domingo, 15 de setembro de 2013
sábado, 14 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
O Cavalo evoluiu?
A suposta linhagem evolucionária do cavalo é a mais
famosa de todas as linhagens. Em qualquer debate sobre a evolução do cavalo,
cinco estágios perfeitamente esquematizados são geralmente apresentados.
Cerca de 50 milhões de anos atrás, segundo se
acredita, uma pequena criatura chamada eohippus deu início à evolução do
cavalo. Acredita-se que o eohippus evoluiu do período oligoceno,
transformando-se em uma criatura chamada mesohippus.
O mesohippus, por sua vez, evoluiu para o
merychippus que origiou o pliohippus no período plioceno, há cinco milhões de
anos. O pliohippus evoluiu, então, para o cavalo moderno. Isto, pelo menos, é o
que nos contam.
Vários problemas estão ligados a esta
interpretação. Primeiro, só cinco espécimes são mostrados. A medida que aumenta
de tamanho, suas quatro úngulas (ou seja, cascos partidos em quatro) diminuíram
gradualmente, até que o cavalo atual passou a correr sobre uma única úngula.
Esses cinco espécimes são selecionados dentre um bom número de possiblidade. J.
Z. Young diz:
"Os tipos conhecidos de cavalos dividem-se em
350 espécimes, mas apenas uma pequena proporção deles pode ser seguramente
classificada como próxima à linha direta de evolução até o equus (o
cavalo)". (1)
Em outras palavras, cinco espécimes dentre os 350
disponíveis foram incluídos na linha evolucionária direta, em detrimento dos
outros 345.
Como esses cinco espécimes foram escolhidos? A
linhagem evolucionária do cavalo foi proposta por V. C. Kowalevsky, em 1874
(2). Ele traçou uma linhagem que incluía três "cavalos" fósseis do
hemisfério oriental e o cavalo moderno. esta linhagem foi substituída quando H.
F. Osborn, ex-diretor do Museu Norte-americano de História natural, publicou
sua teoria sobre a linhagem evolucionária do cavalo. Nenhum dos espécimes de
Kowalevsky foi incluído no trabalho de Osborn, e os quatro espécimes fósseis
propostos por Osborn são correntemente aceitos.
Ficamos imaginando se a linhagem proposta por
Kowalevsky poderia ser ainda aceita sem a intervenção de Osborn... É também
provável que linhagens completamente diferentes pudessem ser elaboradas com
base nos 350 espécimes disponiveis.
Dott e Batten comentam sobre a obra de Osborn:
"Até recentemente estávamos sob a ilusão de
que a tese de Osborn estava correta e plenamente desenvolvida. Coleta intensa
durante mais de 30 anos mostrou que o quadro ortogenético traçado por Osborn
não passa de uma grosseira e exagerada simplificação. Desde que a nossa
exposição precisa ser breve, iremos seguir sua descrição simplificada,
reconhecendo que as tendências nem sempre são consistentes nos grupos".
(3)
Os professores admitem que Osborn exagera na
simplificação do quadro, todavia eles o apresentam aos alunos como fato
comprovado. A extensão do excesso de simplificação fica evidente depois de
lermos a explicação de Young de como certo espécime fóssil é enquadrado na
linhagem. Ele diz:
"Os restos fósseis não são geralmente
encontrados em uma longa série de estratos, de modo a termos certeza de que uma
população evoluiu para outra. Todavia, a datação dos fósseis pode, com
freqüência, ser feita com considerável exatidão por meio de animais associados,
e uma série pode ser, assim, produzida como seria de se esperar no progresso do
hyracotherium para o equus. Existem, porém, muitos fósseis que mostram
desenvolvimentos especiais e não podem ser enquadrados na série direta.
Supõe-se que essas sejam linhas divergentes. É preciso enfatizar que isto é
arbitrário, embora, provavelmente, seja um procedimento justificável. Essas
´linhas secundárias` são tão numerosas que imediatamente lançam suspeita sobre
a idéia de que houve qualquer ´tendência`única e uniforme na evolução do
cavalo. São conhecidos pelo menos doze tipos suficientemente marcantes para
serem classificados como gêneros, além daqueles que levam diretamente ao
equusna linhagem. Existe, naturalmente, um número muito maior de linhas evolucionárias
mais curtas e independentes nesses gêneros". (4)
O primeiro
problema
O primeiro problema apresentado por Young é que
esses fósseis acham-se tão espalhados ao redor do mundo que ninguém tem
qualquer prova de que um grupo poderia evoluir para outro.
O segundo
problema
O segundo problema ocorre quando se tenta enquadrar
um espécime na linhagem. Não existe prova de que aqueles que não se
"enquadram" sejam "linhas secundárias" em relação à
principal. Os cinco espécimes não poderiam sempre ser mostrados como
"linhas secundárias" e um outro conjunto como a linha principal?
Finalmente
Finalmente, Young admite que é duvidoso ter havido
uma "tendência" uniforme na evolução do cavalo. Se não existe essa
"tendência", por que insistem em apoiar o excesso de simplificação
uniforme de Osborn?
Notas:
(1). J. Z. Young, The Life of vertebrates, pg.726.
(2). Bolton Davidheiser, Evolution and Christian
Faith; pg.324.
(3). Robert H. Dott Jr e Roger L. Batten, Evolution
of the earth, pg.434.
(4). J. Z. Young, The Life of Vertebrates,
pg.735-736.
Fonte:
Josh McDowell & Don Stewart; "Razões para
os Céticos Considerarem o Cristianismo"; ed. Candeia, pg.189-191
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Existe Evidência de Criação Instantânea?
"Nos últimos vinte e cinco anos vêm se
colhendo provas que parecem indicar que a terra foi criada num instante. As
provas se baseiam no estudo de um aspecto de muitas rochas vulcânicas. O halo
de radioatividade encontrado em vários minerais é uma descoloração da rocha,
causada pela deterioração radioativa de um pequeno fragmento de um elemento
radioativo contido na rocha.
Quando uma pequena partícula ou inclusão de uma
substância radioativa, como o urânio-238, fica presa na rocha, o urânio emite
partículas-alfa que destroem a estrutura cristalina do mineral. Desde que as
partículas-alfa são emitidas pelo urânio com uma determinada velocidade, elas
percorrem apenas uma certa distância através da rocha até se algarem. Quando as
partículas-álfa se fixam, descolorem a rocha.
Em vista das particulas-alfa serem emitidas em
todas as direções, produz-se uma descoloração em forma esférica.
Ao deteriorar-se em chumbo, o urânio emite uma
partícula-alfa, o átomo não é mais de urânio mas se transforma em tório que,
por sua vez, emite uma partícula e se transforma em outro elemento.
Durante esse processo as partículas-alfa são
emitidas com cinco velocidades diferentes. Por causa disso, quando o urânio se
retém numa rocha, ocorre uma série de descolorações concêntricas muito finas. O
tamanho de cada halo é determinado pela velocidade da partícula-alfa, pois cada
elemento na cadeia de deterioração emite partículas com uma velocidade
específica. Assim sendo, encontrando-se um halo de um certo raio, é possível
determinar que elemento o formou com base apenas no raio.
O polônio-218, o polônio-214 e o polônio-210 são as
substâncias radioativas responsáveis por três halos no halo de cinco anéis
característicos do urânio. Esses três isótopos do polônio só são encontrados
hoje misturados com o urânio-238. Isto se deve ao fato de o polônio
deteriorar-se tão rapidamente que não se acumula além de alguns minutos. A
única razão de ele existir deve-se à sua constante formação pela deterioração
do urânio.
Dois fatores são requeridos para a formação de um
halo:
1. Um pequeno fragmento de uma substância
radioativa precisa estar embutido na rocha derretida antes de ela esfriar.
2. A rocha deve solidificar-se e formar um cristal
antes que desapareça toda a radioatividade.
Diante dessas considerações, houve surpresa ao
serem descobertos halos de dois e três anéis num tamanho que indicava terem
sido formados pelos três isótopos de polônio. Desde que o polônio-218 tem uma
meia-vida de apenas três minutos, a maior parte do polônio desaparece em 30
minutos. Desse modo, encontrar um halo de polônio sem qualquer evidência de um
halo de urânio indicaria que a rocha derretida se solidificara em 30 minutos
após a formação do polônio-218, e, desde que a única fonte conhecida do
polônio-218 é a deterioração do urânio, a única fonte aparente desse polônio
seria a criação instantânea.
A situação torna-se ainda mais interessante com os
halos do polônio-214 - os halos em dois anéis mencionados acima. A meia-vida do
polônio-214 equivale a 0,000164 segundos. Isto significa que a rocha teria de
esfriar em menos do que um milésimo de segundo depois do polônio-214 ter-se
originado. Nenhum dos processos conhecidos da natureza pode esfriar e
solidificar uma rocha com essa rapidez.
Será possível que isto prova que Deus criou a terra
num instante?
Fonte:
Josh McDowell & Don Stewart; "Razões para
os céticos considerarem o cristianismo"; ed. Candeia; pg.121-122.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
O caso das raças
Os caras provaram que Deus não existe dizendo que há negros, brancos, etc... Quando argumentei da Eva Mitocondrial me disseram que mesmo assim eu não provei de onde vieram os negros. Ué, se todos descendem da Eva mitocondrial, de onde o shinning sugere que descendem os negros?
Pipe
Pipe
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
6000 ANOS PARA A EVA MITOCONDRIAL
Provavelmente já ouviram falar da “Eva mitocondrial“. Se não ouviram, ainda vão a tempo. Há alguns anos, com base na genética, os cientistas concluíram que todos os seres humanos descendem de uma única mulher – a chamada Eva mitocondrial. Com base no ADN mitocondrial que, pelo que consta, apenas é transmitido pela mãe, conseguiram afunilar todos os seres humanos até uma só mulher.
Antes de continuar, convém dizer que os evolucionistas não acreditam que a Eva mitocondrial era a única mulher à face da Terra, naquela altura. Eles acreditam que ela foi a única mulher que produziu uma linhagem directa de descendentes até ao presente dia mas que co-existiu com outras mulheres.
Os criacionistas sempre rejubilaram com esta descoberta científica, pois reforça o que a Bíblia diz acerca da verdadeira história das origens:
“Chamou Adão à sua mulher Eva, porque era a mãe de todos os viventes.” (Génesis 3:20)
Uma das formas de os evolucionistas desconsiderarem este facto era afirmar que o relógio mitocondrial indicava que a Eva mitocondrial tinha vivido entre 100 a 200 mil anos. Lá se ia assim a história dos 6000 anos bíblicos. No entanto, este é um dadomodel-dependant, isto é, é necessário assumir a Evolução para estes números surgirem.
Como surgiram estas datas?
Como em todas as teorias das origens, como ninguém estava lá no início para accionar o cronómetro, é necessário assumir certas coisas.
Ocorrem mutações no ADN mitocondrial. Assumindo uma taxa de mutação relativamente constante, é possível usar estas mutações como um relógio biológico. Este relógio foi calibrado tendo em conta a crença de que os humanos e os chimpanzés partilham um ancestral comum. Por exemplo, crê-se que ambos partilharam um ancestral há X milhões de anos. O número de diferenças entre o ADN mitocondrial de um chimpanzé e de um ser humano é Y. Logo, a taxa de mutação é de Y/X. A partir deste valor, faz-se a extrapolação.
Uma data impensável
Alguns anos depois de se ter chegado a esta data, um novo estudo genético veio lançar para a mesa um número tabu para os evolucionistas. Baseando-se no ADN de um antigo czar russo, os investigadores descobriram que talvez o ADN mitocondrial esteja a sofrer mutações 20 vezes mais rápido do que se pensava [*1].
Os autores também fazem referência a um outro estudo onde os investigadores sequenciaram 610 pares de base do ADN mitocondrial de 357 indivíduos de 134 famílias diferentes e repararam que as mutações ocorrem com muito mais frequência do eles pensavam.
Estudos evolutivos anteriores fizeram os investigadores pensar que iriam encontrar uma mutação a cada 600 gerações (uma a cada 12.000 anos). No entanto, ficaram “estonteados” por encontrarem alterações em 10 pares de base, o que dá uma mutação a cada 40 gerações (uma a cada 800 anos).
Mais para a frente, o artigo apresenta a controvérsia [meu destacado]:
“researchers have calculated that “mitochondrial Eve”–the woman whose mtDNA was ancestral to that in all living people–lived 100,000 to 200,000 years ago in Africa. Using the new clock, she would be a mere 6000 years old.” – (Os investigadores calcularam que a “Eva mitocondrial” – a mulher cujo mtADN foi ancestral de todos os seres humanos – viveu entre 100.000 a 200.000 anos atrás em África. Utilizando o novo relógio, ela teria uns meros 6000 anos)
Os autores tratam de salientar que “ninguém pensa que esse é o caso“, não vão os seus pares pensar que eles são criacionistas e vedar o acesso às publicações científicas e a uma carreira estável numa universidade. Fica claro, mais uma vez, que o que se está a discutir são visões do mundo e não evidência científica. “Ninguém pensa que esse é o caso” porque os autores são evolucionistas e, como tal, não podem pensar que esse é o caso.
CONCLUSÕES
1) Esta nova data de 6000 anos para a Eva mitocondrial é consistente com o relato bíblico sobre a primeira mulher que viveu na Terra. Apesar de não provar a Eva bíblica, é consistente com ela e foi algo que não foi previsto pelos evolucionistas;
2) As datas antigas atribuídas, primeiramente, à Eva mitocondrial deviam-se ao facto de se utilizarem crenças evolucionistas para calibrar os relógios moleculares. Utilizando as taxas de mutação actuais de seres humanos, a data obtida bate em cheio com a Eva bíblica – a mãe de todos os seres viventes;
3) Um cristão nunca deve duvidar da Palavra de Deus apenas porque as circunstâncias do momento parecem ir contra o que ela diz. A Eva mitocondrial foi de 200.000 a 6.000 anos num relativo curto espaço de tempo. Cabe agora aos evolucionistas recorrerem às suas explicações ad hoc para lançar fora este valor (sei de um leitor daqui do blogue que deve estar desejoso de apelar para as suas hipóteses auxiliares : P);
4) Nunca devemos esquecer que todos os cálculos sobre o passado não observável implicam assumir conjecturas que não são passíveis de repetição. Mesmo esta nova data assume certas conjecturas. Esta data de 6000 anos não deve ser o motivo pelo qual a nossa fé fica maior. Este dado apenas serve para mostrar que a ciência, quando correctamente estabelecida, e a bíblia, quando correctamente interpretada, nunca estarão em conflito.
domingo, 8 de setembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
Brennan Manning: "Terra: Um planeta planejado!"
Brennan Manning em seu livro "O Evangelho
Maltrapilho" pela Editora Textus, no Cap.2, pgs.33-34, traz algumas
curiosidades a respeito da Terra:
1. A inclinação da Terra, de 23 graus, produz as
nossas estações;
2. Se a Terra não tivesse a exata inclinação que
tem, os vapores dos oceanos mover-se-iam para norte e sul, cobrindo os
continentes de gelo.
3. Se a lua estivesse a 80 mil quilômetros da
Terra, em vez de 320 mil, as marés seriam tão enormes que todos os continentes
seriam submergidos pela água - até mesmo as montanhas seriam afetadas pela
erosão.
4. Se a crosta terrestre fosse apenas três metros
mais grossa, não haveria oxigênio, e sem ele toda a vida animal morreria.
5. Se os oceanos fossem uns poucos metros mais
profundos, o dióxido de carbono e o oxigênio teriam sido absorvidos e nenhuma
vida vegetal poderia existir.
6. O peso da terra foi estimado em seis sextilhões
de toneladas. Ela revolve mais de 1.600 Kms por hora ou 40.000 Km por dia. Num
ano isso dá mais de 14.000.000 Kms. Considerando o extraordinário peso de seis
sextilhões de toneladas girando a essa fantástica velocidade ao redor do seu
eixo invisível, as palavras de Jó 26:7 assumem significado sem paralelo:
"Ele... faz pairar a Terra sobre o nada".
7. A Terra revolve em sua própria órbita ao redor
do sol, percorrendo a cada ano o longo circuito elíptico de 965.000.000 Kms - o
que significa que viajamos nessa órbita à velocidade de 30 kms p/s., ou 1.800
kms por hora.
8. Os grandes planetas no nosso sistema solar
distam do sol entre 57 milhões e cerca de cinco trilhões e oitocentos bilhões
de Kms; cada um deles gira ao redor do sol com absoluta precisão, com órbitas
que variam entre 88 dias para Mercúrio e 248 anos para Plutão.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Os Fósseis entram em cena
“Era preciso trabalhar rápido. A idéia de que a
Terra era um planeta velho não resistiria por muito tempo a ausência de
evidências concretas e visíveis dessa suposta realidade. Procurava-se,
portanto, algo na natureza que não só confirmasse as suspeitas de Hutton, mas
que também nos indicasse, em números absolutos, a idade do nosso planeta.
No tempo de Darwin, os fósseis já começavam a
despontar como a grande esperança da teoria da evolução. A expectativa era no
sentido de que o registro geológico pudesse nos apresentar evidências
significativas de que as espécies realmente evoluíram, umas a partir das
outras. Observe como Darwin se expressou a esse respeito em seu livro “A origem
das Espécies”:
”Não devemos esperar encontrar, no presente,
numerosas variedades transicionais em cada região, ainda que elas tenham
existido e devam se encontrar imersas na condição de fósseis”.(1)
Em outras palavras, as comprovações da teoria da
evolução ainda estavam por surgir, mas o cenário já estava montado: a Terra era
mesmo velha, a filosofia uniformitarista de Hutton era uma realidade, e isso
significava que a história do planeta podia ser estudada a partir dos estratos
geológicos que teriam se acumulado, um após outro, através de incontáveis anos.
Foi nesse contexto que surgiu a idéia de que certos
fósseis eram representativos de determinadas épocas e, por isso, podiam ser
utilizados para caracterizar o estrato em que se encontravam. Como os estratos
não se diferenciam entre si pela composição química ou física dos sedimentos
neles contidos, a idéia pareceu interessante a algumas pessoas, sobretudo
porque permitia, se não datar as camadas geológicas, pelo menos ordená-las
cronologicamente. Nasciam, desse modo, os fósseis-índices e, com eles, a
biocronologia.
A “nova” metodologia, entretanto, trazia consigo um
impasse: ela se apoiava inteiramente na teoria da evolução. Se a evolução das
espécies fosse uma realidade, então talvez pudéssemos utilizar o contexto
fóssil de um dado estrato para fazer uma avaliação de sua idade. Mais tarde,
foram desenvolvidos outros métodos de datação, mais sofisticados do ponto de vista
tecnológico, fazendo uso de complicados cálculos matemáticos e medições
extremamente delicadas. De algum modo, porém, a biocronologia permaneceu, não
como meio alternativo de datação, mas como instrumento de aferição e de
comprovação da validade de outros métodos.
Torna-se evidente, pois, que os únicos índices
geocronológicos racionais disponíveis são os fundamentos
bioestratigraficamente, i.e., os biocronológicos.(2)
Em outras palavras, somente os fósseis merecem
crédito como critério para a determinação do tempo na história da Terra. Outros
elementos, tais como características físico-químicas, posição de estratos, ou
mesmo métodos sofisticados como os métodos radiométricos de datação podem
servir como dados complementares, mas são os resultados fornecidos pelos
fósseis-índices que prevalecem em caso de qualquer dúvida ou discordância.
Entretanto, para que um fóssil seja classificado
como fóssil-índice é necessário que sua presença seja específica de um certo
estrato geológico, admitindo vestígios ou raras ocorrências desse fóssil em
estratos imediatamente anteriores ou posteriores. Tais fósseis, então,
arranjados de modo que os estratos que os contêm sejam considerados mais
antigos quanto mais simples estes fósseis são em suas estruturas orgânicas, não
importando a ordem em que esses estratos aparecem na natureza.
Assim, fica estabelecida uma seqüência de estratos
denominada coluna geológica, que é utilizada para se avaliar a posição de um
dado estrato em qualquer região do planeta. Basta que se procure, no estrato a
ser avaliado, um fóssil-índice, cuja presença irá determinar sua posição na
coluna.
Caso se encontre um estrato supostamente mais
antigo sobre outro considerado mais jovem, algum tipo de explicação terá que
ser dada para justificar a inversão. O recurso a movimentos na Crosta da Terra
é uma dessas explicações, mas o que evolucionista não admitem é que se
questione a evidência obtida a partir dos fósseis-índices. Isto significa que a
teoria da evolução é a base de todos esses conceitos, o que caracteriza a
fragilidade da geologia histórica.
Tudo isto traz à cena um óbvio raciocínio circular
que, do ponto de vista lógico, não poderia jamais ser admitido em um contexto
científico. Evolucionista, via de regra, afirmam que o registro paleontológico
é uma das mais significativas evidências da evolução. Entretanto, as seqüências
de fósseis apresentadas pelos livros de paleontologia fundamentam-se nas idades
geológicas que, por sua vez, foram construídas como uma interpretação da
história da Terra sob a pressuposição de que a teoria da evolução era
verdadeira.
”O leigo de visão tem, por longo tempo, suspeitado
de um raciocínio circular no uso de rochas para datar fósseis e de fósseis para
datar rochas. O geólogo nunca se preocupou em pensar numa boa resposta, supondo
que as explicações não valem o esforço, desde que o trabalho produza
resultados. Isto, obviamente, é pragmatismo obstinado”. (3)
É surpreendente observar que brilhantes homens de
ciência da atualidade não conseguem perceber a circularidade desse tipo de
raciocínio. Esses homens foram treinados em sua formação acadêmica para aceitar
somente aquilo que pode ser demonstrado verdadeiro do ponto de vista
científico. Como explicar essa disposição de aceitar o que obviamente contraria
todo o dispositivo lógico em que a ciência se baseia?”
Cristiano P. da Silva Neto
Referências:
1. C. Darwin, The Origino f Species, Great Books,
vol.49, 1978, pg.80.
2. T. G. Miller, ”Time in Stratigraphy”, Paleontoly
9, 1965, p.119.
3. J. E. O´Rourke, Pragmatism Versus Materialism in
Stratisgraphy”, American Journal of Science, Vol.276, 1976, p.48.
Extraído do livro ”Datando a Terra: Perspectiva
Criacionista” de Cristiano P. da Silva Neto; Ed.Origens; pg.21-25.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Vendo o Invisível
Philip Yancey
Naturalismo: Como você continua a crer em algo que
não pode ver, tocar, cheirar ou provar?
Já encontrei cristãos estranhos — realmente
estranhos, especialmente quando estava na faculdade. Um cara chamado Samuel
(ele nunca deixaria que você o chamasse Sam) era um jogador de tênis
fantástico. Ele achava o tênis algo um tanto carnal, por isso era necessário
persuadi-lo a jogar. Na quadra ele era um capeta (ele também nunca o deixaria
chamá-lo assim): executava com perfeição todas as jogadas do tênis.
Em vez de xingar, Samuel reservava uma palavra
cristã retumbante para gritar antes de bater na bola. A cada quatro serviços,
as costas se inclinavam mais acentuadamente que o normal, ele jogava a bola
ainda mais para cima e os pés se desprendiam do chão. Antes de curvar o braço
para atingir a bola, ele gemia bem alto, "Aleluia!!"
Ainda estremeço quando penso nessa palavra,
"Aleluia". Talvez Samuel quisesse comunicar uma expressão de sua fé
em Deus, mas para mim era uma advertência para eu me esquivar de um míssil que
vinha zunindo por sobre a rede para atingir-me o rosto em cheio.
Embora fosse muito estranho, Samuel ganhou o
respeito de quase todas as platéias por conta de seu jogo inspirado. Brian era
o contrário — o alvo de todas as piadas. Seus 59 quilos eram distribuídos ao
longo de 1,95 m de altura e, talvez por não ter força suficiente para se sustentar,
ele caminhava o tempo todo curvado, como se tivesse carregado uma mochila
pesada durante todos os anos de crescimento.
Brian falava macia e timidamente, tinha o rosto tão
pálido e frágil que era impossível não imaginá-lo como um fantasma.
Como se isso não bastasse, Brian tinha o hábito
peculiar de andar para trás, na ponta dos pés, decorando versículos da Bíblia.
É verdade. Toda noite ele vestia um agasalho branco, corria uns mil e
quinhentos metros e depois relaxava caminhando em círculos ao redor de um poste
de iluminação, de costas. Era uma cena estranha: o corpo inclinado de Brian
sacudindo para trás dentro do raio de alcance do poste de iluminação com a
cabeça abaixada, lutando para enxergar o versículo que havia escrito no cartão,
resmungando consigo.
Admito que nem todos os cristãos que conheci eram
tão estranhos quanto Samuel e Brian. Mas esses dois conquistaram um nível
especial de respeito entre os cristãos, como se seus "luias" e seus
métodos de memorização da Bíblia os elevassem ao patamar de classe especial. Na
faculdade cristã que freqüentei, a maioria das pessoas os considerava mais
"espirituais" que outros. Conhecendo-os, eu ficava me perguntando:
"será isso que Deus quer?"
Todos os cristãos, no entanto, desde Debbie, a
loira estonteante, até George, o especialista em matemática, partilhavam de
algumas características que à primeira vista me pareciam tão estranhas quanto
as excentricidades de Samuel e Brian.
Havia a oração, por exemplo. Os cristãos que eu
conhecia distorciam os acontecimentos para fazê-los parecer que eram respostas
de oração. Se um tio enviava um dinheiro extra para as despesas, eles abriam um
sorriso largo, gritavam e marcavam uma reunião de oração para agradecer a Deus
por isso. Enquanto as pessoas sensatas do campus dormiam para repor as energias
do esforço extra das atividades noturnas, os supercristãos saíam de mansinho de
seus quartos às seis e meia da manhã para uma reunião de oração.
Eles pareciam receber essas "respostas de
oração" como uma prova final de que havia um Deus escutando-os. Eu sempre
conseguia encontrar outra explicação para elas. "Talvez esse tio tenha
enviado aquele dinheiro a todos os sobrinhos dele naquele mês", eu dizia.
"Alguns dos sobrinhos não são cristãos. Teria sido só o seu presente
resposta de oração?" Eles nunca discutiam as muitas vezes em que Deus
ignorou seus pedidos específicos. A oração era para mim uma atividade tola. Do
que servia falar em voz alta para as paredes?
Mas o zelo dos supercristãos me emudecia. Comecei a
sair com eles, em parte por curiosidade e em parte por um desejo malicioso de
destruir suas ilusões, chegando até mesmo a agir como um deles. Inventei uma
história de como havia sido "salvo" quando adolescente, e a enfeitei
com detalhes dramáticos, contando-a em um de seus encontros de
compartilhamento. A resposta foi inacreditável. Quase todas as garotas foram às
lágrimas. Todos me abraçaram, disseram "louvado seja Deus" e fizeram
reuniões de oração especiais em gratidão a minha vida.
Comecei a freqüentar as reuniões de oração — mesmo
as que começavam quase de madrugada — e o que de melhor os cristãos faziam eu
imitava. Aprendi que o segredo da aceitação era um ritual chamado "dar seu
testemunho" no qual sua voz assumia um tom suave e sincero e você contava
de alguma situação na qual o Senhor o havia abençoado ou "falado a
você". Descobri depois de algumas semanas que eu era um dos melhores
contadores de testemunho da turma. Ao final de meus relatos, eu quase sempre
levava o grupo a fazer orações de agradecimento, ou às lágrimas seus olhos
famintos e sequiosos.
Enquanto isso, eu voltava correndo para o quarto e
contava a meus verdadeiros amigos como eu estava conseguindo enganar por
completo todos os cristãos. Em minha mente, eu havia destruído a fé deles. Eu
era um naturalista, e cria que não havia nenhum Deus. O único mundo que existia
para mim era o mundo onde eu vivia: rochas, árvores e ar. Não havia "seres
espirituais". Era óbvio que a fé que eles demonstravam era composta de um
jargão espiritual, de um sentimento caloroso de proximidade e de uma catarse de
culpa, todos misturados. Embora incrédulo declarado, eu podia me passar por um
santo convincente seguindo a fórmula prescrita. Não havia diferença entre a
religião deles e qualquer outra religião mal orientada. Como Deus poderia ser
real se tudo o que os cristãos experimentavam podia ser copiado por alguém que
não cria nele?
Algo estranho aconteceu cerca de um ano depois
desse experimento. Teria sido humilhante e constrangedor se não tivesse sido
tão avassaladoramente agradável. Tornei-me cristão. Deus me encontrou de um
modo incrível e inegável, em um momento quando eu não estava sequer procurando
por ele — na verdade, enquanto eu o negava veementemente. Eu experimentei uma
conversão cristã genuína. Durante uma reunião de oração rotineira (e
obrigatória) com amigos, Deus fez contato comigo. Ele me mostrou seu amor e seu
perdão, e eu nasci de novo.
Embora até ali eu tivesse gasto minhas energias
tentando produzir rombos na fé cristã e encontrar inconsistências nos cristãos,
quando Deus finalmente me encontrou, a mudança foi tão profunda que nunca
duvidei dela desde então.
Como eu poderia descrever essa experiência aos
amigos céticos que eu havia conseguido levar ao agnosticismo? Como você
descreve um mundo de cores a um daltônico? Vi-me resmungando as mesmas frases
imprecisas, coisas como "Deus transformou minha vida por completo",
ou "Deus mudou inteiramente meu modo de pensar, mudou meus valores",
ou "Ele me deu uma paz que nunca experimentei antes". A maioria de
meus amigos olhava-me com um olhar que denunciava incompreensão, confusão, até
mesmo um sentimento de traição. Eu sabia o que eles estavam pensando: "A
coisa finalmente pegou o pobre homem. Depois de meses andando com esses
supercristãos, imitando-os, ele pirou. Ficou maluco".
Frustrado, tentei pensar em maneiras de convencer
meus amigos de que eu não havia enlouquecido, mas que, ao contrário, havia
encontrado uma realidade mais profunda. Eu sabia que eles não se sentiriam
atraídos pelos cristãos que eu conhecia — eu havia zombado deles com muito
sucesso. Veio-me a idéia dos milagres. Será que eu poderia encontrar algum
milagre absolutamente inexplicável? Isso por certo comprovaria a realidade de
Deus.
Por que Deus não se fazia mais óbvio? Eu queria que
ele realizasse um milagre bem orquestrado e televisionado, para que eu pudesse
convidar meus amigos céticos para verem um ato de Deus que eles não teriam como
negar.
O problema, como eu o enxergava, era que os atos
cristãos — a oração, o amor uns aos outros, o compartilhar da fé com outros, a
adoração — não eram sobrenaturais o suficiente para convencer quem quer que
fosse de que o cristianismo é verdadeiro. O que precisamos de fato, eu pensava,
é de uma exposição gigante, mundial e tremenda do poder de Deus. O naturalismo
despencaria das alturas.
Já quando pensei nisso percebi que não funcionaria.
A Bíblia registra vários exemplos de quando Deus verdadeiramente chocou o
mundo. As dez pragas do Egito são um caso. Cecil B. DeMille gastou milhões para
imitá-las e as seqüências de seu filme ainda parecem um truque. E o que dizer
da ressurreição de Jesus? Mais de quinhentas pessoas atestaram que ele havia
ressurgido dentre os mortos, mas a maioria se recusou a acreditar nelas. O
próprio Deus caminhou pela terra por trinta e três anos, ensinando e realizando
milagres impressionantes. Ainda assim, dentre os muitos que o ouviram, somente
uma minoria creu.
Milagres — os do tipo escancarados, chamativos e
sobrenaturais — serão sempre uma exceção. Ah, eu acredito que eles ocorram. Muitos
de meus amigos me contam de milagres de cura, de uma mudança dramática que Deus
promoveu em um viciado em drogas. Mas esses milagres que contrariam as leis da
natureza por um instante — devo admitir que nunca presenciei.
Não preciso de milagres para crer; Deus tem se
revelado a mim de maneira amorosa. Só me sinto incomodado quando penso em meus
amigos céticos. Se Deus realmente fizesse um milagre diante de seus olhos, eles
creriam? Não sei.
Ao contrário, convivo com atos cristãos simples, às
vezes monótonos, de oração, compartilhamento, amor e serviço. Como eu bem sei
de meus primeiros contatos com cristãos estranhos, esses atos não são
suficientes para convencer um cético. Eles podem até ser habilmente
reproduzidos como piada ou experimento sociológico.
Nunca consegui encontrar uma boa estratégia para
convencer os céticos. Alguns vieram a crer, outros não. Alguns foram atraídos a
Deus pelo amor de cristãos; outros correram para os braços dele quando seu
mundo desabou. Muitos outros, no entanto, estão hoje bem longe de Deus.
Mesmo depois de tudo o que Deus fez por mim, ainda
tenho dúvidas. Sempre vou acreditar que ele é real, mas muitas vezes minhas
orações parecem superficiais, palavras sonolentas que batem nas paredes e não
passam do teto. Outras vezes, quando ouço um cristão descrever uma experiência
que teve com o Senhor, ela não soa tão diferente daquela que você poderia ouvir
em um encontro de meditação transcendental ou em uma terapia de grupo. De vez
em quando, ainda me é difícil crer — verdadeiramente crer — que existe outra
porção do mundo lá fora. Nunca me encontro completamente livre do naturalismo,
porque o único mundo que vejo todos os dias é o natural. Como me manter crente
num mundo invisível?
Há um mundo evidente ao meu redor, composto de árvores,
rochas, pessoas, carros e edifícios. Todo o mundo crê nesse. Mas há um mundo
igualmente real de anjos e espíritos, Deus, céu e inferno. Se eu tão-somente
pudesse ver esse outro mundo apenas uma vez, talvez isso esclarecesse todas
minhas dúvidas.
Quando as dúvidas vêm à tona, penso em alguns dos
ensinos de Jesus sobre os dois mundos. Um incidente (em Lucas 10) uniu de modo
especial os dois mundos. Jesus enviou setenta de seus fiéis seguidores às
cidades e aos vilarejos que ele planejava visitar depois. Ele os advertiu com
firmeza de que poderiam ser ridicularizados ou até mesmo perseguidos por serem
seu representante. "Vocês são como ovelhas no meio de lobos", ele
disse.
Os setenta discípulos partiram, caminhando com
dificuldade na areia, esperando o pior depois das advertências pessimistas de
Jesus. Mas retornaram exultantes. As pessoas os haviam aceitado. Cidades
estavam esperando com ansiedade pela visita de Jesus. Eles haviam curado os
enfermos. "Até mesmo os demônios se submetem a nós em teu nome", eles
contaram quase que sem fôlego.
Jesus, que aguardava pelo retorno deles, deu um
único resumo do que havia acontecido. Ele disse: "Eu vi Satanás cair como
um raio do céu!". Jesus uniu os dois mundos. O mundo dos discípulos havia
sido um mundo de caminhada sobre a areia quente, pregação a multidões
misturadas, visitas às casas, pedidos para ver os doentes e anúncio da vinda de
Jesus. Todas suas ações ocorreram no mundo visível que se pode tocar, cheirar e
ver. Mas Jesus, com percepção sobrenatural, viu que aquelas ações no mundo
visível estavam tendo um impacto fenomenal no mundo invisível. Enquanto os
discípulos cantavam vitória no mundo visível, Satanás estava caindo para
atacá-los no mundo invisível.
Em Lucas 12, Jesus deu mais algumas dicas de que o
que acontece aqui no mundo visível afeta o outro mundo. Ele disse que qualquer
coisa que cochicharmos em secreto, pensando que estamos sozinhos e seguros, um
dia será retransmitida no alto das casas, para que todos escutem. Nenhum ato,
até mesmo um cochicho, passará despercebido no mundo. Cada um está registrando
sua marca no mundo invisível. Jesus disse que quando um pecador se arrepende,
os anjos no céu se alegram. Hoje você pode assistir a um pecador se arrepender.
Vá a uma cruzada de um grande pregador e você verá, em cores, muitos pecadores
se arrependendo. A câmera se aproxima de um homem de negócios de meia idade,
cabeça abaixada, abrindo caminho por entre os assentos no estádio e que senta
para conversar com um conselheiro. Ela se volta para uma garota vestida de
calça jeans e uma jaqueta do exército, soluçando baixinho em um canto enquanto
um amigo lhe explica a Bíblia a ela. De acordo com o que Jesus disse, enquanto
esses atos visíveis estão acontecendo, alguns atos invisíveis, grandiosos,
também estão ocorrendo. Os anjos estão fazendo uma verdadeira festa no céu. Os
dois mundos estão funcionando como se fossem um.
Jesus continuou: "Eu lhes digo: quem me
confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos
anjos de Deus. Mas aquele que me negar diante dos homens será negado diante dos
anjos de Deus" (NVI).
O homem Jesus foi, sem dúvida, o exemplo extremo de
dois mundos funcionando como um. Ele foi um homem com glândulas sudoríparas,
cabelo, unhas, lábios e todas as características que definem os seres humanos.
No entanto, dentro daquele corpo, Deus morava.
Todos nós que somos cristãos cremos no mundo
invisível; nós simplesmente o esquecemos. Somos consumidos por nosso mundo de
argumentações, relacionamentos, empregos e escola — e mesmo o mundo
"religioso" da igreja e das reuniões de oração. Talvez, se Jesus
estivesse em carne em nosso meio murmurando frases como "eu vi Satanás
cair" sempre que Deus nos usasse, nós nos lembraríamos melhor.
O mundo em que vivemos não é um mundo ou uma coisa
ou outra. As ações que tomo como cristão — oração, adoração, amor — não são
exclusivamente naturais ou sobrenaturais. São ambas as coisas, funcionando ao
mesmo tempo.
Como lembretes do mundo sobrenatural recebemos o
Espírito de Deus, que habita permanentemente em nós. Recebemos os bons
conselhos da Bíblia e de companheiros cristãos, que afirmam conosco que, sim,
há outro mundo, e Deus está vivo e se importa conosco.
Além de todos estes lembretes especificamente
cristãos, há no mundo muitos rumores de Deus que podem ser detectados por
todos. Você quer ver uma expressão do poder de Deus? Levante cedo e assista ao
nascer do Sol. Visite as praias da Califórnia durante a estação de migração das
baleias e contemple-as brincando e fazendo folia.
Você se pergunta se o homem é imortal? Pensem em
sua reação quando passa por um animal morto na rua. Talvez sinta uma dor aguda
de lamento ou tristeza, especialmente se ama os animais; não se trata, no
entanto, da reação que você teria se passasse por um corpo humano estirado ao
lado da calçada. Você primeiro perderia a voz, para, no momento seguinte,
gritar a plenos pulmões. A lembrança lhe ficaria gravada a fogo na mente. Você
nunca esqueceria a cena. Qual é a diferença? Ambos os corpos são feitos de
tendões, sangue, osso e órgãos. A diferença não é nada visível; é o fato de que
a pessoa é imortal, feita à imagem de Deus.
Às vezes me lembro claramente do mundo invisível.
Posso sentir sua existência tão fortemente que chega a parecer mais real que o
mundo visível. O atributo da fé permite que eu creia — o atributo que a carta
aos Hebreus define como "a certeza daquilo que esperamos e a prova das
coisas que não vemos" (Hb 11:1, NVI). Naqueles momentos (eu me lembro de
como me senti depois de minha conversão) me pergunto como alguém poderia duvidar.
Em outras ocasiões — na maioria das vezes quando estou cansado e irritado, e
briguei com alguém — mal posso me lembrar do mundo invisível. Aqueles momentos,
também, são sintomas da grande luta espiritual que ocorre por trás das
cortinas, acompanhando todos os momentos de minha vida.
"Não há campo neutro no universo", disse
C. S. Lewis. "Cada polegada, cada milésimo de segundo, é reivindicado por
Deus e reivindicado por Satanás."
As vezes sou forte o suficiente para crer nisso por
mim mesmo. Sinto-me como parte de uma batalha. Mas em outros momentos me
esqueço, e devo ser impelido de volta a Deus, a sua Palavra, à dependência
desesperada dele e de seus seguidores aqui na terra. Eles me lembram do mundo
invisível e de meu papel nele. Satanás não abre mão de seu terreno com
facilidade.
Fonte:
Extraído do Livro de Philip Yancey & Tim Stafford "Desventuras da Vida
Cristã"; Ed. Mundo Cristão - pg.11-21.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O Cristianismo É uma Religião de FATOS
O cristianismo apela à história, aos fatos da
história, o que P. Carnegie Simpson chama de "os dados mais claros e
acessíveis que existem". Simpson prossegue: "Ele (Jesus) é um fato
histórico, verificável como qualquer outro".
J. N. D. Anderson registra o comentário de D. E.
Jenkins: "O cristianismo se baseia em fatos inquestionáveis...".
Clark Pinnock define esse tipo de fatos: "Os
fatos que apóiam as alegações cristãs não são um tipo especial de fato
religioso. São os fatos que podem ser assimilados e entendidos pela mente
humana, sobre os quais se baseiam todas as decisões de caráter histórico, legal
e ordinário".
Um dos propósitos destas "anotações de provas
do cristianismo" é apresentar alguns desses "fatos
indiscutíveis" e verificar se a interpretação desses fatos não é a mais
lógica. O objetivo da apologética não é convencer uma pessoa a,
inadvertidamente e contra a sua vontade, tornar-se cristã.
Clark Pinnock escreve: "Exige um grande
esforço o trabalho de apresentar às pessoas, e de um modo inteligente, as
provas em favor do evangelho, de maneira que elas possam tomar decisões
significativas, convencidas pelo poder do Espírito Santo. O coração não pode se
comprazer com aquilo que a mente rejeita como sendo falso".
HEBREUS 4:12
"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e
mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de
dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos
e propósitos do coração."
Precisamos manter o equilíbrio entre as duas tendências
acima mencionadas. Devemos pregar o evangelho, mas também devemos estar
"sempre preparados para responder a todo aquele que (nos) pedir razão da
esperança que há em (nós)''.
O Espírito Santo convencerá as pessoas acerca da
verdade; não é preciso tentar adivinhá-la. "Certa mulher chamada Lídia, da
cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor
lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia" (Atos 16:14).
Pinnock, um hábil apologeta e testemunha de Cristo,
conclui a questão, expressando-se com muita propriedade: "Um cristão
inteligente deve ser capaz de apontar as falhas numa posição não-cristã e
apresentar fatos e argumentos em favor do evangelho. Se nossa apologética nos
impede de explicar o evangelho a quem quer que seja, é uma apologética
inadequada".
VAMOS
ESTABELECER ALGUNS FATOS BÁSICOS
Antes de tratar das diversas provas que favorecem a
fé cristã, deve-se esclarecer algumas idéias errôneas e entender várias
questões fundamentais.
Fé Cega
Uma acusação bem comum e contundente feita contra o
cristão é: "Vocês, cristãos, me deixam doente! Tudo o que vocês tem é uma
'fé cega"'.
Certamente essa é uma indicação de que o acusador
crê que, para tornar-se cristã, a pessoa precisa cometer um "suicídio
intelectual".
Pessoalmente, "meu coração pode se alegrar com
aquilo que minha mente rejeita". Meu coração e minha cabeça foram criados
para juntos agirem e crerem em harmonia. Cristo nos mandou: "Amarás o
Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu
entendimento" (Mateus 22:37).
Quando Jesus Cristo e os apóstolos conclamavam uma
pessoa a exercitar a fé, essa não era uma "fé cega", mas uma "fé
inteligente". O apóstolo Paulo disse: "Sei em que tenho crido"
(2 Timóteo 1:12). E Jesus disse: "Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará" (João 8:32). Conhecer, saber, é o contrário de ignorar.
A fé de um indivíduo envolve "a mente, as
emoções e a vontade". F. R. Beattie tem toda razão ao afirmar que "o
Espírito Santo não opera, no coração, uma fé cega e sem fundamentos..."
É justificável que Paul Little escreva: "A fé
no cristianismo baseia-se em fatos. Não é contrária à razão. No sentido
cristão, a fé vai além, mas não contra a razão".
A fé é a certeza que o coração tem de que as provas
são suficientes.
UMA MANOBRA
POLÍTICA
A Fé Cristã
É uma Fé Objetiva
A fé cristã é uma fé objetiva; deve, portanto, ter
um objeto. O conceito cristão de fé "salvadora" é o de uma fé em que
se estabelece um relacionamento com Jesus Cristo (o objeto); esse conceito está
numa posição diametralmente oposta ao uso "filosófico" da palavra fé
que, hoje em dia, se faz em geral nas salas de aula. Um clichê que se deve
rejeitar é: "Não importa o que você crê, desde que você tenha convicção
disso".
Vou ilustrar. Mantive um debate com o chefe do
departamento de filosofia de uma universidade localizada no meio-oeste dos
Estados Unidos. Ao responder uma pergunta, aconteceu de eu mencionar a
importância da ressurreição. A essa altura, meu oponente me interrompeu e me
disse com bastante sarcasmo: "Espere aí, McDowell. A questão principal é
se a ressurreição aconteceu ou não? Ou se "você crê que ela
aconteceu?" O que ele estava sugerindo (na verdade estava, com muita
coragem, afirmando) é que minha crença era a coisa mais importante. Repliquei
imediatamente: "Professor, na verdade importa, e muito, aquilo que creio
como cristão, porque o valor da fé cristã não está em quem crê, mas naquele em
quem se crê, no objeto da fé". E prossegui: "Se alguém pudesse me
provar que Cristo não ressuscitou dos mortos, eu não teria o direito à fé
cristã" (1 Cor íntios 15:14).
A fé cristã é fé em Cristo. O seu valor não está
naquele que crê, mas naquele em quem se crê. Não naquele que confia, mas
naquele em quem se confia.
Logo após esse debate, um bolsista muçulmano me
procurou para conversar e. durante um diálogo muito construtivo, ele disse com
toda sinceridade: "Conheço muitos muçulmanos que têm mais fé em Maomé do
que alguns cristãos têm em Cristo". Respondi: "Pode ser verdade, mas
o cristão é "salvo".
Veja, não importa a quantidade de fé que você
tenha, mas quem é o objeto da sua fé. Isso é importante do ponto de vista
cristão.
Com freqüência ouço estudantes dizerem:
"Alguns budistas são mais consagrados e têm mais fé em Buda (o que revela
uma compreensão errada do budismo) do que os cristãos têm em Cristo". Só
posso responder o seguinte: "Talvez, mas o cristão é salvo".
Paulo disse: "Sei em quem tenho crido".
Isso explica por que o evangelho gira em torno da pessoa de Jesus Cristo.
John Warwick Montgomery afirma: "Se o nosso
'Cristo da fé' se afasta um pouco do 'Jesus da história' que a Bíblia
apresenta, então, na proporção desse afastamento, perdemos também o autêntico
Cristo da fé". Conforme Herbet Butterfield. um dos maiores historiadores
da nossa época, o expressou: "Seria um erro perigoso imaginar que as
características de uma religião histórica continuariam inalteradas caso o
Cristo dos teólogos fosse divorciado do Jesus da história'.".
A expressão "Não venha me confundir com os
fatos" não é própria para um cristão.
Testemunhas Oculares
Os escritores do Novo Testamento ou escreveram na
qualidade de testemunhas oculares dos eventos que descreveram ou registraram os
acontecimentos, conforme relatados, em primeira mão, por testemunhas oculares.
"Porque não vos demos a conhecer o poder e a
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas,
mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade" (2 Pedro
1:16).
Eles certamente sabiam qual a diferença entre mito,
lenda e realidade.
Um professor de uma turma de literatura universal,
à qual eu estava falando, fez a seguinte pergunta: "Qual sua opinião sobre
a mitologia grega?" Respondi com uma outra pergunta: "Você quer saber
se os acontecimentos da vida de Jesus — a ressurreição, o nascimento virginal,
etc. — foram apenas um mito?" E ele respondeu: "Isso mesmo".
Respondi, então, que, entre essas coisas aplicadas a Cristo e essas mesmas
coisas aplicadas à mitologia grega, existe uma diferença óbvia que geralmente é
ignorada. Os acontecimentos análogos da mitologia grega (como, por exemplo, a
ressurreição) não se aplicavam a indivíduos reais, de carne e sangue, mas a
personagens mitológicos. Na questão do cristianismo, esses acontecimentos estão
ligados a uma pessoa que os escritores conheceram na dimensão tempo-espaço da
história, o Jesus de Nazaré da história, que eles conheceram pessoalmente.
Ao que o professor disse: "Você tem razão. Eu
não tinha percebido isso."
S. Estborn, em Gripped by Christ (Atraído por
Cristo), explica essa questão com mais detalhes. Ele conta que Anath Nath
"estudou tanto a Bíblia como os Shastras, sendo que dois temas bíblicos
prenderam profundamente sua atenção: primeiro, a realidade da encarnação, e,
segundo, a expiação do pecado humano. Ele procurou harmonizar essas doutrinas
com as Escrituras hindus e descobriu no sacrifício voluntário de Cristo um
paralelo com Prajapati, o deus-criador veda. Também percebeu uma diferença
vital. Enquanto o Prajapati veda é um símbolo mítico, que tem sido aplicado a
inúmeras personagens, Jesus de Nazaré é uma pessoa histórica. Por isso ele
disse: 'Jesus é o verdadeiro Prajapati, o verdadeiro Salvador do mundo'."
J. B. Phillips, citado por Blaiklock, afirma:
"'Já li, em grego e em latim, dezenas de histórias de mitos, mas não
encontrei a menor idéia de mito na Bíblia'. A maioria das pessoas que conhece
grego e latim, não importa qual seja sua atitude para com as narrativas do Novo
Testamento, concordaria com ele..."
"Pode-se definir mito como uma tentativa
pré-científica e imaginativa de explicar algum fenômeno, real ou aparente, que
desperte a curiosidade daquele que faz o mito, ou, talvez, mais exatamente um
esforço por alcançar um sentimento de satisfação, em vez de perplexidade,
diante de tais fenômenos. Freqüentemente apela mais às emoções do que à razão,
e, de fato, em suas manifestações mais típicas, parece ter surgido em uma época
quando não se exigiam explicações racionais'."
TESTEMUNHAS
OCULARES
1 João 1 :1-3 "O que era desde o princípio, o
que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que
contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao Verbo da vida (e a vida
se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho e vo-la anunciamos,
a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos
visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente
mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho
Jesus Cristo."
Lucas 1:1-3 "Visto que muitos houve que empreenderam
uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos
transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e
ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada
investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo
Teófilo, uma exposição em ordem."
A obra The Cambridge Ancient History (A História
Antiga de Cambridge), falando da preocupação de Lucas com a exatidão, afirma:
"Ele está naturalmente interessado em fazer
uma boa defesa da religião que professa - e não apenas porque cria que era
verdadeira (e não havia atrativo algum para se professar o cristianismo, a não
ser que se estivesse totalmente convencido de sua veracidade)..."
Atos 1:1-3 "Escrevi o primeiro livro, ó
Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus fez e ensinou, até ao dia em que,
depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos
que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também, depois de ter padecido,
se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante
quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus."
1 Corintios 15:6-8 "Depois Jesus foi visto por
mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora,
porém alguns já dormem. Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os
apóstolos, e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um
nascido fora de tempo."
João 20:30,31 "Na verdade fez Jesus diante dos
discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes,
porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de
Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.'
Atos 10:39-42 "É nós somos testemunhas de tudo
o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém? ao qual também tiraram a
vida, pendurando-o no madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia, e
concedeu que fosse manifesto, não a todo o povo, mas às testemunhas que foram
anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele,
depois que ressurgiu dentre os mortos; e nos mandou pregar ao povo e testificar
que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos".
1 Pedro 5:1 "Rogo, pois, aos presbíteros que
há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo,
e ainda co-participante da glória que há de ser revelada."
Atos 1:9 "Ditas estas palavras, foi Jesus
elevado ás alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos."
John Montgomery diz que "a inviabilidade de fazer
distinção entre a afirmação de Jesus sobre si mesmo e a afirmação dos
escritores do Novo Testamento não deve causar espanto, pois a situação tem um
paralelo exato com a de todas as personagens históricas que não optaram por
escrever (por exemplo, Alexandre o Grande, César Augusto, Carlos Magno). Nesses
casos, dificilmente diríamos que é impossível chegarmos a descrições históricas
aceitáveis. E, também, os escritores do Novo Testamento... registram
testemunhos oculares sobre Jesus, pelo que se pode confiar, pois apresentam uma
descrição histórica cuidadosa de Jesus."
Conhecimento
de Primeira Mão
Os escritores do Novo Testamento apelaram ao
conhecimento de primeira mão que seus leitores e ouvintes possuíam a respeito
dos fatos e das provas acerca da pessoa de Jesus Cristo.
Os escritores não disseram apenas: "Vejam, nós
vimos isto ou ouvimos que...'*, mas viraram a mesa e disseram face a face aos
seus críticos mais mordazes: "Vocês também sabem dessas coisas... Vocês as
viram. Vocês mesmos sabem a respeito".
É melhor a pessoa ter cuidado quando diz ao
oponente: "Você também sabe disso", porque se ela estiver errada
quanto a alguns detalhes, terá de "engolir o que disse".
Atos 2:22 "Varões israelitas, atendei a estas
palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com
milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio
dele entre vós, como vós mesmos sabeis..."
Atos 26:24-28 "Dizendo ele (Paulo) estas
coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo; as
muitas letras te fazem delirar. Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó
excelentíssimo Festo; pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso.
Porque tudo isso é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois
estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta; porquanto nada se
passou aí, nalgum recanto. Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas.
Então Agripa se dirigiu a Paulo, e disse: Por pouco me persuades a me fazer
cristão."
Preconceitos
Históricos
"Se alguém for estudar historicamente a vida
de Jesus de Nazaré, descobrirá uma pessoa muito notável, não o Filho de
Deus."
Algumas vezes me expressam essa idéia da seguinte
maneira: "Pelo método 'histórico moderno' uma pessoa jamais decidirá pela
ressurreição".
Você está certo; é verdade. Mas antes de tirar
conclusões apressadas, quero explicar-lhe o seguinte: para muitas pessoas, hoje
em dia, o estudo da história carrega consigo as idéias de que não existe Deus,
os milagres não são possíveis, vivemos num sistema fechado e não existe nada de
sobrenatural. Com essas pressuposições, elas iniciam a investigação
"crítica, aberta e honesta" da história. Quando estudam a vida de
Cristo e lêem sobre os milagres ou a ressurreição, concluem que não houve
milagre nem ressurreição porque sabemos (não histórica, mas filosoficamente)
que não existe Deus, os milagres não são possíveis, vivemos num sistema fechado
e não existe nada de sobrenatural. Portanto, essas coisas não podem ocorrer. O
que os homens têm feito é eliminar a possibilidade da ressurreição de Cristo,
antes mesmo de começarem uma investigação histórica da ressurreição. Essas
pressuposições não são tanto idéias históricas preconcebidas, mas
principalmente preconceitos filosóficos.
Esse método de estudo da história se baseia na
"pressuposição racionalista" de que Cristo não poderia ter
ressuscitado dos mortos. Em vez de iniciar pelos dados históricos, eles
atrapalham o devido estudo da história por causa da "especulação
metafísica".
John W. Montgomery escreve: "Não se pode
eliminai a priori, em bases filosóficas, o fato da ressurreição. Os milagres só
são impossíveis se assim forem definidos - mas uma tal definição elimina a
correta investigação histórica".
Neste assunto faço longas citações de Montgomery,
que é uma das pessoas que me tem estimulado a refletir sobre a história. Ele
afirma: "Kant demonstrou, de maneira conclusiva, que todos os argumentos e
sistemas principiam por pressuposições; mas isso não significa que todas as
pressuposições sejam igualmente desejáveis. E melhor iniciar, como temos feito,
pelas pressuposições de métodos (JS quais naturalmente conduzirão à verdade) do
que pelas pressuposições de conteúdo substantivo (as quais presumem previamente
um corpo de verdades). Em nosso mundo moderno, temos descoberto que as
pressuposições do método empírico são as que melhor preenchem essa condição;
note, contudo, que estamos agindo apenas com base nas pressuposições do método
científico, não nas suposições racionalistas da ciência ('A Religião da
Ciência')." Montgomery cita os comentários de Huizenga concernentes ao
ceticismo no âmbito da história ("De Historische Idee". In:
Verzamekde Werken. Haarlem, 1950, v.7, pp. 134-6; conforme se encontra citado,
em tradução para o inglês, na obra de Fritz Stern; ed., The Varieties of
History (As Variedades de História), Nova Iorque: Meridian, 1956, p. 302).
Huizenga afirma: "O mais forte argumento contra o ceticismo no âmbito da
história... é o seguinte; o homem que têm dúvidas acerca da possibilidade de
que os dados e a tradição sejam historicamente corretos não poderá, então,
aceitar seus próprios dados, juízos, associações de fatos e interpretações. Não
pode limitar a dúvida à crítica histórica que realiza, mas é necessário que
deixe a dúvida operar em sua própria vida. Imediatamente descobrirá que não
apenas lhe faltam provas conclusivas acerca de todos os aspectos de sua própria
vida, os quais havia aceito sem maior reflexão, mas também que não há quaisquer
provas. Em resumo, ele se vê obrigado a aceitar um ceticismo filosófico geral,
paralelo ao ceticismo histórico. O ceticismo filosófico geral é uma
interessante brincadeira intelectual, mas é impossível viver brincando nesse
jogo."
Millar Burrows, da Universidade Yale, um
norte-americano especialista nos Rolos do Mar Morto, também citado por
Montgomery, escreve: "Existe um tipo de fé cristã... muito forte hoje em
dia, (que) considera as afirmações da fé cristã como declarações confessionais
que o indivíduo aceita por ser membro da comunidade que crê, e que não dependem
da razão ou dos fatos. Aqueles que sustentam essa posição não aceitarão que a
investigação histórica possa ter alguma coisa a dizer sobre a singularidade de
Cristo. Com freqüência eles são céticos quanto à possibilidade de conhecer
qualquer coisa acerca do Jesus histórico e parecem satisfeitos em prescindir
desse conhecimento. Não posso partilhar esse ponto-de-vista. Estou profundamente
convencido de que a revelação de Deus em Jesus de Nazaré deve ser o alicerce de
qualquer fé realmente cristã. Qualquer indagação sobre o Jesus real que viveu
na Palestina dezenove séculos atrás é, por conseguinte, de importância
fundamental."
Montgomery acrescenta que os acontecimentos
históricos são "únicos, e o teste de seu caráter fatual só pode ser o
método aceito de documentação, o qual estamos seguindo. Nenhum historiador tem
direito a um sistema fechado de causalidade, pois, conforme o lógico [b ]Max
Black, da Universidade Cornell, demonstrou numa monografia (BLACK, Max. Models
and Metaphors (Modelos e Metáforas). Ithaca; Cornell University, 1962, p. 16),
o próprio conceito de causa é 'uma noção estranha, não sistemática e
inconsistente', e, portanto, 'qualquer tentativa de formular uma lei universal
de causalidade será comprovadamente inútil"'.
O historiador Ethelbert Stauffer pode nos oferecer
algumas sugestões sobre a atitude de estudar a história: "O que nós
(historiadores) fazemos quando experimentamos surpresas que contrariam a todas
as nossas expectativas, talvez todas as nossas convicções e até mesmo toda a
maneira de entender a verdade, que sustentamos durante toda a vida? Afirmamos,
tal como um grande historiador costumava fazê-lo em tais situações: 'Com toda
certeza é possível.' E por que não? Para o historiador crítico nada é
impossível".
A isso o historiador Philip Schaff acrescenta:
"O propósito do historiador não é escrever uma história a partir de noções
preconcebidas e adaptada ao seu próprio gosto, mas reconstruí-la a partir das
melhores provas e deixar que ela fale por si mesma".
Robert M. Horn oferece uma boa ajuda para
compreendermos as idéias preconcebidas que as pessoas têm ao estudar história:
"Para tornar a questão o mais evidente possível, uma pessoa que negue a
existência de Deus não concordará com a crença na Bíblia".
"Um muçulmano, tendo a certeza de que Deus não
pode gerar, não aceitará como Palavra de Deus um livro que ensina que Cristo é
o Filho unigênito de Deus."
"Alguns crêem que Deus não é pessoal, mas é o
Absoluto, o Fundamento do Ser. Essas pessoas estarão predispostas a rejeitar a
Bíblia como auto-revelação pessoal de Deus. Com base nessa premissa, a Bíblia
não pode ser a palavra pessoal de 'EU SOU O QUE SOU". (Êxodo 3:14)
"Outros eliminam o sobrenatural. Provavelmente
não darão crédito ao livro que ensina que Cristo ressuscitou dentre os
mortos."
"Ainda outros sustentam que Deus não pode, sem
distorção, comunicar a Sua verdade através de homens pecadores; daí concluírem
que a Bíblia é, pelo menos em algumas partes, um livro meramente humano."
Uma definição básica de história é, para mim,
"um conhecimento do passado baseado em testemunhos". Alguns
imediatamente reagirão: "Não concordo". Então eu pergunto: "Você
crê que Dom Pedro II existiu e foi imperador do Brasil?" "Sim, eu
creio", é o que geralmente respondem. No entanto, ninguém com quem eu
tenha me encontrado chegou a, pessoalmente, ver e observar Dom Pedro II. A
única maneira de se conhecer é pelo testemunho.
Advertência: Quando se tem essa definição de
história, é preciso assegurar-se da credibilidade das testemunhas.
Devo estar
cego
Pulo? Que Pulo?
Freqüentemente acusam o cristão de dar um pulo às
cegas, "um salto no escuro". Muitas vezes essa idéia tem raízes em
Kierkegaard.
Para mim o cristianismo não era um "salto no
escuro", mas "um passo na direção da luz". Apanhei os dados que
consegui reunir e os coloquei na balança. Esta pendeu decisivamente para o lado
de que Cristo era o Filho de Deus e que havia ressuscitado dos mortos. A
balança pendia para o lado de Cristo de um modo tão impressionante que, quando
me tornei cristão, dei "um passo na direção da luz" em vez de
"um salto no escuro".
Caso tivesse exercitado uma fé cega, teria
rejeitado Jesus Cristo e voltado as costas para todas as provas.
Tenha cuidado. Eu não provei, sem qualquer sombra
de dúvida, que Jesus era o Filho de Deus. O que fiz foi investigar os dados e
pesar os prós e os contras. Os resultados mostraram que Cristo deve ser quem
Ele afirmou que era, e eu tive de tomar uma decisão, e tomei-a. A reação
imediata de muitos é: "Você encontrou aquilo que você queria
encontrar". Mas não foi esse o caso. Eu comprovei, através de
investigação, aquilo que eu desejava refutar. Comecei com o propósito de provar
a falsidade do cristianismo. Eu tinha idéias preconcebidas e preconceitos, não
a favor, mas contra Cristo.
Hume diria que as provas históricas não são válidas
porque não se pode provar, sem sombras de dúvida, a "verdade
absoluta". Mas eu não estava atrás da verdade absoluta, e sim da
"probabilidade histórica".
"Sem um critério objetivo", afirma John
W. Montgomery, "a pessoa se vê perdida ao ter de fazer uma escolha
significativa entre os a prioris, A ressurreição fornece uma base, em termos de
probabilidade histórica, para se experimentar a fé cristã. É preciso admitir
que a base é uma base provável, não de certeza absoluta, mas a probabilidade é
o único fundamento sobre o qual seres humanos finitos podem basear quaisquer
decisões que tomem. Só a lógica dedutiva e a matemática pura proporcionam a
'verdade irrefutável', e isso ocorre porque elas se baseiam em axiomas formais
auto-evidentes (por exemplo, a tautologia, se A, então A), que não incluem
conteúdo fatual. No instante em que penetramos no domínio dos fatos, temos de
depender da probabilidade; pode ser algo indesejável, mas é inevitável."
Ao fim dos quatro artigos que escreveu para a
revista fíis (D'Ele), John W. Montgomery afirma, a respeito da história e do
cristianismo, que "...tentou mostrar que o peso da probabilidade histórica
pende para o lado da veracidade da afirmação de Jesus de que era o Deus
encarnado, o Salvador do homem e o Juiz que viria julgar o mundo. Caso a
probabilidade apóie, de fato, essas afirmações (e será que podemos chegar a
rejeitá-las, depois de termos estudado as provas?), então devemos agir em seu
favor".
Desculpas
Intelectuais
QUEM TEM
CORAGEM DE REVELAR O SEU VERDADEIRO MOTIVO?
Freqüentemente a rejeição de Cristo não se dá tanto
em nível de "mente", como em nível de "vontade"; não é
tanto uma questão de "não consigo", mas de "não quero".
Tenho encontrado muitas pessoas com desculpas
intelectuais, mas bem poucas com problemas intelectuais (ainda assim, tenho
encontrado algumas).
As desculpas podem cobrir uma imensidão de motivos.
Respeito bastante as pessoas que gastaram tempo investigando as afirmações de
Cristo e chegaram à conclusão de que simplesmente não podem crer. Eu me identifico
com quem sabe porque não crê (do ponto-de-vista fatual e histórico), pois eu
sei porque creio (também do ponto-de-vista fatual e histórico). Isso nos dá uma
base comum (embora com diferentes conclusões).
Tenho visto que a maioria das pessoas rejeita
Cristo por pelo menos uma das seguintes razões:
1. Ignorância - Romanos 1:18, 23 (freqüentemente
por vontade própria), Mateus 22:29
2. Orgulho - João 5:40-44
3. Problema moral - João 3:19,20
Eu estava aconselhando uma mulher que estava
entediada porque acreditava que o cristianismo não era histórico e que, quanto
aos fatos, tudo era simples demais. Ela havia convencido todo mundo de que
estudara profundamente a questão e que descobrira sérios problemas intelectuais
no cristianismo como resultado de seus estudos universitários. Uma pessoa após
outra tentou convencê-la intelectualmente de seu erro e responder as suas
muitas acusações.
Eu a ouvi e então respondi às suas diversas
indagações. Em menos de meia hora ela admitiu que havia enganado todo mundo e
que havia desenvolvido essas dúvidas intelectuais a fim de justificar a sua
vida moral.
E preciso responder ao problema básico, que é a
questão real, e não à evasiva intelectual, que freqüentemente ocorre.
Um estudante de uma universidade na costa leste dos
Estados Unidos disse que tinha um problema intelectual com o cristianismo e
que, por essa razão, não poderia aceitar Cristo como o Salvador. "Por que
você não pode crer?", indaguei. Ao que ele respondeu: "Não da para
confiar no Novo Testamento". Então lhe perguntei: "Se eu provar para
você que o Novo Testamento é um dos textos da literatura da antigüidade em que
se pode ter um elevado grau de confiança, você irá crer?" Sua resposta
foi: "Não!" "Bem, o problema não é com o seu intelecto, mas com
a sua vontade'*, foi a minha resposta.
Um formando da mesma universidade, depois de uma
palestra sobre "A Ressurreição: Fraude ou História?", estava me
bombardeando com perguntas misturadas a acusações (mais tarde vim a saber que
ele fazia o mesmo com a maioria dos oradores cristãos). Finalmente, depois de
45 minutos de diálogo, eu lhe perguntei: "Se eu lhe provar, sem qualquer
sombra de dúvida, que Cristo ressuscitou dos mortos e é o Filho de Deus, você
refletirá cuidadosamente sobre Ele?" A resposta imediata e enfática foi:
"NÃO!"
Michael Green cita Aldous Huxley, o ateísta que
destruiu a crença de muitos e que foi aclamado como possuidor de uma mente
privilegiada. Huxley admite seus próprios preconceitos (Ends and Means (Fins e
Meios), p. 270ss) quando diz: "Eu tinha razões para querer que o mundo não
tivesse um sentido; conseqüentemente, pressupus que não tivesse, e, sem
qualquer dificuldade, consegui encontrar motivos satisfatórios para essa
pressuposição. O filósofo que não encontra sentido algum no mundo não esta preocupado
exclusivamente com uma questão de metafísica pura; também se interessa em
provar que não existem razões válidas devido às quais não se deva fazer o que
quer, ou pelas quais seus amigos não devam tomar o poder político e o governo
da maneira que acharem mais vantajosa para si mesmos... Quanto a mim, a
filosofia da ausência de sentido foi basicamente um instrumento de libertação,
tanto sexual como política".
Bertrand Russelí é o exemplo de um ateísta
inteligente que não examinou cuidadosamente as provas em favor do cristianismo.
Em seu livro Why I Am Not a Christian (Por que não sou cristão) é óbvio que ele
nem mesmo levou em consideração as provas da ressurreição de Jesus, e, por seus
comentários, é de se duvidar que tenha alguma vez corrido os olhos pelo Novo
Testamento. Parece uma incoerência que um homem como esse não analisasse
detalhadamente a ressurreição, visto que ela é o fundamento do cristianismo.
João 7:17 nos assegura que: "Se alguém quiser
fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se
falo por mim mesmo."
Se alguém estudar as afirmações de Jesus Cristo,
desejoso de saber se são verdadeiras, querendo seguir Seus ensinos caso sejam
verdade, ele certamente saberá. Mas não é possível estudar sem disposição para
aceitar e, ainda assim, esperar descobrir a verdade.
O Filósofo francês Pascal escreveu: "As provas
em favor da existência de Deus e do seu poder são mais do que suficientes, mas
aqueles que insistem em não ter qualquer necessidade dEle nem das provras, sempre
encontrarão maneiras de desconsiderar a proposta"
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Fonte:
Josh McDowell, "Evidências que Exigem um
Veredito - Vol.I", ed. Candeia; pg.2-16.
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