quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quando o céu foi criado?



O céu foi criado quando a terra foi criada.
Mt 25:34 - Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

O céu foi criado depois da ascensão de Jesus.
Jo 14:2 - Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar.
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Por Pipe

Descontradizendo:
Jo 14:2 - "Na casa de meu Pai  muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar". 

1. O texto diz claramente
 "há muitas moradas" e não "haverá muitas moradas". Ou seja, já estão lá.

2. Jesus está dizendo que
 "se não fosse assim", ele então teria dito.

3. Jesus diz
 "vou preparar-vos lugar" e não "vou criar o céu para vocês".

Conclusão:

Não há nenhuma contradição!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Para quem Pedro negou conhecer Jesus?



Uma criada, outra criada, e então uma multidão das pessoas.
Mt 26:69-73 - Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu. Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem. E, logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.

Uma criada do sumo sacerdote, a mesma criada novamente, e então uma multidão das pessoas.
Mc 14:66-71 - E, estando Pedro embaixo, no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote; e, vendo a Pedro, que estava se aquentando, olhou para ele e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno. Mas ele negou-o, dizendo: Não o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora ao alpendre, e o galo cantou.- E a criada, vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um dos tais. Mas ele o negou outra vez. E, pouco depois, os que ali estavam disseram outra vez a Pedro: Verdadeiramente, tu és um deles, porque és também galileu. E ele começou a imprecar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais.

Uma criada, um homem, e então outro homem.
Lc 22:54-60 - Então, prendendo-o, o levaram e o meteram em casa do sumo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe. E, havendo-se acendido fogo no meio do pátio, estando todos sentados, assentou-se Pedro entre eles. E como certa criada, vendo-o estar assentado ao fogo, pusesse os olhos nele, disse: Este também estava com ele. Porém ele negou-o, dizendo: Mulher, não o conheço. E, um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu és também deles. Mas Pedro disse: Homem, não sou. E, passada quase uma hora, um outro afirmava, dizendo: Também este verdadeiramente estava com ele, pois também é galileu. E Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo.

Uma porteira, várias pessoas anônimas, um dos criados do sumo sacerdote.
Jo 18:15-17, 25-27 - E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote. E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote e falou à porteira, levando Pedro para dentro. Então, a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou...E Simão Pedro estava ali e aquentava-se. Disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou e disse: Não sou. E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele?
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Por Pipe

Descontradizendo:
Vamos organizar da seguinte forma:
Mt 26:69-73
 - Uma criada, outra criada, e então uma multidão das pessoas;
Mc 14:66-71 - Uma criada do sumo sacerdote, a mesma criada novamente, e então uma multidão das pessoas.
Lc 22:54-60 - Uma criada, um homem, e então outro homem.
Jo 18:15-17, 25-27 - Uma porteira, várias pessoas anônimas, um dos criados do sumo sacerdote.

O que há de comum nas quatro passagens?

1. Os quatro relatam que a primeira pessoa a confrontar Pedro foi uma mulher (criada ou porteira);

2. Mateus, Marcos e João dizem que houve um momento em que vários afirmaram que Pedro era discípulo de Jesus. Apenas Lucas diz que foi um
 "outro homem. Neste caso, Lucas pode estar se referindo apenas a uma pessoa ter dado início a afirmação que gerou a pressão em massa dos outros. Pois, nos casos anteriores, a pressão havia ficado apenas a nível individual. portanto, o fato de afirmar que um homem apenas se dirigiu a Pedro, não significa que logo em seguida isto não levou outros a seguí-lo na investida contra Pedro.


A confusão se encontra na "segunda" pessoa que abordou Pedro. Pois, Mateus diz que foi outra criada; Marcos diz que foi a mesma do primeiro confronto; Lucas diz que foi um homem; e João diz que foi um criado do sumo sacerdote. Como resolver esta aparente “contradição”?

Como se tratava de um grupo de servos em conversa ao redor da fogueira, várias pessoas tornariam a fazer a mesma pergunta.
 

Neste caso, o que está em ênfase aqui não é quem foi que perguntou e quantas vezes esta pessoa perguntou. A ênfase está em que Pedro foi confrontado três vezes e negou Cristo todas as três vezes.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Livro: "Apagando o Inferno" de Francis Chan

- O que Deus fala sobre eternidade e o que nós inventamos - 

Editora Mundo Cristão

Francis Chan contrapõe biblicamente o universalismo e as ideias equivocadas sobre céu e inferno

Em 2011, o mundo cristão norte-americano foi sacudido pela polêmica obra de Rob Bell, Love Wins, lançado agora no Brasil pela Editora Sextante, sob o título O amor vence.

Bell argumenta que o amor de Deus é forte o suficiente para que todas as pessoas sejam aceitas por Deus na eternidade, eliminado a possibilidade do inferno. A argumentação do autor baseia-se numa interpretação liberal do texto bíblico apresentado no livro de 1ª Timóteo 2:4.

Chan concilia a existência de um Deus amoroso com um lugar de sofrimento eterno

Dentre as várias reações oriundas no meio teológico e pastoral, Francis Chan destacou-se como um dos principais expoentes rejeitando e contrapondo a visão universalista de Rob Bell. Seu argumentos transformaram-se no livro Apagando o Inferno, que acaba de ser lançado pela Editora Mundo Cristão. Chan concilia a existência de um Deus amoroso com um lugar de sofrimento eterno para aqueles que rejeitam o Criador.

“Não podemos nos dar ao luxo de estar errados quando a questão é o inferno. Essa não é uma daquelas doutrinas que se pode ouvir falar superficialmente, dar de ombros e seguir em frente. Há muita coisa em risco. Muitas pessoas estão em risco. E a Bíblia tem muito a dizer.”

Francis Chan se empenhou em buscar nas Escrituras toda a verdade a respeito do inferno para esgotar suas dúvidas e temores sobre o tema e, definitivamente, crer no que Deus ensina sobre o inferno. Não simplesmente porque assim foi ensinado na igreja, mas porque é a verdade.

Para ele, não foi uma tarefa nada fácil. Regada a lágrimas, com muita oração e jejum, a obra vai além do tema inferno, ela “fala sobre como abraçar um Deus que nem sempre é fácil de entender, e cujos caminhos estão muito além dos nossos; um Deus cujos pensamentos são muito mais altos que os nossos pensamentos; um Deus que, como soberano criador e sustentador de todas as coisas, tem todo o direito, como declara o salmista, de ‘fazer tudo o que lhe agrada’ (Sl 115.3)”.


Sobre o autor: Francis Chan é autor dos livros Louco amor e O Deus esquecido, ambos publicados pela Mundo Cristão. É fundador  da igreja Cornerstone (Simi Valley, California) e da faculdade cristã Eternity Bible College. Atualmente desenvolve projetos de implantação de igrejas na cidade de San Francisco.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Devemos mostrar aos outros nossas boas ações?


Sim, devemos mostrar.
Mt 5:16 - Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.

I Pe 2:12 - tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.


Não devemos mostrar.
Mt 6:1 - Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus.

Mt 23:3 - Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.

Mt 23:5 - E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens, pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,
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Por Pipe

Descontradizendo vs. por vs.:
Mt 5:16 – ”Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”.

Quem será exaltado nesta história, Eu ou Deus? O Texto diz que Deus será glorificado.

I Pe 2:12 – 
”tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem”.

Quem será exaltado nesta história, Eu ou Deus? O Texto diz que Deus será glorificado.


Agora vamos ver os textos que dizem que não devemos mostrar.
Mt 6:1 – ”Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus”.

Jesus nos traz neste texto algumas delimitações para atos que fazem parte da vida cristã. No ensino de Jesus, havia algumas disciplinas que deveriam ser observadas no secreto. Disciplinas como dar esmolas, orações em público, jejum, etc. Estes deveriam ser observados no secreto entre você e o próximo, ou entre você e Deus. O próprio Jesus revela o porquê disse o que disse:

Vs.2 - 
”Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão”.

O problema aqui não estava em demonstrar uma atitude de amor a uma pessoa necessitada, e sim, de fazê-lo buscando gloria para si mesmo e não para Deus.

Agora volto a pergunta: Quem será exaltado nesta história, Eu ou Deus? O Texto diz que eu serei glorificado e não Deus.


Descontradizendo Mt 23:3 & 5:
Vamos ler o contexto:

3 - 
"Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam".4 - "Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem sobre os ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los".5 - "E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens, pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,6 - "e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas,"7 - "e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: -- Rabi, Rabi".

Volto a pergunta: Quem será glorificado nesta história? Eu e ou Deus. Caso eu imite a atitude dos fariseus, o texto diz que eu serei glorificado e não Deus.

O texto está dizendo que não devemos praticar justamente esta atitude farisaica. A atitude de falar mas não vivenciar o que disse. Atitude de se preocupar em ser o centro das atenções, de ser chamado mestre, de ocupar os assentos especiais.

O próprio texto diz que devemos fazer o que eles dizem e não o que eles fazem. Pois aquele que cumpre os mandamentos glorifica a Deus.

Conclusão:

É bem claro que os textos estão falando de uma única coisa:

Nossas ações devem ser vistas pelos homens quando elas visam a glória de Deus e não a glória pessoal.

Portanto, não há nenhuma contradição!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Livro: "Cosmovisão Cristã e Transformação" de Cláudio Leite, Guilherme Carvalho e Mauricio Cunha, org.

Editora Ultimato 

– O que é cosmovisão cristã? 
– Que aplicação prática ou implicações éticas têm as verdades bíblicas? 
– Como os cristãos podem influenciar a ordem social? 

É sobre estas perguntas, entre outras que desafiam a fé bíblica, que tratam os autores aqui reunidos. 

Da abordagem teórica às ações práticas, da Igreja Primitiva à Reforma, das experiências históricas ao contexto brasileiro de pobreza, do compromisso com a piedade à prática da missão integral — Cosmovisão Cristã e Transformação aponta elementos e alternativas para uma espiritualidade que não deixa inalteradas as nossas relações sociais. 


“O censo aponta o crescimento do número de evangélicos e o crescimento (e não a redução) dos nossos problemas sociais e morais. Onde estão o ‘sal da terra’ e a ‘luz do mundo’? Em um tempo marcado pela fragmentação e pelo individualismo, pela pobreza do pensar, o que nos falta não seria exatamente uma cosmovisão cristã, um conteúdo ético e uma proposta reformadora de inserção social?” 
— Robinson Cavalcanti

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Quando a transfiguração aconteceu?



Seis dias depois que Jesus predissesse a sua morte.
Mt 16:28 - 17:2 - Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu Reino. Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.

Mc 9:1-2 - Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o Reino de Deus com poder. E, seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte, e transfigurou-se diante deles.


Oito dias depois que Jesus predissesse a sua morte.
Lc 9:27-28 - E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus. E aconteceu que, quase oito dias depois dessas palavras, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago e subiu ao monte a orar.
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Por Pipe

Descontradizendo:

Lc 9:27-28 - "E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus. E aconteceu que, quase oito dias depois dessas palavras, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago e subiu ao monte a orar".

Lucas não foi exato na sua descrição. Se fossem exatos oito dias, ele não teria dito 
"quase".

É bem provável que ele contou o dia em que foi dito as palavras e a madrugada em que ocorreu o evento. E Mateus e Marcos contaram apenas os dias a partir do dia seguinte as palavras e o dia em que subiram para a vigília.

Lucas é o úncio que descreve que eles permaneceram a noite toda orando. Pois no vs.37 ele diz: 
”E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo eles do monte, lhes saiu ao encontro uma grande multidão”.

Ou seja, eles permaneceram a noite toda no monte. Portanto, a transfiguração pode ter ocorrido na madrugada do sétimo para o oitavo dia contando o dia em que foi dito as palavras.

Observem que nem Mateus, nem Marcos disseram que eles desceram do monte no outro dia:

Mt 17:9 – 
”E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão até que o Filho do Homem seja ressuscitado dos mortos”.Mc 9:9 – ”E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos”.

Portanto, apenas Lucas descreve a vigília. E diante disto, fica evidente que a incerteza de ter sido oito dias estava baseada na transfiguração ter ocorrido na madrugada do sétimo para o oitavo dia. Enquanto que Marcos somaram a partir do dia seguinte as palavras e a noite em que subiram ao monte para orar. Por isso Lucas diz 
"Quase". Ou seja, "Quase" é algo inexato.

Portanto, não há nenhuma contradição!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Entrevista com Richard Swinburne



Fé e razão podem ser conciliadas? Como?
Richard Swinburne - Eu acho que não existe problema entre conciliar esses dois campos. Há bons argumentos para a existência de Deus e, se você quiser, vou descrevê-los. Penso que há boas razões porque Deus deveria permitir que todo o sofrimento que ocorre nesse mundo ocorra. Então, todos os argumentos dão sustentação à existência de Deus, não como certa, mas como provável. E é mais provável do que improvável. Eu acredito que há também bons argumentos para as doutrinas particulares da religião cristã, porque há bons argumentos para o tipo de pessoa que viveu a vida que Jesus viveu, e cuja força da vida culminou com o milagre da ressurreição para a qual eu penso que existem evidências históricas significativas. Isso constituiu o sinal de Deus naquela vida, assim como nos seus ensinamentos e na igreja que ele fundou. Penso que, por esses dois conjuntos de razões, há boas razões para supor que as doutrinas cristãs sobre Deus são verdadeiras e, por isso, no sentido de crença e razão, elas podem ser facilmente reconciliadas. A razão dá sustentação à verdade. Nas propostas da religião cristã, fé não é bem a mesma coisa que crença. Fé é colocar sua confiança em alguma coisa. E este é um ato voluntário. E, mesmo se você tem boas razões para crer que existe um Deus, você pode decidir não depositar sua confiança nele. Mas isto seria uma coisa tola e errada de se fazer, mas mesmo assim pode ser feito.

Os cientistas precisam, necessariamente, ser ateus? Por quê?
Certamente que não. E embora exista um e outro cientista proeminente e “barulhento” como Richard Dawkins, eu tenho minhas dúvidas se a maioria dos cientistas no mundo são ateístas ou não. Mas, certamente, uma minoria muito significativa não é ateísta, e eu realmente não vejo nenhum conflito aí.
 

Um de meus conjuntos fundamentais de argumentos para a existência de Deus é a regularidade do universo, e isto é um fato. Cada átomo no universo se comporta exatamente do mesmo modo, e os cientistas descobriram que modo é esse. Além disso, eles descobriram que muito mais partículas no universo se comportam de forma diferente do que acreditávamos antes. E eles descobriram que a maneira como essas partículas se comportam, ou seja, as leis mais fundamentais da natureza são tais que levam à evolução dos seres humanos desde o estado inicial do universo. Então, eu acredito que descobertas científicas nesse sentido são evidências positivas da existência de Deus.

O outro sentido é que, até 1900, cientistas tendiam a acreditar que o universo era determinista, ou seja, que todo evento era totalmente causado por eventos prévios. E, desde o surgimento da teoria quântica, isso é realmente muito duvidoso e por isso há um certo jogo, um certo indeterminismo na natureza. E assim, se nós quisermos exercer nosso livre arbítrio, nós precisamos de um certo indeterminismo na natureza, e esse Deus deve intervir nessa ordem natural sem violá-la, precisando de um tipo de indeterminismo na natureza. Então, penso que os desenvolvimentos dos últimos cem anos são evidências positivas para a existência de Deus.

Autoridades eclesiásticas acusam Craig Venter, o cientista conhecido pelo mapeamento do genoma humano, de querer competir com Deus. O homem contemporâneo pode, efetivamente, “brincar de Deus” ou mesmo competir com ele? Por quê?
Eu não estou preocupado com isso. Na medida em que ele está recém descobrindo o genoma humano, está descobrindo fatos científicos interessantes sobre como Deus fez nossos corpos. Por que alguém deveria ter objeções à descoberta da verdade, especialmente se a verdade é toda sobre Deus? A questão é o que nós fazemos com esse conhecimento. Há perigos óbvios nele, e que podem ser usados no mau sentido. Se descobrimos que alguém tem um gene que os cientistas pensam que é uma coisa ruim, eles poderiam produzir um aborto mesmo mais adiante na gravidez, e eu acredito que isso seria uma coisa muito ruim - destruir um ser racional já existente. Então, nós precisamos ser cuidadosos com o uso, mas não consigo ver nada de errado em possuir o conhecimento.

Por que é importante sabermos se Deus existe, ou não?
Se é verdade que Ele não nos fez meramente, mas nos mantém existindo a cada momento, ele é a causa elementar/derradeira para nossa existência e nós temos enormes razões para sermos agradecidos a ele, só para começar. E, assim como crianças humanas devem obediência limitada aos seus pais, nós devemos obediência ilimitada a Deus. Quero dizer, à medida que bons pais, não apenas pais biológicos, mas pais de criação, mantêm a criança existindo e fornecem a ela educação e nutrição, eles têm o direito de esperar que os filhos façam certas coisas, não porque elas são boas em si, mas porque não foi solicitado pelos filhos que fizessem isso. E, por isso, se existe um Deus, nós devemos-lhe gratidão, louvor e serviço. Se ele nos pede para fazer certas coisas, isso nos impõe uma obrigação. Então, isso importa muito.

Os teóricos da morte de Deus acertaram em sua previsão ou erraram? Se erraram, qual é o lugar de Deus na sociedade contemporânea?
Bem, se isto era pra ser uma previsão de que a religião está se extinguindo, por enquanto, ela falhou. Eu não sei se há mais pessoas que acreditam em Deus, ou menos, do que na época de Nietzsche. O que eu posso dizer é que a população do mundo cresceu consideravelmente e houve um grande crescimento do cristianismo na África e alguns países da América Latina. Eu diria que provavelmente a previsão estava errada. Mas se o cristianismo ou outra religião teística decaíram ou não, não é o ponto crucial.

Que cristianismo é possível em nosso tipo de sociedade?
Eu espero que o cristianismo possa promover paz e reconciliação entre diferentes comunidades e países. Nos primeiros 400 anos da existência da Igreja Cristã, ela não aplicou violência para derrubar regimes, aplicou reconciliação entre grupos em competição. A história do cristianismo, principalmente do cristianismo ocidental na Idade Média, não é uma boa história em relação a isso. Mas, claramente, qualquer um que lê os evangelhos e os ensinamentos da igreja primeva vai perceber que qualquer tentativa de estabelecer um estado cristão pela força e obrigar pessoas a acreditar em coisas está totalmente fora da linha do ensinamento cristão tradicional. Se recuperarmos o espírito dos evangelhos, tenho certeza que o cristianismo pode ser, como está se tornando novamente, uma comunidade reconciliadora. Reconciliadora entre países, entre tradições irracionais, entre grupos. Isso não significa que ele não suponha uma verdade dogmática no que as pessoas deveriam acreditar, não como resultado da força, mas como resultado de discussão racional e colocar isso em prática para trazer a paz entre as famílias. Esta é sua chance. Se a Igreja falhou no passado, ela pode fazer melhor agora.

Como o igualitarismo e a democracia podem se consolidar numa sociedade como a contemporânea?
Talvez eu não seja a pessoa mais adequada para responder a essa pergunta. Certamente nos seus primórdios, a Igreja tinha certas opiniões sobre como as pessoas deviam se comportar nas suas relações morais com os outros. Isto não se aplicava a nenhuma forma de governo em particular. É reconhecido que você deve pagar impostos ao Estado e que o Estado deve ter um sistema jurídico justo, mas, afora isso, eu não penso que a Igreja tenha muito a dizer. Isto não quer dizer que pensadores cristãos que refletem sobre as condições de nossa sociedade não possam sugerir que cristãos criem um tipo de governo, um tipo de lei. Talvez eles possam, mas isso não é uma coisa sobre a qual eu pensei o suficiente para expressar uma opinião.

Como podemos entender a tentativa de Dawkins de combater o fundamentalismo religioso através de um fundamentalismo ateísta?
Bem, eu posso entender o fenômeno Dawkins. Ele depende do tipo de pensadores americanos que foram influenciados pela dominância de um certo tipo de fundamentalismo religioso, especialmente nos Estados Unidos. Acredito que o cristianismo está comprometido com a visão de que o mundo tem apenas cerca de 6 000 anos e tudo o que os cientistas nos disseram sobre evolução é falso. Alguém como Dawkins e outros pensadores estão tão impressionados pela total irracionalidade disso, o que eles associam ao cristianismo e outras religiões teísticas como um todo, que eles sentem a necessidade de manifestar-se furiosamente. Mas, do meu ponto de vista, a religião cristã não está de forma alguma comprometida com a idade do mundo ser de 6.000 anos. Se esses pensadores estivessem familiarizados com isso, eles não estariam dizendo as coisas que dizem, por exemplo. Se lessem um livro como os comentário sobre Gênesis de Agostinho e qualquer coisa escrita por Gregório de Nice sobre a origem, eles teriam visto que essas pessoas estão muito preocupadas que os primeiros capítulos de Gênesis não deveriam ser interpretados de forma incompatível com a ciência grega que prevalecia naquela época. Nós devemos interpretar Gênesis à luz das outras coisas que sabemos, incluindo o que eles consideravam ciência moderna, ou seja, a ciência grega contemporânea, porque Deus era o autor de quase todo mundo natural.

Minha última pergunta volta ao início da nossa entrevista, sobre quais são os seus argumentos para a existência de Deus.
Bem, eu penso que os argumentos para a existência de Deus são cumulativos. Ou seja, temos que tomá-los juntos e cada um deles num grau significativo de probabilidade para a conclusão, da mesma forma que uma teoria científica eles são explicados pela teoria todos juntos. Uma coisa que precisa ser explicada, em primeiro lugar, é por que existe um universo físico, por que existe essa enorme quantidade de pedaços de matéria. Segundo, por que todos esses pedaços de matéria se comportam todos da mesma maneira, por exemplo, todos se atraem da forma como Newton descreveu, mas com uma matemática um pouco mais complicada. Mas, mesmo assim, cada partícula exerce exatamente a mesma atração gravitacional proporcional à sua massa sobre todas as outras partículas do universo. Há uma enorme coincidência aqui. Isso é algo que exige explicação. Então, a pergunta permanece: por que levar à evolução do ser humano quando a maioria desses arranjos não levaria a isso.

Outras coisas também pedem explicação. Pessoas fazem coisas porque elas têm crenças a respeito de como o mundo é, além de metas. Elas tentam mudar o mundo à luz das suas crenças e têm metas, poderes limitados no mundo. Então, a noção de uma pessoa é a noção de um ser com poderes, metas e crenças. Deus é o tipo mais simples de pessoa que pode existir porque Ele tem poderes, mas não são poderes limitados, são ilimitados. Portanto, Ele é um ser de poderes infinitos. Ele não é influenciado por causas ou inclinações irracionais. Ele sempre faz coisas porque elas são boas. E, assim, nós temos uma explicação possível para todas essas coisas em termos da explicação mais simples de pessoa que pode haver com poderes, metas e crenças. Por que Ele deveria fazer tudo isso? Bem, como eu digo, nós somos uma coisa boa e o que é único a nosso respeito é que nós temos um tipo de poder, um tipo de qualidade que Deus não tem.

Nós podemos fazer escolhas entre o bem e o mal. É uma boa coisa que existam seres que possam fazer esse tipo de escolha, que possam decidir o próprio destino. É uma coisa que Deus não tem, ou seja, Deus não pode fazer nada errado.

Fonte:

domingo, 1 de janeiro de 2017

Livro: "As Cartas para Dawkins" de David Robertson

- Desafiando Mitos Ateístas - 
Editora Monergismo
Este livro é uma coleção de cartas abertas críticas escritas em resposta ao Professor Richard Dawkins, a respeito de seu livro Deus, um delírio. O autor, David Robertson, tenta apresentar da maneira mais clara possível a falta de rigor com que Dawkins constrói o seu ataque ao cristianismo. Muito mais poderia ter sido dito para demolir o edifício de falácias construído por Dawkins sobre o falso fundamento do naturalismo, mas Robertson se contenta com uma refutação simples para atingir um público maior do que teria atingido se entrasse em uma discussão filosófica mais avançada.
“Eu li o manuscrito do livro. Ele é simplesmente ESPLÊNDIDO! Robertson fez um trabalho extraordinário.”
Samuel T Logan, Chanceler, Westminster Theological Seminary, Filadélfia
“O conteúdo é excelente. Trata-se de uma leitura divertida e cativante que procura ser caridosa quanto possível (com um oponente obviamente venenoso), mas que não deixa de apontar e expor os argumentos falaciosos, emotivos e frequentemente infantis empregados constantemente por Dawkins.”
Ligon Duncan, Pastor, First Presbyterian Church, Jackson, Mississipi
DAVID ROBERTSON é colunista, autor e pastor da St. Peter’s Free Church, em Dundee (Escócia).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A grande discrepância entre as genealogias de Moisés e Josué


"Estudiosos da bíblia, arqueólogos e pesquisadores sabem que a bíblia é uma compilação de várias histórias provenientes de fontes e épocas diferentes, habilmente unidas entre si pelos escribas com o objetivo de unir uma nação em torno de uma só crença, uma só identidade. Com isso, essas "emendas" de tradições orais diferentes obviamente geram discrepâncias, e não poderia ser diferente.

No entanto, não adianta falar isso para bibliólatras inerrantistas, que acham que a bíblia não erra em nem uma única vírgula sequer.

Imaginar a bíblia como um livro que desceu do céu ditado diretamente por deus acaba provocando absurdos ridículos entre as as páginas da bíblia, como é o caso das genealogias de Moisés e Josué.

Josué foi o sucessor de Moisés após a sua morte, então eles foram contemporâneos. Só que Moisés era apenas o bisneto de Levi. Josué, por outro lado, descende do seu irmão, José, e há nada menos que 10 gerações entre eles!

Genealogia de Moisés:
Êxodo,6:16-18 e 20 - E estes são os nomes dos filhos de Levi, segundo as suas gerações: Gérson, Coate e Merari; e os anos da vida de Levi foram cento e trinta e sete anos. E os filhos de Coate: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel; e os anos da vida de Coate foram cento e trinta e três anos... E Anrão tomou por mulher a Joquebede, sua tia, e ela deu-lhe Arão e Moisés.


Genealogia de Josué:
1Crônicas,7:25-27 - Efraim também foi pai de um filho chamado Refa. Refa foi pai de Resefe, Resefe foi pai de Telá, e Telá foi pai de Taã; Taã foi pai de Ladã, Ladã foi pai de Amiúde, e Amiúde foi pai de Elisama; Elisama foi pai de Num, e Num foi pai de Josué.

Nem mesmo forçando muuuuito a barra para conseguir conciliar essas duas passagens.


Segue abaixo um pequeno esquema para ajudar a entender a dificuldade do problema:

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Por Pipe

Descontradizendo:

Primeira observação que faço, é que a tradução usada está errada. Você verá abaixo que no original hebraico e na tradução da Septuaginta aparece "seu filho", ao invés de "foi pai de".


A Segunda observação que faço, é que não se tem como saber se Resefe era afinal filho ou irmão de Refa, ou então irmão de Tela ou Pai de Tela. Pois leia o que cada versão diz:

Almeida Corrigida e Revisada: 
“E foi seu filho Refa, e Resefe, de quem foi filho Tela, de quem foi filho Taã,” 

Septuaginta em Português:
"e Refa, seu filho, Resefe e Tela, seus filhos, e Taã, seu filho."

Biblia de Jerusalém:
"Ele teve ainda Rafa, um filho, e ResefTala, seu filho, Taã, seu filho, "

Portanto, não se tem ao certo como afirmar afinal se foram sete ou oito gerações. 


A terceira observação é quanto as traduções:

Septuaginta em português:
20 Os filhos de Efraim: Sutela, e Berade, seu filho, Taate, seu filho, Eleada seu filho, Taate, seu filho,
21 Zabade, seu filho, Sutela, seu filho, e ainda Ezer e Eleade; mas os homens de Gate, naturais da terra, os mataram porque desceram para tomar o seu gado.
22 Seu pai Efraim pranteou por muitos dias, e seus irmãos vieram para o consolar.
23 Ele teve relações com sua mulher e ela concebeu e deu à luz um filho, chamando o seu nome Berias, porque, disse ele, foi angustiado na minha casa.
24 Sua filha foi Seerá, e ele estava entre os que foram deixados; e construiu Bete-Horom, a de cima e a de baixo. Os descendentes de Uzém foram Seerá,
25 e Refa, seu filho, Resefe e Tela, seus filhos, e Taã, seu filho.
26 Para Ladã, seu filho, nasceu Amiúde, seu filho, Elisama, seu filho,
27 Num, seu filho, Josué, seu filho. Estes eram seus filhos.

Bíblia de Jerusalém:
“Filhos de Efraim: Sutala, Bared, seu filho, Taat, seu filho, Elada, seu filho, Taat, seu filho, Zabad, seu filho, Sutala, seu filho, Ezer e Elad, os quais os homens de Get, originários da terra, mataram, porque tinham tentado arrebatar seus rebanhos. Efraim, pai deles, esteve por muito tempo em luto, e seus irmãos vieram consolá-lo. Ele se uniu à sua mulher que concebeu e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de Beria, porque a desgraça estava em sua casa. Sua filha era Sara, que construiu a alta e a baixa Betoron, e Ozensara. Ele teve ainda Rafa, um filho, e Resef; Tala, seu filho, Taã, seu filho, Laadã, seu filho, Amiud, seu filho, Elisama, seu filho, Nun, seu filho, Josué, seu filho.
1 Crônicas 7:20-27

No hebraico aparece sempre somente o nome seguido da palavra בְּנוֹ = Filho. Veja abaixo:
נוֹן בְּנוֹיְהוֹשֻׁעַ בְּנוֹ
Filho Naum, Filho Josué

Portanto, não se faz diferenciação, entre quem é filho, de quem é neto. Fica a critério do tradutor fazer tal distinção. Porém, ele precisará de outra fonte para dizer com exatidão quem é filho de quem. No caso de Josué há essa distinção em Dt 1:38 - "É Josué, filho de Nun, que ali entrará...".


A quarta observação, é que se ignorarmos isso e  seguirmos o raciocínio do cético, então isto implica também que de Efraim até Elad temos oito gerações. Me acompanhe:

Filhos de Efraim:

01. Sutala,
02. Bared, seu filho
03. Taat, seu filho
04. Elada, seu filho
05. Taat, seu filho
06. Zabad, seu filho
07. Sutala, seu filho
08. Ezer e Elad, os quais os homens de Get, originários da terra, mataram, porque tinham tentado arrebatar seus rebanhos.
Efraim, pai deles, esteve por muito tempo em luto, e seus irmãos vieram consolá-lo.
Ele se uniu à sua mulher que concebeu e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de...
10. Berias, porque a desgraça estava em sua casa.

Obs: Note que o texto diz “seu filho”, e no entanto isso não pode denotar uma cadeia de descendentes seguidos, caso contrário, teríamos que concluir que Ezer e Elad (vs.21) eram a sétima geração depois de Efraim, e que portanto, se Efraim ficou de luto pela morte de Ezer e Elad, isto implicaria que Efraim estava vivo quando eles morreram. Portanto, isso denota duas coisas:

1.   Que quando o texto diz “seu filho” está se referindo a Efraim e não ao nome anterior.
2.   Se não for isso, então se conclui que há então dois casos de 7ou 8 gerações coexistindo juntas. As gerações que descendiam de Efraim e as de Coate.

Então temos Efraim e Coate como irmãos, e as suas descendências. Vamos adiante aplicando o mesmo raciocínio:

... E sua filha foi
11. Seerá, que edificou a Bete-Horom, a baixa e a alta, como também a Uzém-Seerá. E foi seu filho
12. Refa, e Resefe, de quem foi filho Tela,

Portanto, até Resefe, está se descrevendo os filhos de Efraim e não seus netos, etc. Portanto, a lista pode seguir até Josué sem nenhuma observação que especifique quem é neto e quem é filho de Efraim. Dai a lista de Filhos seguiria assim:

13.Tala, seu filho, 
14. Taã, seu filho, 
15. Laadã, seu filho, 
16. Amiud, seu filho, 
17. Elisama, seu filho, 
18. Nun, seu filho, J
19. Josué, seu filho.

Agora, se for para contar a partir de Resefe usando o raciocínio de que os filhos a seguir se referem a Resefe e não a uma genealogia de Resefe, fica assim o número de filhos de Resefe:

01. Tala, seu filho, 
02. Taã, seu filho, 
03. Laadã, seu filho, 
04. Amiud, seu filho, 
05. Elisama, seu filho, 
06. Nun, seu filho, 
07. Josué, seu filho.

Portanto, as observações acima podem colocar Resefe como contemporâneo de Anrão, ao invés de Moisés. Ou seja, terceira geração depois de Jacó. 


A quinta observação, é que quanto a distinção entre Naum e Josué aparecendo como filhos de Efrain ou Resefe. Era comum se colocar o nome de um neto importante na genealogia do avô como filho. Como por exemplo:

Jeú:
Aqui aparece como filho de Ninsi
I Rs 19:16 - Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar.

Aqui Jeú aparece como neto de Ninsi
II Rs 9:2 - E, chegando lá, vê onde está Jeú, filho de Josafá, filho de Ninsi; e entra, e faze que ele se levante do meio de seus irmãos, e leva-o à câmara interior.

Zacarias:
Aqui Zacarias aparece como filho de Ido.
Ed 5:1 -  E os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá, e em Jerusalém; em nome do Deus de Israel lhes profetizaram.
                    
6:14 - E os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando pela profecia do profeta Ageu, e de Zacarias, filho de Ido. E edificaram e terminaram a obra conforme ao mandado do Deus de Israel, e conforme ao decreto de Ciro e Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia.

Aqui Zacarias aparece como neto de Ido.
Zc 1:1 - No oitavo mês do segundo ano de Dario veio a palavra do SENHOR ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido, dizendo:

A única coisa que difere e que podemos dizer com certeza que Josué é filho de Naum, é porque há outros textos que dizem que é. E é somente isso que diferencia. Caso contrário, ele seria dado como filho de Resefe ao invés de neto. No mais, não se tem, diante do que apontei acima, outra forma de distinguir quem é filho de quem é neto de Efraim ou de Resefe.