domingo, 9 de fevereiro de 2014

Maria respeitava a Lei?

Tópico proposto por Élbio na comunidade “Contradições da Bíblia”:

Maria respeitava a Lei?

Partindo da opinião defendida aqui no fórum de três formas diferentes (um debatedor de forma elegante, outro colando apologias e outro agredindo e asseverando estultices) de que MARIA, A MÃE DE JESUS, PARIU VIRGEM E FICOU VIRGEM A VIDA TODA, SENDO ABDUZIDA AOS CÉUS EM CARNE E OSSOS, vamos raciocinar:

1. Maria era judia.
2. Os judeus seguiam, obrigatoriamente, a Lei da Torá.
3. José morreu sem deixar descendência.
4. O que - obrigatoriamente - aconteceu com Maria "após a morte de José?"

“... se um deles morrer sem filhos [...] o irmão do defunto a receberá, e suscitará descendência, e ao filho primogênito que tiver dela porá o nome de seu irmão, para que o nome deste não se extinga [...] se ele não quiser receber a mulher do seu irmão, a qual é devida segundo a Lei, irá ela à porta da cidade e recorrerá aos anciãos [...] a mulher [...] lhe tirará o sapato do pé, lhe cuspirá na cara e dirá: Assim será feito ao homem que não edifica a casa de seu irmão. E a sua casa será chamada, em Israel, a casa do descalçado” (Deuteronômio 25: 5-10).

É a Lei do Levirato (yibbum).

José tinha irmão?

Sim. Chamava-se Cléofas, segundo Hegésipo (Eusébio, A História da Igreja, 3.11).
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Refutando:
1. Quem disse que José não tinha descendência? Eu já argumentei abaixo que biblicamente e também no livro apócrifo de "José, o carpinteiro", Jesus tinha outros irmãos. O livro de José, diz que eram filhos apenas de José do seu primeiro casamento.

2. Vamos ler a lei novamente: "... se um deles morrer sem filhos [...] o irmão do defunto a receberá, e suscitará descendência, e ao filho primogênito que tiver dela porá o nome de seu irmão, para que o nome deste não se extinga [...] se ele não quiser receber a mulher do seu irmão, a qual é devida segundo a Lei, irá ela à porta da cidade e recorrerá aos anciãos [...] a mulher [...] lhe tirará o sapato do pé, lhe cuspirá na cara e dirá: Assim será feito ao homem que não edifica a casa de seu irmão. E a sua casa será chamada, em Israel, a casa do descalçado” (Deuteronômio 25: 5-10).

* A Lei diz "se" não tiver filhos. Nesse caso, José teve seis filhos. Por tanto não se encaixa na lei.
* A Lei também diz que o irmão pode não querer a cunhada como esposa. Ou seja, mesmo que fosse fato que José não tivesse filhos, isso não significa que Cléofas recebeu Maria como esposa.
* Outra questão é que o Sr. Élbio precisa pressupor que o tal Cléofas estava vivo quando José morreu. O livro de José diz que Maria tinha 14 anos quando engravidou de Jesus. Isso denota que José era bem mais velho que ela. Por isso, não se sabe que idade tinha Cléofas e nem se este estava vivo quando Maria ficou viúva de José.
* Quando José morreu, Jesus tinha no mínimo 12 anos de idade. Por tanto, José tinha um filho. Este filho (Jesus) automaticamente desvinculava Maria dessa lei. Pois a lei visava um irmão que morreu sem deixar filhos. E este não é o caso de José, ele tinha Jesus. O propósito da lei era que a descendência do irmão perpetuasse. Nesse caso, não era necessário, José tinha Jesus para carregar o seu nome.

Conclusão:
Se trata apenas de uma mera especulação sem base histórica e que desfalece diante da revelação bíblica, histórica e de outros textos do I e II século.

Jesus tinha outros irmãos! Não filhos de Maria e sim de José. Como a Bíblia revela, José permaneceu vivo pelo menos até os doze anos de idade de Jesus.


Pipe

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A questão do Avestruz de Lamentações e Jó

Por Ricardo Ferreira:
Eu estava postando na comunidade Contradições da Bíblia, mas saí de lá pelo fato de que o moderador da comunidade (deveria ser denominado inquisidor da comunidade) não conseguiu se manter em um debate somente com argumentos e partiu para ofensas pessoais, no caso, me chamando de mau caráter. Como aqui ele não é moderador, se quiser responder ao meu debate "SEM SUPERPODERES" e "COM EDUCAÇÃO", então acho que os debates podem ser proveitosos.

Inicialmente vou comentar o texto:
“O avestruz [...]deixa os seus ovos na terra, e os esquenta no pó, e se esquece de que algum pé os pode esmagar ou de que podem pisá-los os animais do campo. Trata com dureza os seus filhos, como se não fossem seus; embora seja em vão o seu trabalho, ele está tranqüilo, porque Deus lhe negou sabedoria e não lhe deu entendimento”.

Qual a espécie e animal em questão?
Em Lamentações temos uma menção ao avestruz e em Jó uma ave que é traduzida muitas vezes por avestruz mas algumas vezes por coruja.

Em se tratando, em ambas as passagens, de um avestruz, então com grande probabilidade se trata do "Struthio Camelus Syriacus" que é uma espécie extinta em meados do século passado.



Os judeus evidentemente mencionaram então em duas passagens bíblicas a crueldade da ave.

Na página http://www.aramcoworld.com/issue/198202/the.camel.bird.of.arabia.htm com texto escrito por Caroline Stone se pode ler:

Arab naturalists also focused on the ostrich - and often described it quite accurately. The following passage, for example, comes from Qazwini, whose Cosmography, written in the mid-13th century, includes a long section on birds: When the ostrich has laid her eggs, 20 in number or more, she buries them under the sand, leaving one third in one place, exposing another third to the sun, and hatching another third. When the chicks have come out, she breaks the hidden eggs and feeds her young with them. And when the chicks have grown strong, she breaks the last third on which vermin will collect, and this serves as food for the young until they are able to graze.

Neste texto, do século XIII, mas que a autora cita a passagem árabe RESSALTANDO a ACURACIDADE da passagem (...and often described it quite accurately...). Evidentemente é a opinião dela, mas é um relato.

Nesta passagem, vemos que o avestruz deposita 1/3 dos ovos sob o pó (under the sand), 1/3 deles expostos ao sol e 1/3 deles são quebrados para que vermes aparecem nos seus corpos e sirvam de alimentação aos demais.

Bom. Até agora, tenho dois relatos, embora antigos, sobre a crueldade do avestruz siríaco.

Aguardo trabalhos (com links e citações corretas) sobre esta espécie de avestruz e seu comportamento. Até lá, o que temos são dois relatos sobre a crueldade do avestruz.

O avestruz citado em Jó
The correct identification of the בַּת הַיַּעֲנָה (ba't haYa'anah), "daughter of the desert", as ostrich is not certain; it may be the Pharaoh Eagle Owl (Aharoni 1938 and compare NIV Leviticus 11:16)
Só para deixar registrado o que comentei no primeiro post.
Links sobre o avestruz

John Whitfield
SUMMARY: Archaeologists unearth memorial covered in Arabic text.
CONTEXT: Archaeologists have uncovered a 500-year-old ostrich egg covered in Arabic poetry. The verses mourn the death of a loved one. The egg was found in the Red Sea port of Quseir, Egypt. In the fifteenth century, Quseir was a hub for trade...
News@Nature (25 Nov 2002), doi: 10.1038/news021125-11, News

Paul Bahn
CONTEXT: ...what appears to be a domesticated ostrich has now been discovered1, confounding the view that these birds were domesticated only in historical times. In the past, one very schematic figure of an ostrich with a man on its back and...
Nature 346, 794 - 794 (30 Aug 1990), doi: 10.1038/346794a0, News and Views
Ostriches recognise their own eggs and discard others

BRIAN C. R. BERTRAM
CONTEXT: ...the nest, helped by the male. Although a complete nest may contain up to 30–40 of the white 1.5-kg eggs4,5, an ostrich hen can incubate only about 20 (unpublished data). The surplus are pushed out to 1–2 m away where they are not...
Nature 279, 233 - 234 (17 May 1979), doi: 10.1038/279233a0, Letter

Wild Life in Arabia
CONTEXT: ...south of Jedda, where baboons are plentiful, and also in the more generously wooded hills of Dhofar. In Arabia the ostrich is extinct, although it would appear that these birds existed in some numbers over the open gravel plains of...
Nature 170, 238 - 238 (09 Aug 1952), doi: 10.1038/170238a0, News

Focarei no autor
BRIAN C. R. BERTRAM
O mesmo autor, publicou um livro de título:

The Ostrich Communal Nesting System (Monographs in Behavior and Ecology)
# Hardcover: 212 pages
# Publisher: Princeton Univ Pr (September 1992)
# Language: English
# ISBN-10: 0691087857
# ISBN-13: 978-0691087856

Pode ser adquirido em:

Eu já adquiri o meu exemplar. Enquanto o meu exemplar não chega, localizei um comentário bem elaborado sobre o assunto na internet sobre os fatos levantados no livro em:

Tudo o que estou fazendo inicialmente é traduzir trechos do texto encontrado em:

O comportamento dos avestruzes, relatado em seu livro "The Ostrich Communal Nesting System" nos indica que:

* Avestruzes definitivamente "deixam" seus ninhos - Em um estudo em 57 ninhos, Bertram encontrou que "a maioria havia sido destruída por predadores após ter sobrevivido por diferentes e imprevisíveis períodos de tempo. Como resultado, "A grande maioria dos ninhos de avestruzes não produziu nenhuma cria, e o principal motivo foi por predadores
* As fêmeas secundárias de avestruzes -- chamadas por Bertram de "fêmeas menores (hens - galinhas)" -- deixaram seus ovos no ninho, mas a partir disto, não tomam mais parte em atender e guardar os rebentos nem em incubá-los. Isto realmente soa como esquecer e comportamento cruel para o autor da página (e para mim também!).
* Bertram confirma o comportamento de se jogar os ovos das fêmeas secundárias para fora do ninho a medida que se precisa de espaço; Somente 20 ovos no máximo podem ser cobertos. Isto aconteceu na maioria dos ninhos encubados. Os ovos lançados fora eventualmente se romperam ou foram destruídos.
* Os machos ficam 71% do tempo de incubação no ninho. A fêmea principal, 29%; As fêmeas secundárias, nunca.

O site apresenta outros textos igualmente importantes que confirmam que os avestruzes abandonam ovos no campo e tem pouco cuidado com seus filhotes.

Pode ser que a fêmea principal seja cuidadosa, mas as demais fêmeas (ou seja, a maioria das fêmeas) abandonam seus filhotes (o que indica que os trata como se não fossem delas).

Que relato surpreendente de confirmação bíblica...

Quando o livro chegar a minha casa, confirmarei as citações (gosto de ler os originais).

É preciso ressaltar que o autor destas observações escreveu artigo na Nature, uma revista peer-review (como gostam os ateus)

O link abaixo nos confirma o que relatamos no site anterior:

Veja algumas frases selecionadas do texto:
"..The family also has a dominant female and several other females, called minor hens..."
"..Males and females are polygamous (puh-LIH-guh-mus), meaning they have more than one mate at the same time..."
"About 10 percent of the eggs will hatch and on average only one chick per nest will survive to adulthood"

1 em cada 20 atingem a vida adulta... Isto é que é cuidar bem de seus filhotes, não é ?

Nossa! fiquei impressionado! Um exemplo!


O interessante é que a passagem escrita em: http://www.tektonics.org/lp/ostrich.html confirma parte do relato dos árabes medievais sobre ninhos com 20 ovos e que alguns são descartados.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Absurdo: A formiga TEM hierarquia?



Por Ricardo Ferreira:

Mais um capítulo da série APRENDENDO BIOLOGIA COM O KOPHER !!

(Com essas informações, voce irá se doutorar 'bestando' em biologia!!)

Kopher cita em Provérbios 6.6-8:
6 Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio.
7 Pois ela, näo tendo chefe, nem guarda, nem dominador,
8 Prepara no veräo o seu päo; na sega ajunta o seu mantimento.

As relações de subordinação que existem entre as formigas (ainda não estou tratando do caso de formigas que escravizam outras) são uma relação entre uma mãe (chamada rainha, mas que biologicamente é a mãe) e das operárias, soldados, etc.. que são gerados por ela (operária, soldado, etc.. são denominações humanas - de fato são filhos e filhas da rainha).

Ou seja: um formigueiro é um lar onde uma mãe (com milhares de filhotes) cuida de sua família.
Não li em canto algum que exista uma hierarquia entre as rainhas. Uma prefeita de rainhas, uma governadora de rainhas ou uma presidanta de rainhas.

Ou seja: cada rainha age independentemente de outra rainha, sem a menor relação de hierarquia. A relação que a rainha nutre com seus filhos é uma relação entre mãe e filhos.
Realmente quando o autor de provérbios escreveu este texto, ele não ignorava que as formigas tem mães. Mas com certeza, as formigas não tem um governo central. Não tem chefes de 10 rainhas, ou chefes de 100 rainhas ou ainda chefes de 1000 rainhas.

Já o caso das formigas que escravizam outras:
1) Não é regra geral. O comum é as formigas obedecerem a sua mãe.
2) Não é uma chefia consciente: as formigas ainda pensam estar obedecendo a sua mãe! Elas apenas estão sendo enganadas.

Portanto, o autor de provérbios não poderia ser mais exato quando proferiu as suas palavras!.
A neobiologia kopheriana, mesmo derrotada, ainda assim é muito barulhenta...rssss

O sr. Emílio, não sabia mas estava certo quanto ao fato das formigas terem uma estrutura anarquista uma vez que não tem govêrno, e sim famílias isoladas.

Anarquismo é uma palavra que deriva da raiz grega αναρχία — an (não, sem) e archê (governador) (Wikipedia)

O problema é que ele não sabe diferenciar anarquismo de marxismo:
"..Escavações recentes encontraram nestes formigueiros fragmentos de textos muito parecidos com o “capital”, o que leva a crer que Karl Marx tenha tido contato com esta cultura..."
kkkk agora o desepero dos argumentos veio a tona!

Inicialmente o Kopher diz que:

Ou seja, formigas são:
- Parasitas sociais;
- Escravistas;
- Inquilinistas (inquilinismo é uma relação em que apenas uma espécie é beneficiada, sem que a outra se ferre. Também pode ser chamado de "oportunismo");
- Podem trabalhar pouco confiando no trabalho das demais (jumento de carga);
- Exploram seus anfitriões;
- Na maior parte das vezes se interessam apenas pelos seus próprios interesses.

Ou seja, parasitismo, escravidão, inquilinismo, ele apontou. Mas chefia e hierarquia: nada.

Não conseguiu refutar o argumento óbvio de que as formigas obedecem a uma rainha (mãe).
Quanto a agir pelos seus próprios interesses, isto é normal, natural e para esta discussão: irrelevante.

Desespero II (a volta)
Para demonstrar o desepero, o Kopher cita um artigo da Nature com uma espécie de formiga (exceção entre as formigas):

In a study in the journal Animal Behavior the Australian ant Pachycondyla sublaevis was discovered to have a very noticeable dominance hierarchy. This is a distinct species because there are some colonies that are devoid of queens.

Estas, de fato, são formigas sem uma rainha em uma estrutura diferente das tradicionalmente encontradas.

Mas como se vê, é uma exceção a regra. E nada indica que o autor de provérbios deveria ter que mencionar uma formiga da Austrália para satisfazer o sr,. Kopher.

Explicando o artigo ao Kopher...
O sr. Kopher cita o artigo da Nature "Teaching in tandem-running ants". Cita o artigo em defesa de sua posição de defesa da hierarquia entre formigas:

A reportagem da revista Nature (2006), intitulada "Teaching in tandem-running ants". (439, 153) apresenta a pesquisa de dois pesquisadores entomologistas, Nigel R. Franks e Tom Richardson, que demonstraram que as formigas possuem relações de "liderança", onde uma exerce o cargo de líder sobre a outra.

Felizmente, o artigo está disponível na internet:
www.science.siu.edu/zoology/anderson/FranksTeachingAnts.pdf

Vejamos o que diz o artigo:
"The ant Temnothorax albipennis uses a technique know as tandem running to lead another ant from the nest to food.

O autor usa a palavra "lead" (liderar) e o sr. Kopher já se apressou em encontrar uma estrutura hierarquica no artigo.

Porém o que o artigo está demonstrando é que uma formiga ensina a outra o caminho do ninho até onde se encontra a comida!

Ou seja o artigo relata formigas ensinando umas as outras. Que bonitinho...mas para hierarquia, chefia... isto está longe, não é sr. Kopher?

Continuarei destrinchando o artigo para os leitores pois me dará enorme prazer...
"An individual is a teacher if it modifies its behaviour in the presence of a naive observer, at some initial cost to itself, in order to set na example so that the other individual can learn more quickly"

Como vemos no seguimento do artigo, qualquer formiga é considerada uma professora se ela altera o seu comportamento na presença de uma formiga observadora novata, com um certo custo para si mesma em função de dar um exemplo de modo que o outro indivíduo aprenda mais rapidamente...

Ou seja, os pesquisadores, observaram e relataram no artigo que as formigas ensinam umas as outras. Não está mencionado no artigo que a formiga observadora foi obrigada a isto, foi mandada ou coisa que o valha.


Ensinar é diferente de mandar.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Pesquisadora identifica carimbo de Jezebel, rainha vilã da Bíblia

Letras que faltavam e desenhos em sinete apontam para soberana de Israel.
No Antigo Testamento, ela é retratada como poderosa, pagã e corrupta.
Foto: Universidade de Utrecht/Divulgação
Esfinge e outros sinais do sinete da rainha indicam alta posição e prestígio (Foto: Universidade de Utrecht/Divulgação)
Na Bíblia, ela ganhou fama de manipuladora, inescrupulosa e até devassa. A rainha Jezebel é uma das piores vilãs do Antigo Testamento, sem dúvida. Mas pelo menos tinha um bocado de estilo, a julgar pelo sinete (uma espécie de carimbo pessoal) que uma pesquisadora holandesa acaba de identificar como pertencente à ela - um dos raros casos em que um personagem bíblico deixa traços diretos de sua existência.

A análise que confirmou a associação de Jezebel com o sinete, que é feito de opala e está repleto de desenhos e inscrições, foi feita por Marjo Korpel, especialista da Universidade de Utrecht. Com o trabalho de Korpel, que será publicado numa revista científica especializada em estudos lingüísticos, parece chegar ao fim um mistério de quatro décadas.

Isso porque já se suspeitava que o artefato, obtido nos anos 1960 por um arqueólogo israelense no mercado de antigüidades, tivesse pertencido a Jezebel. Mas havia um problema bizarro: o suposto nome da rainha, gravado na opala, estava escrito errado -- o que levou muita gente a achar que se tratasse de uma outra pessoa, embora de nome parecido.

Com paciência de detetive, Korpel analisou o sinete e o comparou com outros objetos do mesmo tipo e da mesma época, ou seja, produzidos por volta do ano 850 a.C., quando viveram Jezebel e seu marido Acabe, rei de Israel. Pela distribuição das letras e pela presença de uma pequena área quebrada no objeto, a pesquisadora holandesa estimou que originalmente havia mais duas letras hebraicas no sinete - o suficiente para "corrigir" o nome de Jezebel.

Além disso, o objeto era muito maior que os outros da mesma época e repleto de símbolos associados à realeza e ao sexo feminino, como uma esfinge com coroa de rainha, serpentes e falcões. Para Morjen, tudo isso torna altíssima a probabilidade de que o sinete realmente tenha pertencido a Jezebel.

 Imagem correta
Jezebel (de origem fenícia, segundo a Bíblia) e seu marido Acabe reinaram numa época em que o antigo reino israelita estava dividido em duas partes rivais: Judá, no sul, cuja capital era Jerusalém e cujo povo deu origem aos atuais judeus; e Israel, no norte, onde o casal governava e cuja capital era Samaria.

No Primeiro Livro dos Reis, na Bíblia, Jezebel é retratada como uma mulher corrupta, que faz os habitantes de Israel adorarem deuses pagãos e ainda induz seu marido Acabe a tomar injustamente as terras de seus súditos. Juízos de valor à parte, o sinete parece mostrar que a rainha de fato era muito influente: ele era usado para ratificar documentos, o que significa que ela podia "despachar" por conta própria em seu palácio.

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL156196-5603,00-PESQUISADORA+IDENTIFICA+CARIMBO+DE+JEZEBEL+RAINHA+VILA+DA+BIBLIA.html

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quando surgiu o batismo em águas?

 Pergunta trazida por Ana:
Bem, tive uma dúvida com relação ao batismo, fui pesquisar, mas não encontrei resposta, apenas textos explicando o que é o batismo, quem puder responder eu agradeço.

A Bíblia fala em Mt. 3 sobre o batismo... vimos que a prática do batismo já existia antes de Jesus começar o seu ministério: "Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: 'Arrependam-se, pois o Reino dos Céus está próximo'".

Então, o batismo por imersão com o fim simbólico de limpar, se lavar dos pecados, já exisitia... e a dúvida seria: quando o batismo EM ÁGUAS começou a ser praticado? em que momento entre o A.T. e o N.T. foi eliminado a circuncisão como sinal de pureza e passou-se a adotar o batismo?
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Respondendo:
Bom, vou escrever alguns textos sobre o assunto tirados de três livros:

1. "Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã"; editada pela Edições Vida Nova; Editor Walter A. Elwell, pg.148-161.
2. "O Novo Dicionário da Bíblia"; Edições Vida Nova; Organizado por J. D. Douglas; pg.196-199.
3. "Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia - Volume 1"; editora Hagnos; de R; N; Champlin; pg.456-474.

Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã:
"Derivado da palavra grega baptisma, "Batismo", denota a ação de lavar ou mergulhar na água, que desde os tempos mais antigos (At 2:41) tem sido usado como o rito da iniciação cristã. Suas origens tem sido procuradas nas purificações no AT, nas ilustrações das seitas judaicas, e nas lavagens pagãs paralelas, mas não pode haver dúvida alguma de que o batismo, conforme o conhecemos, começou com João. O próprio Cristo, tanto pelo precedente (Mt 3:13) como pelo preceito (Mt 28:19), nos dá autoridade para sua observância. Com este fundamento, tem sido praticado por quase todos os cristãos, embora tentativas tenham sido feitas para substituí-lo por um batismo de fogo ou do Espírito, em termos de Mt 3:11.

Fica razoavelmente certo de que a imersão era a prática original, e assim continuou até a Idade Média. Os reformadores concordavam que a imersão ressaltava melhor o significado do batismo como morte e ressurreição,...

... Um indício do significado do batismo é oferecido por três figuras no AT:

1. O dilúvio: 1 Pe 3:19-20 - "... no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão que há muito tempo desobedeceram, quando Deus esperava pacientemente nos dias de Noé, enquanto a arca era construída. Nela apenas algumas pessoas, a saber, oito, foram salvas por meio da água,...".
2. O Mar Vermelho: 1 Co 10:1-2 - "Porque não quero, irmãos, que vocês ignorem o fato de que todos os nossos antepassados estiveram sob a nuvem e todos passaram pelo mar. Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar".
3. A circuncisão: Cl 2:11-12 - "Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos".


Todas estas figuras referem-se de modos diferentes à aliança divina, ao seu cumprimento provisório num ato divino de julgamento e de graça, e ao cumprimento vindouro e definitivo no batismo da cruz. A ligação entre a água e a morte e a redenção é especialmente enfatizado na terceira.

Quando chegamos à ação propriamente dita, há muitas associações diferentes; porém mutuamente relacionadas. A mais óbvia é a da lavagem em Tt 3:5 - "não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,", sendo que a água purificadora é ligada com o sangue de Cristo, por um lado, a com a ação purificadora do Espírito, por outro lado (veja 1 João 5:6 e 8 - "Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo: não somente por água, mas por água e sangue. E o Espírito é quem dá testemunho, porque o Espírito é a verdade... o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes".), sendo que, assim, somos levados imediatamente à obra divina da reconciliação. Uma segunda associação é aquela da iniciação, adoção ou, mais especialmente, regeneração (Jo 3:5 - "Respondeu Jesus: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito"., sendo que, mais uma vez, a ênfase recai sobre a operação do Espírito em virtude da obra de Cristo.

Estes temas diferentes acham seu enfoque comum no pensamento primário do batismo (no poder destruidor, porém também vivificante, da água) no sentido de afogar-se e emergir à nova vida, i.é, morte e ressurreição (Rm 6:3-4 - "Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova").

Mas aqui, também, o que a ação realmente testifica é a obra de Deus na morte vicária e ressurreição de Cristo. Esta identificação com os pecadores, no julgamento e na renovação é aquilo que Jesus aceita quando vem para o batismo de João, e o que Ele cumpre quando toma Seu lugar entre dois ladrões na cruz (Lc 12:50 - "Mas tenho que passar por um batismo, e como estou angustiado até que ele se realize!"). Aqui temos o verdadeiro batismo do NT, que torna possível o batismo da nossa identificação com Cristo e subjaz o sinal exterior, pelo qual é confirmado. Como a pregação e a Ceia do Senhor, "Batismo" é uma palavra evangélica que nos diz que Cristo morreu e ressuscitou em nosso lugar, de modo que nós morremos e tornamos a viver nEle, e através dEle (Rm 6:4 e 11 - "Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova... Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus".)”.

O Novo Dicionário da Bíblia:
J. D. Douglas praticamente nos oferece o mesmo conteúdo dos tópicos anteriores. Por isso, não há necessidade de repetir a mesma abordagem.

Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia:
R. N. Champlin nos traz alguns acréscimos interessantes:

"Os ritos de iniciação e purificação são antiquíssimos, sendo comuns praticamente a todas as religiões. As purificações estavam ligadas ao nascimento, à morte, à guerra e ao contato com os mortos ou com supostos espíritos. Nas religiões primitivas, acreditava-se que a água envolvia alguma espécie de vida, mormente no caso de águas que manam do solo e se movem sob a forma de ribeiros ou rios. Até mesmo lagos e oceanos, que demonstram movimento à superfície de suas águas, eram tidos como investidos de vida. Na religião dos antigos gregos encontramos muitas alusões poéticas a tais crenças. Na Ilíada, encontramos o rio vivo, divino e personificado de Escamander, bem como as águas constantes da poesia grega. Na Índia, as águas do santo rio Ganges são especialmente valorizadas comno purificadoras. No culto de Isis, o rio Nilo figurava de forma proeminente, e suas águas eram levadas até mesmo a países estrangeiros, com o propósito de servirem em ritos religiosos. Os antigos teutões e celtas tinham ritos de iniciação e purificação que envolviam o elemento água, muito antes do cristianismo haver chegado às suas terras. Os romanos davam nomes e reconheciam a paternidade através do uso da água. Entre outros povos, era praticado um certo rito de batismo com sangue e saliva".

O mais, Champlin trará o mesmo conteúdo dos demais acima citados.

Completando:
Há algumas questões que gostaria de ressaltar antes de concluir:

1. É interessante observar que João Batista simplesmente aparece operando a prática do batismo. De onde ele se baseou para fazê-lo? Não sabemos. Pressupomos que o tenha feito em obediência à Deus como o último profeta da antiga aliança que anunciava a nova aliança em Cristo. Digo isto, porque não se tem em nenhuma outra cultura ou religião a aplicação do batismo da forma como João nos trouxe e foi aprovado por Cristo. Este modo de batismo por sua vez foi adotado pelos discípulos de Cristo e perdura até os dias de hoje.
2. É que o NT faz a ponte e nos revela o significado deste e porque sua forma era aplicada como era (imersão), ligando isto ao dilúvio (Noé); a circuncisão (Abraão) e a Moisés (Mar Vermelho). Dentro disso, o NT liga o batismo a obra de Cristo na cruz. É importante observar que em todos estes casos veterotestamentários, o dilúvio está ligado a situações de rompimento com algo anterior e passagem para um novo tempo, pacto ou aliança:

* O dilúvio sepultou o mundo antigo e trouxe o novo mundo quando Deus faz um pacto com Noé;
* A circuncisão trouxe o pacto entre Deus e sua descendência;
* Em Moisés, o Mar Vermelho rompe a escravidão egípcia e conduz o povo em direção a terra prometida.


Todos estes exemplos veterotestamentários apontam para a nova aliança em Cristo por meio do sangue e da água!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Stephen Henry Roberts: "Todos São Ateus!" (?)



Parafraseando:
"Você é um ateu de algum deus. Se você crê em Jeová ou Jesus Cristo você não crerá em Alá, ou Brahma, Shiva, Mitra, Zeus, ou outro deus. Em resumo você SEMPRE será um ateu em relação a algum deus".

"Ateísmo não é um verbo, e sim um atributo de alguém. Se a pessoa acredita em um Deus, não é “quase ateu” e nem “ateu”. Seria o mesmo que dizer que uma mulher é virgem em relação a outros parceiros. Ou então alguém é vivo em relação a outros tipos de mortes. Para esse tipo de questão não há “quase”. Ou é ou não é. A técnica é tão pífia que deve ser encarada como piada". (http://lucianoayan.wordpress.com/…/14/tecnica-todos-sao-at…/)

Dicionário On Line:
Ateu
adj.
1. Descrente, ímpio.
s. m.
2. Aquele que não crê na existência de Deus.


Pois bem, o cristão acredita num tipo de Deus. Logo, ele não pode ser um ateu porque um ateu está a negar a existência de qualquer ser sobrenatural.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Mei long: o suposto ancestral das aves!?!

A imprensa mundial, incluindo jornais e revistas científicos, se ocupou, nos últimos dias, do fóssil mei long, descoberto pelo paleontólogo Xing Xu, da Academia Chinesa de Ciências, na província de Liaoning, na China. No Brasil, a revista Istoé, edição 1828, de 20/10/2004 apresentou a notícia na seção “Século 21”, p. 86:

Dino voador
"Cientistas chineses acharam o fóssil de um filhote de dinossauro que morreu dormindo, há mais de 130 milhões de anos. A postura do bicho – pescoço curvado para trás e cabeça sob uma das asas – reforça a idéia de que aves e dinossauros têm mais em comum do que se imaginava. O dinossauro Mei long (dragão em sono profundo, em chinês) provavelmente morreu devido a uma erupção vulcânica que arrasou parte da atual província de Liaoning, Nordeste da China".

O jornal Folha de S. Paulo foi bem mais abrangente na reportagem que publicou na seção “Folha Ciência” de 14/10/2004, assinada por seu editor de ciência, o jornalista Cláudio Ângelo. Ele inicia seu texto dizendo:

“Um filhote de dinossauro que morreu dormindo há 130 milhões de anos na China é a mais nova evidência de que os pássaros de hoje são os herdeiros daqueles répteis. Seu esqueleto preserva um flagrante inédito da posição do animal durante sua última soneca. E mostra que os dinos dormiam exatamente como as aves”.

Mais adiante ele diz:
“O mei long é um exemplo único daquilo que os paleontólogos chamam de comportamento fossilizado. Sendo apenas impressões numa rocha de um organismo que morreu há muito tempo, os fósseis geralmente não dizem muita coisa sobre o cotidiano desse organismo. E tais detalhes podem ser essenciais para definir relações de parentesco”.

A reportagem de Cláudio Ângelo foi transcrita na íntegra pelo Jornal da Ciência, da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em sua edição de 21/10/2004, seção de notícias.

A figura exposta por eles mostra, na parte de cima, o fóssil encontrado, e logo abaixo, a reconstrução do dinossauro, como se estivesse dormindo. Segundo Xing Xu, o fóssil sugere que o dinossauro dormia em uma posição similar à que dormem as aves modernas. O fóssil mei long foi encontrado em sedimentos de origem vulcânica que, submetidos a datação radiométrica, teriam revelado a idade de 130 milhões de anos. Segundo os pesquisadores, naquele tempo Liaoning era uma floresta vulcanicamente ativa, com muita vegetação e alguns lagos. Cientistas não estão bem certos a respeito de como o fóssil foi preservado. Uma das possibilidades é que a exposição a um gás vulcânico tenha matado a criatura que, posteriormente foi coberta por cinzas e sedimentos. Todo o trabalho relativo a essa descoberta foi, em parte, financiado pelo Comitê de Pesquisa e Exploração da Sociedade National Geographic.

É interessante observarmos que esta não é a primeira vez que a China produz fósseis que supostamente comprovam a teoria da evolução. Há pouco tempo atrás, nos deparamos com Archaeoraptor liaoningensis, um espécimem encontrado na mesma província de Liaoning, descrito no número de novembro de 1999 da revista National Geographic como um elo perdido na complexa corrente que conecta os dinossauros às aves. Essa mesma revista, mais tarde, teve que se retratar com seu público, reconhecendo que o fóssil era uma fraude, obtido a partir de partes de vários dinossauros.

Como, então, entender que, num momento imediatamente seguinte, um novo fóssil, com as mesmas promessas do anterior, vindo do mesmo lugar e envolvendo praticamente as mesmas pessoas ganhe tamanha projeção? Não seria o caso de se agir, agora, com extrema cautela, dando tempo ao tempo e permitindo um número maior de análises antes do pronunciamento definitivo? Ou será que evolucionistas estão se sentindo sufocados pelo tempo, que passa célere sem revelar os fatos da natureza que poriam fim ao confronto entre criacionistas e evolucionistas?

O problema é que mesmo que esse fóssil se mostre verdadeiro são discutíveis os ganhos que daí se possa auferir em favor do modelo da evolução. Durante mais de 100 anos, evolucionistas têm levado em consideração o que Darwin disse a esse respeito: que fósseis de transição são uma necessidade para o seu modelo, afiançando que seriam encontrados no futuro, quando o registro fóssil fosse extensivamente pesquisado.

Hoje, porém, decorrido todo esse tempo, são inúmeros os paleontólogos sérios, mesmo de comprometimento com o modelo da evolução, que atestam a completa ausência de formas de transição entre as espécies. Pode-se ver esta realidade até mesmo nas palavras daquele que foi, muito provavelmente, o mais expressivo anti-criacionista que o meio científico já produziu, o Dr. Stephen Jay Gould, em seu artigo “A short way to big ends”, publicado na revista Natural History, vol. 95 (janeiro de 1986), pp.18-28:

“Estudos que tiveram início no começo dos anos 50 e continuaram a um passo acelerado, hoje revelam um registro fóssil pré-cambriano significativo, mas o problema da explosão do pré-cambriano não cedeu, uma vez que nosso maior esforço falhou em identificar qualquer criatura que possa servir como um ancestral imediato plausível para as faunas cambrianas”.

Quem quer que se disponha a pesquisar o registro fóssil verá que essa mesma realidade que Stephen Jay Gould apresenta em bloco, para todo o conjunto de seres vivos, pode bem ser estendida para cada espécie em particular. Se evolucionistas estão corretos em sua pressuposição acerca da evolução, também é verdade que a “mãe-terra” resolveu ser cruel, removendo todas as evidências que dela poderiam ser extraídas em favor do modelo da evolução.

Em função desses fatos, é simplesmente ridícula a transição de conceitos que evolucionistas querem promover com o fóssil mei long. Impossibilitados de encontrar verdadeiros fósseis de transição, eles resolvem entender que uma relação de ancestralidade pode ser caracterizada se pudermos mostrar que o ancestral dormia na mesma posição em que dormem hoje seus supostos descendentes. Será que isso é algum tipo de brincadeira?

Diante de tão esdrúxulo raciocínio, só mesmo um pouco de ironia. Meu gato, que aqui, costuma dormir como gente, com o corpo esticado e cabeça no travesseiro. Não sei de outros gatos que procedam da mesma forma, mas nesse ponto estamos equiparados já que, para todos os fins práticos, o mei long também é único. A vantagem começa quando consideramos que mei long é um fóssil de dinossauro que supostamente estava dormindo, enquanto que o gato não é uma suposição, com muitas testemunhas oculares. Assim, considerando-se o paralelismo entre esses dois casos, podemos concluir que as conclusões também serão similares, isto é, que os gatos são ancestrais do seres humanos. Será por isso que as garotas chamam os rapazes bem apessoados de “gatinhos”?

Ironia à parte, o fato é que evolucionistas poderiam dar uma contribuição à ciência realmente positiva se levassem em conta, para os seus argumentos e conclusões, leis matemáticas há muito estabelecidas nos campos da estatística e da teoria das probabilidades. Seria bom que eles mesmos nos esclarecessem se agem dessa forma por falta de conhecimento ou de honestidade intelectual. Pessoalmente, creio mais nessa última possibilidade, porque em suas especialidades, quando fazem experimentos laboratoriais, via de regra fazem uso de todos os procedimentos estatísticos, como instrumentos para obter conclusões cientificamente válidas de seus trabalhos.

Entretanto, quando o tema é a validade das idéias evolucionistas, aí vale tudo que for a favor dessas idéias. Foi assim que Carl Sagan, um cientista norte-americano, considerando que a Terra é o único planeta do sistema solar em que encontramos seres vivos, procedeu a um cálculo, supostamente fazendo concessões contra sua própria tese, que o levou a concluir que há vida em cerca de quinhentos mil pontos do universo. Parece que ninguém lhe explicou que extrapolações dessa natureza são absolutamente proibidas no mundo da ciência, que não se aplica teoria das probabilidades quando o espaço amostral é um conjunto unitário.

O caso do mei long não é diferente. O fóssil é único, e mesmo que fossem cinco ou dez, ainda assim não se constituiriam em um espaço amostral significativo para a comprovação de que era daquele jeito que os dinossauros dormiam. Como se isso não bastasse, ainda temos o raciocínio tortuoso, que obviamente não seria endossado por Darwin, de que a postura de um animal já extinto, ao dormir, implica em uma relação de ancestralidade com os animais que hoje vivem e que dormem na mesma posição.

Para os que julgam que criacionismo é coisa de religião, lanço aqui um desafio, para que mostrem qualquer afirmação neste artigo que não esteja em plena consonância com os padrões da mais pura metodologia científica e que não obedeça a uma lógica rigorosa de raciocínio, instrumento imprescindível para uma conclusão verdadeiramente científica.

Sistematicamente no mundo da ciência: criacionistas podem trazer à cena dezenas de argumentos em favor de seu modelo, e isso não terá valor algum: em contrapartida, evolucionista podem dizer qualquer coisa em favor da evolução, mesmo sem lógica alguma, como fruto de um raciocínio completamente destituído de sentido, e mesmo assim seu valor será total.

Só assim se pode entender tantos pronunciamentos em favor do mei long, considerando-o a prova irrefutável e inequívoca de que os dinossauros são ancestrais das aves modernas.

Fonte:

O Prof. Christiano P. da Silva Neto é professor universitário, pós-graduado em ciências pela University of London, estando hoje em tempo integral a serviço da ABPC - Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, da qual é presidente e fundador. Autor de cinco livros sobre as origens, entre os quais destacam-se Datando a Terra e Origens - A verdade Objetiva dos Fatos, o Prof. Christiano tem estado proferindo palestras por todo o país, a convite de igrejas, escolas e universidades.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Conversa de Pilatos e Jesus (Debate)

Proposta de Élbio na CDB:

Quem ouviu o diálogo entre Pilatos e Jesus (João cap. 18)?

Mais interessante: Em que língua eles conversaram?

Pilatos falava aramaico? Não vamos pedir o hebraico...

Jesus falaria grego ou latim?

Teria aprendido línguas estrangeiras durante o humilde ofício de “carpinteiro”?

Haveria um tradutor, não citado no evangelho?

Existem duas possibilidades: nunca existiu tradutor – logo nunca houve diálogo entre Pilatos e Jesus – ou houve um tradutor, mas não é citado porque nenhum dos discípulos assistiu tal diálogo. Se não assistiram, como sabem o que foi dito?

Quem contou o teor do diálogo a João? Diálogo realizado em que língua?
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Lukas responde:
Provavelmente ambos falavam grego...

O inculto aqui parece ser o contestador, que não sabe:

1 - na antiguidade era mais comum saber várias línguas que hoje... esse lance de saber só a "língua materna" é fenômenos dos nacionalismos do século XIX...
2 - pilatos enquanto oficial governador devia certamente saber pelo menos as línguas dominantes de sua província, o grego e o aramaico...
3 - quem escreveu a história do brasil não estava presente no famoso "grito da independência"... nem por isso as pessoas deixam de acreditar que em algum momento D. Pedro decidiu enviar uma carta ao seu pai em Portugal declarando-se rei de uma monarquia independente daquele reino...
e pode dizer pros palhaços que enquanto se tratar de história eu vou derrubar argumento por argumento deles... teologicamente falando, não me arrisco, mas um mestre quase doutorando em história não engole essas asneiras de quem aprendeu tudo com as apostilas do objetivo ou do anglo...
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Complementando (Pipe):

Só gostaria de acrescentar a isto o seguinte com relação ao tópico da CDB:

* Se Pilatos não falava aramaico ou hebraico, como foi que este fez a pergunta ao povo no julgamento entre Jesus e Barrabás? Será que Pialtos perguntou em latim ao povo judeu que falava aramaico? rsrsrs... Bom, então seguindo este raciocínio chegamos a certas conclusões:

1. Ou o povo entendia latim (e Jesus seria um dentre o povo);
2. Ou Pilatos sabia falar aramaico;
3. Ou tinha um tradutor presente ao lado de Pilatos.
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Élbio contra-argumenta:

O inculto aqui parece ser o contestador

O autor do tópico nada afirma: pergunta. Levanta algumas possibilidades e deixa as respostas virem. Acrescenta, de vez em quando, fontes bibliográficas apoiando "todas" as possibilidades (latim, grego, não houve diálogo, houve testemunhas, os guardas espalharam notícias, etc., etc.). Mostra, com isso, claramente sua disposição em alcançar a melhor alternativa.

Em nenhum momento trata quem quer que seja por "inculto", o que seria uma ignorante demonstração de falta de educação e finesse no debate.

Mas vejamos as afirmações mais cultas:
1 - na antiguidade era mais comum saber várias línguas que hoje... esse lance de saber só a "língua materna" é fenômenos dos nacionalismos do século XIX...
"Eu acho" (achismo). Fontes?
2 - pilatos enquanto oficial governador devia certamente saber pelo menos as línguas dominantes de sua província, o grego e o aramaico...
"Eu acho" (achologia). Fontes?

Pontius Pilatus era tão arrogante que nunca teria interesse em aprender a língua de um povo sob domínio. Os judeus que o entendessem.

Fontes: FILO DE ALEXANDRIA, respeitado historiador da época, nos diz que Pilatos era conhecido por sua crueldade e desprezo pelos judeus: “... inflexível, uma mistura de obstinação e implacabilidade, conhecido por suas vinganças e por seu temperamento furioso”.

A comparação com o "Grito da Independência" foi espetacular. De Adauto.
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Refutando (Pipe):

Primeiro ele afirma:
Pontius Pilatus era tão arrogante que nunca teria interesse em aprender a língua de um povo sob domínio. Os judeus que o entendessem.

Esta é a afirmativa! Agora vamos a sua fonte histórica de onde ele pressupõe que Pilatos não sabia aramaico:

Fontes: FILO DE ALEXANDRIA, respeitado historiador da época, nos diz que Pilatos era conhecido por sua crueldade e desprezo pelos judeus: “... inflexível, uma mistura de obstinação e implacabilidade, conhecido por suas vinganças e por seu temperamento furioso”.

Se o que o tal Élbio estiver pressupondo em cima do que Filo disse seja fato, ou seja, que devido a crueldade de Pilatos e seu desprezo pelos judeus este não sabia aramaico, em que língua Pilatos se dirigiu ao povo que ele desprezava?

Os quatro evangelhos foram escritos em grego. Isto demonstra que tanto os evangelistas quanto os outros autores neo-testamentários sabiam pelo menos grego além do aramaico. Pois, Os quatro Evangelhos, Tiago, Pedro, Epístolas de João, Judas todas foram escritas em grego. Portanto, todos estes apóstolos sabiam grego além do aramaico. Possivelmente, Jesus também sabia grego, pois em diversas ocasiões conversou com soldados romanos ou em aramaico, ou em grego, ou em latim. Quem poderá dizer que não?

Quando alguém pressupõe o uso de uma fonte, é bom que este use uma que fale de modo claro e não que a fonte seja alvo de uma especulação imaginativa que fica a critério de cada um interpretá-la como desejar.

O fato é que a Bíblia diz que Pilatos falou com Jesus e Jesus o entendeu. Se foi em latim, grego ou aramaico, não sabemos.

Segunda coisa, é que a Bíblia diz que Pilatos falou com o povo e o povo o entendeu. Se foi em latim, grego ou aramaico, não sabemos. O que sabemos é que o povo o entendeu e o respondeu.
Dae, fica a critério da imaginação Élbiana de cada um ficar especulando:

1. que Pilatos não sabia grego ou aramaico.
2. que o povo não sabia grego e latim.
3. que jesus não sabia grego e latim.
4. que o povo sabia grego ou latim, menos o "ignorante" do Jesus.

Todos os seus apóstolos sabiam pelo menos aramaico e grego. Mas, como Jesus não escreveu nenhum livro e não sabemos se sabia grego também, estamos diante de uma mera conjectura.

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Lukas refutando Élbio:
Não disse que acho em nenhuma das vezes... eu sei... se você não sabe sr. élbio... corra atrás... ninguém mandou passar o dia no orkut ao invés de fazer uma faculdade de história... sei por exemplo que o sr. não entende nada de lógica escolástica... então vou explicar direitinho... a afirmação 2 subjaz à afirmação 1, logo pode ser conjectural. se a afirmação 1 é correta a 2 passa a ser correta em tese pelo menos... seu pensamento cartesiano cegou-lhe a visão sistêmica da proposta.

Não faço achismos... não creio que uma teoria, cuja fundamentação se dá em cima de um axioma seja em absoluto superior que a crença na palavra de um homem, ou muitos deles. Se o sr. Elbio soubesse que o falso também é verdadeiro (se seu pensamento cartesiano lhe permitir entender essa sentença) ele não ficaria procurando pelos em casca de ovo e cuidaria das afirmações que faz em público, pois elas podem ser comprometedoras...

Sendo assim, Filo de Alexandria, respeitável historiador da época era amigo de Pilatos? viveu sob seu jugo? esteve presente nas promulgações de sentenças do governador da Judéia?

Aparentemente ele estava mais preocupado em resolver as querelas entre gregos e hebreus em Alexandria, no Egito, fora do domínio pilatiano, perante o representante imperial de Calígula, como aparece em Josefo.

E então, pode ele ser uma fonte confiável? Mesmo sem ter presenciado o governo de pilatos? Se sim, o que o torna mais confiável que o cronista do Evangelho?

Me parece que o Sr. Élbio não pensou bem antes de citar Philo de Alexandria, não é mesmo?

A fonte sobre o egípcio-hebreu:
Flavius Josephus. Antiquitate Judaicae
sobre alguns artigos sobre "línguas" na antiguidade e medievo:

New Parameters in Historical Linguistics, Philology, and Culture History
# Calvert Watkins
Culture History through Linguistics
# Yakov Malkiel
Modeling Ancient Population Structures and Movement in Linguistics
# Johanna Nichols
The Study of Foreign Languages in the Middle Ages

# Bernhard Bischoff