domingo, 30 de agosto de 2015

Jesus apareceu para dez, onze ou os doze?

Dez.
Jo 20:19-24

Onze. Mt 28:16, Mc 16:14, Lc 24:33, 24:36

Doze. I Co 15:5

Descontradizendo I Co 15:5:
”e que foi visto por Cefas e depois pelos doze”.

Bom, parece ser meio óbvio que os doze aqui não incluía Judas, pois este já havia morrido. O décimo segundo apóstolo aqui descrito era Matias (At 1:26).
Leiam o contexto:
5 – ”e que foi visto por Cefas e depois pelos doze”.
6 – ”Depois, foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também”.
7 – ”Depois, foi visto por Tiago, depois, por todos os apóstolos”
8 – ”e, por derradeiro de todos, me apareceu também a mim, como a um abortivo”.

Quando Paulo escreveu sua carta aos Coríntos, Matias já havia substituído Judas. E, Matias era uma testemunha ocular da ressurreição de Jesus conforme At 1:21-23:
21 – ”É necessário, pois, que, dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós,”
22 – ”começando desde o batismo de João até ao dia em que dentre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição”.
23 – ”E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias”.

Portanto, Nos Evangelhos, quando se referem aos onze, Matias não está incluído. Foi após a ascensão que Matias foi incluído entre os onze e chamado o décimo segundo apóstolo, entrando no lugar de Judas.

Por isso, Paulo diz que Jesus apareceu aos doze, pois Matias era uma testemunha ocular de que Jesus havia ressuscitado.

Descontradizendo os Evangelhos:
João deixa claro que houveram três encontros de Jesus com seus discípulos:
Jo 21:14 – ”E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos depois de ter ressuscitado dos mortos”.

Partindo disso, ele descreve que houve um primeiro encontro em que Tomé não estava presente (Jo 20:19-23). João também diz no vs.18: ”Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor e que ele lhe dissera isso”. Se o texto diz que elas haviam dito tudo o que Jesus lhes dissera, isto significa que eles já sabiam que era para se encontrarem com Jesus na Galiléia. Portanto, este primeiro encontro foi em Jerusalém. Ao ouvirem o que as mulheres tinham dito, obedeceram e foram se encontrar com Ele na Galiléia. Não há razão nenhuma para acreditarmos que eles tenham ficado mais uma semana em Jerusalém, para que, somente depois de Jesus aparecer a Tomé é que foram se encontrar com Jesus na Galileía.

Fala também de um segundo encontro em que Tomé estava presente. Este possivelmente foi na Galiléia. Pois, Mateus relata um segundo encontro quando os onze estavam presentes:
Mt 28:16-17 – ”E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram”.

Mateus diz que os onze estavam presentes neste encontro. E mesmo Jesus aparecendo a Eles, Mateus diz que alguns ainda duvidavam. Isto é confirmado por João no capítulo 20:27 – ”Depois, disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente”.

A NVI traduz de uma forma mais clara o mesmo texto:
”E Jesus disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia”.

Ou seja, parece que mesmo diante de Jesus ressurreto, Tomé ainda não acreditava plenamente no que estava diante dos seus olhos. E só depois de tocar nas feridas de Jesus é que ele se convence em definitivo.

Portanto, o relato de Mateus está correto ao afirmar que alguns ainda duvidavam mesmo diante de Jesus ressurreto.

O mesmo podemos dizer de Marcos:
Mc 16:14 – ”Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado”.

Ou seja, primeiro de tudo, o texto diz que os onze estavam presentes. E segundo, o texto diz que Jesus repreende a incredulidade, pois alguns já eram testemunhas dele ressurreto. E quem era o único que não tinha testemunhado ainda a sua ressurreição? Tomé! Então, Marcos também está descrevendo o segundo encontro na Galiléia.

Lucas diz que o primeiro encontro ocorreu em Jerusalém:
Lc 24:33 – ”E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém e acharam congregados os onze e os que estavam com eles,”

Quando os dois discípulos chegaram e contaram aos onze, Tomé certamente estava presente. Porém, João descreve que quando Jesus se apresenta entre eles, Tomé não estava presente no momento:

Jo 20:24 – ”Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus”.
Comparem também:

Lc 24:36-40 – ”E, falando ele dessas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés”.

Jo 20:19-20 – ”Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco! E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor”.

Isto significa, que Lucas confirma que, quando Tomé estava ausente, ele também mostrou aos discípulos suas feridas. E depois mais, tarde (uma semana depois), mostrou-as novamente a Tomé na Galiléia (conforme o relato de João).

João relata então um terceiro encontro no capítulo 21 à margem do mar de Tiberíades.

Obs1: João não relata a ascensão de Cristo.

Obs2: Lucas diz que a ascensão ocorreu nas proximidades de Betânia (24:50-52). Porém, isto só ocorreu depois do terceiro encontro descrito por João.

Obs3: Marcos nos traz o seu relato final de uma forma bem reducionista: Mc 16:19-20 – ”Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!”.

• Note que ele não menciona que a ascensão ocorreu em Betânia. A impressão lendo o texto, é de que isto teria ocorrido na Galiléia, durante o segundo encontro. Porém, a luz de Lucas 24, a ascensão ocorreu nas proximidades de Betânia.

Obs4: Mateus não menciona a ascensão.

Conclusão:
1. No primeiro encontro, Jesus encontrou apenas dez dos discípulos. Tomé não estava. Portanto João está correto em seu relato.
2. No segundo e no terceiro encontro, os onze discípulos estavam presentes. Portanto, Mateus, Marcos e Lucas estão corretos. Pois não estão falando do mesmo primeiro encontro que João relata.
3. E Paulo também está correto em seu relato pois acrescentou Matias aos onze conforme At 1.
Portanto, não há nenhuma contradição!


Pipe

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cristianismo é Plágio do Mitraísmo?


Uma apologia, por Dr. Norman Geisler.

Alguns críticos contemporâneos do cristianismo argumentam que essa religião não é baseada na revelação divina, mas foi emprestada das religiões de mistério, tais como o mitraísmo. O autor mulçumano Yousuf Saleem Chishti atribui doutrinas como a divindade de Cristo e a expiação a ensinamentos pagãos dos pais da igreja.

Teoria de fonte pagã. Chishti tenta demonstrar a vasta influência das religiões de mistério sobre o cristianismo:

“A doutrina cristã da expiação de pecados foi altamente influenciada pelas religiões de mistério, principalmente o mitraísmo, que tinha seu filho de deus e mãe Virgem, crucificação e ressurreição após expiação dos pecados da humanidade e, finalmente, sua ascensão ao sétimo céu.”

Ele acrescenta:
Quem estudar os ensinamentos do mitraísmo juntamente com os do cristianismo, certamente se surpreenderá com a afinidade que é visível entre eles, tanto que muitos críticos são obrigados a concluir que o cristianismo é o fac-símile ou a segunda edição do mitraísmo (Chishti, p.87).

Chishit descreve algumas semelhanças entre Cristo e Mitra: Mitra foi considerado o filho de Deus, foi um salvador e nasceu de uma virgem, teve doze discípulos, foi crucificado, ressuscitou dos mortos no terceiro dia, expiou os pecados da humanidade e voltou para o seu pai no céu (ibid.,87-8).

Avaliação: Uma leitura honesta do NT demonstra que Paulo não ensinou uma nova religião nem baseou-se em mitologia existente. As pedras fundamentais do cristianismo são tiradas claramente do judaísmo em geral e da vida de uma personagem histórica chamada Jesus.

Jesus é a origem da religião de Paulo. Um estudo cuidadoso das epístolas e dos evangelhos revela que a fonte dos ensinamentos de Paulo sobre a salvação era o AT e os ensinamentos de Jesus. Uma comparação simples dos ensinamentos de Jesus e Paulo demonstrará isso.

Ambos ensinaram que o cristianismo cumpria o judaísmo. Paulo, como Jesus, ensinou que o cristianismo era um cumprimento do judaísmo. Jesus declarou:

“Não pensem que vim abolir a Lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt 5.17). Jesus acrescentou:“A lei e os Profetas profetizaram até João. Desse tempo em diante estão sendo pregadas as boas novas do Reino de Deus, e todos tentam forçar sua entrada nele.É mais fácil os céus e a terra desaparecerem do que cair da lei o menor traço." (Lc.16.16,17).

O cristianismo de Paulo e de Jesus é bom conhecedor do judaísmo e está completamente alheio às seitas de mistério. Paulo escreveu aos romanos: “Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê” (Rm 10.4). Ele acrescentou aos colossenses: “Ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou a celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Cl 2.16,17).

O cristianismo ensinou que os seres humanos são pecadores. tanto Paulo quanto Jesus ensinaram que os seres humanos são pecadores. Jesus declarou: “Eu lhes asseguro que todos os pecados e blasfêmias dos homens lhes serão perdoados” (Mc 3.28). Ele acrescentou em João: “ Eu lhes disse que vocês morrerão em seus pecados.se vocês não crerem que eu Sou (aquele que afirmo ser), de fato morrerão em seus pecados.” (Jo 8.24).

Paulo declarou que todos os seres humanos são pecadores, insistindo em que “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23). Ele acrescentou em Efésios: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados”(Ef.2.1). Na verdade, parte da própria definição do evangelho era que “Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras” (1 Co 15.3).

O cristianismo ensinou que a expiação de sangue era necessária. Tanto Jesus como Paulo insistiram em que o sangue derramado de Cristo era necessário como expiação pelos nossos pecados. Jesus proclamou: “Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45).

Ele acrescentou na Última Ceia: “Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados” (Mt 26.28).

Paulo também é enfático. Afirmou que em Cristo “temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus” (Ef.1:7).

Em Romanos, acrescentou: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (5.8).Referindo-se à páscoa do AT., ele disse: “Cristo nosso Cordeiro pascal foi sacrificado” (1 Co 5.7).

O cristianismo enfatizou a ressurreição de Cristo. Jesus e Paulo também ensinaram que a morte e o sepultamento de Jesus foram completados por sua ressurreição corporal . Jesus disse:

“está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar ao terceiro dia” (Lc 24.46).

Jesus fez um desafio:
”Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias (...)Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo”( Jô 2.19,21).

Depois de ressuscitado dos mortos, seus discípulos lembraram-se do que ele disse. Então creram nas escrituras e nas palavras que Jesus havia dito (Jo 2.22;cf. 20.25-29).

O apóstolo Paulo também enfatizou a necessidade da ressurreição para a salvação.

Aos romanos ele escreveu:
“Ele (Jesus) foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação”( Rm 4.25). Na verdade, Paulo insistiu que a crença na ressurreição era essencial para a salvação, ao escrever:

“Se você confessar com a sua boca que Jesus Cristo é senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dos mortos, será salvo” (Rm 10.9).

O cristianismo ensinou que a salvação é pela graça mediante a fé. Jesus afirmou que todas as pessoas precisam da graça de Deus. Os discípulos de Jesus lhe disseram: “Neste caso, quem pode ser salvo?”.

Jesus olhou para eles e respondeu: “para o homem é impossível, mas para Deus, todas as coisas são possíveis (Mt 19.25,26).

Em todo o evangelho de João, Jesus apresentou apenas uma maneira de obter a salvação graciosa de Deus: “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (3.36; v.3.16;5.24;Mc 1.15).

Paulo ensinou a salvação pela graça mediante a fé, afirmando:
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9; v. Tt 3. 5-7). Ele acrescentou aos romanos: “Todavia, àquele que não trabalha mas confia em Deus, que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça” (4.5).

Uma comparação dos ensinamentos de Jesus e Paulo sobre salvação revela claramente que não há base para especular sobre qualquer fonte dos ensinamentos de Paulo além dos ensinamentos de Jesus.

O cristianismo baseou-se no judaísmo e não no mitraísmo.

Na realidade, a mensagem de Paulo acerca do evangelho foi examinada e aprovada pelos apóstolos originais (Gl 1 e 2 ), demonstrando o reconhecimento oficial de que a sua mensagem não se opunha a de Jesus.

A acusação de que Paulo corrompeu a mensagem original de Jesus foi respondida a muito tempo por J. Gresham Machen na sua obra clássica A origem da religião de Paulo e por F. F. Bruce em Paulo e Jesus.

Origem da Trindade: A doutrina cristã da Trindade não tem origem pagã. As religiões pagãs eram POLITEÍSTAS e PANTEÍSTAS, mas os trinitários são monoteístas. Os trinitários não são TRITEÍSTAS que acreditam em três deuses separados; eles são monoteístas que acreditam num deus manifesto em três pessoas distintas.

Embora o termo Trindade ou sua fórmula específica não apareçam na Bíblia, ele expressa fielmente todos os dados bíblicos. Uma compreensão precisa do desenvolvimento histórico e teológico dessa doutrina ilustra de forma ampla que foi exatamente por causa dos perigos do paganismo que o Concílio de Nicéia formulou a doutrina ortodoxa da Trindade. Pra um tratamento breve da história dessa doutrina, v. E. Calvin Beisner, (Deus em três pessoas).Dois clássicos nessa área são G.L. Prestige (Deus no pensamento patrístico) e J.N.D. Kelly, Doutrinas centrais da fé cristã.

Mitraísmo e cristianismo. Com base nisso é evidente que o cristianismo se originou do judaísmo e dos ensinamentos de Jesus.É igualmente evidente que ele não se originou do mitraísmo. As descrições de Chishti dessa religião são infundadas. Na verdade ele não dá referências para as semelhanças que alega. Ao contrário do cristianismo, o mitraísmo é baseado em mitos. Ronald Nash, autor de O cristianismo e o mundo Helenístico, escreve:

O que sabemos com certeza é que o mitraísmo, tal como seus competidores entre as religiões de mistérios, tinha um mito básico. Mitra supostamente nasceu quando emergiu de uma rocha; estava carregando uma faca e uma tocha e usando um chapéu frígio. Lutou primeiro contra o Sol e depois contra um touro primevo, considerado o primeiro ato da criação. Mitra matou o touro, que então se tornou a base da vida para a raça humana (Nash, p.144).

O cristianismo afirma a morte física e ressurreição corporal de Cristo. O mitraísmo, como outras religiões pagãs, não tem ressurreição corporal. O autor grego Ésquilo resume a visão grega: “Quando a terra tiver bebido o sangue de um homem, depois de morto, não há ressurreição”. Ele usa a mesma palavra grega para ressurreição , anastasis , que Paulo usa em 1 Coríntios 15 (Ésquilo, Eumenides, p.647).Nash observa:

“Alegações da dependência cristã primitiva do mitraísmo foram rejeitadas por várias razões. O mitraísmo não tem conceito da morte e ressurreição de seu deus nem lugar para qualquer conceito de renascimento – pelo menos durante seus primeiros estágios(...) Durante os primeiros estágios da seita, a idéia de renascimento seria estranha à sua visão básica (...) Além disso, o mitraísmo era basicamente uma seita militar. Portanto é preciso ser cético com relação à sugestões de que tenha atraído civis como primeiros cristãos.

Mitraísmo - encerrando o caso.
Conclusão Todas as alegações de dependência cristã para com as religiões gnósticas e de mistério foram rejeitadas por especialistas em estudos bíblicos e clássicos. O caráter histórico do cristianismo e a data antiga dos documentos do NT não oferecem tempo suficiente para desenvolvimentos mitológicos. E há uma falta absoluta de evidência antiga para apoiar tais idéias.o teólogo britânico Norman Anderson explica:

” A diferença básica entre o cristianismo e as religiões de mistério é a base histórica de um e o caráter mitológico das outras. As divindades das religiões de mistério eram apenas “figuras nebulosas de um passado imaginário”, enquanto o cristo que o kerigma apostólico proclamou que viveu e morreu poucos anos antes dos primeiros documentos do NT serem escritos. Mesmo quando o apóstolo Paulo escreveu sua primeira carta aos Coríntios, a maioria das cerca de quinhentas testemunhas da ressurreição ainda estava viva.(Anderson, p. 52-3).

Também há evidências que revelam que a informação de que Mitra teria sido crucificado, morrido, ressuscitado e ascendido, surgiu por volta de 400 d.C. Ou seja. A crença na crucificação e ressurreição de Mitra pode ter sido baseada no cristianismo.

Fonte:

"Enciclopédia de Apologética", Norman Geisler, Ed. Vida; pg.606-608;

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Livro: "Os Fatos Sobre Criação e Evolução" de John Ankerberg & John Weldon

Descobertas científicas recentes e debates didáticos acalorados colocaram a controvérsia criação/evolução novamente sob a luz dos refletores. Examine, sob uma nova perspectiva, as perguntas mais importantes sobre este assunto fascinante:

• A teoria da evolução é realmente científica?
• O criacionismo é apenas religioso?
• Até que ponto a teoria da evolução influenciou o mundo moderno?
• A evidência está a favor da criação especial ou contra ela?
• Quais as implicações morais e sociais da evolução?


Acompanhe os respeitados pesquisadores Ankerberg e Weldon na abordagem do tópico que influencia todos os outros as origens do Universo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Se Jesus testifica a ele próprio, o testemunho dele é verdadeiro?

Não.
Jo 5:31 - Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.

Sim.
Jo 8:14 - Respondeu Jesus e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde vim, nem para onde vou.

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Descontradizendo:
Segundo a Bíblia de Estudo NVI, "os judeus exigiam mais de um testemunho para condenar ou justificar uma declaração". Por isso Jesus diz:

Jo 5:31 - "Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro".

e continua...:
32 - "Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro".
34 - "Eu, porém, não recebo testemunho de homem, mas digo isso, para que vos salveis".
36 - "Mas eu tenho maior testemunho do que o de João, porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço testificam de mim, de que o Pai me enviou".
37 - "E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer;"

Ou seja, havia a necessidade de mais de um testemunho para que fosse validado suas palavras.
Voltando um versículo também temos Jo 8:13 - "Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro".

Jesus então responde:
Jo 8:14 - "Respondeu Jesus e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde vim, nem para onde vou".

Continuando o contexto:
16 - "E, se, na verdade, julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai, que me enviou".
17 - "E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro".
18 - "Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou".

Concluindo:
Observe as palavras de Jesus no todo:
"Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro,"

Por quê?
"... porque sei de onde vim e para onde vou;"

Ou seja, Jesus sabia que o Pai testificava dEle. Os judeus não aceitavam isto porque não conheciam o Pai.

Continuando o contexto:
"E, se, na verdade, julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai, que me enviou".
Ou seja, ele aqui confirma que o testemunho dEle não é apenas dEle. O seu testemunho conta com o testemunho do Pai, ou seja, duas pessoas.

"Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou".

Ou seja, haviam dois testemunhando. Portanto, seu testemunho é verdadeiro!

Conclusão:
O testemunho de Jesus só seria válido se houvesse o testemunho de uma segunda pessoa. É isso que Ele quer dizer em Jo 5:31. Por isso Ele reivindica o testemunho do Pai.

No contexto de Jo 8:14, Ele novamente usa o testemunho do Pai como suporte para validar o seu testemunho.


Portanto, não há nenhuma contradição!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Diabo - Quem ele é, e/ou era?



Perguntas enviadas por Eduardo:

1. O diabo era um anjo?
A resposta: Pelo menos é o que a Bíblia revela em alguns textos:

Jó 1:6 - "Certo dia os anjos vieram apresentar-se ao Senhor, e Satanás também veio com eles".

Mt 25:41 - "Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ´Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos".

Veja que ele é sempre colocado junto com a palavra “anjos”.

Esta tem sido a opinião que vem de séculos nas três maiores religiões: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo.
                                          
2. Ele foi um anjo que se revoltou contra Deus?
Sim, apesar da Bíblia não falar claramente a respeito disto. Fica implícito que se trate de um anjo que caiu do seu estado original:

Lc 10:18 - "Ele respondeu: "Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago".

Jd 6 - "E, quanto aos anjos que não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, ele os tem guardado em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande dia".

e outros textos mais que demonstram que de fato ele caiu do seu estado original de anjo de luz.

3. Ele era o "regente da orquestra celestial"?
Bom, esta história é bem falada no meio evangélico. O texto de onde esta ideia foi extraída se trata de uma interpretação forçada deste texto:

Ez 28:13“Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados”.

Se especula que a parte que diz “em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros” logo significa que o diabo era regente da orquestra celestial.

4. "Por isso o ministério de música é o mais atacado nas igrejas"?
O ministério de música não é o mais atacado pelo Diabo. É o mais atacado pelos super-egos do músicos e não pelo diabo.

O inimigo do ministério de música é o meu próprio ego. O mais se trata apenas de questões normais em qualquer relação humana. Conviver não é fácil e nem sempre as coisas acontecem como desejamos.

Quem fala este tipo de coisa deveria ir perguntar para os evangelistas de rua, os missionários na janela 10/40 (região islâmica), etc... se eles também não são ou até, mais atacados pelas investidas do diabo.

5. O nome dele é Lúcifer?
Is 14:12 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã (Lúcifer), filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!"

"Lúcifer (em latim, ´portador da luz`) - Esse era o nome latino para o planeta Vênus, o objeto mais brilhante do céu, excetuando o sol e a lua, que algumas vezes aparece de noite, e outras vezes de manhã, como estrela matutina.

Em Isaías 14:12 aparece como tradução do vocábulo helel (´brilhante`: a septuaginta traduz por heosphoros, ´portador da luz`; cf. o árabe para Vênus, zuhratum, ´o brilhante resplandecente`), sendo título aplicado insultosamente ao rei da Babilônia, o qual, em sua glória e pomposidade, se considerava entre os deuses.

Esse nome é apropriado em vista do fato que a civilização da babilônia teve início na madrugada cinzenta da história, e tinha fortes ligações astrológicas. Os babilônicos e assírios costumavam personificar a estrela matutina como Belite e Istar.

A similaridade da descrição dessa passagem bíblica com outros trechos como Lc 10:18 e Ap 9:1 (cf.12:9) tem levado à aplicação desse título a Satanás.

Lc 10:18 - "E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu.

Ap 1:9 - "E o quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo".

Mas o verdadeiro candidato a esse título, conforme é demonstrado em Ap 22:16, é o Senhor Jesus Cristo em sua glória que agora tem, depois da sua ascensão.

Ap 22:16 - "Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a resplandecente Estrela da manhã (Lúcifer)".


Fonte: "O Novo Dicionário da Bíblia"; organizado por J. D. Douglas; ed. Vida Nova; pg.967.

domingo, 23 de agosto de 2015

DIVULGAÇÃO DA "VERDADE SOBRE O DILÚVIO" PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO


A revista "National Geographic Magazine" publicou em seu número de julho de 2000 notícias sobre descobertas efetuadas no fundo do Mar Negro por pesquisadores, que foram associadas a evidências de uma inundação catastrófica que deveria ter ocorrido há cerca de 7.000 anos, segundo certos cálculos.

Logo no dia 29 de julho, as operadoras de TV por assinatura estavam veiculando um vídeo com intensa propaganda através dos meios de comunicação, com manchetes alusivas a "Uma catástrofe que mudou o mundo" e "O dilúvio de Noé - Em busca da verdade".

Lamentavelmente, acabou sendo apresentada como verdade uma catástrofe local, ficando o dilúvio universal relegado à posição de um mito ligado à "ira dos deuses", originado naquele episódio do mar Negro.

Os artigos apresentados a seguir visam resgatar o caráter verdadeiramente universal da catástrofe relatada no texto bíblico.

O DILÚVIO UNIVERSAL E O MAR NEGRO
Gary A. Byers

O Mar Negro
Não existindo sólidas evidências sobre o local do pouso da arca, uma interessante consideração foi feita a respeito do Mar Negro, situado a cerca de 800 quilômetros de distância do moderno Monte Ararate. Nesse local, em 1.999, algumas semanas após a descoberta do mais antigo naufrágio do mundo em águas profundas, no Mediterrâneo oriental, o explorador marinho Bob Ballard dirigiu outra pesquisa submarina patrocinada pela "National Geographic Society". Famoso pelas suas descobertas anteriores dos navios Titanic, Bismark, e Yorktown, Ballard atua hoje como"explorador residente" da "National Geographic Society", e dirige o "Institute for Exploration".

Os esforços de Ballard deram continuidade a vários anos de pesquisas arqueológicas submarinas e em terra firme, na região de Sinop no Mar Negro. Em 1.998, uma expedição submarina havia identificado uma série de estruturas aparentemente construídas pelo homem. Mas foi somente em setembro de 2.000 que foram descobertas claras evidências de artefatos e estruturas feitas pelo homem, que foram fotografadas e mapeadas pela equipe de Ballard.

Um antigo dilúvio
A descoberta de Ballard complementou a pesquisa de William Ryan e Walter Pitman, relatada em seu livro "Noah's Flood" (1.999). Trabalhando ao longo do litoral norte do Mar Negro, eles propuseram a ocorrência de um imenso derretimento glacial em 5.500 A.C. (7.500 anos atrás), que elevou o nível dos oceanos em todo o mundo em dezenas de metros. De acordo com Ryan e Pitman, essa imensa inundação foi a base para a história bíblica sobre o dilúvio nos tempos de Noé.

Os "Associates for Biblical Research", embora acreditem que existam evidências científicas a favor do dilúvio bíblico universal, não acreditam que Ballard, Ryan e Pitman as tenham descoberto. Ballard descobriu evidências impressionantes de uma imensa inundação no passado, mas nenhum dos três pesquisadores acredita que elas sejam evidências de um dilúvio universal. E nós também concordamos com eles. O dilúvio universal foi de tal proporção que alterou completamente a superfície da Terra, e criou o leito geológico do Mar Negro. Esta inundação ocorreu após o dilúvio universal.

As descobertas de Ballard são deveras interessantes e oferecem uma singular visão de uma civilização antiga. É necessário que as pesquisas continuem para que se consiga datar a estrutura e identificar o povo que viveu no local. A inundação de Ballard foi impressionante, mas o dilúvio bíblico foi muito maior!

O DILÚVIO DO MAR NEGRO FOI O DILÚVIO DE GÊNESIS?
Carl R. Froede Jr., P. G.

Evidências geológicas obtidas em amostras de rochas sedimentares retiradas do fundo do Mar Negro indicam a presença de flora e fauna que sugerem que a área no passado foi um lago de água doce bem menor. Recentemente foi proposto por alguns cientistas uniformistas que comunidades humanas pré-históricas vivendo nas adjacências desse lago foram rapidamente destruídas quando o Mediterrâneo transbordou e inundou o Mar Negro com água salgada. Alguns geólogos marinhos acreditam que esse evento foi a base para a história bíblica do dilúvio.
Entretanto, nenhum dos trabalhos que estão sendo dirigidos por esses pesquisadores tem qualquer relação com o dilúvio relatado nas Escrituras. Minha proposição é que as habitações submersas no mar Negro (se realmente forem habitações) representam comunidades pós-diluvianas que sofreram impacto adverso da rápida elevação do nível do mar, associada com o fim da Idade Glacial. O transbordamento do Mediterrâneo no Mar Negro forçou os habitantes das comunidades adjacentes às águas do pequeno lago de água doce a migrarem para regiões mais elevadas.

Conclusão
A descoberta de vilas submersas no Mar Negro (se novas pesquisas as confirmarem) possivelmente registra a elevação do nível do mar após o clímax da Idade Glacial. Muitas dessas comunidades humanas pós-diluvianas foram obrigadas a se deslocar de suas habitações devido ao rápido aumento do nível do mar associado ao fim da Idade Glacial. As estruturas que Ballard e outros puderam identificar no Mar Negro nada têm a ver com o dilúvio bíblico; ao contrário, elas refletem comunidades pós-diluvianas que viveram nas proximidades de uma fonte de alimentos e água.

Geólogos marinhos e oceanógrafos só agora estão começando a pesquisar estruturas submersas associadas com povos que se deslocaram devido ao aumento do nível do mar. Estou convicto de que muitas mais serão descobertas, especialmente ao longo do litoral que sofreu impacto devido à rápida elevação do nível do mar associado ao término da Idade Glacial. Brian Rucker e eu identificamos muitos desses sítios ao longo da costa da Flórida. Nada do que foi descoberto no Mar Negro defende a hipótese do dilúvio feita por Ryan e Pitman. Apenas tudo mostra que a Terra foi muito diferente durante a Idade Glacial. A elevação do nível do mar no final da Idade Glacial, que foi um evento recente, fez mais do que simplesmente elevá-lo globalmente - ela deslocou várias comunidades estabelecidas durante a Idade Glacial.

O DILÚVIO: APENAS UMA CÁTASTROFE LOCAL?
William H. Shea

Um exame da evidência arqueológica e das tradições lingüísticas e literárias mostra que a simples inundação de um vale da Mesopotâmia não pode explicar adequadamente o dilúvio bíblico.

Criacionistas e evolucionistas discordam quanto ao dilúvio. Os criacionistas argumentam que a Bíblia é um documento divinamente inspirado e que seu registro do dilúvio descreve um acontecimento histórico real, um dilúvio universal. Os evolucionistas respondem à narrativa bíblica de diversos modos.

Alguns a rejeitam como não histórica e indigna de consideração séria. Outros, contudo, dão uma explicação que não concorda com a opinião criacionista.

Sugerem que houve um acontecimento histórico que fornece a base para a história, mas que a história tem sido muito exagerada em relação ao acontecimento original. Pensam que houve uma inundação local grave no rio Tigre ou no Eufrates (ou em ambos), e que essa inundação foi ampliada de tal modo que quando o relato chegou ao escritor ou escritores bíblicos, foi considerado um dilúvio universal.

EVIDÊNCIAS GEOLÓGICAS DO DILÚVIO DE GÊNESIS
Ariel A. Roth

Um acontecimento como o dilúvio narrado em Gênesis haveria de deixar evidência significativa nas camadas de rochas da Terra. Quando essas camadas são examinadas, grande número de descobertas importantes sugere uma interpretação na base da ocorrência de um dilúvio. Durante um dilúvio universal, havia-se de esperar atividade catastrófica tão rápida quanto extensa, e pode-se ver tal evidência. Devemos ter em mente, porém, que, ao tratar de um acontecimento passado como o dilúvio, estamos lidando com interpretações e não com observações diretas.

Fonte:

sábado, 22 de agosto de 2015

A Misteriosa Rocha do Decálogo


Ao pé de uma montanha no Estado de Novo México, E.U.A., a oeste da localidade de Los Lunas, há uma rocha de 70 toneladas com inscrições cinzeladas que antes eram um mistério para os indígenas do lugar, e agora o é também para os arqueólogos, historiadores e outros.

Em 1800 os índios informaram aos brancos a existência dessa rocha. Os brancos de então não conseguiram ler as inscrições, e só recentemente os eruditos se aperceberam que a escrita era hebraico-fenícia, quase idêntica ao alfabeto usado na Pedra Moabita.

A segunda surpresa foi que a inscrição é o Decálogo. Tinha algumas pequenas abreviações, porém eram os 10 mandamentos de Êxodo 20.

O geólogo George Morehouse calculou que a inscrição tem 3.000 anos, o que a leva ao tempo do rei Salomão. Talvez I Reis 9:26-27 ajude a explicar como os hebreus chegaram às Américas 1000 anos antes da era cristã.

A Sociedade de Epigrafia fez uma tradução certificada da inscrição, pois a descoberta afeta muitos detalhes da história antiga e do mundo conhecido antes de Colombo.

Veja mais em:

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Livro: "Examine as Escrituras" de Ralph O. Muncaster

Editora CPAD

Escrito por um ex-ateu, a abordagem prática e integrada desta obra lhe conduzirá através das principais evidências que confirmam a fé cristã, tais como: a existência de Deus na criação, a confiabilidade da Bíblia, as profecias bíblicas sobre Deus e Jesus, a ressurreição de Jesus, lista de perguntas para evolucionistas, e muito mais...

Um curso completo e projetado para preparar pessoas a responderem perguntas específicas com respostas rápidas.


Autor: Ralph O. Muncaster é PhD em Educação e Administração de Negócios Religiosos na Universidade Internacional para Estudos Diplomados e Gordon-Conwell Seminary. Escreveu 26 livros com temas apologéticos e teológicos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A Teia da Aranha

Por Rivelino V. D. Montenegro

À medida que se aprofunda o conhecimento científico sobre as estruturas e mecanismos dos seres vivos, encantamonos cada vez mais com a complexidade e a funcionalidade de tais sistemas biológicos, mesmo entre aqueles considerados “simples” ou “primitivos”.

O termo Biomimética se tornou comum nos meios científicos, e se refere ao trabalho de diversos cientistas (engenheiros, químicos, físicos, biólogos, etc.) que tentam copiar os processos biológicos e aplicá-los em diferentes áreas tecnológicas e científicas.

Introdução
A história está repleta de exemplos de engenheiros, cientistas e artistas que se inspiraram na natureza. Dentre eles, podemos citar os irmãos Wright, que voaram após observar o vôo rasante dos abutres. Inspirado na estrutura dos ossos, Eiffel projetou a famosa torre que leva o seu nome, e que suporta seu enorme peso em suas curvas presas de cobras, e o velcro, que foi baseado no campo. E mais recentemente, tintas que elegantes (1).

Outros exemplos são as pontas o mesmo princípio daqueles carrapichos que imitam a superfície da flor de Lótus, sendo de agulhas hipodérmicas moldadas como grudam nas meias durante uma caminhada dessa forma tintas auto-limpantes.

Neste campo científico, um dos produtos naturais que mais chamam a atenção é a teia de aranha. Inúmeros cientistas em todo o mundo tentam copiar as propriedades da seda que a aranha produz e, de maneira muito mais interessante ainda, tentam reproduzir o método que as aranhas utilizam para fabricar a teia.

A tenacidade, a resistência e a elasticidade desta seda continua a intrigar os cientistas, que se perguntam o que dá a este material natural suas qualidades inusitadas. Mais fina que um fio de cabelo, mais leve que o algodão, e (nas mesmas dimensões) mais forte que o aço, a teia ”atormenta” os cientistas que tentam copiar suas propriedades, ou sintetizá-la, para produção em larga escala. Várias aplicações desse novo material surgem na mente dos pesquisadores, tais como roupas e sapatos à prova d’água, cabos e cordas, cintos de segurança e pára-quedas mais resistentes, revestimento anti-ferrugem, pára-choques para automóveis, tendões e ligamentos artificiais, coletes à prova de balas, etc (2).

Um fio comum da seda de teia de aranha é capaz de estender-se por até 70 km sem se quebrar sob seu próprio peso, e pode ser esticado até 30 ou 40 % além de seu comprimento inicial, sem se romper, enquanto o nylon suporta apenas 20 % de estiramento (3). A seda que a aranha produz tem tal resistência que se chegou à hipótese de que, caso fosse possível construir uma teia com a espessura do fio equivalente ao de uma caneta esferográfica, tal teia seria capaz de parar um Boeing 747 em pleno vôo! (3, 4)

Os fios de seda da teia de aranha já foram usados antigamente nos retículos de lunetas astronômicas, micrômetros e outros instrumentos ópticos.Algumas tribos da América do Sul empregaram as teias de aranha como hemostático em feridas. Pescadores da Polinésia usam o fio da aranha Nephila, que é exímia tecedeira, como linha de pescar. Em Madagascar, nativos capturavam as aranhas Nephila, e obtinham rolos de fios, que eram usados para fabricar tecidos de cor amarelo-dourada (3). Algumas tribos na Nova Guiné usam teias de aranha como chapéu para se protegerem da chuva.

Muitas fibras sintéticas, tais como o kevlar e fibras de polietileno de altíssima densidade, atingem módulos de elasticidade (Young) e tensões de estiramento elevadíssimos, devido a
cristalinidades muito altas. Em virtude da alta cristalinidade, estas fibras tendem a ser quebradiças, não sendo assim muito resistentes quando sob compressão. O fio da teia de aranha, entretanto, apesar de não atingir os módulos de elasticidade (Young) extremamente altos de algumas fibras sintéticas, possui um alto alongamento de ruptura, e é mais forte sob compressão (5).

Há várias glândulas localizadas no abdômen da aranha, as quais produzem os fios de seda. Cada glândula produz um fio para propósitos específicos. São conhecidas sete diferentes glândulas. Cada aranha, entretanto, possui apenas algumas dessas glândulas e não todas ao mesmo tempo.
As glândulas conhecidas como Ampullaceae (Maior e Menor), são usadas para produzir os fios por onde a aranha anda. A glândula Pyriformes é usada para produção dos fios conectivos. A glândula Aciniformes produz fios para o encapsulamento da presa. A glândula Tubiliformes produz fios para os casulos. A glândula Coronatae é usada para produção de fios adesivos (6). Normalmente, a aranha tem três pares de órgãos (equivalentes a “máquinas de fiar”) que produzem os fios. Mas há aranhas que possuem apenas um par ou mesmo quatro pares destes órgãos. Há pequenos tubos, que são conectados às glândulas. O número de tubos pode variar entre 2 e 50.000. A seda da teia de aranha é constituída principalmente de uma proteína que tem peso molecular de 30.000 Daltons, enquanto dentro da glândula. Fora da glândula, ela se polimeriza para dar origem à fibroína, que tem peso molecular em torno de 300.000 Daltons (6, 3). Muitas aranhas tecedeiras reciclam suas teias. Isso acontece porque a teia tem que ser renovada freqüentemente e, como na sua fabricação é gasta uma grande quantidade de nitrogênio, a aranha se alimenta da teia para reaproveitar o nitrogênio(3).

As aranhas produzem uma série de diferentes fibras, nas quais a seqüência de aminoácidos das proteínas componentes são precisamente controladas a fim de ajustar as propriedades mecânicas de cada teia para sua função específica (7).

A matéria prima inicial que as aranhas usam para tecer a teia é uma solução líqüida cristalina, contendo proteínas, que flui facilmente pelas tubulações presentes no abdômen da aranha. A solução contém 50% de proteína, concentração que normalmente acarreta altíssima viscosidade, fazendo que o processo de tecer a teia em laboratório se torne inviável. Entretanto, as aranhas conseguem resolver este problema mantendo as proteínas numa conformação enrolada enquanto estão tecendo a teia, e só em seguida é que as proteínas deixam essa conformação enrolada, esticando-se e arranjando-se para produzir a a elasticidade final do fio (8).

Os fios de seda da teia da aranha são compósitos macromoleculares de domínios deproteínasamorfas,quepossuemligações cruzadas e são reforçadas por microcristais (ß-sheets). A quantidade de ligações cruzadas e de reforços de microcristais determina importantes propriedades mecânicas (9, 10). Por exemplo, os primeiros fios a serem tecidos, que são utilizados como bases de sustentação da teia, contêm de 20 a 30 % de cristal por volume (10, 11), formando uma fibra que é rígida (módulo de Young inicial igual a 10 GPa), forte e dura (energia para rompimento igual a 150 MJ/m3). O fio adesivo utilizado para tecer a espiral contém 5% ou menos de cristal por volume e é mecanicamente semelhante a borracha bem flexível, com baixa rigidez (módulo de Young inicial igual a 3 MPa) e alta extensibilidade (10).
Muitas companhias de biotecnologia estão interessadas no desenvolvimento de proteínas transgênicas da teia de aranha para incorporação em novos materiais (8).

A construção da teia (12)

Como a aranha constrói a sua teia?
A parte mais difícil parece ser o primeiro fio. Mas a solução é simples. A aranha produz um fio que fica preso por uma das extremidades a um ponto inicial, e a outra extremidade é levada pelo vento para então prender-se em algum outro ponto (exemplos: galho de árvores, parede, etc). Neste estágio a aranha conta com a ajuda do vento (em locais sem vento a aranha precisa carregar o fio até encontrar outro ponto de fixação). Assim, forma-se a primeira ponte. A aranha, cautelosamente, cruza o fio inicial reforçando-o com um segundo fio. O processo é repetido até que o fio esteja forte o suficiente. Depois deste fio, a aranha constrói um fio folgado e em seguida, a partir deste fio, tece um terceiro formando um Y. Estes são os primeiros 3 raios da teia. Uma armação é então construída para conectar os outros raios. Os raios da teia são então terminados. A distância entre os raios nunca é maior que o alcance da aranha. Agora o fio adesivo é traçado entre os raios a partir do centro da teia, formando a espiral.

Há muitas variações (13) na maneira das aranhas construírem suas teias; o exemplo mostrado é um dos mais simples. A forma como se constrói a teia está sujeita a vários fatores, desde a espécie de aranha até as condições do ambiente onde a teia será construída.

Há vários estudos na literatura científica sobre fatores que influenciam a construção da teia. Um dos estudos mais interessantes, realizado por cientistas da NASA, mostrou que é possível detectar a toxicidade de substâncias químicas injetando-as em aranhas e verificando como a teia é então construída. Os resultados mostraram uma relação direta entre a toxicidade das substâncias e a desorganização na construção da teia, ou seja, quanto mais tóxica a substância, mais deformada será a teia. Foram testadas drogas como maconha, cafeína e outras. No caso da cafeína, por exemplo, a aranha só conseguiu tecer alguns fios e de forma bastante aleatória.
A partir destes resultados, os pesquisadores acham ser possível, com a ajuda de um programa de computador, quantificar estes efeitos e produzir assim um novo mecanismo para teste de toxicidade (14).

Por que a aranha não fica grudada na própria teia? (15)

A aranha coloca-se no centro de sua teia e ali espera imóvel que algum inseto fique preso nela. Assim que isto acontece, a aranha orienta-se na direção do inseto e move-se sem hesitar ao longo de algum dos fios radiais, afastando-se do centro da teia para rapidamente segurar a presa. Esta ação da aranha não constitui nenhum risco para si mesma, visto que toda a seda utilizada para construir o centro, os fios radiais, e os fortes fios de sustentação, não é adesiva. Somente a seda produzida para construir a espiral que conecta os fios radiais, é coberta com uma forte cola. Contudo, quando observamos a aranha andando rapidamente ao longo dos fios radiais, ela regularmente toca a espiral adesiva com suas pernas, ao se aproximar da vítima o mais próximo possível a fim de imobilizá-la, envolvendo-a com a teia e dando-lhe uma mordida venenosa fatal.

Evidentemente, a aranha não teme ficar grudada em sua própria teia, e caminha facilmente ao longo dos fios não adesivos, bem com sobre os adesivos. Como, porém, ela é capaz disso? Para responder tal pergunta somos forçados a examinar em alta resolução as pernas de uma aranha.
O que vemos num primeiro relance são duas garras escuras e serrilhadas. Elas são usadas para se ter um bom controle sobre a superfície lisa dos galhos e folhas de árvores, entre as quais a aranha constrói a teia, e também para mover-se sobre o solo. Em frente destas garras há uma garra menor, fortemente fixada, que é cercada por um certo número de pêlos encurvados. A impressionante diferença entre estes pêlos e os demais presentes em outras partes das pernas da aranha não é apenas o fato de serem encurvados, mas também deles serem providos de um considerável número de pequenos ”espinhos”. Estes pêlos e a terceira garra exercem juntos uma função crucial na capacidade das aranhas se locomoverem em suas próprias teias.

Quando a aranha coloca a ponta de uma de suas pernas contra um fio a terceira garra é inclinada para trás e sua ponta aguda direciona-se obliquamente. O fio é empurrado contra os pêlos elásticos. Então a terceira garra gira para frente, o gancho agarra o fio, forçando o fio e os pêlos para trás. Agora a perna da aranha está segurando o fio bem firme comum a área de superfície mínima do fio em contato com os ”espinhos” dos pêlos e com a margem interna da terceira garra. Para soltar o fio, o gancho da terceira garra é simplesmente levantado e os pêlos retornam para sua posição original, empurrando o fio para longe da perna. Deste modo, mesmo um fio adesivo torna-se facilmente desprendível.

Embora este dispositivo mecânico sozinho possa ser suficiente para uma aranha de jardim mover-se livremente por sua teia sem correr o risco de ficar presa nela, pode existir ainda outro mecanismo. Em alguns livros se menciona que uma secreção oleosa cobre as pernas da aranha, impedindo-a de ficar presa nos fios adesivos. Embora esta possibilidade pareça plausível, até agora nenhuma publicação científica apoiou tal afirmação. Por enquanto, a única explicação para o fato da aranha não ficar presa à sua própria teia é o formato muito especial das extremidades de suas pernas.

Considerações Finais
As propriedades mecânicas da seda da teia de aranha são superiores à maioria das fibras sintéticas. Além do mais, a teia exibe um comportamento não usual no qual a tensão necessária para romper a teia aumenta com o aumento da deformação(16).

Associada à verdadeira engenharia aplicada na construção da teia, a complexidade com que a aranha tece e controla a composição química da teia (processos ainda longe de serem copiados) para cada finalidade bem específica, mostra o quanto tais sistemas biológicos requerem um planejamento e, portanto, um planejador.

Segundo os evolucionistas, as aranhas surgiram há aproximadamente 125 milhões de anos, porém estudos recentes mostram que a teia parece ter sofrido pouquíssimas modificações durante todas essas eras(17,18), ou seja, parece que as aranhas já surgiram com um sistema extremamente desenvolvido para solucionar o problema da sobrevivência da espécie(19), o que parece ser bastante paradoxal para a teoria da evolução!

Sim senhor! É impressionante a complexidade de uma teia de aranha. Mais impressionante ainda é alguém ter fé que surgiu por acaso este complexo.

A TEIA DE ARANHA MAIS ANTIGA CONSERVADA EM ÂMBAR?
Em um pedaço de âmbar achado no Líbano foi encontrado o tesouro mais antigo da aranha – um filamento sedoso de uma teia. Segundo os cálculos evolucionistas teria 130 milhões de anos – 90 milhões de anos mais velho que os restos paleontológicos conhecidos até agora. A teia tem 4 milímetros de comprimento e é do tipo de seda viscosa similar às fibras pegajosas que algumas aranhas modernas usam para caçar suas presas. O biólogo que o estudou, Samuel Zschokke, da Universidade de Basel, na Suíça, disse que, apesar de sua idade, tem todas as semelhanças com a teia de aranha moderna. Zschokke descreve este delicado fóssil na revista Nature de 7 de agosto. Indica que sem dúvida pertence a um ancestral das aranhas de “patas de pente” que são os aracnídeos que produzem teias viscosas sobre as árvores, e assim a teia foi englobada pela resina que exsuda da árvore. (Sc.N.Ag. 30-03).

Bibliográficas
1. Ball, P. Nature 2001, 413-416.
2. Vide o site: www.sciencenews.org/sn_edpik/ps_5.htm
3. Vide o site: www.geocities.com/~esabio/aranha/teia_e_a_seda.htm
4. Vide o site: www.xs4all.nl/~ednieuw/spiders/info/spindraad.htm
5. Valluzzi, R.; Szela, S.; Autges, P.;Kirshner, D.; Kaplan, D. J. Phys. Chem.B 1999, 103, 11382-11392.
6. Vide o site: www.xs4all.nl/~ednieuw/spiders/infoned/webthread.html
7. Zhou, Y.; Wu, S.; Conticello, V. P.Biomacromolecule 2001, 2, 111-125.
8. Mckay, D.; Davies, M. J. Trends in Biotechnology 2001, 19, 204.
9. Denny, M., The mechanical properties of biological materials, Cambrige Univ. Press 1980, 475-559.
10. Gosline, J. M. et al., Biomimetics, A/P Press. 1995, 237-261.
11. Simmons, A. H.; Michael, C. A.; Jelinski, L. W. Science 1996, 271, 84.
12. Vide o site: www.xs4all.nl/~edni…/spiders/info/construction_of_a_web.html
13. Vide o site: www.unibas.ch/dib/nlu/staff/sz/webconstructbd.html
14. Bonner, J. New Scientist 1995, 1975, 5. 17. Gatesy, J.; Hayashi, C.; Motriuk, D.;
15. Vide o site: http://www.microscopy- Woods, J.; Lewis, R. Science 2001, 077spidersilk uk.org.uk/mag/art97b/benspid.html 291, 2603.
16. Kaplan, D. American Chemical Society 18. Selden, P. Palaeontology 1990, 33, Symposium 1994, 544, 176-184.
17. Gatesy, J.; Hayashi, C; Motriuk, D.; Woods, J.; Lewis, R. Science 2001, 291, 2603.
18. Selden, P. Palaeontology 1990, 33, 257.

19. Vide o site: http://whyfiles.org/shorties/077spidersilk

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DO IMPRESSIONISMO AO SURREALISMO

(GENEALOGIA INVOLUTIVA DE UM SÉCULO DE CATASTROFISMO NA HISTÓRIA DA ARTE)
Nota Editorial da S.C.B.

Para a melhor compreensão da inserção da Arte no contexto da controvérsia entre as estruturas conceituais criacionista e evolucionista, faz-se, a seguir, um apanhado histórico das várias fases e movimentos artísticos que surgiram desde meados do século passado, mostrando-se a sua conexão com o pensamento evolucionista. Fica patente a importância dada ao caos, ao subjetivismo, e ao relativismo na criação artística que passa a sofrer a influência das concepções evolucionistas, em contraposição ao planejamento, ao propósito e ao desígnio que caracterizam as obras-de-arte provindas da elaboração criativa de fundo criacionista (mesmo estando ele somente implícito na aceitação de um absoluto que é procurado pelo artista nas formas de seu estilo pessoal).

Esta Nota Editorial proveio de uma compilação sobre a História da Arte baseada principalmente nos Volumes PINTURA IV, V e VI da coleção intitulada "História Geral da Arte", publicada pelas "Ediciones del Prado".

O Realismo e o Naturalismo
O Realismo é tão multimilenar quanto a própria Arte, tendo deixado suas manifestações nas pinturas rupestres, nas esculturas e murais mesopotâmicos, na arquitetura, nas pinturas, e nas esculturas egípcias, bem como no vale do Indo e na China. Constituindo a Arte uma excelente maneira de exploração visual, mental ou sensorial, o Realismo na pintura converte-se em um modo operativo para a apreciação direta do visível (mediante vários procedimentos, como por exemplo o traço – com seu poder definidor – ou por alguma síntese seletiva ou intensificadora de aspectos mais característicos), fazendo-nos acreditar que estamos em frente de uma representação muito "semelhante" à realidade. O Realismo supõe, assim, uma atitude sensorial, embora não exclua a possibilidade da coexistência dela com outras atitudes "mentais", "intelectuais" ou "espirituais".

Decidido a contrapor o "objetivo" ao "subjetivismo" do Romantismo, foi também o Realismo o porta-voz de inquietudes políticas, do patriotismo, e do nacionalismo. Aos poucos encontrou-se, assim, o Realismo no meio de crescentes exigências temáticas e pictóricas, e passou a preocupar-se cada vez mais com os espetáculos dos salões e certames oficiais nacionais ou internacionais, sob a mira de jurados, da imprensa e da crítica "qualificada", submetido à análise da pertinência estética, da sinceridade de motivos, da oportunidade do tema social representado, da erudição histórica, e da lição humana ou nacional pretendida.

Tanto e tão bem se pintou no século passado, que a pintura chegou a atrair cada vez mais a atenção do público, crescendo o número de espectadores e dos "entendidos". À medida em que avançava a segunda metade do século, porém, o Realismo se converteu em algo diferente, embora aparentemente semelhante ao Realismo inicial – transformou-se em Naturalismo.

Fonte: