se recusam a crer
nas idéias de Darwin acerca da evolução das espécies".
Isto, porem, não é verdade! Todos sabemos que as
mutações são uma realidade - dizem os criacionistas - mas também sabemos que
elas não dispõem de potencial para promover a evolução. Em outras palavras, os
criacionistas afirmam possuir respostas claras e convincentes, sempre
consistentes com os fatos da natureza e com as descobertas da ciência, a todos
os argumentos apresentados por evolucionistas.
Síntese da
posição criacionista
Criacionistas crêem na existência de um Ser
superior, que preexistiu a todo universo e, pelo seu poder, deu origem a tudo
quanto existe. Crêem também os criacionistas que o Criador trouxe a existência
não só as galáxias de que se compõe o universo, como também os tipos básicos de
seres vivos, dos quais descende a presente multiplicidade de formas em que a
vida hoje se apresenta. Esta é uma idéia bastante plausível, e que conta com o
suporte da observação e da experimentação. A espécie dos cães, por exemplo, em
1960 possuía 200 raças a mais do que em 1700, obtidas através de sucessivos
cruzamentos e seleção de certas características.
Tanto quanto tem sido observado, experimentalmente
ou na natureza, nem as mutações, nem os processos de seleção, têm potencial
para produzir uma transformação de uma espécie em outra. Os mutantes são sempre
da mesma espécie que os originou, quase sempre menos aptos a sobrevivência, e
os processos de seleção natural não fazem mais do que recombinar os genes
presentes em uma dada espécie.
Assim, sabemos que o homem tem sido capaz de
selecionar combinações de genes para produzir novas variedades de cães, pombos,
ervilhas, feijão etc., e que através de mutações se pode ter novas
características introduzidas em uma dada espécie. Nenhum dos dois casos,
entretanto favorece a transmutação de uma espécie em outra.
Veja algumas das principais características da
criação:
1. Sobrenaturalista - Origens explicadas através da
existência de um agente externo ao universo: o Criador;
2. Externamente dirigida - Todo o universo é
dirigido pelo Criador, que mantém sua obra através de processos de conservação
por Ele estabelecidos;
3. Dotada de propósito - O Criador trouxe o
universo à existência com um propósito bem definido;
4. Completa, concluída - Houve um período de
criação, ao fim do qual o Criador deu sua obra por completada.
Criacionistas mantêm, ainda, que a livre
investigação da natureza confirma todos os pontos do seu modelo; que as
evidências da natureza apontam, de modo insofismável, na direção do Criador.
Afirmam, também, que a Terra é um planeta jovem, apresentando não só erros
básicos nos métodos de datação utilizados pelos evolucionistas, como também
evidencias da natureza que favorecem o seu ponto de vista.
O modelo da
evolução
Darwin não pretendia, ao publicar o seu livro A
Origem das Espécies, em 1859, explicar a origem da vida na Terra. Sobre isto,
ele escreveu um único parágrafo, em que afirmava crer que os primeiros germes
de vida haviam sido colocados por Deus em nosso planeta. Tal parágrafo, porém,
Darwin ordenou que fosse suprimido a partir da segunda edição de seu livro.
É muito difícil julgar intenções, mas a atitude de
Darwin, ao suprimir esse parágrafo, parece significar que ele já começava a se
render ao naturalismo, que afirma que tudo no universo pode ser explicado
através de causas naturais. Nesse caso, a origem da vida não seria uma exceção.
Mas o objetivo do livro era explicar a origem das
espécies, a partir de vida preexistente. Como, afinal, explicar a origem de
todas as espécies que encontramos na Terra? Qual a origem da grande diversidade
que hoje observamos entre os seres vivos?
Darwin estava convencido de que as espécies se
transformavam com o tempo, e que as pequenas diferenças que normalmente
observamos entre uma geração e a sua prole acumulavam-se e, com o tempo, davam
origem a uma nova espécie. Neste contexto, peixes haviam surgido de outros
seres menos complexos nos oceanos e dado origem aos anfíbios. Destes teriam
surgido os répteis, ancestrais das aves e dos mamíferos. O homem, como afirmara
T. Dobzhansky, era apenas um produto dessa evolução, tendo surgido entre os
mamíferos como o ser mais evoluído.
Outros pensadores vieram após Darwin e completaram
essa visão de modo a incluir o universo como um todo. Assim, se configurou um
modelo das origens bastante distinto do criacionista, ao qual se denominou de
modelo evolucionista das origens. Desde então, esse modelo passou por diversas
modificações na tentativa de vencer as dificuldades que se apresentaram a
partir de novas descobertas da ciência.
Em sua caminhada, muito provavelmente por falta de
oposição a altura, tornou-se o modelo hoje dominante. A maior parte dos
cientistas acredita na teoria da evolução como a única forma de explicarmos
nossas origens, e praticamente toda a mídia, revistas, livros, jornais, radio,
televisão etc., ao tratar algum assunto científico relacionado com as origens,
o faz em um contexto evolucionista.
Em sentido mais abrangente, este sistema afirma que
todo o universo se encontra em continua evolução. Este processo teria se
iniciado com o hidrogênio, subproduto básico de uma suposta explosão (Big-Bang)
supostamente ocorrida há cerca de 15 bilhões de anos, quando o presente
universo ainda não existia.
A partir de então, esse gás incolor, inodoro, insípido,
contendo apenas um próton em seu núcleo, e um elétron à sua volta, teria
sofrido transformações casuais, gerando outros elementos por meio da captura de
elétrons, prótons e nêutrons. Estes teriam se combinado de modo a gerar as
substâncias de que se compõe o universo, com a matéria resultante se
organizando ate o ponto de gerar a vida, com todas as suas particularidades.
Como todos os processos até hoje idealizados para
justificar a evolução são sempre muito lentos, o tempo se torna um dos fatores
imprescindíveis nesse modelo. Não se pode conceber o processo da evolução em um
período de tempo muito curto. A evolução requer bilhões de anos, e esta imensa
porção de tempo Darwin encontrou à sua disposição na filosofia uniformitarista
de James Hutton.
De acordo com G. A. Kerkut, agraciado com o título
de professor emérito de neurociência na Universidade de Southampton, em seu
intrigante livro Implications of Evolution, há sete hipóteses básicas
freqüentemente não mencionadas em nossas discussões sobre a evolução, e que
muitos evolucionistas ignoram as primeiras, considerando apenas a sétima. Eis
aqui essas hipóteses:
1.- Coisas não vivas deram origem ao material vivo,
em outras palavras, a geração espontânea ocorreu;
2.- A geração espontânea ocorreu apenas uma vez na
história da Terra;
3.- Vírus, bactérias, plantas e animais estão todos
inter-relacionados;
4.- Protozoários deram origem aos metazoários;
5.- Os invertebrados também estão todos
inter-relacionados;
6.- Os invertebrados deram origem aos vertebrados;
7.- Entre os vertebrados, peixes de ram origem aos
anfíbios; anfíbios aos répteis; e répteis a aves e mamíferos.
Continuando. o Dr. Kerkut diz que: "... essas
sete hipóteses não são passiveis de verificação experimental. Elas pressupõem
que uma série de eventos ocorreu no passado. Ainda que fosse possível produzir
tais eventos sob condições atuais, isto não significaria que tais mudanças
tenham ocorrido no passado. Assim, transformar um réptil moderno em um
mamífero, ainda que uma operação de grande interesse, não nos revelaria nada
sobre a origem dos mamíferos. Infelizmente, nem mesmo esse tipo de
transformação estamos aptos a realizar" (p. 7).
Apesar das críticas que o Dr. Kerkut desfere em seu
livro contra o modelo da evolução, ele é um evolucionista. Isto, porém, não
deve nos surpreender: todo aquele que sucumbir diante dos apelos do
naturalismo, que insistir em afirmar que tudo no universo pode ser explicado
através de causas naturais, não terá mesmo outra alternativa para explicar as
nossas origens que não a teoria da evolução.
Fonte:
O Prof. Christiano P. da Silva Neto é professor
universitário, pós-graduado em ciências pela University of London, estando hoje
em tempo integral a serviço da ABPC - Associação Brasileira de Pesquisa da
Criação, da qual é presidente e fundador. Autor de cinco livros sobre as
origens, entre os quais destacam-se Datando a Terra e Origens - A verdade
Objetiva dos Fatos, o Prof. Christiano tem estado proferindo palestras por todo
o país, a convite de igrejas, escolas e universidades.
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