sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Cavalo evoluiu?


A suposta linhagem evolucionária do cavalo é a mais famosa de todas as linhagens. Em qualquer debate sobre a evolução do cavalo, cinco estágios perfeitamente esquematizados são geralmente apresentados.

Cerca de 50 milhões de anos atrás, segundo se acredita, uma pequena criatura chamada eohippus deu início à evolução do cavalo. Acredita-se que o eohippus evoluiu do período oligoceno, transformando-se em uma criatura chamada mesohippus.

O mesohippus, por sua vez, evoluiu para o merychippus que origiou o pliohippus no período plioceno, há cinco milhões de anos. O pliohippus evoluiu, então, para o cavalo moderno. Isto, pelo menos, é o que nos contam.

Vários problemas estão ligados a esta interpretação. Primeiro, só cinco espécimes são mostrados. A medida que aumenta de tamanho, suas quatro úngulas (ou seja, cascos partidos em quatro) diminuíram gradualmente, até que o cavalo atual passou a correr sobre uma única úngula. Esses cinco espécimes são selecionados dentre um bom número de possiblidade. J. Z. Young diz:

"Os tipos conhecidos de cavalos dividem-se em 350 espécimes, mas apenas uma pequena proporção deles pode ser seguramente classificada como próxima à linha direta de evolução até o equus (o cavalo)". (1)

Em outras palavras, cinco espécimes dentre os 350 disponíveis foram incluídos na linha evolucionária direta, em detrimento dos outros 345.

Como esses cinco espécimes foram escolhidos? A linhagem evolucionária do cavalo foi proposta por V. C. Kowalevsky, em 1874 (2). Ele traçou uma linhagem que incluía três "cavalos" fósseis do hemisfério oriental e o cavalo moderno. esta linhagem foi substituída quando H. F. Osborn, ex-diretor do Museu Norte-americano de História natural, publicou sua teoria sobre a linhagem evolucionária do cavalo. Nenhum dos espécimes de Kowalevsky foi incluído no trabalho de Osborn, e os quatro espécimes fósseis propostos por Osborn são correntemente aceitos.

Ficamos imaginando se a linhagem proposta por Kowalevsky poderia ser ainda aceita sem a intervenção de Osborn... É também provável que linhagens completamente diferentes pudessem ser elaboradas com base nos 350 espécimes disponiveis.

Dott e Batten comentam sobre a obra de Osborn:
"Até recentemente estávamos sob a ilusão de que a tese de Osborn estava correta e plenamente desenvolvida. Coleta intensa durante mais de 30 anos mostrou que o quadro ortogenético traçado por Osborn não passa de uma grosseira e exagerada simplificação. Desde que a nossa exposição precisa ser breve, iremos seguir sua descrição simplificada, reconhecendo que as tendências nem sempre são consistentes nos grupos". (3)

Os professores admitem que Osborn exagera na simplificação do quadro, todavia eles o apresentam aos alunos como fato comprovado. A extensão do excesso de simplificação fica evidente depois de lermos a explicação de Young de como certo espécime fóssil é enquadrado na linhagem. Ele diz:

"Os restos fósseis não são geralmente encontrados em uma longa série de estratos, de modo a termos certeza de que uma população evoluiu para outra. Todavia, a datação dos fósseis pode, com freqüência, ser feita com considerável exatidão por meio de animais associados, e uma série pode ser, assim, produzida como seria de se esperar no progresso do hyracotherium para o equus. Existem, porém, muitos fósseis que mostram desenvolvimentos especiais e não podem ser enquadrados na série direta. Supõe-se que essas sejam linhas divergentes. É preciso enfatizar que isto é arbitrário, embora, provavelmente, seja um procedimento justificável. Essas ´linhas secundárias` são tão numerosas que imediatamente lançam suspeita sobre a idéia de que houve qualquer ´tendência`única e uniforme na evolução do cavalo. São conhecidos pelo menos doze tipos suficientemente marcantes para serem classificados como gêneros, além daqueles que levam diretamente ao equusna linhagem. Existe, naturalmente, um número muito maior de linhas evolucionárias mais curtas e independentes nesses gêneros". (4)

O primeiro problema
O primeiro problema apresentado por Young é que esses fósseis acham-se tão espalhados ao redor do mundo que ninguém tem qualquer prova de que um grupo poderia evoluir para outro.

O segundo problema
O segundo problema ocorre quando se tenta enquadrar um espécime na linhagem. Não existe prova de que aqueles que não se "enquadram" sejam "linhas secundárias" em relação à principal. Os cinco espécimes não poderiam sempre ser mostrados como "linhas secundárias" e um outro conjunto como a linha principal?

Finalmente
Finalmente, Young admite que é duvidoso ter havido uma "tendência" uniforme na evolução do cavalo. Se não existe essa "tendência", por que insistem em apoiar o excesso de simplificação uniforme de Osborn?

Notas:
(1). J. Z. Young, The Life of vertebrates, pg.726.
(2). Bolton Davidheiser, Evolution and Christian Faith; pg.324.
(3). Robert H. Dott Jr e Roger L. Batten, Evolution of the earth, pg.434.
(4). J. Z. Young, The Life of Vertebrates, pg.735-736.

Fonte:

Josh McDowell & Don Stewart; "Razões para os Céticos Considerarem o Cristianismo"; ed. Candeia, pg.189-191

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Existe Evidência de Criação Instantânea?

"Nos últimos vinte e cinco anos vêm se colhendo provas que parecem indicar que a terra foi criada num instante. As provas se baseiam no estudo de um aspecto de muitas rochas vulcânicas. O halo de radioatividade encontrado em vários minerais é uma descoloração da rocha, causada pela deterioração radioativa de um pequeno fragmento de um elemento radioativo contido na rocha.

Quando uma pequena partícula ou inclusão de uma substância radioativa, como o urânio-238, fica presa na rocha, o urânio emite partículas-alfa que destroem a estrutura cristalina do mineral. Desde que as partículas-alfa são emitidas pelo urânio com uma determinada velocidade, elas percorrem apenas uma certa distância através da rocha até se algarem. Quando as partículas-álfa se fixam, descolorem a rocha.

Em vista das particulas-alfa serem emitidas em todas as direções, produz-se uma descoloração em forma esférica.

Ao deteriorar-se em chumbo, o urânio emite uma partícula-alfa, o átomo não é mais de urânio mas se transforma em tório que, por sua vez, emite uma partícula e se transforma em outro elemento.

Durante esse processo as partículas-alfa são emitidas com cinco velocidades diferentes. Por causa disso, quando o urânio se retém numa rocha, ocorre uma série de descolorações concêntricas muito finas. O tamanho de cada halo é determinado pela velocidade da partícula-alfa, pois cada elemento na cadeia de deterioração emite partículas com uma velocidade específica. Assim sendo, encontrando-se um halo de um certo raio, é possível determinar que elemento o formou com base apenas no raio.

O polônio-218, o polônio-214 e o polônio-210 são as substâncias radioativas responsáveis por três halos no halo de cinco anéis característicos do urânio. Esses três isótopos do polônio só são encontrados hoje misturados com o urânio-238. Isto se deve ao fato de o polônio deteriorar-se tão rapidamente que não se acumula além de alguns minutos. A única razão de ele existir deve-se à sua constante formação pela deterioração do urânio.

Dois fatores são requeridos para a formação de um halo:
1. Um pequeno fragmento de uma substância radioativa precisa estar embutido na rocha derretida antes de ela esfriar.
2. A rocha deve solidificar-se e formar um cristal antes que desapareça toda a radioatividade.
Diante dessas considerações, houve surpresa ao serem descobertos halos de dois e três anéis num tamanho que indicava terem sido formados pelos três isótopos de polônio. Desde que o polônio-218 tem uma meia-vida de apenas três minutos, a maior parte do polônio desaparece em 30 minutos. Desse modo, encontrar um halo de polônio sem qualquer evidência de um halo de urânio indicaria que a rocha derretida se solidificara em 30 minutos após a formação do polônio-218, e, desde que a única fonte conhecida do polônio-218 é a deterioração do urânio, a única fonte aparente desse polônio seria a criação instantânea.

A situação torna-se ainda mais interessante com os halos do polônio-214 - os halos em dois anéis mencionados acima. A meia-vida do polônio-214 equivale a 0,000164 segundos. Isto significa que a rocha teria de esfriar em menos do que um milésimo de segundo depois do polônio-214 ter-se originado. Nenhum dos processos conhecidos da natureza pode esfriar e solidificar uma rocha com essa rapidez.

Será possível que isto prova que Deus criou a terra num instante?

Fonte:

Josh McDowell & Don Stewart; "Razões para os céticos considerarem o cristianismo"; ed. Candeia; pg.121-122.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O caso das raças

Os caras provaram que Deus não existe dizendo que há negros, brancos, etc... Quando argumentei da Eva Mitocondrial me disseram que mesmo assim eu não provei de onde vieram os negros. Ué, se todos descendem da Eva mitocondrial, de onde o shinning sugere que descendem os negros?

Pipe


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

6000 ANOS PARA A EVA MITOCONDRIAL

Provavelmente já ouviram falar da “Eva mitocondrial“. Se não ouviram, ainda vão a tempo. Há alguns anos, com base na genética, os cientistas concluíram que todos os seres humanos descendem de uma única mulher – a chamada Eva mitocondrial. Com base no ADN mitocondrial que, pelo que consta, apenas é transmitido pela mãe, conseguiram afunilar todos os seres humanos até uma só mulher.

Antes de continuar, convém dizer que os evolucionistas não acreditam que a Eva mitocondrial era a única mulher à face da Terra, naquela altura. Eles acreditam que ela foi a única mulher que produziu uma linhagem directa de descendentes até ao presente dia mas que co-existiu com outras mulheres.

Os criacionistas sempre rejubilaram com esta descoberta científica, pois reforça o que a Bíblia diz acerca da verdadeira história das origens:

Chamou Adão à sua mulher Eva, porque era a mãe de todos os viventes.” (Génesis 3:20)

Uma das formas de os evolucionistas desconsiderarem este facto era afirmar que o relógio mitocondrial indicava que a Eva mitocondrial tinha vivido entre 100 a 200 mil anos. Lá se ia assim a história dos 6000 anos bíblicos. No entanto, este é um dadomodel-dependant, isto é, é necessário assumir a Evolução para estes números surgirem.

Como surgiram estas datas?
Como em todas as teorias das origens, como ninguém estava lá no início para accionar o cronómetro, é necessário assumir certas coisas.

Ocorrem mutações no ADN mitocondrial. Assumindo uma taxa de mutação relativamente constante, é possível usar estas mutações como um relógio biológico.  Este relógio foi calibrado tendo em conta a crença de que os humanos e os chimpanzés partilham um ancestral comum. Por exemplo, crê-se que ambos partilharam um ancestral há X milhões de anos. O número de diferenças entre o ADN mitocondrial de um chimpanzé e de um ser humano é Y. Logo, a taxa de mutação é de Y/X. A partir deste valor, faz-se a extrapolação.

Uma data impensável
Alguns anos depois de se ter chegado a esta data, um novo estudo genético veio lançar para a mesa um número tabu para os evolucionistas. Baseando-se no ADN de um antigo czar russo, os investigadores descobriram que talvez o ADN mitocondrial esteja a sofrer mutações 20 vezes mais rápido do que se pensava [*1].

Os autores também fazem referência a um outro estudo onde os investigadores sequenciaram 610 pares de base do ADN mitocondrial de 357 indivíduos de 134 famílias diferentes e repararam que as mutações ocorrem com muito mais frequência do eles pensavam. 

Estudos evolutivos anteriores fizeram os investigadores pensar que iriam encontrar uma mutação a cada 600 gerações (uma a cada 12.000 anos). No entanto, ficaram “estonteados” por encontrarem alterações em 10 pares de base, o que dá uma mutação a cada 40 gerações (uma a cada 800 anos).

Mais para a frente, o artigo apresenta a controvérsia [meu destacado]:

researchers have calculated that “mitochondrial Eve”–the woman whose mtDNA was ancestral to that in all living people–lived 100,000 to 200,000 years ago in Africa. Using the new clock, she would be a mere 6000 years old.” – (Os investigadores calcularam que a “Eva mitocondrial” – a mulher cujo mtADN foi ancestral de todos os seres humanos – viveu entre 100.000 a 200.000 anos atrás em África. Utilizando o novo relógio, ela teria uns meros 6000 anos)

Os autores tratam de salientar que “ninguém pensa que esse é o caso“, não vão os seus pares pensar que eles são criacionistas e vedar o acesso às publicações científicas e a uma carreira estável numa universidade. Fica claro, mais uma vez, que o que se está a discutir são visões do mundo e não evidência científica. “Ninguém pensa que esse é o caso” porque os autores são evolucionistas e, como tal, não podem pensar que esse é o caso.

CONCLUSÕES
1) Esta nova data de 6000 anos para a Eva mitocondrial é consistente com o relato bíblico sobre a primeira mulher que viveu na Terra. Apesar de não provar a Eva bíblica, é consistente com ela e foi algo que não foi previsto pelos evolucionistas;
2) As datas antigas atribuídas, primeiramente, à Eva mitocondrial deviam-se ao facto de se utilizarem crenças evolucionistas para calibrar os relógios moleculares. Utilizando as taxas de mutação actuais de seres humanos, a data obtida bate em cheio com a Eva bíblica – a mãe de todos os seres viventes;
3) Um cristão nunca deve duvidar da Palavra de Deus apenas porque as circunstâncias do momento parecem ir contra o que ela diz. A Eva mitocondrial foi de 200.000 a 6.000 anos num relativo curto espaço de tempo. Cabe agora aos evolucionistas recorrerem às suas explicações ad hoc para lançar fora este valor (sei de um leitor daqui do blogue que deve estar desejoso de apelar para as suas hipóteses auxiliares : P);
4) Nunca devemos esquecer que todos os cálculos sobre o passado não observável implicam assumir conjecturas que não são passíveis de repetição. Mesmo esta nova data assume certas conjecturas. Esta data de 6000 anos não deve ser o motivo pelo qual a nossa fé fica maior. Este dado apenas serve para mostrar que a ciência, quando correctamente estabelecida, e a bíblia, quando correctamente interpretada, nunca estarão em conflito.

sábado, 7 de setembro de 2013

Brennan Manning: "Terra: Um planeta planejado!"



Brennan Manning em seu livro "O Evangelho Maltrapilho" pela Editora Textus, no Cap.2, pgs.33-34, traz algumas curiosidades a respeito da Terra:

1. A inclinação da Terra, de 23 graus, produz as nossas estações;
2. Se a Terra não tivesse a exata inclinação que tem, os vapores dos oceanos mover-se-iam para norte e sul, cobrindo os continentes de gelo.
3. Se a lua estivesse a 80 mil quilômetros da Terra, em vez de 320 mil, as marés seriam tão enormes que todos os continentes seriam submergidos pela água - até mesmo as montanhas seriam afetadas pela erosão.
4. Se a crosta terrestre fosse apenas três metros mais grossa, não haveria oxigênio, e sem ele toda a vida animal morreria.
5. Se os oceanos fossem uns poucos metros mais profundos, o dióxido de carbono e o oxigênio teriam sido absorvidos e nenhuma vida vegetal poderia existir.
6. O peso da terra foi estimado em seis sextilhões de toneladas. Ela revolve mais de 1.600 Kms por hora ou 40.000 Km por dia. Num ano isso dá mais de 14.000.000 Kms. Considerando o extraordinário peso de seis sextilhões de toneladas girando a essa fantástica velocidade ao redor do seu eixo invisível, as palavras de Jó 26:7 assumem significado sem paralelo: "Ele... faz pairar a Terra sobre o nada".
7. A Terra revolve em sua própria órbita ao redor do sol, percorrendo a cada ano o longo circuito elíptico de 965.000.000 Kms - o que significa que viajamos nessa órbita à velocidade de 30 kms p/s., ou 1.800 kms por hora.

8. Os grandes planetas no nosso sistema solar distam do sol entre 57 milhões e cerca de cinco trilhões e oitocentos bilhões de Kms; cada um deles gira ao redor do sol com absoluta precisão, com órbitas que variam entre 88 dias para Mercúrio e 248 anos para Plutão.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Os Fósseis entram em cena

“Era preciso trabalhar rápido. A idéia de que a Terra era um planeta velho não resistiria por muito tempo a ausência de evidências concretas e visíveis dessa suposta realidade. Procurava-se, portanto, algo na natureza que não só confirmasse as suspeitas de Hutton, mas que também nos indicasse, em números absolutos, a idade do nosso planeta.

No tempo de Darwin, os fósseis já começavam a despontar como a grande esperança da teoria da evolução. A expectativa era no sentido de que o registro geológico pudesse nos apresentar evidências significativas de que as espécies realmente evoluíram, umas a partir das outras. Observe como Darwin se expressou a esse respeito em seu livro “A origem das Espécies”:

”Não devemos esperar encontrar, no presente, numerosas variedades transicionais em cada região, ainda que elas tenham existido e devam se encontrar imersas na condição de fósseis”.(1)

Em outras palavras, as comprovações da teoria da evolução ainda estavam por surgir, mas o cenário já estava montado: a Terra era mesmo velha, a filosofia uniformitarista de Hutton era uma realidade, e isso significava que a história do planeta podia ser estudada a partir dos estratos geológicos que teriam se acumulado, um após outro, através de incontáveis anos.

Foi nesse contexto que surgiu a idéia de que certos fósseis eram representativos de determinadas épocas e, por isso, podiam ser utilizados para caracterizar o estrato em que se encontravam. Como os estratos não se diferenciam entre si pela composição química ou física dos sedimentos neles contidos, a idéia pareceu interessante a algumas pessoas, sobretudo porque permitia, se não datar as camadas geológicas, pelo menos ordená-las cronologicamente. Nasciam, desse modo, os fósseis-índices e, com eles, a biocronologia.

A “nova” metodologia, entretanto, trazia consigo um impasse: ela se apoiava inteiramente na teoria da evolução. Se a evolução das espécies fosse uma realidade, então talvez pudéssemos utilizar o contexto fóssil de um dado estrato para fazer uma avaliação de sua idade. Mais tarde, foram desenvolvidos outros métodos de datação, mais sofisticados do ponto de vista tecnológico, fazendo uso de complicados cálculos matemáticos e medições extremamente delicadas. De algum modo, porém, a biocronologia permaneceu, não como meio alternativo de datação, mas como instrumento de aferição e de comprovação da validade de outros métodos.
Torna-se evidente, pois, que os únicos índices geocronológicos racionais disponíveis são os fundamentos bioestratigraficamente, i.e., os biocronológicos.(2)

Em outras palavras, somente os fósseis merecem crédito como critério para a determinação do tempo na história da Terra. Outros elementos, tais como características físico-químicas, posição de estratos, ou mesmo métodos sofisticados como os métodos radiométricos de datação podem servir como dados complementares, mas são os resultados fornecidos pelos fósseis-índices que prevalecem em caso de qualquer dúvida ou discordância.

Entretanto, para que um fóssil seja classificado como fóssil-índice é necessário que sua presença seja específica de um certo estrato geológico, admitindo vestígios ou raras ocorrências desse fóssil em estratos imediatamente anteriores ou posteriores. Tais fósseis, então, arranjados de modo que os estratos que os contêm sejam considerados mais antigos quanto mais simples estes fósseis são em suas estruturas orgânicas, não importando a ordem em que esses estratos aparecem na natureza.

Assim, fica estabelecida uma seqüência de estratos denominada coluna geológica, que é utilizada para se avaliar a posição de um dado estrato em qualquer região do planeta. Basta que se procure, no estrato a ser avaliado, um fóssil-índice, cuja presença irá determinar sua posição na coluna.

Caso se encontre um estrato supostamente mais antigo sobre outro considerado mais jovem, algum tipo de explicação terá que ser dada para justificar a inversão. O recurso a movimentos na Crosta da Terra é uma dessas explicações, mas o que evolucionista não admitem é que se questione a evidência obtida a partir dos fósseis-índices. Isto significa que a teoria da evolução é a base de todos esses conceitos, o que caracteriza a fragilidade da geologia histórica.

Tudo isto traz à cena um óbvio raciocínio circular que, do ponto de vista lógico, não poderia jamais ser admitido em um contexto científico. Evolucionista, via de regra, afirmam que o registro paleontológico é uma das mais significativas evidências da evolução. Entretanto, as seqüências de fósseis apresentadas pelos livros de paleontologia fundamentam-se nas idades geológicas que, por sua vez, foram construídas como uma interpretação da história da Terra sob a pressuposição de que a teoria da evolução era verdadeira.

”O leigo de visão tem, por longo tempo, suspeitado de um raciocínio circular no uso de rochas para datar fósseis e de fósseis para datar rochas. O geólogo nunca se preocupou em pensar numa boa resposta, supondo que as explicações não valem o esforço, desde que o trabalho produza resultados. Isto, obviamente, é pragmatismo obstinado”. (3)

É surpreendente observar que brilhantes homens de ciência da atualidade não conseguem perceber a circularidade desse tipo de raciocínio. Esses homens foram treinados em sua formação acadêmica para aceitar somente aquilo que pode ser demonstrado verdadeiro do ponto de vista científico. Como explicar essa disposição de aceitar o que obviamente contraria todo o dispositivo lógico em que a ciência se baseia?”

Cristiano P. da Silva Neto

Referências:
1. C. Darwin, The Origino f Species, Great Books, vol.49, 1978, pg.80.
2. T. G. Miller, ”Time in Stratigraphy”, Paleontoly 9, 1965, p.119.
3. J. E. O´Rourke, Pragmatism Versus Materialism in Stratisgraphy”, American Journal of Science, Vol.276, 1976, p.48.


Extraído do livro ”Datando a Terra: Perspectiva Criacionista” de Cristiano P. da Silva Neto; Ed.Origens; pg.21-25.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vendo o Invisível


Philip Yancey

Naturalismo: Como você continua a crer em algo que não pode ver, tocar, cheirar ou provar?
Já encontrei cristãos estranhos — realmente estranhos, especialmente quando estava na faculdade. Um cara chamado Samuel (ele nunca deixaria que você o chamasse Sam) era um jogador de tênis fantástico. Ele achava o tênis algo um tanto carnal, por isso era necessário persuadi-lo a jogar. Na quadra ele era um capeta (ele também nunca o deixaria chamá-lo assim): executava com perfeição todas as jogadas do tênis.

Em vez de xingar, Samuel reservava uma palavra cristã retumbante para gritar antes de bater na bola. A cada quatro serviços, as costas se inclinavam mais acentuadamente que o normal, ele jogava a bola ainda mais para cima e os pés se desprendiam do chão. Antes de curvar o braço para atingir a bola, ele gemia bem alto, "Aleluia!!"

Ainda estremeço quando penso nessa palavra, "Aleluia". Talvez Samuel quisesse comunicar uma expressão de sua fé em Deus, mas para mim era uma advertência para eu me esquivar de um míssil que vinha zunindo por sobre a rede para atingir-me o rosto em cheio.

Embora fosse muito estranho, Samuel ganhou o respeito de quase todas as platéias por conta de seu jogo inspirado. Brian era o contrário — o alvo de todas as piadas. Seus 59 quilos eram distribuídos ao longo de 1,95 m de altura e, talvez por não ter força suficiente para se sustentar, ele caminhava o tempo todo curvado, como se tivesse carregado uma mochila pesada durante todos os anos de crescimento.

Brian falava macia e timidamente, tinha o rosto tão pálido e frágil que era impossível não imaginá-lo como um fantasma.

Como se isso não bastasse, Brian tinha o hábito peculiar de andar para trás, na ponta dos pés, decorando versículos da Bíblia. É verdade. Toda noite ele vestia um agasalho branco, corria uns mil e quinhentos metros e depois relaxava caminhando em círculos ao redor de um poste de iluminação, de costas. Era uma cena estranha: o corpo inclinado de Brian sacudindo para trás dentro do raio de alcance do poste de iluminação com a cabeça abaixada, lutando para enxergar o versículo que havia escrito no cartão, resmungando consigo.

Admito que nem todos os cristãos que conheci eram tão estranhos quanto Samuel e Brian. Mas esses dois conquistaram um nível especial de respeito entre os cristãos, como se seus "luias" e seus métodos de memorização da Bíblia os elevassem ao patamar de classe especial. Na faculdade cristã que freqüentei, a maioria das pessoas os considerava mais "espirituais" que outros. Conhecendo-os, eu ficava me perguntando: "será isso que Deus quer?"

Todos os cristãos, no entanto, desde Debbie, a loira estonteante, até George, o especialista em matemática, partilhavam de algumas características que à primeira vista me pareciam tão estranhas quanto as excentricidades de Samuel e Brian.

Havia a oração, por exemplo. Os cristãos que eu conhecia distorciam os acontecimentos para fazê-los parecer que eram respostas de oração. Se um tio enviava um dinheiro extra para as despesas, eles abriam um sorriso largo, gritavam e marcavam uma reunião de oração para agradecer a Deus por isso. Enquanto as pessoas sensatas do campus dormiam para repor as energias do esforço extra das atividades noturnas, os supercristãos saíam de mansinho de seus quartos às seis e meia da manhã para uma reunião de oração.

Eles pareciam receber essas "respostas de oração" como uma prova final de que havia um Deus escutando-os. Eu sempre conseguia encontrar outra explicação para elas. "Talvez esse tio tenha enviado aquele dinheiro a todos os sobrinhos dele naquele mês", eu dizia. "Alguns dos sobrinhos não são cristãos. Teria sido só o seu presente resposta de oração?" Eles nunca discutiam as muitas vezes em que Deus ignorou seus pedidos específicos. A oração era para mim uma atividade tola. Do que servia falar em voz alta para as paredes?

Mas o zelo dos supercristãos me emudecia. Comecei a sair com eles, em parte por curiosidade e em parte por um desejo malicioso de destruir suas ilusões, chegando até mesmo a agir como um deles. Inventei uma história de como havia sido "salvo" quando adolescente, e a enfeitei com detalhes dramáticos, contando-a em um de seus encontros de compartilhamento. A resposta foi inacreditável. Quase todas as garotas foram às lágrimas. Todos me abraçaram, disseram "louvado seja Deus" e fizeram reuniões de oração especiais em gratidão a minha vida.
Comecei a freqüentar as reuniões de oração — mesmo as que começavam quase de madrugada — e o que de melhor os cristãos faziam eu imitava. Aprendi que o segredo da aceitação era um ritual chamado "dar seu testemunho" no qual sua voz assumia um tom suave e sincero e você contava de alguma situação na qual o Senhor o havia abençoado ou "falado a você". Descobri depois de algumas semanas que eu era um dos melhores contadores de testemunho da turma. Ao final de meus relatos, eu quase sempre levava o grupo a fazer orações de agradecimento, ou às lágrimas seus olhos famintos e sequiosos.

Enquanto isso, eu voltava correndo para o quarto e contava a meus verdadeiros amigos como eu estava conseguindo enganar por completo todos os cristãos. Em minha mente, eu havia destruído a fé deles. Eu era um naturalista, e cria que não havia nenhum Deus. O único mundo que existia para mim era o mundo onde eu vivia: rochas, árvores e ar. Não havia "seres espirituais". Era óbvio que a fé que eles demonstravam era composta de um jargão espiritual, de um sentimento caloroso de proximidade e de uma catarse de culpa, todos misturados. Embora incrédulo declarado, eu podia me passar por um santo convincente seguindo a fórmula prescrita. Não havia diferença entre a religião deles e qualquer outra religião mal orientada. Como Deus poderia ser real se tudo o que os cristãos experimentavam podia ser copiado por alguém que não cria nele?

Algo estranho aconteceu cerca de um ano depois desse experimento. Teria sido humilhante e constrangedor se não tivesse sido tão avassaladoramente agradável. Tornei-me cristão. Deus me encontrou de um modo incrível e inegável, em um momento quando eu não estava sequer procurando por ele — na verdade, enquanto eu o negava veementemente. Eu experimentei uma conversão cristã genuína. Durante uma reunião de oração rotineira (e obrigatória) com amigos, Deus fez contato comigo. Ele me mostrou seu amor e seu perdão, e eu nasci de novo.
Embora até ali eu tivesse gasto minhas energias tentando produzir rombos na fé cristã e encontrar inconsistências nos cristãos, quando Deus finalmente me encontrou, a mudança foi tão profunda que nunca duvidei dela desde então.

Como eu poderia descrever essa experiência aos amigos céticos que eu havia conseguido levar ao agnosticismo? Como você descreve um mundo de cores a um daltônico? Vi-me resmungando as mesmas frases imprecisas, coisas como "Deus transformou minha vida por completo", ou "Deus mudou inteiramente meu modo de pensar, mudou meus valores", ou "Ele me deu uma paz que nunca experimentei antes". A maioria de meus amigos olhava-me com um olhar que denunciava incompreensão, confusão, até mesmo um sentimento de traição. Eu sabia o que eles estavam pensando: "A coisa finalmente pegou o pobre homem. Depois de meses andando com esses supercristãos, imitando-os, ele pirou. Ficou maluco".

Frustrado, tentei pensar em maneiras de convencer meus amigos de que eu não havia enlouquecido, mas que, ao contrário, havia encontrado uma realidade mais profunda. Eu sabia que eles não se sentiriam atraídos pelos cristãos que eu conhecia — eu havia zombado deles com muito sucesso. Veio-me a idéia dos milagres. Será que eu poderia encontrar algum milagre absolutamente inexplicável? Isso por certo comprovaria a realidade de Deus.

Por que Deus não se fazia mais óbvio? Eu queria que ele realizasse um milagre bem orquestrado e televisionado, para que eu pudesse convidar meus amigos céticos para verem um ato de Deus que eles não teriam como negar.

O problema, como eu o enxergava, era que os atos cristãos — a oração, o amor uns aos outros, o compartilhar da fé com outros, a adoração — não eram sobrenaturais o suficiente para convencer quem quer que fosse de que o cristianismo é verdadeiro. O que precisamos de fato, eu pensava, é de uma exposição gigante, mundial e tremenda do poder de Deus. O naturalismo despencaria das alturas.

Já quando pensei nisso percebi que não funcionaria. A Bíblia registra vários exemplos de quando Deus verdadeiramente chocou o mundo. As dez pragas do Egito são um caso. Cecil B. DeMille gastou milhões para imitá-las e as seqüências de seu filme ainda parecem um truque. E o que dizer da ressurreição de Jesus? Mais de quinhentas pessoas atestaram que ele havia ressurgido dentre os mortos, mas a maioria se recusou a acreditar nelas. O próprio Deus caminhou pela terra por trinta e três anos, ensinando e realizando milagres impressionantes. Ainda assim, dentre os muitos que o ouviram, somente uma minoria creu.

Milagres — os do tipo escancarados, chamativos e sobrenaturais — serão sempre uma exceção. Ah, eu acredito que eles ocorram. Muitos de meus amigos me contam de milagres de cura, de uma mudança dramática que Deus promoveu em um viciado em drogas. Mas esses milagres que contrariam as leis da natureza por um instante — devo admitir que nunca presenciei.

Não preciso de milagres para crer; Deus tem se revelado a mim de maneira amorosa. Só me sinto incomodado quando penso em meus amigos céticos. Se Deus realmente fizesse um milagre diante de seus olhos, eles creriam? Não sei.

Ao contrário, convivo com atos cristãos simples, às vezes monótonos, de oração, compartilhamento, amor e serviço. Como eu bem sei de meus primeiros contatos com cristãos estranhos, esses atos não são suficientes para convencer um cético. Eles podem até ser habilmente reproduzidos como piada ou experimento sociológico.

Nunca consegui encontrar uma boa estratégia para convencer os céticos. Alguns vieram a crer, outros não. Alguns foram atraídos a Deus pelo amor de cristãos; outros correram para os braços dele quando seu mundo desabou. Muitos outros, no entanto, estão hoje bem longe de Deus.
Mesmo depois de tudo o que Deus fez por mim, ainda tenho dúvidas. Sempre vou acreditar que ele é real, mas muitas vezes minhas orações parecem superficiais, palavras sonolentas que batem nas paredes e não passam do teto. Outras vezes, quando ouço um cristão descrever uma experiência que teve com o Senhor, ela não soa tão diferente daquela que você poderia ouvir em um encontro de meditação transcendental ou em uma terapia de grupo. De vez em quando, ainda me é difícil crer — verdadeiramente crer — que existe outra porção do mundo lá fora. Nunca me encontro completamente livre do naturalismo, porque o único mundo que vejo todos os dias é o natural. Como me manter crente num mundo invisível?

Há um mundo evidente ao meu redor, composto de árvores, rochas, pessoas, carros e edifícios. Todo o mundo crê nesse. Mas há um mundo igualmente real de anjos e espíritos, Deus, céu e inferno. Se eu tão-somente pudesse ver esse outro mundo apenas uma vez, talvez isso esclarecesse todas minhas dúvidas.

Quando as dúvidas vêm à tona, penso em alguns dos ensinos de Jesus sobre os dois mundos. Um incidente (em Lucas 10) uniu de modo especial os dois mundos. Jesus enviou setenta de seus fiéis seguidores às cidades e aos vilarejos que ele planejava visitar depois. Ele os advertiu com firmeza de que poderiam ser ridicularizados ou até mesmo perseguidos por serem seu representante. "Vocês são como ovelhas no meio de lobos", ele disse.

Os setenta discípulos partiram, caminhando com dificuldade na areia, esperando o pior depois das advertências pessimistas de Jesus. Mas retornaram exultantes. As pessoas os haviam aceitado. Cidades estavam esperando com ansiedade pela visita de Jesus. Eles haviam curado os enfermos. "Até mesmo os demônios se submetem a nós em teu nome", eles contaram quase que sem fôlego.

Jesus, que aguardava pelo retorno deles, deu um único resumo do que havia acontecido. Ele disse: "Eu vi Satanás cair como um raio do céu!". Jesus uniu os dois mundos. O mundo dos discípulos havia sido um mundo de caminhada sobre a areia quente, pregação a multidões misturadas, visitas às casas, pedidos para ver os doentes e anúncio da vinda de Jesus. Todas suas ações ocorreram no mundo visível que se pode tocar, cheirar e ver. Mas Jesus, com percepção sobrenatural, viu que aquelas ações no mundo visível estavam tendo um impacto fenomenal no mundo invisível. Enquanto os discípulos cantavam vitória no mundo visível, Satanás estava caindo para atacá-los no mundo invisível.

Em Lucas 12, Jesus deu mais algumas dicas de que o que acontece aqui no mundo visível afeta o outro mundo. Ele disse que qualquer coisa que cochicharmos em secreto, pensando que estamos sozinhos e seguros, um dia será retransmitida no alto das casas, para que todos escutem. Nenhum ato, até mesmo um cochicho, passará despercebido no mundo. Cada um está registrando sua marca no mundo invisível. Jesus disse que quando um pecador se arrepende, os anjos no céu se alegram. Hoje você pode assistir a um pecador se arrepender. Vá a uma cruzada de um grande pregador e você verá, em cores, muitos pecadores se arrependendo. A câmera se aproxima de um homem de negócios de meia idade, cabeça abaixada, abrindo caminho por entre os assentos no estádio e que senta para conversar com um conselheiro. Ela se volta para uma garota vestida de calça jeans e uma jaqueta do exército, soluçando baixinho em um canto enquanto um amigo lhe explica a Bíblia a ela. De acordo com o que Jesus disse, enquanto esses atos visíveis estão acontecendo, alguns atos invisíveis, grandiosos, também estão ocorrendo. Os anjos estão fazendo uma verdadeira festa no céu. Os dois mundos estão funcionando como se fossem um.

Jesus continuou: "Eu lhes digo: quem me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus. Mas aquele que me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus" (NVI).

O homem Jesus foi, sem dúvida, o exemplo extremo de dois mundos funcionando como um. Ele foi um homem com glândulas sudoríparas, cabelo, unhas, lábios e todas as características que definem os seres humanos. No entanto, dentro daquele corpo, Deus morava.

Todos nós que somos cristãos cremos no mundo invisível; nós simplesmente o esquecemos. Somos consumidos por nosso mundo de argumentações, relacionamentos, empregos e escola — e mesmo o mundo "religioso" da igreja e das reuniões de oração. Talvez, se Jesus estivesse em carne em nosso meio murmurando frases como "eu vi Satanás cair" sempre que Deus nos usasse, nós nos lembraríamos melhor.

O mundo em que vivemos não é um mundo ou uma coisa ou outra. As ações que tomo como cristão — oração, adoração, amor — não são exclusivamente naturais ou sobrenaturais. São ambas as coisas, funcionando ao mesmo tempo.

Como lembretes do mundo sobrenatural recebemos o Espírito de Deus, que habita permanentemente em nós. Recebemos os bons conselhos da Bíblia e de companheiros cristãos, que afirmam conosco que, sim, há outro mundo, e Deus está vivo e se importa conosco.

Além de todos estes lembretes especificamente cristãos, há no mundo muitos rumores de Deus que podem ser detectados por todos. Você quer ver uma expressão do poder de Deus? Levante cedo e assista ao nascer do Sol. Visite as praias da Califórnia durante a estação de migração das baleias e contemple-as brincando e fazendo folia.

Você se pergunta se o homem é imortal? Pensem em sua reação quando passa por um animal morto na rua. Talvez sinta uma dor aguda de lamento ou tristeza, especialmente se ama os animais; não se trata, no entanto, da reação que você teria se passasse por um corpo humano estirado ao lado da calçada. Você primeiro perderia a voz, para, no momento seguinte, gritar a plenos pulmões. A lembrança lhe ficaria gravada a fogo na mente. Você nunca esqueceria a cena. Qual é a diferença? Ambos os corpos são feitos de tendões, sangue, osso e órgãos. A diferença não é nada visível; é o fato de que a pessoa é imortal, feita à imagem de Deus.

Às vezes me lembro claramente do mundo invisível. Posso sentir sua existência tão fortemente que chega a parecer mais real que o mundo visível. O atributo da fé permite que eu creia — o atributo que a carta aos Hebreus define como "a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos" (Hb 11:1, NVI). Naqueles momentos (eu me lembro de como me senti depois de minha conversão) me pergunto como alguém poderia duvidar. Em outras ocasiões — na maioria das vezes quando estou cansado e irritado, e briguei com alguém — mal posso me lembrar do mundo invisível. Aqueles momentos, também, são sintomas da grande luta espiritual que ocorre por trás das cortinas, acompanhando todos os momentos de minha vida.

"Não há campo neutro no universo", disse C. S. Lewis. "Cada polegada, cada milésimo de segundo, é reivindicado por Deus e reivindicado por Satanás."

As vezes sou forte o suficiente para crer nisso por mim mesmo. Sinto-me como parte de uma batalha. Mas em outros momentos me esqueço, e devo ser impelido de volta a Deus, a sua Palavra, à dependência desesperada dele e de seus seguidores aqui na terra. Eles me lembram do mundo invisível e de meu papel nele. Satanás não abre mão de seu terreno com facilidade.


Fonte: Extraído do Livro de Philip Yancey & Tim Stafford "Desventuras da Vida Cristã"; Ed. Mundo Cristão - pg.11-21.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Cristianismo É uma Religião de FATOS

O cristianismo apela à história, aos fatos da história, o que P. Carnegie Simpson chama de "os dados mais claros e acessíveis que existem". Simpson prossegue: "Ele (Jesus) é um fato histórico, verificável como qualquer outro".

J. N. D. Anderson registra o comentário de D. E. Jenkins: "O cristianismo se baseia em fatos inquestionáveis...".

Clark Pinnock define esse tipo de fatos: "Os fatos que apóiam as alegações cristãs não são um tipo especial de fato religioso. São os fatos que podem ser assimilados e entendidos pela mente humana, sobre os quais se baseiam todas as decisões de caráter histórico, legal e ordinário".

Um dos propósitos destas "anotações de provas do cristianismo" é apresentar alguns desses "fatos indiscutíveis" e verificar se a interpretação desses fatos não é a mais lógica. O objetivo da apologética não é convencer uma pessoa a, inadvertidamente e contra a sua vontade, tornar-se cristã.

Clark Pinnock escreve: "Exige um grande esforço o trabalho de apresentar às pessoas, e de um modo inteligente, as provas em favor do evangelho, de maneira que elas possam tomar decisões significativas, convencidas pelo poder do Espírito Santo. O coração não pode se comprazer com aquilo que a mente rejeita como sendo falso".

HEBREUS 4:12                                                                                                                                             
"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração."

Precisamos manter o equilíbrio entre as duas tendências acima mencionadas. Devemos pregar o evangelho, mas também devemos estar "sempre preparados para responder a todo aquele que (nos) pedir razão da esperança que há em (nós)''.

O Espírito Santo convencerá as pessoas acerca da verdade; não é preciso tentar adivinhá-la. "Certa mulher chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia" (Atos 16:14).

Pinnock, um hábil apologeta e testemunha de Cristo, conclui a questão, expressando-se com muita propriedade: "Um cristão inteligente deve ser capaz de apontar as falhas numa posição não-cristã e apresentar fatos e argumentos em favor do evangelho. Se nossa apologética nos impede de explicar o evangelho a quem quer que seja, é uma apologética inadequada".
                                                                      
VAMOS ESTABELECER ALGUNS FATOS BÁSICOS
Antes de tratar das diversas provas que favorecem a fé cristã, deve-se esclarecer algumas idéias errôneas e entender várias questões fundamentais.

Fé Cega
Uma acusação bem comum e contundente feita contra o cristão é: "Vocês, cristãos, me deixam doente! Tudo o que vocês tem é uma 'fé cega"'.

Certamente essa é uma indicação de que o acusador crê que, para tornar-se cristã, a pessoa precisa cometer um "suicídio intelectual".

Pessoalmente, "meu coração pode se alegrar com aquilo que minha mente rejeita". Meu coração e minha cabeça foram criados para juntos agirem e crerem em harmonia. Cristo nos mandou: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento" (Mateus 22:37).

Quando Jesus Cristo e os apóstolos conclamavam uma pessoa a exercitar a fé, essa não era uma "fé cega", mas uma "fé inteligente". O apóstolo Paulo disse: "Sei em que tenho crido" (2 Timóteo 1:12). E Jesus disse: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (João 8:32). Conhecer, saber, é o contrário de ignorar.

A fé de um indivíduo envolve "a mente, as emoções e a vontade". F. R. Beattie tem toda razão ao afirmar que "o Espírito Santo não opera, no coração, uma fé cega e sem fundamentos..."

É justificável que Paul Little escreva: "A fé no cristianismo baseia-se em fatos. Não é contrária à razão. No sentido cristão, a fé vai além, mas não contra a razão".

A fé é a certeza que o coração tem de que as provas são suficientes.

UMA MANOBRA POLÍTICA

A Fé Cristã É uma Fé Objetiva
A fé cristã é uma fé objetiva; deve, portanto, ter um objeto. O conceito cristão de fé "salvadora" é o de uma fé em que se estabelece um relacionamento com Jesus Cristo (o objeto); esse conceito está numa posição diametralmente oposta ao uso "filosófico" da palavra fé que, hoje em dia, se faz em geral nas salas de aula. Um clichê que se deve rejeitar é: "Não importa o que você crê, desde que você tenha convicção disso".

Vou ilustrar. Mantive um debate com o chefe do departamento de filosofia de uma universidade localizada no meio-oeste dos Estados Unidos. Ao responder uma pergunta, aconteceu de eu mencionar a importância da ressurreição. A essa altura, meu oponente me interrompeu e me disse com bastante sarcasmo: "Espere aí, McDowell. A questão principal é se a ressurreição aconteceu ou não? Ou se "você crê que ela aconteceu?" O que ele estava sugerindo (na verdade estava, com muita coragem, afirmando) é que minha crença era a coisa mais importante. Repliquei imediatamente: "Professor, na verdade importa, e muito, aquilo que creio como cristão, porque o valor da fé cristã não está em quem crê, mas naquele em quem se crê, no objeto da fé". E prossegui: "Se alguém pudesse me provar que Cristo não ressuscitou dos mortos, eu não teria o direito à fé cristã" (1 Cor íntios 15:14).

A fé cristã é fé em Cristo. O seu valor não está naquele que crê, mas naquele em quem se crê. Não naquele que confia, mas naquele em quem se confia.

Logo após esse debate, um bolsista muçulmano me procurou para conversar e. durante um diálogo muito construtivo, ele disse com toda sinceridade: "Conheço muitos muçulmanos que têm mais fé em Maomé do que alguns cristãos têm em Cristo". Respondi: "Pode ser verdade, mas o cristão é "salvo".

Veja, não importa a quantidade de fé que você tenha, mas quem é o objeto da sua fé. Isso é importante do ponto de vista cristão.

Com freqüência ouço estudantes dizerem: "Alguns budistas são mais consagrados e têm mais fé em Buda (o que revela uma compreensão errada do budismo) do que os cristãos têm em Cristo". Só posso responder o seguinte: "Talvez, mas o cristão é salvo".

Paulo disse: "Sei em quem tenho crido". Isso explica por que o evangelho gira em torno da pessoa de Jesus Cristo.

John Warwick Montgomery afirma: "Se o nosso 'Cristo da fé' se afasta um pouco do 'Jesus da história' que a Bíblia apresenta, então, na proporção desse afastamento, perdemos também o autêntico Cristo da fé". Conforme Herbet Butterfield. um dos maiores historiadores da nossa época, o expressou: "Seria um erro perigoso imaginar que as características de uma religião histórica continuariam inalteradas caso o Cristo dos teólogos fosse divorciado do Jesus da história'.".

A expressão "Não venha me confundir com os fatos" não é própria para um cristão.

Testemunhas Oculares
Os escritores do Novo Testamento ou escreveram na qualidade de testemunhas oculares dos eventos que descreveram ou registraram os acontecimentos, conforme relatados, em primeira mão, por testemunhas oculares.

"Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade" (2 Pedro 1:16).

Eles certamente sabiam qual a diferença entre mito, lenda e realidade.

Um professor de uma turma de literatura universal, à qual eu estava falando, fez a seguinte pergunta: "Qual sua opinião sobre a mitologia grega?" Respondi com uma outra pergunta: "Você quer saber se os acontecimentos da vida de Jesus — a ressurreição, o nascimento virginal, etc. — foram apenas um mito?" E ele respondeu: "Isso mesmo". Respondi, então, que, entre essas coisas aplicadas a Cristo e essas mesmas coisas aplicadas à mitologia grega, existe uma diferença óbvia que geralmente é ignorada. Os acontecimentos análogos da mitologia grega (como, por exemplo, a ressurreição) não se aplicavam a indivíduos reais, de carne e sangue, mas a personagens mitológicos. Na questão do cristianismo, esses acontecimentos estão ligados a uma pessoa que os escritores conheceram na dimensão tempo-espaço da história, o Jesus de Nazaré da história, que eles conheceram pessoalmente.

Ao que o professor disse: "Você tem razão. Eu não tinha percebido isso."

S. Estborn, em Gripped by Christ (Atraído por Cristo), explica essa questão com mais detalhes. Ele conta que Anath Nath "estudou tanto a Bíblia como os Shastras, sendo que dois temas bíblicos prenderam profundamente sua atenção: primeiro, a realidade da encarnação, e, segundo, a expiação do pecado humano. Ele procurou harmonizar essas doutrinas com as Escrituras hindus e descobriu no sacrifício voluntário de Cristo um paralelo com Prajapati, o deus-criador veda. Também percebeu uma diferença vital. Enquanto o Prajapati veda é um símbolo mítico, que tem sido aplicado a inúmeras personagens, Jesus de Nazaré é uma pessoa histórica. Por isso ele disse: 'Jesus é o verdadeiro Prajapati, o verdadeiro Salvador do mundo'."
J. B. Phillips, citado por Blaiklock, afirma: "'Já li, em grego e em latim, dezenas de histórias de mitos, mas não encontrei a menor idéia de mito na Bíblia'. A maioria das pessoas que conhece grego e latim, não importa qual seja sua atitude para com as narrativas do Novo Testamento, concordaria com ele..."

"Pode-se definir mito como uma tentativa pré-científica e imaginativa de explicar algum fenômeno, real ou aparente, que desperte a curiosidade daquele que faz o mito, ou, talvez, mais exatamente um esforço por alcançar um sentimento de satisfação, em vez de perplexidade, diante de tais fenômenos. Freqüentemente apela mais às emoções do que à razão, e, de fato, em suas manifestações mais típicas, parece ter surgido em uma época quando não se exigiam explicações racionais'."

TESTEMUNHAS OCULARES
1 João 1 :1-3 "O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo."

Lucas 1:1-3 "Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem."

A obra The Cambridge Ancient History (A História Antiga de Cambridge), falando da preocupação de Lucas com a exatidão, afirma:

"Ele está naturalmente interessado em fazer uma boa defesa da religião que professa - e não apenas porque cria que era verdadeira (e não havia atrativo algum para se professar o cristianismo, a não ser que se estivesse totalmente convencido de sua veracidade)..."

Atos 1:1-3 "Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus fez e ensinou, até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus."

1 Corintios 15:6-8 "Depois Jesus foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora, porém alguns já dormem. Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo."

João 20:30,31 "Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.'

Atos 10:39-42 "É nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém? ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia, e concedeu que fosse manifesto, não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos; e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos".

1 Pedro 5:1 "Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada."
Atos 1:9 "Ditas estas palavras, foi Jesus elevado ás alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos."

John Montgomery diz que "a inviabilidade de fazer distinção entre a afirmação de Jesus sobre si mesmo e a afirmação dos escritores do Novo Testamento não deve causar espanto, pois a situação tem um paralelo exato com a de todas as personagens históricas que não optaram por escrever (por exemplo, Alexandre o Grande, César Augusto, Carlos Magno). Nesses casos, dificilmente diríamos que é impossível chegarmos a descrições históricas aceitáveis. E, também, os escritores do Novo Testamento... registram testemunhos oculares sobre Jesus, pelo que se pode confiar, pois apresentam uma descrição histórica cuidadosa de Jesus."

Conhecimento de Primeira Mão
Os escritores do Novo Testamento apelaram ao conhecimento de primeira mão que seus leitores e ouvintes possuíam a respeito dos fatos e das provas acerca da pessoa de Jesus Cristo.
Os escritores não disseram apenas: "Vejam, nós vimos isto ou ouvimos que...'*, mas viraram a mesa e disseram face a face aos seus críticos mais mordazes: "Vocês também sabem dessas coisas... Vocês as viram. Vocês mesmos sabem a respeito".

É melhor a pessoa ter cuidado quando diz ao oponente: "Você também sabe disso", porque se ela estiver errada quanto a alguns detalhes, terá de "engolir o que disse".
Atos 2:22 "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis..."

Atos 26:24-28 "Dizendo ele (Paulo) estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar. Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo; pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isso é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta; porquanto nada se passou aí, nalgum recanto. Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas. Então Agripa se dirigiu a Paulo, e disse: Por pouco me persuades a me fazer cristão."

Preconceitos Históricos
"Se alguém for estudar historicamente a vida de Jesus de Nazaré, descobrirá uma pessoa muito notável, não o Filho de Deus."

Algumas vezes me expressam essa idéia da seguinte maneira: "Pelo método 'histórico moderno' uma pessoa jamais decidirá pela ressurreição".

Você está certo; é verdade. Mas antes de tirar conclusões apressadas, quero explicar-lhe o seguinte: para muitas pessoas, hoje em dia, o estudo da história carrega consigo as idéias de que não existe Deus, os milagres não são possíveis, vivemos num sistema fechado e não existe nada de sobrenatural. Com essas pressuposições, elas iniciam a investigação "crítica, aberta e honesta" da história. Quando estudam a vida de Cristo e lêem sobre os milagres ou a ressurreição, concluem que não houve milagre nem ressurreição porque sabemos (não histórica, mas filosoficamente) que não existe Deus, os milagres não são possíveis, vivemos num sistema fechado e não existe nada de sobrenatural. Portanto, essas coisas não podem ocorrer. O que os homens têm feito é eliminar a possibilidade da ressurreição de Cristo, antes mesmo de começarem uma investigação histórica da ressurreição. Essas pressuposições não são tanto idéias históricas preconcebidas, mas principalmente preconceitos filosóficos.

Esse método de estudo da história se baseia na "pressuposição racionalista" de que Cristo não poderia ter ressuscitado dos mortos. Em vez de iniciar pelos dados históricos, eles atrapalham o devido estudo da história por causa da "especulação metafísica".

John W. Montgomery escreve: "Não se pode eliminai a priori, em bases filosóficas, o fato da ressurreição. Os milagres só são impossíveis se assim forem definidos - mas uma tal definição elimina a correta investigação histórica".

Neste assunto faço longas citações de Montgomery, que é uma das pessoas que me tem estimulado a refletir sobre a história. Ele afirma: "Kant demonstrou, de maneira conclusiva, que todos os argumentos e sistemas principiam por pressuposições; mas isso não significa que todas as pressuposições sejam igualmente desejáveis. E melhor iniciar, como temos feito, pelas pressuposições de métodos (JS quais naturalmente conduzirão à verdade) do que pelas pressuposições de conteúdo substantivo (as quais presumem previamente um corpo de verdades). Em nosso mundo moderno, temos descoberto que as pressuposições do método empírico são as que melhor preenchem essa condição; note, contudo, que estamos agindo apenas com base nas pressuposições do método científico, não nas suposições racionalistas da ciência ('A Religião da Ciência')." Montgomery cita os comentários de Huizenga concernentes ao ceticismo no âmbito da história ("De Historische Idee". In: Verzamekde Werken. Haarlem, 1950, v.7, pp. 134-6; conforme se encontra citado, em tradução para o inglês, na obra de Fritz Stern; ed., The Varieties of History (As Variedades de História), Nova Iorque: Meridian, 1956, p. 302). Huizenga afirma: "O mais forte argumento contra o ceticismo no âmbito da história... é o seguinte; o homem que têm dúvidas acerca da possibilidade de que os dados e a tradição sejam historicamente corretos não poderá, então, aceitar seus próprios dados, juízos, associações de fatos e interpretações. Não pode limitar a dúvida à crítica histórica que realiza, mas é necessário que deixe a dúvida operar em sua própria vida. Imediatamente descobrirá que não apenas lhe faltam provas conclusivas acerca de todos os aspectos de sua própria vida, os quais havia aceito sem maior reflexão, mas também que não há quaisquer provas. Em resumo, ele se vê obrigado a aceitar um ceticismo filosófico geral, paralelo ao ceticismo histórico. O ceticismo filosófico geral é uma interessante brincadeira intelectual, mas é impossível viver brincando nesse jogo."
Millar Burrows, da Universidade Yale, um norte-americano especialista nos Rolos do Mar Morto, também citado por Montgomery, escreve: "Existe um tipo de fé cristã... muito forte hoje em dia, (que) considera as afirmações da fé cristã como declarações confessionais que o indivíduo aceita por ser membro da comunidade que crê, e que não dependem da razão ou dos fatos. Aqueles que sustentam essa posição não aceitarão que a investigação histórica possa ter alguma coisa a dizer sobre a singularidade de Cristo. Com freqüência eles são céticos quanto à possibilidade de conhecer qualquer coisa acerca do Jesus histórico e parecem satisfeitos em prescindir desse conhecimento. Não posso partilhar esse ponto-de-vista. Estou profundamente convencido de que a revelação de Deus em Jesus de Nazaré deve ser o alicerce de qualquer fé realmente cristã. Qualquer indagação sobre o Jesus real que viveu na Palestina dezenove séculos atrás é, por conseguinte, de importância fundamental."

Montgomery acrescenta que os acontecimentos históricos são "únicos, e o teste de seu caráter fatual só pode ser o método aceito de documentação, o qual estamos seguindo. Nenhum historiador tem direito a um sistema fechado de causalidade, pois, conforme o lógico [b ]Max Black, da Universidade Cornell, demonstrou numa monografia (BLACK, Max. Models and Metaphors (Modelos e Metáforas). Ithaca; Cornell University, 1962, p. 16), o próprio conceito de causa é 'uma noção estranha, não sistemática e inconsistente', e, portanto, 'qualquer tentativa de formular uma lei universal de causalidade será comprovadamente inútil"'.

O historiador Ethelbert Stauffer pode nos oferecer algumas sugestões sobre a atitude de estudar a história: "O que nós (historiadores) fazemos quando experimentamos surpresas que contrariam a todas as nossas expectativas, talvez todas as nossas convicções e até mesmo toda a maneira de entender a verdade, que sustentamos durante toda a vida? Afirmamos, tal como um grande historiador costumava fazê-lo em tais situações: 'Com toda certeza é possível.' E por que não? Para o historiador crítico nada é impossível".

A isso o historiador Philip Schaff acrescenta: "O propósito do historiador não é escrever uma história a partir de noções preconcebidas e adaptada ao seu próprio gosto, mas reconstruí-la a partir das melhores provas e deixar que ela fale por si mesma".

Robert M. Horn oferece uma boa ajuda para compreendermos as idéias preconcebidas que as pessoas têm ao estudar história: "Para tornar a questão o mais evidente possível, uma pessoa que negue a existência de Deus não concordará com a crença na Bíblia".

"Um muçulmano, tendo a certeza de que Deus não pode gerar, não aceitará como Palavra de Deus um livro que ensina que Cristo é o Filho unigênito de Deus."

"Alguns crêem que Deus não é pessoal, mas é o Absoluto, o Fundamento do Ser. Essas pessoas estarão predispostas a rejeitar a Bíblia como auto-revelação pessoal de Deus. Com base nessa premissa, a Bíblia não pode ser a palavra pessoal de 'EU SOU O QUE SOU". (Êxodo 3:14)

"Outros eliminam o sobrenatural. Provavelmente não darão crédito ao livro que ensina que Cristo ressuscitou dentre os mortos."

"Ainda outros sustentam que Deus não pode, sem distorção, comunicar a Sua verdade através de homens pecadores; daí concluírem que a Bíblia é, pelo menos em algumas partes, um livro meramente humano."

Uma definição básica de história é, para mim, "um conhecimento do passado baseado em testemunhos". Alguns imediatamente reagirão: "Não concordo". Então eu pergunto: "Você crê que Dom Pedro II existiu e foi imperador do Brasil?" "Sim, eu creio", é o que geralmente respondem. No entanto, ninguém com quem eu tenha me encontrado chegou a, pessoalmente, ver e observar Dom Pedro II. A única maneira de se conhecer é pelo testemunho.

Advertência: Quando se tem essa definição de história, é preciso assegurar-se da credibilidade das testemunhas.

Devo estar cego

Pulo? Que Pulo?
Freqüentemente acusam o cristão de dar um pulo às cegas, "um salto no escuro". Muitas vezes essa idéia tem raízes em Kierkegaard.

Para mim o cristianismo não era um "salto no escuro", mas "um passo na direção da luz". Apanhei os dados que consegui reunir e os coloquei na balança. Esta pendeu decisivamente para o lado de que Cristo era o Filho de Deus e que havia ressuscitado dos mortos. A balança pendia para o lado de Cristo de um modo tão impressionante que, quando me tornei cristão, dei "um passo na direção da luz" em vez de "um salto no escuro".

Caso tivesse exercitado uma fé cega, teria rejeitado Jesus Cristo e voltado as costas para todas as provas.

Tenha cuidado. Eu não provei, sem qualquer sombra de dúvida, que Jesus era o Filho de Deus. O que fiz foi investigar os dados e pesar os prós e os contras. Os resultados mostraram que Cristo deve ser quem Ele afirmou que era, e eu tive de tomar uma decisão, e tomei-a. A reação imediata de muitos é: "Você encontrou aquilo que você queria encontrar". Mas não foi esse o caso. Eu comprovei, através de investigação, aquilo que eu desejava refutar. Comecei com o propósito de provar a falsidade do cristianismo. Eu tinha idéias preconcebidas e preconceitos, não a favor, mas contra Cristo.

Hume diria que as provas históricas não são válidas porque não se pode provar, sem sombras de dúvida, a "verdade absoluta". Mas eu não estava atrás da verdade absoluta, e sim da "probabilidade histórica".

"Sem um critério objetivo", afirma John W. Montgomery, "a pessoa se vê perdida ao ter de fazer uma escolha significativa entre os a prioris, A ressurreição fornece uma base, em termos de probabilidade histórica, para se experimentar a fé cristã. É preciso admitir que a base é uma base provável, não de certeza absoluta, mas a probabilidade é o único fundamento sobre o qual seres humanos finitos podem basear quaisquer decisões que tomem. Só a lógica dedutiva e a matemática pura proporcionam a 'verdade irrefutável', e isso ocorre porque elas se baseiam em axiomas formais auto-evidentes (por exemplo, a tautologia, se A, então A), que não incluem conteúdo fatual. No instante em que penetramos no domínio dos fatos, temos de depender da probabilidade; pode ser algo indesejável, mas é inevitável."

Ao fim dos quatro artigos que escreveu para a revista fíis (D'Ele), John W. Montgomery afirma, a respeito da história e do cristianismo, que "...tentou mostrar que o peso da probabilidade histórica pende para o lado da veracidade da afirmação de Jesus de que era o Deus encarnado, o Salvador do homem e o Juiz que viria julgar o mundo. Caso a probabilidade apóie, de fato, essas afirmações (e será que podemos chegar a rejeitá-las, depois de termos estudado as provas?), então devemos agir em seu favor".

Desculpas Intelectuais

QUEM TEM CORAGEM DE REVELAR O SEU VERDADEIRO MOTIVO?
Freqüentemente a rejeição de Cristo não se dá tanto em nível de "mente", como em nível de "vontade"; não é tanto uma questão de "não consigo", mas de "não quero".

Tenho encontrado muitas pessoas com desculpas intelectuais, mas bem poucas com problemas intelectuais (ainda assim, tenho encontrado algumas).

As desculpas podem cobrir uma imensidão de motivos. Respeito bastante as pessoas que gastaram tempo investigando as afirmações de Cristo e chegaram à conclusão de que simplesmente não podem crer. Eu me identifico com quem sabe porque não crê (do ponto-de-vista fatual e histórico), pois eu sei porque creio (também do ponto-de-vista fatual e histórico). Isso nos dá uma base comum (embora com diferentes conclusões).

Tenho visto que a maioria das pessoas rejeita Cristo por pelo menos uma das seguintes razões:

1. Ignorância - Romanos 1:18, 23 (freqüentemente por vontade própria), Mateus 22:29
2. Orgulho - João 5:40-44
3. Problema moral - João 3:19,20

Eu estava aconselhando uma mulher que estava entediada porque acreditava que o cristianismo não era histórico e que, quanto aos fatos, tudo era simples demais. Ela havia convencido todo mundo de que estudara profundamente a questão e que descobrira sérios problemas intelectuais no cristianismo como resultado de seus estudos universitários. Uma pessoa após outra tentou convencê-la intelectualmente de seu erro e responder as suas muitas acusações.
Eu a ouvi e então respondi às suas diversas indagações. Em menos de meia hora ela admitiu que havia enganado todo mundo e que havia desenvolvido essas dúvidas intelectuais a fim de justificar a sua vida moral.

E preciso responder ao problema básico, que é a questão real, e não à evasiva intelectual, que freqüentemente ocorre.

Um estudante de uma universidade na costa leste dos Estados Unidos disse que tinha um problema intelectual com o cristianismo e que, por essa razão, não poderia aceitar Cristo como o Salvador. "Por que você não pode crer?", indaguei. Ao que ele respondeu: "Não da para confiar no Novo Testamento". Então lhe perguntei: "Se eu provar para você que o Novo Testamento é um dos textos da literatura da antigüidade em que se pode ter um elevado grau de confiança, você irá crer?" Sua resposta foi: "Não!" "Bem, o problema não é com o seu intelecto, mas com a sua vontade'*, foi a minha resposta.

Um formando da mesma universidade, depois de uma palestra sobre "A Ressurreição: Fraude ou História?", estava me bombardeando com perguntas misturadas a acusações (mais tarde vim a saber que ele fazia o mesmo com a maioria dos oradores cristãos). Finalmente, depois de 45 minutos de diálogo, eu lhe perguntei: "Se eu lhe provar, sem qualquer sombra de dúvida, que Cristo ressuscitou dos mortos e é o Filho de Deus, você refletirá cuidadosamente sobre Ele?" A resposta imediata e enfática foi: "NÃO!"

Michael Green cita Aldous Huxley, o ateísta que destruiu a crença de muitos e que foi aclamado como possuidor de uma mente privilegiada. Huxley admite seus próprios preconceitos (Ends and Means (Fins e Meios), p. 270ss) quando diz: "Eu tinha razões para querer que o mundo não tivesse um sentido; conseqüentemente, pressupus que não tivesse, e, sem qualquer dificuldade, consegui encontrar motivos satisfatórios para essa pressuposição. O filósofo que não encontra sentido algum no mundo não esta preocupado exclusivamente com uma questão de metafísica pura; também se interessa em provar que não existem razões válidas devido às quais não se deva fazer o que quer, ou pelas quais seus amigos não devam tomar o poder político e o governo da maneira que acharem mais vantajosa para si mesmos... Quanto a mim, a filosofia da ausência de sentido foi basicamente um instrumento de libertação, tanto sexual como política".

Bertrand Russelí é o exemplo de um ateísta inteligente que não examinou cuidadosamente as provas em favor do cristianismo. Em seu livro Why I Am Not a Christian (Por que não sou cristão) é óbvio que ele nem mesmo levou em consideração as provas da ressurreição de Jesus, e, por seus comentários, é de se duvidar que tenha alguma vez corrido os olhos pelo Novo Testamento. Parece uma incoerência que um homem como esse não analisasse detalhadamente a ressurreição, visto que ela é o fundamento do cristianismo.

João 7:17 nos assegura que: "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se falo por mim mesmo."

Se alguém estudar as afirmações de Jesus Cristo, desejoso de saber se são verdadeiras, querendo seguir Seus ensinos caso sejam verdade, ele certamente saberá. Mas não é possível estudar sem disposição para aceitar e, ainda assim, esperar descobrir a verdade.

O Filósofo francês Pascal escreveu: "As provas em favor da existência de Deus e do seu poder são mais do que suficientes, mas aqueles que insistem em não ter qualquer necessidade dEle nem das provras, sempre encontrarão maneiras de desconsiderar a proposta"

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Fonte:

Josh McDowell, "Evidências que Exigem um Veredito - Vol.I", ed. Candeia; pg.2-16.