domingo, 8 de dezembro de 2013

Os pastores roubam o dízimo?

 Questão trazida por um anônimo:

Vejamos:
DEUTER. 14 - QUE na 1ª parte trata de comer animais e na segunda do dízimo....

1- O que era o dízimo?
verso 22 Certamente darás os dízimos de todo o produto da tua semente que cada ano se recolher do campo.

R=Dízimo era a décima parte da produção rural.

2- Quem COMIA o DÍZIMO?
23 E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus por todos os dias.

R=O dizimista comia seu dízimo

3- Em que situação o dízimo podia ser convertido em dinheiro?
24 Mas se o caminho te for tão comprido que não possas levar os dízimos, por estar longe de ti o lugar que Senhor teu Deus escolher para ali por o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado;
25 então vende-os, ata o dinheiro na tua mão e vai ao lugar que o Senhor teu Deus escolher.

R=Quando a fazenda era longe do local do dizimista comer seu dízimo.

4- E o dinheiro do dízimo era usado para comprar o que?
26 E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante o Senhor teu Deus, e te regozijarás, tu e a tua casa.

R=O Dizimista comprava comida para festejar.

5- Com quem o dizimista devia repartir os alimentos?
27 Mas não desampararás o levita que está dentro das tuas portas, pois não tem parte nem herança contigo....29 Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), o peregrino, o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda obra que as tuas mãos fizerem.

R=O dízimo era comido pelo dizimista e pelos pobres e os levitas que não tinham direito a ter coisas e terras.

Vejamos:
Os sacerdotes desprezavam a Deus
Malaquias 1:6- O filho honra o pai, e o servo ao seu amo; se eu, pois, sou pai, onde está a minha honra? e se eu sou amo, onde está o temor de mim? diz o Senhor dos exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que temos nós desprezado o teu nome?
Os sacerdotes quebraram o pacto feito com Levi
Malaquias2:4 Então sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que o meu pacto fosse com Levi, diz o Senhor dos exércitos. 5 Meu pacto com ele foi de vida e de paz; e eu lhas dei para que me temesse; e ele me temeu, e assombrou-se por causa do meu nome.6 A lei da verdade esteve na sua boca, e a impiedade não se achou nos seus lábios; ele andou comigo em paz e em retidão, e da iniqüidade apartou a muitos.

Os sacerdotes estavam roubando a Deus quando tiravam os alimentos (da casa do tesouro-templo) e deixavam os pobres passar fome.
Malaquias 3:8 Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.

Os sacerdotes trouxeram a maldição para a nação todo, que já não alçava mais dízimo e ofertas, pois eles roubavam tudo.
9 Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda.10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa...

Quem afinal PODE ROUBAR DIZIMOS, O POVO QUE NÃO PAGAR OU OS PASTORES QUE INSISTEM EM GUARDAR A LEI E SE APROPRIAR DO DINHEIRO DO POVÃO.?????
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Por Pipe:

Refutando:
O texto está falando da festa das colheitas, ou, festa das semanas, ou ainda mais propriamente, festa de pentecostes.

Era um tempo quando eram apresentadas oferendas no santuário central de Jerusalém

Dt 16:9-12
9 Sete semanas contarás; desde que a foice começar na seara iniciarás a contar as sete semanas.
10 Depois celebrarás a festa das semanas ao SENHOR teu Deus; o que deres será oferta voluntária da tua mão, segundo o SENHOR teu Deus te houver abençoado.
11 E te alegrarás perante o SENHOR teu Deus, tu, e teu filho, e tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro das tuas portas, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão no meio de ti, no lugar que o SENHOR teu Deus escolher para ali fazer habitar o seu nome.
12 E lembrar-te-ás de que foste servo no Egito; e guardarás estes estatutos, e os cumprirás.
Era a ocasião da segunda das três peregrinações anuais que todo israelita precisava fazer ao lugar central de adoração, em Jerusalém.

Dt 16:16 Três vezes no ano todo o homem entre ti aparecerá perante o SENHOR teu Deus, no lugar que escolher, na festa dos pães ázimos, e na festa das semanas, e na festa dos tabernáculos; porém não aparecerá vazio perante o SENHOR;

Ex23:17 Três vezes no ano todos os teus homens aparecerão diante do Senhor DEUS.

Ex 34:22-23 Também guardarás a festa das semanas, que é a festa das primícias da sega do trigo, e a festa da colheita no fim do ano. Três vezes ao ano todos os homens aparecerão perante o Senhor DEUS, o Deus de Israel;

As oferendas eram feitas das primícias da produção agrícola e dos primogênitos dos animais:

Dt 15:19-20 Todo o primogênito que nascer das tuas vacas e das tuas ovelhas, o macho santificarás ao SENHOR teu Deus; com o primogênito do teu boi não trabalharás, nem tosquiarás o primogênito das tuas ovelhas. Perante o SENHOR teu Deus os comerás de ano em ano, no lugar que o SENHOR escolher, tu e a tua casa.

Este dízimo que se refere o texto trazido por vc é chamado de segundo dízimo, algo inteiramente distinto dos dízimos ordinários atribuídos aos levitas para seu sustento, em
Nm 18:21 E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação.

E que era novamente entregue para benefício dos sacerdotes Nm 18:26-28 Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao SENHOR, os dízimos dos dízimos. E contar-se-vos-á a vossa oferta alçada, como grão da eira, e como plenitude do lagar. Assim também oferecereis ao SENHOR uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a oferta alçada do SENHOR a Arão, o sacerdote.

O dízimo referido em Nm é chamado de primeiro dizimo. Este dízimo era dirigido aos levitas de modo geral.

Depois que este dízimo era recolhido, havia o segundo dizimo, ou seja, o redízimo, que era tirado do dizimo dos levitas e dado a casa do sumo-sacerdote, chamado o segundo dizimo e chamado de “coisa santa”, por ser dedicado aos sacerdotes ministrantes.

Por tanto, o dízimo que se refere a festa de pentecostes implicava que os israelitas deveriam tomar parte dos dízimos levados ao santuário central, e comê-lo ali, `diante do Senhor`. Este dízimo não tem nada a ver com o primeiro dízimo voltado exclusivamente aos levitas e aos sacerdotes.

Era uma décima parte dos 90% restantes, parte que era para ser comido no santuário, enquanto também se deveria incluir na festa para participar os levitas que ali serviam, Dt 14:27 Porém não desampararás o levita que está dentro das tuas portas; pois não tem parte nem herança contigo.

Era uma festa onde todo o povo participava inclusive os levitas. E toda a comida era tirada deste dízimo das colheitas em culto a Deus pela provisão e bênçãos.

Havia portanto três dízimos:
1. O dos levitas;
2. O dos sacerdotes. Que neste caso era na verdade o re-dízimo do primeiro;
3. O dízimo das colheitas na festa do pentecostes, que era comido por aqueles que dessem o dízimo em uma refeição comunitária.

A cerimônia reconhecia Yahweh como a fonte de todas as coisas boas, e o povo agradecido era um povo separado para Yahweh.

Caso o dizimista morasse longe do Templo. Repetindo "Templo", então deveria vender a comida e deveria levar o dinheiro para o "Templo" ao invés da comida. Pois como morava longe, não teria como levar a comida. O mais viável seria levar o dinheiro e chegando lá em Jerusalém, no templo, aquele dinheiro seria usado para comprar bois, ovelhas, vinho, bebida forte, e por tudo o que te pedir a alma do indivíduo; e este deveria comer ali perante o Senhor no "Templo", e se regozijar, ele e a sua casa.

Este dízimo na festa do pentecostes deveria ser dividido com o levita, o peregrino, o órfão, e a viúva. Ao fazer essa inclusão, o Senhor os abençoava em toda obra deles.

Então vc surge com a seguinte aplicação em tudo isso:

SURGEM OS LADRÕES (?)

Vejamos:
“Os sacerdotes desprezavam a Deus” (?)

Vamos ler o texto:
1 Peso da palavra do SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias.
2 Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó,
3 E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto.
4 Ainda que Edom diga: Empobrecidos estamos, porém tornaremos a edificar os lugares desolados; assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o SENHOR está irado para sempre.
5 E os vossos olhos o verão, e direis: O SENHOR seja engrandecido além dos termos de Israel.
6 O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?
7 Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto que dizeis: A mesa do SENHOR é desprezível.
8 Porque, quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? ou aceitará ele a tua pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos.
9 Agora, pois, eu suplico, peça a Deus, que ele seja misericordioso conosco; isto veio das vossas mãos; aceitará ele a vossa pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos.
10 Quem há também entre vós que feche as portas por nada, e não acenda debalde o fogo do meu altar? Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei oferta da vossa mão.
11 Mas desde o nascente do sol até ao poente é grande entre os gentios o meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu nome incenso, e uma oferta pura; porque o meu nome é grande entre os gentios, diz o SENHOR dos Exércitos.
12 Mas vós o profanais, quando dizeis: A mesa do Senhor é impura, e o seu produto, isto é, a sua comida é desprezível.
13 E dizeis ainda: Eis aqui, que canseira! E o lançastes ao desprezo, diz o SENHOR dos Exércitos; vós ofereceis o que foi roubado, e o coxo e o enfermo; assim trazeis a oferta. Aceitaria eu isso de vossa mão? diz o SENHOR.
14 Pois seja maldito o enganador que, tendo macho no seu rebanho, promete e oferece ao Senhor o que tem mácula; porque eu sou grande Rei, diz o SENHOR dos Exércitos, o meu nome é temível entre os gentios.

Cap.II
1 Agora, ó sacerdotes, este mandamento é para vós.
2 Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração.
3 Eis que reprovarei a vossa semente, e espalharei esterco sobre os vossos rostos, o esterco das vossas festas solenes; e para junto deste sereis levados.
4 Então sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que a minha aliança fosse com Levi, diz o SENHOR dos Exércitos.
5 Minha aliança com ele foi de vida e de paz, e eu lhas dei para que temesse; então temeu-me, e assombrou-se por causa do meu nome.
6 A lei da verdade esteve na sua boca, e a iniqüidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão, e da iniqüidade converteu a muitos.
7 Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos.
8 Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos.
9 Por isso também eu vos fiz desprezíveis, e indignos diante de todo o povo, visto que não guardastes os meus caminhos, mas fizestes acepção de pessoas na lei.
10 Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que agimos aleivosamente cada um contra seu irmão, profanando a aliança de nossos pais?
11 Judá tem sido desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do SENHOR, o qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho.
12 O SENHOR destruirá das tendas de Jacó o homem que fizer isto, o que vela, e o que responde, e o que apresenta uma oferta ao SENHOR dos Exércitos.
13 Ainda fazeis isto outra vez, cobrindo o altar do SENHOR de lágrimas, com choro e com gemidos; de sorte que ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão.
14 E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança.
15 E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.
16 Porque o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio, e aquele que encobre a violência com a sua roupa, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto guardai-vos em vosso espírito, e não sejais desleais.
17 Enfadais ao SENHOR com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto que dizeis: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do SENHOR, e desses é que ele se agrada, ou, onde está o Deus do juízo?

Cap.III
1 Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos.
2 Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros.
3 E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça.
4 E a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR, como nos dias antigos, e como nos primeiros anos.
5 E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o SENHOR dos Exércitos.
6 Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.
7 Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
8 Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação.
10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.

Vc disse isto quanto ao texto de Ml 3:
Os sacerdotes estavam roubando a Deus quando tiravam os alimentos (da casa do tesouro-templo) e deixavam os pobres passar fome. (?)

Onde diz isto no texto? Os sacerdotes estavam roubando a Deus nisso:
1. Não havia mais temor à Deus. A corrupção havia se instalado. Estavam oferecendo pão imundo. 1:7
2. Ofereciam animal cego , coxo ou doente no sacrifício. 1:8

Era nisso que Deus estava sendo roubado. Estavam oferecendo a Deus não suas primícias (dízimo) e sim o que estava cego, coxo, doente. Não tem nada no texto que denote essa sua conclusão acima.

Não se esqueça amigo, que pastores trabalham em tempo integral servindo a igreja. E estes são dignos de seu salário.


Estes textos poderiam ser aplicados na realidade pastoral, caso os pastores estivessem oferecendo a Deus sacrifícios doentios, cegos e coxos. Caso contrário, sua argumentação está totalmente fora de contexto.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Uma dúvida sobre Ezequiel 28:1-19

DÚVIDA:
Estiveste no Éden, jardim de Deus... Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; (ver 13-14)

Se Satanás foi posto para guardar o jardim e criado para isso, por que é que em nenhum versículo de Gênesis aparece tal "teoria"?

Aliás, é no mínimo contraditório ele ter sido posto para "guardar o jardim" se Gênesis não faz menção disso e ele não aparece fazendo o que supostamente deveria estar fazendo.

O jardim do Éden e toda a criação é mencionada em Gênesis, mas não diz nada sobre Satanás ser o "guardião", ao contrário, diz que a serpente (figura de satanás) era amais astuta dos animais; criado por Deus

Outra contradição é Ezequiel citar que "UM POUCO MENOR QUE OS ANJOS" o criaste...?

Minhas dúvidas:
1- Se ele foi expulso, como é que ele tentou Adão e Eva, já que estava de fora?
2- Se ele foi expulso, como é que ele entrou no Jardim se o jardim estava guardado?
3- Temos que decidir também se ele era anjo ou não.
4- Se Satanás foi realmente posto para guardar o jardim, por que Gênesis não cita este "fato".

Na “doutrina” tradicional, aprendemos que Satanás foi um “anjo de luz” mas “se rebelou” e foi tirado (destituído) da glória de Deus.

Na verdade, esta é uma “afirmação” é "meio" infundada, pois não existe narrativa Bíblica que concorde com esta tese. Alias, a Bíblia se quer menciona que ele é um anjo caído. O que na verdade a Bíblia menciona é que Satanás pode se transfigurar (se tornar parecido no original Grego) em um anjo de luz e isso não significa dizer que ele é ou tenha sido um anjo de luz, mas sim, que ele tem poderes para “mudar de aparência”.

Onde diz, realmente, que satanás era um anjo?

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Por Pipe

I Parte da Profecia:
Ezequiel 28
1 E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
2 Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto o teu coração se elevou e disseste: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares; e não passas de homem, e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus;
Bom, até aqui a profecia se refere a um príncipe que é um homem. Vamos em frente.
3 Eis que tu és mais sábio que Daniel; e não há segredo algum que se possa esconder de ti.
4 Pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste para ti riquezas, e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros.
5 Pela extensão da tua sabedoria no teu comércio aumentaste as tuas riquezas; e eleva-se o teu coração por causa das tuas riquezas;
6 Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Porquanto estimas o teu coração, como se fora o coração de Deus,
7 Por isso eis que eu trarei sobre ti estrangeiros, os mais terríveis dentre as nações, os quais desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e mancharão o teu resplendor.
8 Eles te farão descer à cova e morrerás da morte dos traspassados no meio dos mares.
9 Acaso dirás ainda diante daquele que te matar: Eu sou Deus? mas tu és homem, e não Deus, na mão do que te traspassa.
10 Da morte dos incircuncisos morrerás, por mão de estrangeiros, porque eu o falei, diz o Senhor DEUS.

Bom, até aqui também se trata de um homem que ajunta riquezas, ouro, tesouros, etc. É um homem que será atacado por estrangeiros.

II Parte da Profecia:
11 Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.
13 Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônica, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.
14 Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.
15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti.
16 Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas.
17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.
18 Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem.
19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá.

Depois eu retorno a esta parte da profecia.

III Parte da Profecia:
20 E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
21 Filho do homem, dirige o teu rosto contra Sidom, e profetiza contra ela,
22 E dize: Assim diz o Senhor DEUS: Eis-me contra ti, ó Sidom, e serei glorificado no meio de ti; e saberão que eu sou o SENHOR, quando nela executar juízos e nela me santificar.
23 Porque enviarei contra ela a peste, e o sangue nas suas ruas, e os traspassados cairão no meio dela, estando a espada contra ela por todos os lados; e saberão que eu sou o SENHOR.
24 E a casa de Israel nunca mais terá espinho que a fira, nem espinho que cause dor, entre os que se acham ao redor deles e que os desprezam; e saberão que eu sou o Senhor DEUS.
25 Assim diz o Senhor DEUS: Quando eu congregar a casa de Israel dentre os povos entre os quais estão espalhados, e eu me santificar entre eles, perante os olhos dos gentios, então habitarão na sua terra que dei a meu servo, a Jacó.
26 E habitarão nela seguros, e edificarão casas, e plantarão vinhas, e habitarão seguros, quando eu executar juízos contra todos os que estão ao seu redor e que os desprezam; e saberão que eu sou o SENHOR seu Deus.

Bom, nem a I Parte e nem a III parte deste capítulo nos interessa. Vamos ao que nos interessa que é a II parte.

Leiamos uma outra versão bem interessante:
VS.14 “Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci;...”

Agora leia onde:
”...estavas no monte santo de Deus,...”.

E agora leia de onde ele foi expulso:
VS.16 – ”... pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus,...”.

O problema da sua argumentação é que vc une duas informações:
”Estiveste no Éden, jardim de Deus... Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci”

Porém, o correto é dizer:
“Estiveste no Éden, jardim de Deus... Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci, estavas no monte santo de Deus pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus”.

Diante disso vamos as perguntas:

Se Satanás foi posto para guardar o jardim e criado para isso, por que é que em nenhum versículo de Gênesis aparece tal "teoria"?
O problema é que o texto aponta mais para ele ter sido guarda no monte de Deus do que no jardim. Foi do monte que ele foi expulso. Quando ele surge no Éden, surge já como um ser caído.

Aliás, é no mínimo contraditório ele ter sido posto para "guardar o jardim" se Gênesis não faz menção disso e ele não aparece fazendo o que supostamente deveria estar fazendo.
Se Gn não diz isso, então isto favorece novamente ainda mais que sua interpretação está errada. Ou seja, ele era guarda do monte de Deus e não do Éden.

O texto aponta que ele estava no Éden. E depois diz quem ele era e que do monte de Deus ele caiu.

Outra contradição é Ezequiel citar que "UM POUCO MENOR QUE OS ANJOS" o criaste...?
Onde diz isso neste texto de Ez?

1- Se ele foi expulso, como é que ele tentou Adão e Eva, já que estava de fora?
Ele foi expulso do monte de Deus. É isso que o texto diz.

2- Se ele foi expulso, como é que ele entrou no Jardim se o jardim estava guardado?
Guardado? O jardim só foi posto sob guarda depois da expulsão de Adão e Eva:

Gn 3: 24 E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.

3- Temos que decidir também se ele era anjo ou não.
Era anjo! Ou vc acha querubim significa o que?

4- Se Satanás foi realmente posto para guardar o jardim, por que Gênesis não cita este "fato".
Porque ele não era anjo da guarda do jardim. Ele era querubim da guarda no monte de Deus.

Na verdade, esta é uma “afirmação” é "meio" infundada, pois não existe narrativa Bíblica que concorde com esta tese.
Não? Mas o que vc entende por querubim?

O que vc entende por isso também:
Apocalipse12:7 E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;

Anjos contra anjos.
Se o dragão não é um anjo, então Miguel também não é.

Mt 25:41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

Onde diz, realmente, que satanás era um anjo?

O que vc entende por querubim?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Jesus, após ser ressuscitado, poderia ser tocado sim ou não?


NÃO, não pode tocar não, vejam:
“Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai”
(Jo 20:17).

SIM, pode tocar sim, vejam:
“Põe aqui o teu dedo, vê as minhas mãos, aproxima também a tua mão, põe-na no meu lado”
(Jo 20:27).
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Por Pipe:
A tradução correta é:
Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
(Bíblia on Line)

No grego: μη μου απτου

απτου pode ser traduzido por tocar, agarrar-se, apegar-se, segurar.

Fonte: "Chave Linguística do NT Grego", Fritz Rienecker & Cleon Rogers, ed. Vida Nova, pg.191.

Por isso, pode ser:
Não me detenhas
Não me agarre
Não me segure

É também pouco provável que quando Jesus aparece pela primeira vez entre eles (sem Tomé presente), eles nem se quer o abraçaram.

Tomé não acreditou que era Ele. Jesus então disse: Toque aqui nas minhas feridas. O tocar ali não estava implícito que Ele não havia sido tocado. E sim, que para Tomé crer ele precisou ver e tocar nas mãos perfuradas de Jesus.

Quer dizer que quando digo "não me segure" ou "não me detenhas" isso significa "não me toques"?

O simples fato de eu dizer "não me segure" denota que vc está me segurando. Portanto, está me tocando. Ou não? Tem como vc segurar alguém sem tocá-la?

O simples fato de vc dizer "não me detenhas" implica na possibilidade de estar me detendo.

Dicionário on line:
Deter:
1. Fazer parar.
2. Sustar.
3. Suspender.
4. Conservar em detenção.Segurar:1. Tornar seguro, firmar.
2. Sustentar.
3. Agarrar.
4. Certificar.
5. Acautelar.
6. Caucionar.
7. Pôr no seguro.
8. Tranquilizar.
9. Conter.

10. Prender.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Proteínas produzidas ao acaso:


Volume de proteínas a serem produzidas para compor ao acaso uma proteína predeterminada.

Consideraremos uma proteína ultracurta, de só 100 aminoácidos.

Existem 20 tipo de aminoácidos diferentes, podem ser formados com eles 20 x 20 pares distintos, 20 x 20 x 20 conjuntos de 3, etc, até serem obtidos 20 à 100 tipos de proteínas diferentes, cada uma com 100 aminoácidos.

Mas 20 à 100 = (2 x 100) à 100 = 2 à 100 x 10 à 100 = (2 à 10) à 10 x 10 à 100.

Se aproximarmos 2 à 10 = 10 à 3 resultará:

20 à 100 = (10 à 3) à 10 x 10 à 100 = 10 à 30 x 10 à 100 = 10 à 130

que será o número médio de proteínas necessário para obter aquela que foi predeterminada.

Fazendo igual a 100 Daltons o peso molecular médio dos100 aminoácidos de nossa proteína, ela pesará 10.000 Daltons, isto é 10 x 10 x 10 x 10 Daltons, e nossas 10 à 130 proteínas pesarão 10 à 134 Daltons. Para transformar este peso em quilogramas será necessário dividi-los pelo número de Avogrado (que consideramos igual a 10 à 24 e que dá o peso em gramas) e por 10 x 10 x 10 (para ter o resultado em quilogramas). Obtém-se então para o peso das proteínas o valor 10 à 107 kg, para que se possa formar ao acaso aquela proteína predeterminada.

Se considerarmos para as proteínas o peso específico igual a da água, teremos para o volume de todas as 10 à 130 proteínas o valor igual a 10 à 107 dm à 3, ou 10 à 95 Km3. Tirando a raiz cúbica desse valor, obtém-se para a aresta do cubo correspondente a esse volume o valor aproximado de 10 à 32 km.

Um foguete que se deslocasse com a velocidade da luz (300.000 km/s), no decorrer de um ano teria percorrido "somente" 10 à 13 km, e para percorrer uma distância à aresta desse nosso cubo levaria 10 à 20 anos-luz isto é 100 milhões de milhões de milhões, (ou 100 quintilhões) de anos-luz.

É esse o tempo necessário para navegar nesse oceano de proteínas para obter por acaso aquela proteína predeterminada.

Fonte:

Fernando de Angelis; "A Origem da vida por evolução: Um obstáculo ao desenvolvimento da Ciência"; ed. SCB; pg.76.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Quem iria crer em um crucificado?

1 Coríntios 1:18 - De fato, a mensagem da morte de Cristo na cruz é loucura para os que estão se perdendo; mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.

1 Coríntios 15:12-19 - Se a nossa mensagem é que Cristo foi ressuscitado, como é que alguns de vocês dizem que os mortos não vão ressuscitar? Se não existe a ressurreição de mortos, então quer dizer que Cristo não foi ressuscitado. E, se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar, e vocês não têm nada para crer. E mais ainda: nesse caso estaríamos mentindo contra Deus, porque afirmamos que ele ressuscitou Cristo. Mas, se é verdade que os mortos não são ressuscitados, então Deus não ressuscitou Cristo. Porque, se os mortos não são ressuscitados, Cristo também não foi ressuscitado. E, se Cristo não foi ressuscitado, a fé que vocês têm é uma ilusão, e vocês continuam perdidos nos seus pecados. Se Cristo não ressuscitou, os que morreram crendo nele estão perdidos. Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo.

Com a exceção dos que crêem que Jesus nunca existiu (JNE) e os que crêem em teorias conspiratórias (e no que diz respeito a este assunto, eu incluo os muçulmanos neste grupo!), poucos negariam a realidade histórica da crucificação. Contudo, uma vez que a porta é aberta, ela traz o primeiro dos nossos problemas:

Quem acreditaria em uma religião centrada em um homem que foi crucificado?
Como mostrado amplamente por Martin Hengel em sua monografia, Crucifixion [Crucificação], a vergonha da cruz era o resultado de uma norma fundamental do Império Greco-Romano. Hengel observa que “a crucificação era um caso absolutamente ofensivo, ‘obsceno’ no sentido original da palavra”.

Como Malina e Rohrbaugh notam em seu Social-Science Commentary on John [Comentário Sociológico de João] [263-4], a crucificação era um “ritual de degradação do status desenvolvido para humilhar de todas as formas possíveis, incluindo o simbolismo da encravação das mãos e pernas, significando a perda de poder, e perda da habilidade de controlar o corpo de várias formas, inclusive podendo se sujar com seus próprios excrementos. O processo era tão ofensivo que os Evangelhos oferecem as descrições mais detalhadas de uma crucificação nos tempos antigos – o assunto deixava os autores pagãos muito revoltados para oferecerem descrições igualmente compreensíveis – apesar do fato de que foram realizadas milhares de crucificações ao mesmo tempo, em algumas ocasiões. (O) mundo literário culto não queria relacionar-se com [a crucificação], e como regra, manteve-se em silêncio a respeito disso”.

Era sabido desde o tempo de Paulo (1 Coríntios 1:18; veja também Hebreus 12:2) que pregar sobre um salvador que sofreu as desgraças deste tratamento era tolice. E era assim tanto para os Judeus (Gálatas 3:13; Deuteronômio 21:23) quanto para os Gentios.

Justino Mártir escreveu posteriormente em sua primeira Apologia 13:4 – "Eles dizem que nossa loucura consiste no fato de que nós colocamos um homem crucificado em segundo lugar, depois do Deus eterno e imutável…"Celso descreve Jesus como alguém “amarrado da forma mais ignominiosa” e “executado de forma vergonhosa”.

Josefo descreve a crucificação como “a mais desprezível das mortes”.

Um oráculo de Apolo preservado por Agostinho descrevia Jesus como “um deus que morreu em desilusões … executado no verdor dos anos pela pior das mortes, uma morte atada ao ferro”.

Assim são as opiniões: Sêneca, Luciano, Pseudo-Manetho, Plautus. Mesmo as classes baixas se juntaram à maldade, como demonstrado por um grafite apresentando um homem suplicando diante de uma figura crucificada com a cabeça de um jumento, com o subtítulo: “Alexamenos adora a deus”. (A cabeça de jumento sendo um reconhecimento das raízes Judaicas do Cristianismo: Uma convenção da polêmica anti-Judaísmo era que os Judeus adoravam um jumento no templo deles.) Embora confuso em outros assuntos, Walter Bauer afirmou corretamente: Os inimigos do Cristianismo sempre se referiam à desgraça da morte de Jesus com grande ênfase e prazer malicioso. Um deus ou o filho de deus em uma cruz! Aquilo era o bastante para liqüidar a nova religião.

E DeSilva adiciona: Nenhum membro da comunidade Judia ou a sociedade Greco-Romana adotaria a fé ou se juntaria ao movimento Cristão sem antes aceitar que a perspectiva de Deus sobre o tipo de comportamento que merece honra difere excessivamente da perspectiva dos seres humanos, visto que a mensagem sobre Jesus é a de que os líderes Judeus e Gentios de Jerusalém avaliaram Jesus, suas convicções e seus feitos como merecedores de uma morte vergonhosa, mas Deus subverteu a avaliação que eles tinham de Jesus ao ressuscitá-lo dos mortos e sentá-lo à sua direita [de Deus] como Senhor.

N.T. Wright também aponta isso em Resurrection of the Son of God [A Ressurreição do Filho de Deus – 543, 559,563]: O argumento, neste ponto, procede em três estágios.

(i) O Cristianismo primitivo foi sistematicamente messiânico, moldando-se sobre a crença de que Jesus era o Messias de Deus, o Messias de Israel.

(ii) Mas a concepção de Messias no Judaísmo, da forma como era, nunca contemplou alguém fazendo o tipo de coisas que Jesus havia feito, sem falar no destino que ele teve.

(iii) O historiador deve, portanto, perguntar por que os primeiros Cristãos reivindicavam essas coisas sobre Jesus, e por que reordenaram suas vidas de acordo com isso.

As crenças do Judaísmo sobre a vinda de um Messias, e sobre os feitos que se esperava que tal personalidade cumprisse, vieram em várias formas e tamanhos, mas não incluíam uma morte vergonhosa, que deixou o Império Romano celebrando a vitória de forma habitual.

Alguma coisa aconteceu com a crença sobre a vinda de um Messias … ela não foi nem abandonada, nem simplesmente reafirmada em grande extensão. Ela foi redefinida baseada em Jesus. Por quê? Os primeiros Cristãos respondiam a essa questão, é claro, com uma só voz: Nós cremos que Jesus era e é o Messias, pois ele ressuscitou dos mortos. Nada mais funcionaria aqui.
A mensagem da cruz era repulsiva, uma vulgaridade em seu contexto social. Discutir a crucificação era o pior tipo de faux pas [passo em falso – falta de etiqueta]; era relacionado, mas somente no sentido mais superficial, a discutir técnicas de recuperação de esgotos durante uma boa refeição – mas pior ainda quando em associação com um suposto deus ter vindo à terra. Hengel adiciona: “Um Messias crucificado … deve ter parecido com uma contradição de termos para qualquer um, Judeu, Grego, Romano ou bárbaro".

Eles certamente julgariam tolo e ofensivo se alguém lhes perguntasse se acreditariam nisso. “Que um deus desceria ao reino da matéria para sofrer dessa forma tão ignominiosa” era contrário não somente ao pensamento político Romano, mas a todo o etos da religião dos tempos antigos, e em particular, às idéias sobre Deus que as pessoas educadas tinham”. Anunciar um deus crucificado seria semelhante à Convenção Batista do Sul anunciar que passaria a sancionar a pedofilia! Se Jesus realmente era um deus, então de acordo com o pensamento Romano, a crucificação nunca deveria ter acontecido. Celso, um antigo crítico pagão do Cristianismo, escreve: Mas se (Jesus) era tão grande, ele deveria, a fim de demonstrar sua divindade, ter desaparecido repentinamente da cruz.

Este comentário representa não somente o desafio de um cético, mas é um reflexo de uma consciência impregnada sócio-teologicamente. Os Romanos não podiam antever um deus morrendo como Jesus e ponto final. Assim como discutir sobre se o céu é verde, ou se os porcos voam, mas estes argumentos pelo menos não ofendiam as sensibilidades ao máximo. Precisamos enfatizar isto (pela primeira, mas não última vez) de uma perspectiva social, pois a nossa própria sociedade não é tão sintonizada quanto ao processo de honra quanto a sociedade antiga. Achamos estranho assistir Shogun e imaginar homens se suicidando pelo bem da honra. Os Judeus, Gregos e Romanos não achariam nada de estranho nisso. Como David deSilva mostra em Honor, Patronage, Kinship and Purity [Honra, Clientelismo, Afinidade e Pureza], o honorável era, para os antigos, de importância primordial. A honra era posta acima da própria segurança pessoal e era o elemento chave ao se decidir modos de ação. Isócrates dá conselhos pessoais baseado não no que era “certo ou errado”, mas sim no que era “nobre ou desonroso”. “A promessa da honra e a ameaça da desgraça [eram] estimulantes proeminentes quando se procurava certo tipo de vida e para evitar muitas alternativas”.

O Cristianismo, é claro, respondia que a morte de Jesus foi um ato honorável de sacrifício pelo bem alheio – mas esse tipo de lógica só funciona se você já estivesse convencido por outros meios!

Sendo este o caso, podemos perguntar de forma razoável pela primeira vez neste ensaio, por que o Cristianismo teve sucesso. A infâmia de um salvador crucificado era um impedimento tão grande para a fé cristã como é hoje em dia – de fato, era muito, muito mais! Por que, então, havia Cristãos? Na melhor das hipóteses este deveria ter sido um movimento com somente alguns seguidores estranhos, e então morrido dentro de algumas décadas como uma nota de rodapé, se sequer fosse mencionado. A realidade histórica da crucificação não poderia, é claro, ser negada. Para sobreviver, o Cristianismo ou teria de ter se tornado gnóstico (como realmente aconteceu em alguns desdobramentos), ou então não ter se incomodado com Jesus, e meramente ter feito dele o primeiro mártir de um ideal moral mais eminente dentro do Judaísmo. Teria sido absurdo sugerir, para um Judeu ou Gentio, que um ser crucificado era digno de adoração ou que morreu pelos nossos pecados.


Só pode haver uma única boa explicação: O Cristianismo teve sucesso pois da cruz veio a vitória, e após a morte veio a ressurreição! A vergonha da cruz converteu-se em uma das provas mais incontestáveis do Cristianismo!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Contradição do silêncio de Jesus

Proposta de Fabiano:

A pergunta é: Jesus ficou praticamente calado perante Pilatos?

Segundo Mateus (e também Marcos e Lucas) Jesus deu apenas uma curta resposta e depois calou-se:

E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes.
(...)
Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti?
E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado
Mateus 27:11-14

E em Marcos 15:05, após a Pilatos ter feito a primeira pergunta e Jesus ter dado a sua rápida resposta, é dito:

Mas Jesus nada mais respondeu...

Porém João, ao contrário dos três evangelhos anteriores, mostra Jesus dialogando com Pilatos:

Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim?
Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.
Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz
João 18:37

E ainda no capítulo seguinte:

Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem
João 19:10,11
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Por Pipe

Vamos aos textos então:

Mc 15:
1 E, logo ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho; e, ligando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos.
2 E Pilatos lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.
3 E os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas; porém ele nada respondia.
4 E Pilatos o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti.
5 Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava.

Note que Marcos descreve duas perguntas:
1. Tu és o Rei do Judeus?
2. Nada respondes?

Mt 27:
11 E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes.
12 E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.
13 Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti?
14 E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.

Mateus:
1. És tu o Rei dos Judeus?
2. Não ouves quanto testificam contra ti?

Jo 18:
33 Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
34 Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim?
35 Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
36 Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.
37 Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei.

João:
1. Tu é o Rei dos judeus?
2. Logo tu és rei?

Ou seja, João não trata da segunda pergunta feita por Pilatos.

Jesus nada mais respondeu diante das acusações do sacerdotes.

O dialogo que João descreve diz respeito as perguntas que o texto aborda e que Mc e Mt também aborda. Tanto Mt quanto Mc testificam que Jesus respondeu a pergunta: "Tu é o Rei dos judeus?". João descreve um dialogo entre Pilatos e Jesus relacionado a esta pergunta. Mc e Mt descrevem apenas uma vez a pergunta (que em João é feita duas vezes). Porém, João não descreve a pergunta que Pilatos faz a Jesus diante das acusações dos sacerdotes.

É interessante notar também que em João no cap.19 Jesus também não responde uma outra pergunta que Mc e Mt nem mencionam:

9 E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.

Portanto, João foi mais detalhista no que diz respeito a primeira pergunta de Pilatos. João não menciona nem a pergunta e nem o silêncio de Jesus diante da pergunta de Pilatos frente as acusações dos sacerdotes. Porém, menciona o silêncio de Jesus diante de outra pergunta: “De onde és tu?"

Mt e Mc são reducionistas quanto ao diálogo entre Jesus e Pilatos na primeira pergunta.


Agora isso não se trata de uma contradição. Se trata de três narrativas onde somadas temos uma melhor visão da cena do julgamento.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Davi nasceu em Belém ou Jerusalém?

Pergunta de Júlio César:

Galera gostaria que alguém respondesse essa suposta contradição:

Por que todo mundo fala que Davi nasceu em Belém, mas as escrituras possivelmente se contradizem olhem.

Belém
Davi fala para Jônatas:
1 Samuel 20:06 "Se teu pai notar a minha ausência, dirás: Davi me pediu muito que o deixasse ir correndo a Belém, sua cidade; porquanto se faz lá o sacrifício anual para toda a linhagem."

Até aí está tudo certo mas...

Jerusalém
2Reis 14:20 "E o trouxeram em cima de cavalos; e o sepultaram em Jerusalém, junto a seus pais, na cidade de Davi”.

Em 2 Reis ele está falando que a cidade de Davi é Jerusalém.

Mas afinal qual é a descontradição desta contradição?

Me respondam...
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Por Pipe:
1. A Cidade onde Saul reinava era Gilgal (1 Sm 11:14-15).

2. Foi Davi quem conquistou Jerusalém e foi o primeiro Rei de Israel sobre ela. Devido a isto ela passou a ser chamada de cidade de Davi:

"E partiu o rei com os seus homens a Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra; e falaram a Davi, dizendo: Não entrarás aqui, pois os cegos e os coxos te repelirão, querendo dizer: Não entrará Davi aqui. Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a cidade de Davi. Porque Davi disse naquele dia: Qualquer que ferir aos jebuseus, suba ao canal e fira aos coxos e aos cegos, a quem a alma de Davi odeia. Por isso se diz: Nem cego nem coxo entrará nesta casa. Assim habitou Davi na fortaleza, e a chamou a cidade de Davi; e Davi foi edificando em redor, desde Milo para dentro".

(2 Sm 5:6-9)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Podemos mentir? Sim ou Não?

Proposta do cético:

Não, deus proibiu a mentira:
"Não furtareis, nem MENTIREIS, nem usareis de FALSIDADE cada um com o seu próximo;" [Lev 19 : 11]

Sim, Paulo diz que podemos mentir e enganar as pessoas Sim, vejam:
"Que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com FINGIMENTO ou em verdade."[Fil 1:18]

Como todos podem ver, esta na bíblia, podemos mentir SIM.

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Por Pipe

Refutando:
mentira
(origem controversa)
s. f.
1. Acto! de mentir.
2. Engano propositado. = falsidade
3. História falsa. = peta
4. Aquilo que engana ou ilude. = fantasia, ilusão

mentir - Conjugar
v. intr.
1. Dizer o que não é verdade.
2. Dizer o que não se pensa.
3. Enganar.
4. Fig. Falhar, malograr-se.
5. Faltar.
6. Não cumprir o prometido ou o que era de esperar.

fingimento
s. m.
1. Acto! de fingir, feição.
2. Disfarce; impostura.

fingir - Conjugar
(latim fingo, -ere, modelar, arranjar, dar forma, representar, imaginar, inventar)
v. tr.
1. Inventar; fantasiar; simular; arremedar.
2. Beira Remexer e trabalhar de novo (com as mãos) a massa do pão depois de levedada.
v. intr.
3. Ser dissimulado; aparentar o que não é.

Agora vamos ao contexto:
"E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho. Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda".
O que Paulo está tratando, é que tinha gente que ficava pregando o Evangelho numa espécie de disputa com ele. Era como se o foco do indivíduo ao invés de pregar a Cristo pela motivação correta, o fazia para disputar com Paulo tentando trazer sobre ele algum tipo de aflição. Com isso em mente, observe os significados das palavras que Paulo usa:

Inveja
s. f.
2. Desejo de possuir o que outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor).

Porfia
s. f.
1. Disputa ou contenda pertinaz de palavras.

Contenção
(latim contentio, -onis, acção! de estender com esforço; eloquência; luta)
s. f.
1. Acto! de contender.
2. Contenda, luta, disputa.
3. Altercação, debate.

Fingimento
s. m.
1. Acto! de fingir, feição.
2. Disfarce; impostura.

Estes caras tinham inveja de Paulo e queriam disputar com ele a pregação do Evangelho. Faziam isto para contender com Paulo. Ou seja, a motivação era errada e não o Evangelho anunciado. Por tanto, eles não estavam mentindo sobre o que anunciavam. Sua motivação era errada, mas o que anunciavam era verdade. Se formos partir do mesmo raciocínio que vc aplicou na palavra "fingimento" nas demais palavras, então teremos que concluir também que Paulo está defendendo a inveja, a porfia, e a contenção.

Fiz-me
1ª pess. sing. pret. perf. ind. de fazer
corresponde ao verbo correlativo (ex.: fazer abalo [abalar], fazer violência [violentar]; fazer fraco [enfraquecer]).
v. pron.
01. Passar a ser (ex.: este rapaz fez-se um homem). = tornar-se, transformar-se
02. Seguir a carreira de (ex.: fez-se advogada).
03. Desenvolver qualidades (ex.: ele fez-se e estamos orgulhosos).
04. Adaptar-se a (ex.: fizemo-nos aos novos hábitos). = acostumar-se, afazer-se, habituar-se

05. Levar alguém a perceber ou sentir algo (ex.: fazer-se compreender, fazer-se ouvir)