domingo, 25 de outubro de 2015

Extinção e fósseis: Impacto ou não?


 IMPACTO OU NÃO? METEORITOS, VULCANISMO, EXTINÇÕES E REGISTRO FÓSSIL
por Raúl Esperante

Novos estudos indicam que as causas das extinções no registro fóssil não estão nada claras
A coluna geológica de estratos sedimentares registra o desaparecimento em massa de numerosas espécies de organismos, incluindo animais terrestres, marinhos, plantas e micro-organismos.

Estas extinções em massa marcam o final do registro fóssil de espécies, gêneros ou até famílias de organismos que não voltam a aparecer em forma fóssil nas camadas sedimentares superiores.

O registro fóssil está marcado por várias destas extinções em massa com extensão global, e salpicado por outras de menor envergadura ou de caráter regional.

Durante décadas os cientistas têm discutido as causas destas extinções em massa e sua importância na evolução biológica e ecológica dentro de um quadro evolucionista. Numerosas causas têm sido propostas, algumas das quais teriam tido consequências regionais, outras teriam sido de extensão global (planetária) e outras seriam aplicáveis ao desaparecimento de determinados grupos de organismos.

Considera-se que a extinção de maiores proporções foi a que ficou registrada nas rochas do final do chamado período Permiano, no qual 96% dos organismos marinhos existentes foram eliminados.

O primeiro fator a ser considerado é que esta extinção não foi repentina, do ponto de vista evolucionista, mas teria durado uns 8 milhões de anos na escala geológica evolutiva (Prothero, 1998). Por isso os paleontólogos evolucionistas acham difícil encontrar uma causa que explique o desaparecimento em massa de tantos organismos prolongando-se por tanto tempo.

Schopf (1974) atribuiu a extinção do final do Permiano à redução das áreas de águas superficiais (plataformas continentais) entre os continentes naquela época durante a formação do grande super continente Pangea. A coalescência da Pangea juntamente com uma regressão marinha generalizada teria originado a diminuição dos habitats disponíveis para os habitantes das águas pouco profundas, conduzindo-os à extinção.

O problema desta hipótese é que, segundo os modelos geológicos de tectônica de placas e deriva continental, o super continente Pangea já teria sido estabelecido muito antes do começo desta extinção.

Stanley (1984, 1987) sugeriu que a extinção do final do Permiano deveu-se a um resfriamento global dos oceanos causado pela formação de enormes camadas de gelo em ambos os pólos terrestres. O grande problema com esta hipótese é que as supostas evidências de glaciação não aparecem nas rochas do Permiano, mas nas do período anterior, cujas camadas sedimentares estão muito abaixo das permianas que contêm os organismos extintos. Por outro, lado considera-se que o final do Permiano foi um período de aquecimento global do planeta.

Várias outras hipóteses têm sido sugeridas para explicar a grande extinção do final do Permiano, incluindo a redução do conteúdo de oxigênio na atmosfera e na água, e a acidificação dos oceanos devido ao CO2 emitido pelas enormes erupções basálticas na Sibéria.

Alguns cientistas encontraram evidências, nas camadas que delimitam a transição Permiano-Triássico, de enormes explosões vulcânicas silícicas, as quais teriam dado origem à formação de nuvens de cinzas vulcânicas sobre todo o planeta durante semanas ou meses, e teriam impedido a chegada da luz solar ao oceano, matando assim, a delicada fauna aquática.

Finalmente, Edwin (1993) propõe que todas as hipóteses anteriores em conjunto foram a causa da extinção em massa no Permiano.

Todas estas hipóteses apresentam diversos problemas, entre os quais os mais importantes são a dificuldade para explicar a extinção de tantos organismos em um período tão prolongado de tempo (8 milhões de anos) em vez de ser abruptamente, e que alguns grupos de organismos foram muito afetados e outros pouco.

Alguns cientistas, movidos pela descoberta de evidências de impacto nas rochas do limite do Cretáceo-Terciário (K-T), sugeriram a possibilidade de que o evento de extinção do final do Permiano poderia estar relacionado com o impacto de meteoros. No entanto, a evidência apresentada até agora tem sido controvertida e discutível.

Foi sugerido que em alguns afloramentos de rochas sedimentares do Permiano, na Austrália e Antártica, se acham grãos de quartzo com evidência de choque, o que apontaria para um impacto meteórico, porém as evidências mostradas têm sido postas em dúvida. Outras evidências procedentes de localidades na China, Itália, Áustria e outros lugares têm sido questionadas em sua relação com o possível impacto meteórico no final do período Permiano.
Recentemente, Koeberl et al. (2004) publicou um artigo na revista Geology no qual revelam os resultados de seu trabalho sobre o limite Permiano-Triássico em várias localidades europeias. Os autores estudaram amostras de rochas procedentes de afloramentos do final do Permiano existentes nos Alpes austríacos e nas Dolomitas do noroeste da Itália. Os estratos sedimentares que agora constituem parte dessas altas cordilheiras teriam sido depositados no antigo mar de Tethys, existente no Permiano. Em suas análises, os autores buscavam nas amostras de rochas os indicadores geoquímicos sensíveis à influência de material extraterrestre (meteoritos), como os elementos do grupo da platina (incluindo elevadas concentrações de irídio), e os isótopos de ósmio e hélio.

As análises indicam que a elevada concentração de irídio é similar a do limite K-T (onde parece existir evidência de impacto), porém, a extensão de tal anomalia é muito menor comparada com a do K-T.

Ainda que sejam elevadas as concentrações de irídio nas rochas do limite Permiano-Triássico nos Alpes italianos e austríacos, do ósmio e de outros elementos do grupo da platina, os valores obtidos indicam que estas anomalias não apresentam as características dos grandes impactos meteóricos. Sua origem parece ser puramente terrestre, isto é, a crosta continental e/ou material vulcânico, e não material extraterrestre. Essa conclusão é reforçada pela total ausência de evidências de hélio de origem extraterrestre nas rochas analisadas.

As pesquisas feitas sobre as evidências de extinções no registro fóssil e sua extensão, causas e consequências, são de grande interesse para aqueles que trabalham em modelos que incluem o dilúvio universal e uma cronologia curta para a existência da Terra. Um modelo de catástrofe global ocasionada por um dilúvio que tenha coberto toda a Terra poderia acomodar qualquer das hipóteses mencionadas no começo deste artigo, incluindo o impacto de um ou mais meteoritos em diversos momentos e locais.

O dilúvio do Gênesis foi uma catástrofe global que afetou o planeta em sua totalidade, e que causou a completa modificação da crosta terrestre.

Os impactos de objetos planetários como os meteoritos podem ter sido importantes como agentes geológicos, especialmente se foram de grandes dimensões. O choque de grandes meteoritos teria originado poderosos movimentos sísmicos e tsunamis que por sua vez teriam causado outros fenômenos geológicos subsequentes como desprendimentos de rochas, deslizamento de grandes massas instáveis de sedimentos (turbiditos, etc.), dobramento e fratura de rochas e/ou estratos depositados previamente, etc.

O impacto de meteoritos poderia ter rompido "as fontes do abismo" (Gn 7:11) e iniciado o conjunto de processos hidrológicos iniciais do dilúvio.

Também poderia ter iniciado a atividade tectônica de movimento de placas ao romper a crosta terrestre e introduzir energia cinética do exterior.

Uma leitura literal das Escrituras não está em contradição com a aceitação destas possibilidades. Porém, é necessário muito mais estudo e pesquisa para determinar que papel desempenharam os impactos de objetos planetários na atividade geológica durante o dilúvio de Gênesis, e sua relação com as extinções registradas nas rochas sedimentares.

Referências:
1. Koebert, C., Farley, K. A., Peucker-Ehrenbrink, B., Sephton, M. A. 2004. Geochemistry of the end-Permian extinction event in Austria and Italy: No evidence for an extraterrestrial component. Geology 32(12):1053-1056.
2. Prothero, D.R. 1998. Bringing fossils to life: an introduction to paleobiology. Boston: McGraw-Hill.
3. Schopf, T. J. M. 1974. Permo-Triassic extinction: relation to sea-floor spreading. Journal of Geology 82:129-143.
4. Stanley, S. M. 1984. Mass extinctions in the ocean. Scientific American 250(6):46-54.

5. Stanley, S. M. 1987. Extinction. Scientific American Library, New York.

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