sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Os Fósseis entram em cena

“Era preciso trabalhar rápido. A idéia de que a Terra era um planeta velho não resistiria por muito tempo a ausência de evidências concretas e visíveis dessa suposta realidade. Procurava-se, portanto, algo na natureza que não só confirmasse as suspeitas de Hutton, mas que também nos indicasse, em números absolutos, a idade do nosso planeta.

No tempo de Darwin, os fósseis já começavam a despontar como a grande esperança da teoria da evolução. A expectativa era no sentido de que o registro geológico pudesse nos apresentar evidências significativas de que as espécies realmente evoluíram, umas a partir das outras. Observe como Darwin se expressou a esse respeito em seu livro “A origem das Espécies”:

”Não devemos esperar encontrar, no presente, numerosas variedades transicionais em cada região, ainda que elas tenham existido e devam se encontrar imersas na condição de fósseis”.(1)

Em outras palavras, as comprovações da teoria da evolução ainda estavam por surgir, mas o cenário já estava montado: a Terra era mesmo velha, a filosofia uniformitarista de Hutton era uma realidade, e isso significava que a história do planeta podia ser estudada a partir dos estratos geológicos que teriam se acumulado, um após outro, através de incontáveis anos.

Foi nesse contexto que surgiu a idéia de que certos fósseis eram representativos de determinadas épocas e, por isso, podiam ser utilizados para caracterizar o estrato em que se encontravam. Como os estratos não se diferenciam entre si pela composição química ou física dos sedimentos neles contidos, a idéia pareceu interessante a algumas pessoas, sobretudo porque permitia, se não datar as camadas geológicas, pelo menos ordená-las cronologicamente. Nasciam, desse modo, os fósseis-índices e, com eles, a biocronologia.

A “nova” metodologia, entretanto, trazia consigo um impasse: ela se apoiava inteiramente na teoria da evolução. Se a evolução das espécies fosse uma realidade, então talvez pudéssemos utilizar o contexto fóssil de um dado estrato para fazer uma avaliação de sua idade. Mais tarde, foram desenvolvidos outros métodos de datação, mais sofisticados do ponto de vista tecnológico, fazendo uso de complicados cálculos matemáticos e medições extremamente delicadas. De algum modo, porém, a biocronologia permaneceu, não como meio alternativo de datação, mas como instrumento de aferição e de comprovação da validade de outros métodos.
Torna-se evidente, pois, que os únicos índices geocronológicos racionais disponíveis são os fundamentos bioestratigraficamente, i.e., os biocronológicos.(2)

Em outras palavras, somente os fósseis merecem crédito como critério para a determinação do tempo na história da Terra. Outros elementos, tais como características físico-químicas, posição de estratos, ou mesmo métodos sofisticados como os métodos radiométricos de datação podem servir como dados complementares, mas são os resultados fornecidos pelos fósseis-índices que prevalecem em caso de qualquer dúvida ou discordância.

Entretanto, para que um fóssil seja classificado como fóssil-índice é necessário que sua presença seja específica de um certo estrato geológico, admitindo vestígios ou raras ocorrências desse fóssil em estratos imediatamente anteriores ou posteriores. Tais fósseis, então, arranjados de modo que os estratos que os contêm sejam considerados mais antigos quanto mais simples estes fósseis são em suas estruturas orgânicas, não importando a ordem em que esses estratos aparecem na natureza.

Assim, fica estabelecida uma seqüência de estratos denominada coluna geológica, que é utilizada para se avaliar a posição de um dado estrato em qualquer região do planeta. Basta que se procure, no estrato a ser avaliado, um fóssil-índice, cuja presença irá determinar sua posição na coluna.

Caso se encontre um estrato supostamente mais antigo sobre outro considerado mais jovem, algum tipo de explicação terá que ser dada para justificar a inversão. O recurso a movimentos na Crosta da Terra é uma dessas explicações, mas o que evolucionista não admitem é que se questione a evidência obtida a partir dos fósseis-índices. Isto significa que a teoria da evolução é a base de todos esses conceitos, o que caracteriza a fragilidade da geologia histórica.

Tudo isto traz à cena um óbvio raciocínio circular que, do ponto de vista lógico, não poderia jamais ser admitido em um contexto científico. Evolucionista, via de regra, afirmam que o registro paleontológico é uma das mais significativas evidências da evolução. Entretanto, as seqüências de fósseis apresentadas pelos livros de paleontologia fundamentam-se nas idades geológicas que, por sua vez, foram construídas como uma interpretação da história da Terra sob a pressuposição de que a teoria da evolução era verdadeira.

”O leigo de visão tem, por longo tempo, suspeitado de um raciocínio circular no uso de rochas para datar fósseis e de fósseis para datar rochas. O geólogo nunca se preocupou em pensar numa boa resposta, supondo que as explicações não valem o esforço, desde que o trabalho produza resultados. Isto, obviamente, é pragmatismo obstinado”. (3)

É surpreendente observar que brilhantes homens de ciência da atualidade não conseguem perceber a circularidade desse tipo de raciocínio. Esses homens foram treinados em sua formação acadêmica para aceitar somente aquilo que pode ser demonstrado verdadeiro do ponto de vista científico. Como explicar essa disposição de aceitar o que obviamente contraria todo o dispositivo lógico em que a ciência se baseia?”

Cristiano P. da Silva Neto

Referências:
1. C. Darwin, The Origino f Species, Great Books, vol.49, 1978, pg.80.
2. T. G. Miller, ”Time in Stratigraphy”, Paleontoly 9, 1965, p.119.
3. J. E. O´Rourke, Pragmatism Versus Materialism in Stratisgraphy”, American Journal of Science, Vol.276, 1976, p.48.


Extraído do livro ”Datando a Terra: Perspectiva Criacionista” de Cristiano P. da Silva Neto; Ed.Origens; pg.21-25.

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