sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Onde diz no VT a profecia de I Co 15:4? - O Debate

Por Kopher:

I Coríntios 15:4 diz que Jesus foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

Gostaria muito que os Cristãos me mostrassem (por que cansei de procurar) aonde no VT existe esta “profecia” dita em I Corintios 15:4?

Provem que esta “profecia” existe no VT (a escritura referida na passagem)!

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Respondendo (Pipe):

Bom, primeiro de tudo, se trata de duas profecias:

I Profecia:
I Co 15:3 - "... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,”.

A profecia se encontra em:
Is 53:5-6 e 11”Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós... Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniqüidade deles”.

II Profecia:
I Co 15:4 - "foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras,"

A profecia encontra-se em:
Sl 16:8-11 – ”Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado. Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranqüilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição. Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita”.

Pedro foi quem usou este texto de Salmos para afirmar que era uma profecia a respeito da ressurreição.
At 2:
24 – ”Mas Deus o ressuscitou dos mortos, rompendo os laços da morte, porque era impossível que a morte o retivesse”.
25 – ”A respeito dele, disse Davi: “ ‘Eu sempre via o Senhor diante de mim. Porque ele está à minha direita, não serei abalado”.
26 – ”Por isso o meu coração está alegre e a minha língua exulta; o meu corpo também repousará em esperança,”
27 – ”porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu Santo sofra decomposição”.
28 – ”Tu me fizeste conhecer os caminhos da vida e me encherás de alegria na tua presença’”.
29 – “Irmãos, posso dizer-lhes com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está entre nós até o dia de hoje”.
30 – ”Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que colocaria um dos seus descendentes em seu trono”.
31 – ”Prevendo isso, falou da ressurreição do Cristo, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição”.
32 – ”Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas desse fato”.

Agora leiam o próprio Paulo usando a mesma profecia como referência da ressurreição:
At 13:
4 – ”O fato de que Deus o ressuscitou dos mortos, para que nunca entrasse em decomposição, é declarado nestas palavras: “ ‘Eu lhes dou as santas e fiéis bênçãos
prometidas a Davi’.
35 – ”Assim ele diz noutra passagem: “ ‘Não permitirás que o teu Santo sofra decomposição’”.
36 – “Tendo, pois, Davi servido ao propósito de Deus em sua geração, adormeceu, foi sepultado com os seus antepassados e seu corpo se decompôs”.
37 – ”Mas aquele a quem Deus ressuscitou não sofreu decomposição”.

Agora vamos a I Co 15:
1 - "Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes".
2 - "Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão".
3 - "Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,

Obs: Paulo fala: "lhes transmiti foi o que recebi".

4 - "foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras,"
5 - "e apareceu a Pedro e depois aos Doze".

Primeiramente Paulo fala que transmitia aos coríntios aquilo que ele havia recebido. E certamente se tratava da herança apostólica.

O Evangelho que era anunciado, era o Evangelho das boas novas. Era o Evangelho testemunhado pelas testemunhas oculares. Entre elas, as principais eram os apóstolos. E foi destas testemunhas, que Paulo aprendeu que tanto Sl quanto Is eram passagens proféticas.

Conclusão:
I Co 15:4 fala de duas profecias: Is 53:5-6 e 11; e Sl 16:8-11.

Apenas para acrescentar, gostaria de deixar-lhes esta passagem:
Lc 24:
25 - "Ele lhes disse: “Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram!"
26 - Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?”
27 - "E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras".

Ou seja, foi o próprio Jesus quem lhes ensinou e lhes mostrou onde no VT dizia a respeito dEle. E simplesmente, o que fizeram foi passar adiante aquilo que o próprio Jesus os ensinou!
Portanto, está aí a resposta de onde se encontra no VT o que Paulo disse em I Co 15:4!
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Contra-argumentação (Kopher):
Isso significa que Jesus e os demais (ou seja, o NT) possuíam uma metodologia própria de interpretação das escrituras hebraica, principalmente no que se refere as "passagens messiânicas", que abrangem umas 200 passagens no AT.

A questão é se essa metodologia é válida...

Gostaria que autor do tópico comentasse o porquê dessa metodologia de interpretação do AT que o NT utiliza é válida. Só por curiosidade.

Amplexos.
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Resposta (Pipe):
1. Jesus as definiu dessa forma e ensinou os apóstolos a definirem dessa forma.

2. Os textos (alguns pelo menos) que Jesus definia como messiânicos também eram vistos pelo judaísmo como messiânicos.

Obs: Não sei se todos os textos revelados por Mateus, necessariamente eram vistos como messiânicos pelos Judeus do primeiro século. Mas acredito que sim devido ao fato de Mateus usá-los especificamente por ser justamente este o propósito do seu Evangelho: Provar que Jesus era o Messias prometido nas Escrituras.

Dificilmente ele faria uso de algo que apenas ele e os apóstolo tinham em mente. Isto tropeçaria na tradição judaica, caso ela não concordasse a respeito de existir no AT algo como um advento de um suposto Messias. Fato este, que naquele tempo existia diversos supostos "cristos" ou "messias".

3. O judaísmo do primeiro século aguardava a manifestação do Messias prometido na antiga aliança (VT). Havia esta expectativa na mente do povo e da elite. Ex. Herodes sabia destas profecias. Nicodemos, um dos mestres e vários outros, também concordavam com esta expectativa.
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Kopher:
Quanto as profecias, creio que se deve suspeitá-las de serem um pouco forçadas. Me refiro as profecias messiânicas, e até mesmo as que não são messiânicas.

Como aquela a que Pedro se referiu em Atos 1.20, que fazem referência ao Salmos 69.25 e Salmos 109.8. Parecem totalmente tiradas de seu contexto e forçadas a se coadunarem com o que aconteceu a Judas.

Não estou dizendo que não são profecias e que Pedro errou. Só estou dizendo que, se o modo como o NT usa (interpreta) as profecias do AT fossem utilizados por qualquer grupo ou seita religiosa da atualidade, iriamos ver bastantes "novas" doutrinas, idiossincrasias, disparidade e milhões de coisas que somente a insanidade é capaz de forjar.

Imagine se, por exemplo, essas mesmas profecias messiânicas sendo aplicadas a qualquer outro messias, um messias falso que propositadamente viesse a tentar cumprir essas profecias? É claro que há coisas que não podem ser realizadas como Jesus fez, como a ressurreição, etc.

Mas pelo menos uma boa parte dessas profecias poderiam ser alegadas como sendo cumpridas em fulanos de tal, segundo o mesmo critério usado no NT.

É certo que houve falsos messias que empregaram algumas dessas profecias a si mesmos, como o Bar Kockhba e, mais recentemente, Baal-Shen-Tov, no judaísmo.

O pior seria se empregasse o mesmo método nas passagens do NT, isolando, por exemplo, algumas passagens da vida de Paulo em Atos, e afirmando que essas passagens se referem a alguma coisa futura.

Por exemplo, na Renascença italiana, usou-se o texto de Atos 1.11a contra os discípulos de Galileu Galilei, já que o versículo diz: "Varões Galileus, por que estão olhando para as alturas?".
Não nego que os judeus atribuíssem aquelas passagens ao messias. E nem que existam profecias messiânicas. Mas acho que o critério utilizado para selecionar quais profecias seriam messiânicas e quais não seriam foi bastante subjetivo. Não apenas as messiânicas, mas aquelas como a usada por Pedro em Atos 1.20.

Essa subjetividade me faz pensar que, se talvez a vida de Jesus tivesse seguido outros rumos, se usariam outras e não aquelas passagens do AT para descrever esses acontecimentos. Talvez nem sequer as passagens que conhecemos como messiânicas seriam sequer conhecidas dessa forma, como inumeras passagens que não é imputada essa classificação.

Isso é uma coisa que me faz pensar.

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Pipe:
Eu penso que o maior peso de afirmarmos as profecias cumpridas, é o fato de que foi Ele quem disse e ensinou os apóstolos que elas se cumpriram nele.

O NT deixa claro que foi Jesus quem ensinou eles a verem naqueles escritos que estes falavam dEle.

Diante disto, os apóstolos afirmaram algo que o próprio Jesus os ensinou, entende?

E de fato, sem a ressurreição, todas as profecias não serviriam para nada, e Jesus teria sido apenas mais um. Talvez teria destaque como um grande revolucionário, profeta, etc... Mas o que evidenciou a credibilidade do que Ele disse, sem dúvida foi o fato de ter ressuscitado.

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Kopher: Isso significa que o uso de que Pedro faz em Atos 1.20 dos Salmos 69.25 e Salmos 109.8 foram recomendados por cristo?

Pipe: Provavelmente.

Kopher: Creio que o que você esteja dizendo é: se a Ressurreição aconteceu, as profecias são verdadeiras, mas se a Ressurreição não ocorreu, Jesus interpretou essas profecias de forma errada, sendo ele mesmo um mentiroso. É isso?

Pipe: Mesmo que 99% das profecias tenham se cumprido em Cristo, se Ele não ressuscitou, a fé cristã não tem sentido algum. É isto que quero dizer. As profecias poderiam ter se cumprido fielmente em Cristo Jesus. Porém, sem a ressurreição, o cristianismo fica sem a evidência definitiva de que Jesus era de fato quem ele disse que era: DEUS! Ou Jesus era Deus, ou ele era louco, ou ele era um mentiroso. E a ressurreição foi o fator determinante para que as demais coisas que realizou e disse fossem de fato aprovadas.

Kopher: Então você afirma que essa metodologia de interpretação de que Pedro se utilizou, é um critério de interpretação cristã, segundo você mesmo disse. Bem, sendo que “provavelmente” – como você afirmou - o uso (ou modo interpretativo ou metodologia de interpretação) de que Pedro faz em Atos 1.20 dos Salmos 69.25 e Salmos 109.8 foram recomendados por Cristo, se qualquer seita ou doutrina estranha utilizar as passagens do AT desse mesmo modo que “Jesus recomendou”, eles estarão justificados biblicamente se forjarem, a partir desse tipo de interpretação “recomendada” por Cristo, várias quimeras doutrinárias, como é o caso de seitas cristãs como mórmons e TJ (espero que você não seja integrante de nenhum desses, rs), que factualmente usam o AT dessa forma. Desse modo utilizam da mesma forma de interpretar as escrituras que Jesus “recomendou”, segundo o que você disse, que seus discípulos utilizassem ao interpretar o AT.

Esta justificação bíblica para a criação de doutrinas errôneas a partir do uso dos mesmos padrões de interpretações que o NT oficialmente usa do AT por parte das seitas seria então endossada (apoiada) pelo próprio Cristo, sendo que Jesus “provavelmente recomendou” aos seus discípulos que se usassem desse tipo de interpretação.

No entanto, quando se pode afirmar que Cristo deu instruções específicas para que Pedro interpretasse Salmos 69.25 e Salmos 109.8 da forma como ele interpreta em Atos 1.20?

Pastor, você deve admitir que o uso do método que Cristo, ou melhor, a forma como o NT interpreta o AT, principalmente na questão das profecias messiânicas e esse tipo de citação que Pedro faz, é uma coisa bastante problemática, pois este mesmo método (é método, pois possui padrões bastante específicos, todas essas profecias, se parecendo em essência uma com a outra), o qual o cristianismo usou como prova de sua identidade sobrenatural, pode criar quimeras, falsos-cristos, falsas referencias (como o exemplo da Tiazinha, que atribuiu a ela mesma uma passagem do Antigo Testamento), etc.

Não estou afirmando que Pedro tenha sido desonesto. Apenas quero que o senhor compartilhe dessa dúvida que eu tenho, e tente me ajudar nisso, pois mesmo que esse método de interpretação de profecias seja realmente verdadeiro e inspirado, pastor, você tem que admitir que ele se parece muito, muitíssimo mesmo, com a forma exata daquilo que um mentiroso, enganador, golpista, etc. usaria para atribuir para aquilo que deseja, seja ele mesmo ou qualquer outra coisa, autoridade, e assim iludir as pessoas.

Ou seja, em resumo: ainda que a forma como o NT interpreta as profecias messiânicas sejam verdadeiras, elas PARECEM MUITO com a forma como um enganador e mentiroso usaria para interpretar uma passagem bíblica para iludir as pessoas. Acho que isso deve ser admitido aqui, se quisermos crescer intelectualmente e sermos coerentes consigo mesmos.

A questão é, pastor: Será se realmente Cristo recomendaria que Pedro se apoderasse dessas passagens de Salmos e as direcionassem para aquele contexto específico sobre Judas e a igreja primitiva, na ocasião da escolha de Matias como apostolo?

Sobre a ressurreição, você está dizendo que as profecias DEPENDEM da ressurreição para serem verdadeiras? E que se Cristo não ressuscitou, as profecias se tornam automaticamente falsas?
Ora, se as profecias dependem do evento Ressurreição de Cristo para serem verdadeiras, então elas não possuem verdade nenhuma em si. Pelo menos é isso o que penso, pastor.

Pois pastor acredito que uma profecia, se realmente for uma profecias, e se realmente for uma boa e bem precisa profecia, ela não dependerá de qualquer muleta para que sua veracidade seja exposta e aceita.

Pastor, em toda a história as profecias messiânicas foram uma evidencia escriturística da verdade do cristianismo. Os missionários cristãos apresentavam tais referências bíblicas, a predição e o cumprimento, como prova de que o cristianismo é iluminado por uma luz sobrenatural. Mas se essas profecias dependem de outra coisa, como a Ressurreição, para serem válidas, então elas perdem o valor que possuem em si mesmas.

Pipe:
Pedro fez uso de uma profecia para dizer que a ressurreição foi o cumprimento desta. Se a ressurreição não ocorreu, logo esta profecia está fora de uso em Cristo. Porém, as demais profecias quanto ao seu nascimento, etc... são validas, mas carecem da plenitude e do ápice do Messias que se manifestou por meio da ressurreição. É o mesmo que você acompanhar uma luta e o lutador de sua escolha vencer os doze rounds e perder por nocaute no 13 round. Se Jesus não ressuscitou, o cristianismo perdeu no último round.

1. Nós partimos de um diferencial que Jesus é Deus. Este absoluto proposto pelo NT torna todo o ensino de Jesus como algo que não deve ser comparado a qualquer outro nível de interpretação formulada por outros. A forma de interpretação está nEle e não em uma formulação externa.
2. Os mórmons interpretam a Bíblia do ponto de vista de seu outro livro sagrado: O livro de mórmons. E a questão não está na forma como interpretam as profecias. O que os diferencia do cristianismo é o acréscimo doutrinário trazido pelo livro dos mórmons. E que, em alguns casos contrariam a doutrina protestante.
3. Os TJ dizem que Jesus é um semi-deus. Além de não serem fiéis aos manuscritos gregos e hebraicos, distorcem completamente a doutrina da Trindade.
4. A questão não está na forma como se interpreta, e sim, em quem instituiu a forma de interpretação. Ou seja, toda interpretação do AT e do NT está fundamentada no que Cristo disse e não na forma em si mesmo. Se Jesus disse, isto se torna um absoluto. Se outro o diz, deve ser verificado à luz do que Cristo disse. Se estiver em conformidade com o ensino dEle, então é fato. Caso contrário, não serve para a fé cristã.
5. A possibilidade de tudo ter sido inventado, criado na mente de homens desonestos, etc., deve ser verificado à luz de outras evidências tanto internas quanto externas. Se há evidências que colocam a pessoa de Jesus e dos apóstolo em dúvida quanto ao seu caráter e honestidade, talvez então aja espaço para a dúvida. Porém, se não há, a possibilidade de existir é apenas um pré-suposto que carece de evidências.
6. Provavelmente foi o próprio Cristo quem disse a Pedro que em Judas se cumpriu esta profecia. Matias complementou a profecia quando substituiu Judas.

Kopher: Obrigado pelas respostas, pastor. Vamos comigo dar uma olhadinha pra eu apresentar as minhas dúvidas. ... a forma como Jesus interpreta é a mesma que um enganador interpreta e distorce as coisas...

Pipe: O fato do falso usar o mesmo argumento de Jesus para interpretar as escrituras não significa que Jesus foi falso na forma como aplicou as profecias em si mesmo. Pois temos em mãos a evidência que não se aplica ao caráter de Jesus algo que denote desonestidade. O falso é facilmente descoberto, se Jesus fosse um enganador, isto teria sido facilmente visto em sua pessoa.

Kopher: note que a principal característica de um enganador é o uso de profecias da forma como Jesus usa. Se Jesus se utiliza de um recurso que somente enganadores se utilizam, é lógico que Jesus seja um enganador.

Pipe: Não há nada de lógico no teu raciocínio. Profecias sempre acompanharam a humanidade. Algumas era proferidas por falsos profetas, e outras proferidas por homens honestos. Não se pode usar o argumento que alguns usam de métodos verdadeiros para o erro, e sair afirmando que o verdadeiro usa o erro para justificar seus argumentos. Você está partindo de um pressuposto que todas as profecias são mentiras e que Jesus foi apenas mais um que fez delas um uso desonesto para enganar os outros.

Kopher: ... Você diz que se Jesus não ressuscitou, as profecias não possuem utilidade.

Pipe: Eu não disse que as profecias não tem utilidade. Eu disse que a ressurreição é o ápice que dá o veredicto final. Pois, as profecias apontam para o evento do Messias em diversas questões. Ou seja, não adianta 99% das profecias se cumprirem se o elemento mais importante que implicaria na evidência definitiva de que Jesus era o Messias não acontecesse. As profecias se cumpriram 99% em Cristo e o veredicto final que completou 100% delas foi a ressurreição. Você está distorcendo minhas palavras. E isto está me cheirando desonestidade de tua parte.

Kopher: Seria mais sensato afirmar que, se Jesus não ressuscitou, as profecias são falsas.

Pipe: Seria mais sensato falar que Jesus não era o Messias e não que as profecias eram falsas. As profecias são verdadeiras, porém, se Jesus não ressuscitou, ele não cumpriu 100% delas. Se as profecias eram falsas, isto significa que o advento do Messias era uma esperança que os judeus se equivocaram. Basta olhar para o que o judaísmo é hoje e ver o que eles fizeram com a esperança messiânica. Como o Messias não veio, eles re-interpretaram o AT e re-definiram o Messias não mais como um indivíduo que se assemelha ao conceito que os judeus do primeiro século tinham do Cristo, do Ungido que viria para restaurar Israel e salvá-los.

Kopher: A questão está na sua veracidade e se as profecias conseguem se salvar por si mesmas.

Pipe: Uma profecia somente pode salvar a si mesmo se ela se cumprir.

Kopher: Mas como o senhor mesmo disse, as profecias messiânicas são fracas demais para se salvarem por conta própria e assim é necessário um apelo para fatores externos.

Pipe: O fator externo é o cumprimento dela.

Kopher: Mas o que o senhor está dizendo é que, as profecias messiânicas não são evidencias de que Jesus é o messias e se ele realmente ressuscitou, mas sim que a ressurreição é evidência de que as profecias messiânicas são verdadeiras. O senhor está colocando de cabeça-pra-baixo a lógica cristã de MacDowell.

Pipe: Não Senhor! O que estou dizendo é que se Jesus não ressuscitou, Ele não é o Messias e o NT é algo forjado por homens desonestos. Pois, como confiaremos no relato do NT se o centro da fé cristã que é a ressurreição é uma “mentira”? Como confiaremos que Jesus de fato nasceu em Belém? Como confiaremos em tudo o que Mateus disse que se cumpriu nEle? Se Jesus não ressuscitou, Mateus mentiu e nenhuma das profecias proferidas por ele se cumpriu de fato. É tudo forjado para dizer simplesmente que Jesus era o Messias. Mas, se Jesus ressuscitou, o que Mateus disse é verdade, e as profecias verdadeiramente se cumpriram em Cristo. Por tanto, a ressurreição é a evidência de que 100% e não apenas 99% das profecias são verdadeiras em Cristo. Se Jesus não ressuscitou, as profecias continuam sendo verdades, mas não em Cristo.

Kopher: Ou seja, acredito que as profecias messiânicas devem possuir valor por si mesmas como evidencias.

Pipe: E possuem para o judaísmo contemporâneo (pois para o do primeiro século, foi um equívoco), mas não para a fé cristã. Para a fé cristã, não importa que 99% das profecias tenham se cumprido em Cristo. Se Jesus não ressuscitou, a fé cristã está condenada e não as profecias.

Kopher: ... eu posso construir interpretações bíblicas que de forma artificial se coadunarão com o que cristo disse e usar essa interpretação para me promover e assim para mentir e manipular.

Pipe: Com certeza pode, porém, isto não se aplica a Jesus e sim a você. O caráter de Jesus não denota isto.

Kopher: Eu poderia também inventar uma coisa falsa e fundamentá-la de acordo com os princípios doutrinários que você segue. Mesmo assim ela seria falsa. Sendo que existem várias coisas que Jesus não disse e que a bíblia não dá margem, eu poderia apelar para essas lacunas e, me fundamentando na doutrina verdadeira da fé cristã, ir lentamente levando as coisas até criar mentiras baseadas nela.

Pipe: Daí dependerá de quem aprouver acreditar em você ou não. E não precisa ir muito longe, basta olhar para o tal “Inri Cristo” de Ctba, e ver que é muito fácil manipular eventos para afirmar que é uma espécie de messias neste mundo. Mas, o tempo dirá se ele se levantará do túmulo ou não.

Kopher: ... se conseguir provar que a ressurreição de cristo é falsa, toda a doutrina cristã estará justificada.

Pipe: Não! Os princípios do NT são bons. Porém, o cerne da doutrina cristã é 100% confiável pelo fato de Jesus ter ressuscitado. Pois se não houve ressurreição como o NT diz que houve, a doutrina cristã é posta em juízo por fraude, mentira e engano. Ou seja, eu uso um argumento de peso para evidenciar o que digo, se o meu argumento é fraudulento, diante do juiz, tudo o mais que vier a dizer será posto em dúvida. Isto não significa que o restante do que eu disse seja ruim em si mesmo, e sim que o que torna o meu relato verdadeiro é eu dizer 100% da verdade. Uma mentira não torna o restante também mentira. Mas, no caso da ressurreição, isto é um tanto diferente por se tratar da doutrina fundamental do cristianismo: A ressurreição de Cristo é o fundamento mais importante da fé cristã.

Kopher: Refutando a ressurreição de cristo, refuta-se todas as doutrinas do cristianismo de um modo a priori, ou seja, sem precisar refutar elas diretamente. Desse modo, o cristianismo cai, automaticamente, se se conseguisse provar que a ressurreição de cristo é uma farsa.

Pipe: Não refuta as doutrinas no sentido de dizer que toda a doutrina cristã é má para a humanidade. E sim, que algumas questões ligadas a fé cristã perdem o sentido e certamente coloca o cristianismo no banco dos réus. Pois, por mais que seja 99% bom em sua doutrina, a ressurreição e por tanto a Parousia, seriam falsos.

Kopher: Pastor, Obrigado pelas respostas. Vejo que você é uma pessoa honesta e caridosa. Ainda que nossas concepções religiões sejam diferentes, gostei das formas como respondeu as minhas perguntas, sem cair no ridículo. O fato de você ter concordado que essas profecias se baseiam no mesmo tipo de uso que criminosos e bandidos poderiam usar - o que não prova que essas profecias sejam falsas - denota o seu ótimo caráter, ao contrário de outras pessoas.

Muito obrigado por tudo, ainda tenho várias dúvidas, mas por enquanto vou ficando por aqui.
Gostei de suas respostas, e só desejo felicidades para você em todas as áreas de sua vida.
Forte abraço!


Kopher

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Isaías 19:23-25 já se cumpriu ou ainda se cumprirá?


Foto: Estrada que conduz Cairo até o Monte Sinai

Gostaria que os irmãos aqui comentassem essa passagem de Isaias 19:23-25 (e o contexto):

“Naquele dia haverá estrada do Egito até à Assíria, e os assírios virão ao Egito, e os egípcios irão à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios ao Senhor. Naquele dia, Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios uma bênção no meio da terra. Porque o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança"

Historicamente, me parece que isso nunca ocorreu literalmente. Mas então quais são as interpretações possíveis?
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Respondendo:
Isaías 19:23-25:
"Naquele dia haverá estrada do Egito até à Assíria, e os assírios virão ao Egito, e os egípcios irão à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios ao Senhor. Naquele dia, Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios uma bênção no meio da terra. Porque o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança".

J. Ridderbos faz o seguinte comentário desta passagem:
"Quanto ao cumprimento desta profecia, precisa-se indicar em primeiro lugar o importante papel atribuído ao Egito na história do reino de Deus. A colonização judaica no Egito, iniciada em tempos antigos, mais tarde assumiu grandes proporções; e através disso, muito antes da vinda de Cristo, o conhecimento do verdadeiro Deus se disseminou no Egito; é necessário pensar apenas na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, que se originou no Egito e tanto contribuiu para a disseminação da religião em Israel entre os gentios. De especial importância, todavia, é o fato de que o Egito desempenhou um papel muito significativo na igreja primitiva.

Em sentido mais geral, esta profecia foi e está sendo cumprida com a reunião ou ajuntamento do mundo gentílico a Ele, que faz com que os muros divisores de hostilidade caiam, e a paz seja pregada aos que estavam distantes e aos que estavam perto".

Fonte: "Isaías - introdução e comentário"; ed.Mundo Cristão; pg.174-175.


Sobre a estrada, o comentarista também afirma ter havido uma estrada de interligação entre o Egito e a Assíria passando por Canaã.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Relatos da prisão




Esta é acerca dos relatos da prisão de Cristo nos evangelhos, que ainda me incomodam um pouco.

Nos sinóticos: Judas e Reca chegam, beija Jesus, Pedro corta a orelha de Malco e finalmente prendem Jesus.

Em João: Judas e Reca chegam, Jesus se adianta, soldados recuam e caem, Pedro corta a orelha de Malco e finalmente prendem Jesus.

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Vamos ler os textos:

Mt 26:
47 Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo.
48 O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: “Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no”.
49 Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: “Salve, Mestre!”, e o beijou.
50 Jesus perguntou: “Amigo, o que o traz?”e Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam.
51 Um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.
52 Disse-lhe Jesus: “Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão.
53 Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos?
54 Como então se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas deveriam acontecer desta forma?”
55 Naquela hora Jesus disse à multidão: “Estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês venham prender-me com espadas e varas? Todos os dias eu estive
ensinando no templo, e vocês não me prenderam!
56 Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas”. Então todos os discípulos o abandonaram e fugiram.
57 Os que prenderam Jesus o levaram a Caifás, o sumo sacerdote, em cuja casa se haviam reunido os mestres da lei e os líderes religiosos.

Ordem dos fatos em Mateus:
1. Judas beija Jesus;
2. Os homens prendem Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos;
4. Jesus repreende os que pegaram em espadas para defendê-lo;
5. Não menciona Jesus curando a orelha de Malcon;
6. Os discípulos fogem;
7. Os que haviam prendido Jesus o levam para os lideres religiosos.


Mc 14:
43 Enquanto ele ainda falava, apareceu Judas, um dos Doze. Com ele estava uma multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes, mestres da lei e líderes religiosos.
44 O traidor havia combinado um sinal com eles: “Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele: prendam-no e levem-no em segurança”.
45 Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: “Mestre!”, e o beijou.
46 Os homens agarraram Jesus e o prenderam.
47 Então, um dos que estavam por perto puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.
48 Disse Jesus: “Estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês venham me prender com espadas e varas?
49 Todos os dias eu estive com vocês, ensinando no templo, e vocês não me prenderam. Mas as Escrituras precisam ser cumpridas”.
50 Então todos o abandonaram e fugiram.
51 Um jovem, vestindo apenas um lençol de linho, estava seguindo Jesus. Quando tentaram prendê-lo,
52 ele fugiu nu, deixando o lençol para trás.
53 Levaram Jesus ao sumo sacerdote; e então se reuniram todos os chefes dos sacerdotes, os líderes religiosos e os mestres da lei.

Ordem dos fatos em Marcos:
1. Judas beija Jesus;
2. Os homens prendem Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos;
4. Não menciona Jesus curando a orelha de Malcon;
5. Não menciona Jesus repreendendo os que pegaram em espadas para defendê-lo;
6. Os discípulos fogem;
7. Os que haviam prendido Jesus o levam para os lideres religiosos.


Lc 22:
47 Enquanto ele ainda falava, apareceu uma multidão conduzida por Judas, um dos Doze. Este se aproximou de Jesus para saudá-lo com um beijo.
48 Mas Jesus lhe perguntou: “Judas, com um beijo você está traindo o Filho do homem?”
49 Ao verem o que ia acontecer, os que estavam com Jesus lhe disseram: “Senhor, atacaremos com espadas?”
50 E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita.
51 Jesus, porém, respondeu: “Basta!” E tocando na orelha do homem, ele o curou.
52 Então Jesus disse aos chefes dos sacerdotes, aos oficiais da guarda do templo e aos líderes religiosos que tinham vindo procurá-lo: “Estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês tenham vindo com espadas e varas?
53 Todos os dias eu estive com vocês no templo e vocês não levantaram a mão contra mim. Mas esta é a hora de vocês quando as trevas reinam”.
54 Então, prendendo-o, levaram-no para a casa do sumo sacerdote. Pedro os seguia à distância.

Ordem dos fatos em Lucas:
1. Judas beija Jesus;
2. Os homens prendem Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos;
4. Jesus repreende os que pegaram em espadas para defendê-lo;
5. Jesus cura a orelha decepada de Malcon;
6. Não menciona os discípulos fugindo;
7. Prendem Jesus e o levam para os lideres religiosos.


Jo 18:
2 Ora, Judas, o traidor, conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se reunira ali com os seus discípulos.
3 Então Judas foi para o olival, levando consigo um destacamento de soldados e alguns guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, levando tochas,
lanternas e armas.
4 Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, saiu e lhes perguntou: “A quem vocês estão procurando?”
5 “A Jesus de Nazaré”, responderam eles. “Sou eu”, disse Jesus.(E Judas, o traidor, estava com eles.)
6 Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra.
7 Novamente lhes perguntou: “A quem procuram?” E eles disseram: “A Jesus de Nazaré”.
8 Respondeu Jesus: “Já lhes disse que sou eu. Se vocês estão me procurando, deixem ir embora estes homens”.
9 Isso aconteceu para que se cumprissem as palavras que ele dissera: “Não perdi nenhum dos que me deste”.
10 Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O nome daquele servo era Malco.)
11 Jesus, porém, ordenou a Pedro: “Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu?”
12 Assim, o destacamento de soldados com o seu comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus. Amarraram-no
13 e o levaram primeiramente a Anás, que era sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano.

Ordem dos fatos em João:
1. João não menciona o beijo de Judas;
2. Os guardas caem diante de Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos (Pedro);
4. Jesus repreende Pedro por defendê-lo;
5. Os homens prendem Jesus;
6. Não menciona Jesus curando a orelha de Malcon;
7. Não menciona os discípulos fugindo;
8. Prendem Jesus e o levam para os lideres religiosos.


Panorama Geral:
Ordem dos fatos em Mateus:
1. Judas beija Jesus;
2. Os homens prendem Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos;
4. Jesus repreende os que pegaram em espadas para defendê-lo;
5. Não menciona Jesus curando a orelha de Malcon;
6. Os discípulos fogem;
7. Os que haviam prendido Jesus o levam para os lideres religiosos.

Ordem dos fatos em Marcos:
1. Judas beija Jesus;
2. Os homens prendem Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos;
4. Não menciona Jesus curando a orelha de Malcon;
5. Não menciona Jesus repreendendo os que pegaram em espadas para defendê-lo;
6. Os discípulos fogem;
7. Os que haviam prendido Jesus o levam para os lideres religiosos.

Ordem dos fatos em Lucas:
1. Judas beija Jesus;
2. Os homens prendem Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos;
4. Jesus repreende os que pegaram em espadas para defendê-lo;
5. Jesus cura a orelha decepada de Malcon;
6. Não menciona os discípulos fugindo;
7. Prendem Jesus e o levam para os lideres religiosos.

Ordem dos fatos em João:
1. João não menciona o beijo de Judas;
2. Os guardas caem diante de Jesus;
3. Malcon é ferido por um dos discípulos (Pedro);
4. Jesus repreende Pedro por defendê-lo;
5. Os homens prendem Jesus;
6. Não menciona Jesus curando a orelha de Malcon;
7. Não menciona os discípulos fugindo;
8. Prendem Jesus e o levam para os lideres religiosos.


Pré-conclusão:
Não há uma contradição. O que ocorre é que João dá detalhes que os sinóticos não dão. E, mesmo os sinóticos omitem detalhes que os outros mencionam. Por exemplo, vamos detalhar em que os sinóticos e João concordam e diferem:

• João menciona que os homens caem diante da primeira investida deles contra Jesus. Os sinóticos não mencionam este ocorrido. Porém, o fato de não mencionarem, não significa que não ocorreu. O que ocorre é que João mencionou um detalhe ignorado pelos outros três.
• Mt, Mc e Lc citam o beijo de Judas em Jesus. João não cita o beijo. Porém, isto não significa que não houve o beijo. Apenas João não o menciona.
• Os sinóticos mencionam que os homens prendem Jesus. João menciona a prisão só depois que Malcon é ferido. Porém, o fato de João não mencionar a prisão antes, não significa que Malcon não segurava Jesus quando Pedro lhe cortou a orelha. Eles podem ter se levantado e novamente agarrado Jesus, quando então Pedro corta a orelha de Malcon.
• Os quatro mencionam que o servo do sumo sacerdote havia sido ferido. Mas apenas João menciona que o nome dele é Malcon.
• Mt, Lc e Jo mencionam Jesus repreendendo os discípulos por pegarem em espadas para defendê-lo. Porém, é João que especifica que foi Pedro quem atacou Malcon. Já Mc não menciona Jesus repreendendo eles.
• Apenas Mc relata que Jesus curou a orelha de Malcon.
• Mt e Mc mencionam os discípulos fugindo. Lc e Jo não mencionam.
• Os quatro mencionam Jesus sendo levado preso para o sumo sacerdote.

Conclusão:
Se você reunir as três narrativas, você terá o panorama geral do que aconteceu:
1. Judas chega e beija Jesus.
2. Quando os homens agarram Jesus, são derrubadas.
3. Quando eles tentam agarrá-lo novamente, os discípulos pegam em espadas e Pedro corta a orelha de Malcon.
4. Jesus repreende os discípulos por pegarem em espadas para defendê-lo.
5. Jesus cura a orelha de Malcon. Pois, provavelmente para pegar a orelha e curá-la, ele devia estar solto.
6. Os discípulos fogem.
7. Finalmente Jesus é levado preso ao se entregar.


Portanto, não há contradição. Se trata apenas de relatos diferentes, onde cada autor descreve detalhes que ao somarem-se, nos dão o panorama geral do que ocorreu.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sobre o costume de se libertar presos na páscoa

Questão trazida por Vivi:
Não era de praxe os governantes romanos libertarem um prisioneiro judeu por ocasião do Páscoa (isso alegam os judeus), e por esse motivo o relato de Jesus ter sido entregue no lugar de Barrabás e tudo mais é "lenda". Já vi esse tipo de argumentação por parte de céticos quando dizem que os relatos da bíblia não são confiáveis. Eles dizem que toda a narração do que aconteceu com Jesus, seria ilegal do ponto de vista da Lei, dos costumes... o horário que o foram buscar por ex. E se fosse verdade teria acontecido um assassinato judicial. (segundo os judeus).

Frase do cético:
Os romanos só passaram a libertar presos na Páscoa a partir do séc.III. Nunca ocorreu isto antes, até porquê a região era conflituosa e a maioria dos presos eram zelotes assassinos. Se Pilatos tivesse soltado Barrabás, teria sido condenado à morte por traição pelo imperador romano.
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Por Pipe:
Isso é Argumentum ad ignorantiam (Argumento da Ignorância)

Mesmo assim vamos a questão:
"sobre o costume de se libertar presos na páscoa...
Não era de praxe os governantes romanos libertarem um prisioneiro judeu por ocasião do Páscoa (isso alegam os judeus),"

Argumentando:
1. O texto diz em Jo 18:39 diz: Contudo, segundo o costume de vocês...“. Ou seja, o costume era judaico e não romano.
2. Os quatro Evangelhos falam deste costume. Ou seja, é muito pouco provável que os quatro tenham se equivocado.
3. Como mostra o Código de Teodósio, a lei romana criou uma anistia na época da páscoa, mas isto foi introduzido depois da cristianização (III século) do império para celebrar o significado cristão da época. Ou seja, o costume só foi oficializado romano quando o império romano se tornou cristão. E em que isto implica? Implica que algum tipo de costume anterior existia e que foi oficializada somente mais tarde. Porque os romanos oficializariam uma lei em virtude de autenticaram algo que não era autentico? Se eles autenticaram esta lei, é porque tal costume existia, porém não de modo oficial.
4. Não foi Pilatos quem escolheu Barrabás, foram os sacerdotes (Mc 15:11; Lc 23:18; Jo 18:40). Foram eles que incitaram soltar Barrabás justamente porque ele como um judeu zelote era mais interessante do que um judeu que ameaçava sua religião se dizendo o Messias.

"Eles dizem que toda a narração do que aconteceu com Jesus, seria ilegal do ponto de vista da Lei, dos costumes...o horário que o foram buscar por ex. E se fosse verdade teria acontecido um assassinato judicial. (segundo os judeus)"

Esta afirmação acima precisa ser melhor explanada. Ela precisa dizer:
1. Por que é contrário a Lei?
2. Por que é contrário ao costume?
3. Por que a questão do horário?

4. Como assim “assassinato judicial”?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Comma Johanneum - 1 Jo 5:7

OS MANUSCRITOS
É verdade que o verso controverso tem pouco apoio das cópias gregas e encontra-se somente em duas - o Manuscrito Montfort na Universidade de Dublin e no Códice WIZANBURGENSIS do séc. VIII.

A principal autoridade nos manuscritos para I João 5:7 está nas versões latinas e ele se acha, com poucas exceções em todos os códices destas versões, tanto na Vulgata quanto no Antigo Latim.

Entre os escritores antigos que fazem referência ou alusão às palavras disputadas acham-se Tertuliano e Cipriano e muitos outros subsequentes autores latinos.

A passagem é considerada verdadeira Escritura com a quase unânime concordância da Cristandade latina desde os tempos mais remotos.

Deve se lembrar que o Antigo Latim foi traduzido do grego numa época bem primitiva, certamente dentro dum século da morte dos Apóstolos.

As igrejas africanas não perderam os seus livros sagrados na mesma medida das igrejas gregas durante as grandes perseguições e é nos escritores africanos que encontramos as mais antigas citações do verso disputado.

Um outro fato relevante é que as antigas igrejas latinas não ficaram tão atingidas pela heresia ariana, a fonte principal suspeita de tantas corrupções. No conteste contra os arianos, o Concílio de Cartago, e outros “Pais” primitivos apelaram com confiança inabalável para este verso como testemunho contundente contra eles.

Orígenes exerceu poderosa influência sobre a transmissão do texto grego no período antes de serem escritas algumas das cópias mais antigas ora existentes. Mosheim o descreve como “um composto de contradições, sábio e imprudente, inteligente e burro, entendido e sem entendimento, o inimigo da superstição e seu patrocinador; um enérgico defensor do cristianismo e seu corruptor; ativo e vacilante; um a quem a Bíblia deve muito e um do qual ela tem sofrido muito”.

Ele foi o grande corruptor, e a fonte ou pelo menos o canal, de quase todos os erros especulativos que perturbaram a Igreja nas épocas sucessivas. Nolan afirma que as discrepâncias mais características entre o texto grego comum e os textos correntes na Palestina e Egito no tempo de Orígenes são identificáveis com uma fonte marcionita ou valentiniana, e que a mão de Orígenes mediou a introdução dessas corrupções nos textos subseqüentes.

É altamente relevante que textos importantes sobre a doutrina trinitariana, que aparecem no grego e latim estão faltando nos antigos manuscritos da Palestina e do Egito. Os textos disputados tinham o propósito de condenar e combater os erros dos Ebionitas e Gnósticos, Cerintianos e Nicolaitanos. Não é surpresa que a influência de Orígenes teria resultado na exclusão de algumas dessas testemunhas autênticas das cópias gregas, enquanto as cópias no Antigo Latim deveriam conservar as palavras de I João 5:7 , porque circulavam em áreas não atingidas pela influência de Orígenes. (Sumarised from Dabney’s Discussions, published by Banner of Truth Trust.) This article no. 17 published by the Trinitarian Bible Society, Tyndale House, Dorset Road, London, SW193NN, England.

Ocorre que essas traduções adotam o mesmo texto usado pelas Testemunhas de Jeová; ou seja, o texto dos críticos textuais Westcott e Hort. Digamos de passagem que, além da Comma Johanneum, muitos outros versículos da Palavra de Deus são omitidos no texto da crítica. É bom que o leitor verifique na sua Bíblia se estão omissas passagens que tratam de importantes doutrinas tais como:

Mt6.13 - Mt17.2 - Mt18.11
Mt23.14 - Mc7.16 - Mc9.44
Mc 11.26 - Mc 15.28 - Mc 16.9-20
Lc 23.17 - 3o 5.3b-4 - AT 8.37
At 28.29 - At 15.34 - Rm 1.16
Rm 8.lb - Rm 14.10 - Rm 16.24

Pode parecer enfadonho, mas julguei necessário listar aqui os versículos inteiros que são omissos no Novo Testamento das Testemunhas de Jeová e no texto grego por elas adotadas, que é o mesmo de algumas outras Bíblias. Mas voltemos à Comma Johanneum e perguntemos:
Quais as razões alegadas para sua omissão?

Os críticos do texto alegam as seguintes razões para omitir a Comma:

1. Não se conhecem Mss gregos autênticos que a contenham;
2. Não aparecem nas versões antigas;
3. Não foi conhecida pelos pais da Igreja.

Antes de refutarmos tais alegações, devemos, porém, lembrar que é muito mais fácil provar a existência da Comma do que negá-la. Para negar qualquer fato seria necessário que, quem a isto se propõe, tenha estado presente em todos os lugares, em todos os tempos e com toda a capacidade de observação. Para provar algum fato, pode-se fazer com duas ou três testemunhas verdadeiras.

É verdade que poucos são os Mss gregos até agora encontrados que contêm a Cláusula Joanina. Mas isto não provaria a sua inexistência. O fato de já terem sido encontrados alguns Mss gregos que citam o texto em estudo prova sua existência e nos dá a esperança certa de que outros também existiram, e, quem sabe, poderão até ser encontrados. Antes de 1945, quem negasse a existência dos Mss 1000 anos mais velhos do que os até então conhecidos ficaria desacreditado depois da descoberta do material das Cavernas de Qunram.

Para fortalecer seu argumento, os que omitem a Comma Jolzanneum costumam citar o fato de que Erasmo não a incluiu na Ia edição de seu Novo Testamento Grego, porque não conhecia nenhum manuscrito grego que a contivesse. Mas, quando isto aconteceu, foi grande a reação dos que já conheciam a existência da Comma, mesmo em outras línguas. Para acalmar os ânimos, Erasmo prometeu que a incluiria nas próximas edições do Novo Testamento Grego, se viesse a conhecer algum manuscrito que a contivesse.

Essa promessa foi cumprida na 3ª edição do Novo Testamento de Erasmo, por lhe haver sido apresentado o Ms 61. A relutância de Erasmo para incluir a Comma na 1ª edição do seu Novo Testamento será um argumento a favor da sua inexistência? Ou, ao contrário, é mais uma razão ou prova de sua existência?

Porém, o Ms 61 (os críticos rejeitam sua autenticidade) não é o único Manuscrito Grego, até agora conhecido, que contém a Comma.

Os críticos do texto reconhecem e nomeiam outros Mss gregos nas mesmas condições:
a) Ms 61 — do século 15 ou 16;
b) Codex Ravianus, na margem do Ms 88- do século 12;
c) Tisch. W1 10 — do século 16;
d) Greg. 629 — do século 14v.

Se um copista notava a omissão da Comma no Ms que lhe servia de modelo, ao fazer a nova cópia escrevia, na margem, as palavras da Comma, como uma correção. E o que deve ter acontecido com o Ms 88.

Dizer que não aparece a Comma nas versões antigas confiáveis também é alegação que nos parece fraca. Conforme Hill, há uma abundância de outros antigos manuscritos que evidenciam e provam esta cláusula:

1. Nos escritos dos bispos espanhóis do 4º século — Prisciliano e Idrascius Clarus;

2. Vários escritores africanos, ortodoxos, para defender a doutrina da Trindade contra os vândalos — no 5º século;

3. Nos escritos dos pais da igreja latina, como:
a. Cypriano — C-250;
b. Cassidoro — 480-570;
c. Ms da Velha Latina — 5º ou 6º século;
d. Speculum;
e. A Velha Latina do Ms do 5º ou 6º século;
f. A Vulgata Latina do ano 800;
g. A Vulgata Latina de Clemente, que é a Bíblia oficial da Igreja Católica Romana.Por que foi realmente omitida a Comma Johanneum dos Mss gregos?

Se a Comma foi conhecida por todos esses pais da Igreja de fala latina é porque ela existia também na língua grega mesmo antes de ser encontrado o primeiro Ms grego que a continha. E por que, já que existia em grego, essa cláusula aparentemente desa pareceu dos futuros Mss gregos? Há três explicações razoáveis:

1. Omissão involuntária
Por um erro comum entre os copistas, que é chamado de Homoioteleuton (final igual). Ao copiar o verso 7, depois de copiar as palavras “são três os que testiticam”, o copista levantou os olhos do original enquanto molhava a pena e, ao voltar os olhos ao Ms, viu agora duas linhas abaixo, as mesmas palavras, mas continuou escrevendo “são três que testificam na terra”. Desse modo, omitiu parte final do verso 7 e do início do verso 8 (a Comma Johanneum).

2. Omissão proposital com Boas Intenções
(Se pudermos chamar de boa intenção a uma omissão do trecho bíblico). Foi durante o 2º e 3º séculos, de acordo com Harnack, que os cristãos tiveram de se defender contra a heresia chamada Sabelianismo. Seu fundador, Sabéllio, ensinava a identidade das três pessoas da divindade, negando a distinção entre elas. A divindade é uma só. Ela tem três manifestações idênticas. Essas manifestações não são pessoas distintas. Mas o Pai é o Filho, o Pai é o Espírito Santo. O Pai, sendo Filho, sofreu e morreu. Daí a heresia resultante: Patripassionismo. Por julgar que a expressão “e os três são um” os favorecia, os seguidores da heresia do sabelianismo cristão de Alexandria, já acostumados a adulterar o texto Sagrado, não tiveram dúvida: omitiram de suas cópias a Comma Joanina.

3. Omissão voluntária de má fé
As modernas versões e traduções da Bíblia são feitas a partir de um punhado de Mss gregos chamados Alexandrinos, por terem sua origem naquela cidade que foi o berço das heresias. Esses Mss, chamados pelos críticos de superiores e melhores, são os seguintes: o Ms Sinaitico, também chamado de Aleph (1ª letra do alfabeto hebraico) e o Ms Vaticano, também chamado Ms B. Na realidade, são os mais corrompidos, como vamos mostrar”:

a. O descobridor do Códice Sinaitico – Tischendorf contou em torno de 14.800 alterações feitas por nove pessoas diferentes dos copistas originais;
b. Ebernard Nestle — admitiu que teve de modificar o estilo do Texto Grego do Códice Sinaitico, que apre sentava um estilo do grego de Aristóteles e Platão, para o estilo Koinê;
c. O texto do Ms Vaticano omite 2877 palavras só nos evangelhos;
d. O Ms Sinaitico omite 3453 só nos evangelhos;
e. Em relação ao Textus receptus, o Texto Crítico difere 5337 vezes;
f. O Códice Sinaitico e o Códice Vaticano diver gem entre si cerca de 3000 vezes, só nos evangelhos.

Por aqui se vê que as várias omissões, inclusive da Comma, foram feitas intencionalmente e com má fé.

Erro Gramatical
A omissão da cláusula Joanina envolve também um erro gramatical. As palavras gregas espírito, água e sangue são neutras em gênero, na gramática grega. Mas em 1 João 5.8, se a Comma for rejeitada, tais palavras são tratadas como se fossem masculinas. Essa irregularidade é difícil de se explicar.


Dizer aqui que essas palavras foram personificadas, e por isso o tratamento masculino, não resolve o problema da exegese, pois no versículo 6 o termo grego para Espírito também é personificado e se refere ao Espírito Santo, mas não é tratado como se fosse masculino, mas, sim, neutro.